domingo, 20 de janeiro de 2019

TODA A POESIA DE UM ABRIGO DE CONTENTORES EM ÁGUEDA

De Stijl lusitano? Um Vantongerloo em Barrô? Não, mas a espontaneidade tem destas coisas.



sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

STARDUST MEMORIES Nº 24: ALCÁCER CEGUER

Faz por estes dias 20 anos que fui a caminho de Tânger. A missão não era impossível, mas adivinhava-se difícil. Tratava-se de montar, em oito meses, a exposição que iria acompanhar a Cimeira Luso-Marroquina. O primeiro-ministro António Guterres designara-nos (ao Cláudio e a mim) responsáveis pelo projeto.

Foi um percurso empolgante, no qual foram parceiros de jornada Conceição Amaral, José Alberto Alegria, Francisco Mota Veiga, Pedro Moreira, Jorge Murteira, Luís Campos, João Gabriel Isidoro, Maria da Conceição Lopes, João Soeiro de Carvalho, Ana Maria Rodrigues, Pedro Moreira, Rui Patarrana, Joaquim Romero de Magalhães, entre outros, e falando só na parte lusitana.

Em pano de fundo esteve Alcácer Ceguer. Um sítio inalcançável, para mim. Vários vezes o visitei, sempre com a vaga sensação que o caminho não passaria por ali. É o meu falcão da malta privado.

Na exposição, inaugurada com grande pompa em setembro de 1999, marcaram presença duas peças da antiga catedral da cidade, provenientes das escavações arqueológicas de Charles Redman. Se a janela tem o impacto das coisas que são exóticas por estarem fora de contexto, a lápide funerária é uma peça extraordinária, na qual alguém copiou, sem saber que escrevia, um texto em cursivo. Disseram-me, há dias, que está em paradeiro desconhecido...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

O QUE SERÁ UM DOCE MOURISCO?

Querendo promover o azeite, uma autarquia alentejana anuncia o CONCURSO DOCE REGIONAL MOURISCO.
Explicando...
A tradição "mourisca" / mediterrânica da doçaria comporta outros ingredientes (sésamo, amêndoa, cereais, muito mel, pistácios, gorduras como a manteiga, perfumes como água de flor de laranjeira, a menta, muito açúcar...), mas relativamente pouco azeite...
Será que se querem criar novos mitos, como o dos tapetes voadores?

MUSEUS E PATRIMÓNIO ETC. E TAL

Infelizmente, o Ministério da Cultura continua a ser visto como um sub-ministério. A pasta é ocupada para preencher calendário. Os resultados estão à vista. A imensa trapalhada que aí vai quase dispensa comentários.

Há gravíssimos problemas de funcionamento (podia dar exemplos pessoais de várias entidades em colapso total), há falta de meios, humanos e financeiros, e continua a não se perceber para que serve essa coisa da Cultura. Excetuam-se os momentos das inaugurações, com écharpes e croquetes, como ainda ontem me foi confirmado. Ao vivo e a cores.

A questão do NIF não resolve grande coisa, se não houver meios. O angustiante artigo de Lucinda Canelas no "Público" espelha o que se está a passar. Tem, contudo, uma passagem hilariante. A dado momento leio A ATL é dona da obra [do remate do Palácio Nacional da Ajuda] e é uma associação privada, com a maioria de sócios privados. Como é que as jóias do património nacional são deixadas à gestão privada?”. Quem faz a pergunta? Uma bloquista? Uma comunista? Frio, frio. Uma deputada do CDS-PP. Vou gravar e guardar. Para memória futura.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

ESSA INFINITA GIRÂNDOLA DE MINISTROS E SECRETÁRIOS DE ESTADO ETC. E TAL

Um dos aspetos mais divertidos na política pátria é o ritmo das visitas dos membros do governo às autarquias. É um dos textos do livro, em fase de revisão, sobre a experiência na Câmara de Moura. Dele retiro o excerto que se segue.

Em quatro anos convidei a vir a Moura:

* Um ministro para a inauguração de uma feira. Não teve agenda, mas rapidamente arranjou várias, e tem vindo aqui amiúde, a seguir a outubro de 2017;
* Um secretário de estado, que disse que gostava de visitar Moura, depois foi convidado cinco vezes, e que nunca teve a boa educação de responder;
* Um secretário de estado com quem tinha uma matéria importante a discutir, que não pôde vir, que marcou uma reunião comigo em Lisboa e depois enviou uma assessora maleducadíssima ter comigo. Despachei a reunião em cinco minutos e saí porta fora...

A única visita digna desse nome foi a da Secretária de Estado do Turismo, já no ocaso do mandato. Essa sim, valeu a pena, porque se assinou um documento importante, o da integração do Convento do Carmo no programa REVIVE.

Convites só porque sim ou reuniões com sexas só para fotografias, nem pensar. A minha atitude nem sempre foi bem aceite, mas o estilo pavão não era, nem é, bem o meu.

(os secretários de estado acima mencionados já foram à vida; os assuntos resolveram-se...)

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

É QUE NÃO HÁ BOA NEM MÁ PUBLICIDADE, HÁ PUBLICIDADE...

O texto que publiquei no meu blogue estava a ser muito lido. Ontem, teve mais um impulso, totalmente de borla. Um energúmeno anónimo resolver desatar às patadas no facebook, insultando-me a torto e a direito. Isso bastou que mais gente fosse ler o texto que publiquei. Já são mais de 1000... Agradeço a publicidade. Não há nada como uma boa pasquinada para nos promover. De borla, ainda por cima.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXIII

Os bairros funcionavam como pequenas aldeias. No nº. 7 da Rua Vicente Borga, a escassos 130 metros do meu local de trabalho, perdura esta fachada. Foi, e já não é, a Fábrica de pão de Francisco Lourenço. É uma casa de habitação. Da antiga função nada resta, a não ser esta memória. Dentro de menos de cinco meses, deixaremos o bairro. Que é cada vez menos bairro (ainda há senhoras idosas e isoladas, mas cada vez menos) e cada vez mais alojamento local. E, palavrão horrível, gentrificação.

ALGORITMO MARADO

Uso, regularmente uma plataforma de divulgação científica. Um dos últimos de trabalhos que usei foi a tese de doutoramento de Manuel Fialho de Sousa sobre Lisboa. Um belo trabalho, com muita informação de grande utilidade. A plataforma ACADEMIA faz, depois, conexões - se o meu amigo leu isto, deve gostar daquilo - e aconselha-nos outras leituras. Normalmente, os conselhos são um pouco "ao lado". Mas dei uma sonora gargalhada ao receber a seguinte sugestão:


Quase me senti tentado a ler o trabalho de Sofia Sampaio para perceber a ligação entre o urbanismo medieval e a história do novo cinema português.

domingo, 13 de janeiro de 2019

HENRIQUE MONTEIRO E AS ESCOLAS PÚBLICAS (QUE NÃO SÃO PÚBLICAS)

O jornalista do "Expresso" Henrique Monteiro é um velho especialista em pequenas facécias... Do estilo "estão a ver tão engraçadinho que eu sou?". Ontem, resolveu citar Evelyn Waugh, partindo de uma frase de um livro, segundo ele não traduzido: "...any one who has been to an English public school will always feel comparatively at home in prison". É um pequeno azar o livro não estar traduzido... Qualquer tradutor com conhecimentos que vão para além da síntaxe saberia, de imediato, que uma "public school" não é uma escola pública. É uma daquelas deliciosas contradições da Inglaterra. As public schools são as privadas. As public schools são caras (propinas a rondar os 20.000 euros/ano), é obrigatório o uso de uniformes e são sítios de reprodução da upper class. De pessoas como Evelyn Waugh, que frequentou uma.

O revolucionário arrependido Henrique Monteiro bem podia deixar o ensino público em paz. E ocupar a sua página com outras pequenas facécias.


sábado, 12 de janeiro de 2019

DA REALIDADE À DEMAGOGIA


Falando do ponto de vista pessoal, gostaria de estar sossegado. Tenho o próximo ano letivo na Universidade para preparar, livros em redação, comissariados de exposições etc. Retomei o percurso profissional. Com calma e de forma compensadora.

Tento não "me meter" na política local mourense.

Quando se anunciou o encerramento da fábrica, fiquei silencioso. Com a vida das pessoas em jogo, é mais prudente guardar silêncio.

Eis que surge na RTP o presidente da Câmara de Moura, sr. Álvaro Azedo, dizendo "o que é que falhou aqui? se calhar por via da negociação, podia-se ter negociado um prazo mais dilatado, em vez de 10 anos, [serem] 25 anos, que é o tempo que a ACCIONA vai explorar a Central Fotovoltaica [de Amareleja]".

Perdi a paciência e, um pouco (admito-o), a calma.

Em poucas palavras:
* As palavras do autarca Álvaro Azedo são produto da mais rasca e básica demagogia.
* As palavras do autarca Álvaro Azedo revelam má-fé, falta de caráter, desconhecimento e falta de preparação técnica e política.
Devia saber, se não sabe é ainda mais grave, que uma das principais dificuldades em todo o percurso foi precisamente a de encontrar quem assumisse o funcionamento da fábrica pelo período de 10 anos, o que levou ao abandono do processo de duas importantes empresas do setor e a que outras não tivessem apresentado sequer proposta.
* Devia recordar-se que, por vontade do PS, a fábrica nem arrancaria (nem 10, nem 25 anos...)
* Explique, já agora, quais foram os seus contributos, enquanto presidente de junta e enquanto membro da Assembleia Municipal nesta matéria.
* Explique também, sff, em que deram os contactos que fez, e qual foi a utilidade das diligências e da ida de ministros seus amigos a Moura...

As palavras de A. Azedo são um desnecessário insulto a várias equipas autárquicas e, em especial, a José Maria Pós-de-Mina. Um homem que não merecia ouvir disparates deste calibre.

Sr. Presidente da Câmara, trabalhe. Faça mais que continuar os muitos projetos que herdou. E, acima de tudo, tente prestigiar o cargo que desempenha.


Leia-se também este texto que publiquei em março de 2017: https://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2017/03/tantissimo-que-eles-gostam-de-projetos.html

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

CLÁUDIO TORRES - 80 ANOS

CLÁUDIO,

Não vou poder estar hoje aí, em Mértola. Logo hoje, que é data redonda e fazes 80 anos. Ligamos muito a essas coisas, e logo hoje é que falho. Ainda assim, e como este dia marca a tua entrada na nona década, achei que devia escrever-te esta carta. Pública e aberta. Normalmente, carta aberta é pancadaria. Não é este o caso. Não é, também, uma carta laudatória, nem nostálgica. E só é novidade porque, nestas coisas, prefiro a discrição.
Recuemos umas décadas. O Diretor de História da Arte e tu entraram na aula. Ele fez as apresentações: “este senhor chama-se Cláudio Torres e vai ser vosso professor no próximo ano”. Estava-se em plena crise das Torres das Amoreiras e deste uma aula explicando porque é que não nos sentimos agredidos por uma catedral gótica, mas sentimos o peso de arranha-céus repetitivos e sem pontos de referência. A explicação foi feita desenhando no quadro, com giz. O mesmo método que usarias sempre, nas aulas, para explicar o funcionamento dos zigurates, a modulação das muralhas ou a topografia da Lisboa Islâmica. Hoje, serias defenestrado se tal fizesses…
Dois dias antes do natal passado, e com um copo de moscatel à frente, confessei-te, no meio da nossa longa conversa, que tenho saudades de escrever livros e de preparar exposições contigo. Aqui me contradigo e cedo à nostalgia. O frenesim dos anos 1991/2001 não o repetirei. Não o repetiremos. Em final de 2001, com a inauguração do Museu Islâmico, fechou-se um capítulo. Isso era mais que claro. Ao longo dos anos, tornou-se também evidente que o modelo de trabalho que desenvolvíamos tinha, ele próprio, um tempo e um limite. Aí nunca concordámos, como bem sabes. Sou defensor de soluções mais formais, mais institucionais e muito mais conservadoras. De ligações fortes a Universidades (o acordo com Coimbra foi tirado a ferros…), a bancos, empresas e fundações. Num sistema de “matching funds”, e não de apenas de subsídios ou de donativos. Mas, como sempre disse e aqui reafirmo, este projeto é teu. A condução da máquina cabe-te. Como sempre sucedeu.
Como no futebol, a grande aprendizagem colhida em Mértola foi a de saber ver as jogadas pelo ângulo inverso. A de perceber que as pequenas coisas são as mais importantes, e que as pessoas “pouco importantes” são as decisivas. Por isso, os anos trabalhando contigo foram mais importantes que os graus académicos. E não há MBA, pós-graduações em políticas públicas, doutoramentos etc. que valham a outra formação por que aí passei. E que foi a humana e a política, antes de mais.
Quando, há meses, decidi tomar outro rumo, várias pessoas me perguntaram “mas houve chatices com o Cláudio?”, “zangaram-se?” etc. Nada disso. Nem por sombras. Dificilmente tal acontecerá. E nunca, em caso algum, deixarei de mostrar o meu reconhecimento pelos anos extraordinários que correram entre agosto de 1991 e fevereiro de 2006. Quinze anos de exposições, de livros, de correrias, de escavações, de Portugal Islâmico, de Marrocos-Portugal, de Memórias Árabo-Islâmicas, de Terras da Moura Encantada etc. De uma aprendizagem intensa e de todas as oportunidades que me foste dando e que fui aproveitando. Claro que ainda fui voltando, depois de 2006, mas já não era a mesma coisa. Também não queria regressar, em 2018, ao sítio onde fui feliz. Foram dois sítios, de facto, Mértola e Moura, o que me deu o privilégio raro de ter duas terras.
Nesses 15 anos, aprendi a desempenhar o meu papel de ator secundário. Digo-to com convicção e sem qualquer melindre. Aproveitei a placa giratória que o Campo foi, e ainda é. É agora muito menos que antes, como bem sabes. Mas o mundo mudou, e nós com ele.
O projeto vai continuar? Claro que sim. Quem o duvida? Não voltará a ser o que era? Decerto que não. Não pode, nem deve. Também não pode, nem deve, perder a alma. Como isso vai ser feito, é coisa que cabe a quem aí está. Pela minha parte, foi uma sorte poder ter aí estado durante tantos anos.
A parte mais divertida de tudo isto? Ter podido escrever e publicar, nos 40 anos do Campo, um texto como “350.400 horas mais tarde…”. Sem bibliografia nem um raio de uma citação. E borrifar-me para o que os “cientistas” pensem ou deixem de pensar acerca disso. Essa descontração foi sendo aprendida contigo, fica a saber.
Não estou aí hoje, mas espero estar em 2020. Por isso, aqui da Madragoa, te saúdo e brindo, com um copo de vinho tinto, como deve ser e manda a lei, “à tua e à nossa”.

Texto publicado hoje, no "Diário do Alentejo"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

UM FINAL LUSITANO

E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que d'ela receberei em muita mercê. 



O que acima se reproduz é o final da Carta do Achamento de Pero Vaz de Caminha. Referi-a, há dias, num encontro, em Évora. Ao jantar, o Joaquim Caetano pergunta-me "recordas-te do final? é uma coisa típica portuguesa, o fulano a meter uma cunha ao rei...". Já não me lembrava desse detalhe. Que merece bem ser reproduzido. O escriba tenta, no final da carta, que o rei perdoe o genro, entretanto no degredo, em São Tomé. Um final tipicamente à nossa maneira. Literatura com cunha à mistura.

É por isso que o ó xoutôr, faça lá o jeitinho, o amigo dê-lhe lá uma palavrinha, etc., são uma coisa só nossa. São, nesse sentido, quase Património...

O quadro não representa Pero Vaz de Caminha, mas sim Carlos V no Mosteiro de Yuste, um quadro de Joseph-Nicolas Robert-Fleury (1797-1890).

ALDOUS HUXLEY, EM 1963

Há palavras que devem ser lidas e ouvidas. Como esta entrevista de Aldous Huxley, há quase 56 anos. Agora mais, que a gouchismo dá passos firmes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

AS NOVAS ESTRELAS DA TV

Goucha esmera-se. Que Frota tenha sido ou seja ator porno, é-me indiferente. Que sejam essas as suas qualificações para ser deputado já é preocupante. Mas isso é com os eleitores brasileiros. Que seja um confesso adepto de violência, é francamente pior. Sendo esses os predicados, de que irá falar a criatura?

Depos, tenho amigos que acham que é por snobeira que raramente vejo televisão: cinema, alguma coisa da RTP2, o Mezzo... Não é. É por não gostar de malbaratar o tempo. Como, contraditoriamente, acabo de fazer.

MASJID

Em 1999 era literalmente impossível andar a pé nos curtos 200 metros que separam a mesquita Ketchaoua da grande mesquita de Argel. As medidas de segurança eram pesadas e nem pensar em frequentar antros de integristas islâmicos. Chateado e frustrado, não pude então visitar qualquer dos espaços religiosos da cidade. Pensei “nunca mais”. Não regressaria à Argélia e não visitaria nenhuma das mesquitas que queria ver.
            O destino troca-nos as voltas. Há sítios onde pensamos não mais regressar e que depois voltam a fazer parte do nosso percurso. Com Argel, foi assim. Cinco anos volvidos estava de volta à cidade. A guerra esfumara-se, o projeto de estudo da arte islâmica que, a partir de Portugal, coordenava estava no bom caminho e era preciso regressar a Argel. A cidade mudara radicalmente e circulava-se com calma. Depois de um par de voltas pelo exterior da mesquita principal, um intrigado Boussad inquiriu-me “mas queres entrar?”. Surpreso, perguntei se era possível. Estava convencido que vigoravam os princípios de “exclusão” praticados em Marrocos. Nem pensar. Podia visitar tudo, em total liberdade. No Oriente, a prática era essa – a grande mesquita dos omeias, em Damasco, é um grande local de encontro comunitário – mas não tinha a certeza que assim fosse noutros locais. A minha entrada na sala de orações não despertou mais que uma vaga curiosidade. Um dos orantes, divertido e pouco concentrado, fazia-me adeus com as duas mãos, enquanto eu disparava a máquina fotográfica. Tinha a certeza que o espaço não seria tão multicultural como o de damasco, onde o mausoléu de S. João Batista é local de oração de muçulmanos e de cirstãos, mas também não pensei que o ambiente fosse de tão completa “nonchalance”. Nos anos seguintes, várias vezes retornei à Argélia. Recordo a impressiva visita ao mausoléu de Sidi Boumedienne, assim como a entrada no ambiente de tenso fervor de Sidi Ramdane (um senhora muito idosa chegou-se ao pé de mim e segredou-me “transmita os nossos melhores votos às pessoas da sua terra”, para depois se afastar e continuar a rezar). Ou ainda, o insólito passeio por uma deserta e gigantesca mesquita de Tlemcen, acompanhado por um desnecessário segurança. Que resolveu rezar e deixou a pistola cair no chão, espalhando balas pelo solo...
Ao longo dos anos, fui recolhendo elementos e dados em mesquitas em terras tão diferentes como o Mali, Marrocos, a Tunísia, o Egito, a Turquia, a Síria, Gibraltar, Portugal ou Espanha. Com várias limitações, ora técnicas, ora de aceso a determinados lugares, ora de aperto de tempo.
Ao redigir o capítulo seis, sobre espaços religiosos e funerários, de um livro em produção, achei que era altura de retomar o tema para um trabalho autónomo. "Mesquita / Masjid" estará pronto dentro de uns tempos. Regresso, lenta mas firmemente, ao Mediterrâneo. Cada vez como menos certezas quanto aos sítios que irão fazer parte do percurso futuro.

PS: Tinha pensado fazer a crónica sobre o Convento do Carmo. Não vale a pena, para já. Cada coisa a seu tempo. A verdade triunfará. Faço apenas votos que o processo de reabilitação seja coroado de sucesso.


Crónica publicada hoje, em "A Planície"

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

WYLER... WILDER... MONET... MANET... PEPA... PAPA...

"Somebody went up to Billy Wilder and said, “Oh, Mr. Wyler.”And he says, “Wilder.” But he said, “What’s the difference? Manet. Monet.”

Agora em versão "jornal de referência":

E A BIBLIOTECA NACIONAL, SENHORES?

Falava-se em 1.000.000.000 de euros. Afinal, são mais de 1.700.000.000 de euros. Uma ampliação da Portela e o novo aeroporto no Montijo. Não tenho conhecimentos que me permitam pronunciar sobre opções tão complexas, se é melhor assim ou de outro modo. Mas tenho a certeza que a permanência da Biblioteca Nacional na aproximação a uma das pistas da Portela continuará a ser motivo de preocupação. Mo meio da ganância dos milhões nunca a mudança da biblioteca foi equacionada? Certezas? A Cultura serve (quase só) para show-off e nas Infraestruturas de Pedro Marques não cabem as culturais.

Punch-line: tirando os momentos de inauguração e do croquete, não me recordo ter visto um governante (Paulo Macedo à parte, by the way...) num museu ou numa biblioteca, interessar-se por estas matérias ou promovê-las de forma ativa e prática.

Aditamento: na opinião abalizada do Comandante José Correia Guedes (TAP) não basta tirar dali a Biblioteca Nacional ou o Hospital de Santa Maria. É o aeroporto que tem de mudar de local. Fala quem sabe.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

DE 1147 A 2019: ERA UMA VEZ A LISBOA ISLÂMICA

Já lá vão 871 anos, 2 meses e 17 dias. A cidade de Lisboa passou para mãos cristãs no dia 21 de outubro de 1147. O nome do quadro, hoje no Palácio Pimenta, tem que se lhe diga: E ASSIM SERIA LISBOA MOURISCA TODA DE BRANCO DEITADA COMO NOIVA NA SUA ALCOVA NUPCIAL.

O que aqui interessa, contudo, é o caráter bem expressivo da pintura de Jaime Martins Barata (1899-1970). Um trabalho rigoroso e sugestivo. Que seguiu as indicações de Augusto Vieira da Silva (1869-1951). A Cerca Moura de Lisboa, da autoria deste último (primeira edição em 1899), continua a ser uma dos grandes livros da História da Cidade.

Martins Barata (e Roque Gameiro) não deixarão de fazer parte do projeto em curso. No qual cabem estas e outras visões da Lisboa Islâmica.

domingo, 6 de janeiro de 2019

DA LOUSÃ A BAGDADE

Diferentes razões levaram-me ao contacto com projetos do arq. Jorge Sotto-Mayor de Almeida (1924-1996). Uma das suas obras foi a agência da Caixa Geral de Depósitos da Lousã, um trabalho de final dos anos 60. Não será dos mais expressivos, mas a verdade é que o edifício está algo descaracterizado por sucessivas intervenções. Mais interessante foi verificar que o Modern Arts Centre, construído pela Fundação Calouste Gubenkian, em Bagdade, teve também risco seu. Uma informação difícil de obter, uma vez que na exposição Arte e Arquitetura entre Lisboa e Bagdade - A Fundação Calouste Gulbenkian no Iraque, 1957-1973 quase não há elementos sobre a autoria dos projetos concretizados na década de 60. Fiquei com outra interrogação: que lhes terá acontecido?


sábado, 5 de janeiro de 2019

NOITE DE REIS

Noite de Reis, que será logo mais. Ao rever, na net, os mosaicos de Santo Apolinario Nuovo, dei com esta extraordinária representação dos Reis Magos. Baltazar não é aqui negro, apenas mais moreno que os outros, presumindo-se que o toque "mouro" seja dado pelas barbas.

Os Reis Magos apresentam calças ao estilo persa, mostrando assim que são "estrangeiros". Na verdade, tão cingidas e com tão exuberante colorido, mais parecem leggings dos nossos dias, bastante trendy por sinal...

Romance dos Três Reis Magos
Escutai, ó nobre gente, escutai e ouvireis,
Que da parte do Oriente, são chegados os três Reis.

São chegados os três Reis, da parte do Oriente,
Visitar o Deus Menino, alto Deus Omnipotente.

O caminho de um ano, fizeram-no em treze dias,
Por favor muito soberano, do Infante Rei Messias.

Guiados por uma estrela, que a todo o mundo dá luz,
Buscar vão outra mais bela, que é o Menino Jesus.

Foram a casa de Herodes, por ser o maior reinado,
Que lhes ensinasse o caminho, onde Jesus era nado.

Herodes como malvado, como perverso, malino,
Aos Santos Reis ensinou, às avessas o caminho.



Os três Reis como eram santos, uma estrela os guiou,
Em cima duma cabana, a estrela se pousou.

A estrela se escondeu, chegando a uma cabana,
Todos três se ajoelharam, a Jesus, neto de Ana.

A cabana era pequena, não cabiam todos três,
Adoraram o Deus Menino, cada um por sua vez.

Todos três lhe ofereceram, ouro, mirra e incenso,
Não lhe ofereceram mais, porque era o Deus imenso.

Ofereceram-lhe ouro fino, como Rei universal,
Incenso, como divino, e mirra, como mortal


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

LA DESSERTE ROUGE, QUE DEVIA TER SIDO AZUL

Um quadro de Henri Matisse (1860-1854), para compor o dia. La desserte rouge está no Hermitage. Esta encomenda do colecionador russo Sergey Shchukin devia ter sido pintada em tons de azul e teria o título de Harmonie en bleu. Matisse, insatisfeito com o resultado, mudou a cor e pintou-a em vermelho.

E ISSO DE OS CARDEAIS ANDAREM DE VERMELHO TAMBÉM TEM DE ACABAR...

Quando vi a notícia ainda pensei (juro que pensei) "mais uma parvoíce no facebook". Depois, fui ver o site da Globo. É mesmo verdade. Não haverá cadeiras vermlhas do palácio presidencial. E passadeira vermelha? Tendo em conta o papel do vermelho Oscar Niemeyer na construção de Brasília, teme-se o pior.

E a estupidez, que cor terá?


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

À VOLTA DAS CALIGRAFIAS - DIA 8, EM ÉVORA

Com a exposição quase a terminar, dia 8, às 18 horas, haverá conversa à volta das fotografia e das caligrafias. Participam Ana Paula Amendoeira (Diretora Regional de Cultura do Alentejo), Joaquim Caetano (Conservador no Museu Nacional de arte Antiga), Jorge Calado (curador da exposição) e o autor do blogue.

Algumas semanas mais tarde, a exposição irá uns quilómetros para noroeste. Ainda não há data marcada, mas há essa intenção.

DE ACRA PARA O FRIO

Haja cor no início do ano. Um dos fotógrafos que mais me interessou em 2018 foi o jovem ganês Prince Gyasi Nyantakyi. Um intenso sentido da cor, sempre ligado à presença humana. A fonte de inspiração para o tratamento das figuras humanas não é a tradição clássica europeia (nem tinha de sê-lo). Vi a fotografia de Prince Gyasi Nyantakyi ser classificada como "espiritual". Parece-me mais lúdica que outra coisa. Sem chegar aos paroxismos de excentricidade de Ouka Leele (duas imagens inferiores).

Prince Gyasi Nyantakyi fotografa com um Apple. Custa a crer, confesso...




quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

THE GREAT RAILWAY SWINDLE

Tudo isto daria imensa vontade de rir, se não fosse trágico. Ia estar tudo bem, garantiam. Está tudo a correr bem, ouvi há dias. A sério? Onde está o concurso? Onde estão as ligações diretas? Onde estão as novas carruagens? Onde está o transporte público?

Exemplo prático, uma ida e volta (Mértola/Lisboa) custa:
31.70 €, em viatura particular;
33.20 €, em autocarro (e há só um por dia).

E, sim, o título do post é baseado num disco dos Sex Pistols. Que não sabiam nada de música, mas podiam ter sido ministros. Ia dar ao mesmo, e sempre havia alguma balbúrdia sonora.



terça-feira, 1 de janeiro de 2019

WISEMAN 89

Frederick Wiseman faz hoje 89 anos. Continua a filmar. Continua a filmar muito bem, melhor dizendo. Arrancou relativamente tarde, aos 37 anos. Depois disso, já lá vão mais de quatro dezenas de obras.

Muitas vezes, os seus documentários têm um enfoque político-social. Não foi o caso deste National Gallery, que a RTP2 exibiu há dias. Também não é o Wiseman de que mais gosto. Mas foi muito bom, ainda assim.

High school, Titicut follies e Juvenile court estão disponíveis, em versão integral, no youtube.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

OS TEXTOS DE 2018

Derradeiro balanço pessoal do ano: o dos textos mais lidos em cada mês, com o número de visualizações. O que me dá ideia dos interesses de quem lê o blogue e da forma como os leitores seguem o que vou escrevendo. Obrigado a todos, 10 anos e 23 dias depois de ter começado.


Janeiro
Arqueologia amarelejense (8.1) - 1819 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/01/arqueologia-amarelejense.html




Fevereiro
Cozido à portuguesa (9.2) - 1331 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/02/cozido-portuguesa.html




Março
Bolsa de estudos Dr. Alberto Fernandes (29.3) - 8590 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/03/bolsa-de-estudos-dr-alberto-fernandes.html



Abril
Por terras de Safara (1.4) - 2199 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/04/por-terras-de-safara.html




Maio
Carta aberta ao Presidente da Câmara de Moura (31.5) - 4320 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/05/carta-aberta-ao-presidente-da-camara-de.html




Junho
Assim, ainda nos deixam vaidosos (5.6) - 1039 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/06/assim-ainda-nos-deixam-vaidosos.html





Julho
António Borges Coelho - Prémio Universidade de Lisboa (14.7) - 1243 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/07/antonio-borges-coelho-premio.html




Agosto
Em Samora Correia, com os Silva Herculano (22.8) - 606 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/08/em-samora-correia-com-os-silva-herculano.html




Setembro
Vice-Presidente do Sporting é da Salúquia (14.9) - 5085 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/09/vice-presidente-do-sporting-e-da.html




Outubro
Meu caro Miguel Rego... (13.10) - 3593 leituras

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/10/meu-caro-miguel-rego.html




Novembro
Fake news na Câmara de Moura (15.11) - 832 leituras

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Dezembro
Sim às corridas de touros (1.12) - 260 leituras

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domingo, 30 de dezembro de 2018

QUETZAL E SENHORA DE GUADALUPE E HAGIONÍMIA

Alguns visitantes, por aqui e por ali. Não muitos. Certamente muito menos que os que iam nos carros que nos ultrapassaram, a velocidades inadmissíveis, na EN 122, ao cair da noite. Contudo, a luz da tarde e os sítios justificavam o tempo que ali se gastasse. Como fomos fazendo, entre as 14 e as 18.

África ainda está na Quinta do Quetzal. Uma exposição na fantástica galeria de exposições da quinta. Arriscava-me a dizer que é África vista de fora, mas isso é o que menos interessa aqui. O sítio é muito bonito, por fora e por dentro. A curta distância está a Ermida da Senhora de Guadalupe, em terreno privado e em crescente ruína. Há restos de frescos, imitando mármores, em azul e em rosa. Para ocidente temos o esplendor de S. Cucufate. O nome do mártir perde-se no meio da lenda, mas a villa ali está, bem sólida e visitável. Quem conheceu o sítio e quem o vê agora, facilmente constata o salto qualitativo.

Em poucos metros - da Quinta do Quetzal a São Cucufate são 3.500 metros, por estrada (em linha reta apenas 1.500); da Quinta à Ermida de Guadalupe uns escassos 150 - concentram-se Arte e Património. A preços irrisórios. Quem vai à desfilada, EN 121 e 122 fora, não dá por isso.





sábado, 29 de dezembro de 2018

2018 - REVISTO E ENCURTADO

Foi um ano de mudança radical. Pela primeira vez, desde há 12 anos, estava "por minha conta". Tive direito à minha travessia do deserto. Um período curto, antes de mergulhar em diversos trabalhos. Quando informei que tenho projetos agendados para 2019, 2020 e 2021 uma velha amiga comentou "não há nada a fazer, não tens emenda...". O que foi o ano que agora passa? A atividade autárquica esfuma-se no horizonte passado, outras coisas surgem pela frente. Moura faz-me falta? Sim, ganhei essa certeza.

Contas feitas, 2018 foi muito melhor do que esperava. Mais divertido e animado, em especial. Um ano lúdico e profissional e marcado por uma agenda pessoal. Pela primeira vez em muitos anos. E marcado também pelo novo percurso, na Câmara de Lisboa.

Janeiro

Dia 9 - Recebi uma comunicação da Câmara de Moura informando que razões de ordem financeira levavam a não apoiar o projeto de exposição De Totalica à Adiça: 5000 anos de mineração. Custaria uns 25.000 euros. Paciência, não se faz em Moura irá fazer-se noutro local. Concretamente, no Sobral da Adiça. De outra forma e com menos meios, provavelmente. Haverá exposição e programa complementar. Já há colaboradores qualificados garantidos.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/01/todo-o-ouro-da-adica-uma-exposicao-para.html





Fevereiro

Dia 7 - Uma revista online coloca Moura entre os 15 centros históricos mais bonitos. Estas coisas valem o que valem, mas a referência deu-me um certo prazer. Não deixarei, uma vez e outra, de recordar o que é uma coisa chamada reabilitação urbana. O que alguns babacas chamam arqueologia e museus 😁.

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Março

Dia 17 Celebração, em ambiente fraterno. Regresso à mesquita de Lisboa, para uma intervenção no âmbito da festa dos 50 anos da Comunidade Islâmica.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/03/comunidade-islamica-de-lisboa-50-anos.html



Dia 20 - Presença, a convite da Caixa Geral de Depósitos, no XIV Fora da Caixa. Participantes, entre outros: Francisco Cary, Augusto Mateus, Miguel Sousa Tavares, António Gomes de Pinho, Paulo Macedo e o autor do blogue.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/03/twimc-xiv-fora-da-caixa-em-direto.html



Abril

Dia 3 - Começo a trabalhar na Câmara de Lisboa. Um novo caminho, aos 54 anos e 10 meses.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/04/horizonte-acima.html



Dia 18 - Monumentos e sítios. Os projetos em que colaborei são aqueles a que a Câmara de Moura dá destaque. Sem ironia, nem ressentimento: poucas coisas me dariam mais prazer, do ponto de vista profissional.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/04/moura-dia-internacional-dos-monumentos.html



Maio

Dia 26 - Encontro dos 40 anos do Campo Arqueológico de Mértola. E ali estou eu, no grupo dos dinossauros da casa. Primeiro contacto com o projeto? Novembro de 1982...

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/05/do-alto-destas-fotografias-40-anos-vos.html



Junho

Dia 7O Prémio Vasco Vilalva foi atribuído um "projeto [que] vai recuperar, conservar e valorizar os jardins que envolvem o Santuário de Nossa Senhora das Preces, localizado na aldeia de Vale de Maceira, em plena Serra do Açor, bastante afetados pelos incêndios de outubro do ano passado". Tive o prazer e a honra de integrar o júri do Prémio Vasco Vilalva, atribuído anualmente pela Fundação Calouste Gulbenkian. O júri foi constituído por António Lamas, Gonçalo Byrne, Raquel Henriques da Silva, Luís Paulo Ribeiro, Teresa Portela Marques, por Rui Esgaio e por mim próprio.

https://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/06/premio-vasco-vilalva-santuario-de-nossa.html


Dia 24 - Regresso à Amareleja, para a inauguração do novo bar, no Campo das Cancelinhas. Um regresso emotivo e marcado por várias surpresas. Uma delas foi a entrega do meu cartão de sócio.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/06/amarelejando-ao-final-da-tarde.html



Dia 27 Ficou concluída a primeira redação do livro sobre a experiência autárquica mourense (2005-2017). 227 crónicas, intervenções públicas, entrevistas etc. Cerca de 450 páginas A4 (palatino, corpo 12, a espaço e meio). Até final do ano fui fazendo uns aditamentos... Já vai em 240 textos e 600 páginas. Retomo-o em janeiro de 2019. Edição? Em 2020.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/06/liber-scriptus-est.html



Julho

Dia 3 - Reinício das escavações arqueológicas no Castelo de Moura. O tipo de estruturas postas a descoberto obrigarão a um alargamento de área de trabalho. Ocupações recentes (séculos XIX e XX) afetaram fortemente os níveis medievais. Uma coisa é certa. Estamos já ante a presença de vestígios - ainda fragmentários - das casas islâmicas dos séculos XII e XIII. A realidade da nossa terra de há sete ou oito séculos começa a mostrar-se.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/07/escavacao-arqueologica-dias-1-4.html



Agosto


Dia 20 - Silva Herculano é o nome da ganadaria e tem base na Amareleja. Henrique Herculano é o seu jovem proprietário. Uma noite bem passada, a convite do ganadeiro, com um grupo de bons amigos.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/08/em-samora-correia-com-os-silva-herculano.html



Setembro

Dia 8Inauguração do lagar de Vale Formoso, no limite norte do concelho de Moura. Tiveram a simpatia de me convidar. Fui, claro. É um dossiê que conheço muito bem. Vem a propósito recordar uma passagem do Deuteronómio (24:20):

Quando varejares as tuas oliveiras, não voltes a colher o resto que ficou nos ramos; deixa-o para o estrangeiro, o órfão e a viúva.


http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/09/fe-em-vale-formoso.html



Dia 17 - À volta dos objetos e dos museus. Um encontro vivo, num sítio muito especial.

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/09/objetos-e-museus-um-percurso-sinuoso.html



Outubro


Dia 5 - Tertúlia na Taberna do Liberato. Coisas sobre a alimentação medieval. Não tinha uma afluência assim, com gente de fora e tudo, desde uma sessão na Brown University, da qual guardo gratas recordações.



Dia 25 - Inauguração da exposição "Caligrafias". Memórias de viagens em 35 imagens. Sem a participação de Jorge Calado, isto nunca passaria de uma intenção.

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Novembro

Dia 7 - É daquelas experiências que não esquecerei... Publicar um texto quase se tornou um calvário. Mas lá ficou arrumada a questão. E as tais houses and daily life entraram noutro tipo de circuito.

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Dia 22 - O lançamento da revista "Monumentos" foi, para mim, muito mais que um ato formal. Ainda que tenha estado ausente, este número 36, com um dossiê sobre Mértola, teve um significado muito especial. O tempo passa depressa. Mértola é um ponto decisivo na vida de tantos de nós. A imagem da capa é muito bonita. E dá uma imagem de solidez. É disso que os projetos precisam. De solidez, de segurança e de uma produtiva longevidade.

https://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2018/11/monumentos-n-36-mertola.html



Dia 28 - Visita calma ao Padrão dos Descobrimentos. Uns dias depois da inauguração. Contar Áfricas! foi uma experiência diferente na minha carreira. Escolher uma peça e falar sobre ela, eis o desafio. Assim concretizado: esta peça de luxo, produzida no al-Andalus, com influências tunisinas, espelha bem essa rota. Representa uma cena de caça, em que um galgo e um falcão atacam, em simultâneo, uma gazela. A excecionalidade da peça reflete também o caráter exclusivo que a caça de volataria tinha.

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Dezembro

Dias 6 a 8 - Três dias com registos diferentes. Um debate sobre o Património Mundial (quinta), uma passagem pela animação da Feira do Vinho, na Amareleja (sexta), o jantar dos Forcados de Moura (sábado). O permanente regresso ao sítio de origem.

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E termina 2018.