quarta-feira, 5 de agosto de 2020

FAKE FUNDING

Um vídeo espantoso. Do autor das já célebres frases "passa pela cabeça de alguém ir aprender para a Universidade de Évora? Ou para a da Beira Interior? Ou para a do Algarve?".

Não vale a pena fazer grandes comentários. A não ser este: o que no vídeo se diz sobre as bolsas governamentais para doutoramentos é falso.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

DAS AMENDOEIRAS EM FLOR A DACAR

Ao ver esta fotografia da francesa Charlotte Lapalus, algures no Lac Rose, lembrei-me das minhas mais que longínquas aulas de Língua Árabe. Numa delas, o Prof. Cunha Serra referiu uma das favoritas de um dos califas, conhecida como vara de bambú, pela sua figura esguia e exótica.

Não tenho a certeza que se tratasse da célebre Zahara, uma senhora do norte, que está na origem da nossa lenda das amendoeiras em flor. Mas o perfil não se devia afastar muito do desta mulher.

A fotografia de moda não tem que ser banal ou ostensiva.

Ver - http://charlottelapalus.com

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

LUTA ECONÓMICA E AMBIENTAL

Os pescadores prestam, e até agora ninguém explicou a razão contrária, um serviço ao Ambiente. E são dinamizadores da atividade económica. Então, qual é que é o problema? E porque carga de água estão a ser penalizados?

É nestas alturas que os poderes políticos e públicos têm de vir à linha da frente. Ou isso dá muito transtorno?

REGRESSO

Foi tudo mandado para casa em meados de março. Passaram quatro meses e meio. O tal de teletrabalho levou-me a mergulhar no trabalho muito mais que 7 horas por dia. Regressei à base, brevemente, em meados de junho, para recolher materiais e preparar trabalho de campo. Retorno amanhã - o cartão de acesso caducou, a palavra-passe do computador idem... -, para tentar preparar as próximas semanas e os próximos meses.

E agora?

Como vai ser com os projetos em suspenso? Com os livros maquetados e por imprimir? E agora, como vai ser com as aulas, com a tenebrosa perspetiva de ser tudo outra vez à distância? Como vai ser com a família? Como vai ser no local de trabalho, entre o confinamento e o conforto do gabinete e a necessidade de resolver coisas?

São problemas menores, disso me convenço. Com o desemprego a alastrar, com a economia a afundar-se, com nuvens negras no horizonte, não tenho, na minha relativa segurança, o direito ao mais pequeno lamento.

Lisboa é uma cidade bonita? Sim, das mais belas entre as que conheço. Hoje mesmo constatei isso, sentado no silêncio do Largo da Academia Nacional de Belas-Artes. A 175 kms da casa de Mértola, a 160 kms. da casa da Salúquia. Está na altura de, na melhor companhia, aproveitar estes dias de regresso. Numa cidade com menos gente e num agosto que vai ser ainda mais sossegado.

domingo, 2 de agosto de 2020

SOUSTONS, LA VILLE ET LA FÊTE

Faz hoje um ano, podíamos andar assim. Na rua, abraçados, animados, nos copos e festejando. Estávamos no sul de França, em Soustons. A corrida correra muito bem e o Real de Moura tinha elevado a fasquia, por aí acima.

Vários amigos vieram hoje recordar a data, no facebook. As saudades destas coisas dão cabo da gente...

Tomber la chemise? Sempre!
O copo reciclável ainda está cá por casa. Levo-o na próxima, e não é por forretice.


HÁ 26...

Recentemente, percorri todo o Entre Douro e Minho, em trabalho, Quase nunca andei fora de auto-estradas. Não havia vila ou pequena cidade que não tivesse uma auto-estrada a curta distância. Um exagero? Não sei dizer. Notei apenas que muitas delas tinham pouquíssima circulação.

A litoralização do país acentua-se e leva o chamado "interior" a pique. A anedota da A26 é um exemplo claro da arrogância Lisboa-Porto face ao resto. Ontem, enfiei pela A26. Queria saber que colossal distância motivara aquela novela. São 12 (doze) quilómetros, senhores. É preciso dizer mais?

sábado, 1 de agosto de 2020

SOZINHO NA RUA, NO DIA 1 DE AGOSTO DE 1970

Andava brincando no Jardim da Porta Nova, quando chegou a noite. Os dias de verão eram todos uns iguais aos outros. Felizes, tranquilos e iguais. Voltei para casa. Bati à porta. Nada. Nem um som dentro de casa. O postigo fechado, coisa rara. Rumei a casa dos meus tios, a escassos 50 metros. Nada também. Ninguém em casa. Já era noite cerrada. Fui à Sociedade dos Azeites, onde o meu avô era porteiro. Nada também. A porta da casa estava fechada, coisas que nunca acontecera. Intrigado e sem saber que fazer (aos 7 anos não temos grande experiência de vida...), regressei ao jardim. Pacatamente, sentei-me num banco. Fiquei à espera, não sei bem de quê. "Onde terão ido todos, assim ao mesmo tempo?". Nem a minha irmã, que só falava espanhol na altura (o que me dava sempre jeito, para a atazanar, mas naquele momento até eu falaria na língua da família de lá com ela), dava sinais de vida. Passou uma hora, depois outra. Eu sempre pacato e silencioso, no banco do jardim. Nem Manoel de Oliveira se lembraria de uma coisa assim.

Já seriam umas onze da noite, quando apareceram todos de roldão no jardim. Em passo apressado, que na altura ninguém tinha carro. Nascera o meu primo Pedro e tinham ido todos para o Hospital de Moura, ver a criança. Deixar de ter protagonismo e passar a ser ator secundário é isto.

Foi no dia 1 de agosto de 1970. Faz hoje 50 anos.

Parabéns, Pedro!

sexta-feira, 31 de julho de 2020

MONTALVÃO À LA MANIÈRE DE OLDENBURG

Não faço ideia o que irá ali surgir. O sítio está em obras e intitula-se MONTALVÃO VINTAGE. Tem um ar pop, à Claes Oldenburg, com aquela mega-enxada a pousar no teto da escola primária.

Em Montalvão quase não se vê ninguém. Está bem que o relógio marca 13.25, mas a verdade é que não se vê ninguém. Para quem será o espaço vintage?


quinta-feira, 30 de julho de 2020

ÁGUA - PATRIMÓNIO DE MOURA: A REABERTURA DO MATADOURO

Faz hoje 5 anos que abriu ao público a exposição Água - património de Moura. Foi um dos raros momentos em que, durante aquele mandato autárquico, meti as mãos na massa e dirigi diretamente um projeto na minha área de trabalho. Isso aconteceu por razões que não vêm agora ao caso.

Do ponto de vista conceptual, creio que muitos museus locais têm muito a ganhar com abordagens "não-diacrónicas" das coleções ou do património local. Embora possa e deva haver sempre documentação disponível sobre a história do sítio e do território. Mas isso é tema que dava pano para mangas.

Durante dois anos, Água - património de Moura esteve patente ao público. Houve outras exposições temporárias que se lhe associaram, houve debates e conferências, o local foi visitado por colegas autarcas de Portugal, Espanha, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Claro que cabe aqui especial menção a visita do Presidente da República Portuguesa. Tal como cabe destaque para os vários prémios com que a exposição foi distinguida.

Faço questão de assinalar a data. Porque aquele 30 de julho de 2015 não foi um dia como os outros. Nem para mim, nem para o Município, nem para todos os que estiveram envolvidos no projeto.


quarta-feira, 29 de julho de 2020

TELESCOLA SUPERIOR

Passei o segundo semestre a falar para o boneco. Era um seminário de mestrado, opcional e com poucos alunos. A situação foi fácil de gerir e ainda deu direito a uma visita de estudo aos bastidores da preparação de uma exposição, no Museu Nacional de Arte Antiga.

A partir de setembro, o caso muda de figura. A disciplina é de opção, mas costuma ter muitos alunos. O horário das 8 da manhã estava disponível. Fiquei com ele. Da estação de Entrecampos à Torre B da Faculdade são menos de 10 minutos a pé. Do Departamento confidenciaram-me que os alunos também gostam desse horário. "A tradição já não é o que era, alunos que gostam de se levantar cedo...", não pude deixar de pensar.

A "telescola" não me agrada. Farei o que for considerado apropriado. O ministro garante que as aulas são presenciais, os estudantes já vieram dizer que só as práticas o deverão ser. Prevê-se um início de ano letivo animado.

terça-feira, 28 de julho de 2020

ERA UMA VEZ UM PAI DE FAMÍLIA

Que foi passear a um jardim e não voltou a casa.
Que foi morto com 4 tiros, com uma arma ilegal.
Que era português e era ator.
Que tinha três filhos (o mais velho tem 7 anos).
Que vivia num país de brandos e brancos costumes.
Que foi mandado para a terra dele, sendo aqui nascido e criado.
Chamava-se Bruno Candé Marques.

O racismo existe. O resto é argumentação para entreter papalvos.

Um responsável da PSP já veio dizer (com a investigação a decorrer!) que as testemunhas não referiram insultos racistas antes do crime. O asqueroso líder de um partido fascista já veio dizer que não houve racismo. Adoro coincidências.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

MONOTONAMENTE

O melhor texto sobre a morte do ditador fascista é, na minha opinião, o de Miguel Torga, no seu Diário:

"Coimbra, 27 de Julho de 1970 - Morreu Salazar. Mas tarde demais para ele e para nós, os que o combatíamos. Para ele, porque não morreu em glória, como sempre deve ter esperado; para nós, porque o não vimos morrer na nossa raiva, na nossa humilhação, na nossa revolta. Viveu a frio conscientemente, envolto numa redoma de severidade gelada, a meter medo, e acabou por morrer a frio inconscientemente, numa preservada agonia amolecida, a meter dó. A doença desceu-o de super-homem a homem, e, a duração dela, de homem a farrapo humano. E, quando há pouco chegou a notícia de que se finara de vez, nenhum estremecimento abalou o País. Nem o dos partidários, nem o dos adversários. Para uns, a sombra definitiva do cadáver sobrepôs-se apenas à bruxuleante luz do ídolo; para os outros, o sentimento de piedade cobriu cristamente o ressentimento sectário. A obra de domesticação nacional estava realizada há muito por uma tenacidade dominadora que utilizava apenas as qualidades negativas do português, e não tinha outra sabedoria do tempo senão a lição da rotina sancionada nos códigos do passado. A fome de aventura, a inquietação da liberdade, o alento da esperança, o orgulho, o brio, a alegria e a coragem - tudo fora sistemática e impiedosamente apagado na lembrança da grei. Daí que se não vislumbrem quaisquer sinais de tristeza aterrada, e, menos ainda, de euforia redentora. A Nação inteira passou, sem qualquer sobressalto, de respirar monotonamente com ditador, a respirar monotonamente sem ele".

domingo, 26 de julho de 2020

MÉRTOLA, PELA MANHÃ


Continuando a perseguir o sr. Duarte Darmas. Hoje, pela manhã, recordando um poema de Cesariny. Porque Mértola é fugidia. A luz de Mértola escapa-se-nos, ao minuto. A vila ganha, a cada instante, contornos físicos. A luz que perdi hoje, vou encontrá-la amanhã.

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

ENSINO SUPERIOR - VERSÃO DAVID LYNCH

O ISCTE - BUSINESS SCHOOL resolver fazer a sua cerimónia de finalistas on-line. Uma ideia sensata, tendo em conta as limitações por que passamos.

A cerimónia foi divulgada via youtube. Outra ideia adequada. A parte estranha vem a seguir. O vídeo tem pouco mais de uma hora. Ao minuto 46 entra-se numa fase freak out. O professor que entrega os diplomas dirige-se a uma assembleia de bonequinhos (os alunos, supostamente) de legos, playmobils e nenucos... O ambiente faz recordar o David Lynch nas fases mais estranhas.

Provavelmente, estou a ficar velho. Mas há aqui qualquer coisa que me escapa.

sábado, 25 de julho de 2020

REGANDO RUAS EM TEMPOS DE PANDEMIA

A pandemia e o covid-19 fazem parte do nosso quotidiano há cerca de quatro meses. Medo, desconfiança, otimismo, esperança, luta, tenacidade, de tudo isto de se fizeram os nossos dias. Fui seguindo os conselhos e as indicações das autoridades com disciplina e com pragmatismo. Sem nunca ceder ao pânico, nem entrar em facilidades. Continuei a viver, adaptando-me à nova realidade. Corri o País todo, trabalhando num projeto que mobilizou parte dos minhas últimas semanas.

Uma coisa se me tornou clara. Não é com gestos de propaganda que os problemas se resolvem. A suposta "desinfeção" de ruas com água oxigenada deu o que deu. Ou seja, não deu nada. A Saúde não é um desfile de carnaval.

Repito o que, há meses, escrevi:

Não há nada de mal em regar as ruas com água oxigenada - como me comentava um jovem amigo "só tem efeitos nos orçamentos camarários" - sendo que o perigo, real e bem concreto, é as pessoas acharem que já estão em segurança. Ou seja, que podem sair e andar na rua, porque os espaços públicos foram "desinfetados".

Estas "regas" nada resolveram. Porque a Saúde Pública é um tema sério (que ultrapassa os meus conhecimentos) e não mera propaganda. Há decisores políticos que vão ter de prestar contas sobre a não-gestão que têm feito. Isso é algo que tenho como certo.

OREGOS, UMA COISA POPULAR

Era um professor baixinho e sempre de fato cinzento. Lecionava aquela cadeira há mais de 20 anos e fazia-o sempre da mesma maneira. Era um professor à antiga, previsível e imensamente monótono. Nunca ria e tinha o hábito de nos tratar por senhor ou senhora. Eu tinha decidido fazer aquela opção complementar (consta no currículo mas não "entrava" na média). Fui aluno mediano, nada mais.

O professor raramente dava a mostrar emoções. Comigo, só se enervou uma vez. Falava-se de ervas aromáticas e eu disse a palavra "oregos". O senhor deu um salto, visivelmente irritado: "Oregos não, senhor Macias! Oregos, não! ORÉGÃOS! Quem diz oregos é povo. Oregos é popular". De facto, em casa eu sempre ouvira dizer oregos e nunca me passara pela cabeça que estaria a incorrer num "erro". Que, em rigor, o não é. Sorri (mentalmente, claro) e decidi que diria sempre oregos. O que, ainda hoje e já lá vão 34 anos, continuo a fazer.

Ao entrar em Évora, ontem de manhã, uma carrinha ostentava uma tortíssima mas claríssima pancarta onde se lia "FIGOS & OREGOS". O povo aqui ganhou, caro prof. CS, não pude deixar de pensar.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

STARDUST MEMORIES Nº. 38: O REGADOR MÁGICO

Estes dias de paragem da atividade habitual dão para revisões do passado. Em 1975 ou 1976 passou na televisão uma série intitulada O regador mágico. Um comerciante desastrado descobre, por acaso, um regador na sua loja. O qual tinha, no interior, um génio, que se vê libertado ao fim de muitas centenas de anos. O génio não é genial e isso dá início a uma infindável serie de trapalhadas. Com a imbecilidade do politicamente correto, esta série seria crucificada, nos nossos dias. Na altura, fez-me rir desalmadamente. E ainda faz.

Foi uma de entre muitas geniais produções da Thames Televison. Já não se fazem coisas assim? Tenham a santa paciência, mas a resposta é não.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

LABIRINTO BABILÓNICO

Um labirinto em argila, com cerca de 4.000 anos. Esta extraordinária peça pertence a uma coleção norueguesa, a Schoyen Collection.

De Jorge Luis Borges (1899-1986), o homem dos labirintos:

LABERINTO

No habrá nunca una puerta. Estás adentro
y el alcázar abarca el universo
y no tiene ni anverso ni reverso
ni externo muro ni secreto centro.

No esperes que el rigor de tu camino
que tercamente se bifurca en otro,
que tercamente se bifurca en otro,
tendrá fin. Es de hierro tu destino

como tu juez. No aguardes la embestida
del toro que es un hombre y cuya extraña
forma plural da horror a la maraña

de interminable piedra entretejida.
No existe. Nada esperes. Ni siquiera
en el negro crepúsculo la fiera.

"Elogio de la sombra" (1969)


terça-feira, 21 de julho de 2020

HÁ SÓ UM LUÍS FILIPE COSTA

Li, há pouco, que morreu Luís Filipe Costa. Tinha uma voz nasalada e inconfundível. Só o conheci pela rádio e pela televisão. E tenho por ele enorme respeito.

Fez carreira no cinema e no jornalismo. Emprestou a voz a anúncios (recordo um, da pasta dentífrica SIGNAL 2, com hexaclorofeno) mas, muito mais que isso foi dele, e de Joaquim Furtado, a voz do 25 de abril. Teve um magazine televisivo chamado "O caso da semana" e coordenou um programa sobre questões ambientais e de cidadania, chamado "Há só uma terra". Isso foi há quase 50 anos. Ainda o tema não estava na moda e não éramos fustigados com as gretas da treta. O programa de Luís Filipe Costa abanou um jovem de 11 anos, autor deste blogue. Tenho a certeza que causou o mesmo efeito em muitos outros da minha geração. Fazer a diferença é isto. Ser melhor e maior que os outros é isto.

Viva Luís Filipe Costa, sempre!

8.12.2008-21.7.2020: 6.000

6.000 textos publicados em quase 11 anos e meio de atividade ininterrupta. Salvo raríssimas ocasiões, todos os dias por aqui se escreve. Não há "agenda", mas há planeamento. Um longo caminho, que um dia terminará.

Amanhã, será a vez dos labirintos.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

STARDUST MEMORIES Nº. 37: MATEUS ROSÉ

Neste caso, é uma memória alheia e tem a ver com uma historieta passada com um familiar, em Monte Gordo, em 1968. Ao lembrar-me hoje disso, em Moura, resolvi "arriscar". Aos 57 anos, 1 mês e 16 dias comprei, pela primeira vez, uma garrafa de Mateus Rosé. O facto de ser o vinho preferido de Saddam Hussein não augurava grande coisa... Há também uma fotografia em que se vê Jimmy Hendrix a beber uma garrafa, pela garrafa, o que também não é lá grande coisa.

Ensopado de borrego com Mateus Rosé? Sim, duas vezes: a primeira e a última.

domingo, 19 de julho de 2020

QUANDO O PATRIMÓNIO É ARMA POLÍTICA

A recente decisão turca de reconverter a basílica de Santa Sofia em mesquita é mais um capítulo na já longa história do monumento. De basílica para mesquita, depois museu, agora novamente mesquita. Esta última mudança causou comoção e protestos um pouco por todo o nosso mundo ocidental. A intenção fora expressa por Recep Tayyip Erdogan, em março de 2019, durante a campanha eleitoral para as eleições municipais. O tema nem sequer é recente. Há mais de 50 anos, o poeta islamista Necip Fazil Kisakurek protestava publicamente contra o estatuto de museu dado à antiga mesquita. E profetizava que o regresso ao passado seria uma questão de tempo. Não se enganou.

Esta decisiva mudança de estatuto representa um retrocesso? Não tenho dúvidas que as modificações de uso de monumentos, determinadas de modo reativo e como forma de marcar uma agenda política, são sempre um recuo. Também aqui não há novidades. No fundo, e de forma talvez demasiado simplificadora, aquilo que nós, ocidentais, valorizamos do ponto de vista cultural e patrimonial, é aquilo que outros rejeitam. A destruição dos Budas de Bamyan e de importantes testemunhos históricos e artísticos em Palmyra são as duas faces da intolerância e, também, de uma forma de afirmação política anti-ocidental. Nestes dois casos, tal como no de Santa Sofia, estamos ante exemplos de monumentos e de sítios classificados pela UNESCO como Património da Humanidade.

Não é tanto sabermos que a antiga basílica de Constantinopla volta a ser mesquita que é o fator principal de preocupação. Em boa verdade, o monumento está na Turquia e é aos turcos que, em última análise, cabe uma decisão sobre o uso a dar aos seus edifícios históricos. Claramente, têm esse direito, por muito que tal custe a um paternalismo ocidental que me faz lembrar, irresistivelmente, o episódio do astrónomo turco em “O principezinho”. O tal que só foi levado a sério quando se passou a vestir como nós.

O problema principal está nos danos colaterais. Erdogan, que se veste como nós, tem uma agenda política claramente traçada, desde há muito. Ao reverter Santa Sofia,passando por cima da Convenção do Património Mundial de 1972,deu mais um claro sinal à Europa. E arriscou, também, abrir a caixa de pandora do Património. Claro que deu garantias que fica “quase tudo” como antes. Toda a gente, independentemente do seu credo e nacionalidade, pode continuar a visitar a mesquita. E também está garantida a preservação dos mosaicos cristãos que cobrem as paredes interiores de Santa Sofia. Que serão, pudicamente, tapados com cortinas ou com raios laser durante as orações. Uma operação que terá de ser repetida 1825 vezes por ano. A tentação seguinte será, bem o temo, a cobertura dos mosaicos por períodos mais dilatados de tempo. Soluções diplomáticas como este “tapa-destapa” esbarram, mais cedo ou mais tarde, na realidade do quotidiano, nas pressões de grupos radicais e nos interesses políticos à qual a realidade e a perenidade do Património são alheias.

Hoje, no "Público"

sábado, 18 de julho de 2020

CAMOËNS

Essa coisa do til... E dos ditongos... Em todo o caso, a tela perpetua a morte de Camões. É obra de Joseph Léon de Lestang-Parade (1810-1887) e está hoje no Musée Granet, em Aix-en-Provence.

Le Camoëns escreveu sonetos como este:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontade
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.



sexta-feira, 17 de julho de 2020

GO EAST, POR 4827 EUROS

Vão para o interior, com um apoio de 4.827 euros. A medida é penosa, de tão pueril. E revela bem a distância que vai entre quem imagina as coisas e quem as vive. A medida não é nova. Já foi anunciada e novamente anunciada. É o novo estilo de fazer política. Não importa fazer, mas anunciar que se faz.

Go west, diziam os Village People (e os Pet Shop Boys). A mensagem era "outra", bem sei, mas aqui pouco importa. Go east, mas baratinho,  diz o Governo da Pátria...

MANTOS DE LUZ

A fotografia de cima é de ontem à noite, em Moura. Houve celebração, nas Festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo, em tempos de pandemia. A ideia foi muito feliz e resulta lindamente. Cobrir o chão com luz dá aquele tapete e ilumina o tempo que há-de vir.

A de baixo pertence ao projeto Caligrama, que a artista plástica Eva Lootz montou no Khan Assad Pasha, na cidade velha de Damasco, no Outono de 2003.

E, de Fernando Pessoa,

NÃO QUERO IR ONDE NÃO HÁ A LUZ,


Não quero ir onde não há a luz,
Do outro lado abóbada do solo,
Ínfera imensa cripta, não mais ver
As flores, nem o curso ao sol de rios,
Nem onde as estações que se sucedem
Mudam no campo o campo. Ali, no escuro,
Só sombras múrmuras, êxuis de tudo,
Salvo da saudade, eternas moram;
Região aos mesmos íncolas incógnita,
Dos naturais, se os tem, desconhecida.
Ali talvez só lírios cor de cinza
Surgirão pálidos da noite imota.
Ali talvez só gelo com as águas,
Como a cegos, serão, e o surdo curso,
No côncavo sossego lamentoso,
Se acaso à vista habituada aclare,
Será como um cinzento tédio externo.

Não quero o pátrio sol de toda a terra
Deixar atrás, descendo, passo a passo,
A escadaria cujos degraus são
Sucessivos aumentos de negrume,
Até ao extremo solo e noite inteira.

Para que vim a esta clara vida?
Para que vim, se um dia hei-de cair
Da haste dela? Para que no solo
Se abre o poço da ida? Porque não
Será sem fim (...)

quinta-feira, 16 de julho de 2020

PORTUGUÊS SUAVE

O "português suave" tem sido um dos meus embates regulares das últimas semanas. Vou-me cruzado com ele um pouco por toda a parte: Chaves, Vila Nova de Famalicão, Porto, Faro, Bragança, Caminha, Loulé... Compreendo a rejeição que o estilo provocou, na altura. E o combate que lhe fizeram, pela ligação próxima ao Estado Novo. Mas a verdade é que muitos destes edifícios são funcionais e têm qualidade de construção. Os arquitetos que os desenharam não eram gente desqualificada... Não raro, são construções que ficaram melhores depois de velhos que na juventude.

Um deles, o do desaparecido Monumental, era bem melhor que o inexpressivo bloco que agora ali se vê.

O QUE FAZ FALTA

Não sei bem quando o ritual deste almoço da sexta-feira da Festa começou. Talvez em 2011 ou em 2012. Foi mantido, sem falhas, até ao ano de 2020. Será retomado em 2021, no sítio de sempre. No Malato, na Rua do Poço. Nas feiras, também se juntava este grupo. As razões são precisas e do foro pessoal. "Aquilo" foi sempre um momento de grande descontração e era/é o prenúncio dos grandes dias que viriam. A fotografia data de 2017 e estou de mangas compridas porque houve, de manhã, uma daquelas reuniões-de-gravata.

Olhando para cima? Coisas do André Linhas Roxas, durante uma ida ao Porto, no dia em que foi assinado o contrato do Continente, em 2016.

Moura faz-me falta? Faz, sempre. A vila e o concelho. Estes momentos, eles, os da fotografia, e muitos mais como eles, fazem-me falta.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

WWW.DUARTEDARMAS.COM - dia 1

Arrancou e já há site: www.duartedarmas.com. É só a capa, mas dentro de semanas começará a ser preenchido. Até ao final do ano, o projeto estará terminado. Uma longa caminhada (iniciada em 2004!), que agora se aproxima do fim. Como eram, como são. Com a ajuda de um drone.

São vinte os sítios abrangidos:

Alandroal
Alpalhão (Nisa)
Arronches
Assumar (Monforte)
Campo Maior
Castelo de Vide
Elvas
Juromenha (Alandroal)
Mértola
Monforte
Monsaraz (Reguengos de Monsaraz)
Montalvão (Nisa)
Moura
Mourão
Nisa
Noudar (Barrancos)
Olivença
Ouguela (Campo Maior)
Serpa
Terena (Alandroal)

terça-feira, 14 de julho de 2020

STARDUST MEMORIES Nº. 36: SIDNEY BECHET E ALCATIFAS ROBILON

Ao ouvir, esta manhã na Antena 2, a entrevista a António Saiote e ao escutar depois uma interpretação de "Petite fleur", obra de 1952, fui remetido para um passado já distante. Era essa a música de um anúncio na tv, há 50 anos. Um casal de ar chique dançava ao ar livre, em cima de uma alcatifa, na qual se viam ainda uma mesa, com um frapé, e duas cadeiras. Por detrás, uma locomotiva passava por cima da alcatifa, enquanto em off alguém dizia "em sua casa não passa um combóio". Estava assim garantida a durabilidade das alcatifas Robilon.

No meio de tanta coisa que há na net, não consigo encontrar essa pérola da publicidade.

Sidney Bechet é imortal, isso sim.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

LINHAS CRUZADAS

Um mês volvido, 83 edifícios visitados, 4.000 imagens depois do início, vincam-se-me convicções. Que podem não estar certas. Não gosto de traços desnecessários. Nem dos barroquismos. Os edifícios "de antes" não pioraram com o tempo, antes pelo contrário. Octávio Lixa Filgueiras, João Simões, Manuel Fernandes de Sá tinham visões interessantes sobre o que pretendiam concretizar. Só o antigo é bom? Nem pensar. Em tempos recentes houve/há Carrilho da Graça, Manuel Tainha, Gonçalo Byrne.

Uma certeza: os materiais usados outrora eram de uma qualidade superlativa. Os de hoje são uma completa fancaria.

A primeira manga da Volta a Portugal está concluída. Ganhei uma inesperada experiência. E, à custa de tantos ares condicionados (que detesto), uma infernal otite.

domingo, 12 de julho de 2020

O JUSTICEIRO DO MEIO DIA

Nem me dei ao trabalho de comprar o jornal ou de procurar o conteúdo online. Verdade, verdadinha, nunca tive grande paciência para egos dilatados. Comentava-me, há dias, um gestor da área financeira "não há jornalistas, há indivíduos que discutem connosco em pé de igualdade, que estão no mesmo patamar de conhecimento que nós; noutra vertente, temos os 'justiceiros', sempre à procura de um qualquer escândalo". José Gomes Ferreira, ele próprio promovido à categoria de estrela, é um dois em um. Sabe, perora e administra justiça. Ao jeito dos melhores treinadores de bancada.

Na capa do i alinhava previsíveis banalidades. O que eu gostava mesmo era que um destes "especialistas" nos viesse explicar, com números e tudo, de que forma esta pandemia veio pôr a nu a miséria social do capitalismo. Os lares aflitivos, os países com sistemas de saúde em que vigora a lei da selva, o salve-se quem puder... Aí é que era.

O justiceiro do meio dia? Foi o único nome que me ocorreu. É uma comédia dos anos 70, em que Franco Franchi parodia um conhecido policial, protagonizado por Charles Bronson.

sábado, 11 de julho de 2020

... FICA NO NORTE E É VILA DO CONDE

Há muitos anos que não ía a Vila do Conde. A passagem foi rápida, para fotografar um edifício desenhado pelo prolixo Octávio Lixa Filgueiras (1922-1996). Ao vivo, gostei bem mais do que os alçados vistos no arquivo, devo dizer.

À chegada, um taipal da autarquia tinha um excerto de um poema de Ruy Belo (1933-1978), dedicado a Vila do Conde. É, creio, uma das mais bonitas declarações de amor a um sítio.

Nem o arquiteto nem o poeta eram de Vila do Conde, por sinal.


O lugar onde o coração se esconde
é onde o vento norte corta luas brancas no azul do mar
e o poeta solitário escolhe igreja pra casar
O lugar onde o coração se esconde
é em dezembro o sol cortado pelo frio
e à noite as luzes a alinhar o rio
O lugar onde o coração se esconde
é onde contra a casa soa o sino
e dia a dia o homem soma o seu destino
O lugar onde o coração se esconde
é sobretudo agosto vento música raparigas em cabelo
feira das sextas-feiras gado pó e povo
é onde se consente que nasça de novo
àquele que foi jovem e foi belo
mas o tempo a pouco e pouco arrefeceu
O lugar onde o coração se esconde
é o novo passado a ida pra o liceu
Mas onde fica e como é que se chama
a terra do crepúsculo de algodão em rama
das muitas procissões dos contra-luz no bar
da surpresa violenta desse sempre renovado mar?
O lugar onde o coração se esconde
e a mulher eterna tem a luz na fronte
fica no norte e é vila do conde

NÃO MATAR A MEMÓRIA

O alvoroço tem sido constante. E tem vindo num crescendo ruidoso, que se torna difícil de suportar. Exige-se a remoção de estátuas e de outros monumentos em memória de figuras históricas. Chefes militares, políticos, clérigos, todos têm sido alvo da fúria purificadora. Nem o Padre António Vieira escapou...
Se tomarmos como padrão a ética do século XXI, pouco escapará. Camões tinha um escravo, Afonso de Albuquerque foi um facínora, D. João II de perfeito só tinha o cognome e podemos multiplicar os nomes e as figuras. Nenhum corresponde ao padrão de neutralidade em que alguns querem tornar os nossos dias. É tão simples quanto isto: o contexto cultural, económico, social, religioso e político de 1383 ou de 1755 nada têm a ver um com o outro e, muito menos, com os valores dos nossos dias. A esta luz, quase tudo o que outrora se fez ou é ofensivo ou agressivo ou viola os direitos de minorias. Dizia-me, há dias, um historiador de arte, a propósito de um muito assertivo, e absurdamente incensado, grupo de pressão “vais ver que ainda vão armar estrilho à volta dos Painéis de S. Vicente, por haver poucas mulheres representadas...”. Não me espantará se qualquer coisa do género emergir.
Que fazer, então? A solução mais fácil é a do arrasamento. Como fizeram os taliban com os budas de Bamyan. Elimina-se aquilo de que discordamos. O que implica, também, eliminar a memória do que se passou. Ou reescrever ou tentar recriar essa mesma memória, o que é igualmente perigoso.
Foi esse tremendo equívoco que esteve na base do falhanço do abortado Museu da Descoberta (nunca percebi a razão do singular, para ser sincero). Assinalar datas, personagens e factos não implica, necessária e obrigatoriamente, o retomar do discurso nacionalista e da vulgata heróica. Ao contrário, a presença física desses heróis do passado – o Padrão dos Descobrimentos e Afonso de Albuquerque, em Belém; Vasco da Gama, em Angra do Heroísmo, António Raposo Tavares, em Beja – ajudam-nos a explicar factos e a contextualizar atitudes. A maior parte delas condenáveis, à luz da nossa moral.
Por mais que não gostemos de muitas coisas que se passaram, elas aconteceram, são factos que fazem parte do nosso passado e que não podem ser apagados. Mandar fora estátuas, padrões, inscrições, quadros, porque “ofendem” ou são “opressivos” é abrir uma caixa da pandora que será depois quase impossível fechar. Continuo a defender que é preferível a contextualização à destruição, a pedagogia à negação. Porque a outra tentação, a do apagamento, é claramente perigosa. Pode até ser mais simpática e consensual num primeiro momento. Virá depois o vazio e o pôr em risco a memória. Que é, manifestamente, algo de que não podemos prescindir. Nem individual, nem coletivamente.

Texto publicado ontem, no "Diário de Alentejo"

sexta-feira, 10 de julho de 2020

PERFÍDIA

Chamaram-me, há dias, a atenção para um texto num grupo de uma rede social onde, em termos mais que incorretos, era posta em causa uma intervenção da Câmara Municipal de Moura à qual estive, de muito perto, ligado. Entendi não entrar no jogo de respostas e, muito menos, de explicações. O projeto foi iniciado há mais de 10 anos e inaugurado em outubro de 2013 (!).

Adoro acasos.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

O INCONTORNÁVEL TRINARANJUS MATINAL

Hoje, de manhã cedo, perguntaram-me se queria sumo de laranja. Perguntei se era natural. O senhor respondeu que sim, com ar quase ofendido. Tirando os hotéis do topo - que não frequento, e este não era "desses" - o hábito é darem-nos um copo de laranjada. Não bebo copos de laranjada artificial pela manhã pela simples razão que em casa também não tomo sumol ao pequeno-almoço.

O sumo era assim-assim. A manhã também esteve assim-assim. Depois, e indo para sul, o dia melhorou.


terça-feira, 7 de julho de 2020

ESCADOTE

Logo eu, que tanto DETESTO bricolage, passei a ter como companhia obrigatória um escadote. Várias vezes ao dia. Não é o mesmo, bem entendido. Em cada local a fotografar, peço sempre antecipadamente um escadote. O pedido tem causado estranheza, logo desfeita ante a simples explicação, que é preciso ganhar altura, porque melhora as perspetivas etc. etc..

Esta verdadeira Volta a Portugal em Escadote dá pano para mangas. Já os apanhei de todas as formas, pesos e feitios.

Um GNR, no Crato "eh pá, espere lá aí, que ainda me cai daí abaixo e tenho de tomar conta da ocorrência; eu seguro o escadote" (e segurou mesmo);
Em Loulé "se eu fosse ao meu amigo, não ficava aí em cima muito tempo; esse é mais falso que Judas";
Em Bragança, um agente da PSP, "quer que mande parar o trânsito agora, enquanto está aí em cima?" (e parou mesmo, vá lá que ninguém me conhece por aquelas bandas...)
Em Montalegre, escarninhamente, "que chegar ao chéu?";
Outro GNR, em Lousada, "se puder, tente não cair".

Quando o escadote não dá, uso da maior lata. Na Vidigueira, terreno conhecido, coloquei-me na sala de sessões da Câmara Municipal; em Cuba, numa habitação particular, com uma senhora idosa intrigada com todo aquele aparato e contentíssima por ajudar; em Chaves, subi ao primeiro andar da biblioteca municipal; em Vila Real, fiz alpinismo nas paletes dos materiais de uma obra . Mas o melhor foi em Amarante, onde me deixaram usar o quarto de um hostel ("vá lá, sim, não se preocupe, sim, sim, pode ir sozinho") para ter a perspetiva que não conseguia de outra forma.

Amanhã, nova corrida, nova viagem.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

ENNIO MORRICONE (1928-2020)

Não sabia falar inglês, nunca quis viver em Hollywood. Foi o mais genial compositor de bandas sonoras para filmes. Já várias vezes o referi, repito-o agora, na hora em que partiu.

Imaginam O bom, o mau e o vilão sem aquela cavalgada de sons?
Ou o reviver da sétima arte em Cinema Paraíso sem aquela música nostálgica? Eu não consigo. Aqui fica um pouco do talento imenso de Morricone. Os óscares? O génio não se mede em bonecos.

domingo, 5 de julho de 2020

ADIAMENTO...

Ainda não é desta...
Este livro está "difícil", apesar de impresso há vários meses.
Será dentro de dias, como devidamente se anunciará. O programa segue dentro de momentos.