terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

NO DIA EM QUE VOCÊ NASCEU: O CALENDÁRIO MUÇULMANO

O calendário muçulmano é um calendário lunar e tem 12 meses, com 29 ou 30 dias. No total, cada ano tem 354 ou 355. A data de início do calendário é o ano de 622 d.C., altura em que Maomé se deslocou de Meca para Medina (Hégira -  هِجْرَة = partida)‎. A diferença para o nosso o calendário de 365 dias cria uma diferença, que vai "aumentando" com o tempo).

Como fazer a conversão? Em tempos tinhamos as tabelas de Ocaña Jiménez, que não eram nada fáceis de trabalhar e que nos permitiam perceber que data de uma calendário correspondia a quê, no outro. Mas aquilo era uma dor de cabeça.

Hoje temos a net. Que sirva positivamente para estas coisas.

Falando do ponto de vista pessoal:

Nasci a 10 de muharram de 1383.

Fui para a escola primária a 25 de rajab de 1389.

Casei-me no dia 25 de muharram de 1408.

Fui eleito presidente da Câmara de Moura no dia 25 de Dhu'l-Qa'dah de 1434.

Iniciei funções no Panteão Nacional no dia 18 de Sha'ban de 1442.

Hoje é dia 10 de Sha'ban de 1445.

Como fazer a conversão? Ver:

http://www.mela.us/hegira.html


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

FINISSAGE

E fechou hoje, com uma visita guiada de Fernando António Batista Pereira, a exposição dedicada à obra de Moita Macedo, no átrio da reitoria da Universidade de Lisboa.

É, na minha opinião, a melhor exposição jamais feita sobre o poeta e pintor. Diverti-me a ver uma pequena máquina do tempo: o documentário "Moita Macedo, pintor e poeta na revolução", realizado aos 17 anos por um futuro diretor do Panteão Nacional.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

O DISCO RISCADO DAS SONDAGENS

Em 2020 foi uma surpresa a maioria absoluta do PS. As sondagens diziam o contrário.

Nas autárquicas de 2021, Carlos Moedas era enxovalhado por Fernando Medina. Viu-se...

Durante toda esta semana era a perda de maioria absoluta do PP na Galiza, que era dada como mais que garantida.

Resultado:










Mas sondam quem? E o quê? E como? (poupem-me a explicações sobre "margens de erro"; muito agradecido)

ARUCIVETUS - UMA MEMÓRIA DE MOURA

Era um sexteto. Gravaram, em 1984, um single, em 45 rpm (rotações por minuto). Tive um gira-discos DUAL, que a minha avó Luzia me trouxe de Madrid, e que reproduzia discos em quatro velocidades: 16, 33, 45 e 78...

Voltando ao que interessa, o sexteto chamava-se ARUCIVETUS e era constituído, e seguindo a ordem da fotografia (da esquerda para a direita), por José Lourinho, Alberto Galanducho, António Bragadesto, João Fernando Costa, João Alberto Pereira e Mário Rui Ventinhas. A aventura musical não teve sequência, mas os ARUCIVETUS fazem parte da memória da minha terra e de minha geração. Na capa do meu disco lê-se: Santiago Macias 31/XII/84. Andava por Moura, como sempre, preparando a passagem de ano.

Foi graças ao José Lourinho que obtive a versão digital dos dois temas do single: Província e Sábio. Vão estar hoje (e na próxima quarta-feira) em destaque na emissão de Rádio Saudade (Moura - 92.8 FM e na net: https://rp.radioplanicie.com).


sábado, 17 de fevereiro de 2024

O MARAVILHOSO MUNDO LIBERAL

E ainda só passaram dois meses...


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

VIOLETTES DE TOULOUSE

Cada vez que há futebol com equipas estrangeiras, instala-se o caos no metro. Urros, "cânticos", saltos - ao ponto da carruagem balouçar (!) - encontrões etc.

Na quinta-feira, entrou uma horda no Terreiro do Paço. Eram os do Toulouse. Iam a caminho da Luz, felizmente. Quando vão para Alvalade é pior. Como mudo no Marquês, tenho de os aturar até ao Campo Pequeno.

Nos anos 30 do século XX havia um perfume: Violettes de Toulouse. A avaliar pelo aroma da claque, devem ter usado um lote muito antigo. E já estragado...


DOUTORAMENTO EM ZOOM

Daqui a pouco, sem a pompa da imagem (Universidade de Paris, no final da Idade Média), mas com alguma formalidade, há a transmissão em direto (videoconferência) de provas de doutoramento em História da Arte. Já participei em vários júris de doutoramento. Mas nunca como arguente na minha Faculdade, e nunca por zoom. Uma dupla estreia.

Às 14.30:

https://www.letras.ulisboa.pt/pt/component/ohanah/doutoramento-em-historia-da-arte-13?Itemid


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

RÁDIO SAUDADE EM PODCAST

Já há podcast, ainda que só me versão "experimental". O programa vai ficando para o futuro. As quatro primeiras emissões já estão disponíveis:

https://soundcloud.com/user-129438212/1-radio-saudade (Maestro José Coelho)

https://soundcloud.com/user-129438212/2-radio-saudade (Amália Rodrigues)

https://soundcloud.com/user-129438212/3-radio-saudade (Maestro José Coelho)

https://soundcloud.com/user-129438212/4-radio-saudade (Nuccia Bongiovanni)


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

GESTÃO E PROTEÇÃO DO PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO: HOW NOT TO BE SEEN...

(Re)começo hoje o seminário de Gestão e Proteção do Património Arqueológico. Com um número recorde de 33 alunos. Prometerei, e tentarei cumprir, um programa com novidades. Um dos tópicos centra-se, sempre!, no que não deve ser feito. Quais os erros a evitar. Exemplos? O processo da Sé de Lisboa, o projeto do Convento do Carmo (Moura), mais a recente desestruturação legislativa e de serviços etc. Os maus exemplos abundam.

Esta nova geração de alunos tem sempre elementos reivindicativos. Isso é francamente bom. Vamos ver como será.

Como não fazer ou como não ser visto... Vai tudo dar ao mesmo.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

VÃO VER QUE É DESTA...

O documento é este (consultado há pouco depois de ler vários textos na imprensa):

https://www.infraestruturasdeportugal.pt/sites/default/files/inline-files/AnexoA1-Fichas-de-Projeto.pdf

Garante a modernização da linha ferroviária, até Beja, no prazo 2021-2030.

2021, 2022 e 2023 já lá vão... E nada ainda.

Em 2030, se ainda cá estiver, estarei aposentado. Resta-me o consolo de saber que só pagarei meio-bilhete... Se isto for verdade.

Vejam este textinho, que escrevi há já 13 anos:

https://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2011/01/beja-o-aeroporto-e-o-comboio.html


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

MINHA TERRA

Florbela Espanca, ontem à noite, no regresso a casa, depois da chuva e no silêncio de uma Moura adormecida. Eram 00:25:53, segreda-me o telemóvel. 


A. J. Emídio Amaro

Ó minha terra na planície rasa,
Branca de sol e cal e de luar,
Minha terra que nunca viu o mar
Onde tenho o meu pão e a minha casa...

Minha terra de tardes sem uma asa,
Sem um bater de folha... a dormitar...
Meu anel de rubis a flamejar,
Minha terra mourisca a arder em brasa!

Minha terra onde meu irmão nasceu...
Aonde a mãe que eu tive e que morreu,
Foi moça e loira, amou e foi amada...

Truz... truz... truz... Eu não tenho onde me acoite,
Sou um pobre de longe, é quase noite...
Terra, quero dormir... dá-me pousada!


domingo, 11 de fevereiro de 2024

PLACIDEZ NA PLANÍCIE MOURENSE

Que fazer num domingo de Carnaval chuvoso e sem graça? Gravar programas de rádio. Mais concretamente "meter voz" nas emissões 7 a 15 da Rádio Saudade. Até meados de abril a programação está concluída. Quando cá vier, dentro de semanas, "avanço" até final de julho.


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

LÁ NO XEPANGARA

Na verdade, não é Xepangara, mas sim Chipangara. Isso é irrelevante. É um bairro na Beira, cidade onde viveu o genial José Afonso. Que apanhou os ritmos africanos com a mesma simplicidade e a mesma beleza com que apanhara o folclore português. Quanto mais o tempo passa, mais o seu fantástico talento se torna evidente.

"Lá no Xepangara" é do álbum "Coro dos tribunais", de 1975. Ninguém diria que tem 50 anos, não é?


Rotunda de Chipangara (Beira).

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

LXV - CRÓNICAS OLISIPONENSES: É PROIBIDO PROIBIR

Foi disso de que me lembrei, do velho slogan, na manhã de ontem (às 11:16:28, diz o telemóvel), ao passar por esta bela imitação de "hispano-árabes", na esquina da Rua Gonçalves Crespo com a Rua Bernardim Ribeiro.

Podemos pensar em variantes:
É proibido vazar anúncios;
É proibido estragar fachadas;
Etc.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

ESCARAPIADA

Como muito bem sabem, há coisas que surgem do nada... Ontem sonhei com a Amareleja, por causa de uma conversa tida ao fim da tarde, na véspera. Hoje de manhã, no metro, sei lá porquê, lembrei-me de uma coisa que já não vejo há muito: as escarapiadas. O meu avô comprava-mas (e palmilhas e popias), na padaria da Ladeira da Salúquia, pela manhã. Foi assim, nas férias, entre 1976 e 1986. Dez anos, entre o começo do liceu e o fim da faculdade. A década do crescimento.

O que são escarapiadas? Receita em:

https://www.amesacomaziza.com/2017/02/21/escarapiada/


terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

HOJE, NA RENASCENÇA

De casa aos estúdios da Renascença é um pulinho (350 metros...). Uma estreia, para mim. Conversa à volta do livro "Património à solta", de Maria Cardeira da Silva (NOVA /FCSH), com a autora e o jornalista José Pedro Frazão. Passa hoje à noite, no programa "Da capa à contracapa".




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

A ARGENTINA? ISSO AGORA JÁ NÃO INTERESSA...

A Argentina foi "interessante" por uns dias. Não interessava a substância, mas as chaladices que Miliei ia dizendo dia-sim, dia-sim. Agora, o país está ao rubro, Milei teve de deixar cair o seu querido pacote legislativo, a inflação disparou e o caos está instalado. Em países onde há comunicação social, o assunto é notícia. Onde não há, não é.


domingo, 4 de fevereiro de 2024

UMA CÚPULA NO CÉU DE LISBOA

É uma questão geracional, seguramente. Mas filmes como "Pobres criaturas" não me aquecem a alma cinéfila. Talvez porque me recordem demasiado Tim Burton, que também não me entusiasma. Este filme tem uma parte passada numa Lisboa imaginária, que tem laivos de Tejo e de Alfama. Há ambientes que sugerem ruas e edifícios. E eis que nos surge, junto a Alfama, uma certa e determinada cúpula. Como uma colega dizia há pouco "é sinal que, na realização desse filme, se lembram do grande Panteão Nacional". Ora nem mais.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

FOI SÓ O LAPSOZITO DO COSTUME

Ou a uma habitual falta de ética, de vergonha, de seriedade etc. (muitos etc.)

Há quatro anos a SIC inventou uma primeira página do "New York Times" (!) sobre a Festa da Avante! ("que mal faz o cagulo?, diz-se na minha terra). Junte-se a isso a omissão de tudo o que o PCP faz, das suas posições políticas, da intervenção dos seus militantes mais destacados, em favor da pouca discreta promoção da extrema-direita.

Ontem, o Expresso veio pedir desculpa por mais um erro. Ri com gosto ao ler a palavra erro. Num anúncio sobre debates apareciam todos os líderes. Todos? Não faltava um. Vejam se adivinham qual... Depois lá emendaram a mão. A intenção não mudará, contudo.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

SÓ CABO VERDE...

Passarei uma parte da tarde de amanhã vendo um jogo de futebol: Cabo Verde-África do Sul. Uma coisa é certa: se Cabo Verde ganhar será a única equipa ainda em prova a estrear-se nas meias-finais da CAN. A Nigéria já por lá andou 15 vezes, a Costa do Marfim 10, a República Democrática do Congo 5, a África do Sul 3 e o Mali (que nunca venceu!) 6.

A comunicação social lusitana tem ignorado, quase por completo, a CAN.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

UM JACKPOT LITERÁRIO NO SÉCULO XI

O livro (Histoire des Almohades, de Abd al-Wahid al-Marrakushi, escrito em 1227 e publicado em Argel, em 1893) não existia em Portugal. Recordo-me de o ter consultado, em 2003 ou 2004, na Biblioteca do INALCO (Institut National des Langues et Civilisations Orientales), em Paris. Tenho na memória uma sala de leitura “à antiga” (pouca luz, muitos móveis em madeira, catálogo manual...), onde gastei, com prazer, largos dias. O livro não acrescentava nada de excecional à informação que já tinha sobre o sul de Portugal. Estaquei, contudo, atónito, nesta colorida passagem, relatada pelo poeta Ibn Habous:

Cheguei um dia a Silves, depois de ter estado três dias sem comer. Perguntei a quem me poderia dirigir naquele local e um habitante indicou-me Ibn al-Milh. Fui então à oficina de um encadernador que, a meu pedido, me deu uma pele muito fina e um tinteiro, e escrevi versos em louvor daquele de quem me tinham dito o nome; fui depois a sua casa. Encontrei-o no vestíbulo e ele respondeu de forma muito graciosa à minha saudação, acolhendo-me da forma mais amável: "suponho, disse-me, que és estrangeiro". Assim é, respondi. "E a que classe de homens pertences?". Sou, respondi, um literato, um poeta, quero dizer, e pus-me a recitar os versos que tinha acabado de escrever. Ouviu-os muito bem, convidou-me a entrar e, fazendo que me servissem de que comer, conversou comigo com uma amabilidade que nunca tinha visto. Quando pedi licença para me ir embora, saiu e voltou a entrar, seguido por dois criados que traziam um cofre, que fez pousar à minha frente. Abriu-o e tirou de dentro 700 dinares almorávidas, que me deu. "Toma o que é teu", disse-me, entregando-me mais uma bolsa contendo 40 meticais, "isto é mais uma prenda minha". Surpreendido com as suas palavras, que eram para mim um verdadeiro enigma, perguntei de onde vinha "o que era meu". "Fica a saber, respondeu, que pus de parte uma das minhas propriedades, cuja receita anual é de 100 dinares, que destino a poetas. Acontece que nenhum me procurou, nos últimos sete anos, devido aos problemas que assolam o território, e foi assim que se acumulou a soma que te é entregue. Quanto aos 40 meticais, são dos meus rendimentos pessoais".

A data de nascimento de Ibn al-Milh é incerta, admitindo-se que possa ter ocorrido por volta de 1030. Sabe-se que morreu em 1107. A referência aos “dinares almorávidas” ajuda-nos a enquadrar este episódio nos finais do século XI, porque é a altura em que essas cunhagens começam. Os últimos 15 anos do século foram marcados por grandes convulsões. O emir almorávida Yusuf b. Tashfin derrotou os cristãos em Zalaca, em 1086, e assumiu depois posições de maior força. O príncipe sevilhano al-Mutâmide, o homem mais poderoso do sul, acabou deposto pelos almorávidas, e exilado, em 1090. Ou seja, a acalmia sugerida pelo texto deverá ter ocorrido na última década do século, e depois de restabelecida a paz nos territórios meridionais.

O curioso neste texto é que há uma espécie de um 3-em-1. Por um lado, a concessão de uma bolsa literária, depois a existência de um poeta-mecenas. Depois ainda, a ideia de um “jackpot”. Ou seja, de um prémio acumulado, que foi entregue a um afortunado Ibn Habous.

Quanto valeu o “jackpot”? É só fazer contas. 700 dinares (3,85 g., cada) equivalem a cerca de 2,5 kg. de ouro. Nada menos de 150.000 euros em moeda atual. 21.400 euros de bolsa literária por ano? Rico mecenas, o nosso Ibn al-Milh...

Crónica em "A Planície". Pintura orientalista de Ludwig Deustsch.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

E O VENTO?

A expectativa era grande. Tão grande quanto o desapontamento. O documentário que ontem passou na televisão sobre a ligação entre Fellini e a psicanálise tinha um ponto de partida estimulante. Mas foi quase sempre um flop, envolto numa insuportável pedanteria de discursos. Algumas das mais notórias obsessões de Fellini não foram tocadas. Repisaram-se caminhos e ideias. E ninguém falou daquele vento sibilante e misterioso que surge em todos os seus filmes.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

AMERICAN DRIM

É um pequeno clip de um filme com 54 anos. Frederick Wiseman, o seu realizador, tinh, na altura 40. O filme é uma denúncia do sistema social do american drim.

Bem entendido que hoje, com todos os ratos brancos da burocracia dos érre-gê-pê-dês à espreita, este filme não seria hoje possível. Benditos os "bárbaros tempos" em que se faziam filmes assim.

"Hospital" data de 1970. Passou aqui pelo blogue há 10 anos.


domingo, 28 de janeiro de 2024

CRÓNICAS DO 54 - Nº. 3: O DENSO MISTÉRIO DO 3599

É uma daquelas coisas sofisticadas, que funciona catolicamente: quando Deus quer...

Refiro-me ao 3599, o serviço de SMS da Carris, que nos avisa do horário de passagem dos autocarros. No 54, ao fim do dia, é quando calha. Primeiro diz que passa daí a 5 minutos, depois 4, depois 3, depois não passa e é só daí a 36 minutos. Em noites de frio e/ou chuva dá um jeitão. Mas que é moderno, lá isso é.

sábado, 27 de janeiro de 2024

DOMINGOS SEQUEIRA

Um quadro de Domingos Sequeira foi comprado pelo Estado, em 2015, por 600.000 euros.
Outro quadro, pertencente ao mesmo conjunto, foi autorizado a sair do País, segundo afirma o "Expresso" contra a opinião abalizada de especialistas. Está à venda por 1.200.000 euros.

A notícia é esta. E agora?, é a pergunta que cabe fazer.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

CARRO PRETO

Hoje, é dia de recordar este sucesso com umas décadas. Não por causa da letra, mas por causa de um certo e determinado carro preto.

O êxito de Jorge Ferreira tem quase 40 anos!




quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

TRATADO DO ELISEU

A data do Tratado do Eliseu foi assinalada no Panteão Nacional

Deslocaram-se ao Panteão Nacional, no passado dia 22, as embaixadoras da França, Hélène Farnaud-Defromont, e da Alemanha, Julia Monar, que assinalaram simbolicamente a data do tratado do Eliseu colocando uma coroa de flores junto à placa de homenagem de Aristides de Sousa Mendes.
Estiveram ainda presentes no ato descendentes do cônsul de Bordéus.


quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

HOJE, NÃO SE FALA DE OUTRA COISA...

Não é para "ser diferente", mas esta campanha publicitária suscita-me muitas reservas.

A ideia é engraçada? É.

Mas, enquanto potenciais clientes, fixamo-nos na "piada" e não no objeto. Alguém se recorda do nome da estante? Assim, qual o fito deste campanha? Na verdade, a IKEA torna-se participante (in)voluntária no momento político...


terça-feira, 23 de janeiro de 2024

NO DIA EM QUE CAMÕES NASCEU...

Aparentemente, pode ter nascido no dia 23.1.1524. Faz hoje 500 anos. Os dados são menos que poucos, mas investigadores da Universidade de Coimbra pensam ter achado a data precisa, por causa de uma referência a um eclipse, num poema. E porque não? 


O dia em que eu nasci, moura e pereça
Não o queira jamais o tempo dar,
não torne mais ao mundo e, se tornar,
eclipse nesse passo o sol padeça.

A luz lhe falte, o sol se escureça,
mostre o mundo sinais de se acabar,
nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
a mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
as lágrimas no rosto, a côr perdida,
cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
que este dia deitou ao mundo a vida
mais desgraçada que jamais se viu.


segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

ILHA DE MOÇAMBIQUE

Há iniciativas algo bizarras... Como esta exposição, de Susana Rapazote. Que vi anunciada em duas páginas, no facebook. E que não encontrei em mais lado nenhum. Numa das páginas lá se referia que as fotografias estavam ao fundo da rua principal da LxFactory. O site da LxFactory nada diz.

Era domingo e a exposição estava fechada... Está patente ao público no 1º. andar de uma loja de roupa. Lá consegui ver a exposição, sobre um dos meus "sítios míticos" (talvez lá consiga ir um dia...): a ilha de Moçambique. E depois acontece que a exposição vale a pena. É pena toda aquela descoordenação...




domingo, 21 de janeiro de 2024

OS MONTY PYTHON E JAIME NOGUEIRA PINTO

Há frases de grande efeito, mas que não querem dizer coisa nenhuma (ou quase...) e baralham quem ouve um programa. Ontem, na Antena Um, em "Radicais livres", Jaime Nogueira Pinto teve esta tirada: "toda a gente sabe que os sítios que foram colonizados pelos romanos são hoje os mais desenvolvidos" [um modo fofinho de justificar os colonialismos]. Os interlocutores nada disseram e a conversa seguiu.

Ora bem, a afirmação é falsa. Veja-se a lista de países que não foram romanizados (15 no top 20 do índice de desenvolvimento humano). Ainda assim, a Alemanha e o Reino Unido foram-no apenas parcialmente. E a romanização é menos relevante na Bélgica ou no Luxemburgo do que noutros países.

Viva a Frente do Povo da Judeia! 




sábado, 20 de janeiro de 2024

LXIV - CRÓNICAS OLISIPONENSES: SETE RIOS

Primeiro, foi o desatino da mudança do nome das estações:
Palhavã > Praça de Espanha
Sete Rios > Jardim Zoológico
Rotunda > Marquês de Pombal
Socorro> Martim Moniz
Saímos do metro no Jardim Zoológico, mas continuamos a apanhar o comboio em Sete Rios...
Uma escultura de José Aurélio, já com um quarto de século assinala a estação da CP. Os rios lá estão e a imponência do obelisco não deixa que ninguém se perca.
Constatação: as esculturas de José Aurélio não são fáceis de fotografar...


sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

FOTOGRAFIA: 1970-2016

Pequenas perplexidades: o livro apresenta-se como da revolução ao presente, mas inclui quatro livros anteriores ao 25 de abril (Tad Wakamatsu - 1970, Neil Slavin - 1971, Eduardo Gageiro - 1971, Édouard Boubat - 1974...). A explicação é a seguinte: "são obras que permitem estabelecer uma ligação visual e temática entre a representação a nível nacional e internacional". Um frase que justifica tudo e coisa nenhuma. A seleção termina em 2016.

É um livro do gosto "en petit comité". Define-se como sendo um livro que "apresenta os melhores livros editados em Portugal nos últimos cinquenta anos". Bem sei que há sempre seleções e é, sempre, uma questão de gosto... Mas livros como os de Nuno Calvet ou Inês d'Orey são assim tão descartáveis? Ou o "Eden"?




quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

MÉRTOLA, AINDA

O projeto do Campo Arqueológico de Mértola começou em 1978. Vai fazer 46 (!) anos. Não tarda muito estaremos a assinalar os 50 anos. Como será?

Fragmento
Adélia Prado

Bem-aventurado o que pressentiu
quando a manhã começou:
não vai ser diferente da noite.
Prolongados permanecerão o corpo sem pouso,
o pensamento dividido entre deitar-se primeiro
à esquerda ou à direita
e mesmo assim anunciou o paciente ao meio-dia:
algumas horas e já anoitece, o mormaço abranda,
um vento bom entra nessa janela.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

MÚSICA NO PANTEÃO - 3ª. TEMPORADA

No dia 28 de janeiro recomeça o ciclo de "Música no Panteão".

Hoje de manhã, entrevista na "Antena 2" ao jornalista Paulo Guerra, em conjunto com Paulo Amorim, responsável pela programação.


terça-feira, 16 de janeiro de 2024

ORTIZ-ECHAGÜE

José Ortiz-Echagüe (1886-1980) foi uma figura "especial" do século XX espanhol. Engenheiro e gestor de grande relevo, destacou-se também como fotógrafo. O seu pictorialismo é profundamente castelhano. Um tenebrismo muito próximo dos pintores do seu país.

As fotografias de Ortiz-Echagüe causam-me sentimentos contraditórios. Admiro o trabalho dele. Mas muitas imagens causam arrepios. E não são arrepios bons.

A fotografia que aqui se publica é de Berlanga de Duero.



segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

OLAVI VIRTA

Nunca, até sábado à noite, tinha ouvido falar em Olavi Virta. Fiquei sentado, enquanto passavam os créditos finais do maravilhoso "Folhas caídas", de Aki Kaurismäki. Não me livrei do comentário divertido de uma velha amiga "não me digas que estás a pensar aprender finlandês" (ou algo assim).

Nem por isso. Esperava apenas que surgisse o nome do cantor que interpretava várias músicas no filme. Era Olavi Virta (1915-1972), muito popular na década de 50. Cantava, em finlandês, êxitos internacionais da época, entre outras coisas. Como este “Les feuilles mortes”, interpretado por Yves Montand no filme “Les portes de la nuit”, de Marcel Carné (1946).

O filme de Aki Kaurismäki está cheio de referências cinéfilas. Esta é uma delas.



domingo, 14 de janeiro de 2024

LUSITÂNIA, ANOS 70

Aquela repartição do Estado representava um padrão que hoje já quase não existe. Para compor os salários baixos (muito mais baixos que hoje...), muitas funcionárias tinham esquemas "alternativos". Um belo dia, o diretor-geral abriu um armário, para ser submergido por uma avalanche de caixas de soutiens. Uma das trabalhadoras tinha um micro-negócio de roupa interior e era ali o seu micro-armazém.

A melhor história desses tempos é, porém, a da senhora que trouxe para viver com ela o pai, até ali um pequeno agricultor da serra algarvia. Um belo dia, ao chegar a casa, foi confrontada com um aviso "Gertrudes, tens de ver aquela manteiga que tens no frigorífico... Untei com ela um papo-seco e acho que está rançosa". Lá tinha à vida um boião de creme Avon, com que a senhora melhorava o fim do mês.

Era uma Lusitânia de baixos recursos, a daquele tempo. Mas tinha toques e tiques que hoje já não existem. Tinha coisas mais divertidas, isso é certo...


sábado, 13 de janeiro de 2024

CAMARATE

"Podia dar-te para pior". É uma afirmação que ouço, com regularidade, a amigos e familiares. Hoje, a meio da tarde, resolvi ir à procura de um sítio. O local onde onde se deu o acidente do Cessna na noite de 4 de dezembro de 1980. Um parêntesis para deixar claro que a ideia do atentado nunca me pareceu ter pernas para andar. O que sempre me pareceu inacreditável é que seja possível o primeiro-ministro e o ministro da defesa (e acompanhantes) entrarem num aeronave com um registo de segurança pouco recomendável. Coisas tipicamente lusitanas que, naquela noite, acabaram em tragédia.

É extraordinário que tivesse de andar às apalpadelas para encontrar o sítio. Não está referenciado em parte nenhuma (nem no google). Recorri a métodos impressionistas, pouco científicos, mas que deram resultados. Sabia que o avião tinha descolado da pista 17/35, hoje desativada, e que se despenhara pouco depois. Quando vi uma placa indicando Bairro das Fontainhas fez-se-me luz "é este o sítio". Numa rua estreitinha abordei um morador que me apontou uma placa numa parede, explicando "foi aqui mesmo". Eu tinha passado pela placa sem a ver...

Tenho uma convicção antiga. Sempre lidámos mal com a(s) memória(s) neste nosso Portugal.





sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

MARGEM SUL E MARGEM NORTE

Manhã nos Capuchos, na Caparica. O papel das autarquias na Arqueologia e no Património. Agora que celebramos os 50 anos do 25 de abril, convém recordar que há claramente um antes e um depois na Cultura. Coube-me um papel neutro, o de moderador numa das sessões. Cada vez me impressiona mais a diversidade, pertinência e qualidade dos projetos que, em todo o País, vão tendo lugar.

Ao fim da tarde, passagem pela banca dos jornais para comprar a "Visão - História". Muitos séculos da história de Lisboa. Com referência a uma intervenção do poder cordovês na cidade, que teve lugar no ano 985 d.C..




quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

PECADO ORIGINAL E VIDA AUTÁRQUICA

Li, há muitos (muitos, mesmo) anos uma entrevista em que o dr. Sá Carneiro dizia que um político só podia apontar o dedo ao passado nos primeiros seis meses de governação.

Tive hoje acesso a um post do atual presidente da câmara de Moura em que justifica o presente com decisões tomadas em 2007/2008 (!). Ainda o hei-de ver acusar Adão e Eva como desculpa para o amadorismo da sua atuação como autarca.

Reafirmo o que escrevi em dezembro de 2022, e aqui reafirmo!, não me desculpo:

Na última Assembleia Municipal voltei a ser tema. Porque não pagava impostos no concelho de Moura (julgo não ter sido o único e agora haverá outros na mesma situação, mas isso agora já não interessa...) e porque não terei respondido a uma pergunta (não especificada...) numa qualquer Assembleia. É fantástico que todo este tempo passado tenham de recorrer a mim para justificar todo o rol de incapacidades e de incompetências que têm caracterizado estes tristes anos. Confesso que ficaria vaidoso, se não fosse a situação em que vai/vão mergulhando o concelho de Moura.

Dizia o Dr. Francisco Sá Carneiro que as "desculpas" com antecessores só têm seis meses de validade. Parece que há quem faça disso modo de vida.

Uma coisa tenho como certa: SEI que, por mais que se esfolem, nunca conseguirão chegar onde nós chegámos. Nem em termos de obras, nem de concretizações, nem de presença humana junto das populações. E SEI que sabem isso. Tal como SEI que isso os deixa furiosos.

Diverte-me (mesmo, a sério, e com prazer) que usem para promover o concelho as obras que nós concretizámos entre 1997 e 2017. E que não tenham uma só que mereça ser a pena ser citada. O Centro Náutico é uma ilusão, o Centro de Alto Rendimento outra, o Convento do Carmo naufragou na ignorância e na incompetência... Etc.

Não pagava impostos em Moura? Não, mas deixei lá tudo, a pele, a saúde, os melhores anos da minha vida. É para lá que voltarei. É lá que estou, todos os dias. De momento, faço a minha vida profissional na direção do Panteão Nacional. Um dia, a Moura regressarei.

Aos que fazem a sua vida pessoal, profissional e política, de promessas, só posso dizer: coitados...

A imagem é da Capela Brancacci, em Florença. Uma imagem que está num livro, cuja leitura foi decisiva para decidir a minha vida escolar.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

COR OU NÃO

Mark Rothko é cor. Nem sempre.

Este trabalho de 1950 (Nº. 10) é um das suas muitas pinturas a preto e branco. A ideia de corte, de fronteira, e de limite entre as superfícies pintadas fez-me lembra um poema de Sylvia Plath que já por aqui passou, há mais de 10 anos. Também em torno de fronteiras e da cor negra.


















Crossing the Water

Black lake, black boat, two black, cut-paper people. Where do the black trees go that drink here? Their shadows must cover Canada. A little light is filtering from the water flowers. Their leaves do not wish us to hurry: They are round and flat and full of dark advice. Cold worlds shake from the oar. The spirit of blackness is in us, it is in the fishes. A snag is lifting a valedictory, pale hand; Stars open among the lilies. Are you not blinded by such expressionless sirens? This is the silence of astounded souls.

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

ZECA, SEMPRE!

Um bonito memorial a Zeca.
Muito bonito. Ainda que demasiado inspirado em Marco Cianfanelli e na sua homenagem a Nelson Mandela.
Quanto ao resto... Zeza, sempre!




ROMA È ADESSO!

Começo agora a esquiçar, assim muito de-va-ga-ri-nho, o oitavo livrinho da série, depois de:

  • Síria (2005)
  • Mar do meio (2009)
  • Moura-Bissau (2010)
  • Casas do Sul (2013)
  • Mesquitas (2019)
  • Bolama (2021)
  • Mértola (2023)

O tema é Roma. Que marcas perenes deixou Roma nos sítios, nas paisagens e nas memórias de todos nós? O desafio é esse. Edição sem data marcada. O texto será bilingue, português-latim.

domingo, 7 de janeiro de 2024

É-ME DIFÍCIL EXPLICAR EXPLICAR O DESPREZO QUE SINTO POR CAMILO LOURENÇO...

Soube hoje, pelo TikTok, que faço parte do maior problema de Portugal. Não percebi exactamente porquê. E que sou "gentinha". Também não percebi exactamente porquê. Bom, grisalho estou. Tal como o sr. Camilo Lourenço.

Sou funcionário público há 37 anos, 3 meses e 12 dias. Tenho o orgulho de estar, há quase quatro décadas, ao serviço da República Portuguesa.

Este tipo de "discurso" merece-me o mais completo e radical desprezo. Porque não tem bases, nem consistência. E porque o único conteúdo ideológico é o ódio ao Estado.