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segunda-feira, 27 de julho de 2026

YO SOY CUBA

Nunca, até há poucos dias, tinha ouvido falar deste filme. "Caí" nele, por acaso, ao procurar planos sequência. Vi, depois, que o Yo soy Cuba, realizado em 1964 pelo soviético Mikhail Kalatazov (1903-1973), ganhara reconhecimento depois de ter sido redescoberto, no início da década do 90, por Martins Scorsese e por Francis Ford Coppola.

Yo soy Cuba tem um argumento esquemático e primário. Mas o que impressiona é a sofisticação da filmagem, a colagem de planos sequência arrojados e a luz (meu Deus!, a luz lida por Sergey Urusevsky).

Vale mesmo a pena ver, em tempos em que somos submergidos por lixo televisivo (e mesmo se aquele hábito russo de duplicar os diálogos se torna irritante...):


domingo, 28 de junho de 2026

MEL BROOKS 100

Faz hoje 100 anos o espantoso Mel Brooks. O primeiro filme que vi dele, em 1975, foi "Balbúrdia no Oeste". A que se seguiu, pouco depois, "Frankenstein Júnior". Juntamente com "The producers" (omito o abominável título que teve em português) são os melhores filmes dele. Deixo aqui o link, para quem tiver paciência para tal:

E saúdo alguém que não faz a mínima ideia de quem eu sou, mas a quem devo muitas horas de boa disposição.

Obrigado, Sr. Brooks!






segunda-feira, 22 de junho de 2026

WATERLOO SUNSET

O passado não é melhor que o presente. Mas tenho saudades de ver bons filmes na RTP1, ao sábado à noite. Procurei este telefilme da BBC durante muito tempo. A "solução" era fácil, mas não me ocorreu que o nome fosse o de uma canção que é cantada, logo no início: "Waterloo sunset", dos Kinks.

De que trata este telefilme absolutamente maravilhoso? É a história de uma senhora idosa, que resolve fugir do lar, e regressar ao sítio de origem. Acaba por, acidentalmente, conhecer uma comunidade de jovens jamaicanos, que a "adota". Resultado: copos, charros, reggae, festas. A história não tem um final feliz. O filho, um "atinadinho", vai resgatá-la dos "perigos" e remete-a, de novo, ao lar. Onde lhe garante que será feliz.

"Waterloo sunset" foi rodado em 1978 e tem um argumento excecional de Barrie Keeffe (1945-2019), de grande ternura e inteligência. E conta com uma soberba interpretação de Queenie Watts (1923-1980), falecida pouco depois da rodagem. O pior é o sotaque cockney dela... Nada fácil de seguir sem legendas.

O filme integrava uma série de peças para televisão (foram gravadas mais de 300!, entre 1970 e 1984), intitulada Play for today.

Gosto do final, quando ela vai no carro, insultando mentalmente os "bourgeois fascists".

Passou na RTP, em 1983 ou 1984. Nunca se me apagou da memória:

Play for Today - Waterloo Sunset (1979) by Barrie Keeffe & Richard Eyre


sábado, 6 de junho de 2026

CARIOCA

Uma conversa à volta de um filme - Do fundo do coração - trouxe para cima da mesa um música de 1933. Que se ouve fugazmente nesse filme, e que sempre tive como memória cinéfila de Francis Ford Coppola.

Trata-se de "Carioca", e foi composta para o filme Flying down to Rio. Era cantada por Alice GentleMovita Castaneda e Etta Moten. Vale a pena ouvir e ver a cena em que Fred Astaire e Ginger Rodgers a dançam.

https://www.youtube.com/watch?v=HA2zuZON5fo

quinta-feira, 19 de março de 2026

UMA TRAGÉDIA GREGA NO CINEMA

Não ganhou nenhum daqueles prémios da estatueta dourada? Parece que não. Mas este é um filme que perdurará. Uma tragédia grega, com um barman-coro a pontuar a narrativa. E com toda a ação centrada (quase só) num único local. E com Ethan Hawke a fazer qualquer coisa de inesquecível. A tragédia de Lorenz Hart (1895-1943) em tons densos, cromáticos e narrativos.

Pensava eu que ia ver um bom entretenimento. Foi melhor que isso.



















segunda-feira, 2 de março de 2026

MEIN DONALD, I CAN WALK!

Sem nenhuma vontade de rir, nem de sorrir, recordo o final de um filme de Stanley Kubrick.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

FREDERICK WISEMAN: 1930-2026

Dia de luto para o Cinema. Morreu, aos 96 anos, Frederick Wiseman. Uma carreira com (muitas) décadas. Filmes excecionais, próximos da ação, com gente de carne e osso. Um pendor vincadamente social.

Muito do que filmou seria hoje, com os ratos brancos do RGPD a ditar regras, literalmente impossível. Fica este excerto de "Welfare", de 1975:


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

EL SUR

Crónica hoje, em "A Planície":

Ao regressar ontem à noite a casa, no meio do frio e de uma bátega que se abatia sobre Lisboa, recordei-me – quase sem saber bem porquê – de um bilhete-postal de Sevilha. Não de um bilhete-postal qualquer, mas de um que se vê, em dado momento, num filme. Sevilha, o sul e o sol são, em “El sur”, de Victor Erice (1984), uma imagem distante e mítica. O local onde alguém nunca regressou.

Neste filme pouco vulgar conta-se a história de uma miúda fascinada com o passado do pai e com o sul. Ambos se misturam. O filme passa-se no norte e as paisagens meridionais surgem em bilhetes-postais, que nos dão uma visão da distância que acentua o seu onirismo. A música é de Enrique Granados e não podia haver melhor acompanhamento para aquele desfilar de postais coloridos. Que sugerem mistério, distância e nostalgia. Deveria ter sido rodada uma segunda parte, onde todo o mistério da vida do pai no sul seria desvendado. O sucesso do filme, e dificuldades financeiras, inviabilizaram a rodagem da continuação. Há males que vêm por bem e tom de mistério manteve-se. Sempre gostei de filmes onde as miragens nem sempre se concretizam e onde podemos olhar o mundo imaginado um pouco à distância. El sur é uma peça de artesanato, bela e única. Tenho pelo filme uma intensa paixão, que ainda hoje se mantém.

 E ”sul” é uma palavra mágica. Como neste filme de Erice, como no conto de Jorge Luis Borges, que funciona como um túnel do tempo, como em “Viagem em Itália”, de Rosselini, onde as imagens do sul são o cenário de uma reconciliação, como no filme mal compreendido e mal avaliado Sammy going south, de Alexander Mackendrick. E que é a história de um rapazinho que corre todo o continente africano em busca do seu sul.

Cine Arcadia é o nome da sala de cinema que aparece no filme de Victor Erice. Arcadia remete-me para Reviver o passado em Brideshead e para todos os momentos de Arcadia. E para Juan Ramón Jiménez, que escreveu “Mi plata aquí en el sur, en este sur, / conciencia en plata lucidera, palpitando / en la mañana limpia, / cuando la primavera saca flor a mis entrañas!”.

Daqui a pouco, já faltou mais, chega a primavera. Haverá romarias e a Feira de Abril, em Sevilha. Haverá a feira de maio. Haverá o sul, que me falta todos os dias. Em especial nas noites como a de ontem, de chuva e frio e com uma tempestade de nome apropriadamente nórdico.





quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A BOBINA ESQUECIDA

Promessa cumprida. Tinha dito a uma amiga que iria procurar a bobina original do filme sobre Moita Macedo, rodado em super-8. Corresponde ao projeto de montagem inicial (tem a pista de som - ver seta azul -, colocada pelo Centro de Cooperação Técnica), que foi depois retocado em 2013. Ao ver os primeiros frames, à transparência, à maneira antiga, dei-me conta que há material inédito de interesse documental. Há histórias que nunca acabam...



domingo, 28 de dezembro de 2025

KEN LOACH SOBRE "THE OLD OAK" (e algo mais)

O extraordinário Ken Loach (n. 1936), o homem de quem Cannes gosta, dá uma entrevista onde explica e perspetiva coisas importantes. Aquilo, o seu derradeiro filme, podia ser cá.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O BANDO DOS QUATRO

Eram uma vez um francês, um italiano, um norte-americano e um iraniano. Parece o começo de uma daquelas anedotas, mas não é. Estes quatro senhores são os únicos que ganharam os mais prestigiados prémios do Cinema: Leão de Ouro (Veneza), Urso de Ouro (Berlim) e Palma de Ouro (Cannes). Quando e com que filmes?

Henri-Georges Clouzot (1907-1977):

Manon (1949) - Veneza

O salário do medo (1953) - Berlim e Cannes

Michelangelo Antonioni (1912-2007)

A noite (1961) - Berlim

Deserto vermelho (1964) - Veneza

História de um fotógrafo (1967) - Cannes

Robert Altman (1925-2006)

M.A.S.H. (1970) - Cannes

Bufallo Bill e os índios (1976) - Berlim

Short cuts (1983) - Veneza

Jafar Panahi (n. 1960)

O círculo (2000) - Veneza

Taxi (2015) - Berlim

Foi só um acidente (2025) - Cannes

Pela parte que me toca, sou um convicto altmaniano! Embora "Foi só um acidente", ontem visto, seja poderoso.

domingo, 9 de novembro de 2025

TRÊS FRASES SOBRE A ÓPERA

Do filme "Pretty woman":

People's reactions to opera the first time they see it is very dramatic; they either love it or they hate it. If they love it, they will always love it. If they don't, they may learn to appreciate it, but it will never become part of their soul.

Uma verdade total. Lembrei-me disto ontem à tarde, durante "La bohème", transmitida a partir de Nova Iorque.


terça-feira, 4 de novembro de 2025

REVIVER O PASSADO NO LUMIAR

Rever episódios ocorridos há 45 anos... Algo que não me passaria pela cabeça há uns tempos. Foi ontem, num estúdio televisivo algures no Lumiar, onde fui entrevistado. Um passeio pela memória, pela carreira no cinema que não aconteceu, por um documentário que ficou 33 anos por concluir, pela mais difícil das minhas exposições, por muita coisa que aconteceu e que recordei com gosto.

Ficarei a aguardar o resultado com redobrado interesse.

sábado, 25 de outubro de 2025

ÁGUA MÃE

A notícia é de há pouco: o filme Água mãe, de Hiroatsu Suzuki e de Rossana Torres, ganhou o Prémio da Competição Portuguesa no DocLisboa. Viva!

Por motivos pessoais não pude ver, mas verei. 


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

RECORDANDO EISENSTEIN

O filme nunca foi terminado, mas as bobinas que chegaram até nós (muitas vezes usadas de forma abusiva pelas companhias de Hollywood) são do melhor Sergei Eisenstein que há. O cineasta focou boa parte do seu interesse no Dia dos Mortos. A data aproxima-se. Aqui fica a evocação de um cineasta genial.

E do não menos genial, e quase sempre esquecido, Eduard Tisse (1897-1961). E tanto que o Cinema lhe deve.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

A MOURA ENCANTADA

O filme foi rodado em 1984. Tinha por título "A moura encantada" e foi dirigido por Manuel Costa e Silva (1938 –1999). O autor do argumento foi António Borges Coelho. Do filme não reza(rá) a História. Mas tem curiosidades, como Vitorino em versão príncipe árabe.

Acompanhei as filmagens em Noudar, no verão de 1984. Ao digitalizar os milhare de negativos que há lá por casa vou tendo surpresas. Com esta "reportagem" feita na altura.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

CINEMA

Há muitos anos falaram-me neste livro. Que data do início da década de 60. Há mais de 60 anos, portanto. Não é só a queda do número de espetadores, hoje atraídos por outro tipo de oferta (mea culpa...). É também a menor importância do cinema enquanto Arte (a sétima) e, passe a expressão, o chavascal em que a ida ao cinema se tornou, entre as hediondas pipocas e os refrigerantes. Resta-nos o NIMAS e a Cinemateca. Dois oásis que vão sobrevivendo.

Nunca li o livro de John Spraos. Mas tenho agora vontade de o fazer.


terça-feira, 24 de junho de 2025

RODAGEM


Isto tem andado agitado. Por dentro e por fora. Por iniciativas nossas e de outros. Programas televisivos (dois), mais uma reportagem a caminho e ontem, para compor o ramalhete, uma cena de uma longa-metragem. Corte de trânsito, polícias, o que é costume em dias assim.

Gosto da agitação. Pode parecer contraditório com um cemitério, mas não é.


domingo, 8 de junho de 2025

TARDES DE SOLEDAD

Vi, ontem, um filme excecional. O documentário de Albert Serra é um testemunho que fica para a posteridade. O protagonista é o célebre Andrés Roca Rey, mas o filme é muito mais que isso. O som (das conversas, dos aplausos, da respiração dos touros) é um dos grandes elementos de "Tardes de soledad". Depois há o vermelho, (da muleta, das bandarilhas, do sangue, da trincheira...). Depois há as lides e a magnífica captação de todos os momentos e da face do toureiro (o medo, a tensão, a adrenalina...).

Li, algures, que Albert Serra não é aficionado. Nem precisa de ser. Bastou-lhe registar, com mestria, aquilo que viu. E que bem soube ver.


quarta-feira, 21 de maio de 2025

CHEGAR A CASA - 10 ANOS DEPOIS

Faz agora 10 anos (!) que teve lugar a estreia de Chegar a casa, uma curta-metragem da minha autoria, que integrou a programação do Festival Islâmico de Mértola de 2015.

Comentário crítico de uma jovem amiga (hoje um pouco menos jovem, mais ainda jovem): "é tipo Manoel de Oliveira, mas felizmente é mais curto". Não tenho a certeza que tenha sido um elogio.