domingo, 26 de janeiro de 2020

CDS - UMA QUESTÃO DE MARKETING

O congresso do CDS-PP terminou. O final foi um clássico. Um clássico triste, mas "infalível". Como o eleitorado se escapou, muito dele seduzido pelo populismo oportunista do CHEGA, que fazer? Ceder à tentação mais simples e encostar ao discurso dos outros. Esquecem duas coisas banalíssimas, que em momentos de pressão são, por norma, esquecidas. 1) o espaço já foi ocupado; 2) as pessoas preferem sempre os originais às cópias. Qualquer recuperação da argumentação cheguista será vista como cópia. O CDS ameaça o destino de Narciso.

Narciso - Caravaggio, 1594-1596 (National Gallery)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

QUINTA COLUNA Nº. 8: MÉRTOLA, O CAMPO ARQUEOLÓGICO E O FUTURO

Cláudio Torres recebeu, no dia 11 de janeiro, a Medalha de Mérito Cultural. Em rigor, é a segunda vez que recebe tal distinção. O galardão entregue, em 1998, ao Campo Arqueológico de Mértola era dele, também. Claro que representou um reconhecimento para a equipa, mas, no essencial e de modo natural, quem estava no centro das atenções era o próprio Cláudio.
Duas décadas se passaram e o Ministério da Cultura – essa entidade estranha de que os governos de Direita nunca gostam… – volta a manifestar o seu reconhecimento a Cláudio Torres. Foi uma festa muito bonita e emotiva. Como colaborador da casa, membro fundador do Campo Arqueológico de Mértola, atual investigador da equipa e, sobretudo, como amigo do Cláudio, lá estive. As intervenções – de Ana Paula Amendoeira, de Rosinda Pimenta, de Graça Fonseca, de Cláudio Torres – foram excelentes. Muito apropriadamente festivas, mas também de clara intenção política. Sem picardias, mas colocando os pontos nos iii. Fixemo-nos num ponto da intervenção do próprio Cláudio: “oxalá a gente consiga organizar aqui, em continuidade, um centro de investigação, que possa abrir, para o futuro, novas perspetivas, novas formas de investigar e de trabalhar, que possa desenvolver esta zona de uma forma mais coerente”. Não é só uma questão de dinheiro, sublinharia a ministra Graça Fonseca. Decerto que não. O problema é, antes de mais, demográfico. De capacidade de renovação de gerações. Do sangue novo que falta. O próprio Campo Arqueológico é disso exemplo. Sedimentada a equipa nos anos 90, não tem havido grandes possibilidades de incorporação de novos membros permanentes. As fontes de financiamento e de apoio têm sido a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, os fundos comunitários e a Câmara Municipal de Mértola. Os projetos e as bolsas da Fundação têm tido altos e baixos e trabalhar na corda bamba, a todos os níveis, é tudo menos fácil. Os fundos comunitários têm o problema da chamada contrapartida nacional. Ou seja, aquilo que a entidade tem de garantir, do ponto de vista financeiro. Uma entidade sem recursos financeiros próprios tem de recorrer a outras fontes de financiamento, de modo a cobrir a parte que lhe diz respeito. E aqui entra a Câmara Municipal de Mértola. Que tem apoiado, de forma firme e ao longo de 40 anos, a investigação histórica e arqueológica em Mértola. Recentemente, foram aprovados mais dois projetos: “Mértola Romana”, apresentado pela Fundação Serrão Martins, no montante de 173.732 euros, outro, “Arqueologia in progress”, pelo próprio Campo Arqueológico de Mértola, com um orçamento de 245.877 euros. Ao todo, são 419.609 euros, para investir até final de 2020, no primeiro caso, e até meados de 2021, no segundo. Conheço bem estes mecanismos de financiamento – foi pelouro que tive, durante mais de uma década, em Moura –, e uma coisa posso garantir. Não conheço outro caso de uma pequena Câmara Municipal que apoie, de forma tão consistente e continuada, um projeto de reabilitação patrimonial como o de Mértola.
O Campo Arqueológico de Mértola continua no centro das atenções. E do programa de valorização que em Mértola tem lugar. É o Campo um sítio de estudo do passado, mas, necessariamente, do futuro. Com a Câmara Municipal, sem dúvida, com as universidades, com os poucos fundos privados que apoiam tão “exótica” atividade. Com os membros atuais e com alguns dos antigos, e com os novos que se nos vierem juntar.
Em pano de fundo, está a questão fulcral que Cláudio Torres abordou, e à qual regresso. O da demografia. Os pouco mais de 1000 habitantes da vila e o seu (meu, nosso…) escalão etário, que são uma fragilidade presente futura. Precisamos de gente e, sobretudo, de juventude. Precisamos de investimento público governamental. De medidas fiscais, que vão além da insignificante, em termos de desenvolvimento, taxa variável do IRS. Precisamos do Estado. E não de declarações de amor em tempos eleitorais. O futuro do Campo Arqueológico será o de Mértola. Oxalá se consiga. Mas em jogo solitário não se conseguirá.


Fotografia - Artur Pastor
Crónica publicada hoje, no "Diário do Alentejo"

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

APAIXONADO PELO INTERIOR - EPISÓDIO CCXLIV DE UMA CONHECIDA E PREMIADA TELENOVELA

"Eles vêmnaí, os das Forças do Almada; a rede fica tâ miudêra que nã se escapa nem um saramugo". Assim falava um calêro [mourense de gema] nos idos de 1974, pouco depois do golpe. Não foi bem assim. O Alentejo perdeu gente, perde cada vez mais gente. Amigos da Coesão soa a grupo almoçarista. Os Amigos da Coesão vão, pois, almoçar a Beja. No fim haverá uma pugente declaração (mais uma) de amor ao interior e aos territórios de baixa densidade (adoro este tecnocratês para mascarar o que está de rastos). É só aguardar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

MR. CREOSOTE

Parte do começo da minha adolescência foi pontuada pelos MALUCOS DO CIRCO. Não percebia tudo, nem sabia inglês. mas aquilo era tão insólito e tão fora da norma que até um miúdo de 12 anos ficava grudado a quase meia hora de coisas absurdas. Para a história ficam também os filmes. Como O sentido da vida. Como este sketch, protagonizado por Terry Jones (1942-2020), hoje desaparecido.

DIA DE TESE

Não é prática corrente, até porque, formalmente "não estou na carreira". Mas a arguição da tese de Luís Gil, que me foi pedida pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, deu-me especial prazer, por ser sobre Marrocos e por ser um importante esforço de identificação de campanhas de obras e da sua datação.

Safim e a aventura colonial portuguesa no norte de África foram a minha companhia nos últimos dias. Virar de página. Outras coisas se aproximam.

(gosto em especial que o traje académico de Letras, em França, seja amarelo e preto, as cores de uma das minhas terras; a fotografia, com a luz detrás, fez-me lembrar uma música dos Pink Floyd...).

Fotografia de grupo, após as provas (da esquerda para a direita):
Francisco Caramelo (diretor da FCSH), Mário Barroca (Univ. do Porto), Paulo Pereira (Univ. de Lisboa), Luís Gil), o autor do blogue, Luís Miguel Duarte (Univ. do Porto) e André Teixeira, orientador da tese (Univ. Nova de Lisboa)

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

MOURA, COM UM TOQUE GREGO

Mais um testemunho de Moura. A imagem data de 1958. É de uma das últimas casas do castelo. O autor é Diogo Margarido, um belíssimo fotógrafo do Alto Alentejo.

O castelo continua a ser(-me) indispensável. As casas já lá não estão, aqueles gatos seguramente que não. O castelo que eu conheci é muito diferente do de hoje. Mas renova-se-me a alma todos os anos, quando os trabalhos recomeçam e se dá um pouco de contributo para o conhecimento do que é nosso.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

LER A ÁGUA

Está na hora de retomar temas mourenses. O próximo estudo que farei sobre a nossa terra incidirá no tema da água. Vista e perspectivada nas mais variadas dimensões. Retomarei alguns aspetos aflorados em Água - património de Moura (2015/2017) e lançarei novas pistas de trabalho. Será assim, a partir de 2021. Porque o trabalho de base de toda a divulgação é o conhecimento prévio. Caso contrário, é circo mediático. Que dura tanto como um fósforo.

Para além do livro sobre a Mouraria, que está na gráfica e que sairá em fevereiro, está na hora de retomar esse tema. Foi domínio que a minha colega Marisa Bacalhau lançou (e bem!) que se desenvolveu autonomamente. Parte da exposição Água - património de Moura beneficiou das atividades de animação e das visitas que ela coordenou.

O caminho faz-se caminhando. O futuro é sempre em frente.

domingo, 19 de janeiro de 2020

É ISTO UM GOVERNO DE ESQUERDA?

Uma coisa que me fazia embirrar com os eme-erres nos tempos da Faculdade (ainda existiam, no começo dos anos 80, antes de terem migrado para os tapetes fofos do Poder, sob o signo do PS e do PSD) era o tom histérico com que intervinham. Aqueles guinchos davam-me cabo dos tímpanos...

A histeria extremista continua a fazer das suas. Agora, ungida pelo bem parecer. Há (muitas) alturas em que precisamos de moderação e de ponderação. Em Espanha, optaram por isto. Bom proveito, dá vontade de dizer. Deus me livre de me cruzar com estes veganos das novas cruzadas ideológicas...


sábado, 18 de janeiro de 2020

O QUE SE PASSOU COM O BLOGUE?

Muitos amigos me têm perguntado "mas, afinal o que se passou com o teu blogue? que bloqueio houve?".

Aqui vai:

Ponho sempre o link do blogue no meu facebook. Por vezes, faço-o também na página MOURA. Por opção, nunca coloco temas de política local na página MOURA.
A colocação desses links é uma forma de dar mais visibilidade ao que, desde há 11 anos, vou escrevendo.
Por razões mais ou menos óbvias um grupo de imbecis resolveu "denunciar-me" ao facebook. Isso fez com que esses links desaparecessem. Ou seja, posso publicar no meu blogue, mas não dar publicidade ao link. Essa parte está, para já, bloqueada.

E então? Então, é hora de criar alternativas. De continuar a contactar amigos. De dizer o que penso, como e quando quero.

Onde está a origem da "denúncia"? Nos babacas do costume, seguramente.

OS DENUNCIANTES

Fui denunciado e várias conteúdos meus foram bloqueados no facebook. Algo que não acontecia desde o tempo na Câmara de Moura. Os alvos preferenciais foram matérias relacionadas com Moura, outras de cariz académico e profissional.

Há quem ande preocupado? Quer-me parecer que sim. Estas pequenas coisas melhoram dias que têm sido bons 😊.


DRAGÃO NO ESPETO

Arte medieval, sempre atual.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

OBESIL?

Olhei e li OBESIL. Aquilo não me fazia sentido nenhum. ZERO. Olhei de novo e pensei "espera lá, se isto é da Capital Verde e estamos em Lisboa, se calhar...". Pois, é LISBOA de pernas para o ar. Com curva e tudo, para fingir uma copa. Assim tipo árvore.

A função de uma cartaz é ser lido, não ser pretexto para uma charada. Quem é que faz estas coisas? Pior, quem as aprova?


MÁRTIRES DE MARROCOS: 800 ANOS

Faz hoje precisamente 800 anos (16 de janeiro de 1220) que ocorreu o martírio dos franciscanos, em Marrocos. Os mártires e o último século da Reconquista são o tema da exposição que está a ser preparada para o Museu Nacional de Arte Antiga. Arte e arqueologia, norte e sul, Cristandade e Islão, os encontros e desencontros da História poderão ser vistos, no verão deste ano.

Quem participará no catálogo? Cláudio Torres, Hermenegildo Fernandes, Yassir Benhima, Isabel Cristina Ferreira Fernandes, Susana Gómez Martínez, Miguel Gomes Martins etc.

Guerreiros e mártires tem inauguração no final da primavera.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

DUARTE DARMAS - IN ENGLISH

Foi através do meu colega Daniel Alves que tomei conhecimento deste projeto. Diz o site:

The aim of this project is to spatially reconstruct an exceptional architectural source from early modern Portugal called the “Livro das Fortalezas” (Book of Fortresses). This bound volume was created by a Portuguese squire named Duarte de Armas in 1509-1510. It includes a set of perspective drawings from two vantage-points of over 50 castles on the border between the kingdoms of Portugal and Spain and a second set of measured plans for each site.

Vale a pena espreitar, pelos modelos de reconstituição que cria. A falta de conhecimento físico do sítio leva a erros, mas isso é o menos importante. É um instrumento lúdico muito interessante. Aqui fica a imagem de Moura:


EM MODO SENHORA DA ROCHA

Aproxima-se o dia do encontro de Palmela e "regresso", convictamente, à Senhora da Rocha. Que cada vez me faz mais sentido que seja, de facto, a Igreja do Corvo das fontes islâmicas. A descrição de Yaqut é algo difusa, mas ele nunca visitou a Península Ibérica. Ao contrário de Idrisi, que era deste ocidente mediterrânico. E cujo périplo bate certo, com o percurso que proponho.

A única boa planta da igreja está numa obra de Mário Varela Gomes, João Luís Cardoso e Francisco Alves, editada em 1995. É essa que aqui se apresenta. Juntamente com uma planta global do sítio, de finais do século XVIII.


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

1.750.000 VISUALIZAÇÕES NO BLOGUE

E assim se chega a este número de visualizações: 11 anos, 1 mês e 6 dias depois do início.

Prevejo um número crescente de leituras em 2020/2021. Tentarei não desapontar.


NIGHTHAWKS TROPICAIS

A esquina, o bar, o silêncio e a rua. Hopper pintou Nighthawks em 1942. Não acredito nestes acasos. Creio que Stan de Zoysa (Sousa?), nascido no Sri Lanka (em 1980), tinha Hopper algures. Não consegui saber onde foi feita a fotografia, mas parece-me ser no Brasil.

Sobre Stan de Zoysa - https://standezoysa.com


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

QUEM MORREU EM MOURA

É um blogue invulgar. Tem página de ligação no facebook. Quando surgiu, há pouco mais de 4 anos, não pude deixar de pensar "que ideia tão estranha". Para, de imediato, reconhecer que era/é uma belíssima iniciativa e um verdadeiro serviço público. Perdi a conta ao número de vezes que consultei o blogue para ter a certeza se "era aquela pessoa" ou para saber a hora de um funeral.

A minha amiga Sofia foi criticada? Se foi, não devia ter sido. Mas há gente assim. Não faz e não gosta de quem faz.

Na net: http://quemmorreumoura.blogspot.com

PARIS, 1972

O veteraníssimo Richard Estes (n. 1932) passou pelo blogue em 2014 e em 2016. Esta tela hiper-realista de 1972 lança-me no tão borgesiano e querido tema dos espelhos. A semana vai andar por aí, entre realidades que se cruzam e se refletem. Isto anda tudo ligado, como gostam de dizer os da teoria da conspiração.


The Other Side of a Mirror
I sat before my glass one day,
     And conjured up a vision bare,
Unlike the aspects glad and gay,
     That erst were found reflected there –
The vision of a woman, wild
     With more than womanly despair.
Her hair stood back on either side
     A face bereft of loveliness.
It had no envy now to hide
     What once no man on earth could guess.
It formed the thorny aureole
     Of hard unsanctified distress.
Her lips were open – not a sound
     Came through the parted lines of red.
Whate'er it was, the hideous wound
     In silence and in secret bled.
No sigh relieved her speechless woe,
     She had no voice to speak her dread.
And in her lurid eyes there shone
     The dying flame of life's desire,
Made mad because its hope was gone,
     And kindled at the leaping fire
Of jealousy, and fierce revenge,
     And strength that could not change nor tire.
Shade of a shadow in the glass,
     O set the crystal surface free!
Pass – as the fairer visions pass –
     Nor ever more return, to be
The ghost of a distracted hour,
     That heard me whisper, "I am she!"
Mary Coleridge (1861-1907)

domingo, 12 de janeiro de 2020

NO DIA DO CLÁUDIO

A sala foi pequena e preferi ceder o meu lugar. Não tinha periscópio e fui ouvindo, com prazer, as sucessivas intervenções: de Ana Paula Amendoeira, Diretora Regional de Cultura, de Rosinda Pimenta, Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Mértola, de Graça Fonseca, Ministra da Cultura, do próprio Cláudio. Uma fasquia alta, mantida do primeiro ao último minuto.

Foram, a despeito do momento festivo, ditas coisas muito importantes. Uma coisa é certa, o projeto tem de ser repensado e reenquadrado. Isso ficou só em pano de fundo, que o dia foi muito bonito.

Ainda antes de continuar a jornada, rumo a Évora, houve tempo para uma fotografia de família dos corpos sociais da MULTICULTI (falta apenas Nádia Torres). Maria da Conceição Amaral já não faz parte, por ter assumido a presidência do OPART.

Entre a terra mertolense, sempre em pano de fundo, e o céu eborense se passou o dia.

Da esquerda para a direita: Francisco Motta Veiga, o autor do blogue, Isabel Martins, João Guerreiro, Maria da Conceição Amaral, Cláudio Torres (presidente da MULTICULTI), Isabel Cristina Fernandes e José Alberto Alegria

Concerto de Ano Novo, na Sé

sábado, 11 de janeiro de 2020

ARBITRAGEM CIENTÍFICA

Como tantas vezes ouço dizer na minha terra "não há coisa que se pague mais depressa que a semente da língua". Estou sempre a reclamar contra as arbitragens científicas, várias vezes recusei alterar textos para ir de encontro à vontade dos referees, naquela do "querem publicar, publiquem; não querem, não me chateiem". Ultimamente, adotei o princípio de publicar por minha conta, como quero e onde quero. Sem certificações, e porque já não tenho idade para aturar parvoíces e modas anglo-saxónicas. E jurei "nada de arbitragens". Mal tinha acabado de o dizer, cai-me em cima um pedido de uma instituição espanhola. Que precisavam que eu avaliasse um texto para publicação etc. Aceitei. Porque houve uma razão inconfessável, mas aceitei.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O PRESIDENTE DA JUNTA

É um dos mais geniais gags de Herman José. O político que, ao declarar o cargo que tem, faz disso a razão única da sua existência. Infelizmente, no mundo das fake news e dos fake políticos, cada vez há mais quem veja o exercício do cargo como um permanente cenário. Muita representação, muita imagem e pouca substância. A parte que me diverte nesses homens públicos de pacotilha (há-os a todos os níveis) é a forma como fogem dos cidadãos e como, à primeira dificuldade, metem o rabo entre as pernas. Para depois reaparecerem, clamando "eu é que sou o presidente!".

MÉRITO CULTURAL PARA CLÁUDIO TORRES

A entrega da distinção terá lugar amanhã, em Mértola. A iniciativa da Ministra da Cultura é excelente. Lá estarei, lá estaremos. O Cláudio merece esta medalha. O trabalho dele mudou muita coisa. Na investigação, nos estudos islâmicos, em Mértola, no percurso de muitos de nós. Vou gostar deste sábado.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

O CAMINHO DA NOSSA PROCISSÃO

             Durante muito tempo me questionei sobre a antiguidade do percurso da procissão do Domingo da Festa, em honra de Nossa Senhora do Carmo. Continuo sem saber quando começou a tradição, que faz o caminho (2100 metros, ao todo) por entre as ruas da Moura, cruzando a cidade que se foi construindo entre os séculos XIII e XVIII. Mas tenho a certeza que, em julho de 1816, já era (quase) esse o trajeto. Porque desse ano temos testemunho de uma procissão. O falecimento da rainha, D. Maria I, ocorrera em 20 de março, no Rio de Janeiro, mas só em finais de julho as forças vivas da vila de Moura organizaram o cortejo fúnebre.
No livro de atas da vereação de 1816 da Câmara de Moura encontra-se esta descrição (fols. 61-61v.): “no dia 29 de julho de presente anno de 1816 se ajuntarão nas casas da Camara desta villa todos os officiaes de justiças, misteres, e todos os pautados em procuradores da Camara, e em veriadores, que para esse fim tinhão sido avisados no dia antecedente. Sahio das ditas casas a porcição funebre, formada em duas allas, puchadas pelo cavalheiro José Mathias de São Paio Lobo, que levava o estandarte real de lutto, hindo adiante delle huma escolta de cavalaria do regimento numero 5, que emtão se achava de quartel nesta mesma villa. Atras do estandarte seguião-se todos os officiaes de justiça, depois destes os misteres, logo os pautados em procuradores da camara, depois deles os pautados em veriadores, e procurador da camara autual, e na sua retaguarda a companhia de milicianos, que há nesta villa, comandada pelo tenente della Bentto Maria Segurado. Caminhou a porcição pela Praça em direitura à Rua do Morgadinho, dahi à Rua de Serpa, aonde quebrou o primeiro escudo o veriador mais velho o capittão mor desta villa Francisco de Paula Limpo Quaresma. Seguio a porcição athe a Rua de Santo Agostinho, e fazendo volta o Rocio da Gloria, ahi quebrou o segundo o veriador segundo Marianno Bestel Vinha. Continuou a porcição pela Rua de Gonçalgaracia [sic], e emcaminhado-se a Rua da Assaboeira de frente do passo della quebrou outro escudo o terceiro veriador Sebastião Casqueiro Viera [sic] Gago. Daqui seguiu a porcição pela Rua Longa em direitura a Igreja Matriz de São João Baptista, e fora do adro della se repetio huma piquena oração.”
Os aspetos organizativos são interessantes, com a presença de uma tradição antiga, a da quebra dos escudos representativos da rainha falecida. Mas o mais relevante é o percurso da procissão, que é o mesmo da que ainda hoje se cumpre na Festa de Nossa Senhora do Carmo. Mudaram os nomes de todas as ruas, mas os locais de passagem do cortejo não sofreram alterações: da praça passa-se à Rua do Morgadinho (Miguel Bombarda), depois à Rua de Serpa (Serpa Pinto), em direção à Rua de Santo Agostinho (9 de abril). A partir desse ponto inicia(va)-se o regresso. Primeiro pelo Rocio da Glória (Largo Gago Coutinho), depois pela Rua de Gonçalo Garcia (5 de outubro), infletindo para a Rua da Assaboeira (Dr. Garcia Peres), antes de chegar à Praça pela Rua Longa (Santana e Costa). Como alterações dignas de registo refira-se o facto de hoje a grande procissão de julho alternar entre as ruas de Santana e Costa e de Arouche. E de não terminar, como é evidente, em S. João, mas sim no Carmo.
O tempo passou. E passará. A nossa Moura permanecerá. Esta memória da vila oitocentista é uma prova de que os gestos do quotidiano são também, uma construção no tempo. Uma evidência de que tudo aquilo que fazemos, nas nossas terras, não é fruto do acaso.

Crónica publicada hoje, em "A Planície"

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

ÉTICA E TAL E COISO

Aquele conhecido momento de coerência política que dá pelo nome de ólhómeu.

TERRA, PEDRAS E CACOS EM PALMELA

Daqui a duas semanas há Palmela. Presença dupla de Moura nas jornadas internacionais promovidas pelo incansável CIGA. Que há anos se ocupa da cerâmica islâmica do Gharb al-Andalus.

No dia 23:
16:00 - 16:20
Santiago MACIAS e José Gonçalo VALENTE
Importações e produções locais na mouraria de moura – cerâmicas do século XIV

No dia 25:
9:40 - 10:00
Santiago MACÍAS
Toponímia, fontes escritas e arqueologia: a identificação de Laqant, de Halq az-Zawiya e de Kanisat al-Gurab

O melhor de tudo isto? Poder rever amigos. De entre os palestrantes destaca-se Guillermo Rosselló Bordoy. Aos 87 anos ainda não encontrou, ele que se licenciou em filologia..., o significado da palavra "aposentação". Doutorou-se duas vezes, em 1972 (História Antiga) e reincidiu aos 71 anos (Filologia). E é autor de Ensayo de sistematización de la cerámica árabe en Mallorca, editado em 1978. O livro que fez a viragem na arqueologia do al-Andalus.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O PLANETA TOI 700 d? É LÓGALI

E diz o OBSERVADOR:

"A NASA descobriu um planeta de dimensões semelhantes às do planeta Terra em zona habitável, na órbita da estrela que lhe deu o nome — TOI 700 d. As imagens reveladas pelo telescópio Spitzer Space mostram que o planeta está numa zona que poderá permitir a existência de água em estado líquido à superfície — e está a apenas 100 anos luz, na constelação Dourado".

Apenas 946.080.000.000.000 kms...

A 90 à hora são 1.200.000.000 anos. É melhor por-me a caminho. Que isto do planeta TOI 700 d é, como dizemos no Alentejo, lógali.

POLÍTICA NA F.C.S.H.

Estamos em época de exames de recurso e este panorama não se encontrará, nas próximas semanas, no pátio da Nova. Ao sair, há semanas da aula, dei com um animado debate, entre as várias listas a concurso para a Associação. O estilo das intervenções era matraqueado e muito de leitura. O tom era de manifesto. Expunha-se com veemência, mas não se ia muito além do "slogan". Deixei-me ficar, visitando a máquina do tempo. Estive no sítio onde eles agora estão, há uns 35 anos. A desenvoltura, pouca, era igual à deles, o estilo panfletário, idem. Havia aplausos e apupos. Fiquei até ao fim, até um dos alunos me arrancar do torpor "olá, professor, então que faz por aqui?". Lá lhe expliquei, mais ou menos, que há coisas que não se explicam. Saí para a Avenida de Berna mais reconfortado. E com um pouco, ainda que só um pouco, de esperança.

domingo, 5 de janeiro de 2020

TRABALHO DE CASA

Não recordo exatamente quando vi este filme de Abbas Kiarostami. Lembro-me de ter sido na televisão. Tal como me lembro do profundo desconforto com que segui o filme. O documentário, rodado no início de 1988 e distribuído no ano seguinte, é constituído por uma série de entrevistas a garotos de uma escola primária. O entrevistador é o próprio Kiarostami. Cumpre a tarefa com rigor geométrico. É um entrevistador frio, distante, que não procura qualquer empatia. Chega a ser violento, a roçar a brutalidade. O resultado é um filme maravilhoso, podendo questionar-se, bem entendido, o método seguido por Kiarostami. Veja-se este excerto. Filme de domingo, dia de trabalho em casa, agora que tanto se fala no Irão.




sábado, 4 de janeiro de 2020

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XL

A bordo do 54 (dia 2 de janeiro, às 18:27:58), pensando "ah, Pátria de Poetas!".

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

O ASSASSINATO DE QASSEM SOLEIMANI - UM CASO DE GANGSTERISMO INTERNACIONAL

O direito internacional a oeste de Pecos. Fico a aguardar pelo TPI e pelo Conselho de Segurança.

Isto não vai estar para brincadeiras. E não tem graça.

BIBLIOGRAFIA ANALÍTICA DE ETNOGRAFIA PORTUGUESA

"Começa por ver a Bibliografia Analítica de Etnografia Portuguesa", determinou Cláudio Torres. Pouco interessado em fazer um trabalho sobre arte sugeri, ao meu professor de História da Arte da Antiguidade Clássica e Bizantina, fazer um estudo sobre fornos de pão (!). Ele aceitou, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E aconselhou-me aquele livro. E aquele livro, de Benjamim Pereira, foi o primeiro de muitos. Da bibliografia, editada em 1965, passei para outros: Construções primitivas em Portugal, Alfaia agrícola portuguesa, Sistemas de moagem, Moinhos de vento etc. Ao nome de Benjamim Pereira habituei-me a associar dois outros autores: Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano. Sobretudo, acostumei-me à ideia de há uma inveja boa. Quando lia os trabalhos deles, pensava/penso sempre "caramba, era assim que eu gostava de conseguir fazer, um dia". A investigação culta e cuidada de Benjamim Pereira era desprovida de vaidade e da jactância. Não citava autores obscuros e filósofos em voga. Habituei-me, ao lê-lo, a ter a perceção que a investigação comporta sempre uma forte vertente poética. E de proximidade às coisas simples. Nunca o conheci, pessoalmente. Só através dos livros. É o suficiente para ter a clara ideia do muito que lhe(s) devemos. Ernesto Veiga de Oliveira desapareceu em 1990, Fernando Galhano em 1995. Benjamim Pereira, que agora partiu, era o sobrevivente de uma geração de portugueses maiores.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

VIRANDO A PÁGINA

Para trás ficaram 2019 e a Câmara Municipal de Lisboa. Inicia-se hoje nova etapa. Ano Novo, novo desafio profissional. Já lá dizia a minha avó Joaquina "raio do moço, parece que tem mal de Sanbito". Isso foi há mais de 50 anos. Que diria ela agora?

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

BOM ANO DE 2020

Começa o ano. Logo mais haverá a Marcha Radetzky. E a Ópera de Viena. Será bonito, como sempre.

Por agora, tenho mais vontade de ouvir o Guantanamera e de ver e ouvir Celia Cruz (1925-2003). Sempre se entra no novo ano, que não na nova década, em estilo vibrante e alegre. Bom ano aos leitores do blogue.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

2019 - DOZE MESES VEZES DOIS

Um ano marcadamente profissional. Vincou-me uma certeza. Há a atividade política e há muita vida para lá dessa atividade. Há quem se pendure de cargos públicos para viver. No meu círculo de camaradas e amigos próximos há, sobretudo e com prazer o digo, profissionais que, por convicção e entrega, andaram/andamos também pela política. Os meus principais momentos, do ponto de vista profissional, passaram pelas áreas de sempre. Um ano compensador, felizmente. Com regressos constantes a Moura, pátria de origem. No meio dessas idas, entre o prazer de rever amigos, fui identificado os ecos de um trabalho coletivo recente, que me continua a dar prazer revisitar. O ano foi passado, todo ele, na Câmara Municipal de Lisboa. Um percurso que hoje se encerra. Revendo o meu 2019, encontrei 24 motivos. Tão pessoais como este blogue.


Janeiro

Comecei o ano recordando 1999, quando a minha vida se repartiu entre Moura, Mértola e Marrocos. Em janeiro, fez então 20 anos, arrancava um dos projeto mais improváveis da minha carreira. Terminou bem, com a inauguração, em setembro desse ano, de Marrocos-Portugal, portas do Mediterrâneo.


http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2019/01/stardust-memories-n-24-alcacer-ceguer.html



A ida a Travassô representou o arranque de um projeto de exposição, cuja responsabilidade é repartida pelo Joaquim Caetano e por mim. Acreditávamos que seria mais rápida a concretização. Só falhámos por 6 meses. Podia ser (muito) pior.

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Fevereiro

A preparação da exposição Lisboa Islâmica (em 2020 será) levou-me à placidez e ao ambiente fraterno de um dia de oração, na mesquita central. Foram momentos únicos e intensos, e que ajudaram à preparação de um livro, que sairia meses depois.

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Recomeço as crónicas no "Diário do Alentejo". Retomando o título de outrora, "Quinta coluna". O primeiro texto foi sobre o Museu de Beja. Como se diz na minha terra, tantíssimo que se interessam por museus. E nada acontece.

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Março

Dias de carnaval, em Moura. Com um grupo firme e incansável.


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Foi divertido ir a Aracena, falar de Moura. A convite de uma autarquia espanhola. Foi quase insólito falar durante cerca de uma hora em espanhol, para um público maioritariamente português e mourense. Acabou por ser um final de tarde muito mais interessante do que eu imaginaria.

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Abril

Abril foi o mês de reanimar a MULTICULTI. A candidatura a um projeto comunitário precisava de uma entidade que o pudesse receber. Felizmente, a MULTICULTI cumpria todos os requisitos legais e assim se avançou. Entre 1 e 30 de abril não houve sossego. O projeto foi entregue e viria, mais tarde, a ser aprovado. As coisas começavam a compor-se, depois de um 2018 atipicamente calmo.

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Abril foi também o mês para um "filme-clip" feito em registo blitz. Nada de demasiado sério, apenas uma breve extravagância, concretizada a meias com um jovem amigo. O tema do clip? De como da luta e da festa se passa ao registo cinzento do quotidiano.

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Maio

E maio, o maduro maio, arrancou com um toque burlesco. Subitamente, vejo o meu nome em alvarás da Câmara de Moura. Rio a bom rir. Mais ainda quando uma alma ingénua sugeriu que aquilo era uma fotomontagem. Não era, a incompetência foi mesmo genuína.

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Muito melhor foi o lançamento do livro Mesquitas, uma edição da Câmara Municipal de Mértola. Sempre fiz questão de estar presente no festival e sempre vi com agrado que a minha participação era/é bem aceite pela autarquia. Já trabalho um projeto para 2021, por acaso...

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Junho

O meu Dia de Portugal passou-se em eixo lisboeta. Com duas intervenções em ambientes bem diferentes: de conferencista convidado na Casa do Alentejo a co-autor de um dos volumes da História de Portugal coordenada por Rui Tavares. O convite da Casa do Alentejo deixou-me assim um certo travo a membro de uma equipa sénior. Não foi nem bom, nem mau, apenas um pouco inesperado.


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E eis-me, ao longo da primavera e do verão, em pleno trabalho de pesquisa para um livro sobre as filiais e agências da Caixa Geral de Depósitos. Foi mais moroso do que inicialmente pensara, mas não menos interessante. O levantamento de edifícios - quase todos ainda em uso - levou a cerca de centena e meia de arquitetos. A base informativa foi um excecional livro de Joana Brites, mas as minhas motivações e perspetivas de divulgação são muito diferentes das da jovem académica coimbrã.

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Julho

Regresso, mais um entre dezenas, à minha Moura. A escavação arqueológica vive momentos de "recentramento". Os resultados dos trabalhos iniciados em outubro de 2017 deixaram-me, no início, com algumas reservas. Afinal, não... As hipóteses são mais interessantes do que eu próprio supunha. Em 2020 será apresentado novo projeto de intervenção. Contas feitas, conto terminar esta investigação dentro de uma  década. O que quer dizer que o Castelo de Moura terá acompanhado, se lá chegar, toda a minha vida.

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E, no meio da arqueologia, ainda houve tempo para uma "fuga" a Coimbra. Pelo segundo ano estive no júri do Prémio Vilalva, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian. Foi este ano entregue a um inovador e corajoso projeto que engloba indústria, turismo e reabilitação. Uma aposta difícil, mas bem conseguida.

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Agosto


Arrancou o mês de agosto com uma ida a Soustons. No meio da juventude dos forcados, só o Pita e eu destoávamos ligeiramente. Rapidamente, as minhas dúvidas se dissiparam e o elixir da juventude parece ter sido encontrado. Tomber la chemise? Sempre.

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Deu-me o jornal "Público" a possibilidade de escrever sobre a exposição que esteve na Fundação Gulbenkian e que tinha a arte islâmica como tema principal. Uma grande exposição, ao nível do melhor que tenho visto. E que foi, também, um momento de afirmação para a sua curadoria, Jessica Hallett. Se dúvidas ainda houvesse, bem entendido.

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Setembro

Regresso às aulas. Estes momentos causam sempre algum stress. Sobretudo tendo em conta que há 8 anos não lecionava. Valeu a pena, claro. Haverá afinações a fazer para o próximo ano. E este semestre deu-me "balanço" para o seminário de mestrado que, a partir de fevereiro, me espera. Sendo um quase "alienígena", sempre fui muito bem recebido na Nova.
 
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Retomo um projeto de exposição, iniciado em 2013 (!). Este ano de 2019 quase parece um acerto de contas com coisas que ficaram por fazer. Esta exposição, em particular, tem-se revelado muito mais difícil do que se imaginaria. Por razões que eu próprio não consigo explicar... Em todo o caso, vai ser por volta da Páscoa. Acho eu, mas já não digo nada. Serão 24 quadros, enquadrados por peças barrocas. A escolha não era a que eu quereria ter feito. Mas houve limitações que não se conseguiram ultrapassar. O conjunto agrada-me, em todo o caso.

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Outubro

Outubro foi o mês de regressar, uma vez mais, a Moura, para estar presente na conclusão do processo do Bairro do Carmo. Foi uma não-inauguração, uma coisa envergonhada, quase escondida e a meio da manhã de um dia laboral. Bem sei porquê... Para mim, o essencial foi que se tivesse feito. E tendo, pessoalmente, muito que contar quanto a este projeto. Mas isso ficará para depois.

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E porque não, pensei ao olhar o promontório? Porque não poderia a Capela da Senhora da Rocha, em Porches, ser a tão procurada Kanisat al-Gurab das fontes árabes? A ideia acabou por entusiasmar uma colega, que me convidou a fazer uma conferência sobre o tema e a publicar a proposta. Assim será.




Novembro

929 saiu no início de novembro, na Tinta da China e no "Público". Desde 2016 que não publicava nada do género. Um sinal dos tempos. A experiência com o Fernando será, futuramente, ampliada.


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Inauguração da Torre do Relógio. Passagem pela Amareleja, ainda antes da Feira do Vinho. A quantidade de disparates que se disseram e escreveram, as tentativas (vãs) de descredibilizar o processo, o projeto, os protocolos, tudo e mais alguma coisa, davam para extensas laudas. Como na altura escrevi "foi pena ter estado tão pouca gente. Mas uma inauguração às 20 horas é quase um convite à não presença. Do ponto de vista pessoal, virei, sem disfarçar o orgulho, mais uma página. E com a sensação de ter, uma vez mais, "estado em casa".

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Dezembro

Termina-se o ano quase como se começara, à volta dos Mártires de Marrocos. A exposição toma forma e já tem data marcada de abertura, lá para o final da primavera. Agora, é tempo de pedir peças emprestadas e de, rapidamente, fechar o catálogo.

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Acabo o ano com a conclusão de um livro. Mais um capítulo que se encerra. O tema é Moura e a nossa mouraria. O fecho de 2019 aponta já 2020. Fecho com Moura e com Moura retomarei. Sempre.

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