terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

SIGHT AND SOUND

Qual é o melhor filme do mundo? Quais são os melhores filmes do mundo? A resposta - uma das respostas, melhor dizendo - é dada de 10 em 10 anos, desde 1952, pela revista britânica Sight and Sound. Cineastas e críticos de muitos países (nenhum português, sorry) votam e elegem. Uma passagem pelas diferentes escolhas dá-nos a medida das flutuações dos gostos, que são também flutuações estéticas, políticas, sociais etc. A lista de 2002 é a mais politicamente correcta de todas. Faltam ali filmes, creio eu, mas não sou cineasta nem crítico.
.
Esta iniciativa deve-se boa parte da sua celebridade ao espírito empreendedor de Penelope Houston, editora da revista entre 1956 e 1990. É a autora de O cinema contemporâneo, ensaio sobre o cinema do pós-guerra. Foi editado há muitos anos na Ulisseia (salvo erro) e tornou-se um dos livros mais importantes da minha juventude. O estilo gracioso e flamboyant de Penelope Houston é uma lição de escrita e de comunicação. E pelas suas páginas passa um profundo conhecimento da História do Cinema.
.
Não há nenhum filme português no top ten. Ainda assim Charles Tesson, editor dos Cahiers do Cinema, considera Francisca, de Manoel Oliveira, um dos dez melhores filmes de sempre.
.
A partir de amanhã começarei a divulgar aqui na avenida excertos dos dez melhores filmes.
.

Site da revista: www.bfi.org.uk/sightandsound/

TODO O OURO DE BIZÂNCIO

Todo o ouro e todo o azul. Foi por causa da exposição De Byzance à Isntabul, que esteve patente no Grand Palais, em Paris, que me lembrei de um pequeno e utilíssimo livro intitulado Tout l'or de Byzance. O seu autor, Michel Kaplan, conduz-nos pelo passado da cidade, traduz fontes escritas e dá-nos as primeiras pistas sobre uma das cidades mais importantes da nossa civilização. Não foi por acaso que Peter Brown afirmou em tempos que "devemos mais a Justiniano que a Roma."
.
A releitura de excertos do livro leva-me a reproduzir imagens de dois sítios diferentes e, afinal, tão próximos. Em cima temos a Collegiata de San Gimignano, em Itália, onde encontramos o cromatismo alternado dos arcos formeiros, tão cara aos ambientes do Oriente, que encontramos na arqueitectura transalpina, e que os otomanos se encarregaram de difundir pela bacia do Mediterrâneo. Na imagem de baixo reproduz-se a cúpula de uma mesquita de Istanbul, a Yildiz Hamidiye, de finais do século XIX.
.
O que as une? O ouro das estrelas sobre a abóbada celeste. A ideia do infinito sobre nós. E, sim, é verdade que nas mesquitas, mesmo nas mais recentes - e antes da histeria contemporânea - encontramos estes pontos de contacto com as igrejas. São maneiras de representar o mundo que remontam a muitos séculos antes de Cristo e que perduraram até nós.
.

.
O livro de Michel Kaplan continua à venda e custa a insignificância de 14 euros. Ver: www.gallimard.fr

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

CARNAVAL

Quando ontem uma colega me sugeriu que nos encontrássemos na próxima segunda-feira respondi-lhe que até me dava jeito, porque vou estar em Lisboa. Mas alertei "olha que é segunda-feira de Carnaval". Respondeu-me "Carnaval é todos os dias, nesta terra".
.
Bem observado.

domingo, 7 de Fevereiro de 2010

CARDEAL CEREJEIRA

Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977) foi cardeal e patriarca de Lisboa. Doutorou-se em História com um trabalho notável, sobre Clenardo, e foi o primeiro cardeal a usar o avião para se deslocar a um conclave, o que elegeu o dúbio Pio XII, em 1939. Em termos de modernidade por aí se ficou
.
O cardeal Cerejeira foi também fiel aliado de Oliveira Salazar. Sob a égide de Cerejeira, a igreja tornou-se parte integrante do fascismo, ora de forma activa (veja-se o papel destinado às missões no processo de colonização), ora de forma passiva, fingindo não ver a repressão e agindo com aquele cinismo tão característico de alguns círculos do poder. Cerejeira pairou sobre o século XX português com a arte e engenho melífluos. Até depois do 25 de Abril tal presença se fez sentir. Foi uma charge à sua figura que esteve na origem do primeiro acto censório do Portugal livre, quando o Gen. Galvão de Melo mandou cortar uma emissão televisiva na qual o cardeal, e outras figuras do fascismo, eram parodiadas.
.
Passou-me ao lado a homenagem de que o Cardeal Cerejeira foi alvo, há pouco mais de dois meses. O assunto foi agora reavivado numa coluna do diário I. Há uma estátua em Almada, celebrando Cerejeira, um dos obreiros do Cristo-Rei, "farol divino, uma mensagem de amor, uma grandiosa profissão de Fé!" (cf. site do santuário). Poderia acrescentar-se que a obra é, também, uma homenagem imorredoura ao kitsch na arquitectura...
.
Pois bem, a Câmara de Almada (CDU) associou-se à homenagem, considerando a estátua um elemento de valorização do concelho. Com palavras de entusiasmo: "Este é um momento importante para a nossa terra. Portugal está mais rico e a nossa cidade também". É pena. Na terra onde há homenagens, bem mais discretas, a heróis do Povo Português como Alfredo Diniz era escusada tanta excitação. Valha-nos uma coisa: a estátua é péssima.
.

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

SILENZIO CANTATORE

Amenizemos então a tarde, que o dia tem sido difícil. Os papéis à volta da mesa acumulam-se e um texto que devia estar concluído não está. A canzone napoletana é sempre um bom auxílio. Este Silenzio cantatore em particular, uma conhecida canção de amor de 1922 (autores: Libero Bovio/Gaetano Lama), é uma das minhas favoritas.
.
A gravação é de 2008. A interpretação é do grande tenor Josep Carreras (n. 1946).
.
.

ALBERTO GIACOMETTI E A SOMBRA DA TARDE


O mercado das artes agitou-se esta semana com um novo recorde na compra de uma escultura. L' homme qui marche I, concebida em 1961 pelo artista suiço Alberto Giacometti (1901-1966), foi vendida por 74,4 milhões de euros e pertencia ao Commerzbank alemão.
.
A Sotheby's refere o anónimo comprador como um "investidor". As obras de arte dos consagrados, sujeitas a flutuações e a modas, vão sendo vendidas a preços cada vez mais astronómicos e são vistas como activos pelas empresas. E, ao contrário das acções, nunca desvalorizam. Walter Benjamim tinha meia razão quando escrevia sobre a democratização da Arte por via dos meios mecânicos de reprodução. Todos nós temos hoje reproduções de conhecidas pinturas ou fotografias nas nossas casas. Mas isso não diminuiu, contudo, o endeusamento das peças únicas e originais.
.
O percurso de Giacometti é marcado pela originalidade do seu verticalismo e por uma forte carga expressionista, ainda que o conjunto da sua obra seja difícil de catalogar ou de etiquetar. O facto de Giacometti ter, em tempos, dito que não esculpia figuras humanas, mas sim as sombras que elas produzem, remete-nos para outra realidade. O Museu Guarnacci, em Volterra, tem em lugar de destaque uma escultura etrusca poeticamente conhecida como L'ombra della sera (A sombra da tarde). Foi encontrada em 1879 e data do século II a.C. Alberto Giacometti conheceu estas e outras produções da cultura etrusca. O facto não lhe retira mérito. Mas deixa-nos a pensar sobre o genial autor da peça de Volterra.
.
.
Sobre L'ombra della sera: http://ombradellasera.com/

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

JÁ SE PÔS O SOL...

... e são 23 horas.
.
Até este momento nem o primeiro-ministro, nem o presidente do supremo, nem o procurador-geral apresentaram a demissão.
.
De diferentes formas, e em diferentes graus, todos eles nos mentiram ou omitiram factos importantes. De forma deliberada e intencional.
.
Num país sério, ou a sério, já se teria feito mais e melhor que mandar abrir um inquérito por causa da divulgação das escutas. Se isto fosse um país sério ou a sério, bem entendido...

CRIMETHINK

"Thoughtcrime is death. Thoughtcrime does not entail death, Thoughtcrime is death.... The essential crime that contains all others in itself."
.
Tony Blair leu George Orwell, evidentemente. Na segunda metade do século XX toda a gente o lia. Bem sei que a definição dada por Orwell tinha a ver com o desafio da ortodoxia. No entanto, a noção que todos os crimes começam com um pensamento assenta como uma luva a Tony Blair. Até porque, na história real, Blair não é acusado, mas sim acusador. É isso que lhe permite dizer "a decisão que tomei - e francamente voltava a tomar - foi de que se houvesse alguma possibilidade de ele [Saddam Hussein] desenvolver armas de destruição maciça nós deveríamos pará-lo".
.
O Iraque é o primeiro massacre global da História apoiado numa hipótese. Que foi vendida a todo o planeta como uma verdade irrefutável.
.

PIET MONDRIAN

Piet Mondrian (1872-1944) nasceu no seio de uma família calvinista. O pai desaprovava claramente as tentações artísticas do jovem Pieter. Este só muito lentamente abraçou a carreira artística.
.
Participou em diversos movimentos artísticos de vanguarda, em especial na década de 20, destacando-se na sua obra o geometrismo das composições e o uso insistente das cores primárias. Mondrian tornou-se uma figura de primeira linha das artes plásticas da primeira metade do século XX. Dir-se-ia, contudo, que a austeridade do calvinismo nunca foi inteiramente esquecida, pelo menos se tivermos em conta o rigor e o formalismo das suas telas. Imagens para serem vistas em dias de luz perfeita e exacta.
.

Composição com Amarelo, Azul e Vermelho (1937-42), Tate Gallery, Londres
.
.
Em Dias de Luz Perfeita e Exacta
.
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!
.
Alberto Caeiro in "O Guardador de Rebanhos" (poema XXVI)

BISSAU II - CASA COIMBRA

Na realidade, não é uma casa mas sim todo um quarteirão. A primeira coisa a chamar a atenção foi esta fachada-Mondrian, virada à sé de Bissau. A cidade não é particularmente colorida e esta parede fez-me lembrar o início do filme The magnificent Ambersons: "the magnificence of the Ambersons was as conspicuous as a brass band at a funeral."
.
A fachada faz parte da Casa Coimbra, uma verdadeira instituição de Bissau. A família detentora do espaço está na Guiné há quase um século. Atravessou todas as épocas e todas as dificuldades com a energia e a convicção dos estóicos. O negócio centra-se, actualmente, em torno da residencial e do restaurante (a fachada-Mondrian pertence a este último).
.
Há inspirações momentâneas que nos valem. Foi um pouco ao acaso que fui lá jantar. Um magnífico buffet a preços mais que sensatos, passe a publicidade. E assim travei conhecimento com o Dr. Miguel Nunes, um gentleman membro da família fundadora e o actual responsável pela Casa Coimbra. Licenciou-se em História em Coimbra e temos conhecimentos comuns. No dia seguinte conduziu-me, com uma cortesia antiga, numa visita guiada pela residencial, decorada com um bom gosto intocável e ainda que a parte antiga tenha mais charme e menos design que a área mais recente. Trocámos livros e ficou a promessa de uma próxima estada.
.

Sobre a residencial veja-se o rerspectivo site: http://www.residencialcoimbra.com/

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

O PARTENON DE NASHVILLE

É evidente que temos sempre a hipótese de recriar/reconstruir o património desaparecido. O resultado é, quase sempre, kitsch. Mas nem por isso menos divertido ou interessante. A espada de Dâmocles que paira sobre o Museu de Arqueologia caiu várias vezes no Partenon, em Atenas. As ruínas são, ainda hoje, impressionantes. Quem quiser ver o Partenon intacto terá, no entanto, de ir a Nashville (EUA), onde, por volta de 1930, se reconstruiu, em escala real, o célebre templo grego.
.
.
Aqui vos deixo uma imagem do edifício, arranjada na net, assim como o final do filme de Robert Altman, do qual gostei bastante em 1977. Não tenho a certeza que uma revisão me devolva as recordações de outrora. A música que Barbara Harris interpreta, It don't worry me, pode bem ser enviada à ministra da cultura.
.

MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA

No Público de hoje:
.
"Um parecer sobre as condições do terreno no qual se encontra o edifício da Cordoaria Nacional, encomendado pelo Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA), indica que se trata de um local de “muito alta vulnerabilidade” no que diz respeito a riscos sísmicos."
.
No fundo, o que eles querem é ter a certeza da existência de ruínas no futuro. Trata-se de uma visão de longo prazo, e destinada a garantir o trabalho das próximas gerações de arqueólogos. Até nem me parece mal de todo...
.
A igreja de S. Paulo, depois do terramoto de 1755

O REGRESSO DOS PINIPONS

Momento 1
O jornalista Mário Crespo escreve coisas e diz coisas que maçam os governantes.
.
Momento 2
O jornalista Mário Crespo diz que o primeiro-ministro Sócrates, acompanhado por dois destacados serventuários, chateou um responsável da SIC num restaurante dizendo que ele, Crespo, não está bom da cabeça e é um problema. José Lello vem agora dizer que Crespo está num estado psicótico. Deve, ao que suponho, ser uma visão oficial do "problema".
.
Momento 3
O Jornal de Notícias não publica uma crónica de Mário Crespo e este bate com a porta.
.
Momento 4
Nuno Santos, o homem da SIC, vem agora dizer que "a conversa não se passou da forma como é descrita". Se não fôr demasiada maçada convirá que alguém explique o que, de facto, se passou.
.
Momento 5
Punch-line: o ministro Silva Pereira considera que este tipo de revelações remete para «o tempo da ditadura». Nem mais, caro ministro!
.
Conclusão (minha):
Temos os governantes que merecemos ter. Têm a falta de estatura que têm. São os pinipons a que temos direito.
.

THE CATCHER IN THE RYE

Aconteceu na semana passada, mas só hoje o soube. J.D. Salinger morreu aos 91 anos. Escreveu o seu livro maior aos 31. Viveu a maior parte da sua vida em reclusão e especula-se agora sobre a existência de um espólio inédito. The catcher in the rye (traduzido primeiro como Uma agulha no palheiro e, mais recentemente, como À espera no centeio) começa assim:
.
If you really want to hear about it, the first thing you'll probably want to know is where I was born and what my lousy childhood was like, and how my parents were occupied and all before they had me, and all that David Copperfield kind of crap, but I don't feel like going into it, if you want to know the truth. In the first place, that stuff bores me, and in the second place, my parents would have about two haemorrhages apiece if I told anything pretty personal about them.
.
Qualquer adolescente à procura de respostas se revê em Holden Caufield e na sua distância do mundo. Foi isso que aconteceu comigo. O cinismo de Caufield seria relativizado pelas experiências quotidianas, de uma sensibilidade à flor da pele, do jovem telegrafista Homer Macauley na Comédia Humana, romance escrito em 1942 por William Saroyan (1908-1981), um autor hoje quase esquecido entre nós.
.
A vida de reclusão de J.D. Salinger esteve na base do filme Finding Forrester, de Gus Van Sant (2000). Não é uma obra-prima, mas é um filme sensível, com nervo, livros, palavras e gente dentro. Nos dias de hoje já não é coisa pouca.
.

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

O PS/MOURA E O PROFESSOR KARMA

Foi publicado, na Planície de ontem, um comunicado da secção local do Partido Socialista.
.
O texto é aflitivo, na sua macedónia de assuntos. Misturam-se meias verdades com explicações esfarrapadas (aquela da Ribeira da Perna Seca não ser assunto da "responsabilidade" da Administração Central é para, em antecipação do Carnaval, a malta se rir muito) e com umas quantas banalidades que não chegam a ser argumentação política.
.
Mas a melhor parte é a que se reporta ao elevado nível de detalhe de conhecimento de alguns temas. Devo felicitá-los, porque o grau de pormenor é elevado. E não falham uma. O Professor Karma não teria feito melhor.
.

BISSAU I - RUA CIDADE DE MOURA

Comecemos quase pelo fim. Ao dar início a uma série de dez textos que, nas próximas semanas, irão sendo publicados aqui no blogue, dou destaque à atribuição do nome da nossa cidade a uma das principais artérias de Bissau.
.
Foi o culminar de uma visita intensa e que abre as melhores perspectivas de cooperação entre os dois munícipios. Foi também o momento derradeiro de um encontro durante o qual a delegação de Moura pôde constatar o que quer verdadeiramente dizer hospitalidade. Voltarei a este tópico nos próximos dias.
.

José Maria Pós-de-Mina (presidente da Câmara de Moura) e Armando António Napoco (presidente da Câmara de Bissau)

sábado, 23 de Janeiro de 2010

ATÉ JÁ

Bem sei que em Bissau também há computadores e internet. Ainda assim, a minha atenção estará virada para outros temas. Assim sendo, retomo a actividade do blogue no próximo dia 1 de Fevereiro.
.

sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

NELSON EDDY E JEANETTE MacDONALD

Ao passar esta tarde pelo Quai de Gesvres deu-me o coração um baque. Daqueles que já só dão raramente. Estava à venda uma velha revista, que tinha na capa o grande duo Nelson Eddy e Jeanette MacDonald. Só os que têm mais de 45 anos compreenderão o significado profundo da minha angústia. Que é a mesma de muitos da minha geração. As tardes de domingos dos nossos tempos de infância eram, periodicamente, assombradas pelos filmes de Nelson Eddy e Jeanette MacDonald. As nossas mães gostavam imenso, porque choravam imenso com aquelas histórias muito tristes, a puxar ao sentimento e com canções xaroposas à mistura. Os filmes eram pior que o "Deus me livre", ele sempre vestido com aquelas fardas da Real Polícia Montada do Canadá e com as sobrancelhas depiladas à António Calvário, ela muito loirinha e de olhinhos apaixonados.
.
O duo está hoje mais que esquecido. Mas não aposto que seja para sempre.
.

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

DE POMPEIA A ROISSY

Quando o aeroporto de Roissy foi inaugurado era apresentado como o exemplo máximo de eficácia e de comodidade. Garantiam então que o passageiro tinha apenas de percorrer a pé um máximo de 75 metros desde o momento em que saía do taxi ou do autocarro e entrava no avião. Nada de novo, afinal. A mesma lógica de conforto é verificável em cidades como Pompeia, onde as casas estavam a uma distância máxima dos pontos de abastecimento de água.
.
Em Pompeia o sistema colapsou no dia em o Vesúvio assim o entendeu. Em Roissy não há mortes, felizmente, mas a eficácia prevista entrou há muito em crise e há sempre nervos em franja. Os espaços abertos de outrora deram lugar a barreiras e mais barreiras, obstáculos e mais obstáculos, percursos labirínticos e à prova de lógica. Em especial na zona mais antiga do terminal 2. O conforto e o racionalismo são uma miragem. E o que foi preparado para a "eternidade" tem, manifestamente, os dias contados.
.

O ALENTEJO E A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA


Fotografia: http://alentejanando.weblog.com.pt
.
.
Um texto hoje publicado no blogue A CINCO TONS punha em causa a validade de um determinado centro de investigação da Universidade de Évora, tendo em conta uma classificação supostamente negativa atribuída pelo painel de avaliadores da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Julgo ser interessante a publicação da lista completa das entidades avaliadas pela FCT e cuja actividade está relacionada com o Alentejo:
.

EXCELLENT

Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia da Universidade de Évora (CEFAGE-UE)

Coordenador Científico: Cesaltina Maria Pacheco Pires

VERY GOOD

Instituto de Ciências Agrárias Mediterrânicas - ICAM

Coordenador Científico: Maria do Rosário Gamito de Oliveira

Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA)

Coordenador Científico: Christine Mathilde Thérèse Zurbach

Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto / Campo Arqueológico de Mértola

Coordenador Científico: Maria da Conceicao Lopes

Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora

Coordenador Científico: Mafalda de Sousa Machado Soares da Cunha

GOOD

Centro de Investigação em Matemática e Aplicações - CIMA

Coordenador Científico: Vladimir Alekseevitch Bushenkov

Centro de Química de Évora

Coordenador Científico: Peter Joseph Michael Carrott

Centro de Geofísica - Évora

Coordenador Científico: Ana Maria Guedes de Almeida e Silva

Unidade de Investigação em Música e Musicologia - UnIMeM

Coordenador Científico: Benoît Gibson

Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFC)

Coordenador Científico: Maria de Fatima Nunes

FAIR:

Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias da Saúde

Coordenador Científico: Peter Prosper Auguste Elodie Vogelaere

Centro de Investigação em Sociologia e Antropologia-Augusto Silva

Coordenador Científico: Eduardo Alvaro do Carmo Figueira

Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora

Coordenador Científico: António Manuel Águas Borralho

Mais informações sobre os processos de avaliação em:
http://alfa.fct.mctes.pt/apoios/unidades/avaliacoes/

quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

COLLEGE D'ESPAGNE

Foi extremamente interessante a sessão que hoje decorreu no Collège d'Espagne. O seminário Islam médiéval d'occident, organizado por uma unidade conjunta de investigação que reúne as Universidades de Paris I e IV tem este ano como tema as Constructions politiques, organisation et contrôle du territoire dans l’Occident islamique médiéval. E se o território de Beja, que apresentei, pode ser sempre interessante pelo seu exotismo - a realidade do nosso período islâmico é muito pouco conhecida fora de portas - tive a sorte de ter como colega de mesa Jean-Pierre Van Staevel, um historiador de grande categoria, que se debruçou sobre a região do Sous, no sul de Marrocos. Os alunos e professores presentes contribuiram para a animação da sessão com perguntas e observações, num debate que se prolongou para lá da hora prevista. Deve ter corrido bem, porque me convidaram para a próxima saison.
.
Parte menos boa: à saída falei na Casa de Portugal, que se encontra no mesmo complexo. Nenhum dos presentes tinha ouvido alguma menção a tal sítio. Isso dá razão a um lamento do embaixador de Portugal, escrito há dois meses. Sobretudo, e tendo em conta a visibilidade do Collège, torna-se evidente que o nosso "desaparecimento" é também o reflexo da falta de investimento das entidades oficiais (e não-oficiais) neste domínio. E sem investimento não há retorno.
.
.
Que imagem escolher para ilustrar este Islão do Ocidente? Tânger, cidade de rara beleza. Que o é por causa do porto, por causa da baía, por estar às portas do Mediterrâneo, pelos cafés do Petit Zoco. Cidade de má reputação, e pouco turística, conserva o charme das coisas que estão um pouco fora do tempo. Comprei este postal, por um preço escandalosamente baixo, em Setembro de 1999, num antiquário de Tânger. Foi uma forma de perpetuar no tempo a minha memória da cidade e para festejar o facto de termos (o Francisco Motta Veiga, a Conceição Amaral e eu) sugerido a cidade como local da Cimeira Luso-Marroquina. A exposição foi, em termos de carreira, importante. Mais importante ainda foram amizades que ficaram e que o tempo foi sedimentando.
.
Informação sobre o seminário:
http://www.diwan.info/spip.php?article483

100.000

Obrigado a todos.
.

SOBRAL - REDE DE ÁGUAS E ESGOTOS

As obras de renovação da rede de águas e esgotos começaram ontem. Não pude, por ter outros compromissos já assumidos, estar com os meus colegas de vereação, e com o presidente da junta, a assistir ao início da obra. Mas sinto-me feliz pelo começo dos trabalhos e por outro compromisso assumido ganhar agora forma.
.

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

AIR FRANCE OU AR FRANÇA?

Vivi, há poucas horas, um momento de verdadeira boa disposição a bordo do voo para Paris. O comissário de bordo, um jovem luso-francês, resolveu ignorar o livro dos discursos e improvisou. Disse, textualmente, o seguinte: "os senhores passageiros deverão desligar os telemóveis antes de os arranjar" (do fr. ranger: arrumar).
.
Pois...
.

INTER-CIDADES

Permanece para mim com um dos mistérios da Pátria o facto de muita gente preferir usar sempre, mas sempre mesmo, viatura própria ao combóio. Um dos bons exemplos de um serviço cómodo, rápido e económico é o Inter-Cidades Beja-Lisboa (2 horas e 5 minutos entre a capital do distrito e Sete Rios). O público desta manhã era, como sempre, maioritariamente constituído por reformados.
.
.
Duas notas de viagem:
1. O revisor ostentava na lapela a bandeira arco-íris do orgulho gay. Para os que dizem que as mentalidades no nosso País não mudam. Alguém imaginaria uma situação parecida há 20 anos? Ou, até, há 10?
.
2. Ao passar sobre o IC 20 (antigamente conhecido como Via Rápida para a Costa, embora de rápida só tivesse o nome) diverti-me a observar que o antigo bar para adultos (chamavam-se boîtes e era o sítio onde iam senhores casados sem as respectivas) O SELIM ostenta uma faixa onde se lê CAPARICA PELES. O ramo é outro, claro, mas que há pontos de contacto, lá isso há.

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

ANTÓNIO CAMÕES GOUVEIA

António Camões Gouveia, professor na Universidade Nova, é o novo director do Museu de Évora. A notícia, que há vários dias estava a correr, teve agora confirmação oficial. Um percurso profissional de elevada craveira - com uma passagem pela Comissão dos Descobrimentos - e uma extensa experiência profissional na área da divulgação cultural são razões mais que suficientes para se saudar esta nomeação. Parabéns, António!
.

Fotografia: Notícias de Castelo de Vide

JORNALISMO ALENTEJANO

"Manuel e Aurora Guerreiro são dali perto, de Corte do Pinto, mas só ontem arranjaram um tempinho para espreitarem o bailado furioso das águas." Onde vem esta afirmação? No Público. O que tem de invulgar? É que o ali perto refere-se à distância entre a barragem de Alqueva e a Corte do Pinto. Qual a distância real? Uns 75 km. bem contados. Ou, como dizemos no Alentejo, "é logo ali".
.

A imagem, arranjada na net, refere-se a um Prémio de Atletismo na Corte do Pinto. Os moços estão com ar de quem vai começar a correr. Mas não deverão, em princípio, ir até à Barragem de Alqueva, apesar desta ser perto.

SMORZANDO

Nos próximos dias a actividade do blogue vai em smorzando.
.
Não é preguiça, nem falta de tema. Compromissos externos a isso obrigam. O primeiro é bom, o segundo também. Primeiro, a participação num colóquio sobre o Islão no Ocidente no período medieval, em França. Depois, uma deslocação a Guiné-Bissau integrando uma delegação do Munícipio de Moura. Ficarei mais uns dias, por minha conta, a fotografar e a preparar textos. Nem uma nem outra actividades me devem deixar grandes oportunidades para blogar.
.
Irei, contudo, cumprindo os chamados "serviços mínimos" e, sempre que possível, colocando algum texto novo.
.
.
E para a minha amiga BB aqui fica um Kandinsky. Quem quiser ver uma corrida de bicicletas na qual Kandinsky terá participado é só clicar aqui.

sábado, 16 de Janeiro de 2010

MANUEL ALEGRE

O histórico dirigente socialista Manuel Alegre declarou a sua disponibilidade para ser candidato à presidência da república. Traduzindo de forma mais clara: Manuel Alegre vai ser candidato.
.
O Bloco de Esquerda, que dispara mais rápido que a própria sombra, já veio declarar o seu apoio à candidatura.
Vitalino Canas, do PS, já veio dizer que essa candidatura dividirá seriamente o PS.
José Lello, do PS, já veio dizer que “não posso comentar uma coisa que é a ele que lhe diz respeito. Não me empenharei nem vou obstacularizar [a candidatura], é um problema dele. Não sou entusiasta dessa candidatura, portanto é-me relativamente indiferente”.
Vítor Ramalho, do PS, já veio cinicamente dizer que não pode comentar o que não existe.
Renato Sampaio, presidente da Federação Distrital do Porto do PS, já veio dizer que a sua posição “é a posição oficial do partido” (ainda bem que ele não é do PCP, senão caia-lhe toda a gente em cima, assim o que Sampaio diz é apenas disciplina partidária...).
.
Isto promete.
.

VAMOS A LA PLAYA, CALIENTA EL SOL!

Pois, todos criticaram e quase crucificaram o ministro Mário Lino e afinal o homem tinha, pelo menos, semi-razão. Quando o ministro falava no deserto da margem sul estava quase certo. Na parte que se refere à areia, pelo menos. É que o seu sucessor na pasta das Obras Públicas, António Mendonça, veio agora dizer que "Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid."
.
São assim os horizontes da Pátria. Fazem lembrar uma cena do filme Malteses, Burgueses e às Vezes..., de Artur Semedo. O protagonista repreende um arrumador de carros invocando o país de marinheiros que somos e nosso passado de glória, num discurso empolgado. Remata a prédica prometendo-lhe uma ocupação mais condigna. Cena seguinte: o arrumador de carros está a guardar barcos na doca de Pedrouços...
.
Nos tempos em que António Mendonça foi do PCP não era de esperar que ouvisse esta música conformista e decadente. Aqui lhe/vos deixo o inesquecível grupo Los Payos e o não menos inesquecível sucesso María Isabel, que a minha prima Maria me cantava nas férias em Paymogo. São palavras de inspiração e, já agora, de convite, para quem vive em Madrid e arredores. Bute curtir prá Costa da Caparica!
.

BECOS DE LISBOA

Não conheço todas as cidades do mundo. Nem nunca irei conhecer uma ínfima parte das que existem. Ainda assim, não tenho dúvidas que, com a provável excepção do Rio de Janeiro, Lisboa é a mais bela cidade do mundo.
.
Ainda hoje, tantos anos volvidos sobre os primeiros e solitários passeios na cidade antiga, gosto de voltar as mesmos sítios para, sozinho, me perder de novo na cidade antiga. A melhor recordação data, contudo, de 1996 ou 1997. Conduzia um grupo de amigos franceses, mais velhos, pelas ruas de Alfama. Ao acaso, sem lojas para turistas nem restaurantes típicos. Perto da rua de S. João da Praça há um grelhador com sardinhas em plena rua. O cozinheiro não está à vista. E ei-lo que sai do seu estabelecimento, de tesoura ainda em punho, para, num golpe rápido, mandar uns borrifos de água para o grelhador e virar as sardinhas. Era o barbeiro que, no meio do atendimento, preparava o almoço.
.
Ficaram extasiados, como os grupos de excursionistas sempre ficam, quando desembarcam em sítios longínquos e exóticos e vêem coisas que, nos países civilizados, fazem parte dos livros de histórias. Quase tive de jurar que aquilo não era combinado com o homem.
.
Acabámos a manhã almoçando numa taberna perto do Chafariz d'el-Rei, entre o cheiro das sardinhas assadas e o sotaque gingão dos lisboetas de Alfama.
.
Aqui ficam, para o fim-de-semana, palavras a sério de um bom poeta e duas imagens, a do pintor seguramente melhor que a do "fotógrafo".
.
.

PRIMEIRA CANÇÃO EM LISBOA

Em Lisboa é que nascem as gaivotas.
Que pena, meu amor, o mar não ser
um copo de água pura. De água para
a sede que em Lisboa eu vi nascer.

Em Lisboa. Capital do vento sul.
Coração do meu povo. A doer tanto
que a dor se tornou cor. E é azul
como a ganga dos homens do meu canto.

Em Lisboa a gente morre sem idade.
Devagar. Como se faz uma canção.
E há um pássaro que voa. É a saudade.
E uma janela aberta. O coração.

Joaquim Pessoa


.
Imagem de cima - pintura, datada de 1935, de Carlos Botelho (1899-1982), um bom artista plástico, hoje em dia bastante esquecido. A tradução em imagem da topografia de Lisboa, que lhe foi tão cara, é-me ainda hoje bastante querida. E importante em termos profissionais.
Imagem de baixo - fotografia feita pelo autor do blogue, em 2007, algures na zona antiga da capital.

NIGÉRIA

O 10º lugar, em termos de visualizações de  páginas, deste blogue cabe à Nigéria. Outro local qualquer chamaria menos a atenção. Mas a Nigéria...
.
A curiosidade matou o gato, mas quem será o mourense que vive por essas bandas? Algo me diz que é um mourense.
.

sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

VITÓRIA OU A LEI NÃO É IGUAL PARA TODOS?

.
Das duas uma. Ou a lei não é igual para todos ou o movimento OLD LIBERATO pode cantar vitória. O senhor da imperial chama-se Francisco Manta.
.
Nota pessoal: há sempre uns intelectuais à séria que acham que na vida não há espaço para a diversão. Tenho recebido mensagens de crítica sobre o pouco interesse deste tema. Meus caros, só passa aqui pela Avenida quem quer...

A NOITE

Filme que pertence à célebre trilogia da incomunicabilidade de Antonioni, La notte, de 1961, retrata um casal num beco sem saída. Giovanni (Marcello Mastrianni) e Lidia (Jeanne Moreau) vagueiam sem rumo, entre pequenas escapadelas, bares nocturnos e festas, num meio burguês e entediado. O filme acaba com Lidia lendo uma carta de amor que Giovanni lhe escreveu antes de se casarem, e da qual ele não se lembra.
.
Gostei tanto do filme quando o vi que decidi não repetir a experiência. Há filmes que perdem o encanto e ganham muitas rugas com o tempo. Com o dele e com o nosso, que ganhamos perspectivas diferentes das coisas. Talvez um dia volte a esta noite.
.
 
.

Eu...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

.
As palavras de Florbela Espanca, a sua tristeza e abandono, têm um ritmo que não é muito diferente do que tem o filme. O filme é lunar, o poema um pouco também. Tragam-nos o sol.

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

SÓCRATES E O DEBATE DE AMANHÃ SOBRE O ENSINO SUPERIOR

Mariano Gago deslocou-se duas vezes a Mértola. Foram visitas interessantes, por diferentes ordens de razões. Na primeira foi mais técnico que ministro. Quis saber imensas coisas dos projectos, como funcionava o Campo Arqueológico, quais os projectos que cada um de nós tinha. Tratou-nos por tu e insistiu que todos o tratássemos por tu. Coisa que ninguém fez, claro está. Foi fraterno e portou-se como um colega mais velho que se interessa pelo trabalho dos novatos.
.
A segunda visita foi mais institucional mas não menos interessante. Na sessão de apresentação do mestrado Portugal Islâmico e o Mediterrâneo dissertou longamente sobre os desafios do ensino superior. Foi irreverente e contestatário. Manifestou-se contra todos os métodos estupidamente quantitativos de avaliação de carreiras, disse coisas que ninguém esperaria sobre as formas de contratação de docentes no ensino superior e sobre a estupidez da burocracia. Mais parecia o jovem extremista de outrora que o ministro do ensino superior de um país da Europa Ocidental. Não levei o que disse minimamente a sério mas Mariano Gago foi, como sempre, brilhante e convincente.
.
Lentamente, vai levando a água ao seu moinho - o da progressiva e discreta privatização do sistema de ensino superior ou, pelo menos, o da crescente, participação do sector privado empresarial no destino das universidades -, embora não se resolva um enigma de base:
.
Como vão nos países europeus, com uma tradição mecenática relativamente pobre no apoio às Ciências Humanas, sobreviver essas "inutilidades" do ensino do grego, do estudo da poesia medieval ou da evolução das basílicas na Antiguidade Tardia?
.

O Governo escolheu o ensino superior como tema do debate quinzenal de sexta-feira, com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, disse à agência Lusa fonte do ministério dos Assuntos Parlamentares. Deve ser má vontade minha, mas nunca percebi o que é que raio o nosso primeiro terá a dizer sobre o ensino superior. A não ser que seja para ensinar uns truques à malta...

quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

THALASSA! THALASSA!

Thalassa! Thalassa! (O mar! O mar!). Foi assim que os soldados gregos comandados por Xenofonte saudaram a visão do mar no Ponto Euxino.
.
Este curto parágrafo já foi, em tempos, publicado aqui no blogue. Mas foi essa a sensação - a de estar perante o mar - que tive quando hoje de manhã cheguei à Estrela. A fotografia tem como autor Orlando Fialho.
..

E assim a barragem de Alqueva chegou à cota máxima...

PITA AMEIXA: à descoberta do concelho de Moura

E chega Pita Ameixa às terras de Moura e afirma à comunicação social esperar que o município de Moura, por ser liderado pela CDU, não crie obstáculos ao desenvolvimento da freguesia de Amareleja, cuja Junta de Freguesia é, desde as últimas eleições autárquicas, liderada por um movimento de independentes.
.
Fico sempre fascinado com estes descobridores. Pita Ameixa aventurou-se em território desconhecido e descobriu coisas. Primeiro, já encontrou o caminho para a Junta de Freguesia de Amareleja. Em anterior deslocação à freguesia não conseguiu lá chegar. Depois, descobriu também o caminho aventuroso e difícil para o Sobral da Adiça. Entretanto, e no meio do périplo, divertiu-se a debitar umas banalidades e umas jonglerias absolutamente confrangedoras sobre o que já se fez noutras freguesias e noutros concelhos. Há coisas na nossa região que são assim. Uma delas é que, a par das coisas boas que temos, somos, de quando em vez, fustigados pelo pita-ameixismo.
.
Faço votos que o deprimente Pita Ameixa encontre, em futura vinda a estas terras longínquas, o caminho da Câmara Municipal de Moura. Não por razões de solidariedade política, institucional ou pessoal. Mas apenas por uma questão de boa educação.
.


Chapéu colonial - modelo que aconselhamos ao explorador Pita Ameixa em próximas aventuras no concelho de Moura. Está de acordo com um certo modo de descobrir o mundo desconhecido. Para a capacidade de debitar asneiras não há chapéu que lhe valha...

OLD LIBERATO

Há sítios assim e pessoas assim. O Liberato é um sítio que vale pelo sítio, e pelo próprio Jorge. Durante muito tempo pudémos, ao fim da tarde, desfrutar de grandes momentos de convívio ao balcão do Liberato. Em particular nos últimos anos o bar tornou-se uma tertúlia popular. Numa tertúlia popular não se discute filosofia contemporânea, nem literatura, nem pintura, nem coisas assim. Os temas são outros, e têm a ver com a vida de todos nós. Com o dia-a-dia na nossa Moura. São sítios privilegiados de trocas de informação, de um pouco de má-língua e de grande animação ao fim da tarde.

.

O Jorge era/é mestre na arte do dichote e da graça a propósito. A gargalhada e a boa disposição foram a imagem de marca de muitas tardes no Liberato.
.

Desde o dia 4 de Janeiro, o Jorge acabou com os copos ao balcão. É claro que o ambiente ficou mais pacato, um pouco mais "europeu" e silencioso. É evidente que não vamos deixar de ir ao Liberato ao fim da tarde. Mas é diferente, porque aquele ambiente um pouco andaluz de animação se perdeu.

.

Depois de uma breve troca de impressões, e na nossa qualidade de indefectíveis do bar e do direito a bebermos uns copos em pé, e num controlado desassossego, resolvemos tornar público este lamento.

.

Corrige lá isso, Jorge! Caso contrário avançamos para o abaixo-assinado e, quiçá, com uma petição na Assembleia da República.

.

O presente texto será publicado pelos seus autores, e promotores do movimento OLD LIBERATO, nos seguintes blogues:

.

http://castelodemoura.blogspot.com/ (Francisco Manta)

http://pdmoura.blogspot.com/ (Harley)

http://rentearelva.blogspot.com/ (Rafael Rodrigues)

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/ (Santiago Macias)

.

Fotografia de um final de tarde "clássico" - tirada do blogue http://oliberato.blogspot.com

Mandem sff mensagens de protesto para rest.liberato@sapo.pt ou oliberato@gmail.com

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

A CHUVA CHOVE...

A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...
.
E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene

.
... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,

.
Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,

Revira in-fólios, cancioneiros e missais...
.

Jackson Pollock (1912-1956), figura de proa do expressionismo abstracto, cultivou uma técnica conhecida como "dripping" (gotejamento). Não usava pincéis, no sentido em que habitualmente estes são utilizados. Lançava a tinta sobre a tela, colocada no chão, usando por vezes regadores ou arrastando os pés sobre a superfície sobre a qual trabalhava. Lembrei-me do nome de Pollock (chovendo sobre a tela, na imagem de cima), de cujo trabalho não sou um fã de primeira linha, nestes dias em que toda a água do céu parece cair sobre Portugal.

Cota da barragem de Alqueva às 23 h. de ontem: 151.90

LISBOETAS E JOSÉ TRIBOLET

Numa cena do filme Lisboetas, de Serge Tréfaut, uma mulher oriunda do leste europeu (Rússia ou Ucrânia, se não estou em erro), fala ao telemóvel com alguém do seu país de origem. A mulher está sentada na praia e descreve Portugal com a calma de uma adquirida traquilidade. E que diz ela? Que o país é magnífico e que as pessoas são simpáticas. Que o clima é óptimo e que há segurança nas ruas. O monólogo vai por aí fora até a mulher referir o sistema de ensino. Que classifica como muito fraco, sem rigor nem níveis de exigência.
.
Ontem à noite, apanhei, por acaso um excerto do programa "Prós e Contras". No meio daquela chatura sem dimensão achei graça a uma intervenção, meio enfurecida e genuína, do Prof. José Tribolet. Clamava que era necessário "trabalho, trabalho, trabalho" e "disciplina, disciplina, disciplina".
.
Nem mais. Tanto a mulher de leste como o Prof. Tribolet tocam num ponto sensível: o da falta de exigência e da ausência de métodos de trabalho que rodeiam o nosso ensino. Os curricula do secundário estão cheios de inutilidades pomposas como Estudo Acompanhado, Formação Cívica e de carnavaladas inconsequentes como Área Projecto. Ao todo, uma série de horas atiradas à rua. O trabalho de memorização (que horror!) foi atirado para a Pré-História, a leitura dos clássicos passou a passatempo, o trabalho duro de aprendizagem tornou-se uma amável reinação.
.
No "meu tempo" é que era bom? Não era. Havia um ensino mais elitista, havia menos possibilidades de intercâmbio, havia menos ferramentas e uma tecnologia incomparavelmente mais atrasada. Ora, justamente por termos todo esse leque de possibilidades é que deveríamos dar passos em frente. Não é isso que está a acontecer. Não há disciplina alguma, nem se incute nos jovens estudantes a ideia que um curso, uma carreira, um trabalho de investigação, implicam muitas horas de trabalho, frequentemente solitário, e de sofrimento. Resultado: se antes tinhamos um ensino pensado para o terciário urbano, hoje temos um ensino que criou nichos para a formação de super-elites. Justamente o contrário que a democratização preconizava...
.

Bibliothéque Nationale de France, Paris

Divirto-me hoje a recordar que, na Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, algumas colegas (sobretudo elas) me chamavam "monge" pelas horas gastas na biblioteca ou "alemão", por ser um partidário do trabalho persistente. Elas não tinham razão. Sempre achei, e hoje tenho a certeza, que trabalho intenso não é incompatível com diversão intensa. Muito pelo contrário.

domingo, 10 de Janeiro de 2010

MUROS E MUROS ERGUENDO

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aprovou hoje a construção de uma barreira em dois segmentos da fronteira com o Egipto e a instalação de um sofisticado equipamento de vigilância para impedir a entrada no país tanto de imigrantes ilegais como de militantes armados. “Esta é uma decisão estratégica para garantir o carácter judeu e democrático de Israel”, explicou o líder da direita israelita no anúncio de um projecto que, segundo o diário "Ha’aretz" irá custar 1500 milhões de dólares (16.700 milhões de euros). Nos últimos anos, milhares de africanos entraram em Israel pela fronteira egípcia, fugindo à pobreza ou aos conflitos nos seus países de origem, mas o fluxo desagrada às autoridades, que privilegiam o acolhimento de judeus oriundos de outros países.
.
A notícia saiu há poucas horas na edição on-line do Público. A orla mediterrânica agita-se. "Vem aos meus braços, querido amigo", pensou, decerto, Berlusconi. O racismo já nem se dá ao trabalho de se esconder ou de disfarçar intenções. Em Portugal ainda só se rosna contra os imigrantes. A luta está por conta do folclórico PNR. O estilo português suave ainda não rima com os pogroms calabreses. Para já. É tudo uma questão de tempo.
.
Fotografia de Larry Towell, na Faixa de Gaza, em 1993

EVA LOOTZ

Aqui se recorda o projecto Caligrama, que a artista plástica Eva Lootz montou no Khan Assad Pasha, na cidade velha de Damasco, no Outono de 2003. O antigo espaço otomano viu o seu solo, e as escadas, preenchidos por centenas de pequenos pontos de luz, que davam ao sítio um ar ao mesmo tempo acolhedor e fantasmagórico. Não vem aqui ao caso como conheci Eva Lootz, nem como fui "desembarcar" na instalação, justamente no dia em que esta era inaugurada.
.
As imagens que se publicam provam bem que a criatividade e a imaginação da artista criaram um projecto de excepcional qualidade com meios muito modestos. A fotografia de cima é do site da artista. A de baixo é minha (não tinha tripé e restava-me apenas um rolo de baixa sensibilidade, que "estiquei" ao máximo...) e aqui a deixo, para dar razão a uma amiga que diz que só fotografo sombras.
.

.
Site da artista: http://www.evalootz.com/

sábado, 9 de Janeiro de 2010

SEXPRESSIONS

Ainda hesitei. O tema tem sido glosado na imprensa. A socialite Clara Pinto Correia, ultimamente desaparecida da ribalta, resolveu fazer um come back triunfal. Como? Simples. Posou para o seu companheiro, que é fotógrafo, tendo orgasmos. Sem grandes comentários (para quê?), transcrevo o texto do semanário Sol on-line:
.
Expressões de prazer de Clara Pinto Correia em exposição
É um exercício íntimo aquele que é exposto a partir desta sexta-feira e até 7 de Fevereiro no Centro Cultural de Cascais: imagens do rosto feminino durante o orgasmo. Clara Pinto Correia deu o corpo ao manifesto do fotógrafo Pedro Palma
São 10 fotografias da bióloga e escritora Clara Pinto Correia em momentos de prazer íntimo, registados pelo marido Pedro Palma, e acompanhados de textos da autora sobre amor e sexo. Sexpressions, ou expressões do sexo, vai estar em exposição no Centro Cultural de Cascais até 7 de Fevereiro.
«O projecto não poderia ser com uma mulher qualquer, contratada para o efeito», explica o fotógrafo. «Tinha que ser com a mulher que se ama para que o resultado final pudesse ser credível, verdadeiro», acrescenta.
O resultado são imagens de «expressões de ternura, amor, prazer e prazer extremo: o orgasmo», registada através de «três máquinas digitais, montadas em sincronia quase perfeita», capazes de capturar «três imagens por segundo, com a nitidez impossível a uma câmara de filmar».
«De aproximadamente 6.000 registos, foram seleccionadas dez fotografias... um trabalho exaustivo com vários dias sem dormir», conta Pedro Palma.
«Teremos ido longe de mais, ou a lado nenhum? O que se passa na mente humana, durante o acto sexual, que nos transforma, transfigura, que nos faz ser o que não somos fora deste palco específico onde mais ninguém nos vê? Quem, ou o que somos enquanto fazemos amor?», pergunta o fotógrafo.
São questões para tentar responder com estas imagens." (fim de citação)
.
Não creio que sejam, de facto, necessários grandes comentários, tal a dimensão do ridículo. Em todo o caso: 6.000 fotografias??? Em vários dias??? Fica uma pessoa a fazer contas de cabeça: qual o ratio orgasmo/foto e vice-versa?
.
Se forem ao google e escreverem sexpressions aparece esta imagem. É uma iniciativa da Universidade do Colorado - "Sexpressions is a talent showcase celebrating positive expressions of female sexuality" - e espero que não haja aqui o fumo de um qualquer plágio... Em todo o caso, não me parece que a fotografia seja a de Clara Pinto Correia tendo um orgasmo. Mas, claro está, é coisa que não posso garantir...

sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

MAGNOLIA

O cineasta chama-se Paul Thomas Anderson (n. 1970). Tornou-se célebre com Boogie Nights, que dirigiu com apenas 27 anos, mas tem muito melhor que esse filme. Tem Punch-Drunk Love (2002) e este Magnolia (1999). O início de Magnolia, com uma extensa reflexão sobre o significado da palavra "sorte", é um dos mais electrizantes que conheço. A história é um cruzar de episódios, um pouco na linha que Altman tornou na sua imagem de marca. Mas Paul Thomas Anderson vai mais além da simples fábula do quotidiano, estende-se aos territórios do absurdo. Que parece, afinal, uma coisa naturalíssima. Partilho com uma amiga o fascínio pela frase "This happens", usada por um personagem para justificar o que não tem explicação. A sorte e o acaso que nos atormentam a cada momento.
.
  

CASAMENTO GAY

Aparentemente, a questão está resolvida. Ou talvez não. Balançam sobre o assunto dúvidas de constitucionalidade. Vão começar os jogos de florete jurídicos. As razões e as contra-razões. Os argumentos, cada vez mais técnicos e especializados (não conheço outro país em que os juristas estejam tão omnipresentes no debate político e em que as discussões tenham uma tão forte carga técnica), vão enredar-se em meandros infindáveis.
.
Quando o assunto se der por terminado - pessoalmente é-me tão "indiferente" o casamento entre pessoas do mesmo sexo como entre as de sexo diferente -, há outros dossiês que esperam resolução. Menos mediáticos mas bem mais decisivos para o nosso futuro. 
.

PORTUGAL DESCONHECIDO

Ao chegarmos hoje a Lisboa fomos assaltado por uma dúvida. Qual será a segunda ponte do Feijó, tão falada todos os dias na Antena Um? O Rui acabou por apresentar a hipótese mais consistente, mas ficámos seguros que há um Portugal Desconhecido que é todos os dias mencionado nas notícias do trânsito e que nos escapa por completo. Para os que, ai de nós!, vão para o trabalho a pé e não sofrem os problemas dos engarrafamentos (ou quase, no rush-hour de Mértola contei no outro dia uma bicha de seis-carros-seis...) tentamos imaginar um país que, para nós, não existe. O que será o Nó de Francos? E porque é que há sempre entupimentos em Faria Guimarães? E porque é que a Segunda Ponte do Feijó é sempre mais referida que a Primeira Ponte do Feijó? E os que nunca foram à Amadora nunca saberão como é a Recta dos Comandos. No fim disto tudo, apenas um detalhe me intriga. Antigamente, falava-se sempre nos problemas de trânsito na General Torres. Agora, nada. O que terá acontecido ao General, agora condenado ao esquecimento?
.
Um engarrafamento! O meu reino por um engarrafamento! 
.

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

O ESPLENDOR DO SILÊNCIO

.
“No esplendor inigualável dos 70 mm e do som estereofónico total”. Era esta a frase publicitária que, há trinta anos, acompanhava o anúncio da reposição de velhos filmes nas salas de Lisboa. O formato dos 70 mm é hoje uma relíquia arqueológica. As salas onde esses filmes eram exibidos há muito que entregaram a alma ao Criador. O Império é uma igreja, o Monumental foi demolido, o Condes é um restaurante, o Tivoli encerrou.
.
Muita da solidão e da timidez da minha adolescência foi passada nessas salas. No esplendor silencioso do 2º balcão desses templos imensos. A paixão pelo cinema nasceu aí. O hábito solitário de ver cinema consolidou-se aí. Não estranho recordar, portanto, tantos anos depois, que a primeira vez que convidei uma namorada para ir ao cinema tenha sido para a Cinemateca. E para ver Roma, de Fellini. Haverá sítio, e filme, menos provável para namorar ou beijar alguém? Admito que não. Tenho a certeza que não. Mas foi assim.
.
Ir ao cinema, ou ao teatro, ou à ópera, converteu-se, desde a adolescência, num hábito próximo da devoção. E se no teatro ou na ópera o silêncio entre o público ainda impera, louvado seja Deus!, no cinema o esplendor inigualável do silêncio há muito foi eliminado. Com a rara excepção do King e de mais um ou dois sítios (agora não me lembro de quais, verdade se diga) as salas converteram-se em anexos do fast food dos centros comerciais. À entrada das salas os espectadores podem abastecer-se como se partissem para uma longa viagem. Baldes imensos atulhados de pipocas, garrafas de coca-cola de tamanho familiar. Gomas e pastilhas, pipas e batatas fritas. Que la fête commence. Os diálogos dos filmes são agora pontuados por schhhhlurrp! e scrontch! scrontch! A cada segundo. Tentem imaginar, por um segundo que seja, a silenciosa sequência da piscina, no Nostalgia, de Tarkovsky, no meio daquele festim. Revejam a cena final de Casablanca ao som da mastigação. Pensem no que é o mais belo flash-back da história do cinema, o regresso à juventude em Morangos silvestres, de Bergman, no meio do barulho das pipocas. Peço que façam o favor desse elementar exercício.

.
Foi em tudo isto que pensei há semanas quando comprei bilhete numa sessão da meia-noite, um reduto ainda relativamente tranquilo, para ver Agora, de Alejandro Amenábar. O filme é mediano. Mas ficou menos interessante quando o dramatismo da narrativa foi entrecortado pelo trabalho dos maxilares de outros espectadores. Sonho, cada dia mais, com o inigualável esplendor do silêncio. E com o dia em que abram cinemas onde, à porta, se coloque o aviso: “é expressamente proibido o consumo de pipocas e de refrigerantes nesta sala de cinema”. Podem ter a certeza que comprarei um lugar cativo.

.
Crónica publicada em A Planície no passado dia 1 de Janeiro.
.

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

COTA MÁXIMA

Ponto da situação na Barragem de Alqueva (informação do anónimo Watergate, a quem agradeço):
.
05/01/2010
23:00
151.44
.
A cota máxima deixou de ser uma miragem.

VENTOS DE BONANÇA

.
Segundo a imprensa de hoje, "por cada 100 Watt de electricidade consumidos no ano passado nos lares portugueses, 15,03 Watt vieram do vento, um valor que eleva o país para o segundo lugar mundial." (Público on-line). Aí está uma notícia positiva e que vem dar um pouco de cor a estes dias cinzentos.
.
O vento é um elemento dominante em várias sequências do filme "O grande mestre do crime", rodado em 1967 (direcção de Norman Jewison). Queria ilustrar este post com um excerto do filme. Não foi à primeira. Procurava uma canção chamada The windmills of your smile e o título é, na verdade, The windmills of your mind. Curiosamente, o seu autor, Michel Legrand (n. 1932), deu-lhe um título diferente na língua original: Les moulins de mon coeur. Your mind/mon coeur? A cerebralidade anglo-saxónica dá lugar ao sentimento latino. Prefiramos o segundo à primeira.
.


terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

JOSÉ ALBERTO ALEGRIA

Aqui ficam o aviso e o convite. O arquitecto José Alberto Alegria dará, na próxima segunda-feira, dia 11, pelas 17 horas (sala ST 3 do edifício dos Leões/Universidade de Évora), uma conferência sobre Arquitectura Islâmica e Contemporaneidade.
.
A iniciativa integra-se no seminário Introdução à arquitectura islâmica e do espaço do Maghreb que, desde há dois anos, lecciono no Mestrado em Arquitectura da UE.
.
.
Vejam-se informações sobre o curso de Arquitectura em:
http://www.uevora.pt/estrutura_organica/unidades_organicas/escolas/escola_de_artes/departamento_de_arquitectura

MATRAQUILHOS

Ouvi dizer hoje, na Antena 1, que vai começar em Nantes o Campeonato Mundial de Matraquilhos. Fiquei emocionado por saber que a prática de tão prosaico entretenimento já tem nível para Campeonato do Mundo. Lembro-me sempre do jogo do boneco (era assim que, há 40 anos, lhe chamávamos em Moura) por três motivos básicos:
1. Adoro jogar matraquilhos;
2. Jogo pessimamente (facto cientificamente comprovado) e nem sequer sei fazer as fintas mais básicas;
3. Nas feiras de Maio de 1971/1973, a turma contava sempre com o auxílio precioso do J.V. (omito o nome, não vá dar-se o caso de ter hoje um lugar respeitável), especialista em sacar as bolas com a ajuda de um pente de metal (!) e de um pontapé certeiro no local apropriado. O feirante, coitado, nem desconfiava que aqueles meninos de ar bem comportado só pagavam um jogo em cada dez...
.
.
O jogo foi criado por um galego, Alexandre de Fisterra, em 1937. O seu autor ficou, na altura, muito impressionado pelo facto de muitas crianças, vítimas dos bombardeamentos da Guerra Civil, ficarem com pernas amputadas, o que as impedia de jogarem futebol. Inventou então este entretenimento, hoje de difusão planetária.
.
Os jogos não têm transmissão televisiva, mas podem seguir o essencial do campeonato em: http://www.table-soccer.org/

segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

AS TORRES DO IÉMEN

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse hoje que a situação no Iémen era uma ameaça às estabilidades regional e mundial.
.
"Nós vemos implicações globais na guerra no Iémen e nos esforços contínuos da Al Qaeda no Iémen para usar o país como uma base de ataques terroristas bem além da região», disse Hillary depois de uma reunião com o primeiro-ministro do Qatar." (na imprensa de hoje).
.
As torres do Iémen que se cuidem...
.

BURJ KHALIFA

.
Acima das nuvens, como o viajante de Caspar David Friedrich, mas com muito menos romantismo, estão as torres do Dubai. É lá que fica a mais alta do mundo: tem 828 metros, acaba de ser inaugurada e o seu nome de ser mudado. De Burj Dubai passou para Burj Khalifa (torre do califa), em honra de Sheikh Khalifa bin Zayed al-Nahayan, presidente dos Emirados Árabes Unidos. A palavra califa quer dizer sucessor (do Profeta). Explicações e justificações à parte, a alteração do nome parece-me, nestes dias, tudo menos inocente.
.
A torre tem página web:
http://www.burjdubai.com/
.

OUVI DIZER

Ouvi dizer que havia
na água uma pedra e um círculo
e sobre a água uma palavra
que dispõe o círculo à volta da pedra.
.
Vi o meu choupo descer para a água,
vi o seu braço mergulhar no fundo,
vi as suas raízes suplicar noites voltadas para o céu.
.
Não corri atrás dele,
limitei-me a apanhar do chão essa migalha
que dos teus olhos tem a forma e a nobreza,
tirei-te do pescoço o colar daquelas falas
e debruei com ele a mesa onde agora estava a migalha.
.
E deixei de ver o meu choupo.
.
.
Um post sob o signo da solidão. A do poeta solitário, Paul Celan; a do viajante solitário perante o mar de nuvens, pintado em 1818 por Caspar David Friedrich (1774–1840). A do escritor Albert Camus, que nos deixou em 4 de Janeiro de 1960, e que criou Meursault, o mais solitário de todos os homens.

EFEMÉRIDE IV: PERGOLESI

Chamava-se Giovanni Battista Pergolesi e nasceu em Jesi, perto da costa do Adriático, faz hoje 300 anos. Foi o programa da manhã de hoje na Antena 2 que me recordou o facto. Pergolesi faleceu aos 26 anos, vítima de tuberculose. A tempo, contudo, de produzir uma obra vasta e notável, onde se destaca o Stabat Mater, datado de 1736.
.
A paixão por esta peça é antiga. Na falta de conhecimentos musicais comprei uma versão que me pareceu adequada. O meu amigo Francisco Motta Veiga dir-me-ia depois "as vozes delas são magníficas, mas não se adaptam ao repertório barroco tão bem como a outros". Vivendo e aprendendo.
.

Aqui fica, em homenagem ao génio de Pergolesi, a versão que me foi aconselhada: Michael Chance (contratenor), Gillian Fisher (soprano) e o King's Consort, com Robert King a dirigir.

domingo, 3 de Janeiro de 2010

EFEMÉRIDE III: FUGA DE PENICHE

.
Faz hoje 50 anos que um grupo de patriotas, militantes do Partido Comunista Português, se evadiu do Forte de Peniche. Integravam-no, entre outros, Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Miguel e Francisco Martins Rodrigues (este último natural de Moura). É um importante episódio da luta contra o fascismo, que as gerações mais jovens ignoram por completo. Não participou na fuga, por decisão própria, António Borges Coelho (um relato dos anos de Peniche está incluído no livro Historiador em discurso directo, que a Câmara Muncipal de Mértola editou em 2003).
.
Num país que lida mal com a memória, e com o passado, o Forte de Peniche vai acabar como pousada de luxo (idêntico destino está reservado à sede da antiga polícia política, em Lisboa), sem que se saiba ao certo o que se vai passar com zonas simbólicas de um local que foi, ao mesmo tempo, espaço de sofrimento e de resistência. Os curros do Aljube, em Lisboa, são apenas uma referência e uma recordação dos que por lá penaram às mãos da PIDE. E assim vão, aos poucos, desaparecendo os símbolos da luta contra a ditadura. Lamenta-se que assim seja, porque é assim que se branqueia o passado e se ilibam os culpados da repressão. É a nossa alma português suave, naquilo que de pior tem.
.
Álvaro Cunhal não mais voltaria a ser preso. Regressou a Portugal depois do 25 de Abril. Aqui o vemos, nesta extraordinária fotografia de Guy LeQuerrec, feita durante um comício em Pias e datada de 27 de Julho de 1974. No lado direito da imagem está António Pós-de-Mina, dirigente local do PCP.
.

sábado, 2 de Janeiro de 2010

EFEMÉRIDE II: 2 DE JANEIRO DE 1998

Faz hoje 12 anos. Mas se não fosse um amigo recordar-me esse facto não me lembraria da data. Em 2 de Janeiro de 1998, o José Maria Pós-de-Mina tomou posse como presidente da Câmara de Moura, eu fui eleito presidente da Assembleia Municipal. Foi o início de um percurso que se mantém. E ainda bem, porque, entre teorias, hipóteses e estudos, muitas oportunidades teriam passado ao lado do concelho de Moura. Os próximos anos serão de consolidação. Daqui a uns tempos falamos.
.

150.17

.
150.17 - era essa a cota das águas na barragem de Alqueva às 10 horas de ontem. Ou seja, estamos perante o máximo armazenamento até hoje conseguido, e desde o fecho das comportas. A água acumulada equivale a 91% da capacidade da barragem.
.
Gostava que dessem agora um passo em frente todos os teóricos que, munidos de estudos irrefutáveis, garantiam que a barragem nunca iria encher.
.
Falta ainda cumprirem-se as expectativas de desenvolvimento que se criaram em torno de Alqueva. Tenho as maiores e mais fundadas dúvidas. Sobretudo depois de tudo o que assisti durante a fase de discussão do POAAP.
.
Veja-se, embora os dados se reportem a dia 30 de Dezembro, o site da EDIA: www.edia.pt

EFEMÉRIDE I: FAUSTO COPPI

Faz hoje 50 anos que morreu o ciclista italiano Fausto Coppi (1919-1960). O seu palmarés de vitórias foi vasto, mas caberá aí destaque para a conquista do Giro (5 vezes: 1940, 1947, 1949, 1952, 1953), do Tour (2 vezes: 1949 e 1952) e do Campeonato do Mundo (1953). Faleceu vítima de malária, depois de uma deslocação ao Burkina Faso.
.
É evidente que nunca vi correr Fausto Coppi e as imagens hoje disponíveis não chegam para dar a real dimensão da sua carreira. O mito em torno do seu nome, e o entusiasmo com que o meu pai sempre se lhe referia, são-me suficientes.
.
.
Não sei se foi escrito algum poema sobre Fausto Coppi. Ruy Belo, contudo, deixou-nos bonitas palavras sobre o grande José Maria Nicolau (1908-1969).
.
Na morte de Nicolau
.
José maria nicolau fugiu. Quem o apanha?
Nunca ele pedalou tanto como agora
Decerto vai chegar antes da hora
A etapa era decisiva e está ganha
.
Ele que várias vezes deu a volta a portugal
deu desta vez a volta a quê? Talvez à vida
A alguns anos já da primeira partida
fugiu. Tudo se torna agora mais real
.
Que média fez num terreno tão mau
E tudo serra custa muito subi-la
Deixem que eu vista a camisola amarela
ao grande corredor josé maria nicolau

sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

UM COMEÇO A SUBIR

.
O ano é começado a subir, com a melhor posição de sempre: lugar nº 245 entre 2089 blogues registados aqui. Apesar de alguns choques durante o ano passado, estou em melhor estado que o Volvo.

HOMENAGEM

.
No ano passado, teve lugar em Moura uma pouco vulgar homenagem, que aqui quero relembrar, neste início de ano.
.
Trata-se de um pequeno monumento, que inclui os nomes de todos os naturais do concelho de Moura que faleceram na Guerra Colonial. Não é aqui o lugar para uma reflexão sobre as guerras em África ou sobre as feridas ainda em aberto. Mas registei com orgulho o facto da Câmara de Moura ter sido uma das raras (não conheço outro caso, mas admito que exista) a homenagear os seus naturais falecidos nas terras da Guiné-Bissau, de Angola e de Moçambique.
.
Há sempre ali flores, que mão anónima deposita com regularidade. É, para mim, o aspecto mais significativo e comovente desta homenagem.

quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

FOI ASSIM...

.
Agora, que o ano se esfuma, é altura de deitar contas à vida. Não só as do ano de 2009, mas as do mandato 2005-2009. Ao fim e ao cabo, e exceptuando o breve, e dispensável, percurso pela Universidade do Algarve, os últimos quatro anos foram passados à volta de Moura. Com uma intensidade que, de início, não imaginaria.

.

Em todo o caso, é interessante rever o tempo que passou e como o mesmo foi utilizado. O que se seguida se apresenta não é um balanço (longe disso, até porque há domínios nos quais não tive intervenção directa) nem representa o meu trabalho enquanto vereador. Tudo o que foi concretizado foi feito por uma equipa e em torno de um projecto político. Foi também por isso que aceitei continuar. E isso aconteceu no dia em que me apercebi que, esteja eu onde estiver, há sempre uma parte de mim que está em Moura.

.

Fora desta listagem, essencialmente feita em torno da componente obra/projectos, fica todo o trabalho de apoio ao movimento associativo, todo o empenho na área educativa ou no domínio das iniciativas culturais. Listei, quase só de memória, cerca de oito dezenas de iniciativas. Dentro de um dia ou dois o José Maria vai-me telefonar a dizer "esqueceste-te disto e daquilo etc.". Aditarei, com todo o prazer.

.

Aqui vai um resumo dos tempos recentes:

.

Açude de Santa Marina – reparação e reconstrução

Adro da Igreja (Santo Aleixo) – requalificação e instalação de um novo sistema de iluminação

Alcáçova do Castelo de Moura – requalificação

Antigo Edifício da Moagem (Safara) – obras de remodelação

Antigo matadouro municipal e área envolvente – lançamento do concurso e desenvolvimento do projecto (em curso)

Barranco de Vale de Juncos (Amareleja) – realização do projecto de requalificação

Biblioteca Municipal – concurso e realização do projecto

Biblioteca (pólo do Sobral da Adiça) – conclusão do processo

Campo de Jogos das Cancelinhas (Amareleja) – renovação

Casa Mortuária (Safara) – realização do projecto e apoio às obras

Casa Mortuária (Santo Aleixo) – realização do projecto e apoio às obras

Castelo de Moura: aprovação dos projectos e lançamento a concurso do posto de recepção ao turista

Cemitério de Moura – realização do projecto (em curso)

Central Fotovoltaica (Amareleja) – realização de plano de pormneor, de plano de urbanização, acompanhamento e licenciamento das duas fases do projecto

Centro Cultural (Santo Amador) – empreitada de conclusão das obras

Centro Histórico de Moura - parcerias para a regeneração urbana – apresentação do projecto e assinatura de acordo de financiamento com a CCDRA

Convento do Carmo de Moura – negociação do processo de cedência

Convento do Castelo – consolidação e reforço estrutural

Creche (Amareleja) – apoio técnico e financeiro ao processo

Criação de páginas web temáticas (feiras e turismo)

Edifício dos Quartéis – conclusão do projecto e lançamento da empreitada de remodelação

Edifício dos Quartéis – reconversão da cobertura

Eixo comercial de Moura – obras de requalificação

Escola da Porta Nova – remodelação

Escola (Santo Aleixo) – realização do projecto

Escola do Fojo – remodelação

Escola Primária (Santo Amador) – obra de requalificação

Espaço Sheherazade – aquisição e requalificação

Esplanada Mercedes (Amareleja) – condução e concretização do processo negocial

Fundo de Apoio às Micro-Empresas – dinamização do processo

Fundo Social (associado ao processo das energias renováveis) – criação e dinamização

Galeria Municipal e Conservatório - remodelação

Gargalão (Sobral) – abertura de novo furo

Horta das Borralhas – arranjo do espaço exterior

Horta de S. Francisco – processo de regularização e criação de loteamento

Igreja de S. Francisco – realização do projecto de reabilitação e lançamento do concurso

Igreja do Espírito Santo – aquisição do imóvel e realização do projecto

Jardim das Oliveiras – realização do projecto e lançamento do concurso

Laboratório de apoio à Estação da Fonte da Telha – realização do projecto e da obra

Largo da Igreja (Safara) – obras de beneficiação

Largo das Ameias (Safara) – obras de beneficiação

Largo do Regato e zona circundante (Amareleja) – projecto concluído

LÓGICA - criação da empresa municipal de gestão do parque tecnológico

Loteamento do Mourasol – repavimentação

Ludoteca e delegação da Câmara Municipal (Amareleja) – obras de beneficiação

Moura: 3000 anos de História – apresentação de projecto e assinatura de acordo de financiamento com o ITP

Mouraria – projecto de reabilitação (em curso)

Mourasol – acesso pedonal

Museu Alberto Gordillo – reabilitação do edifício do antigo quartel dos bomebeiros

Parque de feiras e exposições – lançamento da empreitada e realização das obras

Pátio dos Rolins – conclusão do projecto e realização da 1ª fase da obra

Pavilhão Gimnodesportivo – requalificação

Pavilhão multiusos nas Cancelinhas (Amareleja) – concurso e realização do projecto

PDM de Moura – continuação do processo de revisão

Plano de Pormenor da Aldeia da Estrela – em fase de conclusão

Plano de Pormenor da UP 1 de Santo Amador – em fase de conclusão

Plano de Pormenor da UP 2 de Moura – conclusão e aprovação

Plano de Salvaguarda do Centro Histórico de Moura – alteração e simplificação do regulamento

Plano de Urbanização da Póvoa – em curso

Posto de saúde (Santo Amador) – conclusão do projecto e apoio às obras

Programa de Apoio às Actividades Tradicionais – criação e dinamização

Quinta de Santa Justa – alteração ao loteamento

Quintalão do Padre (Santo Amador) – realização do projecto de arranjos exteriores

Rede de águas e esgotos de Moura – realização das obras da 1ª fase

Rede de águas e esgotos do Sobral – conclusão do projecto e lançamento do concurso da 1ª fase da obra

Rede ECOS – liderança do processo

Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação – criação e início da aplicação

Regulamento de Taxas Municipais - revisão

Ribeira da Perna Seca (Sobral) – conclusão do projecto e preparação do lançamento do concurso

Rua da Igreja (Santo Aleixo) – requalificação urbanística

Salúquia – requalificação urbana do largo e vias circundantes

Terrenos do antigo aeródromo – negociação do processo de cedência

Terrenos – diversos processos de aquisição, tendo sobretudo em vista a implementação de projectos

UP 3 de Moura – elaboração de plano de urbanização (em curso)

UP 11 de Moura – desenvolvimento do plano de urbanização

UP 11 de Moura – construção de infra-estruturas e arruamentos

UP 4 (zona industrial de Amareleja) – lançamento do concurso

Zona dos Quartéis – processo de regularização e criação de loteamento (1ª fase concluída)

Zona dos Quartéis – realização do projecto de arranjos exteriores (em fase de conclusão)

Zona Industrial de Moura – alteração ao regulamento e ao programa

Zona Industrial de Moura – lançamento da empreitada da 2ª fase (loteamento B)

.

Com quem temos trabalhado? Com nomes e equipas como o Ateliermob, Eugénio Castro Caldas, Francisco Caldeira Cabral, Intuição, Manuel Graça Dias e Egas Vieira, Maria João Pinto-Coelho, Nuno Ribeiro Lopes, Oficina de Arquitectura, Pedro Guilherme e Sofia Salema, PROAP, Terraculta, TVM Designers, Ventura Trindade, Vitor Mestre e Sofia Aleixo, Vitor Vajão etc.

.

Perdoe-se-me a franqueza mas, repetindo o que já aqui disse em tempos, o "resto" são as coisas que tenho todo o prazer em deixar para os nossos pequenos Josés Mourinhos de bancada.

.

Bom ano a todos ! (com ponto de exclamação e tudo!)

quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

GENERATION GAP

Tive há dias, ao vivo, um exemplo evidente do que é o conflito de gerações. Ouvia músicas dos Clash quando o Manuel, trinta anos mais novo que eu, se surpreendeu: "Olha, tu sabes quem são os Clash...". Na verdade, eu é que fiquei surpreendido por um adolescente dos nossos dias conhecer o grupo. E gostar. É esta a parte boa do conflito de gerações.
.

.
Sempre gostei do estilo punk politicamente comprometido dos Clash. Este Spanish bombs tem uma fibra notável, se descontarmos o facto de Joe Strummer pronunciar as palavras em espanhol de um modo absolutamente aviltante. É bom terminar o ano com um som marcadamente político e desordenadamente à esquerda. A luta continua, e continuará sempre. É isso que nos ensinam os putos que vão todos os anos à Festa do "Avante!". É uma esquerda hardcore e diferente da minha. Mas é, com todo o seu acne, mais estimulante que a minha.
.
Há um cantinho especial no meu coração para os Sex Pistols, para os Stranglers - não me refiro aquela sopa morna do Golden brown... - ou para os Bad Brains, que no sossego dos meus 16-17 anos me pareciam (e eram!) infinitamente superiores aquela coisa sonolenta do rock sinfónico, hoje remetido a um mais que merecido jazigo.
.
Vivam os Clash! Viva a Esquerda! Viva 2010!