domingo, 29 de novembro de 2020

SOBRAL DA ADIÇA, DEZ ANOS MAIS TARDE

Uma daquelas curiosidades da blogosfera veio alertar-me para um texto de há 10 anos. A propósito da obra da Ribeira da Perna Seca. Tem um certo interesse ler o que se passou, perceber como tudo se passou e como tudo ficou terminado, por iniciativa de executivos camarários da CDU, em dezembro de 2016.

Deixo aqui, sem mais comentários e uma década passada, o que então se escreveu.


DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2010

RIBEIRA DA PERNA SECA - A PROPOSTA

Foi-me enviado o seguinte comentário, a propósito da obra no Sobral da Adiça:
Leio este Post e pergunto-me: Não seria mais correto colocar aqui a proposta para a conhecermos? A Câmara não recebeu já dinheiro para aquela Obra? Já passou tanto tempo porque só agora surge a Proposta do Deputado João Ramos? Porquê o anterior Deputado da CDU não apresentou a seu tempo uma proposta destas?
27 de Novembro de 2010 21:45

Não sei quem é o/a autor/a co comentário. Apesar disso, e porque as perguntas são perfeitamente lógicas e pertinentes, aqui vão algumas clarificações:
1. A proposta pode ser lida mais abaixo; embora os valores estejam omissos, posso dizer que a repartição de verbas é a seguinte: 100.000 para a intervenção no Rio Mira, 900.000 para a Ribeira da Perna Seca. Refira-se que o valor do que se vai concretizar no Sobral ultrapassa os 2 milhões de euros.
2. A Câmara não recebeu dinheiro para esta obra. E pelo andar da carruagem, não estou lá muito optimista...
3. Estas propostas têm barbas e têm anos. A CDU por várias vezes, através dos deputados do PCP e do PEV, fez propostas no sentido de haver uma comparticipação do Poder Central. Um resumo desta pouco edificante história pode ser lida em:
http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2009/12/sobral-da-adica.html
e em

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS 

Grupo Parlamentar 
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Proposta de Lei nº 42/XI 
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Orçamento do Estado para 2011 
Proposta de Alteração 
MAPA XV – PIDDAC 
11 - Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território 
50 - Investimentos Plano 
15 - Ambiente e Ordenamento do Território
33 - Habitação e Serviços Colectivos - Protecção do meio ambiente e conservação da natureza
NUT II - Região Alentejo 
Reforço da dotação para 2011----------------------------------------1.000.000 Euros
Reforço de 1.000.000,00 Euros na Medida acima referida para afectação ao projecto situado na NUT II – Região Alentejo (Distrito de Beja) 

- Elaboração de Estudos par desassoreamento do Rio Mira 

- Regularização da Perna Ribeira Seca (Concelho de Moura) 

Assembleia da República, 08 de Novembro de 2010

O Deputado,

João Ramos

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Fotografia: Frederica Rodrigues (http://olharsobreadica.blogspot.com)

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Algumas notas à margem:

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João Dinis, presidente da junta de freguesia de Sobral da Adiça disse, ao jornal A Planície de 15.10.2009: "… eu considero que a Câmara, por si só, não tem capacidade financeira para realizar a obra, mas tem de interceder junto de outras entidades…".

No jornal A Planície de 1.2.2010 a secção de Moura do Partido Socialista declarava que esta obra não é da responsabilidade da Administração Central.

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A primeira declaração inscreve-se na lusitaníssima lógica do "interceder" (que tem no "ó amigo/ó sôtor faça lá um jeitinho" a sua expressão máxima), leia-se do "requerer", do "pedir" ou do "pedinchar" junto dos poderosos.

A segunda é a revelação do seguidismo em todo o seu esplendor.

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Desde que tomei posse como vereador em 2005, foi este o meu/nosso percurso:

1. A Câmara Municipal tinha de concluir o projecto, iniciativa em que, uma vez mais, esteve sozinha;

2. À medida que se avançava para a conclusão do processo, teriam de se buscar parcerias para o seu financiamento. Intercedendo ou não intercendendo, somámos recusas: do INAG, da ARH, da ANPC etc. etc.

3. Senti, enquanto cidadão português, uma profunda vergonha. Tinha vergonha da minha impotência em resolver o problema mais depressa - e fomos sempre à velocidade máxima permitida num país enredado em leis, em papéis, em prazos idiotas e em exigências disparatadas -, mas tinha, sobretudo, vergonha do Governo que temos, dos seus boys, dos seus bajuladores e puxa-saquistas.

4. Tive vergonha de vários dos meus interlocutores, não pela recusa em colaborar ou em financiar, mas pelo distanciamento e pela indiferença.

5. Senti o sentido da palavra "abandono". Percebi, em muitas ocasiões, a quem estamos entregues e a forma como o interior é deixado à sua sorte por governos de gente indiferente e pouco capaz.

6. Esses sentimentos só me aguçaram o sentido da luta e aumentaram a determinação. Talvez por isso, e mais do que em qualquer outro dossiê, o processo da Ribeira da Perna Seca me deixa um sentimento pessoal de dever cumprido. Que me leva a aguardar, com impaciência pelo início da obra. A entrega de propostas termina, repito, no dia 17 de Dezembro.

7. Peçam lá ao sr. Pita Ameixa que explique aos sobralenses o voto contra o apoio do Governo a esta intervenção.

O BLOGUE, NAS SEYCHELLES

O blogue vai a caminho dos 12 anos. Tenho tido leituras vindas um pouco de toda a parte no planeta. Nem sempre as razões são claras. Porquê neste país e porque não naqueloutro. Que alguém nas Seychelles ande a cuscar no Avenida da Salúquia... Das duas, uma: ou um calêro anda de férias por lá ou foi engano.


sábado, 28 de novembro de 2020

VÍTOR OLIVEIRA (1953-2020)

Tinha/tenho uma secreta admiração por este herói dos pequenos clubes. Conseguiu o mais que notável feito de ter ajudado 10 clubes a subirem ao escalão principal do futebol português (num caso, foi repetente):

  • Paços de Ferreira (1990-1991) - campeão
  • Académica (1996-1997)
  • União de Leiria (1997-1998) - campeão
  • Belenenses (1998-1999)
  • Leixões (2006-2007) - campeão
  • Arouca (2012-2013)
  • Moreirense (2013-2014) - campeão
  • União da Madeira (2014-2015)
  • Desportivo de Chaves (2015-2016).
  • Portimonense (2016-2017) - campeão
  • Paços de Ferreira (2018-2019) - campeão

Uma carreira notável e discreta. Como dizia alguém em tempos, qualquer um pode ser campeão por um grande. Já este percurso de fazer muito com muito menos meios só está ao alcance dos tenazes e dos convictos. Como era, manifestamente, o caso de Vítor Oliveira. Alguém que vai deixar saudades.



 

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

UM POUCO ANTES DA RECLUSÃO...

Uma pilha de envelopes com desenhos à frente, um mar de rolos de desenhos à esquerda sobre o parapeito, à esquerda da secretária. Mais o computador, dois livros de apontamentos, duas pilhas de fichas, livros e papéis em desalinho. Pela janela, vejo os prédios do outro lado da avenida, mas não a rua em si. Não ouço o rumor da rua, os vidros não deixam passar o som. Mas entra a luz.

O livro está perto do fim, depois da Mouraria, da Sé de Lisboa e dos Mártires. Um ano proveitoso, do ponto de vista profissional e familiar. Um ano perdido, do ponto de vista social. Um ano estranho.

Eram 15:55 quando fiz a fotografia do gabinete. Vou ter saudades deste gabinete. Para já, e até quarta, começa a reclusão.



quinta-feira, 26 de novembro de 2020

FOI ONTEM E É SEMPRE

O Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres foi ontem e é todos os dias. Passou-se da reprovação surda do que se passava ao lado para a denúncia e para a luta mais intensa pela igualdade. Porque esta e outras violências tem por base a desigualdade. É quase tão simples quanto isso. Lutar por um mundo melhor está a passar por aqui.



terça-feira, 24 de novembro de 2020

DEL MAR

Há muito tempo que a publicidade não passa por aqui. Gosto muito de publicidade. Como deste anúncio de DEL MAR, com uma música muito SMOOTH FM. Lembram-se da frase do anúncio em português? "Só para homens! Os rapazes vão ter de esperar". Começo agora a ficar parecido, nas rugas, com o modelo do anúncio.

Manobrar barcos não sei. Mas posso fingir.

PAPÉIS E MAIS PAPÉIS...

Hoje, tive de preencher 1 (uma) ficha de avaliação do seminário do semestre passado. Fartei-me de "mandar vir", ainda que solitariamente. Perder tempo a preencher uma ficha com 3 (três) páginas... Tantíssima pena que eu tenho das pessoas que levam o dia inteiro assinando papéis e mais papéis e documentos mais documentos e só fazem mesmo isso. Não haverá quem assine por eles? Se com uma ficha é o que é, imagino os profissionais...



segunda-feira, 23 de novembro de 2020

HÁ PANDEMIA NO PRIMEIRO MUNDO

"Este não é o momento para complacência. Ao mesmo tempo que recebemos notícias encorajadoras sobre vacinas contra a Covid-19 e permanecemos cautelosamente otimistas sobre potenciais novas ferramentas que começam a chegar nos próximos meses, estamos muito preocupados com o aumento da pandemia nalguns países, em particular na Europa e nas Américas", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde.

Sem dúvida que se vivem momentos terríveis. A pandemia afundou as economias, lançou milhares e milhares no desemprego, empobreceu famílias, arruinou empresas e matou muita gente.

Mau? Não, péssimo.

Mas não é verdade que a preocupação assola o nosso mundo e as nossas vidas porque está perto. Já África e a malária são coisas bem mais distantes.

A vacina para o covid está aí a chegar, a da malária ainda não...

Do site da UNICEF

A REALIDADE DA MALÁRIA
O maior assassino de crianças
A malária mata uma criança cada 30 segundos, cerca de 3000 crianças por dia.
Mais de um milhão de pessoas morre de malária por ano, a maioria crianças com menos de 5 anos, ocorrendo 90% dos casos de malária na África subsaariana.




domingo, 22 de novembro de 2020

OS ESCRITORES, ESSES GENTE PERIGOSA...

A história é verídica. Por razões evidentes, omitirei tanto a identidade do escritor como a de quem me fez o relato.

Um automobilista é mandado parar pela GNR.

Militar - Boa noite, sr. motorista. Os seus documentos e o documento da viatura, se faz favor.

Segue-se um minucioso exame dos papéis.

Militar - Consumiu bebidas alcoólicas?

Automobilista - Não.

Militar - Muito bem. Já agora, qual é a sua profissão?

Automobilista - Escritor.

Militar - Escritor?? Venha lá soprar o balão.

Fim de cena. Cai o pano.



sábado, 21 de novembro de 2020

MOURA - 21.11.1987

Faz hoje 33 anos que o Moura defrontou o Porto, na 3ª. eliminatória da Taça de Portugal. O Moura Atlético perdeu e o campeão europeu de então seguiu em frente. Fui dar com esta fotografia num dos acasos da net. Na fotografia vemos Tomislav Ivić (1933–2011) com Pinto da Costa. Ivić cometeu a invulgar proeza de ter sido campeão em cinco países diferentes. Nem Mourinho.

O pelado que vemos na fotografia esteve em uso até 2006. Ficou depois sem uso continuado. Seria negociado, uma década mais tarde, com a SONAE, que ali instalou uma unidade comercial.




OBSERVADORES INTERNACIONAIS

É um clássico da política internacional. Nas eleições em países de democracia frágil os processos eleitorais são monitorizados por observadores internacionais. Que depois vêm dizer que sim-senhor ou que não-senhor. São, por norma, políticos na reforma, senadores com aura de respeitabilidade mais ou menos sólida.

Tenho-me lembrado muito dos observadores internacionais. Em 2024, é melhor pensarem em arrigementar um par deles para as eleições presidenciais americanas. Aquilo é mesmo muito pouco seguro.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

ARQUEOLOGIA DE MOURA NO MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA

São cinco peças de Moura, uma conhecida há séculos, as outras quatro provenientes em escavações arqueológicas realizadas no Castelo e na Mouraria de Moura, entre 1980 e 2012. Podem ser vistas no M.N.A.A. até final de fevereiro de 2021. Quais são?

1. Réplica da inscrição do minarete da mesquita de Moura;

2. Painéis de arqueta em osso (sécs. XII-XIII);

3. Escápula de boi com basmala e alifato (sécs. XII-XIII);

4. Prato mudéjar (séc. XIV);

5. Prato mudéjar (séc. XIV).

Que a exposição está bonita é um facto. Que o trabalho arqueológico concretizado em Moura sai bem neste contexto é outro facto.

Em 2013 e em 2016 a Câmara Municipal de Moura editou livros sobre trabalhos arqueológicos realizados no castelo. Em 2020, uma associação cultural, a MULTICULTI, editou outro sobre a Mouraria. Para 2021, haverá mais novidades.













quinta-feira, 19 de novembro de 2020

FINALMENTE, "GUERREIROS E MÁRTIRES"

Uma longa e sinuosa estrada, desde a primeira proposta, enviada ao Diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, no outono de 2018.

A partir do martírio de cinco frades franciscanos, ocorrido em janeiro de 1220, construiu-se um projeto ao qual se deu o subtítulo A Cristandade e o Islão na formação de Portugal.

São mais de 200 peças, com as quais se tenta enquadrar uma época, a partir do que aconteceu em Marrakech.

A exposição está muito bonita, mas esse mérito é da Manuela Fernandes e da Sónia Teixeira Pinto, não dos comissários.

A inauguração foi hoje tarde, presidida pela Ministra da Cultura.



































terça-feira, 17 de novembro de 2020

LJUBOMIR STANISIC

Não gosto do estilo. Não gosto daquela mistura de demagogia com laivos ustachi (sim, já sei que isso era na Croácia, mas para o caso tanto dá) nem do chico-espertismo de dizer uma coisa e depois outra, conforme soa melhor. É oportunista e deixam-no ser.

Pior ainda, tenho no currículo gastronómico um sensacional barrete que foi a ida ao Cem Maneiras. Não me recordo de ter gostado de 1 (um) único prato do chamado menu degustação. Lembro-me das ridículas amostras de comida e de uma carne de porco fria e mal passada. E do ar petulante das moçoilas que serviam à mesa e que debitavam as características dos vinhos com a rapidez mecânica com que os guias de outrora narravam os monumentos.

Contudo, parece que o estilo rende. Nós somos assim.




segunda-feira, 16 de novembro de 2020

GERALDO, ABU NIDAL

Um infelicíssimo cartaz de promoção de uma prova desportiva - raio de ideia promover uma corrida com uma má estátua guerreira - veio levantar uma enorme polémica, que vai acabar na remoção da dita escultura.

A ironia da estátua é que quem acabou decapitado foi Geraldo. Um final pouco glorioso para um senhor da guerra que, ao serviço dos Almóadas, quis jogar o papel de agente duplo.

Descobre o Património que há em ti? Importam-se de repetir?



A FLORESTA NA COSTA ALENTEJANA

Um livro interessante e meio esquecido. De uma autora interessante e também um pouco caída no olvido. Olga Gonçalves (1929-2004) nunca esteve na moda.

A floresta em Bremerhaven é passado em pleno Verão Quente, numa casa de férias na costa alentejana. O tópico essencial é a emigração. Ou, melhor dizendo, as memórias do trabalho na Alemanha, que o casal de anfitriões vai relatando.

Ri com gosto com esta passagem, que descreve uma manifestação, na qual o homem da casa tinha participado:

À minha frente andava uma mulher que gritar como uma bezerra: "Abaixo a reação! Abaixo a reação!", e depois virou em dizer "Mocracia! Mocracia!" Eu gritava também com ela, que se ouvia bem a minha voz! Ah, se ouvia! Quando olho para o lado e dou com um velho: "Agora é que ela me enrascou, que não entendo o que ela diz." Eu expliquei-lhe: "Homem! Agora é Mocracia!" E ele vai, pega em gritar: "Malancia! Malancia!" Era mouco!

domingo, 15 de novembro de 2020

NUNCA MAIS DIGAS NUNCA

Estava, no outro dia, a falar de cinema com o meu amigo André Linhas Roxas, quando veio à baila o 007. Gosto de todos os filmes do 007, até daquele com George Lazenby. Quando mais disparatados e delirantes, melhor. Depois falei-lhe neste, de novo com Sean Connery, rodado em 1983, uma dúzia de anos depois do ator ter dito que nunca mais interpretaria a figura de Bond. Regressou, claro, para este sucesso.

Este domingo é dia de rever 007.

sábado, 14 de novembro de 2020

RECOLHER TELEVISIVO

As estações de televisão massacram-nos com programas invisíveis (no sentido de "não se conseguem ver, de tão insuportáveis que são").

O que tem algumas vantagens:

Passei uma parte da tarde numa conversa com os alunos, via zoom, dando apoio aos trabalhos e planeando o que deverão fazer.

E mais leituras, daqui a pouco, que preciso de reler as benditas fontes árabes: Ibn Hawqal e al-Idrisi.

Antes, aventurei-me a pendurar quadros na parede. Para me sentir perto de Moura, o que me faz mesmo falta. Correu tudo bem, embora tenha conseguido a proeza rara de pregar um prego às avessas. Não percebo como o fiz, mas aconteceu mesmo.


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

GUERREIROS E MÁRTIRES - A SEIS DIAS

Dia de férias passado no Museu Nacional de Arte Antiga. Para trabalho de promoção da exposição "Guerreiros e mártires" junto de órgãos de comunicação social. O ambiente é de uma calma frenética. Pinta-se, corta-se e desenha-se. O vermelho visionário é de um setor intitulado "Guerrear".

Serão, no cômputo geral da exposição, cerca de duas centenas de peças que ilustram e enquadram um acontecimento e uma época. E que ajudaram a criar uma aura particular em torno destes mártires franciscanos.

Visitas a partir de dia 20.



quinta-feira, 12 de novembro de 2020

PROLEGÓMENOS AO NACIONAL-TAVARISMO

E escreve João Miguel Tavares:

"a democracia é precisamente o regime em que posições abjetas podem ser defendidas de forma legitima, da castração química de pedófilos às 35 horas de trabalho na função pública".

Ou seja, para João Miguel Tavares, e na escala de abjeções, castração química de pedófilos=35 horas de trabalho semanais. Uma equivalência abjeta, pode dizer-se.

De resto, e como bem nota António Filipe, o PCP defende as 35 horas, tanto no setor público como no privado. Infelizmente, a seriedade das propostas não é notícia, hoje em dia.

Ao Tavares, vai-lhe acontecer como ao Dr. Estranhoamor, no filme: solta-se-lhe o braço... É uma questão de tempo.



quarta-feira, 11 de novembro de 2020

RECORDANDO UMA DATA E UM PRÉMIO

O facebook vem-me recordar de datas de que não me lembrava. Dos factos, claro que sim, do dia exato não.

Hoje foi esta. Que em 11.11.2016 fui, em representação do Município de Moura, ao Casino Estoril receber um prémio, da revista "Mais Alentejo", pela exposição Água - património de Moura. Essa exposição traz-me gratas recordações. Foi concebida no fio da navalha, entre 2014 e 2015. Entre múltiplas solicitações e quase sem tempo para respirar.

Depois disso vieram outros projetos. Como a exposição da próxima semana. Onde Moura, por escolha minha, também está.

Ver:

http://www.santiagomacias.org/galShow.php?id=00026




terça-feira, 10 de novembro de 2020

A VIDA BREVE DE BARRY LYNDON

Não conheço outro cineasta que melhor tenha escolhido as suas bandas sonoras e os temas apropriados a cada momento. Como em tantas coisas, Stanley Kubrick (1928-1999) esteve acima dos seus pares.

O final de Barry Lyndon (1975) é um momento exemplar de cinema. A ação decorre sem palavras. Os olhares e os gestos chegam para sublinhar o que se está a passar. O trio No.2 Op.100 de Franz Schubert pontua, de forma perfeita, a cena. Basta ver e ouvir.

Esta peça de Schubert é o indicativo do programa "A vida breve" de Luís Caetano na Antena 2. Vale a pena.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

QUANDO A SOLIDARIEDADE FUNCIONA

A campanha começou no dia 3. Amanhã fará uma semana. Estou convencido que amanhã o Rui Caeiro conseguirá a sua desejada e merecida flauta. Um dia será a vez dele ajudar outros jovens. Não tenho dúvidas que o fará.



domingo, 8 de novembro de 2020

O PUNCH-LINE DE DONALD, DE FAZER INVEJA A TARANTINO

Era difícil acabar melhor. 

1. Faz confusão com os locais, quer convocar uma conferência de imprensa para o Four Seasons, um hotel de luxo, e convoca-a para um local com o mesmo nome (a 14 kms. do anterior), no parque de estacionamento de uma loja de jardinagem, onde eu não me aventuraria sem estar armado;

2. O dito parque de estacionamento fica em frente a um crematório e ao lado de uma sex-shop com o inspirador nome de "Ilha da fantasia";

3. Nem Quentin Tarantino se lembraria de uma coisa assim.






BATE OS BRANCOS COM UMA CUNHA VERMELHA

Post para um grupo de amigos e motivado por uma publicação de Nuno Ramos de Almeida, no instagram.

Há memórias inapagáveis. Muitos dos que participaram nestes episódios deles decerto se recordarão. No ano letivo 1983/84 houve uma cisão no seio da Associação de Estudantes. A lista unitária de esquerda deu lugar a dois grupos: a lista D (a letra remetia para Direção) e a lista Q (nunca percebi a razão de ser desta letra, confesso). A lista D era "esquerdalha", a lista Q estava ligada à JCP. Fui convidado, para minha surpresa (e derivado à minha fama de "esquerdalho" e "radical pequeno-burguês de fachada socialista") a integrar esta última. Não me lembro porque aceitei, mas sempre tive a convicção que íamos levar "uma abada". Coisa irrelevante, o importante estar "estar" e "combater".

A Teresa Carvalho foi encarregue de escolher uma imagem para o cartaz. Quando vi a imagem - do vanguardista soviético El Lissitzky, na verdade Lazar Markovich Lissitzky (1890-1941) - pensei "isto vai ser visto como uma coisa totalmente esotérica". O desenho era de um poster de propaganda de 1920, intitulado "Bate os brancos com a cunha vermelha".

Acabámos ganhando as eleições. Declinei depois um convite para ser um dos quatro representante dos alunos no Conselho Diretivo - acabaram por ser o Carlos José Almeida, a Rosa Ribeiro, a Isabel Martins e, salvo erro, a Maria José Cantarinha -, porque o ano já ía avançado e uma balbúrdia crescente se instalava no meu percurso escolar.

Recordo com gosto - e sem aquele jargão, que detesto, do "bons tempos" - esses dias e esses tempos, onde sólidas amizades se forjaram. Foi nessa altura que decisivas opções políticas foram tomadas. Passaram quase 40 anos. Não me arrependi. As convicções e as amizades permanecem. 






sábado, 7 de novembro de 2020

UM PEQUENO E MUITO TÉNUE SINAL DE ESPERANÇA

Nada de muito substancial mudará, não tenhamos quaisquer ilusões. Império é e império será.

A esperança está no facto de ser uma pessoal normal a ter sido eleita. Que encarará problemas como o da pandemia com ponderação. E que terá noutras matérias equilíbrio e usará a experiência da sua carreira política para encontrar soluções. Mas não nos deslumbremos...

Que 70 milhões de pessoas tenham votado no inqualificável é motivo para reflexão e para preocupação.











A outra América. Royal Crown Cafe; Boyle, Mississippi1983, por Birney Imes (n. 1951). No condado de Bolívar, Biden venceu com 62%.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O ORIENTE, UM DIA...

Ao preparar para edição, hoje de manhã, um texto de um académico espanhol, professor de economia, dei com uma informação espantosa, que desconhecia. A empresa mais antiga do mundo não tem 200, 400 ou 500 anos. KONGO GUMI era o nome de uma empresa japonesa, do ramo da construção, fundada em 578 d.C., e que esteve na passe da mesma família durante 14 séculos. Soçobrou à especulação imobiliária e a investimentos insensatos, tendo sido vendida já no decorrer deste século.

Não é caso único. O Nishiyama Onsen Keiunkan é um hotel termal japonês que funciona desde o ano 705 do nosso calendário. E de entre as 10 empresas mais antigas no mundo, 8 são japonesas. Esta perenidade e sentido do tempo longo ajuda a explicar outras coisas e o poder do Oriente, certo?


 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

MOURA: O DEVER DE QUEBRAR O SILÊNCIO

As crónicas que tenho assinado em “A Planície”, e que reproduzo no meu blogue pessoal, onde são lidas por centenas de pessoas (o que registo e agradeço), têm ultimamente sido dedicadas a temas alheios à política local. Não estou agarrado ao passado e não me parece adequado, como anterior presidente, estar permanentemente a fazer observações sobre o que se faz ou deixa de fazer.

Como nota prévia adicional direi que não vale ao atual presidente da câmara usar o velho (e nele muito usual) estratagema de se fazer de vítima, apontando o dedo aos que ousam criticar o estado das coisas. E o estado das coisas, no concelho de Moura, obriga-me a quebrar o silêncio e a falar claro.

Em 2017, houve um claro desejo de mudança. Isso ficou bem refletido nas urnas. O discurso vencedor foi doce e de sereia. Ele eram as portas abertas, mais a participação, mais o social, mais um sem número de obras que iriam surgir como cogumelos, mais o turismo, mais os braços abertos a todos.

Nada disso aconteceu. Rigorosamente nada. E quero deixar claro que não me entusiasma aquele discurso de “isto são obras começadas no teu tempo” ou “isto são projetos que a tua equipa deixou”. Porque o tempo da nossa terra, e o que nela se faz, não é o dos autarcas X ou Y. O tempo da nossa terra é de todos nós. Tal como o futuro a todos nós pertence. E a responsabilidade é de todos, de cada um individualmente e de todos, enquanto comunidade.

Foi justamente isso que me levou a escrever este artigo. O sentido da responsabilidade e o facto de ter tido, durante doze anos, funções em equipas que tinham como prática princípios de trabalho e de responsabilidade. Não me incomoda ver outros a terminar, ainda que sem mérito, obras antes começadas. Essa é uma questão menor. Mas por ver que a falsidade se tornou regra e que a política camarária, em Moura, se faz de fachadas e protocolos, de promessas adiadas e de projetos que um dia hão-de começar. De preferência conduzidos por outros – Convento do Carmo, restauros de igrejas, fábricas de baterias (?), Ciência Viva (?) – , que a capacidade de concretização desta equipa camarária é pouco mais que nula. Abandonaram-se projetos aprovados e adiaram-se intervenções. Pior ainda, a capacidade de diálogo com os trabalhadores e com a população não existe e a hostilização para com os que se opõem tornou-se regra.

Ao fim de dois anos e meio de quase nada de trabalho surge a pandemia. O covid tem as costas largas e serve de desculpa para a falta de iniciativa. Não devia, mas é assim.  A comunicação em torno da pandemia é a única atividade visível, ao longo dos últimos meses, num dos principais núcleos urbanos do Alentejo. É muito poucochinho...

Li hoje, no "Público", esta frase, na crónica de João Miguel Tavares: “aquilo que ficará para a História será apenas o que nunca deixou de ser: um Presidente impreparado, um desastre político, um incapaz de trabalhar em equipa, um incompetente que falhou catastroficamente”. João Tavares refere-se a Donald Trump. Podia ter escrito sobre outra pessoa. Não falharia uma palavra.

Em bom e linear português: mourenses, está na hora de escolher outro caminho, de retomar o rumo perdido e de recomeçar.

Crónica, hoje, em "A Planície"



quarta-feira, 4 de novembro de 2020

TODOS PELO RUI

Conheço o Rui há um bom par de anos. É um moço tímido e gentil, músico devotado na Banda dos Amarelos. Estuda na Universidade de Évora e precisa de uma flauta em condições para poder continuar a trabalhar. Lançou um crowdfunding. Cabe-nos dar uma mão ao Rui. As outras duas mãos, as dele, precisam deste apoio. Porque ele o merece. É tão simples quanto isso.

Para apoiar:

https://ppl.pt/flauta?fbclid=IwAR0547EjadYj4exFwxS1iIk1dqCKuc40wev58zQX5-aqYqGsTEEvjfQ9WDo




DIA 239 DE BABEL

Um cartoon antigo, do já desaparecido Hans-Georg Rauch (1939-1989), evoca um pouco estes dias em que andamos. O regresso presencial ao trabalho volta a ser feito numa situação de privilégio. Vivemos em Babel, receosos e atemorizados, à espera de melhores dias.

(já depois de preparar o texto, do outro lado do Atlântico há mais babel).


terça-feira, 3 de novembro de 2020

PRÉMIO GULBENKIAN PATRIMÓNIO - MARIA TEREZA E VASCO VILALVA

Começa amanhã e termina no dia 21 de dezembro o prazo de candidaturas ao Prémio Gulbenkian Património - Maria Tereza e Vasco Vilalva.

É a 13ª. edição deste prémio, que tem distinguido projetos não-estatais de reabilitação do Património. De entre intervenções merecedoras do prémio referimos Recuperação e valorização das ruínas romanas da Cidade de Ammaia (2009), Restauro e recuperação da Igreja e Torre dos Clérigos (2015) ou a Igreja de Santa Isabel (2018).

Mais informações, incluindo o regulamento, em:

https://gulbenkian.pt/fundacao/premios/premio-vilalva/



A Q P I - ELEIÇÕES AMERICANAS

Entre os sites que sigo com regularidade está este, que faz a súmula das sondagens, para as diversas eleições americanas.

Aqui fica:

https://www.realclearpolitics.com




segunda-feira, 2 de novembro de 2020

ARQUITETURA COM MÁSCARA

Em tempos de máscaras, ei-las que surgem por toda a parte. Sem poder sair do concelho de residência, limitei-me a um curto passeio com alguém que precisa companhia.

Não costumo passar a pé na Rua Luís de Camões. Nunca tinha reparado neste friso de azulejos Arte Nova e, muito menos, nesta fachada mascarilha. A fachada é um cenário teatral e inútil. O que está detrás é que conta, agora.

Da glória burguesa de velha Amadora é pouco o que resta, por entre blocos inexpressivos, que são a maioria do que se construiu nos últimos 60 anos.

A arquitetura com máscara simboliza bem o que é a tristeza dos nossos dias 




domingo, 1 de novembro de 2020

FINDING MR. CONNERY

Sempre gostei de filmes "menores". Como "After hours", de Scorsese. Ou este "Finding Forrester", de Gus Van Sant, cujo escritor (Sean Connery) se baseia em J.D. Salinger. Que, por sinal, escreveu Catcher in the rye, um dos livros mais marcantes da minha distante juventude.

"Finding Forrester" tem uma enorme vibração. Por causa do argumento? Sim. E da atuação, naïve e meio perdida, de Rob Brown? Também. Mas o grande esteio do filme é Sean Connery, um ator muito acima da média e uma personalidade invulgar. Aqui fica uma cena do filme, que tem Carl Orff e tudo.



sábado, 31 de outubro de 2020

POST SABÁTICO

Isto é o que acontece quando se fazem promessas em catadupa e depois nada acontece. Os discursos sorridentes dão lugar a coisa nenhuma. As palavras xaroposas cedem o passo a atitudes ríspidas. Tantas coisas que se fecham, tanta prosápia que se vai quando o tempo passa e a preparação não é nenhuma.

O futuro está sempre a recomeçar, valha-nos isso.




De um poema de Abd Allah ibn Wazir (séc. XIII)

Não desesperes de chegar a califa
Pois Ibn Amr foi nomeado inspetor das alfândegas.

Desgraçada época em que se fazem coisas como esta, colocar
altos cargos nas mãos de um limpador de esgotos.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

CRÓNICA DOS BONS LALIQUES

O convite para a inauguração tinha chegado dias antes e não estava assim muito convencido a ir. Fim de tarde, covid, as noites que começam cedo etc. Mas havia o nome Lalique e houve um mail do Mariano Piçarra. E sempre era uma quebra na rotina irmos até à Gulbenkian.

Bendito impulso. A sorte de se poder contar com uma visita à exposição, pela mão e com a simpatia da curadora Luísa Sampaio, a felicidade de poder ver o melhor que há para ver, num percurso verdadeiramente excecional e pedagógico, a raridade daquela montagem, entre rosas e transparências que prolongam e multiplicam o espaço, tudo se conjugou para momentos de proveito e de prazer.

Ao Lalique, cidadãos!





quinta-feira, 29 de outubro de 2020

GUERREIROS E MÁRTIRES - MNAA: 19.11

Aproxima-se, assim o desejamos, o fim de mais um projeto. Foi iniciado em 2018 e passou por uma notável série de inesperadas circunstâncias, que foram sendo ultrapassadas e resolvidas, não sem esforço.

Avança agora a montagem de "Guerreiros e Mártires - a Cristandade e o Islão na formação de Portugal". A inauguração está prevista (nesta fase das nossas vidas já só prevemos) para dia 19 de novembro, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Daqui a três semanas. Como se diz no texto de divulgação, a exposição temporária “Guerreiros e Mártires irá permitir aos visitantes desvendarem as vivências deste importante período. Isso será feito através de um conjunto de peças (ourivesaria, cerâmica de luxo e comum, peças militares, tesouros monetários, pintura, iluminura, escultura, têxteis, marfins e artes do fogo), num projeto envolve que mais de setenta instituições (museus, bibliotecas, igrejas e coleções particulares) de Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Marrocos e Reino Unido.

Partilho o comissariado desta exposição com Joaquim Oliveira Caetano, diretor do M.N.A.A., um colega e amigo de várias décadas.

Ver - http://www.museudearteantiga.pt/exposicoes/guerreiros-e-martires