segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

BERLINER MAUER

Os dados são mais que conhecidos: o muro de Berlim foi construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961. Tinha uma extensão de 66,5 km de gradeamento metálico e compreendia ainda 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas. Dezenas de pessoas morreram tentando cruzar o muro de Berlim para chegar ao sector ocidental da cidade. Nenhuma foi morta ou capturada na direcção inversa.

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O muro foi abaixo, faz hoje vinte anos. O assunto tem, ao longo do dia, suscitado várias reflexões interessantes, como a da Francisco Seixas da Costa. A queda do muro não foi a causa do que viria a suceder nos anos seguintes, mas sim a consequência de décadas de governação dominada por uma elite que se tinha, podemos dizê-lo sem hesitações, acomodado e aburguesado. E corrompido moralmente. Na realidade, a derrota do bloco de leste começa na década de 50 e não trinta anos depois. A derrocada desenha-se com o derrube, processo sumário e vegonhosa execução de Imre Nagy. Repetindo o que ontem escrevi num comentário, no blogue A cinco tons: pensava-se que com o socialismo nasceria o Homem Novo. Bastaria o desejo de transformar a sociedade e sua transformação aconteceria. Não bastou e não aconteceu. E a absoluta estatização da vida levaria - e levou - ao tédio, ao desinteresse e à burocratização do sistema. A absoluta estatização matou também as ambições individuais, esse sal necessário à diferenciação e ao desejo de fazer mais e melhor. A completa burocracia da criação matou as vanguardas, controlou o pensamento e deu corpo a polícias políticas.

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Onde esteve então a vantagem do socialismo e quais as diferenças em relação ao nazismo? A primeira parte da questão liga-se com a segunda. Sem o socialismo de leste teria tardado muito mais a libertação do Terceiro Mundo. Sem a difusão do ideário marxista, a tomada de consciência dos povos colonizados não teria tido a pujança que teve e o sopro libertador que varreu África nos anos 50 e 60 do século XX seria muito mais lento e feito de acordo com o tempo das antigas potências. Estas acabaram, décadas mais tarde, por recuperar o terreno perdido, mas isso é já outra história… E a dinâmica libertadora que, à sombra inspiradora do socialismo, varreu o mundo do pós-guerra não tem paralelo de qualquer tipo nos regimes nazi-fascistas, aos quais a palavra SOLIDARIEDADE foi sempre repulsiva. Dizer e, pior, tentar provar o contrário é uma obscena mentira e uma falácia sem classificação. E nunca será de mais sublinhar que é nas forças de esquerda, com os comunistas à cabeça, que reside a esperança de libertação de vastos sectores do planeta. O laboratório político da América do Sul tem, nesse aspecto particular, ainda muito a dizer.

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Porque sou, no meio de todas as contradições, militante do Partido Comunista Português? Por algumas das razões que me levariam a não o ser num país de leste nos anos 50, 60 ou 70. Antes de mais pela necessidade que há hoje em combater o "establishment". Porque há uma proximidade em relação aos mais desfavorecidos que não vejo noutros partidos. Porque gosto de estar junto do povo, no seio do qual nasci. E porque reconheço no PCP uma ética de actuação e uma modéstia nas atitudes que não vejo também noutros. Estarei sempre deste lado da estrada. Até ao dia da tomada do poder ou até ao momento em que a tentação do pensamento único quiser prevalecer.
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De outros muros, bem menos populares junto da dócil comunicação social que temos, apresentarei alguns dados amanhã.

O ISLÃO ENTRE TEJO E ODIANA

Recebi, há pouco, um mail do Campo Arqueológico de Mértola, anunciando que a exposição O Islão entre Tejo e Odiana está patente em Arraiolos até ao próximo dia 27.
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Li o mail com uma sensação estranha - seria nostalgia? -, por ver que ainda mexe um projecto que eu próprio concebi em 1996 (!) e que a exposição, montada pela primeira vez, em Évora, em 1997 (!), ainda circula. Percorreu dezenas de concelhos - sobretudo da região alentejana -, mostrando, em pouco mais de uma dezena de painéis, os aspectos mais visíveis da presença islâmica em terras do sul. Pensava eu que a mostra estava, em definitivo, arrumada. Enganei-me. Às vezes é bom estarmos enganados.
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O projecto O Islão entre Tejo e Odiana foi financiado pela CCRA desses tempos já distantes.
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Detalhe de peça em corda seca total do Museu de Mértola

ARGEL II - OS DIAS E AS MIRAGENS (1ª parte)

O velho 727 da Air Algérie descreve uma curva apertada e quase acrobática, 360º que causam ansiedade e mal-estar em alguns passageiros. O avião vai descendo depressa, inclinado sobre o lado direito o que nos faz trocar, por momentos, a vista da terra pela do mar, poucas centenas de metros mais abaixo. Alguns minutos mais tarde aterramos, com rapidez e brusquidão, na pista da aeroporto Houari Boumediene, em Argel. Quando saímos, já o aparelho está rodeado por um grupo de militares de metralhadora em punho, olhando desconfiadamente a área em volta. A que país vim eu parar, é a primeira pergunta que faço, sem esperança de ter resposta.


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Não teria vindo a Argel, se tivesse dado ouvidos aos conselhos que me deram. Um país em ebulição, uma guerra civil latente e os atentados não fazem de Argel o melhor dos sítios para fazer turismo ou dissertar sobre arqueologia.


E, contudo, a violência pouco tem de inédito naquela parte do Magrebe. Desde 1980 que a subida do integrismo islâmico começou a pôr os nervos em franja ao poder político argelino. Manifestações estudantis, prisões e mortes foram marcando uma escalada de violência que desembocaram nos graves tumultos de 5 de Outubro de 1988 em Bab el-Oued, bairro popular de Argel. Duas semanas mais tarde hão-de contar-se por centenas os mortos.


A espiral começa, em definitivo, nesses dias. Os islamistas do FIS (Frente Islâmica de Salvação) conquistam a confiança dos bairros populares e irão ganhar, com mais de 50 % dos votos, as eleições locais e regionais de Junho de 1990 e, com 47, 5 %, a primeira volta das legislativas em Dezembro de 1991. O resto da história é bem conhecido: anulação das legislativas, prisão dos lideres integristas, estado de sítio, mais prisões e massacres, perseguições a jornalistas e a quadros superiores, assassinato de estrangeiros, a guerra civil instalada quase até hoje. No meio não faltarão vozes a acusar os militares de estarem por detrás de muitas das acções atribuídas ao FIS, bem como de serem os responsáveis pela corrupção e, em última análise, pelo empobrecimento da população.


Nada disso é visível à chegada, apesar do espalhafato das metralhadoras, nem no percurso que a viatura da embaixada faz pelas ruas de Argel, por entre subidas e descidas rodeadas de vegetação frondosa e onde, de vez em quando, se consegue ter uma vista do centro da cidade, com a casbah ao fundo, o Mediterrâneo à direita e um céu baço por cima. As areias do Saara chegam até aqui e dão ao ar um tom acastanhado. A primeira miragem de Argel é o céu azul, que não dará sinais durante toda uma semana.


Imaginamos sempre os sítios que não conhecemos, como se pudéssemos conceber e urbanizar cidades distantes. Construímos ruas que nunca existirão, praças que não foram construídas, ambientes que são estranhos à realidade, ficcionamos cores e pessoas. Foi um pouco diferente com Argel. Sabia das ruas largas e das longas arcadas de ar acolhedor, que vira em tempos no célebre “Z, a orgia do poder”, supostamente passado algures mas rodado na margem sul do Mediterrâneo. Sem que o tivesse dito a ninguém, era por causa daquele filme e das ruas que mostrava que agora ali estava.


Durante muitos anos, tive de Argel essa imagem dos tempos coloniais, numa cidade pouco magrebina e africana ainda menos. Entre o centro de Argel e o extremo norte da cidade, no bairro de Bab el-Oued, repetem-se os prédios do princípio do século. Colunatas, janelas de desenho elaborado e frontões de recorte neo-clássico dão aos edifícios um ar próspero e por momentos julgamos estar numa cosmopolita cidade europeia.

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Primeira de três partes de uma reportagem publicada no Diário do Alentejo no Verão de 2000. A viagem tivera lugar durante a Primavera desse ano. A fotografia (tirada por volta de 1880) mostra o porto, com os edifícios, já da era colonial, ao longo do Mediterrâneo e a cidade antiga por detrás.

sábado, 7 de Novembro de 2009

AMIGOS PARA SEMPRE - II

Antes de me remeter a um silêncio de 48 horas - até segunda-feira, por volta da hora do almoço, altura em que "viajarei" entre Argel e Berlim - aqui fica uma fotografia, que não é das mais citadas, de Henri Cartier-Bresson (1908-2004).

A fotografia foi feita em 1969, em Simiane-la-Rotonde, no sul de França. Como tantas outras imagens de Cartier-Bresson é de uma aparente simplicidade. O "truque" esteve sempre em transformar o instante decisivo em momentos sublimes. A pose dos dois amigos, em primeiro plano, expressa bem a cumplicidade e a perenidade das amizades de infância, aquelas que, juramos naquela altura, são para sempre. Com o passar dos anos são semi-esquecidas. Com o passar de mais anos começamos a ganhar a certeza que nos dias de infância tinhamos razão.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

MAIS MOURENSES

Um leitor anónimo estranhou o meu desconhecimento em relação a nomeações para os prémios MAIS ALENTEJO. Reitero que disse - no site da revista não consegui obter informações - e só através de um blogue cheguei aos nomeados. Aqui deixo, com todo o gosto, o nome dos meus conterrâneos que estão nessa lista:
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Mais Autarca - José Maria Pós-de-Mina
Mais Política - Sílvia Ramos
Mais Teatro/Televisão - Isaac Alfaiate
Mais Literatura - João Mário Caldeira
Mais Artes - Silvestre Raposo
Mais Desporto - Miguel Garcia
Mais Manjares - O Celeiro / Sabores da Estrela
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Fotografia Carlos Monteiro. APEL. Funchal.

BERLIM - 1945

Agora que tanto se fala de Berlim - e a Berlim "voltarei" no dia 9 - é hora de prestar homenagem a um dos nomes maiores da fotografia do século XX. Refiro-me a Yevgeny Khaldei (1917-1997), nascido na Ucrânia no seio de numa família judia. Não ter nascido no ocidente fez com que o seu nome seja conhecido num círculo relativamente restrito. O que é pena, porque o á-vontade com que Kahaldei se movimentou entre o experimentalismo e a fotografia de reportagem, o seu talento e sentido plástico fazem dele um artista à altura de George Rodger ou de Robert Capa.
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A fotografia do soldado soviético no topo do Reichstag, uma das mais extraordinárias (e célebres) imagens da 2ª Guerra Mundial, tem vários detalhes "picantes". Relato um deles: a fotografia que a imprensa então publicou teve que ser retocada. É que o soldado exibia dois relógios, um cada pulso. Não havendo necessidade de saber as diferenças de fuso horário entre Berlim e Moscovo era mais que evidente que o conquistador se dedicara a plácidas tarefas de pilhagem...
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À falta de melhor veja-se: http://www.chaldej.de/

LÓGICA E.M.

O que é?
A Lógica – Sociedade Gestora do Parque Tecnológico de Moura, EM, é uma sociedade comercial, constituída sob o tipo de empresa municipal, que iniciou actividade em final de Fevereiro de 2008.
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Missão
Instalação, Desenvolvimento e Gestão do Parque Tecnológico de Moura, bem como a prestação dos serviços de apoio necessários à sua actividade.
Promover actividades de Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Demonstração (I&DTD) na área das energias renováveis em parceria com a indústria e entidades do Sistema Científico e Tecnológico.
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A LÓGICA E.M. tem uma nova página web:
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É bom ver o nosso concelho na vanguarda.
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A arte cinética de Victor Vasarely (1908-1997) representa o dinamismo do futuro à nossa frente. Bem sei que Vasarely teve uma fase de popularidade que não se reflecte nos nossos dias, mas continuo a achar interessante o seu exprimentalismo.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

SUBITAMENTE, CECÍLIA MEIRELES

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
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Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
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Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
_ Em que espelho ficou perdida
a minha face?
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Subitamente, outra inspiração, com as palavras de Cecília Meireles (1901-1964). Não foi difícil encontrar uma face que exprimisse, de forma enigmática, a tristeza e a melancolia do retrato. Poderia ter recorrido aos olhos de Anna Magnani. Preferi o ar distante, de tudo e de todos, de Jean Seberg, num filme que já aqui foi citado e que nunca poderei esquecer: Bonjour tristesse.

RECOMEÇO

E assim começa em pleno o novo mandato autárquico. O despacho assinado ontem pelo Presidente da Câmara determina, de forma que a seguir se resume, a seguinte distribuição de pelouros e competências.
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José Maria Prazeres Pós-de-Mina (PCP) - Presidente da Câmara
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Terá a seu cargo a coordenação das quatro áreas definidas no organograma em vigor.
Terá sob a sua responsabilidade directa o Departamento de Gestão, de Recursos Humanos e Financeiros e os serviços que, de acordo com o organograma, dependem directamente do presidente.
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José António Linhas Roxas de Oliveira (PCP) - Vice-Presidente da Câmara
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Responsável directo pela Divisão de Obras Municipais e Conservação e pela Divisão de Serviços Urbanos e Ambiente. Será ainda responsável pela secção administrativa do Departamento Técnico Municipal.
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Maria José Fialho Silva (ind.) - Vereadora em regime de permanência
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Responsável directa pelo Departamento Sócio-Cultural e pelo Espaço de Informação às Mulheres.
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Santiago Augusto Ferreira Macias (PCP) - Vereador em regime de permanência
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Responsável directo pela Divisão de Planeamento e Administração Urbanística e pela Divisão de Apoio ao Desenvolvimento e Assuntos Comunitários

SERRA DE SERPA

Há uns vinte anos a zona do Alentejo onde vivemos tinha a designação, directa e verdadeira, de Zona Crítica Alentejana. Depois, vieram os burocratas e passou a ser extensivo o uso de siglas: NUT, OID, PNPOT, etc. etc. O interior alentejano não deixou de o ser e os problemas não despareceram. Apenas as conversas se tornaram mais sofisticadas.
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A RTP apresentou ontem uma reportagem sobre os montes da Serra de Serpa que continuam a não ter energia eléctrica. Como habitante no território e como apaixonado pelo jornalismo e pela comunicação fiquei, no mínimo, surpreendido com a abordagem escolhida por Mafalda Gameiro. Depois de entrevistar os habitantes e de ouvir as suas queixas, virou as atenções para a Central Fotovoltaica de Brinches e para a Câmara de Serpa. Que disseram da sua justiça, embora, e sei-o por experiência própria, as autarquias sejam sempre o alvo mais fácil de atingir e o elo mais fraco nesta cadeia.
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Enquanto habitante no território e enquanto cidadão português não percebi porque raio a jornalista não entrevistou ninguém da EDP, nem nenhum responsável governamental. Ou um deputado, já agora.
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Fiquei sem saber coisas que gostaria de ter ficado a saber:
1. Qual a responsabilidade social de empresas como a EDP?
2. Conta apenas o lucro (e que lucros a EDP tem tido!) ou há outro tipo de compromissos para com os cidadãos?
3. Tem o Estado o mesmo tipo de tratamento em relação aos habitantes do litoral e aos do interior? Tem o interior mecanismos de compensação?
4. Que tipo de apoio podem aqueles agricultores - não estamos a falar de casas de férias - esperar?
5. Quanto custaria a electrificação dos montes da Serra de Serpa? Quanto é que isso representa, em termos de percentagem, dos lucros da EDP?
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Sim, já sei que as perguntas são de uma absoluta ingenuidade... Mas são aquelas que acho que deveriam ter sido feitas e não foram.
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ET IN ARCADIA EGO

Quebrando um hábito meu aqui se publica um post quase privado. Ou melhor, feito a pensar em tempos que já lá vão. E em coisas de que ficaram boas recordações.
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Este é também um post exclusivamente mourense e dedicado aos amigos com quem passava as férias de Verão. À falta de capitais para irmos para o Algarve organizávamos acampamentos nas margens do rio Ardila. Como este, feito em Agosto de 1980.
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Foi, talvez, o último acampamento que fizémos. O ambiente não era exactamente o de "Reviver o passado em Brideshead", que li por essa altura, mas a memória de um tempo feliz e despreocupado ficou. Não há ninguém que não tenha passado por isso...


Em baixo, de guarda ao garrafão e a fumar um cigarro, assim com ar à malandro: António Raposo. É hoje um pacato comerciante, estabelecido no centro da cidade. Não vale a pena perguntar pelo snack-bar do sr. Raposo. Toda a gente em Moura o conhece por Tarugo.
Em cima, e da esquerda para a direita: Rafael Rodrigues, José Francisco Moita, Mário Catarrunas e o autor do blogue.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

ARGEL I - DO FILME ÀS RUAS DA CIDADE

Aqui se inicia uma série de dez textos ou evocações da cidade de Argel. É uma das mais belas cidades do Mediterrâneo, mesmo tendo em conta que não conheço a costa da Dalmácia.

O primeiro fascínio nasceu quando vi o filme Z (1969), de Costa-Gavras (n. 1933), de que aqui deixo um breve excerto. A película inspira-se nos acontecimentos que envolveram o assassinato do deputado comunista Gregoris Lambrakis (1912-1963), ocorrido em Tessalónica. A impossibilidade de rodar o que quer que fosse na Grécia, obrigou os produtores a recorrerem a Argel. Nunca mais esqueci as ruas que vi no filme, nem as extensas arcadas junto ao porto, nem as escadarias que vencem as escarpas junto ao mar.

Há nove anos pude ir, pela primeira vez, a Argel. Alguns anos depois travei amizade com um editor e livreiro argelino, que participara no filme como figurante. Foi ele que me permitiu conhecer a outra cidade de Argel. O regresso não tardará.


SUBITAMENTE, RAINER MARIA RILKE

Mas se tentasses...
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Mas se tentasses isto: de mãos dadas seres
para mim como no copo de vinho o vinho é vinho.
Se tentasses isto.
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Subitamente, uma inspiração. Sem que o esperasse, Rainer Maria Rilke (1875-1926) cruza-se-me no caminho. Nada melhor que esta fotografia, este Un beso (1996), de Helena Cabello e Ana Carceller para dar outro corpo às palavras.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

VERONESE

Grande escala é algo que associamos ao nome de Paolo Caliari, dito Veronese (1528-1588). Em especial às suas Bodas de Canãa, pintadas em 1562-63 por encomenda dos beneditinos de S. Giorgio Maggiore, em Veneza. Nem mais nem menos que 66 metros quadrados de pintura (6,66 m. x 9,90 m.). A qual apresenta mais de 130 figuras, onde se identificam diversos artistas da época, incluindo Veronese himself.
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A pintura original está no Museu do Louvre, em Paris. O refeitório do mosteiro veneziano tem em exibição uma cópia, feita com o recurso a sofisticas técnicas de reprodução gráfica.
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Ver, sobre o quadro, o texto que está no site do Museu do Louvre:
http://www.louvre.fr/llv/oeuvres/detail_notice.jsp?CONTENT%3C%3Ecnt_id=10134198673225111&CURRENT_LLV_NOTICE%3C%3Ecnt_id=10134198673225111&FOLDER%3C%3Efolder_id=9852723696500816&bmUID=1138483297476&bmLocale=en

A POP ART E O CINEMA

O cinema São Jorge foi palco, há poucas semanas de uma importante iniciativa: o DOCLISBOA. Quando lá passei a entrada tinha um ambiente mais alternativo que outra coisa. O que não me parece nada mal, antes pelo contrário. Mas senti a falta, na fachada, dos grandes telões pintados que anunciavam os filmes em exibição.
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Era um ofício que dava trabalho a várias oficinas em Lisboa e que parecerá tão remoto e estranho aos mais novos como um televisor a preto e branco. Vários artistas de renome, incluindo o pintor pop James Rosenquist, iniciaram a sua actividade colaborando na feitura destes anúncios. Diga-se de passagem que a pop art incorporou a publicidade e os objectos da sociedade de consumo no seu discurso. Com sucesso e eficácia. Como se pode constatar nas ampliações, deliberadamente exageradas, de pequenos pormenores.

Hey! Let's Go For a Ride. 1961
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Cinema São Jorge (Lisboa)
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Smoker number 1 (Mouth number 12). 1967
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Em homenagem às grandes escalas, de que sempre gostei, aqui ficam dois quadros dos pintores norte-americanos James Rosenquist (n. 1933) e Tom Wesselmann (1931-2004). Paolo Veronese teria gostado de ver estas pinturas. E também, estou certo disso, das telas na fachada no São Jorge.

Sites sobre estes nomes da pop art:
http://www.jimrosenquist-artist.com/
http://www.tomwesselmannestate.org/

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

DALILA RODRIGUES

Sendo bem conhecida a forma como se trabalha na Pátria não é preciso ser muito arguto para se perceber que há aqui qualquer coisa mal contada. (publicado neste blogue há dois dias)

É evidente que estas alturas causam uma verdadeira chuva de opiniões, de interpretações e de teses. Não vou por aí, por não ter um conhecimento, por mínimo que seja, deste processo. Mas o comunicado que Dalila Rodrigues acaba de publicar a propósito do seu afastamento da Casa das Histórias vem confirmar que algo não bate certo. E essa é uma matéria que deveria ser esclarecida.

domingo, 1 de Novembro de 2009

ESTHER DE LEMOS

Hoje ao jantar falámos da escola e dos professores. Por entre o ar desconfiado dos mais novos recordei os professores do liceu que mais me marcaram. E que foram, realmente, aqueles que, para além da Professora Jacinta, tiveram um papel decisivo no meu percurso de formação. De alguns, desgraçadamente, já não me lembro dos nomes, que tenho apontado algures nos meus papéis. De entre os muitos bons professores que tive - foi bom ter sido aluno no Liceu Nacional de Queluz - recordo sempre Esther de Lemos. Romancista e ensaista, era uma grande professora de Francês e uma exigente e rigorosa mestra em Técnicas de Tradução. E lia poesia com uma voz calma e cativante que também nos levava à procura de textos e de autores.
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Voltei a encontrá-la, muitos anos depois, na sala de leitura da Biblioteca Nacional. Para evitar embaraços disse-lhe que tinha sido seu aluno, no ano lectivo 1979/80, na turma xis e que me chamava fulano de tal. Disse-me que se recordava perfeitamente, mas mesmo que tenha sido só uma expressão de simpatia ficou genuinamente satisfeita por um antigo aluno a ir cumprimentar.
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Tive a curiosidade de tentar saber depois notícias da minha professora. A net não me devolveu grande coisa, a não ser a informação de que Esther de Lemos faz amanhã 80 anos. Uma coincidência engraçada. Espero que esteja ainda de boa saúde e daqui lhe mando uma camélia vermelha, a flor que simboliza o reconhecimento.
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AMIGOS PARA SEMPRE - I

Quando éramos miúdos e alguém da nossa idade nos chamava a atenção perguntávamos, com toda a candura, “olá, queres ser meu amigo?”. E ficávamos muito tristes quando levávamos tampa… Ao longo da vida fui somando tampas, não de amizade mas de outras, em especial nos bailes em Safara e em Pias, dois terrenos difíceis para forasteiros. Em especial para forasteiros desajeitados.
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Mas a questão não é, agora, essa. O problema está nas redes de amizade virtual, naquelas que em que somos assediados com propostas de amizade, por tudo e por nada. A Júlia tinha-me avisado que a netlog e o hi5 e sei lá que mais eram úteis para tentar encontrar pessoas cujo rasto perdemos. Fiei-me na Júlia e na sua confiança nas tecnologias e deu asneira. Ao tentar encontrar um colega dos tempos de faculdade descobri que ele estava registado na netlog. Vai daí tive de me registar também. Estava eu todo convencido que era quase o único santiago macias do nosso rectângulo. É o eras… Só à quinta tentativa consegui arranjar um nome na net, quarenta e seis anos depois de ter sido baptizado na Igreja de S. João.
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Depois de entrar na minha página – acho que é assim que se chama – apareceu uma pergunta qualquer, ainda por cima a máquina trata-me por tu sem me conhecer de lado algum, sobre se queria adicionar não sei quem à minha lista. Distraído fiz ok, na dúvida tenho o costume de responder “sim”, e toda a minha lista de mails disparou em todas as direcções, com pedidos de amizade para pessoas que já são minhas amigas, para outras que são conhecidas e para outras ainda que mal conheço. Até aqui nada de dramático, para além de ter depois ficado com a ligeira sensação de estar a fazer figura de parvo.
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O pior foi começar, horas depois, a receber dezenas de notificações e confirmações do netlog e listagens de amigos dos meus amigos (com a indicação “Fulano de tal tem xis anos e mora em Portugal. Conhece-lo?”). Há ainda uma secção, ainda mais kafkiana, intitulada “membros da netlog que talvez conheças”. E se não conhecer? Deverei dizer que conheço? E se não disser, o que é que me pode acontecer? O mal está feito e vou passar os próximos dias apagando mails e ignorando ou rejeitando amizades de pessoas que não conheço.
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No meio desta cegada toda ainda não consegui chegar à fala com o meu amigo Leopoldo Amado. É historiador, cidadão da Guiné-Bissau, e, tanto quanto sei, vive em Portugal. Se alguém, com netlog, sinais de fumo ou telepatia, souber onde ele pára, que me avise. Obrigado!
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Este texto é publicado na edição de hoje de A Planície.
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Um beijo famoso de dois amigos célebres. Chamavam-se Leonid Brejnev, o da esquerda, e Erich Honecker, o da direita. Apesar dos olhinhos fechados e tudo, não é o que o que os mais novos poderão estar a pensar. Investiguem um pouco que logo percebem.

sábado, 31 de Outubro de 2009

HALLOWEEN

Hoje é a noite do Halloween, mais uma daquelas importações tolas e sem sentido. Em jogada de antecipação "a vereadora da Cultura da Câmara de Cascais explicou hoje que a não continuidadade da historiadora Dalila Rodrigues da Casa das Histórias Paula Rego se deveu à falta de consenso do conselho de administração do espaço. A historiadora ocupava funções na Comissão de Instalação da instituição mas, com a sua transformação em fundação, “a nomeação do director tem de ser consensual no ambito do Conselho de Administração e tal não foi possível, pelo que a mesma não será nomeada para o cargo”, disse Ana Clara Justino." (fim de citação do Público on-line)
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Sendo bem conhecida a forma como se trabalha na Pátria não é preciso ser muito arguto para se perceber que há aqui qualquer coisa mal contada. E mesmo tendo em conta que as fundações são soberanas é, no mínimo, de bom tom explicar porque se dispensa uma profissional qualificada e com provas dadas. Por uma questão de transparência e de cultura democrática.
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A cultura é um peão noutros jogos de interesses? Ora abóbora...

REVISÃO DE TEXTOS

Do Público de hoje:

Hoje fazem anos

Lorperit nulput accum vulla feu facilis adipis dolor si blaor iusto dolor ipit in henisl dolobor sustio esequit te dolorem velendigna faci esequis num iriuscidunt iustie min exeros et velit dolor iurem veros diam del ipissectem ver iuscipis am iriure ea commy nonse del do con ullum dolor summodo od te ming erating ex
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Das duas uma: ou hoje ninguém faz anos ou os revisores meteram, escandalosamente, o pé na argola. O momento final de produção de um jornal ou de um livro é, sempre, uma altura de risco e sujeita a grandes asneiras. Sei, por experiência própria, o que isso é.

O episódio seguinte foi-me contado por um designer, a propósito da impressão de uma conhecida revista cultural, já desaparecida. Por qualquer razão, resolveu esse meu amigo fazer uma última leitura do que estava em pré-impressão, poucos momentos antes das rotativas começarem a imprimir. Foi aí que reparou que uma fotografia de um biombo namban tinha como legenda a frase Biombo namban onde se vêm vários jesuítas em vez de Biombo namban onde se vêem vários jesuítas. Deu um berro e mandou parar as máquinas. Ainda a tempo de evitar que uma tiragem de 10.000 exemplares fosse direitinha para o lixo. Sobretudo a tempo de evitar sérios embaraços ou algum enérgico protesto por parte da Companhia de Jesus.

PELO SONHO É QUE VAMOS

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
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Sebastião da Gama, um poeta extraordinário, merecia seguramente mais que ser citado a propósito da tomada de posse em que acabo de participar. Na próxima reunião de câmara, a ter lugar no dia 4 de Novembro, assumiremos, em pleno funções. O desafio é, será, sempre, converter os sonhos em realidade. É pelo esforço que vamos, também.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

BRIEF ENCOUNTER

Quando me lembro do nome de David Lean (1908-1991) há uma palavra que surge de imediato: classe. D. Lean foi dos poucos que não deixou que o seu talento submergisse ante o espalhafato dos meios que, regularmente, foram postos à sua disposição. Foi assim que construiu uma das mais elegantes carreiras do cinema anglo-americano, onde se destacam Lawrence da Arábia (1962) e Passagem para a Índia (1984). E este Breve encontro (1946), a sua quarta longa-metragem. Rodado aos 38 anos é um filme de uma enorme e angustiosa maturidade. A última cena é uma despedida, um momento que não terá retorno. Não é preciso explicar de que trata o filme.
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A música de Rachmaninov - o segundo andamento do Concerto nº 2 para piano e orquestra acompanha todo o filme e acentua a sua melancolia - sublinha aqui na perfeição o desencontro do momento e a impossibilidade do futuro, numa das cenas mais tristes de toda a História do Cinema.
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quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

30 DE OUTUBRO - 21 HORAS

Um virar de página na vida dos orgãos autárquicos. A Assembleia Municipal de Moura e a Câmara Municipal de Moura tomam posse amanhã, dia 30, pelas 21 horas.
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O acto terá lugar no Cine-Teatro Caridade.
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

UMAR-I KHAYYAM e EDWARD HOPPER

A cáfila da vida passa estranhamente,
Ajuda-a a gozar as alegrias.
Não tenhas pena de nós, ó sáqi,
Enche-nos a taça que a noite se vai embora.
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Não tenhas medo dos infortúnios de hoje,
Não tenhas dúvidas, o tempo os apaga.
Se tiveres um momento oferece-o à alegria,
O que virá depois, deixemos para o depois.
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O Outono é tempo de celebração. As festas das vindimas e o anúncio do vinho novo preparam-nos para um Inverno que não tarda. Neste jogo de diferenças entre o frio do tempo e o vinho que nos aquece dá vontade de vincar ainda mais os contrastes. O lirismo do poeta e matemático persa Umar-i Khayyam (1048-1132) e o realismo de Edward Hopper (1882-1967). As quadras do poeta, muitas delas odes ao vinho, quase todas marcadas por um hedonismo acentuado, estão distantes do silêncio de Le bistro ou The wine shop, pintado em 1909. Mas a verdade é que os contrastes são sempre estimulantes.
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51 são as quadras de Umar-i Khayyam publicadas em Ruba'iayt, na edição da Assírio & Alvim, datada de 2009. A tradução, a partir do persa, é da responsabilidade de Halima Naimova.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

DA CASA DAS HISTÓRIAS À CASA DAS LUZES

O dia nasceu sob vários equívocos. O menos sério foi ter entrado no Turismo de Cascais e ter perguntado como se ía para a Casa dos Sonhos e para o Farol de Santa Maria. A miúda, simpática, sorriu e discretamente disse-me qual o caminho para a Casa das Histórias e para o Farol de Santa Marta, que fica ao lado da casa de Santa Maria.
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Viva Cascais era o lema de António Capucho. Bem pode dizê-lo, com estas duas intervenções. O centro de exposições que alberga obras de Paula Rego é um projecto de Eduardo Souto Moura (n. 1952), que tanto vai buscar inspiração à arquitectura dos palácios - a evocação das chaminés de Sintra vertidas nos dois volumes piramidais, que aqui entre nós me evocam um tanto mastabas e arquitectura funerária -, como à cor da terra. A volumetria interna vai num decrescendo de escalas, desde as salas de maior pé-direito a outras onde estão as gravuras e outras peças de menor dimensão física. O museu tem uma magnífica loja e uma cafetaria onde dá vontade de ficarmos perdidos no tempo a ler um livro.
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A reabilitação do farol de Santa Marta é outra obra digna de registo e de visita. A partir do edifício existente, os irmãos Aires Mateus lançam uma série de novos volumes - de uma brancura mais mediterrânica que atlântica - que albergam uma exposição de grande qualidade, da responsabilidade científica de Joaquim Boiça (n. 1958), sobre faróis e sistemas de alumiamento da costa. O projecto é mais discreto, e de menor impacto mediático que o anterior. Mas nem por isso é menos importante.
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Era domingo à tarde e os dois sítios estavam cheios de visitantes. A arte vale a pena. A reabilitação também. Fazer as coisas com qualidade mais ainda.
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A referência concreta a estes trabalhos tem uma razão de ser. Os irmãos Aires Mateus são os autores do discutido edifício da Praça Sacadura Cabral, em Moura. Edurado Souto Moura está a desenvolver o projecto para a piscina da Amareleja. Aqui se reafirma um princípio que temos defendido: para o nosso concelho queremos os melhores. Dentro de dias terei o prazer de listar no blogue os projectos, executados ou em curso, promovidos ou não pela autarquia, que estão a ser desenvolvidos no concelho de Moura.
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A Casa das Histórias (imagens de cima) e o Farol de Santa Marta (imagens de baixo).

Detalhe "picante": os arquitectos não dominam, por norma, a especificidade do design de comunicação. Uma "suspeita" que tenho vindo a confirmar e que tem um ponto alto nestas duas intervenções.

ABASTECIMENTO DE ÁGUA - CAPÍTULO QUASE FINAL

A Câmara Municipal de Moura entregou na passada semana à Águas Públicas do Alentejo S.A. o projecto referente ao abastecimento de água em alta, o qual abrange cinco das oito freguesias do concelho de Moura. Este acto representa mais um importante passo para o melhoramento do abastecimento de água à população do concelho.
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O concurso lançado por duas vezes pela autarquia teve de ser anulado por dificuldades de ordem administrativa que estão agora ultrapassadas. O investimento global desta fase das obras ultrapassa os dois milhões de euros. A obra deverá estar finalizada durante o ano de 2010.
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Cumpre-se assim mais um dos objectivos programados pela Câmara Municipal. Outras metas estão já definidas.
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segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

IGREJINHA

"Os muros dos quintais são o que me causa uma mais forte impressão de retorno à infância". A frase está no meio do livro e cito-a não por acaso. Porque os muros de que o Manuel Branco se recorda são os mesmos muros que delimitavam o callejón nos verões em Paymogo.

As declarações de amor, mesmo que desajeitadas, são sempre bonitas. E esta declaração que Manuel Branco e José Pinto Nogueira fazem à aldeia de Igrejinha não é nada desajeitada. É uma declaração sincera e sensível. Manuel Branco começa em Italo Calvino e acaba numa homenagem aos homens e às mulheres que fizeram a aldeia. José Pinto Nogueira, que não é indígena mas actua como se o fosse, desenhou todas as fachadas da aldeia numa frontalidade à egípcia, rua após rua, como os longos travellings dos filmes de Miklós Jancsó. O livro é um projecto original e que grava no tempo a realidade de uma aldeia do Alentejo no início do século XXI. Um dia o livro vai valer como peça poética que é. Mas também como registo antropológico e urbanístico. Uma e outras não se excluem, aliás.
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Igrejinha é uma freguesia do concelho de Arraiolos. O livro, Igrejinha - uma aldeia no Alentejo, tem como autores Manuel Branco (texto) e José Pinto Nogueira (desenhos). A edição, de Agosto de 2009, é da Âncora Editora (www.ancora-editora.pt) e tem o apoio da Junta de Freguesia local e da Câmara de Arraiolos.

domingo, 25 de Outubro de 2009

OBJECTIVAMENTE FALANDO...

1. A CDU tinha 32 câmaras, agora tem 28;
2. Tinha duas capitais de distrito, agora tem uma;
3. No distrito de Beja tinhamos 34 mandatos, agora temos 33, e esta parte até nem é a pior, porque perdemos Beja e Aljustrel e apenas recuperámos Alvito;
4. "Andorinhas" como Moura ou Santiago do Cacém não fazem a Primavera;
5. A nível nacional passámos dos 203 mandatos para 174;
6. Nas assembleias municipais recuámos de 722 para 651 deputados;
7. Nas assembleias de freguesia passámos de 2555 para 2266 e de 244 presidências para 213;
8. Perdemos cerca de 50.000 votos.
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Quinze dias depois das eleições ainda não ouvi dizer nada disto. E era isto que se impunha dizer. Independentemente de hoje contar mais a política carnavalesca que a que está junto das populações (um facto); independentemente de todas, mas mesmo todas, as acções promovidas pela CDU e pelo PCP seram desvalorizadas ou mesmo ignoradas (outro facto); independentemente da prática do vale-tudo por parte do Governo para promover candidatos (outro facto ainda), urgem uma reflexão e uma tomada de iniciativa que nos conduzam ao lugar que devemos ocupar. E que é aquele que merecemos ocupar.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

DOS GARDENIAS

O que me interessava não eram os boleros mas sim o cha-cha-cha. Foi quase por acaso que reparei naquele disco de um cantor que não conhecia, Antonio Machín, numa loja de saldos da Rua da Prata. Havia dois cha-cha-chas e o resto eram boleros. Foi aí que tive um coup de foudre com os boleros, que dura até hoje. Assim descobri Lucho Gatica, Los Panchos, Pedro Vargas e tantos outros.
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Antonio Machín (1903-1977) era cubano, mas passou a parte mais significativa da sua carreira em Espanha. Uma das suas mais conhecidas interpretações é este Dos gardenias, composto em 1947 pela cubana Isolina Carrillo (1907-1996). Outras canções dignas de registo e paixão são Amor, no me quieras tanto ou Toda una vida.
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Os boleros são fonte inesgotável de inspiração. Há histórias notáveis, como a da crise política ocorrida há 20 anos no Brasil quando dois ministros, Zélia Cardoso de Mello e Bernardo Cabral - ela solteirona, ele casado -, terminaram a noite dançando apaixonadamente o Besame mucho. Há outras histórias mais prosaicas mas não menos interessantes. Conheço, por exemplo, a de uma rapariga que se apaixonou por um rapaz meio tristonho ao som de confissões e de boleros antigos. Casaram e tiveram meninos. Talvez tenham sido felizes mas isso já não sei.

PCP PERDE INFLUÊNCIA

No novo governo haverá apenas um ministro ex-PCP. Quase nada, se compararmos a situação com os tempos gloriosos do governo Guterres, quando parecia haver um escorrega que ia direitinho da Soeiro para a Gomes Teixeira.
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Agora são muito menos e isto assim tem menos graça. A grande nota de humor é dada pelo facto do ex-otelista Santos Silva ocupar a pasta da Defesa. Mas como é para malhar...
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ARCIMBOLDO

Giuseppe Arcimboldo cruzou todo o século XVI. Viveu em Milão e em Praga onde, sob a proteccção régia, desenvolveu a parte mais significativa da sua obra.
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Arcimboldo foi pioneiro na utilização de vegetais para a composição de rostos humanos. A sua obra foi, em grande medida, redescoberta no século XX. Os surrealistas tiveram aí particular importância.
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JOSÉ PRIETO VARGAS

O postal foi comprado há semanas em Sevilha. A fábrica de anisados e licores de José Prieto Vargas já não existe. Pelo menos, não encontrei dela qualquer rasto.
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O anúncio não tem data mas, pelo linguagem plástica, parece ser dos anos 20 ou 30. É uma peça extraordinária. O autor do cartaz, e reproduzindo um ambiente de um clássico botequim, transforma o espelho em crânio, as cabeças das figuras em olhos, a mesa em queixo e os copos em dentes. Fica um caveira. Ficam-me, sobretudo, as dúvidas: o autor do cartaz era abstémio? esta concepção tétrica foi resultado de um adepto tardio do romantismo? a ideia da fábrica era vender ou não vender bebidas alcoólicas? foi por isso a José Prieto Vargas que fechou?
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E o autor do cartaz conheceria a obra de Arcimboldo?
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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

ZONA INDUSTRIAL DA AMARELEJA: PROJECTO EM MARCHA

Depois de um longo, e (pelo menos para mim) algo tormentoso processo, foi finalmente enviado para o Diário da República o aviso do concurso para a execução do projecto da Zona Industrial da Amareleja (UP 4).
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O anúncio que aqui é feito tem tanto a ver com empenhamento que sempre tivémos neste processo como com a época de transição - entre mandatos - que vivemos. Foi um processo longo, que passou por uma alteração ao Plano Director Municipal e que inclui a elaboração de um estudo prévio feito internamente. Já no mandato 2005-2009 optou-se pela abertura de um concurso, tendo em vista a contratação externa do projecto. As bases de trabalho estão definidas no caderno de encargos que foi elaborado e que vai servir de ponto de partida a todo este processo. O nosso empenhamento no projecto continua a ser, como sempre (nesta como em tantas outras iniciativas no concelho de Moura) total. Em suma, não queiram vir agora outros reclamar méritos, que não tiveram, no arranque do processo. O seu a seu dono.
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Vista aérea parcial da vila de Amareleja in http://fotos.sapo.pt/Ju3WbI9nccL48ZZf3sjr (infelizmente sem indicação de autor)

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

FINAL DE SÉRIE

Era assim que se dizia em tempos nos bailes. O vocalista do conjunto anunciava dessa forma o descanso. A única excepção era o José António Correia, do Inovação (Moura) que, pura e simplesmente, dizia "sentem-se!". Uma fórmula original, mas não menos eficaz.
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Foi hoje a última reunião da Câmara Municipal de Moura, referente ao mandato iniciado em 25 de Outubro de 2005. Os próximos desafios estão aí à esquina. Sigamos e concretizemos os nossos
sonhos.

AS MÃOS E O CORPO DE GEORGIA O'KEEFFE

Georgia O'Keeffe (1887-1986) foi a musa, uma delas pelo menos, de Alfred Stieglitz (1864-1946). Fotografou-lhe as mãos e o corpo em 1919. Gosto mais, muito mais, do jogo de tensão das mãos que do nu. Tanto uma como outra ficam bem ao lado da poesia de Gastão Cruz.
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O Caos do Sonho
Estou deitado no sonho não
perturbes o caos que me constrói
Afasta a tua mão
das pálpebras molhadas
Debaixo delas passa
a água das imagens
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Gastão Cruz, in "Órgão de Luzes"
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Hands e Nude são, respectivamente, a quarta e a quinta fotografias mais caras jamais vendidas. Foram ambas leiloadas em Fevereiro de 2006. A primeira por 1.470.000 USD, a segunda por 1.360.000 USD.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

GESTÃO: O NOVO FASCISMO

O artigo termina assim: "Cada vez mais as empresas são exemplo de uma prática ditatorial, esmagadora das liberdades, da crítica, da expressão e dos indivíduos que, se acontecesse cá fora, na rua, no espaço público, todos julgaríamos inaceitáveis. Dentro da empresa, em nome da competitividade ou por medo do desemprego, aceitamos o fascismo". É um texto de José Vítor Malheiros, que saiu hoje na página 29 do Público.
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O mote é dado pelo caso da France Telecom. O artigo é importante, devia ser fotocopiado aos milhares e só por ele valeu a pena comprar o jornal.

KIAROSTAMI

A primeira vez que vi este filme já ía a meio. Foi há alguns anos na RTP2. A história era simples e ainda fui a tempo de apanhar o enredo: um miúdo apercebe-se, ao chegar a casa, que tinha trazido o caderno de um colega. O filme acompanha o seu percurso, de rua em rua, de aldeia em aldeia, num Irão rural, à procura da casa do amigo, na vã tentativa de lhe devolver o caderno. O final é revelador e, para quem andou na escola primária e teve amizades assim, sem surpresas. É um dos filmes mais ternurentos que já vi e um dos raros que, na idade adulta, me comoveu a sério. Todos nós já tivémos um dia, há muitos anos, um amigo assim.
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O filme Where's Friend's Home? foi rodado em 1987 por Abbas Kiarostami (n. 1940), custa menos de 15 dólares e está disponível em DVD no site http://www.iranianmovies.com/. A versão à venda é falada em farsi, com legendas em inglês.

domingo, 18 de Outubro de 2009

FRANCISCO LOUÇÃ DANÇANDO O CHARLESTON

"55 por cento dos eleitores próximos do Bloco de Esquerda pertencem à classe alta e média-alta (...)", lia-se no Expresso de ontem.
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O estilo gauche chic do BE e esta adesão burguesa ao BE fazem lembrar um pouco aqueles aristocratas ingleses que, nos anos 20, se deixaram seduzir pelo socialismo mais radical. As festas da alta sociedade era um misto de Marx, champanhe (suponho que servido por uma criadagem devidamente uniformizada) e charleston. Ontem como hoje: o linguajar demagógico e de grande efeito cénico esconde, por norma, o mais absoluto calculismo e o mais perfeito conformismo.
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Só falta saber quem vai um dia dançar a valsa do poder com Francisco Louçã...
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FUTEBOL II - O FUTEBOL TOTAL

O falecimento de Rinus Michels, ocorrido há algumas semanas, foi pretexto para uns quantos e mais que justos obituários, onde se recordou a brilhantíssima carreira de Michels, nomeadamente no período em que, à frente do Ajax, dominou o futebol europeu. Em anos consecutivos arrasou a concorrência, reduzindo à vulgaridade todas as equipas que cruzaram o seu caminho. O Benfica que o diga...
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A propósito de Michels, lá se falou, uma vez mais, da sua criação do "futebol total", uma concepção dinâmica do jogo, que atirou para as reservas da memória as tácticas rígidas e tornou esquemas como o 4x2x4 uma relíquia do passado. Não sendo um entendido em futebol nem um estudioso das tácticas não posso deixar de recordar aqui o momento (ou, pelo menos, um deles) que antecedeu o futebol total de Rinus Michels. Aconteceu um par de anos antes da ascensão do Ajax, no Mundial de 1966, quando Helmut Schoen ousou quebrar o formalismo da disposição dos jogadores em campo para inovar de forma absoluta. Quem chamou a atenção para a novidade foi Pedro Escartín, antigo seleccionar espanhol, ao analisar a táctica de Schoen num pequeno livro admirável, El mundial defensivo. Sigamos, com a devida vénia, as palavras de quem sabe: "Cinco defesas, com Schultz a líbero, à sua frente e a altura similar, Hottges-Weber e Schillinger, com Overath ligeiramente adiantado e, à direita e um degrau mais para a frente, o formidável criador Beckenbauer, que ligava com Haller, um pouco atrasado em relação aos três avançados Seller-Helds e Emmerich. Era um ferrolho muito elástico, com muitas trocas perfeitamente estudadas. Quando a Alemanha contra-atacava, umas vezes entrava pelo campo adversário Overath, muitas Schillinger, e nessas ocasiões Beckenbauer era um dianteiro a mais, mas à distância, acompanhando Haller, que entrava na zona de remate e nessas alturas os alemães tinham quatro avançados e dois ou três homens no centro do terreno. Ao atacar o adversário, a Alemanha recuava, para montar de novo o ferrolho". Escartín não poupava os elegios ao sistema, notando as duas falhas que, em seu entender, o fizeram desmoronar: a utilização de Beckenbauer como jogador de marcação a Bobby Charlton, na final de Wembley, e, sobretudo, o esgotamento físico dos alemães: "falhou o fundo, a força, indispensável fornecedor de todos os sistemas".
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A análise de Escartín parece apontar para o momento em que o futebol total se começa a esquiçar. Schoen estaria à frente do futebol alemão o tempo suficiente para ganhar muitos troféus e se sagrar campeão europeu e do mundo. Se foi ele ou não o pai (ou o avô) do futebol total não sei dizer. Nada disso tira, de resto, mérito às inovações de Rinus Michels. Assim é feita a vida, de permanentes superações, de descobertas que superam as anteriores, de um acumular nunca terminado de conhecimentos. Rendamos então homenagem a quem a merece e brindemos à memória de Rinus Michels e de todos os que contribuíram e contribuem para a magia do futebol.
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Texto publicado em A Planície em 1.4.2005
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FUTEBOL I - O ESTÁDIO DA LUZ

O Avenida da Salúquia 34 já passou as 65.000 visitas. Pela capacidade actual já quase se esgotou o Estádio da Luz. Mas o actual estádio não me enche as medidas. O antigo sim. Tinha uma monumentalidade e um ambiente próprios. Tinha o 3º anel, um espaço tão difícil de explicar aos mais novos como é impossível explicar o que é um LP...
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O antigo Estádio da Luz foi inaugurado em 1954. Tinha espaço para 50.000 espectadores. Em 1960, com a construção do 3º anel, passou para 80.000. Com o fecho do 3º anel, em 1985, passou a ter uma capacidade superior a 100.000 espectadores, o que fazia dele o maior da Europa. Na final do Campeonato do Mundo de Juniores, em 1991, registou uma assistência recorde de 127.000 espectadores.
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Foi demolido em 2002.

Recordações pessoais do Estádio da Luz:
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2.12.1973 - Benfica-Sporting: 2-0 (2 golos de Eusébio; foi a única vez que o vi jogar)
22.5.1977 - Benfica-Porto: 3-1 (o Benfica deu banho de bola dois dias depois de José Maria Pedroto, treinador do Porto, ter dado uma entrevista dizendo que a equipa não jogava nada)
1.3.1978 - Benfica-Liverpool: 1-2 (1ª mão dos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus, com o Bento a dar dois frangos que dariam muito jeito ao meu amigo Liberato)
19.11.1978 - Benfica-Sporting: 5-0 (o resultado foi feito na primeira parte)
3.10.1979 - Benfica-Aris de Salónica: 2-1 (o Benfica foi eliminado perto do fim do jogo, com um golão de um grego, Semertozis, num remate feito a mais de 30 metros da baliza)
18.3.1981 - Benfica-Fortuna de Dusseldorf: 1-0 (apuramento para as meias-finais da Taça das Taças)
18.5.1983 - Benfica-Anderlecht: 1-1 (2ª mão da final da Taça UEFA)
4.1.1987 - Benfica-Porto: 3-1 (uma das últimas vezes em que fui ao antigo estádio, num jogo em que não cabia nem mais um alfinete na Luz)

sábado, 17 de Outubro de 2009

QUEM RI POR ÚLTIMO

Um certo estilo de humor crivou os cartazes da CDU na última campanha para as autárquicas. Este estava na estrada da Amareleja. A Maria José e o José Maria têm um certo toque wagneriano, ao jeito das valquírias nórdicas; o José António faz lembrar o menino Pompeu; eu tenho um chapéu de palhaço rico.
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Pois. Quem ri por último...
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A tomada de posse da nova Câmara Municipal terá lugar no final do mês, eventualmente no dia 30.

O MAPA DE MADABA

É um dos grandes monumentos do final do Mundo Antigo. Encontra-se no solo da igreja ortodoxa de S. Jorge, em Madaba (Jordânia). Os arredores de Madaba fazem lembrar, bastante mesmo, os arredores de Moura, com as terras vermelhas e os olivais antigos. A cidade tem, ainda tem, uma maioria cristã, que vai aos poucos definhando.
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O chão da igreja está coberto por tapetes que o guarda afasta, para deixar ver a obra-prima (v. imagem superior). O mosaico de Madaba é um mapa da Terra Santa, feito no século VI. Identificam-se, com legendas em grego, todas as cidades, todos os sítios e todos os rios. Um guia Michelin inamovível, dominado pela representação de Jerusalém (v. imagem central). Chama a atenção os danos propositados causados no mapa, quando, em plena querela iconoclasta, foram apagadas as figuras humanas (v. imagem inferior) O guarda vai apontando os sítios com uma vara e vale a pena gastar todo o tempo que ele quiser, porque aquele mosaico é um momento único da História do Mediterrâneo.
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O mapa de Madaba foi descoberto em 1896.
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Sobre o mosaico de Madaba: http://www.christusrex.org/www1/ofm/mad/index.html (vale mesmo a pena)
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Um bom sítio em Madaba é o restaurante Haret Jdoudna (no estilo típico para turistas, mas é que há): http://www.haretjdoudna.com/
Haret Jdoudna

ENTÃO É ISSO...

Então é isso. Sem dúvida. Soube hoje de manhã que os bilhetes mais caros para o concerto dos U2, programado para dia 2 de Outubro de 2010, custam 260 euros. Está explicado. A pessoa que anda a tentar vender na net um exemplar da minha tese por 260 euros quer comprar um bilhete na primeira fila para ver os U2.


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Um U2 em pleno voo. E não é o Bono.

A CAMINHO DO ESTRELATO...

A Júlia mandou-me um mail, informando que a versão em francês da minha tese estava à venda no ebay, em segunda mão, por 260 euros. Ri-me, pensando em mais uma daquelas originalidades da Júlia. Só depois de consultar o link verifiquei que era verdade. Não percebo a lógica da venda e, muito menos, a da compra. Os três volumes estão à venda nos catálogos da Portico Librerias por 81 euros, enquanto que a compra feita directamente no Campo Arqueológico fica pelos 30 euros. Imagino que os frequentadores do ebay não saibam dessas coisas...
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Por este andar, ainda apanho o Paulo Coelho. No dia em que cobrar direitos de autor, bem entendido.
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http://cgi.ebay.fr/MERTOLA-.LE-DERNIER-PORT-DE-LA-MEDITERRANEE.-S-.MACIAS-_W0QQitemZ230384095624QQcmdZViewItemQQimsxZ20091003?IMSfp=TL091003135001r5355

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

E AINDA AS MESQUITAS

As apropriações dos espaços e dos objectos fizeram-se de várias formas. Um dos mais curiosos foi a adaptação de sinos de igrejas, roubados aos campanários, e depois levados para o sul (haja pachorra!) e transformados em lampadários de mesquitas.
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Lampadário de meados do século XIV, existente na mesquita Qarawiyyin, de Fez (Marrocos)

SEVILLA IV - TWIN TOWERS

As placas tectónicas separam-se. O sul e o norte também. O minarete da Koutoubiya, em Marrakech, e a Giralda, em Sevilha, são bem exemplo disso. O primeiro foi concluído em 1196, a segunda dois anos mais tarde. São torres gémeas e representam bem a austeridade da arte almóada. A que está em Marrocos manteve a sua configuração original. A Giralda viu a parte superior ser coroada por uma obra renascentista, da autoria de Hernán Ruiz.
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O que une as duas torres é o que resta de um tempo em que as duas margens do Mediterrâneo estiveram mais próximas. O que as separa está visível no topo de ambas: o jamur de uma, os sinos da outra simbolizam bem as duas religiões e os dois lados do sul.
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quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

LAS LANZAS

A noite eleitoral do passado domingo fez com que uma delegação da candidatura do Partido Socialista se deslocasse à Câmara Municipal de Moura para felicitar o reeleito Presidente José Pós-de-Mina. Um acto normal em democracia, mas que deve sempre registar-se. Eu próprio fiz o mesmo em 2001, quando fui o primeiro a felicitar o meu adversário, e amigo pessoal, Joaquim Santos pela sua vitória para a Assembleia Municipal. Nem sempre as coisas assim são, e em 2001 não houve outras felicitações, pelo que o meu amigo Pós-de-Mina não teve quem o parabenizasse da parte contrária. Sublinhe-se que o fair-play fica sempre bem. O cavalheirismo também.
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La rendición de Breda ou Las lanzas é um célebre quadro de Velázquez (1599-1660). Foi pintado em 1631 e está hoje no Museu do Prado, em Madrid. Representa a rendição de Justino de Nassau, que defendia a cidade de Breda (Países Baixos), face às tropas de Felipe IV, comandadas por Ambrosio de Spinola.
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Os protagonistas estão no centro do quadro. Justino de Nassau tem as chavas de cidade na mão, mas o seu adversário impede-o de ajoelhar, pondo-lhe uma mão no ombro e tratando-o com dignidade. Mas do que uma vitória militar, o encontro representa um momento de cortesia. O herói militar surge aqui como um adversário à altura do homem que acabara de derrotar.
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É um dos meus Velázquez preferidos. O Museu do Prado está também no meu top privado.
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Sobre o Museu do Prado:

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

CRISTINA GARCÍA RODERO - 60

A fotografia de Cristina García Rodero é feita de anjos e de demónios. Da brancura celestial de uns e do ar terrífico de outros. A festa pagã, os rituais ancestrais e a proximidade da morte pairam entre uns e outros. Espanha, o Haiti, os Açores, fizeram parte do seu percurso profissional.
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Os contrastes são evidentes nos trabalhos de Cristina García. A segunda fotografia a contar de cima foi concebida nos Açores, em 2006. O ar de abandono daquela jovem, numa paisagem à Gainsborough, contrasta em absoluto com a outra mais abaixo, feita numa feira de erotismo. Onde o voyeurismo dos espectadores é bem mais obsceno que a pose e a atitude da actriz pornográfica.
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Cristina García Rodero nasceu em Puertollano, no dia 14 de Outubro de 1949. Faz hoje 60 anos. Enhorabuena!
Não tem página web.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

JOSÉ TOMÁS - CLASSE DENTRO E FORA DAS ARENAS

A novidade foi-me contada ontem à noite na Taberna al-Andaluz, pelo eng. José Manuel Morgado. O toureiro José Tomás entregou 200.000 euros a 13 associações catalãs que têm como objectivo combater situações de desigualdade. O que nos diz o diestro é tão simples quanto isto: "Poder hacer lo que más te gusta y llena en la vida y, con ello, poder colaborar con gente que necesita ayuda de verdad provoca una profunda satisfacción". Através da Fundação José Tomás quis ajudar desta forma os mais desfavorecidos da Catalunha tendo declarado: "Debo mucho a esta ciudad, a sus aficionados y a su público y esta es mi forma de devolverles parte de lo que me ha dado".
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José Tomás é um toureiro caro? Imagino que sim. Mas deixa todo o seu esforço na arena, como pude constatar este ano em Badajoz e em Huelva. Faz o que mais ninguém faz, com classe e temple. E é um homem de grande classe fora das arenas. Como fica demostrado através desta fundação.

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A Taberna al-Andaluz é pouso seguro para aficcionados e para todos os que gostam de tapear e de comer bem. O sítio está arranjado com bom gosto e o anfitrião recebe-nos com elegância e discrição.
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Fica em Reguengos de Monsaraz na Rua Primeiro de Maio 39. Fecha aos domingos.

SÃO ANDY WARHOL

Robert Mapplethorpe fotografou Andy Warhol em 1987. O artista pop faleceu nesse mesmo ano. Mapplethorpe morreu apenas dois anos depois. Há, para além dessa ligação à morte uma evidente aura de religiosidade nesta imagem, com Warhol a ser representado como se de um santo se tratasse, com uma auréola de luz por detrás e um enquadramento cruciforme a rodeá-lo. É provável que os sentimentos se manipulem e o que nós sabemos nos condicione - John Berger provou-o facilmente com um quadro de Van Gogh -, mas há, insisto, uma representação fúnebre nesta imagem.
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Assim como um toque de art déco, e talvez seja isso que nela mais me agrada. Prefiro, na fotografia de Mapplethorpe, as orquídeas e as naturezas-mortas aos nus (não a todos, mas a quase todos) e aos retratos.



Andy Warhol, de Robert Mapplethorpe, foi vendida em 2006 por 643.200 USD. É a nona fotografia mais cara de sempre.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

MOURA - 2009/2013

E no concelho de Moura foi assim. Maiorias absolutas para a CDU na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal. Algo que não acontecia há 24 anos. É, estou em crer, o resultado do intenso trabalho do mandato que agora acaba. O futuro é em frente, sempre em frente.
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Câmara Municipal

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Assembleia Municipal

sábado, 10 de Outubro de 2009

IS BIG BROTHER WATCHING YOU?

Fui tirar o meu primeiro cartão do cidadão. As explicações são todas óbvias e evidentes. Incluem palavras como racionalização, poupança, organização. Com tanta vantagem começo a ficar desconfiado. Foi o que me aconteceu no outro dia.
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Pediram-me o BI (caducado), o cartão de identificação fiscal, o cartão da ADSE, o cartão de eleitor. "A morada se faz favor. E um número de telemóvel". É para uma base de dados, decerto. "Ponha-se de frente para a máquina". A máquina mediu e decretou que perdi um centímetro em dez anos. Na altura, quero eu dizer. "Agora ponha aí os indicadores. Não é no ecrã. É aí de lado". Pus. Os indicadores passaram a estar numa base de dados. "Agora assine aÍ". Assinei com uma caneta à James Bond. A assinatura vai para uma base de dados. "Agora é preciso voltar a por os indicadores neste aparelho. Primeiro o direito. Já está. Agora o esquerdo. Já está". Senti que a minha vida passou a estar partilhada, com alguém que não conheço, num computador algures.
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Ao sair do tribunal olhei instintivamente para trás. Juro.
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Quantos quilómetros são de Moura a Langley?
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O TERCEIRO HOMEM

Gosto, como é visível, de ir deixando por aqui pequenas sequências de alguns dos meus filmes preferidos. Esta é de O terceiro homem (1949), de Carol Reed (1906-1976). Reed concebeu este verdadeiro film noir, mas poucas vezes nos lembramos disso. De facto, emergem sempre o nome do argumentista (nem mais nem menos que Graham Greene), a música de Anton Zaras, que pontua e dá ritmo à acção, e a interpretação que Orson Welles concebeu para caracterizar o venal Harry Lime.
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Talvez seja uma meia injustiça para o trabalho de Carol Reed enquanto realizador, mas a verdade é que tenho dificuldade em imaginar outro actor que não Orson Welles a proferir esta célebre tirada sobre a arte, a democracia, a guerra e a paz.
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OS HOMENS, OS LIVROS E AS COISAS

O programa chamava-se assim e passava ao final da tarde, num dia de semana, na RTP. Foi, talvez, em 1975 ou em 1976.
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Durante meia-hora, o então jovem poeta e ensaista Joaquim Manuel Magalhães (n. 1945) falava de livros e lia livros. Hoje é professor catedrático da Faculdade de Letras. Continua a pensar, a escrever e a traduzir. Gostava de o ouvir ler poesia. Devo-lhe a procura de autores que mencionava de passagem. Atrás desses outros vieram, como um novelo que se vai desenrolando ou enredando. O Joaquim Caetano dizia-me há dias que um dos livros de poemas de Joaquim Manuel Magalhães tinha um dos mais conseguidos títulos que já vira: Os dias, pequenos charcos. É uma edição de inícios dos anos 80. Aqui vos deixo um dos poemas, num post que vai, decerto, ter menos comentário que os referentes à campanha autárquica de Moura.
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Vês desaparecer o rouxinol?
Nos arbustos, tão altos vai o vento
tombá-los no próximo inverno.
Com ele fogem sentimentos,
esses espinhos jogados em poemas
quem és tu? o sangue
turvo de mais um adeus?
E voa e canta e perde-se
nos irónicos ramos donde vê
os gatos e as mãos chamando
para vir ouvi-lo. Melancólico
pássaro do crepúsculo, imagem
felina e augural junto das silvas,
no escuro donde nascem as canções.
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A imagem, também ela um pouco melancólica, é do filme Aurora (1927) F.W. Murnau (1888-1931). Que pode ser visto, em nove partes, no youtube, e milagre!, está disponível na FNAC por menos de 15 euros. O livro, aparentemente, está esgotado.

MOURA MAIS À FRENTE: UMA EQUIPA DE PRESTÍGIO PARA A ZONA DO ANTIGO MATADOURO

Embrenhado na campanha eleitoral deixei o facto passar ao lado. Foi o meu amigo Joaquim Caetano quem me alertou para a notícia:
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A Estação Biológica do Garducho, na Amareleja (Mourão), da autoria do arquitecto João Maria Trindade, foi hoje galardoada com o Prémio FAD 2009 de arquitectura, o mais importante galardão da arquitectura ibérica, outorgado em Barcelona (Espanha).O júri do certame deste ano destaca na obra arquitectónica de João Maria Trindade, o facto de “gerar lugares e emoções no meio de uma paisagem sem fim”. (in Público)
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A notícia tem um erro factual, ao atribuir a Amareleja ao concelho de Mourão, quando, de facto, a Estação do Garducho fica na freguesia da Granja. Essa não é a questão decisiva. O facto relevante é que este mesmo arquitecto ganhou, há pouco, o concurso para a execução de reabilitação do antigo Matadouro Municipal e respectiva área envolvente, na cidade de Moura.
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Fico sempre contente quando estas coisas acontecem. Depois de tanto tempo a levar pancada - uma crítica recorrente é que contratamos equipas de fora - é bom constatarmos que temos razão quanto a critérios de exigência. Este prémio de grande prestígio atribuído a uma equipa que está a trabalhar com a Câmara de Moura dá razão às nossas opções. Para o nosso concelho é assim: as melhores equipas, os melhores projectos e as melhores concretizações.
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Estação Biológica do Garducho (fotografia Cidália Guerreiro / Amarelejando)
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Sobre a Estação Biológica do Garducho veja-se:
http://www.ceai.pt/ebg/#home
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Sobre a equipa que vai realizar o projecto da zona do Matadouro consulte-se a página web respectiva:
http://www.venturatrindade.com/

OS AMIGOS AMERICANOS

"Por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos" e pela "a visão e o trabalho de Obama para um mundo sem armas nucleares". Foram estes os motivos que justificaram a atribuição do Nobel da Paz a Barack Obama. Fico sempre com a sensação que as justificações do Comité do Nobel estão, do ponto de vista literário, ao nível dos horóscopos do Correio da Manhã...
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Em todo o caso, já lá vão, em três anos, Barack Obama e Al Gore. O Comité do Nobel da Paz cauciona a visão americana do mundo. Um facto interessante, do ponto de vista da Paz.
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CDU-MOURA VI: PELAS RUAS DA CIDADE

Antes da caravana automóvel de ontem, que percorreu todas as localidades do concelho - eram muitas dezenas de viaturas e várias centenas de simpatizantes da CDU -, a cidade de Moura foi palco de um animado desfile, com palavras de ordem de apoio à candidatura, bandeiras, música e a distribuição da lista de apoiantes. Foi bonito, até porque há muitos, muitos anos, que não se assitia a nada assim na nossa terra.
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Os são-tomés que não se incomodem com contagens: éramos 95, sem contar a miudagem.

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

SOBRAL DA ADIÇA: A VERDADE DA VERDADE

Perguntava-me há pouco uma sobralense se eu iria colocar um texto no blogue sobre os acontecimentos de ontem no Sobral da Adiça. É que o que está a passar em alguma comunicação social reflecte apenas uma parte da realidade.
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Respondi-lhe que sim, por várias razões:
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a) Pela gravidade dos acontecimentos da manhã de ontem;
b) Por ser autarca e por ter tido na minha dependência directa, enquanto vereador da Câmara Municipal de Moura, o dossiê do projecto da Ribeira da Perna Seca;
c) Por não temer a verdade e gostar de falar claro;
d) Para poder desafiar os especialistas em coisa nenhuma a desmentirem uma só afirmação deste texto.
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É esta a verdade sobre a Ribeira da Perna Seca:

1. Boa parte das construções da zona junto à ribeira foram construídas em leito de cheia;
2. A própria ribeira viu o seu espaço preenchido por edificações (isso pode ser constatado ao olhar para uma das pontes, cujos arcos estão hoje obstruídos pelas margens);
3. A terrível cheia de 5 de Novembro de 1997 foi um alerta importante em relação aos riscos que corre a zona baixa do Sobral;
4. À boa maneira portuguesa, rapidamente o governo se descartou, legislando (essa palavra tão cara aos burocratas e aos profissionais de coisa nenhuma) e passando a responsabilidade das obras nas margens das ribeiras para as câmara municipais e, pasme-se, para os proprietários dos terrenos confinantes com as ribeiras;
5. A Câmara Municipal de Moura tomou a seu cargo a responsabilidade de executar o projecto das obras da Ribeira da Perna Seca, processo que, depois de vencidas todas as dificuldades, foi finalmente aprovado em Fevereiro de 2008;
6. As obras previstas têm um custo global (preços de inícios de 2008) de 2.545.200 €;
7. Antes e depois disso fez a Câmara Municipal inúmeros contactos com as mais diversas entidades (CCDRA, Instituto da Água, Protecção Civil, Administração da Região Hidrográfica do Alentejo) no sentido de serem encontrados meios que permitissem a uma autarquia com meios limitados, como a nossa, ultrapassar este problema;
8. A proposta da Câmara de Moura é simples e qualquer pessoa com um mínimo de dicernimento a subscreverá: é necessário que o Governo (sim, o Governo!) participe directamente na resolução do problema e é importante que a Câmara de Moura financie parte das obras;
9. Os princípios de solidariedade entre as instituições devem funcionar e é obrigatório que o Governo tenha uma participação directa na resolução deste problema;
10. Até à data todas as entidades nos bateram com a porta na cara;
11. Tenho nas minhas pastas documentação que prova o que estou a dizer;
12. A última reunião sobre esta matéria teve lugar na Câmara de Moura no passado dia 3 de Junho (a Administração da Região Hidrográfica do Alentejo fez saber, na véspera, que não iria estar presente);
13. Ao longo dos últimos anos o Partido Ecologista "Os Verdes" (que integra a CDU) apresentou na Assembleia da República propostas para o Governo inscrever no orçamento uma verba necessária à concretização das obras;
14. O PSD, primeiro, e o PS, depois votaram contra;
15. Melhor dizendo, o PS votou a favor quando estava na oposição e depois votou contra quando já estava no poder;
16. Ainda hoje estou para perceber porquê;
17. Objectivamente falando, nem o PS nem o PSD ajudaram à resolução do problema;
18. Ontem, voltaram a verificar-se problemas no Sobral da Adiça;
19. Tínhamos, há alguns dias e antes das cheias de ontem, afirmado perante a população do Sobral que, se o Governo de Portugal continuasse a manifestar indisponibilidade para apoiar a intervenção, iríamos tomá-la à nossa responsabilidade, ainda que de forma faseada e tendo em conta a dimensão do investimento que a obra comporta;
20. É isso que iremos fazer de seguida, ainda que se lamente que o Governo do PS continue de costas voltadas para o problema. Não desistiremos também de obter junto das entidades competentes a compensação financeira que um investimento desta importância justifica.


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Nota final: gostaria de deixar claro que assumi, em 2005, perante o Presidente da Junta de Freguesia do Sobral da Adiça que o projecto estaria concluído e pronto a entrar em obra antes do final do mandato; é importante também sublinhar que o Presidente da Junta de Freguesia foi sempre mantido ao corrente de todas as diligências efectuadas.

EU VOTO LIBERATO

Há pessoas assim, como o Jorge. Com poucos meios, muita boa disposição e muita imaginação, conseguem rentabilizar o que têm. E dar a volta ao texto. Esta de votar LIBERATO é mais uma boa ideia.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

SONDAGEM AUTÁRQUICAS - RÁDIO PLANÍCIE

Tenho sido questionado por vários amigos sobre a validade da sondagem da Rádio Planície em relação às autárquicas no concelho de Moura.
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A resposta é simples. Aquilo não é uma sondagem. A credibilidade é nula... Vota quem tem acesso à net e quem tem acesso a computadores e os pode colocar a zero.
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No meu caso pessoal, votei:
Duas vezes no José Maria
Três vezes na Sílvia
Uma vez no Simão
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Depois desisti da brincadeira...
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CDU-MOURA V: AMARELEJA

CDU é cultura. A Amareleja é cultura. A sala da Casa do Povo foi ontem pequena para albergar as 170 pessoas que quiseram estar presentes na sessão promovida pela CDU. Participaram três grupos corais (um feminino e dois masculinos), todos da vila de Amareleja. Cantou-se magnificamente e houve espaço para as intervenções políticas. E ficou a certeza que, com a CDU, a Amareleja e o concelho ficam a ganhar.
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De cima para baixo: a sala da casa do povo, cheia de amarelejenses; o presidente da junta de freguesia, Manuel Ramalho; o presidente da câmara, José Maria Pós-de-Mina.

VINHOS DA AMARELEJA

O blogue amarelejando deu destaque a duas importantes iniciativas: o lançamento de páginas web dos vinhos Courela dos Aleixos e Courela Nova (é só clicar nos nomes para uns momentos bem passados).
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Ao longo destes anos, e designadamente através do acompanhamento à organização da Feira da Vinha e do Vinho, pude aprender e/ou confirmar algumas coisas sobre a Amareleja:
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1. Os amarelejenses têm espírito de iniciativa;
2. Os amarelejenses são orgulhosos (têm orgulho na sua terra e têm um marcado espírito de independência);
3. Os amarelejenses são tendencialmente individualistas e gostam de mostrar aquilo que de que são capazes (o que faz com que aparecem em número elevado em iniciativas como a Feira da Vinha e do Vinho);
4. Os amarelejenses produzem vinhos de grande qualidade;
5. Os amarelejenses gostam de estar na linha da frente (o que faz com que adiram às mais modernas tecnologias).
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Depois disto, só me falta - espero consegui-lo no próximom mandato - contrariar aquela ideia feita segundo a qual na Amareleja não é possível fazer uma associação de produtores.
O desafio foi lançado na última Feira da Vinha e do Vinho. É dossiê a retomar em breve e resume-se na seguinte ideia chave: uma associação vitivinícola sedeada na Amareleja defenderia melhor os produtores da freguesia e os do concelho.
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À vossa!

PROFESSORA JACINTA

Ter andado numa escola é ficar com essa escola colada à nossa pele para todo o sempre. Ter sido aluno de uma professora durante quatro anos é andar pela mão dessa professora para todo o sempre.
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Durante uma parte importante das nossas vidas fomos alunos da Professora Jacinta. As regras eram claras e simples:
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Durante quatro anos usaríamos uma bata azul, que teria letras bordadas do lado esquerdo, cuja cor mudaria consoante o ano que frequentávamos;
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Durante quatro anos faríamos cópias e ditados, contas e leituras, redacções e tabuadas; uma palavra errada num ditado era um erro, um acento fora do sítio valia um quarto de erro. Era coisa rara que um aluno tivesse mais que dois erros num extenso ditado. Um quase milagre de origem divina nos dias de hoje, uma fonte de arrelias para a Professora Jacinta cujo objectivo era poder dizer “nenhum erro no ditado”;
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Durante quatro anos seríamos obrigados a aprender, a fazer trabalhos de casa e a, em cada dia e sem descanso nem retrocesso, a melhorar;
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Durante quatro anos ensinou-nos o sentido profundo das palavras de Séneca que, há quase dois mil anos dizia “a ignorância é a causa do medo”. E assim a senhora nos foi combatendo a ignorância e o medo. E despertou em nós a vontade de sabermos mais. E de sabermos mais e melhor.
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O ambiente que a Professora Jacinta impunha nada tinha de medo, temor ou receio, muito pelo contrário. Aquilo que, enquanto alunos sentíamos era simples: teríamos de ser cada vez mais perfeitos, teríamos de nos superar um dia após outro e outro. Treinávamos as provas e os exames uma vez e outra, como os maestros ensaiam afincadamente as suas orquestras. Por isso não esquecemos o ar de orgulho com que a Professora Jacinta constatava que as suas raparigas e os seus rapazes se tinham saído muito bem naquele dia e, por norma, ficavam bem à frente de outras escolas.
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Quando hoje olhamos para trás, e esse para trás começa a ter mais anos do que gostaríamos, ficamos contentes porque a Professora Jacinta nos punha a ler poesia e a dramatizar textos. No nosso ano lemos um livro inesquecível, A menina gotinha de água, de Papiniano Carlos. Noutros anos estou certo que se leram outros textos inesquecíveis. Foi aí que começámos a amar as palavras e a poesia.
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Foi nesses anos que nos foram incutidas regras simples e precisas: a importância da pontualidade, a obrigatoriedade de cumprir os deveres, a necessidade de fazermos o nosso trabalho bem feito. E muitas outras normas de ética que a Professora Jacinta queria que nos ficassem para todo o sempre. E que creio que ficaram.
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Um belo dia chegou o exame da quarta classe. A vida ia mudar para todos nós. No nosso caso – o da turma 1969/1973 – isso aconteceu no dia 5 de Julho de 1973. O exame da quarta classe era coisa séria. Tínhamos sido devidamente instruídos. Desde o dobrar do papel da prova até à forma de responder aos examinadores tudo era preparado ao mais ínfimo pormenor. Nunca mais tal esquecemos, porque esse exemplo o repetimos vezes sem conta ao longo da vida.
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Na escola da Professora Jacinta não havia computadores Magalhães e não se ensinava inglês. A Professora Jacinta limitava-se, coisa se calhar banal, a ensinar a ler e a escrever correctamente numa língua antiga chamada Português. E havia também outra coisa, essa muito menos banal, que era o amor pelo ensino e pelos seus alunos. Essa não tem preço e não há nada na Terra que a pague. Estamos, portanto, perante uma situação difícil, que talvez o seu filho Jorge possa enquadrar num capítulo da Ciência Económica. Temos uma dívida para consigo, sendo que dela nunca nos pediu contas, nós não sabemos qual o montante, nem sabemos como lhe pagar.
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Fiquemos, portanto, pela certeza que foi para todos nós, e para os muitos outros que hoje aqui não puderam estar fisicamente, uma época importante e decisiva das nossas vidas o termos sido seus alunos no Externato Júlio Dinis. Que esses dias e essa aprendizagem não ficaram lá atrás no passado e que nos acompanham e acompanharão em todos os dias da nossa vida. E que é para todos nós um motivo de imenso orgulho termos sido e continuarmos a ser alunos da Professora Jacinta.
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Texto lido no almoço de homenagem à Professora Jacinta da Conceição Acabado Oliveira Pinto (em 21.12.2008). Publicado em A Planície de 1 de Janeiro de 2009.
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Edifícios onde funcionou o Externato Júlio Dinis: Rua Dr. Garcia Peres, 45 (em cima) e Praça Sacadura Cabral, 13 (em baixo).
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Alunos dos anos 1969/1973:
António Manuel Pato Oca
Carlos José Albardeiro Barradas
Carlos Manuel Coelho Brito
Carlos Manuel Ramos Pinto
Fernando Brito Oliveira Pinto
Helder Barqueta Condeça Feliciano
Helder Silva Arsénio
Joaquim Elias Andrade Ventinhas
Joaquim Manuel Moita Araújo
José António Beiras Sinfrónio
José Carlos Oliveira Farinho
Luís José Fonseca Infante
Rui Manuel dos Santos Pires Marques
Santiago Augusto Ferreira Macias
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Vanda de Jesus Lopes Oliveira Gomes
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Faz hoje 40 anos que entrámos para a Escola Primária.

PARA O SÃO TOMÉ DAS 16:56

Há sempre um São Tomé de serviço...
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O que estava ontem de faxina duvidava que fossem 70 pessoas no porta-a-porta de Santo Amador. Aqui está uma perspectiva mais elucidativa. Tenho várias imagens desta rua. É só enviar-me o seu mail que lhe remeterei todas as fotos que tenho (em boa definição, o que não é o caso desta). Já agora, os menores não entram nas contas.


Percebo a sua preocupação, deixe-me que lhe diga.

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

SÍMBOLOS DE PORTUGAL

Faz hoje dez anos que Amália nos deixou. Foi um momento de grande emoção, vivido com particular intensidade na cidade de Lisboa. Amália Rodrigues continua a ser um dos símbolos de Portugal fora de portas. Mas não é o único, como constatei, há uns anos, no Cairo.
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Era costume perguntarem-me, nas ruas, a minha nacionalidade. Quando dizia Portugal ouvia dizer, invariavelmente, "Manuel José" (para os não iniciados na matéria: era o treinador do al-Ahly, do Cairo, à frente do qual venceu quatro vezes a Liga dos Campeões de África). Até uma tarde...
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O taxi parou ao lado do nosso e o condutor pediu para eu baixar o vidro. Acto contínuo a pergunta where are you from?. Respondi Portugal e arrisquei de seguida Manuel José. Para minha surpresa o taxista faz um gesto de desprezo e respondeu, quase aos gritos "Maglan!". Embatuquei, sem perceber. O homem repetia a palavra uma vez e outra, dando nota de uma cada vez maior impaciência. A cena repetiu-se uma, duas, três, quatro vezes, em cada cruzamento e em cada engarrafamento. Olhávamos uns para os outros dentro do nosso táxi, sem perceber coisa nenhuma.
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Às tantas fez-se-me luz. De repente exclamei "claro! Magellan é como eles chamam a Fernão de Magalhães!". Aí sim, quando no cruzamento seguinte berrei "navigator!", o taxista do Cairo mostrou sinais de contentamento.
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Nem sempre o que parece é. Nem todos os taxistas do Cairo se interessam por futebol. Nem sempre a imagem de Portugal lá fora é a que nós imaginamos. E estava muito longe do meu espírito que um taxista do Cairo se interessasse pelos Descobrimentos e por esse símbolo da Pátria que é Fernão de Magalhães.


Fernão de Magalhães (1480-1521) foi um grande navegador português. Devemos-lhe a primeira viagem de circum-navegação. O seu nome foi, infelizmente, atribuído a um produto de junk food da informática.