sexta-feira, 24 de abril de 2026

EQUUS

Júlio Pomar nasceu há 100 anos (10 de janeiro de 1926, para ser preciso). Os cavalos surgem em muitas das suas obras. Na átrio da sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, há um enorme tropel. Voltarei a este tema, dentro de semanas.








O cavalo (Natália Correia)

Teus poros exalam o fumo
Do lar dos deuses de onde vieste.
Rompante de espuma e de lume
És sol quadrúpede ou mar equestre?
 
Desfilando derramas o ouro
Do teu rio inacabável,
Desmedido relâmpago louro
De um deus equídeo possante e frágil.

Tudo existiu para que fosses
No contraluz desta madrugada
Mitológica proporção perfeita
Em purpúrea bruma recortada.

Pois que te é divino mister
Humanos olhos extasiar
A dúvida é só perceber
Se vieste do sol ou do mar.

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