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domingo, 6 de setembro de 2026

FESTA DO AVANTE! 1981

A fotografia tem exatamente 45 anos. Foi tirada no domingo, 6.9.1981. Nesse ano ficámos no acampamento da juventude. Foi no Alto da Ajuda, onde está agora o campus da Universidade de Lisboa. Quem são os do "retrato"? Um grupo de Moura, um litro de leite para cada um em jeito de pequeno-almoço. Da esquerda para a direita: o autor do blogue, Fernando Pinto, António Raposo e José Francisco Moita. O fotógrafo deve ser o Rafael Rodrigues. Só eu não era da JCP. Hoje, é (quase) tudo às avessas.

1981 foi o ano dos Dexys Midnight Runners na Festa do Avante! Mais de quem mais gostei foi dos Dimensión Costeña, um grupo da Nicarágua.

1981 foi também o ano em que estivemos assim todos juntos. Algum tempo depois parte do grupo tomou o caminho da emigração. E as coisas nunca mais foram como antes.


domingo, 30 de agosto de 2026

NUNCA ISTO ESTEVE ASSIM

Um político resolve vandalizar o espaço público. Coloca um autocolante num sinal de trânsito. Um ato ilegal. Faz-se filmar. Faz momices para a câmara.

Mesmo que pague uma multa - chego a duvidar que tal aconteça -, o princípio e o exemplo estão claros. Vale tudo e não acontece nada. É o mundo do caos, de que me falava o meu amigo Miguel Urbano Rodrigues. Teve razão muito antes das coisas acontecerem.


sábado, 29 de agosto de 2026

O CHOURIÇO E O PORCO

"Dão um chouriço a quem lhes der um porco", dizemos nós. O petróleo venezuelano é a versão suínica dos nossos dias.

Houve um acordo. Qual?

Haverá investimento (em quê?) de 100.000.000.000 de dólares na Venezuela. A atual presidente Delcy garante que haverá receitas fiscais de 209.000.000.000 de dólares para o Estado. Quanto valem os barris de petróleo deste acordo? 4.745.000.000.000 dólares. Ou seja, a Venezuela irá receber 6,5% daquilo que valem os seus recursos. Acho que não me enganei nas contas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

NÓS TAMBÉM...

Uma boa notícia, pois.
Nós, portugueses, gostaríamos de ter a mesma opinião.
Quando leio tanto elogio a Portugal, dou comigo a pensar: "eh pá, tanto que eu gostava de viver em Portugal!".


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

FIDEL CASTRO - 100 ANOS

É, certame, uma das personagens mais marcantes do século XX. Uma das mais importante pelo que fez pelo seu povo e que pelo que motivou a outros. Aqui lhe deixo a minha homenagem e a minha profunda admiração. Fidel Castro nasceu há 100 anos, em Birán.

Reproduzo o melhor texto que já li sobre Fidel Castro. Do meu amigo Miguel Urbano Rodrigues:

FIDEL, UM AQUILES COMUNISTA

Em meados dos anos 60, encerrando o XII Congresso dos Trabalhadores Cubanos, em Havana, Fidel formulou um desejo: "que no futuro poucos homens, ou mesmo ninguém, tenham a autoridade que tivemos no início da Revolução, porque é perigoso que seres humanos disponham de tanta autoridade". 

O revolucionário cubano não podia então prever que essa situação, que o preocupava, iria manter-se por muitas décadas. 

A doença que o levou agora a transferir a chefia do Estado e do Partido para o irmão desencadeou a nível mundial uma avalanche de opiniões contraditórias sobre o homem e a sua intervenção na História. Raramente em vida de um estadista célebre se escreveu e falou tanto sobre ele como agora sobre Fidel. 

Ele foi na segunda metade do século XX o dirigente do Terceiro Mundo que maior influência exerceu pela palavra e pela acção no rumo de acontecimentos que marcaram o processo da descolonização e as lutas contra o imperialismo. 

A meditação sobre a temática do poder pessoal acompanha-o desde a juventude. 

Creio que foi sincero ao definir como perigoso o excesso de autoridade concentrada num dirigente. Foram as próprias circunstâncias da História que o investiram de um poder cada vez maior que não ambicionava. 

Fidel tinha lido na universidade os clássicos do marxismo. Estudou-os depois na prisão. Mas a sua opção pelo socialismo resultou do movimento, da dialéctica da História. 

O atentado terrorista que fez explodir [o navio] La Coubre e a invasão mercenária de Playa Giron, ideada e financiada pelos EUA, ocorreram numa época em que o brado soy y seré marxista-leninista, que alarmou Washington, expressou mais a decisão de defender a Revolução situando-a no campo socialista, do que propriamente uma opção ideológica. 

Fidel insistiu muitas vezes no significado que sempre atribuiu à avaliação da correlação de forças. Ao reconhecer que em Cuba foram cometidos muitos erros tácticos na condução do processo, conclui que não identifica um só erro estratégico importante. O mérito, acrescentarei, é seu. 

Já na Sierra Maestra durante a luta armada, ele revelara dotes de um grande estratego. Mas foi posteriormente que, na confrontação permanente com o imperialismo, desenvolveu uma capacidade extraordinária de compreender o movimento da História nos momentos em que o seu rumo se define. 


Escolha dolorosa 

Isso aconteceu concretamente na fase crítica em que a Revolução, numa guinada brusca, rompeu com o discurso e a praxis dos anos da utopia para fazer uma escolha dolorosa. Cuba estava à beira do desastre económico e o único país que lhe estendeu a mão foi a União Soviética. Sem essa aliança tudo se teria afundado. Naturalmente o preço foi muito alto. A Revolução entrou num período cinzento – assim lhe chamaram – num processo de burocratização que atingiu duramente a intelligentsia, sufocou o debate de ideias e a criatividade em múltiplas frentes. 

Mas não havia alternativa. 

Até o Che, o homem novo do futuro, na definição de Fidel, o companheiro entre todos admirado e querido, que tinha sobre o mundo um olhar nem sempre coincidente, reconheceu na sua carta de despedida, ao partir para a aventura africana, que lamentava não se ter apercebido mais cedo das capacidades de liderança e de visão estratégica que faziam do comandante um revolucionário incomparável, único. 

Lenine emergiu como um líder incontestado na mais brilhante geração de revolucionários profissionais europeus do século XX. Fidel não foi tão afortunado, nem isso era possível. 

O núcleo de quadros revolucionários do Exército rebelde era insuficiente para enfrentar após a vitória os desafios colocados pela História. A geração que acompanhou Fidel forjou-se em circunstâncias muito adversas num pequeno país já bloqueado pelos EUA, vítima de uma guerra não declarada. 


A excepção Fidel 

Alguns historiadores criticam em Fidel um voluntarismo que nunca conseguiu dominar. Esse voluntarismo marcou-lhe aliás a intervenção nas lutas do seu povo desde os anos da Universidade. A própria definição que Fidel apresenta do "marxismo martiano" como síntese do materialismo dialéctico e do idealismo que vinha de Luz Caballero y Varela confirma uma evidência: a Revolução Cubana configura um desafio à lógica da História. Assim aconteceu com Moncada, com a aventura do Granma, a luta na Sierra, e o choque posterior com o imperialismo norte-americano. A decisão de resistir e a coragem do povo cubano no combate que confirmou ser possível a resistência serão recordadas pelo tempo adiante como acontecimentos épicos da História da humanidade. 

Ora o épico não pode ser explicado pela razão. 

Para compreendermos a excepção Fidel, os tratados de ciência política são insuficientes. 

Identifico nele uma síntese de heróis mitológicos e de heróis modernos que o inspiraram num batalhar que já se tornou História. 

Fidel traz à memória Aquiles, Martí e Bolívar. 

Do aqueu e do venezuelano herdou a coragem sobre-humana e a fome dos desafios ao impossível aparente. Mas a sede de glória, que acompanhou Bolívar, nunca o fascinou e a desambição foi sua companheira permanente. Contrariamente a Aquiles não atravessou o mar para destruir as Tróias contemporâneas. A sua gente atravessou um oceano mas para levar solidariedade a povos que se batiam pela liberdade. 

Do cubano Martí aprendeu que revolução alguma pode vencer sem fidelidade a uma concepção ética da vida, sem amor pela humanidade. E, por humano, apresenta também alguns defeitos dos três. 

Ao escrever estas linhas recordo uma conhecida afirmação sua: o dever do revolucionário é fazer a revolução. 

Poucos homens em milénios de História colocaram com tanta coerência a sua vida ao serviço desse objectivo, erigido em infinito absoluto. 

Imagino-o na sua cama, no hospital, insensível ao vendaval de calúnias desencadeado pela sua doença e tocado pelo furacão simultâneo de afecto, respeito e admiração. 

Os revolucionários de todos os povos, onde quer que se encontrem, desejam-lhe um rápido restabelecimento. Agradecem-lhe o que fez pela humanidade. 

Quase carregou o Estado e o Partido às costas em períodos de crise. E isso foi negativo. Por ter consciência da lei da vida, sabe que exigiu de si muito mais do que podia e devia. Exagerou. 

Recuperada a saúde, poderá ser ainda por longos anos uma consciência actuante da humanidade revolucionaria se, distanciado de esgotantes tarefas do quotidiano, utilizar o tempo para transmitir ao seu povo e ao mundo o saber e a experiência acumulados, a sua lição de moderno Aquiles, de discípulo de Bolívar. 


El comandante 

Vivi oito anos em Cuba. Mais de uma vez, escutando durante muitas horas os seus discursos na Praça da Revolução em Havana, ou em comemorações do 26 de Julho noutras cidades da Ilha, me interroguei sobre a contradição entre um poder pessoal enorme, minimamente partilhado a nível decisório, e o humanismo de quem o exercia, identificável no amor pelas crianças e na solidariedade com os oprimidos e excluídos de todo o planeta. 

Comportam-se como hipócritas conscientes aqueles que por ódio ou fanatismo ideológico qualificam Fidel de ditador brutal e sanguinário, de tirano feroz. 


Sabem que a acusação é falsa 

Quem conhece um pouco Cuba não ignora que existe uma relação de afecto profundo entre o povo cubano e el comandante en jefe. Ele é amado pela esmagadora maioria dos seus compatriotas. Depositam nele uma confiança absoluta. É um sentimento que não cultivou e talvez o inquiete por estar consciente de que qualquer dirigente, por mais dotado e sábio que seja, não pode substituir o colectivo como sujeito transformador da História. 

Não há calúnia mediática que resista à prova da vida. Definir como ditador um dirigente amado por um povo que governa há quase meio século é um absurdo maldoso. O consenso entre o governante e a sua gente ridiculariza a diatribe forjada pelos seus inimigos. 

A grandeza de Fidel teria obviamente de desencadear campanhas de ódio. Mas não fez surgir somente inimigos e caluniadores. É inseparável também do aparecimento de uma geração de epígonos. Em Cuba e pelo mundo afora eles apareceram. Ora a tendência para a glorificação incondicional dos grandes homens é sempre negativa. Porque não há governante perfeito. E Fidel sabe disso e não gosta que vejam nele um super-homem. 

Ele é o que é, um ser mortal, modelado por uma vontade de aço, uma inteligência excepcional, e uma fome insaciável de humanização revolucionária da vida, mas com uma lúcida percepção das limitações da condição humana.


Este texto foi publicado no “Avante!” N.º 1706, 10.Agosto.2006. Foi também publicado no “Granma”.

sábado, 25 de julho de 2026

1984 EM 2026

A imagem, difundida um pouco por toda a parte, é deliciosa. Depois de um Mundial tortuoso, com uma Argentina que pintou a manta, quem ganhou, e bem, foi a Espanha. O ridículo presidente americano - Durão Barroso chama-lhe disruptor 😀😀😀 - quis fazer parte da festa. Acabou orwellianamente eliminado. A História lhe dará o devido lugar.

Quando vejo cenas como esta, lembro-me da expressão: "ser estúpido é como estar morto; só o próprio não se apercebe".

terça-feira, 7 de julho de 2026

MPPM - 2026/2027

Amanhã há eleições no Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente. Integro a LISTA A. Por pequeno que o contributo possa ser, sinto-me no dever de participar. Agora mais que nunca.





quinta-feira, 2 de julho de 2026

UM ESTÁGIO EM MEM MARTINS

Ou no Casal de S. Marcos. Ou nos Moinhos da Funcheira. Os primeiros dois sítios ficam no concelho de Sintra. O derradeiro no da Amadora. Era essa a ação de formação, esse estágio, que proporia à Ministra do Trabalho, a inacreditável Maria do Rosário Ramalho. E a todos aqueles que apoiam as (agora chumbadas) alterações à legislação laboral. Algo parecido aqueles programas patetas da televisão, em que as pessoas têm de sobreviver em ilhas desertas ou coisa que o valha. Aqui o desafio seria bem mais simples: teriam de ir trabalhar em Lisboa (na Rua da Junqueira, por exemplo, que não há transporte direto para lá) e viver com o salário mínimo. Seis meses de “ação de formação”. Nada de carro com motorista nem cartão de crédito da empresa. Tirava o passe social e ala, que se faz tarde. Para vos poupar trabalho, a deslocação acima referida traduz-se em cerca de três horas diárias. Mais as horas de trabalho, de preferência com um daqueles patrões feroz paladino do “crescimento” e da “produtividade”. Um dia após outro. Sempre a mesma rotina. Sem alternativas, nem flexibilidade. Sem possibilidade de amealhar. Sem possibilidade de acompanhar de forma adequada o crescimento dos filhos. Sem possibilidade de estar presente no envelhecimento dos pais. Eles próprios, que já foram sugados pelo sistema, irão com sorte parar a um lar barato. Daqueles que são notícia, de vez em quando, sempre por más razões. Um dia após outro, sempre assim, sem possibilidade de respirar, nem de aspirar a uma coisa “simples” chamada Felicidade. E a uma outra chamada Liberdade. Que não só de votos vive a Democracia, tenham lá paciência.

 

Por isso, acho que Mem Martins ou os Moinhos da Funcheira (seis meses bastariam…) seriam um excelente treino para a Ministra do Trabalho, a inenarrável Maria do Rosário Ramalho. Ou para aquele que, em tempos, disse esta coisa fantástica: “quem é rico pode viver no Chiado, quem não é, não pode. É assim”. Ou um outro, que teve este “pensamento” não menos fantástico “não podemos ter pessoas da classe média ou média baixa a viver em prédios classificados”.

 

Seis meses, vejam lá, só isso, não peço mais, com o salário mínimo, horários alargados de trabalho, bancos de horas, o uso obrigatório dos transportes públicos. Os engarrafamentos colossais, os autocarros em ritmo de procissão, os comboios à cunha.

 

Todos os dias vejo pessoas e vidas assim. Não conheço os pormenores. Mas conheço-lhes o cansaço. Ao fim da tarde, na estação de comboios de Entrecampos, há sempre um magote de pessoas que regressa do emprego. Têm ar de exaustão e vestem, quase sempre, roupas modestas. Gente moída por horas a fio de trabalho. Aguardam, resignadamente. O problema, pelo menos um deles, é que aguardem resignadamente…


Logo mais, ao fim do dia, irei apanhar os transportes públicos, como quase sempre faço. Haverá muita gente – com uma larga maioria de africanos ou de portugueses de origem africana. Mas não me cruzarei com “decisores”, nem com “comentadores”, nem com “politólogos”, nem com todos aqueles que entusiasticamente falam em “produtividade” e em “crescimento”. Como se isso fosse um toque de magia. E que da vida das pessoas nada conhecem. Nem tal lhes interessa.


Crónica em "A Planície"



Blog Algueirão - Mem Martins

sábado, 20 de junho de 2026

LUMUMBA

Tornou-se uma das imagens mais célebres dentro dos campos de futebol. Nos jogos da República Democrática do Congo há um homem que fica de pé, imitando a pose da estátua de Patrice Lumumba (1925-1961), que se encontra a coroar o mausoléu do líder africano, na cidade de Kinshasa.

No mausoléu encontra-se apenas um dente de Patrice Lumumba. O seu corpo foi dissolvido em ácido, depois de ter sido assassinado. A morte de Lumumba é uma página inapável na lista de atrocidades do imperialismo.

O homem que fica de pé, imóvel (bendita preparação física e psicológica!) chama-se Michel Kuka Mboladinga (n. 1976) e é conhecido no no Congo como "Lumumba Vea" (Lumumba vive). Uma homenagem invulgar e justa. Lumumba vive. O seu corrupto sucessor nem por isso.

Entretanto, leio isto no "Público":

"Congo viraliza com “homem estátua” e imortaliza memória de Lumumba
Lumumba foi executado em Janeiro de 1961, segundo investigação realizada décadas mais tarde, numa conspiração que supostamente envolveu as autoridades belgas e a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA)".

Aquele SUPOSTAMENTE (sublinhado meu) é fantástico. Só me fica a dúvida se a ignorância é deliberada ou casual...




quinta-feira, 11 de junho de 2026

COMEÇA O MUNDIAL...

Começa o Mundial.

O deste ano "promete". Quase 50 (!) seleções, milhares de quilómetros em viagens, seleções policiadas, delegações revistadas à chegada, Infantino, um árbitro expulso, um repórter fotográfico idem, jogos da treta para ver em sinal aberto, uma seleção com a camisola vetada, Infantino, o jogador suíço que não foi aceite (!), balbúrdias com os bilhetes e os transportes, e mais o racismo, sempre o racismo. E o mundo de gatas antes um governo abjeto.

Tem muito para correr mal.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

SACO AZUL

É uma expressão cuja conotação cromática sempre me escapou... Seria por causa do papel selado, que era azul? [o que será papel selado, perguntará um leitor mais jovem que por aqui passe] O significado era bem claro: o de uma contabilidade paralela, de dinheiro "escondido" ou oficialmente inexistente. No Brasil diz-se Caixa 2.

Hoje em dia, o sentido praticamente desapareceu. Tudo se tem tornado mais sofisticado. Acho que foi por isso que me lembrei do "saco azul".

quinta-feira, 30 de abril de 2026

CHICa maroca

"Uma pouca de chica maroca" era a expressão usada noutros tempos para classificar algo que não valia nada. Numa versão mais forte, ganhava equivalência escatológica.

Um chicnic? (querendo ser chique, o nome é poroso) Privatizando espaço público?? Com dinheiros públicos? Com que direito?

A imagem representa um chicnic com Maria Antonieta. O último não correu lá muito bem. Foi na Praça da Concórdia...



sábado, 25 de abril de 2026

MAR DE ABRIL

Um mar de gente e um mar de juventude na Avenida da Liberdade.

O 25 de abril, o dos cravos vermelhos está vivo. Valha-nos a juventude. E mais o entusiasmo deles.

Isto poderá dar muitas voltas. Ao ponto de partida já não volta.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

FIDEL CASTRO

 “Quanto mais o tempo passa, mais cresce a minha admiração por Fidel Castro. Pela coragem, pela capacidade de resistência, pelo desafio, pela tentativa de criação de um modelo alternativo, por ter criado em tantos de nós a ideia de que a utopia era possível. E quanto mais vejo tantos políticos de pantufas, acomodados e sem uma chispa de entusiasmo ou de imaginação, mais essa admiração cresce”. Escrevi isto em dezembro de 2024. Mais o escreveria agora.

No dia 8 de janeiro de 1959, Fidel Castro entrou em Havana. Triunfava um dos mais improváveis sonhos do século XX. Há uma célebre fotografia do desfile triunfal, onde estão Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos. Cienfuegos morreu poucos meses mais tarde, Che faleceu em 1967, Fidel em 2016. A revolução perdeu a sua aura romântica? Sim. Teve momentos e atos com não concordo? Sim, sem dúvida. Mas nunca deixará de nos fazer sonhar. E veio mostrar que a vontade dos povos deve ser mais forte que o imperialismo.

Poucos meses depois desse desfile, em abril de 1959, Castro foi visitar os Estados Unidos. Eisenhower não lhe passou cartão (“esnobou” dizem os brasileiros, e a palavra é fantástica) e foi jogar golfe. O resto da História é conhecida, porque essa viagem se revelaria decisiva. Pico, plagio, copio, sem vergonha e com orgulho, dois excertos de um magnífico texto publicado por Miguel Urbano Rodrigues no “Avante!” e no “Granma”, em 2006. Um texto sem rugas e pleno de verdade:

“A Revolução Cubana configura um desafio à lógica da História. Assim aconteceu com Moncada, com a aventura do Granma, a luta na Sierra, e o choque posterior com o imperialismo norte-americano. A decisão de resistir e a coragem do povo cubano no combate que confirmou ser possível a resistência serão recordadas pelo tempo adiante como acontecimentos épicos da História da humanidade.

Não há calúnia mediática que resista à prova da vida. Definir como ditador um dirigente amado por um povo que governa há quase meio século é um absurdo maldoso. O consenso entre o governante e a sua gente ridiculariza a diatribe forjada pelos seus inimigos”.

O que Cuba fez, ao longo de décadas, foi um combate extraordinário de David contra Golias. O rejeitar a ilha-paraíso-bordel dos vizinhos do lado e o tentar construir uma realidade alternativa. O percurso não foi isento de contradições, nem de erros.

Depois de seis décadas de um bloqueio ilegal (e isso que importa, para quem é a justiça a oeste de Pecos?), o sufoco torna-se quase total. Algo irá mudar, nos próximos tempos. Não será nada de decente… Ter estudado História é, neste caso e assim suponho, uma vantagem. Porque nos remete para o passado e nos dá uma leitura mais abrangente das coisas. E a história recente da América Latina é um longo estendal de ingerências americanas e uma longa luta entre liberdade e opressão. E onde há fome e não há educação nem cuidados de saúde, não há democracia e não há liberdade. Há, em tudo isto, um sim e um não.

É por isso que estou com Lula da Silva e com João Goulart e não com Jair Bolsonaro ou com Costa e Silva. Sim, mil vezes sim, com Chávez e jamais com Pérez Jiménez (cujos esbirros acabaram como acabaram...) ou com Andrés Pérez. Sim com Salvador Allende e nunca com Augusto Pinochet. Sempre com Juan José Torres e com Evo Morales e nunca com Hugo Banzer. Sempre com Rafael Correa e nunca com Lenin Moreno. Sim a Velasco Alvarado e não a Morales-Bermúdez.

Quanto a Fidel Castro, a sua luta perdurará. Sabiamente disse, há quase 73 anos, “a História me absolverá”. Não só já o absolveu, como reconhecerá muito mais que isso.

Crónica em "A Planície"


segunda-feira, 2 de março de 2026

MEIN DONALD, I CAN WALK!

Sem nenhuma vontade de rir, nem de sorrir, recordo o final de um filme de Stanley Kubrick.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

NA FREGUESIA ONDE VOTO...

Voto na Buraca (Amadora). Agora, a freguesia chama-se Águas Livres. Soa melhor 😅, a ouvidos mais sensíveis. É uma freguesia muito multicultural. O prédio onde vivo é disso uma evidência.

Não estamos imunes a fachos. Mas aqui a rejeição à criatura foi de 73%. Votei em Seguro. Sem euforia, mas também sem ter de fechar os olhos. Votei pragmaticamente, pela Democracia.

O berreiro da criatura vai continuar. A solução? Continuar, firmemente, do lado da Democracia e do Povo.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

O PIOR É O SILÊNCIO

As bojardas racistas da criatura têm um histórico. Desta vez, contudo, "esmerou-se"... Não há palavras que cheguem para condenar a ordinarice, a javardice e a violência do que se passou.

Ofensivo é também o silêncio dos líderes mundiais. Quam cala consente...


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O CRONISTA ANACRÓNICO









António Araújo escreveu uma crónica sobre um espião. Até aí, nada de novo. Mas depois resolveu inovar. E disse que o espião foi preso antes de ir para o outro lado da Cortina de Ferro. Cortina de Ferro? Em 1994??? Bois Yeltsin era o Presidente da Rússia. Ver muitos filmes do 007 dá nisto...

Aldrich Hazen Ames (1941-2026), a morte de um traidor
A detenção teve lugar na manhã de segunda-feira de 21 de Fevereiro de 1994, quando Ames se preparava para sair de casa rumo ao trabalho. No dia seguinte, estava previsto que viajasse até Moscovo, onde iria participar numa conferência, pelo que o FBI, não querendo correr o risco de que ele se escapulisse em definitivo para o outro lado da Cortina de Ferro, antecipou a sua prisão.

https://www.publico.pt/2026/01/18/mundo/noticia/aldrich-hazen-ames-19412026-morte-traidor-2160956

domingo, 18 de janeiro de 2026

NÃO!

Lembram-se disto?

Eu lembro-me. Disputavam-se as eleições presidenciais de 2002, em França. Lionel Jospin tentava, pela segunda vez, chegar ao Eliseu. Falhou, de forma clamorosa. No dia 21 de abril de 2002, passavam à segunda volta Chirac e Le Pen. Foi esta a primeira página do Libération:

sábado, 17 de janeiro de 2026

CAN 2025

A final da CAN é amanhã e o Congo está fora de prova desde os oitavos de final. O título de 1974 (enquanto Zaire) já lá vai há muito.

Mas o que verdadeiramente me impressionou nesta campanha foi a extraordinária performance de um homem Michel Nkuka Mboladinga. Ele foi Lumumba. Como se lê no site da BBC:

He stood on a pedestal with his right arm raised - just like Lumumba's famous statue in DR Congo's capital, Kinshasa - as fans around him cheered.Michel Nkuka Mboladinga has supported the Democratic Republic of Congo by dressing up as the country's revered first leader Patrice Lumumba and remaining stock-still throughout every match.

He stood on a pedestal with his right arm raised - just like Lumumba's famous statue in DR Congo's capital, Kinshasa - as fans around him cheered.


Patrice Lumumba (1925-1961) foi um patriota congolês chacinado pelo imperialismo (Bélgica, Reino Unido, Estados Unidos, oh sim a democracia 😍 e os direitos humanos...), faz hoje 65 anos.

A sua memória permanece viva. Felizmente.