sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O IMPÉRIO BIZANTINO NÃO É UMA POTÊNCIA REGIONAL

Escrevi num textinho, no passado mês de junho:

Putin não é comunista, nem socialista, clarifique-se. Nem é, à luz da nossa lógica, particularmente recomendável. É o herdeiro de Bizâncio e representa uma mentalidade imperial. A Rússia é isso. Não é preciso estudar ciência política ou qualquer outro ramo do ocultismo. Eisenstein e um par de livros dão uma ajuda.

Leitura simplista? Seguramente. Mas, segundo creio, não menos verdadeira. Tal como me dizia, há muitos anos, um então conhecido professor universitário de direita, hoje caído no esquecimento: "sabe, ainda bem que há União Soviética, caso contrário os americanos varreriam tudo... bom, mesmo, é que a União Soviética fique lá longe, que faça esse papel, mas não se aproxime de nós". Ainda hoje, quando vejo as entradas de Putin no Kremlin, entre o vermelho e o ouro de Bizâncio, me lembro dele.

REGRESSO AO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA

Não entrava nas reservas do Museu Nacional de Arqueologia há alguns tempo. Cinco anos, seis anos, não consigo precisar. O regresso teve lugar há dias, para verificar detalhes de um bocal de poço de Loulé. Uma peça interessante, ainda que muito fragmentada, e cuja datação andará em torno da segunda metade do século XIV. Temos (um colega e eu) um livro mesmo, mesmo a ser ultimado e quis fazer uma última verificação em torno desta peça, que conheço há muito, mas para a qual nunca olhara assim com tanta atenção. A pasta parece algarvia, e tem estampilhas que já vi noutros sítios e que Zeinab Shawky Sayed assinala em bocais mudéjares espanhóis. O sul ainda era só um, no século XIV.

Acabei por deambular por ali um pouco. Há muito tempo que não estava com a Luísa, com o Luís, com o Salvador, com a Ana Isabel, com o António... Em 1997/98, quase fiz do Museu a minha segunda casa. Foram momentos breves e compensadores, os da passada quarta-feira. Ao subir a escada interior - à qual o público não tem acesso - deparei com uma fotografia de Mértola, que ocupava o centro da exposição Portugal Islâmico. Não foi para a lixo, como imaginara. Não resisti à ideia do recuerdo.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

PEDRO SANTANA LOPES TEM UM VOLKSWAGEN GOLF...

Ovelhas não são para mato, diz-se na minha terra. O dr. Pedro Santana Lopes não deveria tentar escrever sobre cinema. Ao ver o hilariante texto que publicou atribuindo um filme a quem o não realizou, lembrei-me de um (bom) anúncio do VW Golf, do ano de 1984. Parafraseando:

Este é o homem que acha que Chopin compôs concertos para violino;

Este é o homem que pensa que Machado de Assis viveu até aos 164 anos;

Este é o homem que gosta de um filme que Scorsese não realizou.

Ele deve ter um Volkswagen...




ILUMINAÇÕES DE NATAL

7.000.000 de euros é o volume de despesa das autarquias de Portugal em iluminações de natal. Nunca considerei essa matéria como relevante ou prioritária. Posição que mantenho, respeitando, bem entendido, quem tenha entendimento diferente.

Defendi/defendo princípio de contenção. E uma outra lógica de trabalho. Ou seja soluções de fundo vs. festejos momentâneos / apostar no essencial vs. as coisas que passam. Em épocas em que se fala de solidariedade, de fraternidade, de dádiva, tenho dificuldade em "encaixar" este tipo de despesas, às quais muitas autarquias se associam, à custa de todos, e às quais acrescentam N "animações" e festas e festarolas com "artistas de primeiro plano".

Alternativas? Árvores da partilha, concertos pelos grupos corais de cada terra ou pelos alunos das escolas, presépios feitos por artistas locais ou pelos trabalhadores camarários (tenho excelentes recordações dos de Moura), cantes ao Menino,  iniciativas que impliquem dádiva e solidariedade. É pouco espaventoso? É. Mas é mais adequado e mais equilibrado, na minha opinião.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

RACISMO NATALÍCIO

Feliz Natal e um próspero ano de 2020, diz o VOX. Um cristianismo monocromático. Com um Baltasar à Michael Jackson.

OBJETIVAMENTE FALANDO...

O nosso futebol vai estar representado (a quatro, em princípio) na Taça das Cidades com Feira. Objetivamente falando, o nosso campeonato é de segundo plano. O resto é conversa. Para quem tem menos de 50 anos, este texto é absurdo. Tal como o será a frase "para o ano, jogas na taça das barracas", dirigido a quem não ganhava o campeonato.

Com um pouco de sorte, alguém chegará aos quartos. Mais que isso, é motivo para peregrinação a Fátima.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

PORTUGAL - TAX FREE

Vamos todos para Portugal! diz o anúncio. Todos não serão, mas o número de franceses em idade de reforma em Lisboa tem vindo a aumentar de forma notória. Como e porquê? A razão é simples: a um reformado francês que esteja em Bordéus, basta que esteja menos de 6 meses em França e só paga 10% de impostos. Em Portugal não paga impostos, bem entendido. Um esquema legal e que tem dado origem a desequilíbrios e protestos (os tais gilets jaunes não são de geração espontânea...).

Veja-se este texto publicado no Le Figaro: https://immobilier.lefigaro.fr/article/reforme-des-retraites-les-francais-incites-a-s-installer-au-portugal_0d1aa65e-173a-11ea-b4f3-0880a125cabd/?fbclid=IwAR1U3fu13SpAmcAR08HrNce4m1nE3ahfwPeCqpTP83z1RUh-xYpOKG9hznw.

A referência aos camaradas (e o piscar de olho) não será inocente, tendo em conta a batalha que a CGT lidera contra a reforma das reformas.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

BRAVE NEW CAMBRIDGE

Um grupo de estudantes de Cambridge exigiu que fosse retirada da parede de uma das cantinas uma natureza-morta. Que aquilo é chocante e eles são vegetarianos ou vegan ou qualquer coisa do estilo. A pintura foi retirada e vai ser vista futuramente numa exposição. Imagino que regresse depois ao seu museu de origem. A uma sala só para adultos, suponho.

Isto, tudo isto, se parece cada vez mais com o ambiente de um filme de ação, Demolition man, de Marco Brambilla. Na altura, achei-o um banal filme de pancadaria. Provavelmente merece uma releitura... O mundo utópico que retrata, sem palavrões, sem contacto sexual, tudo de entediante uma paz e harmonia, está nas entrelinhas do que nos querem impor estes grupos de fanáticos. Estes, mais o da "cultural appropriation" e outros que tais.

Ver mais no El Pais e no Washington Post.

The fowl market, de Frans Snyders.

DE JOÃO DE BARROS A OLIVEIRA DA FIGUEIRA

Creio ter sido João de Barros a escrever "tudo é mercadoria". Nos livros do Tintim, encontramos o fala-barato Oliveira da Figueira, que tudo vende, em toda a parte. Deve ser uma imagem da Pátria. E oliveiras da figueira há cada vez mais.

domingo, 8 de dezembro de 2019

ROGÉRIO LANTRES DE CARVALHO (1922-2019)

Era um daqueles sábados à tarde, com nada para fazer e numa Lisboa muito diferente e sem a diversidade de coisas que há hoje. Não sei precisar o ano, mas foi seguramente em 1981 ou 1982. Fui ao Estádio da Luz, só para passar o tempo. Havia um jogo de veteranos e entrava em campo o Sport Lisboa e Saudade, nome bem kitsch, diga-se de passagem.

Às tantas houve um bruááá nas bancadas. Eusébio ía entrar em campo. Já reformado, não se livrou de levar duas sarrafadas, amuou, saiu do campo, voltou a entrar, marcou um golo, outro bruááá. Estava a começar a achar uma certa graça aquele folclore, quando entra no terreno um senhor já idoso, baixo e magrinho, com o cabelo todo branco. Corria pouco mas, de cada vez que tocava na bola, saía um drible elegante e um passe certeiro. Uma vez, duas vezes, n vezes, nos poucos minutos que esteve em campo não falhou uma. Às tantas, pergunto ao meu pai "quem é este velhinho extraordinário?". Resposta rápida: "Rogério Lantres de Carvalho, já ouviste falar?". Já tinha ouvido falar nele, claro. Tinha deixado de jogar muito antes de eu ter nascido.

Os momentos de magia foram curtos. Aquela tarde ficou-me gravada na memória. O tempo sublinhou uma certeza. Quem sabe, nunca desaprende. Pode saber de outra forma, ou ter de se adaptar. Mas não deixa de saber. Quem não sabe ou não quer aprender, vê pouco e vê curto. Facto que constato todos os dias. 

AVENIDA DA SALÚQUIA, 34 - 11 ANOS

Este blogue faz hoje 11 anos de atividade ininterrupta. São cerca de 5.700 textos. O ponto de partida foi Moura. Este quase diário da atividade autárquica, até 2017, foi-me utilíssimo quando se tratou de compilar dados e rever temas.

Número de visualizações? Quase 1.750.000. Média de leituras por dia? Acima de 400. Nada mau para este tipo de registo, marcadamente pessoal.

Até quando levarei o blogue? Não faço ideia... Até agora, ainda não me cansei.

TOP 3

1. REAL MADRID OU A MÁQUINA TRITURADORA (23.05.2010) 10015

2. BOLSA DE ESTUDOS DR. ALBERTO FERNANDES (29.03.2018) 8619

3. TODA A POESIA DE UMA CARTA ANÓNIMA (6.05.2017) 7367


sábado, 7 de dezembro de 2019

UNITED WORLD COLLEGES - UMA OPORTUNIDADE A NÃO PERDER

Não tenho o hábito de "promover" iniciativas a que não esteja diretamente ligado. No entanto, a exceção vale a pena. Até porque conheço isto de perto.

Com estas candidaturas, abre-se a jovens do ensino secundário a possibilidade de estudarem dois anos no estrangeiro. Com muita frequência, as bolsas são integrais. Ou seja, a família do aluno paga apenas as viagens.

Não se espera que os candidatos sejam génios ou marrões. Têm de ter bom desempenho escolar, ao qual devem acrescentar disponibilidade para trabalho voluntário, empenhamento comunitário, interesse em causas sociais etc.

Como escreveu uma velha amiga "em 2013 fui atrás da curiosidade. Agora posso dizer que valeu (muito) a pena. Uma experiência extraordinária de descoberta do mundo e uma formação de excelência para os jovens envolvidos. Não deixem de se informar, a oportunidade justifica-o".

Sessão de esclarecimento - Instituto Britânico, em Lisboa (dia 14, às 17:15)

Site - https://www.pt.uwc.org

DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE A CONTENDA

Teve lugar, ontem, a abertura da Feira da Vinha e do Vinho. Não fui à Amareleja, mas uma amiga relatou no facebook um momento da intervenção de Ceia da Silva, responsável do turismo da região sobre a Contenda. Terá afirmado algo como "parabéns pela aposta na Contenda, que esteve décadas ao abandono e foi recuperada nestes dois últimos anos". Conheço-o há uns bons anos, aprecio muito o trabalho que tem feito pelo turismo alentejano e não o tenho como pessoa ligeira, desonesta ou de má fé. Ao ler esta espantosa afirmação concluí "foi deliberadamente mal informado e convenceram-no que tinha havido mesmo um abandono e que houve um milagre das rosas nos dois últimos anos". Há quem, não produzindo trabalho, inventa factos. Recordo rapidamente duas ou três coisas recentes:

1. Se houve abandono, não foi por parte da Câmara Municipal de Moura, mas sim das entidades que geriram a Contenda décadas a fio;

2. A Câmara de Moura está à frente dos destinos da Contenda há cerca de 10 nos e foi com os executivos autárquicos da CDU que um lento trabalho de recuperação da Contenda começou. Recordo a fantástica afirmação de Pita Ameixa em janeiro de 2009: "A questão da Contenda não é uma questão dramática, antes pelo contrário, abre-se aqui uma janela de oportunidades para o concelho de Moura (...)". Em causa estava o futuro de 11 trabalhadores, que ficavam "pendurados". E que a Câmara de Moura decidiu, e bem, integrar. Ou seja, primeiríssima questão, não abandonámos os trabalhadores. Que foram e são uma mais-valia para a Contenda. Sem eles, e sem a colaboração de outros trabalhadores da Câmara, muitas coisas teriam ficado pelo caminho.

3. Era necessário tirar da Contenda uma problemática vacada. Havia um efetivo com animais doentes, que não pertencia à Câmara de Moura e que era permanente fonte de problemas. O enredo sobre "a quem pertence a vacada?" já me deu para várias folhas de narrativa. A vacada saiu em 2016. Foi um problema cuja resolução não abandonámos.

4. Era necessário criar condições de trabalho para que a empresa municipal laborasse em pleno. Adaptou-se uma antiga escola primária, em Santo Aleixo da Restauração, e aí se instalou a sede da empresa, em 2014. Também aqui não houve abandono de coisa alguma.

5. Era necessário requalificar a zona de caça da Contenda. Fomos buscar gente qualificada e foram dadas indicações claras sobre o que se pretendia: qualidade, prestígio, diálogo com entidades nacionais e internacionais. Em setembro de 2017 fui, em nome da Contenda, receber um prémio do Clube Português de Monteiros, atribuído à melhor mancha mista do ano. Se tivesse havido abandono, esse reconhecimento não teria existido.

Não sei, portanto, que coisas disseram ao meu amigo Ceia da Silva. Apostámos, entre 2009 e 2017, na Contenda. Resolvemos e inovámos. É preciso e é possível fazer mais e melhor? É possível fazer diferente? Ótimo, faça-se. Em vez de dizer e de anunciar, dia sim dia não, faça-se.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

ÁRVORE DA PARTILHA

Não era, de início, tema que especialmente me motivasse. Um óbvio erro meu, que rapidamente corrigi. O projeto ganhou o meu respeito, admiração e empenho. Aguardava, com curiosidade e expectativa, as criações que iriam surgir, e que tinham na Paula Ventinhas e na Magda Candeias as suas principais "ideólogas". E que tinham, na Maria José Silva, uma acérrima defensora (ai de quem se atrevesse a tocar na árvore da partilha...).

Sem mais comentários, aqui deixo várias árvores da partilha. Entre 2011 e 2019.

2019

2016

2015

2014

2013

2012

2011

JORGE DE SENA

O centenário que passou à margem de Portugal.

Beirut, por Koudelka


OS PARAÍSOS ARTIFICIAIS


Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

MOURA NO SÉCULO XVI, ANTES DA TELEVISÃO A CORES

Na verdade, trata-se de uma aguarela de 1642, de Brás Pereira. Está na Biblioteca Nacional, em Lisboa. Retoma o célebre  "Livro das Fortalezas», de Duarte Darmas, de inícios do século XVI. Só nos chegou esta perspetiva, não se sabendo se a outra chegou a ser feita. Do ponto de vista da identificação do urbanismo ou dos edifícios de Moura, Brás Pereira não acrescenta nada ao desenho anterior. Mas é verdade que esta representação é um pouco mais flashy, com os telhados em verde...

Reparem num detalhe no escudo: a Lenda da Moura Salúquia já era conhecida no século XVII.

ENTRETANTO, NUM PAÍS PERTO DE SI...

História verídica.

Chega um chefe de divisão, de uma câmara do sul, ao seu local de trabalho e diz-lhe a secretária "senhor doutor, ligue para as oficinas quando puder; estão a montar o presépio e querem saber de que lado fica o São José". Ele teve de vir à net e eu faria o mesmo, devo dizer.

No centro ou no norte do Portugal, nunca tal dúvida surgiria. Mas o sul é, de facto, cultural e historicamente, outro País. O sul é mais descontraído e irresponsável. Por aqui passa um certo ambiente de "It's Christmas in Heaven". Com uma imitação de alguém que tanto pode ser Tony Bennett como Barry Manilow.




quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

EU, ASSIM TIPO A RIR-ME MUNTO

O texto é incisivo e não usa os verbos em voga no facebook e, também e desgraçadamente, em alguns títulos de jornais: chocar, arrasar etc. Mas, neste caso, até poderia deles fazer uso. O texto era sobre o ensino. Cito duas passagens, a propósito do PISA: "à segunda participação, tem [a China] os melhores resultados nos três domínios avaliados. O investimento do Estado é chave, mas há também uma cultura de disciplina, que ajuda a explicar". Mais adiante, sublinha-se que "as escolas chinesa apresentam uma 'cultura de trabalho e rigor' e uma disciplina 'muito rígida', conta Teresa Cid [diretora do Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa]. É habitual ver alunos que; às 8 horas, antes mesmo do início das aulas, já estão na biblioteca a estudar". Vinha no "Público" de hoje (p. 5).

Disciplina, trabalho, rigor, bibliotecas. Tudo isto me soa a música celestial. Preparo-me agora para a já antiga e costumeira saraivada de pontapés dos meus amigos, para quem passo, desde os tempos da faculdade, por troglodita incurável.


Anúncio da LUSÓFONA, de 2011. Olhando o futuro.

CRUZANDO O ESTREITO

O livro é interessantíssimo e merece leitura atenta. O André Teixeira, que dirige escavações em Marrocos, teve a simpatia de me convidar a fazer a apresentação. Irei começar pelo facto da inveja não ser necessariamente um sentimento negativo. O outro livro será apresentado por João Paulo Oliveira e Costa, figura bem conhecida e prestigiada na Academia e fora dela.


Um sítio em particular - Alcácer Ceguer - sempre me ficou na memória, desde as já muito longínquas aulas de árabe de Pedro Cunha Serra. Era, para mim, insólito que um local tivesse 4 (quatro) nomes: al-Qasr as-Seghir (castelo pequeno), al-Qasr al-Majaz (castelo do caminho ou da passagem), al-Qasr al-Awwal (o primeiro castelo) ou al-Qasr Masmuda, em referência à tribo berbere da região.

Curiosamente, seria uma obra de Charles Redman sobre Alcácer Ceguer a servir-me de inspiração para outras formas de abordagem a um sítio arqueológico.


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXXIX

Tive, há semanas, de visitar um edifício, em Lisboa. Andava à procura de um local para uma exposição que tem dado mais voltas que as curvas do Marão. O sítio tem prós e contras, como tudo na vida. Mas adequa-se, com adaptações que vão dar trabalho. Mas que, por isso mesmo, tornam o desafio ainda mais interessante. Percorri todas as instalações, incluindo as casas de banho que os visitantes poderão utilizar. Ao chegar a este local, estaquei com um "oh diabo!" mental. Olhos por cima da latrina? Deve dar a sensação de se estar a ser espiado. Ou estarei a exagerar? Em todo o caso, não vai ser por aquele big brother is watching you pintado que isto pára.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

CLÁUDIO TORRES - ARQUEOLOGIA DE UMA VIDA

Vi, com grande interesse e emoção, os três episódios deste "Cláudio Torres - arqueologia de uma vida". As reconstituições históricas são rigorosas e o ambiente de resistência dos jovens estudantes ao fascismo dá medida da generosidade com que esses tempos eram vividos. Foi, aliás, o primeiro episódio aquele de que mais gostei. Os outros pareceram-me uns furos abaixo.

Em termos de argumento, gostei em particular de ver Manuela Barros Ferreira ser projetada para o primeiro plano. E de ganhar individualidade e destaque. Não vale a pena detalhar aquilo de que não gostei. Mas Mértola, curiosamente, aparece muito menos do que esperaria. Porque Mértola e o Cláudio são, hoje e para o futuro, indissociáveis. Sem a sua presença marcante, o projeto, a imagem da vila, o próprio avanço dos estudos islâmicos, não seriam hoje o que são. Ponto. Percebo que a visão de uma vida com toques de romance (1961-1974) seja mais interessante como argumento. Mas fico com pena que o percurso mertolense seja visto em sfumato. Até porque, hoje, o Cláudio Torres é quase consensual. Há uns anos não era bem assim e as tentativas de denegrir o seu trabalho não faltaram. Sei bem do que falo. Vivi o/no projeto de Mértola, diariamente, entre 1991 e 2006.

Que o seu percurso seja tema de três filmes diferentes é, ao mesmo, invulgar e merecido. Depois do filme de Pierre-Marie Goulet, tivemos agora esta mini-série. Já só falta o documentário de José Manuel Silva Lopes. A suivre...


domingo, 1 de dezembro de 2019

DO GANA, COM LUZ, CALOR E COR

Há quase um ano referi aqui os trabalhos do fotógrafo ganês Prince Gyasi Nyantakyi. "Descobri", há dias, outro artista de Acra que anda pela mesma onda de luz e de cor. Derrick Ofosu Boateng (não, não sei se é parente dos outros...) é um jovem fotógrafo que, com frequência, regista duas pessoas na mesma imagem. Algo semelhante a um "pas de deux" estático e cheio de cor.

A cor é manipulada? Sim, seguramente. A pergunta a fazer é outra. Quais são as imagens que hoje o não são?

Está no instagram e, em breve, haverá site:
https://derrickboateng340.wixsite.com/derrickofosuboatenga


VINHO

Numa recente entrevista ao “Diário de Notícias” dizia, textualmente, um desses super-críticos de vinhos “um problema é que Portugal também produz muito lixo. Os vinhos de 4 euros do supermercado, coisas dessas (...)”. A frase é de uma pedantaria sem limites. Lendo o resto da entrevista, com frases tão complexas como as descrições sobre aromas e tabacos que enchem os contra-rótulos de tantas garrafas, fiquei a pensar “ele saberá tudo sobre castas e evoluções, mas não sabe o que é o calor humano que há num simples copo de vinho”. Vinho tem a ver com amizade, com presença e com convívio. O mais espantoso copo que me ofereceram foi há muitos anos, numa aldeia nos confins de Mértola. Era um carrascão violento. A garrafa, de um agricultor já bastante idoso, foi aberta com gestos de preciosidade. O homem estava a dar-me o que era dele. E era tudo o que ele tinha para me dar. Para além da sua enorme generosidade. Beber vinho é isso, essa comovente proximidade, antes dos “aromas evoluídos” e das “sugestões de frutos silvestres”.

Lembro-me desse dia de há quase 30 anos, tal como me recordo dos passos dados com o Manuel Ramalho, num final de manhã, em dezembro de 2016. Era um sábado de feira do vinho e fomos Amareleja fora, numa peregrinação que foi incorporando jovens da aldeia. Os copos bebidos foram poucos, mas o ambiente de fraternidade foi muito grande. Um e outro completaram-se. Homero, na Odisseia, fala no “roxo ardente vinho”. O especialista dos vinhos caros não sabe o que isso é. Nunca foi ao Liberato, nem ao Tapas, nem ao Barriga Cheia, nem ao Vela. Johannes Vermeer parece ter estado no Vela e desenhado o chão, um dia, há muito tempo...

Na primavera deste ano, fui à adega de um senhor mais velho, de gestos suaves e de grande cordialidade. Uma pessoa "à antiga", se assim se pode dizer. Queria oferecer-me um par de garrafas da sua produção. Fiquei sensibilizado, mas, sobretudo, enormemente surpreendido. Afinal, o par de garrafas eram umas caixas... Vinho forte, denso, encorpado e saboroso, temperado pela amizade. Beber vinho sem amizade, ou a sós, é vício e tristeza. O meu vinho não é o das “harmonizações”, nem o do “fine dining”, em sítios com pessoas que não conheço nem voltarei a encontrar. Coisas como “tons de flores e especiarias frescas”, “notas de bergamota”, “fumado, salino, com as frutas pretas e do bosque por trás, há notas doces e tostadas da madeira, compotas” ou ainda “frutos do bosque, violetas, notas discretas de madeira de estágio” e “muito balsâmico, com notas de eucalipto e mentol” nada me dizem. São palavras abstratas e que não rimam com amizade, conversa, risos, cante e com aquele rumor de que são feitas as tabernas.


Dentro de dias é a feira da Amareleja. Lá estarei. Cada dia que passa me fazem mais sentido estas palavras, escritas há anos: “entre o céu e a terra se fez a Amareleja. Entre o céu e a terra se faz o vinho da Amareleja, que neste livro tantas vezes encontramos. E que tão presente está na imagem da aldeia. Partamos com o vinho em direção a um céu feérico. Não esqueçamos nunca o poder mágico da terra e do céu feérico sobre nós”.


Crónica em "A Planície"

sábado, 30 de novembro de 2019

ESCHER NA ÍNDIA

Relatividade é o título deste trabalho de M.C. Escher, datado de 1953. É difícil acreditar que o tenha feito sem ter visto ou pensado no poço com escadas de Chand Baori, no Rajastão. É um dos tais sítios que gostaria de poder ver, um dia... A obra levou quase um milénio a completar. São 3.500 degraus em 13 andares. Escher é menos exuberante, mas não menos impressivo.


sexta-feira, 29 de novembro de 2019

TODO O OURO DE ÁLVARO PIRES DE ÉVORA

Só as palavras BIZÂNCIO e OURIVESARIA me soavam, à medida que ia percorrendo as salas do Museu Nacional de Arte Antiga. A exposição é magnífica, com uma montagem que é, como sempre, irrepreensível. Imagens e espaços devidamente contextualizados, numa explicação clara de como o percurso se foi construindo. Não pude deixar de comentar, para uma amiga, jornalista do "Público", que dava a ideia que Álvaro Pires de Évora tinha perdido o combóio do Renascimento e tomara um pouco o caminho de um passado que terminava ali. A resposta foi curiosa "sabes lá se ele não tinha consciência disso mesmo e quis ficar assim e não tomar outro rumo; provavelmente dava-lhe prazer fazer as coisas daquela maneira". Provavelmente, sim.

No final, encontrei um manifestamente feliz, e bem mais descontraído, Joaquim Caetano. Fez uma observação rápida "já viste que a fasquia está alta". Claro que sim, constatei. Ou seja, a próxima exposição, que comissariaremos, mano-a-mano, tem agora mais essa responsabilidade. Na próxima segunda-feira, ao final da manhã, retomaremos o dossiê. Que já vai avançado. Mas que não se pode atrasar. Maio de 2020 é já ali.

QUINTA COLUNA Nº. 7: O SILÊNCIO DOS EX-PRESIDENTES

Fui há, semanas, muito criticado por uma pessoa amiga por ter publicado uma fotografia da praça principal de Moura deserta, durante o Festival do peixe do rio e do pão. Supostamente, eu estaria a criticar uma iniciativa da autarquia. Logo, tendo sido presidente da câmara não o deveria fazer. Ou seja, os antigos presidentes de câmara passam, assim, a estar sujeitos a uma mordaça. Não devem comentar, criticar ou colocar questões sobre matérias de governação local. Apenas e só, porque já desempenharam essas funções. É uma posição curiosa. Fui, em 2017 e antes de deixar o cargo, acusado de irregularidades graves (iriam chamar a Inspeção-Geral de Finanças, tal a gravidade da coisa…). E havia, dizia o agora presidente, “um polvo dentro da câmara”. Nenhum destas afirmações causou escândalo ou indignação. Ou seja, caluniar é legítimo, publicar uma fotografia, sem qualquer comentário meu, é condenável. Uma perspetiva que, naturalmente, não subscrevo.

Devem os ex-presidentes atuar como pretensos “tutores” ou como auto-nomeados “provedores”? Seguramente que não. Para que conste: dos 461 textos publicados no meu blogue pessoal entre 19 de novembro de 2018 e 19 de novembro de 2019, apenas 14 têm referências críticas a matérias referentes à Câmara Municipal de Moura. Ou seja, 3 (três) %. Se a transição para a vida profissional foi feita em poucas semanas, o afastamento dos dossiês que tinha a meu cargo durou um pouco mais. De forma deliberada, fui-me (re)envolvendo nas matérias profissionais. Sem nunca me afastar de Moura. Nem deixar de estar atento. Uma coisa, é estar sempre a “marcar em cima”, o que me parece despropositado e desadequado. Outra coisa, bem diferente, é impôr-me um silêncio que também não se justifica.

Os ex-presidentes não são senadores? Decerto que não. Cola-me mal a imagem e não tenho jeito para poses hieráticas. Muito menos estão (estamos) obrigados à mudez. Menos ainda quando são (eu sou) vergastados, com regularidade.

Devem os ex-presidentes guardar silêncio? Naquilo que é o quotidiano de um concelho, sim. Nunca me entusiasmaram os comentários críticos que se reportam ao passeio partido, à erva que não é cortada, à placa toponímica que está torta. São minudências que não refletem o que, de facto, importa, na gestão de uma autarquia. Nunca liguei, nunca ligarei a comentários desse teor. Venham de onde vierem, tenham como destinatário quem tiverem. Já outras questões não me merecem silêncio. Sinto-me no direito de questionar, como qualquer cidadão. Com mais distanciamento, decerto, mas sempre tendo em conta o que antes disse quem agora está no poder, de que aleivosias quis fazer lei, o que se propôs fazer e o que está, afinal, a fazer.

Se há coisas sobre as quais não devo guardar silêncio? Claro, mas não vou estar aqui a entrar em detalhes desnecessários. Sobre essas matérias preparo análise mais aprofundada, de crítica e auto-crítica, de leitura das coisas e de auto-avaliação. Não esquecerei, claro, aquilo que alguns dizem quando estão na oposição e a falta de vergonha com que fazem exatamente o oposto do que haviam jurado quando passam para o poder. É justamente esse oportunismo, feito de sorrisos maviosos, de discursos com mais açúcar que um xarope para a tosse, é precisamente essa incapacidade para fazer acontecer, para executar e para avançar que nunca nos devem remeter ao silêncio. É a falta de caráter e de princípios que é preciso denunciar e combater. Tenhamos nós sido ex-qualquer coisa ou não.

Paris Nogari (c. 1536–1601)
Allegoria del silenzio. 1582 (Vaticano)


Crónica publicada hoje no "Diário do Alentejo"
(o texto do DA tem uma "gralha de corretor", que já ía no original... é maviosos e não outra coisa)

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O QUOTIDIANO ISLÂMICO, NO MONTE ESTORIL

Há uma ideia feita quanto à existência de um urbanismo islâmico, de ruas intrincadas e tortuosas. Nesse sentido, o Monte Estoril terá decalcado o modelo. A palavra planeamento ainda tinha, certamente sido inventada quando o sítio foi delineado. Um absurdo de ruas e ruelas, becos sem saída e curvas e contra-curvas. Com sorte, dei com a Avenida Castelhana à primeira.

Mais de 50 pessoas enchiam a sala da British Historical Society. Nunca tinha dado uma conferência com entradas pagas... O que me preocupou sobremaneira. Pensei "se isto corre mal, é uma barraca". Não correu nada mal. No final houve sitting ovation (por estarem sentados, não no sentido da expressão em calão 😊...) e perguntas - muitas, mesmo... Depois da sessão, várias pessoas me perguntaram, em privado, qual o partido pelo qual tinha sido eleito mayor. A cara de surpresa de dois deles é inesquecível.

Um final de tarde, muito diferente do habitual, indeed.

108 ANOS

36 x 3 = 108. Foi este o tempo que três homens estiveram encarcerados por terem assassinado uma pessoa. Acontece que não foram eles a cometer o crime, ocorrido em 1983. Foi com um arrepio que li a história. Foram incriminados com base em provas inexistentes ou distorcidas. O julgamento foi uma trapaça, denunciada ao fim de 36 anos. Perderam a juventude e a idade adulta. Perderam a possibilidade de ter uma vida normal. Foram libertados há dias. Oxalá vivam muitos anos, ainda que já nada compense a vida perdida. Os três são negros. Será uma coincidência? Não me parece.


Alfred Chestnut, Ransom Watkins e Andrew Stewart

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O MADEIRAMENTO É TODO EM FERRO

É uma boutade (passe o galicismo) conhecida na minha terra. Alguém, ao descrever o luxo de uma casa em construção, ilustrou o discurso com esta imagem imbatível "aquilo é só dinheiro... o madeiramento é todo em ferro!". Lembrei-me desta inesquecível tirada, ontem, ao receber uma nota de imprensa de uma autarquia, que mão amiga me fez chegar. O texto é notável: “A Árvore da Partilha, neste ano de 2019, foi construída com materiais recicláveis, destinados ao ecoponto amarelo, exceto o metal”. É um texto que, como os anteriores, denota um apurado domínio da Língua Portuguesa, e uma claríssima forma de comunicar. Francamente bom, mas a anos-luz do célebre título do “Diário de Coimbra” ONTEM, FALTOU A LUZ NA RUA DO VISCONDE DA MESMA.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A INAUDITA AVENTURA DO ARCO DO VISCONDE

0 grande Homero às vezes dormitava, garante Horácio. Outros poetas dão-se a uma sesta, de vez em quando, com prejuízo da toada e da eloquência do discurso. Mas, infelizmente, não são apenas os poetas que se deixam dormitar. Os deuses também.

Assim aconteceu uma vez a Clio, musa da História que, enfadada da imensa tapeçaria milenária a seu cargo, repleta de cores cinzentas e coberta de desenhos redundantes e monótonos, deixou descair a cabeça loura e adormeceu por instantes, enquanto os dedos, por inércia, continuavam a trama. Logo se enlearam dois fios e no desenho se empolou um nó, destoante da lisura do tecido. Amalgamaram-se então as datas de 4 de Junho de 1148 e de 29 de Setembro de 1984.

Começa deste modo A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho, de Mário de Carvalho (n. 1944). Lembrei-me há dias, ao retomar uma imagem que apareceu algures no facebook. Ali se enleiam as imagens do Arco do Visconde, em Moura e qualquer outro sítio, que não consigo imaginar onde onde seja. O trabalho de recomposição é notável, mas também não consigo descortinar o objetivo.


segunda-feira, 25 de novembro de 2019

NA SEMANA DE ÁLVARO PIRES DE ÉVORA, COM OS OLHOS EM 2020

Vai ser o momento da minha semana. Na quinta, às 18h 30 (com a aula a acabar às 17h 45 vai ser um belo sprint até Arte Antiga...), é inaugurada a exposição sobre Álvaro Pires de Évora. Um português que fez carreira fora de portas. E do qual, só há poucos anos foi possível garantir a presença, em Portugal, de uma obra.

domingo, 24 de novembro de 2019

JUNTO DA "DETESTÁVEL"

O semanário "Independente" entreteve-se a dar cabo da vida a muita gente. Leonor Beleza foi uma das vítimas desse processo. Paulo Portas considerava-a "detestável". O caso dos hemofílicos praticamente arrumou a carreira de Beleza. Escrúpulos não rima com Portas.

Agora, a Fundação Champallimaud, da qual Leonor Beleza é presidente, chama Paulo Portas para o Conselho de Curadores. Há razões que a razão desconhece.

DO DIRHAM AO BOLHÃO

Não era uma moeda, eram duas. Um bolhão e um dirham, D. Sancho I e os almóadas. Foram recolhidas na campanha arqueológica de 2019, junto ao convento do castelo, em Moura. Apesar da relativa "descontextualização" (foram achadas em níveis de superfície) são peças importantes pelos níveis em que andamos, e pela contemporaneidade dos achados.

Nos próximos anos, iremos alargando um pouco a área de intervenção. Em 2020, se definirá "o quê". Talvez o urbanismo, talvez a água. Foram sendo publicados, ao longo dos anos, trabalhos em torno da História e da Arqueologia de Moura. Umas vezes a solo, outras (a maior parte) em colaboração com colegas que têm estado neste projeto de investigação. A saber: Artur Goulart de Melo Borges, José d'Encarnação, José Gonçalo Valente, Maria da Conceição Lopes, Miguel Rego e Vanessa Gaspar. No início de 2020 verá a luz do dia mais uma publicação. E Moura será tema de conferência, em Palmela. Moura on my mind, cantaria Ray Charles se soubesse onde Moura fica... A lista, incompleta, de trabalhos editados, é esta:


A. Almocavar de Moura - localização e epigrafia in "Arqueologia Medieval", no. 1, Porto, Edições Afrontamento, 1992, pp. 65-69
B. Moura na Baixa Idade Média - elementos para um estudo histórico e arqueológico in "Arqueologia Medieval", no 2, Porto, Edições Afrontamento, 1993, pp. 127-157
C. Fortificações modernas de Moura, Moura, Câmara Municipal de Moura, 2005
D. Convento de Santa Clara (Moura) – um conjunto cerâmico do século XVII, Moura, Câmara Municipal de Moura, 2005
E. 457. Placa funerária romana em Moura (Conventus Pacensis) inFicheiro Epigráfico” (suplemento de Conímbriga), no. 103, Coimbra, Instituto de Arqueologia, 2012
F. 460. Ara funerária romana em Moura (Conventus Pacensis) inFicheiro Epigráfico” (suplemento de Conímbriga), no. 104, Coimbra, Instituto de Arqueologia, 2013
G. Moura – fortificações modernas: passado e futuro in CEAMA, no. 10, Câmara Municipal de Almeida, 2013, pp. 108-120
H. Castelo de Moura. Escavações arqueológicas 1989-2012 – catálogo, Moura, Câmara Municipal de Moura, 2013
I. Lacalt e Laqant: da toponímia antiga à islamizaçãin “O sudoeste peninsular entre Roma e o Islão, Mértola, Campo Arqueológico de Mértola, 2014, pp. 168-177
J. Moura e Serpa entre a Antiguidade Tardia e a Islamização in Visões do invisível – património religioso da margem esquerda do Guadiana” (dir. José António Falcão), 2a ed., Beja, Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, 2015, pp. 14-45
K. Castelo de Moura. Escavações arqueológicas 1989-2013 – texto, Moura, Câmara Municipal de Moura, 2016
L. Água – património de Moura, Moura, Câmara Municipal de Moura, 2017

sábado, 23 de novembro de 2019

POIS É...

Em 2016, o Sporting perdeu o campeonato por dois pontos. Sempre simpatizei com Jorge Jesus, e claramente o escrevera meses antes (v. aqui). Jesus celebrizara-se, no Benfica, pelas maluquices táticas, e por misturar o ótimo e o péssimo. No Sporting falhou por pouco, Agora, no Flamengo, acerta por muito. O seu estilo peculiar é um must no Brasil. Nunca, no Rio, devem ter imaginado que a época ia acabar assim. Pois é...

LIVRE, AO JEITO DELA...

E a surpresa qual é, afinal? O estilo de Joacine sempre me motivou fortíssimas reservas. Não me enganei.

LIVROS, E MAIS QUE LIVROS

Não é hoje, é amanhã. Arranca a Feira do Livro de Mértola. Desde há muitos anos que é um dos grandes momentos culturais do concelho. Mais de 30 anos, sem dúvida. Tenho imagens muito precisas da Feira do Livro de 1991, quando cá veio José Saramago e fomos (a equipa do CAM) jantar com ele ao Al-Sakrane. Achei-o distante e pouco cordial. A feira, contudo, foi ótima. Esta também vai ser.