quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

COM FÉ ARDENTE

Em 2017 o Moura Atlético Clube fez 75 anos. Por proposta do nosso executivo camarário foi atribuída ao clube a Medalha de Honra do Município. Uma distinção mais que justa, e que foi uma homenagem a todos os que construíram o clube.

O MAC é um símbolo importante da nossa terra? É.

As verbas de apoio à prática desportiva devem ser canalizadas para as camadas jovens? Sem dúvida. Daí que os sucessivos regulamentos tenham posto ênfase nessa questão. A maior parte do apoio camarário é para os mais novos.

O apoio chega para tudo? Tal como sempre se fez questão de sublinhar, um apoio é uma verba complementar. Não pode nenhuma associação viver com base na tesouraria de uma entidade pública.

Houve princípios de maior austeridade a partir de 2015? Sim. A necessidade de conferir mais rigor às contas do Município, a Lei dos Compromissos e a diminuição do endividamento a isso nos conduziram.

Vamos a números. Qual o montante dos apoios da Câmara Municipal de Moura ao MAC?

2007 - 155.811,97 €
2008 - 216.433,87 €
2009 - 216.256,25 €
2010 - 153.483,00 €
2011 - 158.937,55 €
2012 - 146.618,21 €
2013 - 146.414,52 €
2014 - 142.055,34 €
2015 - 140.107,50 €
2016 - 107.160,10 €

Ou seja, um total de 1.583.278,31 €.

Em 2015 houve ainda um "perdão de dívida" (referente a transportes não pagos) no montante de 19.950 € (deliberação da Câmara Municipal de 7.10.2015).

Acrescem a estes montantes o pagamento da eletricidade (uma média de 33.000 € por ano) e da água (valor não contabilizado).

Não discuto se é muito ou se é pouco. São montantes substanciais e que decorrem da aplicação de um regulamento municipal. Um trabalho meritório de muitos anos e que, na mais recente versão, muito deve à minha colega Céu Rato.

É possível aumentar estes valores? Faça-se isso. Quem está no Poder tem legitimidade para tomar decisões.

UM CONCERTO SEM PIANO

Houvera uma reunião em Alessandria, em julho. A seguinte era em Moura. Os temas andavam em torno da sustentabilidade das cidades, da energia, do uso das habitações...

O projeto tinha o nome de CONCERTO AL PIANO. Como se explica o nome?

Concerto - de acordo.
Al - a partir do nome da cidade de Alessandria.
Piano - de plano.

So far, so good. O encontro seguinte teve lugar em Moura, em plena feira de maio de 2009. O auditório da COMOIPREL (hoje com o nome de Miguel Urbano Rodrigues) foi o local escolhido. Pouco antes da sessão (aberta ao público) ter início, vejo entrar um pequeno grupo de senhoras (de porte distinto, como é costume dizer-se), vestidas em estilo de soirée. Eu conhecia-as bem e sabia dos seus hábitos e gostos culturais.

- O que é estarão aqui fazendo?, mumurou a técnica responsável pelas feiras, visivelmente intrigada.
Ri baixinho, assim um bocadinho à Muttley, e arrisquei:
- Acho que pensam que vai haver um concerto de piano...
- Ai que barraca..., tornou a colega, manifestamente preocupada.

Houve concerto, no sentido de acordo, e houve piano, de planeamento. Música é que não.

As senhoras eram pessoas com nível e com estofo. Aguentaram com galhardia uma sessão razoavelmente aborrecida sobre desnas questões técnicas. Cumprimentaram polidamente no final e sairam. O CONCERTO AL PIANO desapareceu há muito da minha vida.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O BARREIRISTA SENTADO (atualização)

Não sei exatamente qual a minha atitude. Se a do barreirista da esquerda, se a do outro. Disse, em 22 de dezembro, que havia um conjunto de trabalhos em curso. Isto avançou mais depressa do que pensava. O que quer dizer que o ritmo "frenético" (a expressão é de amigos meus, eu recuso a sua autenticidade), se terá transferido para o domínio da escrita. Ora, vamos a contas:

1. Livro sobre a Mouraria de Moura - primeiro rascunho terminado; fica de alqueive até a primavera. A edição verá a luz do dia no final deste ano, ou no início do próximo. Isso é certo.

2. Livro sobre cemitérios - primeiro rascunho terminado ontem; o trabalho vai ser bem mais extenso do que eu próprio imaginava. Começo agora a segunda volta. Retomo, também, perspetivas de análise que pensava não retomar. A vida é assim...

3. Livro sobre a experiência autárquica - de 150 já passei para 186 textos previstos. Um terço da redação está terminado. Para já, é carpintaria de toscos. As afinações virão depois. Sairá em 2019, lá para meio do ano.

4. Trabalho sobre urbanismo do século XVI - projeto terminado. Concretizá-lo não será difícil.

5. Exposição sobre metais - a realizar no Sobral da Adiça. Sem stress. E sem precipitações. Já há sítio. A equipa está a ser constituída. Vai ser um momento bom, acho eu.

6. Exposição de fotografia - prevista para Évora. Quem decide o que será exposto é o Prof. Jorge Calado. Ele é que sabe.

Falta mais um projeto. Gosto de números cabalísticos.

Afinal...
7. Artigo para a revista "Monumentos" - em conjunto com o Joaquim Oliveira Caetano. Um stardust memories à maneira de Mértola


A DERROTA DE GUTTENBERG

Quem se interessa pela História da Civilização Islâmica sabe bem a dificuldade que representa a conversão de datas. Porquê? Porque o calendário hijri, iniciado em 622 d.C., é lunar e tem 354 ou 355 dias. As datas não coincidem, portanto, com as do calendário gregoriano, o mais comum em termos de uso. E vão-se tornando mais díspares.

Em 1946, o arabista espanhol Manuel Ocaña Jiménez (1914-1990) publicou as Tablas de conversión de datas islámicas a cristianas y viceversa. Um conjunto de complexas réguas completava o livro. O engenhoso sistema permitia fazer as conversões, de modo rigoroso, mas com lentidão e imprescindível concentração. O livro foi re-editado em 1981. Ainda o usei bastantes vezes.

Porque é que Guttenberg foi derrotado? Porque as tabelas manuais se tornaram anacrónicas. Há sites na net que fazem a conversão em milésimos de segundo.

Nasci no dia 3 de Junho de 1963. Ou seja, no dia 10 de Muharram de 1383.
Entrei para a escola primária no dia 7 de Outubro de 1969. Ou seja, no dia 15 de Rajab de 1389.
Etc.

Veja-se, por exemplo, o site do Instituto de Estudos Orientais da Universidade de Zurique:
https://www.oriold.uzh.ch/static/hegira.html

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

MUTTLEY


Mistério regional. Porque é que quando ligamos para a CCDRA a partir de um telemóvel nos aparece o Muttley?

TRAGÉDIA GREGA

É a tragédia grega de Woody Allen. Um bom filme, com um tratamento de cor de Vitorio Storaro muito intenso e vivo. Vieram-me à memória, mais de uma vez, as fotografias de Martin Parr. A roda gigante tem prólogo, tem coro (os Mills Brothers, com Coney Island Washboard) e tem laivos de tragédia. Mas não tem um argumento muito consistente e falha no final. É pena, porque esteve "quase lá"... Em todo o caso, só para ver a cinematografia já merece a nossa atenção. É este o filme destes dias.

domingo, 14 de janeiro de 2018

JUAN CINZA

Borsalinando... Há muitos anos estive em Alessandria. Passei à porta da Casa Borsalino, a mítica fábrica de chapéus fundada em 1857. Comprar um era coisa impensável. Não tinha idade para usar chapéu e, sobretudo, os ditos andam, no mínimo, pelos 400 euros...

Os anos passaram e agora já posso usar adereços de homem de meia-idade. Como chapéu e gabardine. Na realidade, o que se chama normalmente de borsalino é um fedora. Um chapéu da abas largas, que tem causado o gáudio dos meus colegas na Câmara de Mértola. Os epítetos oscilam entre Al Capone e Fernando Pessoa.

Lembrei-me de O meu chapéu cinzento, de Olivier Rolin. E do cruzamento para a Corte João Cinza. Mas o modelo Juan Cinza foi comprado porque sim.

A que propósito vem o texto? Por nenhuma razão. Só porque sim. O poema My Hat foi escrito há 20 anos, por Tony Mitton.


MY HAT
Here’s my hat.
It holds my head,
the thoughts I’ve had
and the things I’ve read.

It keeps out the wind.
It keeps off the rain.
It hugs my hair
and warms my brain.

There’s me below it,
the sky above it.
It’s my lid.
And I love it.


Ver:
http://www.borsalino.com/en/home
http://www.afabricadoschapeus.com


sábado, 13 de janeiro de 2018

FAZENDO E REFAZENDO

Eis um clássico na vida. Há pessoas que, quando chegam a um sítio e têm funções de decisão, pensam, e pensam mesmo!, que vão refazer o mundo, que vão corrigir todas as falhas, que tudo vão recriar. E que vão inventar a perfeição. Não vão, claro. Eis um erro básico, cometido com mais frequência do que se acredita.

Nessa tentação de fazer e refazer as coisas, só me lembro do excerto de Três homens num bote, de Jerome K. Jerome, em que um dos personagens faz e refaz uma mala. E se esquece sempre de qualquer coisa de fora...

(não consegui arranjar uma tradução, sorry...)




I rather pride myself on my packing.  Packing is one of those many things that I feel I know more about than any other person living.  (It surprises me myself, sometimes, how many of these subjects there are.)  I impressed the fact upon George and Harris, and told them that they had better leave the whole matter entirely to me.  They fell into the suggestion with a readiness that had something uncanny about it.  George put on a pipe and spread himself over the easy-chair, and Harris cocked his legs on the table and lit a cigar.

This was hardly what I intended.  What I had meant, of course, was, that I should boss the job, and that Harris and George should potter about under my directions, I pushing them aside every now and then with, “Oh, you—!”  “Here, let me do it.”  “There you are, simple enough!”—really teaching them, as you might say.  Their taking it in the way they did irritated me.  There is nothing does irritate me more than seeing other people sitting about doing nothing when I’m working.

I lived with a man once who used to make me mad that way.  He would loll on the sofa and watch me doing things by the hour together, following me round the room with his eyes, wherever I went.  He said it did him real good to look on at me, messing about.  He said it made him feel that life was not an idle dream to be gaped and yawned through, but a noble task, full of duty and stern work.  He said he often wondered now how he could have gone on before he met me, never having anybody to look at while they worked.

Now, I’m not like that.  I can’t sit still and see another man slaving and working.  I want to get up and superintend, and walk round with my hands in my pockets, and tell him what to do.  It is my energetic nature.  I can’t help it.

However, I did not say anything, but started the packing.  It seemed a longer job than I had thought it was going to be; but I got the bag finished at last, and I sat on it and strapped it.

“Ain’t you going to put the boots in?” said Harris.

And I looked round, and found I had forgotten them.  That’s just like Harris.  He couldn’t have said a word until I’d got the bag shut and strapped, of course.  And George laughed—one of those irritating, senseless, chuckle-headed, crack-jawed laughs of his.  They do make me so wild.

I opened the bag and packed the boots in; and then, just as I was going to close it, a horrible idea occurred to me.  Had I packed my tooth-brush?  I don’t know how it is, but I never do know whether I’ve packed my tooth-brush.

My tooth-brush is a thing that haunts me when I’m travelling, and makes my life a misery.  I dream that I haven’t packed it, and wake up in a cold perspiration, and get out of bed and hunt for it.  And, in the morning, I pack it before I have used it, and have to unpack again to get it, and it is always the last thing I turn out of the bag; and then I repack and forget it, and have to rush upstairs for it at the last moment and carry it to the railway station, wrapped up in my pocket-handkerchief.

Of course I had to turn every mortal thing out now, and, of course, I could not find it.  I rummaged the things up into much the same state that they must have been before the world was created, and when chaos reigned.  Of course, I found George’s and Harris’s eighteen times over, but I couldn’t find my own.  I put the things back one by one, and held everything up and shook it.  Then I found it inside a boot.  I repacked once more.

When I had finished, George asked if the soap was in.  I said I didn’t care a hang whether the soap was in or whether it wasn’t; and I slammed the bag to and strapped it, and found that I had packed my tobacco-pouch in it, and had to re-open it.  It got shut up finally at 10.5 p.m., and then there remained the hampers to do.  Harris said that we should be wanting to start in less than twelve hours’ time, and thought that he and George had better do the rest; and I agreed and sat down, and they had a go.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

DE GAO À BIBLIOTECA DA SORBONNE



O meu interesse no tema é antigo. Mas o estudo do rito funerário islâmico ganhou um novo alento há uns anos, em Bamako, no Mali. Onde se conserva esta lápide funerária. Provém da necrópole de Sané, em Gao. Poderá datar do século XII ou XIII d.C. O facto espantoso é ter sido importada da região de Almeria, no sul de Espanha. Que fica a 2300 km. Que a classe superior de Gao mandasse esculpir essas lápides a tal distância diz bem do prestígio dos ateliês andaluzes e diz bem da pujança do comércio entre o Mediterrâneo e as regiões sub-saarianas.

As escavações de Gao foram publicadas aos poucos, em vários periódicos científicos, da África Ocidental aos Estados Unidos. Uma dessas revistas tem o improvável nome de Nyame Akuma... Não conheço nenhuma memória ou trabalho de síntese das escavações. Há, como visão global, Arabic medieval inscriptions from the Republic of Mali : epigraphy, chronicles and Songhay-Tuāreg history. Não sei se a questão da topografia dos espaços funerários está incluída no livro. Provavelmente não estará... Só me restavam duas opções. Ou comprar o livro ou ir a uma biblioteca. Os preços estão na imagem que reproduzo. Fica mais barato ir a França consultar a obra.

Há publicações assim, a preços impensáveis. Uma das editoras mais inacessíveis desta vida profissional é a italiana L'Erma di Bretschneider. Os livros são todos muito caros. Mas a coleção (em 180 e-books) sobre arqueologia romana custa 25.152,00  €. Isso, vinte e cinco mil.

Noutro registo estão as publicações da Dumbarton Oaks. De extraordinária qualidade, são vendidas a preços mais decentes. Aqui, o fator decisivo é a rapidez. Numa consulta ao catálogo é frequente encontramos a expressão out of print. A palavra reedição não consta nos dicionários de Harvard. Não compraram? Tivessem comprado.

Ver:

http://www.lerma.it/

https://www.doaks.org/research/publications


PLATÃO, O PCP E OS ISLAMISTAS ARGELINOS

Do facebook de Francisco Seixas da Costa:

Estou a ler um livro de memórias do meu amigo Eduardo Marçal Grilo onde é relatado um episódio caricato da polícia do Estado Novo: numa busca a uma casa, ao depararem com o livro “A República”, de Platão, um dos guardas inquire do outro se deve apreender o volume. O colega, rapaz “letrado”, esclarece: “Deixa ficar. O Platão já foi comunista mas há muito que deixou o partido...”.

Sempre me divertiram muito as histórias assim. Quando mais rígidos são os regimes, quanto mais controladores querem ser, maior o grau de estupidez.

Repito um episódio que relatei aqui no blogue em dezembro de 2010:

O meu amigo Boussad Ouadi, editor e livreiro argelino, quis importar um livro, intitulado La bible du marketing direct. Nada de especial, tirando uma burocracia infernal. Mas a situação piorou, quando recebeu um aviso de responsáveis religiosos no sentido de retirar os livros do escaparate. Porquê? Porque não era admissível que se vendesse a bíblia... A história, que me foi relatada pelo próprio, faz lembrar as mais ferozes (e ridículas) atitudes dos censores fascistas. Intolerância e ignorância rimam. E não é por acaso.
O Boussad, um cábila teimoso e vertical, antigo militante do FLN, encolheu os ombros e continuou a vender os livros.


NOVAS E VELHAS EVIDÊNCIAS NO ROSSIO DO CARMO

Ao passar, há dias, pelo Rossio do Carmo, reparei que o antigo edifício dos bombeiros assenta, parcialmente, em rochas. Não foi preciso escavar alicerces. O muros foram pousados na rocha. Sem mais esforço e, suponho, com idêntica solidez. Isso deixou-me a ideia que escrevera algo sobre a modulação do terreno, que sempre supus ser obra de final do século XIX. Efetivamente, assim era. O terreno foi cortado nessa altura. A imagem aplanada que temos não era a que havia há pouco mais de 100 anos. E, muito menos, no período medieval.


Dans l’ensemble les travaux réalisés à cette époque à Rossio do Carmo, certains ont eu peu à voir avec l’archéologie. Dans le journal “O Bejense” du 2 mai 1896 on lisait ce qui suit :
“Au Rocio do Carmo, où l’on procède à des extractions de gravier, on a trouvé à une
profondeur d’1,5 m un cimetière [il s’agit de la même mesure que Leite de Vasconcelos a indiquée pour le niveau atteint par son intervention1415]. Les sépultures sont construites de manière différente de celles que nous avons vues sur ce site et qui sont nombreuses. Dans la roche qui est tendre, on a ouvert des fosses de 3 m de hauteur, 0,48 m de largeur et de 1,70 m de long et on y a déposé les cadavres les uns sur les autres mais séparés par de grosses briques aux coins brisés de 0,50 m de long chacun. Dans une autre division en brique, de 0,44 m de hauteur, les chevets des sépultures sont à l’Est. Les briques s’encastraient dans la roche. Dans les sépultures, on a juste trouvé un vase de terre rouge semblable à nos plats pour le feu, incliné sur la face du cadavre”1416.

Ces terrassements auront simultanément dégrossi et nivelé le terrain presque jusqu’au niveau des nécropoles. Le profil plat que présentait la place au début des fouilles en 1978 était donc le résultat des travaux de la fin du XIXe s. D’un autre côté, la profondeur à laquelle, à partir de 1978, ont été trouvées les sépultures - pratiquement à la cote de la rue - est substantiellement différente du 1,50 m mentionné autant par la presse que par les textes de Leite de Vasconcelos. La proximité des sépultures de la période islamique par rapport au pavement actuel a été causée par les travaux publics mentionnés ci-dessus et l’état de dégradation des squelettes en est le reflet direct.

Dans les décennies suivantes, la recherche historique sur ce site n’a pas connu d’évolution et n’a été reprise qu’à la fin des années 70 lorsq’un programme de travaux publics a prévu la réalisation d’interventions de fond (notamment la construction d’un nouveau tribunal) dans le périmètre de Rossio do Carmo1417.

Na p. 286 de LA KURA DE BEJA ET LE TERRITOIRE DE MÉRTOLA ENTRE L’ANTIQUITÉ TARDIVE ET LA RECONQUÊTE CHRÉTIENNE

Notas:
1415 Vasconcelos, 1899-1900: 243 et Vasconcelos, 1927: 231
1416 O Bejense, 2/5/1896
1417 Les conflits entre les nécropoles et les édifices des pouvoirs publics sont une situation classique en archéologie. Voir les considérations intéressantes de Jean Lassus dans l’introduction à Février, 1965

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

TOMAI LÁ DO USAIN

A brincadeira nem foi começada por mim, mas pelo vereador José Gonçalo Valente. Que, depois, se "cortou". Aproveitei para juntar a admiração que tenho por Usain Bolt a momentos de celebração, como forma de sublinhar o sentido de vitória. Àx tantas era a rapaziada mais nova a desafiar-me para a brincadeira. Tive, em muitas ocasiões, a colaboração do meu amigo Rodrigo Pombo, aka Monsieur Pigeon. E, sempre, do inexcedível Fábio Moreira.

Um belo dia, recebo no facebook uma simpática saudação de um grupo de peregrinos mourenses que se dirigia a Fátima. Todos em pose Usain Bolt. Achei graça ao cumprimento. Porque o exercício de um cargo é compatível com o sentido lúdico e com o prazer que as coisas nos devem dar. Foi isso que tentei fazer.

Curiosamente, com regularidade, sofro anónimas investidas nas redes sociais a propósito da brincadeira. Nada que me irrite. Muito pelo contrário.

A quem dedico estes usains e um poema do imortal O'Neill.

Aos vindouros, se os houver...

Vós, que trabalhais só duas horas
a ver trabalhar a cibernética,
que não deixais o átomo a desoras
na gandaia, pois tendes uma ética;

que do amor sabeis o ponto e a vírgula
e vos engalfinhais livres de medo,
sem peçários, calendários, Pílula,
jaculatórias fora, tarde ou cedo;

computai, computai a nossa falha
sem perfurar demais vossa memória,
que nós fomos pràqui uma gentalha
a fazer passamanes com a história;

que nós fomos (fatal necessidade!)
quadrúmanos da vossa humanidade.
















ESTÁ TUDO ACABADO COM O RISTOVKSI

FELLINI EM BRAGA

É por coisas assim que é bom viver em Portugal. A imagem dos bombeiros a serrarem os pés a César Augusto é algo de imperdível.

Não devia acontecer? Não! Há coisas incompreensíveis? Há!

Nunca tal Fellini imaginou. Há cenas no Roma (o helicóptero é do La dolce vita, bem sei...) que não chegam aos calcanhares do episódio de ontem.




The Death of the Emperor Tacitus

On his sick-bed, the emperor Tacitus: —
the labours of the war he had to wage
have overburdened his extreme old age:
bed-ridden amid the encampment odious,
in wretched Tyana, — so far away.

His dear Campania now he contemplates:
his garden, the villa, the early morning stroll, —
the life six months ago that cheered his soul.
And in his agony he imprecates
the Senate, the malign Senate of the day.

Um poema tão bom, como este de Kavafis, mereceria melhor sorte, decerto. Mas a morte de Tácito é mais digna que a de Augusto...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

TRAMPATOJO

Prefiro o castelhano trampatojo ao uso do trompe-l'œil, corrente entre nós. É um dos artifícios mais divertidos. Muitos pintores o usaram. Alguns com assinável mestria e sucesso. A representação gráfica comporta sempre ilusão. O que se regista existiu durante um instante. O registo perpetua o momento, como se ele estivesse sempre presente. Daí as imagens terem sempre uma componente onírica. Mais ainda estas, onde a ilusão é o tema principal. Os espelhos e os reflexos aumentam esse efeito. Daí a Jorge Luis Borges e a Orson Welles é um pulinho.


Roma, em junho de 2009

Evert Collier (1642-1708) - Letter rack (1698)
Art Gallery of South Australia (Adelaide)