sábado, 17 de novembro de 2018

LUCHO GATICA (1928-2018)

Gosto de boleros na mesma proporção em que os não sei dançar. A que propósito vem disto? Da morte do grande cantor chileno Lucho Gatica, desaparecido há dias. Só hoje me dei conta disso. Lembro-me de o ver atua, há muitos anos!, na TVE, por entre o entusiasmo da família de Paymogo. Cantores populares assim eram tão amados nos dois lados do Atlântico como os brasileiros o são por cá.

El reloj, com legendas em grego.


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

DAMNATIO MEMORIAE

Ainda ontem se falou nisto, no colóquio da Faculdade de Letras. É mais que evidente que a mutilação observável em estátuas romanas, mosaicos etc. está longe de ser uma acaso ou um acidente. Com frequência, as motivações são religiosas. Em especial, quando a iconoclasia tomou conta da cabeça das pessoas.

Noutras circunstâncias, o "apagamento da memória", essa eliminação de que aconteceu antes, é claramente político. Temos um excelente exemplo numa lápide mandada fazer para assinalar a construção de uma lápide no castelo de Silves, no verão de 1227. Quem veio a seguir, mandou apagar o nome do construtor.

Uma atitude banal, ao longo da História. E tão menor quanto banal. 


Texto de Artur Goulart de Melo Borges em http://islamicart.museumwnf.org/:
A inscrição, emoldurada por faixa estreita de entrançados, em cursivo nasrida muito floreado e decorativo, preenche em dez linhas e de modo compacto todo o campo epigráfico. A epígrafe comemora a construção de uma torre na cidade de Silves, muito provavelmente a da Porta do Sol. O reforço da capacidade defensiva justificava-se plenamente, pois que, cerca de 40 anos antes, fora ocupada temporariamente pelos cristãos, cujo avanço para o Sul era notório e constituía um perigo eminente para a tomada da cidade, como veio a acontecer de modo definitivo em 646 AH / 1249 AD. Na terceira linha da inscrição foi intencionalmente destruído o nome de quem mandou fazer a construção e que Lévi-Provençal identifica como tendo sido Abu l-Ula Idris, filho de Yakub al-Mansur, por ocasião de uma viagem de inspecção a Silves. Terá ordenado o apagamento do nome Shuaib Ibn Muhammad Ibn Mahfuz quando ali formou um pequeno reino independente em oposição aos almóadas.

OS ANOS 70 NUNCA DEVIAM TER EXISTIDO - RAZÃO Nº 5 E DERRADEIRA: AS CAPAS DOS DISCOS DO FREDDY BRECK

Atuou na televisão portuguesa, num programa chamado "25 milhões de portugueses". Do Minho a Timor, era essa a ideia... O programa ia para o ar ao domingo à noite, estava o fascismo a dar o berro. Numa das emissões, marcou presença a Banda dos Amarelos. Mas "25 milhões de portugueses" também tinha estrelas internacionais. Como o alemão Freddy Breck, que era assim uma estrela ao nível da Taça das Cidades com Feira. Usava uns papillons de fazer invejas aos meus e um penteado que mete o do Nuno Melo, do CDS, a um canto.

Os 70 anos eram isto. Não fosse o 25 de abril e da década só se aproveitava a abada que os americanos levaram no Vietname. E o Apocalypse now.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

FAKE NEWS NA CÂMARA DE MOURA

Não pretendo roubar espaço ao jornal, nem tempo a eventuais leitores. Mas há uma coisa que não posso deixar passar em claro, pelas responsabilidades que tive no Município de Moura. É a mentira continuada, que pode colar. Assim, e muito sucintamente:
Foi/é motivo de orgulho ter estado ao serviço do meu concelho, designadamente pela oportunidade de ter trabalhado em projetos que considero cruciais. Em relação a um texto assinado no jornal “A Planície”, pelo atual executivo, tenho a esclarecer o seguinte, por serem matérias que dizem respeito ao meu mandato:
1.       Bairro do Carmo – segundo o atual executivo, “o orçamento não contemplava um metro quadrado de reboco”. Isto não é verdade. O projeto contemplava reboco nas novas construções, naturalmente. E a colocação de reboco nas zonas onde houvesse intervenções que implicassem a sua reposição. O reboco em bom estado não teria necessidade de ser substituído. Sendo uma obra de custos controlados, o essencial era garantir condições de habitabilidade e melhorar a qualidade das casas. Foi para isso que o projeto se fez. O único erro grosseiro é a afirmação do Sr. Presidente Álvaro Azedo.
2.       Torre do Relógio (Amareleja) – “acrescentámos o projeto de iluminação a esta obra”. Isto não é verdade. O projeto de iluminação decorativa foi entregue à Câmara Municipal em 16 de novembro de 2016, pelo eng. Vitor Vajão, e tem estimativa de custos. A sua adaptação à obra em curso era mais que possível. A larguíssima experiência do autor tornaria isso numa tarefa fácil. O Sr. Presidente Álvaro Azedo pode atirar dinheiro à rua, encomendando o que já estava feito. Não pode é dizer que os projetos não existem.
3.       Centro Documental da Oliveira – “é um projeto que valorizamos”, diz o texto do atual executivo. Mas a verdade é que não o vão executar. A intervenção tinha um custo de 2.770.000 euros, dos quais a Câmara Municipal iria pagar 15%. A obra comportaria a reabilitação total do antigo edifício do grémio. Agora, a obra é só na fachada e no telhado O Sr. Presidente Álvaro Azedo opta por deixar o projeto de lado e concretizar apenas uma pequena parte. Não haverá Centro Documental nem nova Biblioteca. É uma opção de gestão. Poucochinha e sem ambição. Que registo.
4.       Gare Rodoviária – “o projeto não contemplava a zona de embarque e desembarque de passageiros e paragem de autocarros”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. O que quererá isto dizer? É que o projeto comportava todos os aspetos necessários a um adequado funcionamento. E foi resultado de uma ampla e complexa negociação com a Infraestruturas de Portugal (empresa que herdou o património da CP). O concurso podia ter sido lançado em final de 2017, como estava previsto. A menos que se ponham a fazer bonitinhos e floreados nos projetos, implicando mais dispêndio.
5.       Dívida da água – “os executivos da CDU não pagaram as faturas de fornecimento da água”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. Esta afirmação é uma mentira grosseira. O acordo de pagamento da dívida da água com a ÁGUAS PÚBLICAS DO ALENTEJO foi aprovado pela Câmara Municipal e pela Assembleia Municipal em 2014. O PS votou a favor desse acordo. O qual foi posto em prática de imediato. E foi cumprido. Verbas pagas, tanto do acordo, como da faturação corrente? 1.139.000 euros em 2015, 1.251.000 euros em 2016, 1 188.000 euros em 2017. Começou o mandato do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Valores pagos? 535.000 euros, nos primeiros dez meses de 2018. Que se passou? O novo executivo fez, em final de 2017, um novo acordo de pagamento. Do qual pagou ZERO. Ou seja, os 535.000 euros dizem apenas respeito à faturação corrente. Se a dívida se acumulou, a responsabilidade é do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Que devia assumir essa responsabilidade, e não atirá-la para cima de executivos anteriores.

Outras questões da carta do executivo são opinativas e não me merecem perda de tempo. Percebo, humanamente, a necessidade de tentar apagar os projetos anteriores, fingindo que o que agora se apresenta é coisa nova. Não é.
                Ao executivo da Câmara Municipal diria que é preciso mais e melhor trabalho, mais dedicação, mais esforço, para dirigir os destinos de um concelho como o nosso. Continuar o que já estava iniciado é-nos lisonjeiro, mas não chega.

A si, Sr. Presidente Álvaro Azedo, não lhe reconheço conhecimentos, preparação, experiência ou currículo para me passar atestados de incompetência. Como, de resto, a sua ação tem vindo a demonstrar.




Crónica publicada hoje, em "A Planície"

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXI

Ouvido, esta manhã, entre Sete Rios e Entrecampos, dizendo uma amiga para outra: "sinceramente, tenho tido tanta paciência, mas tanta paciência, com aquela pessoa, que já mereço uma aurélia na cabeça".

Woody Allen limita(va)-se a passear pelas ruas de Nova Iorque, observando as pessoas à sua volta. Era esse um dos seus métodos favoritos para arranjar material para os argumentos. Um método infalível...


S. Francisco de Assis com auréola

Aurélia (de Sousa)

terça-feira, 13 de novembro de 2018

LOBSANG RAMPA REVISITADO

Era um dos ícones da astropsicovigarice dos meus tempos de juventude. 

Na galeria dourada estão também o suiço Erich von Däniken, cujo livro "Eram os deuses astronautas?" foi depois adaptado ao cinema por Harald Reinl e foi um retumbante sucesso. É claro que vi o filme, mas sssshhhhhh, não digam a ninguém. Toda a minha geração via essas coisas, mas só Virgílio Azevedo nelas acreditou.

Algo me diz que este livro vai voltar a ser um sucesso. 

MOURA, O GUADIANA E A MARGEM ESQUERDA

Serão dois dias à volta do Guadiana. Contra minha vontade, participarei sozinho no encontro. Os meus colegas José Gonçalo Valente e Vanessa Gaspar não podem estar presentes e assim ocupar-me-ei a solo da toponímia do sítio. Que não de Moura... Na verdade, há um conjunto de comunicações sobre o nosso território, que está no centro das atenções dos investigadores. Ora aqui vai um pouco de arqueologia.

Dia 14
10:00-10:30 - J. L. RAMÍREZ SÁDABA (Universidad de Cantabria): “El ager occidental de Arucci: Moura. Los testimonios epigráficos”
14:30-15:00 R. DE BALBÍN BUENO (Centro CIL II – Universidad de Alcalá) "Tras el desuso, uso: inscripciones romanas reutilizadas de los concelhos de Serpa y Moura"

Dia 15
9:30-10:00 - R. MONGE SOARES (Universidade de Lisboa, UNIARQ): “Resultados das primeiras escavações no Castelo Velho de Safara (Moura): a ocupação Romano Republicana”
10:00-10:30 - S. MACIAS (CEAACP – Universidade de Coimbra): “Lacant: Novos dados sobre a toponímia na margem esquerda do Guadiana”



segunda-feira, 12 de novembro de 2018

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XX

Lisboa é o L.

De luz.

De lioz.

De lisboa.

Mas não o V, de vento. Pelo menos não era...


Até usar chapéu nunca me tinha dado conta que Lisboa é ventosa. E é bastante. O borsalino já, por várias vezes, ganhou asas, Largo Vitorino Damásio fora. Posso por uma fita para o segurar, à Zorro, mas o resultado merece-me sérias reservas.

domingo, 11 de novembro de 2018

ARMISTÍCIO

Passou um século. Depois houve outra guerra. A Alemanha perdeu no campo militar. Ganhou, a partir dos anos 60 do século XX, noutros.

A paz é que nunca chegou. Hoje, com o surgimento dentro de portas, de protagonistas como Salvini, Orban, Le Pen, mais os que já assomam nas democracias nórdicas, a vida complica-se numa Europa cansada, envelhecida e sem soluções. 1918 foi ontem.

sábado, 10 de novembro de 2018

TORRE DO RELÓGIO - MAIS DOIS, TRÊS MESES?

É assim. A obra avança. Agora teve mais um mês e meio de prorrogação para ser concluída. É bom que os que tanto criticaram, no passado, o não cumprimento de prazos percebam que as coisas são assim mesmo. Há sempre dificuldades e problemas a resolver. Pela parte que me toca:

1. Não critico o atraso na conclusão da obra;
2. Saudarei, com prazer, a inauguração da obra da torre, na qual nos empenhámos profundamente (o contrato da obra foi por mim assinado, recordo, no dia 6 de setembro de 2017).

Importante são as coisas e os sítios. Muito menos importantes são os "protagonismos".

Fotografias - ateliermob



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

TÓ-CÃO-CASA-TUA!

Esta história dos quadros que terão pertencido (ou não) a José Sócrates e que estavam algures, e que agora ninguém quer, faz-me lembrar uma história passada numa vila alentejana. Um indivíduo tatibitate, ao avistar uma patrulha da GNR, tentava desesperadamente afastar o seu rafeiro, que estava em situação ilegal, fingindo que o mesmo não lhe pertencia, gritando-lhe TÓ-CÃO-CASA-TUA.

A situação é a mesma, só que em versão fina.

MAIS UM MOMENTO TARANTINO

Mail recebido há dias. Em resumo, tenho/tive um parente em Londres, que morreu num ataque terrorista e que me resolveu deixar 2,9 milhões de libras. Já agora, podia ter deixado 3 milhões...

O texto é delirante. Em vez da versão corrida podemos tentar outra hipótese. Por exemplo, e usando um excerto da "carta":

Dia bom
Em suma introdução

um cidadão do seu país
mesmo sobrenome
(...)
há alguns anos com sua família
em terrorista
atacá-la em Londres
(...)
Eu sou

sua pessoa
advogado.

(...)
graciosamente
Advogado Jozef


Havia poemas assim, há uns anos, na secção dos novos valores da poesia, no "Jornal de Letras".

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

RAID A MATOSINHOS

Nunca tinha ido a Matosinhos. Come-se bem, a preços que são impensáveis mais a sul - em Lisboa isto nunca foi famoso e agora está pior -, mas a cidade tem um ar délabré, uma palavra muito do agrado do meu amigo Cláudio Torres.

O motivo da visita, além do excelso Ópina, foi este edifício. É atualmente uma dependência da uma escola de design. Foi, em tempos, uma agência da Caixa Geral de Depósitos. O projeto data de 1938 e é de Manuel Fernandes de Sá. Uma fachada interessante e melhor que o português suave que viria a seguir. O autor (engenheiro-arquiteto formado em Paris, essas coisas davam estilo ao currículo) trabalhou sobretudo a norte. Este modernismo perder-se-ia logo de seguida.  

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

NO ARTS JOURNAL

O link é este:
https://www.mdpi.com/2076-0752/7/4/77

E a abertura da publicação - ARTS JOURNAL, uma revista online sedeada em Basileia - é esta:

Para aqui chegar houve um caminho a percorrer. Primeiro, o inglês do texto tinha de ser improved. Claro que sim, a minha escrita não deve ser bem oxfordiana, por isso pedi o apoio a uma jovem amiga bilingue, que resolveu aquilo num ápice. Pior foi com os peer-review. Queriam que eu desse outra visão do tema. Ou seja, queriam que eu escrevesse o texto que eles gostariam de ler. Pus os pés à parede, "NÃO ALTERO UMA LINHA", se quiserem publicar, muito bem, se não quiserem publicar, muito bem na mesma. Não alterei nada. O texto foi publicado.

Isto levaria a um outro tema, mas falta-me a pachorra. Ou seja, o da carnavalada em que o sistema de peer-review se está a tornar, o modo opressivo como se vão tentando impor cânones e modos de abordagem, a forma como se vai tentando condicionar a liberdade de pensamento e de escrita com normas e mais normas. A produção literária e científica torna-se uma técnica e uma sucessão de truques. Que, frequentemente, dão em barracas colossais, só descobertas ao fim de muitos anos.

Acho importante a existência de peer-review, mas de forma muito, muito leve. Em especial nas Ciências Humanas. No limite, sou de opinião que só textos como os do cap. Correia de Campos devem ser rejeitados. Já fiz de revisor e já li textos que não são excelentes. Dei o ok a todos. Porquê? Porque não tinham erros, nem falhas metodológicas. O resto (a opinião, a crítica, o contraditório) devem pertencer aos pares - aí sim - e não a uma qualquer mesa censória.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

PORTO ABSTRATO

A exposição na Cadeia da Relação não me despertou especial interesse. Espreitar a vida de Frida Kahlo não me pareceu assim tão interessante quanto isso. Estes momentos dão sempre para olhar para o lado. A "abstração" dos tirantes do Centro Português de Fotografia teve o seu espelho, horas mais tarde, no Museu Soares dos Reis, na tela 023-57, de Fernando Lanhas (que não é a da imagem, mas dentro da mesma linha gráfica...). Um Porto abstrato, muito longe do outro Porto, o naturalista, do qual gosto francamente mais.


TEXTO MAIS LIDO NO MÊS DE OUTUBRO DE 2018: MEU CARO MIGUEL REGO...

Qual foi o texto mais lido do blogue, no mês de outubro? Este. Mereceu 3565 passagens por este sítio. Aguardam-se os próximos capítulos da "novela". 


SÁBADO, 13 DE OUTUBRO DE 2018


MEU CARO MIGUEL REGO...

... acabo de ler isto no facebook:

Na reunião de Câmara Municipal do passado dia 11, os vereadores da CDU apresentaram um VOTO DE PROTESTO pelo afastamento (saneamento político) do Dr. Miguel Rego das suas funções de coordenador da rede de museus do concelho. 
Reafirmaram também o seu reconhecimento público pelo trabalho que o Dr. Miguel Rego desenvolveu em Castro Verde na criação e dinamização do Museu da Ruralidade, "Núcleo da Oralidade", em Entradas, e dos seus pólos ("A Minha Escola", em Almeirim, "Aldeia Comunitária", nos Aivados" e "Núcleo da Tecelagem", no Lombador, no âmbito do conceito de “Museu do Território”.


Reproduzo em letras pequenas, porque a atitude de quem te demitiu está ao nível do tamanho das letras. Considero o Museu da Ruralidade uma das mais consequentes e bem definidas propostas culturais levadas a cabo no sul nos últimos anos. Consegui estar presente em algumas iniciativas (bem poucas, mas os mandatos autárquicos tomam-nos o tempo mais do que deveríamos deixar). E pude constatar a qualidade do projeto, num terreno sempre difícil. Soube o Museu da Ruralidade assumir a sua originalidade e fugir aos chavões habituais. Soube construir um percurso e garantir uma programação. Soube tudo isso e muito mais. Não conseguiu foi resistir à intolerância e ao totalitarismo (aqui entre nós, que ninguém está a ouvir: os que estão sempre a clamar "abertura", "coração aberto", "um concelho para todos" são os piores de todos; são capazes de matar o pai e a mãe para irem ao baile do orfanato...).

Meu caro Miguel, o teu percurso no Museu da Ruralidade está feito e bem feito. Para onde fores, bem farás.

Fica a tilintar uma dúvida:
* Quem vai garantir a continuidade do projeto? Em que condições? Com que dignidade?

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

DIMYANA E A PRAIA DE DONA ANA

A referência está no Mujam al-Buldan, de Yāqūt al-Rūmi. Dimyana é um dos topónimos que não tem identificação, embora se diga que faz parte de Akshunia (Ocsónoba/Faro). Ou seja, provavelmente o topónimo medieval de Dimyana corresponde à zona da praia de Dona Ana, a curta distância de Lagos. O autor do Mujam al-Buldan, normalmente citado como Yāqūt al-Hamawī (1179–1229) viveu na região da Mesopotâmia. Isso não retira pertinência ou rigor ao seu tratado. Está uma síntese disponível nos vols. 39 e 41-42 da revista "Studia" (1974 e 1979).

Aliás, as lendas como as que envolvem o nome dos sítios são, quase sempre, mais cómicas que outra coisa. Veja-se a rebuscada explicação dada na wikipedia para o nome de Dona Ana: "O nome da praia foi dado em homenagem à freira Ana, que vivia no convento das freiras de Lagos. Durante a 1ª Guerra Mundial, os soldados invadiram o convento e assassinaram todas as freiras, à exceção de D.Ana, que tinha acesso a um túnel entre o convento e a praia. D.Ana fugiu pelo túnel e foi a única que sobreviveu".

domingo, 4 de novembro de 2018

CONTRALUZ

Onde há sombra, há sempre luz. Como nestes bonitos registos do meu amigo Mário Romero Machado. Um caleiro como eu.

Como escreveu outro Mário, Cesariny de Vasconcelos, "faz-se luz pelo processo / de eliminação de sombras". Isso é coisa para daqui a umas horas, que um negro escuro e pesado tomou conta do céu de Lisboa. Em Moura está mais claro, mesmo quando está mais escuro. Em Mértola também é assim.


MIRPURI FOUNDATION

Ao sair do S. Carlos, ontem à noite, dei comigo a pensar "oxalá consigam". Que a noite foi magnífica, isso é certo. A tarefa a que a Mirpuri Foundation se propõe é importante e a motivação que hoje existe em torno das causas ambientais é muito diferente das de outrora. Quando, em 1974, foi nomeado o primeiro Ministro do Ambiente (o eng. Manuel Rocha, que dirigira o LNEC)  não faltaram os comentários chocarreiros "esse vai fazer o quê, andar de termómetro na mão?...". As preocupações dos nossos dias estão noutro domínio. Daí a importância de iniciativas em torno da defesa do planeta. É esse um dos caminhos da Mirpuri Foudation. Oxalá haja sucesso.

Ver - http://mirpurifoundation.org

sábado, 3 de novembro de 2018

MARIA JOSÉ MOURA (1937-2018)

Texto da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas no facebook:

Faleceu hoje Maria José Moura. Com ela, desapareceu um dos últimos fundadores da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD).
Há poucos dias realizámos o 13.º Congresso BAD, no Fundão. Durante as sessões, nos corredores e nos momentos mais informais o seu nome era pronunciado e a sua falta notada. Foi o primeiro Congresso a que a associada n.º 12 faltou. Foi o Congresso em que, ausente, foi aplaudida de pé por todos os congressistas.
Esta ausência tão presente de Maria José Moura é o corolário de uma vida inteiramente dedicada à causa das bibliotecas, ao reconhecimento e valorização dos seus profissionais, e à defesa do associativismo.
É com pesar e tristeza que escrevemos estas palavras, mas também com a certeza de que o legado deixado deve ser - vai ser - continuado.


Não me lembro de Maria José Moura assim, como está na fotografia, claro está. A imagem é de 1972. Conheci-a em 1986, quando a Câmara de Moura candidatou para financiamento o projeto de ampliação da biblioteca municipal. O contrato seria assinado em finais de 1987.

Recordarei, sobretudo, o convicto combate que manteve em prol da Leitura Pública. E o seu trabalho naquela que foi a mais importante revolução cultural feita do nosso País no século XX. Protagonistas? Teresa Patrício Gouveia, José Afonso Furtado, Teresa Calçada, Ana Paula Gordo, Joaquim Portilheiro e Maria José Moura. O País deve imenso, sem o saber, a Maria José Moura. É isso que é importante reter.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

ANTES DE MAPPLETHORPE

Ao ver, hoje à tarde, a exposição de Mapplethorpe em Serralves estranhei a ausência a qualquer referência à obra de George Dureau (1930-2014). Sem nunca ter atingido a notoriedade, ou a sofisticação, de Robert Mapplethorpe a verdade é que este não teria chegado onde chegou sem a obra de Dureau. Sobre este paira a sombra de Diane Arbus. Jogos de proximidades e de similitudes.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

OS ANOS 70 NUNCA DEVIAM TER EXISTIDO - RAZÃO Nº 4: OS PENTEADOS

Bem sei que todas as épocas têm as suas coisas próprias. E que, muitas delas, depois parecem ridículas. Acontece sempre, em maior ou menor escala. Mas os anos 70 foram um exagero de mau gosto. Não há nada que se aproveite. Aqui está outro exemplo.


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O VINHO QUE APAGA O FUMO


O episódio passou-se há muitos anos, talvez em 1971 ou 1972. Foi à hora de saída da escola primária. A escola ficava na praça, na casa que hoje pertence ao meu amigo Francisco Manta. O meu companheiro de caminho para casa era o António Pato Oca. Subíamos a Rua 1º de dezembro, depois a do Poço, em direção à Porta Nova. Naquele princípio de tarde, uma animação suplementar nos estava reservada. Mal tínhamos cruzado a porta da escola, vimos um homem parar a sua V5 junto à parede do café do senhor Daniel Costa Rodrigues. Desceu-se da mota e, por artes mágicas, o assento pegou fogo. Não era assim um grande fogo, nem era bem fogo, na prática era só fumo e nada de chama mas, se alastrasse ao resto e atingisse o depósito, adeus motorizada.

Parámos os dois a ver no que davam as modas. Encostados à parede e fascinados com o acontecimento. Em Moura, poucas coisas aconteciam e era preciso aproveitar cada instante. O fumo alastrava, ante a aflição do homem. Não havia telefones automáticos e os telemóveis eram coisas de ficção científica. A parede da casa, à esquina da Rua Santana e Costa, era diferente do que é hoje. Onde agora está a janela manuelina do atual restaurante havia só a parede, e uma pequena janela do café. De súbito, um bombinho [a palavra não existe nos dicionários, mas a crónica é só para a gente…] salta da minúscula abertura para a rua. Atrás do bombinho, aparece a cabeça do sr. Fernando José Chaparro. Pendurado, tanto quanto podia, da janela, gritou para dentro “liga!”. Começa a jorrar líquido. Em poucos segundos, o fumo amainou e, se assim se pode dizer, estava extinto, para alívio do dono da motorizada e para gáudio de todos nós. Aplausos e vivas. Estranhámos a cor amarelada do líquido extintor. Tal como notámos, logo de seguida, um cheiro acre e intenso na rua. Nessa altura, já o interior da taberna era uma trovoada de gargalhadas. O sr. Fernando Chaparro, sendo o bombinho muito curto e não chegando à torneira da água, ligara-o a uma pipa de vinho branco. A eficácia extintora da pomada ficou comprovada. Ante as piadas e os dichotes, encolheu os ombros “um homem tem que se desenrascar, não é verdade?”. É, decerto. Outras contas à vida ficou a deitar o senhor Daniel, a quem a atitude determinada do improvisado bombeiro deve ter custado uma mão-cheia de copos de três.

O sr. Fernando Chaparro deixou-nos há muito, demasiado cedo. Este episódio, como tantos outros de tempos de infância e de juventude, colou-se à minha memória. Pensava ter já relatado o sucedido ao meu amigo e colega José Chaparro. Afinal não. Aqui fica, pois, meu caro José, esta breve evocação do teu pai e do dia em que o vinho apagou o fumo.

Foi aqui, como diria o outro.
Hoje, em "A Planície"

terça-feira, 30 de outubro de 2018

LISBOA ISLÂMICA ANTES DA LISBOA ISLÂMICA

Uma mensagem criptada? Nem por isso. É que estas visitas à Lisboa Islâmica nos dias 12 (terça-feira) e 23 (sábado) de março surgem, na realidade, antes de tomar forma a exposição Lisboa Islâmica. Na qual trabalho e que já tem formato. E em breve tomará forma. E que não será nada formal, nem pelo sítio nem pelos conteúdos. Mas fazer as coisas sempre da mesma maneira é um aborrecimento. Viva Lisboa Islâmica, do passado e do presente.

O programa destes itinerários é extenso e o melhor mesmo é consultar a página no facebook:


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

BOLSONARO PRESIDENTE

Não houve surpresas. Nem novidade. Bolsonaro é um Costa e Silva mais burgesso e com microfones e internet. Também não vale a pena carregar as tintas no repugnante Edir Macedo e na sua IURD. Este surgiu onde a Igreja falhou. Aliás, tudo falhou.

Os textos do Expresso do passado sábado traduziam com clareza o estado de saturação e de desespero das pessoas. A par das ponderadas e lúcidas análises de alguns intelectuais brasileiros. A vitória de um presidente de extrema-direita estava mais que garantida. Fica(-me) só uma questão: quem vai, de facto, governar? O quê? E como?


Vale a pena guardar dois textos cripto(mas-não-muito-cripto)fascistas:

O de Jaime Nogueira Pinto:
https://observador.pt/opiniao/a-alternativa/

O de Gabriel Mithá Ribeiro:
https://observador.pt/opiniao/bolsonaro-e-as-antas/

domingo, 28 de outubro de 2018

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XIX

O ritmo do 27 é soluçante, Rua de S. Bento acima. O passo de procissão é agravado pelas novas construções. Vou olhando em volta. Faltam 500 metros para chegar ao Rato. Mesmo ao lado da casa de Amália está uma fachada do final do século XIX ou do início do século XX. Labor omnia vincit, o orgulho do comerciante estampado na fachada. Isso foi em tempos. O prédio está, ou parece estar devoluto. Que história terá tido? Quando é que o trabalho terá deixado de ser vencedor? Labor omnia vincit? Sem dúvida, mas sempre de forma parcelar e temporária. Não há eternidades... E é preciso recomeçar uma vez e outra.

sábado, 27 de outubro de 2018

ALIÁS, É ASSIM DESDE 2009...

A Câmara Municipal de Moura presta apoio arqueológico a particulares? Sim, mas isso não começou agora. É assim desde 2009.

Convém explicar porquê. Até porque fui eu o responsável político por essa decisão. É que a realização de obras em áreas classificadas necessita ter acompanhamento arqueológico. O qual pode ser garantido por empresas que atuam nesse setor. Nenhuma delas tem equipas perto de Moura. Ou seja, a realização do acompanhamento arqueológico arriscava-se a agravar sobremaneira o custo da obra. Em certos casos, esse acompanhamento ficaria mesmo mais caro que a obra. Ora, isso não fazia sentido. Desde logo, porque se queremos fixar populações nos seus bairros de origem, há que criar condições para tal. E não fazer ao contrário, agravando o custo das intervenções.

Se bem o decidimos (a ideia teve apoio imediato do José Maria Pós-de-Mina e da restante vereação), melhor o fizemos. O processo foi posto em prática. Como detidamente explico no livro que escrevi.

Punch-line: um técnico da Câmara Municipal insinuou-me, em privado (por isso não posso revelar o nome), que esta iniciativa era ilegal, por traduzir uma forma de apoio a particulares não prevista na lei. Ou seja, estaríamos a financiar privados, de forma indireta. Tive vontade de desatar às gargalhadas, mas contive-me. Em tom cerimonioso, aconselhei-o a denunciar a autarquia junto das entidades competentes. Não sei se o fez.

Este "programa de apoio" continuou. Foi "redescoberto", ao fim de nove anos. Parece-me bem.


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

ÉVORA, ONTEM

Um final de tarde memorável,o de ontem.

Porque o Jorge Calado fez de simples fotografias uma exposição e, depois, deu uma verdadeira aula. E em poucos minutos disse muito.
Porque estava a Paula Amendoeira, e sem ela "isto" não se teria feito.
Porque pude agradecer aos amigos da DRCALEN: Ana Borges, Fátima Dias Pereira, Luís Marino e Sandra São Pedro. Sem eles, não teria havido montagem e divulgação.
Porque estavam velhos amigos de Moura, como o Alcario, o Zé Neves e o Dimas. Mais o Rafael, bem entendido.
Porque apareceram colegas e amigos de Faculdade e de profissão, como a Maria de Jesus Monge, o António Carlos Silva e o Manuel Branco. Mais o Artur Goulart e a Isabel. E o Adel Sidarus.
E Ana Costa Freitas, reitora da Universidade de Évora. E os professores António Lamas e Jorge Gaspar. E ainda dois veteranos da política regional, António Carmelo Aires e o meu querido camarada Abílio Fernandes.
E um fotógrafo a sério como o José Manuel Rodrigues, e a Fabiola.
Fiquei comovidíssimo com a vinda da rapaziada do Gabinete de Comunicação da Câmara de Moura 2013/17 [Vânia, Sara (+ Nuno), Fábio (+ Cátia)], o que teve um gosto especial. O Fábio pediu-me a selfie habitual. Desta vez sem Usain, que fica para a próxima.
A Isabel também esteve, mas em modo invisível.

Punch-line: a Sofia Aleixo trouxe uma turma do 1º ano de arquitetura da Universidade. Pretexto para uma explicação e para conversa com os alunos. É algo me agrada sempre bastante.






quinta-feira, 25 de outubro de 2018

AMADEO

Vale a pena ler a entrevista de Helena de Freitas, há dois anos. O essencial está em duas linhas: "um dos momentos mais extraordinários deste processo foi o meu primeiro encontro com Laurent Salomé, diretor do Grand Palais, que me recebeu com uma interrogação. Ao folhear lentamente as páginas do catálogo, perguntou-me: mas afinal quem é este artista e como é possível eu não o conhecer?". Justamente, é essa a questão. Como é possível que um génio como Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) permaneça na penumbra? Desde logo, por que os poderes públicos nunca cuidaram devidamente da sua promoção. Há quem seja exímio em descobrir, com regularidade, artistas de segunda linha, que são depois promovidos como génios desconhecidos. Amadeo não teve essa ventura. Só agora, muito tarde, começa esse processo.

Faz hoje um século que Amadeo de Sousa-Cardoso morreu, aos 30 anos. Será que dá abertura de telejornal?

Ler - https://gulbenkian.pt/noticias/segredo-bem-guardado-da-arte-moderna/

A casita clara - paisagem (1915)

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

CONTAR ÁFRICAS!

Falta um mês e, com profissionalismo, o Padrão dos Descobrimentos já dá conta do que pode ser visto a partir do final de novembro. É a minha próxima etapa lisboeta. E mertolense. Escolhi uma peça euro-africana (soi-disant...) para integrar a exposição. Tenho imensa curiosidade em relação ao resultado final. Tendo em conta que é o António Camões Gouveia a tomar conta do barco, literalmente, tenho a certeza que será um sucesso.


Ver - http://www.padraodosdescobrimentos.pt/pt/evento/exposicao-contar-africa/

terça-feira, 23 de outubro de 2018

AVARIA CHIQUE

O meu telemóvel tem avariado com irritante regularidade. Que era da placa de rede, depois não era. Que era do cartão e do software do cartão, depois afinal também não. De vez em quando lá lhe dá um peripaque e começa a mudar de cores. Quando tentei explicar o aspeto do écran à menina do atendimento ficou com uma cara ainda mais tonta do que tem. Lá me disse "ai, nunca vi nada nisso", para depois tentar a cena do costume [o atestado de estupidez ao cliente] "mas tem mesmo a certeza?". Claro que tenho. No final da semana vou lá outra vez e já lhe posso dizer "olhe, é talqual as telas da Bridget Riley, e aquelas cenas da Op Art e assim...". Não resolvo nada, mas sempre me divirto. É que Late morning é o meu Huawei em dia não.

Bridget Riley - Late morning (1967/8)

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O TAL CANAL

E assim se passaram 35 anos. A estreia ocorreu no dia 22 de outubro de 1983. Recordo, com nitidez, que estava, melancolicamente e sem especial entusiasmo, a meio da licenciatura. Estava a começar o 3º ano e uma cadeira (Arqueologia Medieval) viria a determinar parte da minha vida.

O arranque de "O tal canal" foi acolhido com entusiasmo entre a rapaziada. O país de então era muito mais cinzento e muito menos vibrante que o de hoje. Quem disser o contrário, que se ponha na bicha para o lar... O programa de Herman José, então com apenas 29 anos, foi um dos momentos que ajudou a mudar Portugal. E havia coisas que o politicamente correto de hoje chacinaria. Como a imagem de Herman, vestido de oficial nazi, proclamando "Em Treblinka, judeu não brinca". Imaginam a bernarda que seria?

O genérico é pouco sofisticado, aos olhos de hoje? Talvez, e depois?

Celebremos o humor. Eu há fiz a minha parte, dando umas boas gargalhadas entre as 12.00 e as 12.30.



Ler - https://observador.pt/especiais/35-anos-depois-como-herman-jose-recorda-o-tal-canal/

domingo, 21 de outubro de 2018

O OLHO DE HORUS, NO CASTELO DE MOURA

O olho de Horus é um símbolo de proteção e poder do Antigo Egito. Recuperei-o no Castelo de Moura, na parede do convento.




Este amuleto, em exibição no Louvre, data do período aqueménida, e provém da escavação de Tell Apadana, em Susa.

sábado, 20 de outubro de 2018

ELEMENTOS - FOGO 5

É, seguramente, uma escolha demasiado óbvia. Mas é difícil resistir à Danza ritual del fuego, de Manuel de Falla. Para mais, interpretada por Antonio Gades e Cristina Hoyos. A composição tem um século, mas ninguém tal diria. Dance-se então o fogo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

ARQUITETURA, FOTOGRAFIA E ILUSIONISMO

Quase terminada a "saga" das Caligrafias toma já forma outro projeto, de índole completamente diferente, ainda que tenha por base a fotografia. Não serão minhas, claro. Trata-se de um levantamento de projetos de arquitetura, concretizados por uma instituição, ao longo do século XX. Durante o delinear das principais linhas de abordagem, dei-me conta que alguns edifícios tinham mudado de mãos. Uns mudaram mais tarde de funções, outros estão devolutos e em mau estado. "É tudo uma questão de ângulo", referi a um responsável dessa instituição. Se não se pode fotografar de frente, tem de se escolher um ângulo que esconda as rugas e torne os edifícios um pouco mais sexy... É isso que se vai fazer. Vai ser a perspetiva Calvin do projeto.