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E, caso leias este post, deixa-me que te diga, caro Lopes Guerreiro: para quem, desde há muito, faz vida de nómada, há ali frases que me são estranhamente familiares.
Podendo o anterior texto – sob o título DESMENTIDO FORMAL – ter causado algumas dúvidas cabe-me esclarecer que não foi / não é / não será minha intenção “apontar o dedo” a sectores, secções ou serviços da
Limitei-me a reportar um facto preciso, que me chegou de fonte mais que fidedigna.
Tive, e tenho, com estes comunicados um objectivo: clarificar responsabilidades e, até, levar os munícipes a questionarem-me directamente sobre assuntos pendentes e que sejam da minha directa responsabilidade.
NB: Não serão publicados comentários sobre este post.



Venho por este meio divulgar dois mails remetidos aos trabalhadores da Câmara Municipal de Moura (em 9.2.2009 e em 18.11.2009).
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Boa tarde a todos
Enviei, no passado mês de Fevereiro, uma mensagem com o título “o processo está para despacho do vereador” (cf. infra), a todas as pessoas que, no município, têm correio electrónico.
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Fui, há dias, confrontado com uma situação particularmente desagradável. Um empresário de Moura tinha uma escritura pendente de um documento camarário que estava, uma vez mais, “a aguardar despacho do vereador”. A frase surpreendeu-me, até porque não tinha qualquer documento para despacho.
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Não sei, nem quero saber, quem profere frases desse género. Entendo, contudo, que a óbvia falsidade das mesmas não é inocente. Significados e objectivos políticos à parte, aqui fica o essencial da questão, e repetindo, com algumas alterações, o que em Fevereiro escrevi:
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Creio, enfim, que o transitório desempenho das funções de vereador (isto são apenas alguns anos na nossa vida) não mudará o essencial da minha atitude e da forma como me relaciono com os meus conterrâneos. E este princípio não é susceptível de alteração.
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Estou também solidário com o Presidente da Câmara e com os meus colegas de vereação que são, injustificadamente, fustigados com afirmações do género das que me tiveram como alvo.
Mais informo que irei publicar estes textos no meu blogue pessoal. Serão os mesmos também difundidos através da minha lista de mails.
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Cumprimentos,
Santiago Macias
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De: Santiago Macias
Enviada: segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009 10:22
Para: Todos os utilizadores
Assunto: O PROCESSO ESTÁ PARA DESPACHO DO VEREADOR
Bom dia a todos
A frase que encima este texto é frequentemente ouvida a propósito de processos de obras particulares, direitos à informação etc – tenho mesmo sido pessoalmente confrontado com a mesma nas ruas do nosso concelho a este respeito – sem que eu saiba qual a origem, nem me interesse averiguar o assunto.
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Para que conste, e porque a inverdade não deve ser deixada à solta, aqui vos deixo estas afirmações:
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2. Exceptuam-se as poucas ocasiões em que me ausento de Moura.
3. Não preciso de me esconder atrás de ninguém para justificar as minhas falhas e omissões. Quando falho, assumo a falha e peço desculpa. Procuro, sobretudo, corrigir os meus próprios erros.
4. Não tenho processos para despacho neste momento.
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Podem divulgar este mail junto de terceiros.
Com os melhores cumprimentos
O meu gabinete, de acordo com algumas visões delirantes (a imagem foi produzida pelo notável fotógrafo Jan Banning, que fez um projecto sobre a burocracia no mundo)
Tendo em conta a semana que se aproxima o melhor é começá-la assim...
No início desta cena do filme Amici miei ouvem-se os acordes, um pouco ao estilo do mambo, de Bella figlia dell'amore, uma conhecida ária de Verdi. O que se passa de seguida no interior daquele palácio da alta sociedade merece ser visto. Mais que uma vez.
Che cos’è il genio? È fantasia, intuizione, decisione e velocità di esecuzione. Esta é a frase chave da cena que vos deixo e que deverá, ainda assim, ser evitada pelos que não apreciam humor escatológico. O filme ficou também célebre pela invenção da palavra supercazzola (pretexto para a incompreensível frase Tarapia tapioco come se fosse Antani con la supercazzola prematurata con scappellamento a destra), pela cena da despedida na gare ferroviária e pela inovadora interpretação da ária do Rigoletto que acima referi.
É uma obra-prima da comédia italiana e relata as aventuras, nem sempre muito recomendáveis, de um grupo de amigos de meia-idade da cidade de Florença. Amici miei (Oh, amigos meus, na tradução portuguesa) foi um sucesso enorme na época. Bem que podia passar de vez em quando na televisão...
O filme devia ter sido realizado por Pietro Germi (1914-1974), que escrevera o argumento, mas o desaparecimento prematuro deste pôs a realização nas mãos de Mario Monicelli (n. 1915). O inesquecível grupo era constituído por Ugo Tognazzi (1922-1990), Gastone Moschin (n. 1929), Philippe Noiret (1930-2006), Duilio Del Prete (1938-1998) e Adolfo Celi (1922-1986).
O humor de Oh, amigos meus, tem, também, um toque de melancolia e de sentimento. Mas no sul gostamos das coisas assim, não é verdade?


Imagem de cima: A bigger splash (tinta acrílica sobre tela), 1967
A pintura de Josefa de Óbidos (1630-1684) foi providencial para nos ajudar a enquadrar cronologicamente os materiais de Santa Clara. A peça mais parecida - é quase idêntica, aliás - com a do quadro tem o nº de inventário 691 CER. Reproduzo outra por ser mais legível graficamente.
Temos então um conjunto de peças - muitas delas são finíssimas e dir-se-ia pertencerem a um boudoir feminino -, que podemos datar do século XVII e que, com toda a probabilidade, foram produzidas em ateliers da zona de Lisboa ou do Alto Alentejo. É um tema em aberto e ao qual talvez volte, um destes dias.
Dei há dias, numa daquelas gavetas onde guardamos as coisas que não queremos deitar fora e a que não sabemos exactamente o que fazer, com um postal do porto de Argel, publicado por Elsie Herberstein (n. 1963) em 2004, e que ela mesma me deu poucos dias depois de ter sido impresso, durante um jantar num restaurante de nome pomposo e fora de contexto: Le Béarnais.
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Cidadã do mundo, Elsie estava nessa altura no Magrebe, preparando um livro, Alger, simples confidences, que saiu um ano depois na Jalan Publications. Não sei se a cidade me pareceu algum tão espantosamente colorida como ela a desenhou, mas Elsie é, ela mesma, uma pessoa colorida. Os seus cadernos de viagens vão do Cambodja à África do Sul e do Tibete à Guatemala. Não voltei a encontrá-la, mas sei, pela sua página na net, que continua a desenhar e a publicar. É pouco provável que Elsie tenha alguma vez ouvido falar do poeta Ibn Sara (1043-1123), mas este poema, que não é sobre Argel, evoca-me a cidade de forma impressiva, e em tons muito próximos daqueles que ela a viu.
Amiga
Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.
Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!
Beija-me as mãos, Amor, devagarinho ...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho ...
Beija-mas bem! ... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos
Os beijos que sonhei prà minha boca! ...
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"
A imagem dos religiosos que se beijam, assim castamente (acho que é castamente) é inspiradora. Palavras como as dos poemas fazem sentido nestes, e noutros, momentos. E Florbela Espanca é uma poetisa para a Eternidade.
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Página web de Oliviero Toscani:
Já não se fazem filmes assim...
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É uma história banal (Teri Garr veio depois dizer que o filme era muito intelectual, vá lá um cristão perceber porquê...), de desencontros e de amores. Por norma, uma coisa e outra estão associadas. O filme tem fantasia e alguma inocência. São elementos que a deliberada artificialidade de Do fundo do coração acentua:
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A rodagem foi inteiramente realizada em estúdio, pelo que os exteriores são falsos;
A cidade onde decorre a acção é Las Vegas, uma cidade cenário e que vive à margem do mundo real;
O sol, o céu, a chuva são de plástico;
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As pessoas no filme andam à procura do Amor e do Paraíso (nome da agência de viagens que vemos surgir nos primeiros momentos), mas não sei se, de facto, os encontram. Mas encontram momentos de fantasia e de ilusão. E Coppola sabe passar as ideias para o écran como ninguém. Bendito arrojo de fazer um filme assim, sem ter a noção que era difícil fazê-lo passar junto do grande público...
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Concebido também como desafio aos estúdios de Hollywood, Do fundo do coração atirou a Zoetrope Studios para a falência e fez Coppola passar um mau bocado.
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Do fundo do coração foi desprezado e ridicularizado. Os fracassos são, com frequência, mas estimulantes e interessantes que os êxitos. Quando o vi, em 1982, sofria de mal de amores. O filme não me ajudou mesmo nada nessa altura, mas talvez tenha gostado dessa primeira vez que o vi por causa disso mesmo. Aqui vos deixo o seu início, com as vozes contrastantes de Tom Waits e de Cristal Gayle.
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.Todos estes muros existem. São testemunho de quem os constrói e oprime os outros. Só me pergunto porque raio se fez tanto alarido à volta do muro de Berlim e se esquecem, todos os dias, estes símbolos da repressão. Porque será?
Os dados são mais que conhecidos: o muro de Berlim foi construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961. Tinha uma extensão de 66,5 km de gradeamento metálico e compreendia ainda 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas. Dezenas de pessoas morreram tentando cruzar o muro de Berlim para chegar ao sector ocidental da cidade. Nenhuma foi morta ou capturada na direcção inversa.
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O muro foi abaixo, faz hoje vinte anos. O assunto tem, ao longo do dia, suscitado várias reflexões interessantes, como a da Francisco Seixas da Costa. A queda do muro não foi a causa do que viria a suceder nos anos seguintes, mas sim a consequência de décadas de governação dominada por uma elite que se tinha, podemos dizê-lo sem hesitações, acomodado e aburguesado. E corrompido moralmente. Na realidade, a derrota do bloco de leste começa na década de 50 e não trinta anos depois. A derrocada desenha-se com o derrube, processo sumário e vegonhosa execução de Imre Nagy. Repetindo o que ontem escrevi num comentário, no blogue A cinco tons: pensava-se que com o socialismo nasceria o Homem Novo. Bastaria o desejo de transformar a sociedade e sua transformação aconteceria. Não bastou e não aconteceu. E a absoluta estatização da vida levaria - e levou - ao tédio, ao desinteresse e à burocratização do sistema. A absoluta estatização matou também as ambições individuais, esse sal necessário à diferenciação e ao desejo de fazer mais e melhor. A completa burocracia da criação matou as vanguardas, controlou o pensamento e deu corpo a polícias políticas.
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Onde esteve então a vantagem do socialismo e quais as diferenças em relação ao nazismo? A primeira parte da questão liga-se com a segunda. Sem o socialismo de leste teria tardado muito mais a libertação do Terceiro Mundo. Sem a difusão do ideário marxista, a tomada de consciência dos povos colonizados não teria tido a pujança que teve e o sopro libertador que varreu África nos anos 50 e 60 do século XX seria muito mais lento e feito de acordo com o tempo das antigas potências. Estas acabaram, décadas mais tarde, por recuperar o terreno perdido, mas isso é já outra história… E a dinâmica libertadora que, à sombra inspiradora do socialismo, varreu o mundo do pós-guerra não tem paralelo de qualquer tipo nos regimes nazi-fascistas, aos quais a palavra SOLIDARIEDADE foi sempre repulsiva. Dizer e, pior, tentar provar o contrário é uma obscena mentira e uma falácia sem classificação. E nunca será de mais sublinhar que é nas forças de esquerda, com os comunistas à cabeça, que reside a esperança de libertação de vastos sectores do planeta. O laboratório político da América do Sul tem, nesse aspecto particular, ainda muito a dizer.
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Porque sou, no meio de todas as contradições, militante do Partido Comunista Português? Por algumas das razões que me levariam a não o ser num país de leste nos anos 50, 60 ou 70. Antes de mais pela necessidade que há hoje em combater o "establishment". Porque há uma proximidade em relação aos mais desfavorecidos que não vejo noutros partidos. Porque gosto de estar junto do povo, no seio do qual nasci. E porque reconheço no PCP uma ética de actuação e uma modéstia nas atitudes que não vejo também noutros. Estarei sempre deste lado da estrada. Até ao dia da tomada do poder ou até ao momento em que a tentação do pensamento único quiser prevalecer.
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De outros muros, bem menos populares junto da dócil comunicação social que temos, apresentarei alguns dados amanhã.

Detalhe de peça em corda seca total do Museu de Mértola
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Não teria vindo a Argel, se tivesse dado ouvidos aos conselhos que me deram. Um país em ebulição, uma guerra civil latente e os atentados não fazem de Argel o melhor dos sítios para fazer turismo ou dissertar sobre arqueologia.
E, contudo, a violência pouco tem de inédito naquela parte do Magrebe. Desde 1980 que a subida do integrismo islâmico começou a pôr os nervos em franja ao poder político argelino. Manifestações estudantis, prisões e mortes foram marcando uma escalada de violência que desembocaram nos graves tumultos de 5 de Outubro de 1988 em Bab el-Oued, bairro popular de Argel. Duas semanas mais tarde hão-de contar-se por centenas os mortos.
A espiral começa, em definitivo, nesses dias. Os islamistas do FIS (Frente Islâmica de Salvação) conquistam a confiança dos bairros populares e irão ganhar, com mais de 50 % dos votos, as eleições locais e regionais de Junho de 1990 e, com 47, 5 %, a primeira volta das legislativas em Dezembro de 1991. O resto da história é bem conhecido: anulação das legislativas, prisão dos lideres integristas, estado de sítio, mais prisões e massacres, perseguições a jornalistas e a quadros superiores, assassinato de estrangeiros, a guerra civil instalada quase até hoje. No meio não faltarão vozes a acusar os militares de estarem por detrás de muitas das acções atribuídas ao FIS, bem como de serem os responsáveis pela corrupção e, em última análise, pelo empobrecimento da população.
Nada disso é visível à chegada, apesar do espalhafato das metralhadoras, nem no percurso que a viatura da embaixada faz pelas ruas de Argel, por entre subidas e descidas rodeadas de vegetação frondosa e onde, de vez em quando, se consegue ter uma vista do centro da cidade, com a casbah ao fundo, o Mediterrâneo à direita e um céu baço por cima. As areias do Saara chegam até aqui e dão ao ar um tom acastanhado. A primeira miragem de Argel é o céu azul, que não dará sinais durante toda uma semana.
Imaginamos sempre os sítios que não conhecemos, como se pudéssemos conceber e urbanizar cidades distantes. Construímos ruas que nunca existirão, praças que não foram construídas, ambientes que são estranhos à realidade, ficcionamos cores e pessoas. Foi um pouco diferente com Argel. Sabia das ruas largas e das longas arcadas de ar acolhedor, que vira em tempos no célebre “Z, a orgia do poder”, supostamente passado algures mas rodado na margem sul do Mediterrâneo. Sem que o tivesse dito a ninguém, era por causa daquele filme e das ruas que mostrava que agora ali estava.
Durante muitos anos, tive de Argel essa imagem dos tempos coloniais, numa cidade pouco magrebina e africana ainda menos. Entre o centro de Argel e o extremo norte da cidade, no bairro de Bab el-Oued, repetem-se os prédios do princípio do século. Colunatas, janelas de desenho elaborado e frontões de recorte neo-clássico dão aos edifícios um ar próspero e por momentos julgamos estar numa cosmopolita cidade europeia.
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Primeira de três partes de uma reportagem publicada no Diário do Alentejo no Verão de 2000. A viagem tivera lugar durante a Primavera desse ano. A fotografia (tirada por volta de 1880) mostra o porto, com os edifícios, já da era colonial, ao longo do Mediterrâneo e a cidade antiga por detrás.
A fotografia foi feita em 1969, em Simiane-la-Rotonde, no sul de França. Como tantas outras imagens de Cartier-Bresson é de uma aparente simplicidade. O "truque" esteve sempre em transformar o instante decisivo em momentos sublimes. A pose dos dois amigos, em primeiro plano, expressa bem a cumplicidade e a perenidade das amizades de infância, aquelas que, juramos naquela altura, são para sempre. Com o passar dos anos são semi-esquecidas. Com o passar de mais anos começamos a ganhar a certeza que nos dias de infância tinhamos razão.
Fotografia Carlos Monteiro. APEL. Funchal.

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A arte cinética de Victor Vasarely (1908-1997) representa o dinamismo do futuro à nossa frente. Bem sei que Vasarely teve uma fase de popularidade que não se reflecte nos nossos dias, mas continuo a achar interessante o seu exprimentalismo.
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Aqui se inicia uma série de dez textos ou evocações da cidade de Argel. É uma das mais belas cidades do Mediterrâneo, mesmo tendo em conta que não conheço a costa da Dalmácia.
O primeiro fascínio nasceu quando vi o filme Z (1969), de Costa-Gavras (n. 1933), de que aqui deixo um breve excerto. A película inspira-se nos acontecimentos que envolveram o assassinato do deputado comunista Gregoris Lambrakis (1912-1963), ocorrido em Tessalónica. A impossibilidade de rodar o que quer que fosse na Grécia, obrigou os produtores a recorrerem a Argel. Nunca mais esqueci as ruas que vi no filme, nem as extensas arcadas junto ao porto, nem as escadarias que vencem as escarpas junto ao mar.
Há nove anos pude ir, pela primeira vez, a Argel. Alguns anos depois travei amizade com um editor e livreiro argelino, que participara no filme como figurante. Foi ele que me permitiu conhecer a outra cidade de Argel. O regresso não tardará.

Subitamente, uma inspiração. Sem que o esperasse, Rainer Maria Rilke (1875-1926) cruza-se-me no caminho. Nada melhor que esta fotografia, este Un beso (1996), de Helena Cabello e Ana Carceller para dar outro corpo às palavras.
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Cinema São Jorge (Lisboa)
A cultura é um peão noutros jogos de interesses? Ora abóbora...

Das duas uma: ou hoje ninguém faz anos ou os revisores meteram, escandalosamente, o pé na argola. O momento final de produção de um jornal ou de um livro é, sempre, uma altura de risco e sujeita a grandes asneiras. Sei, por experiência própria, o que isso é.
O episódio seguinte foi-me contado por um designer, a propósito da impressão de uma conhecida revista cultural, já desaparecida. Por qualquer razão, resolveu esse meu amigo fazer uma última leitura do que estava em pré-impressão, poucos momentos antes das rotativas começarem a imprimir. Foi aí que reparou que uma fotografia de um biombo namban tinha como legenda a frase Biombo namban onde se vêm vários jesuítas em vez de Biombo namban onde se vêem vários jesuítas. Deu um berro e mandou parar as máquinas. Ainda a tempo de evitar que uma tiragem de 10.000 exemplares fosse direitinha para o lixo. Sobretudo a tempo de evitar sérios embaraços ou algum enérgico protesto por parte da Companhia de Jesus.
Sebastião da Gama, um poeta extraordinário, merecia seguramente mais que ser citado a propósito da tomada de posse em que acabo de participar. Na próxima reunião de câmara, a ter lugar no dia 4 de Novembro, assumiremos, em pleno funções. O desafio é, será, sempre, converter os sonhos em realidade. É pelo esforço que vamos, também.
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A Casa das Histórias (imagens de cima) e o Farol de Santa Marta (imagens de baixo).
Detalhe "picante": os arquitectos não dominam, por norma, a especificidade do design de comunicação. Uma "suspeita" que tenho vindo a confirmar e que tem um ponto alto nestas duas intervenções.
"Os muros dos quintais são o que me causa uma mais forte impressão de retorno à infância". A frase está no meio do livro e cito-a não por acaso. Porque os muros de que o Manuel Branco se recorda são os mesmos muros que delimitavam o callejón nos verões em Paymogo.
As declarações de amor, mesmo que desajeitadas, são sempre bonitas. E esta declaração que Manuel Branco e José Pinto Nogueira fazem à aldeia de Igrejinha não é nada desajeitada. É uma declaração sincera e sensível. Manuel Branco começa em Italo Calvino e acaba numa homenagem aos homens e às mulheres que fizeram a aldeia. José Pinto Nogueira, que não é indígena mas actua como se o fosse, desenhou todas as fachadas da aldeia numa frontalidade à egípcia, rua após rua, como os longos travellings dos filmes de Miklós Jancsó. O livro é um projecto original e que grava no tempo a realidade de uma aldeia do Alentejo no início do século XXI. Um dia o livro vai valer como peça poética que é. Mas também como registo antropológico e urbanístico. Uma e outras não se excluem, aliás.
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Igrejinha é uma freguesia do concelho de Arraiolos. O livro, Igrejinha - uma aldeia no Alentejo, tem como autores Manuel Branco (texto) e José Pinto Nogueira (desenhos). A edição, de Agosto de 2009, é da Âncora Editora (www.ancora-editora.pt) e tem o apoio da Junta de Freguesia local e da Câmara de Arraiolos.

Vista aérea parcial da vila de Amareleja in http://fotos.sapo.pt/Ju3WbI9nccL48ZZf3sjr (infelizmente sem indicação de autor)