domingo, 31 de maio de 2026

NOVE REPETENTES

Faz hoje 65 anos que o Benfica conquistou, pela primeira vez, a Taça dos Campeões Europeus. Dos nove bicampeões restam vivos dois: Mário João e José Augusto.


Alberto da Costa Pereira (1929-1990)

Mário João (n. 1935)

Germano de Figueiredo (1932-2004)

Ângelo Martins (1930-2020)

Fernando Cruz (1940-2025)

José Augusto (n. 1937)

José Águas (1930-2000)

Mário Coluna (1935-2014)

Domiciano Cavém (1931-2005)


Vem isto a propósito da final de ontem. Cada vez mais as equipas multimilionárias mandam nisto tudo. Veja-se a origem dos campeões das últimas 10 edições:


Espanha - 4

Inglaterra - 3

França - 2 

Alemanha - 1


Clubes vencedores - 6


Creio ser mais ou menos evidente que um Estrela Vermelha, um Steaua ou mesmo um Porto são coisas irrepetíveis. É pena, mas é assim.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

SACO AZUL

É uma expressão cuja conotação cromática sempre me escapou... Seria por causa do papel selado, que era azul? [o que será papel selado, perguntará um leitor mais jovem que por aqui passe] O significado era bem claro: o de uma contabilidade paralela, de dinheiro "escondido" ou oficialmente inexistente. No Brasil diz-se Caixa 2.

Hoje em dia, o sentido praticamente desapareceu. Tudo se tem tornado mais sofisticado. Acho que foi por isso que me lembrei do "saco azul".

segunda-feira, 25 de maio de 2026

SARDINHAS 2026

É uma das iniciativa das EGEAC - Lisboa Cultura de que mais gosto. Estre concurso das sardinhas tem um sucesso impressionante - e à escala global (3.128 propostas de 66 países).

As (cinco) vencedoras deste anos são, todas elas, excecionais. Mas, de entre as cinco, a minha preferência vai para o azulejo, de Martín Narciso.

https://egeac.pt/as-vencedoras-do-concurso-sardinhas-2026/

sexta-feira, 22 de maio de 2026

MANUEL BRAVO

Valeu a pena ir a Moura, assim de esticão, para estar presente nesta homenagem ao meu camarada e amigo Manuel Bravo. Tive a oportunidade de, em 2016, o homenagear enquanto presidente da câmara (a ele e ao Francisco Farinho), pela presença ininterrupta nos órgãos autárquicos ao longo de quatro décadas.

E quis estar presente nesta homenagem pelo apreço que tenho pelo meu camarada Manuel, como reconhecimento pela entrega que teve, ao longo de décadas ao concelho e à causa pública, e ao Povo da sua região.

Ele fez, e faz isso, com a sua entrega e a sua militância.


JORGE JESUS

Histriónico, espalhafatoso, contraditório, ilógico, provocador, popular, os adjetivos sobram quando se fala de Jorge Jesus. Uma coisa é certa: não deixa ninguém indiferente.
Ganha porque tem sorte, dizem alguns...
A sério?...
Então teve sorte 25 vezes.
A saber:

6 Campeonatos nacionais (3 em Portugal, 1 no Brasil, 2 na Arábia Saudita)
3 Taças (Portugal, Turquia, Arábia Saudita)
6 supertaças (2 em Portugal, 3 na Arábia Saudita, 1 no Brasil)
1 Libertadores (Brasil)
1 Recopa (Brasil)
6 Taças da Liga (Portugal)
1 Campeonato carioca (Brasil)
1 Taça Intertoto (Portugal)

7 clubes:
al-Hilal (5)
al-Nassr (1)
Benfica (10)
Braga (1)
Fenerbahçe (1)
Flamengo (5)
Sporting (2)



segunda-feira, 18 de maio de 2026

AO BRUNO MONTEIRO

Foi com muita pena com soube da saída do Bruno Monteiro da atividade política. Fico com a esperança que não seja de vez e para sempre. Como, aliás, lhe disse ao telefone durante a tarde de ontem.

Conheci o Bruno em 2013, quando foi candidato à Junta de Freguesia. Um candidato-surpresa que ganhou a Junta para a CDU. Foi, durante 12 anos, um brilhante autarca. Sei do que falo, porque acompanhei de perto o seu percurso. Em particular entre 2013 e 2017, quando foi Secretário da Vereação. Um lugar que desempenhou com profissionalismo e seriedade. E com um estilo próprio e pensando pela sua cabeça. Não era um yes-man. "Olha lá, boss [era esse o tratamento que me reservava], não estou de acordo contigo". Assim se forjou uma amizade, franca e leal, que já vai em mais de uma década.

Ir ao Sobral passou a ser "estar com as pessoas de lá". Passei a ser presença assídua em muitos momentos, sempre com ele, enquanto presidente da junta, a enquadrar-me no sítio e a apresentar-me a toda a gente. Fazendo, no fundo, com que passasse a sentir-me em casa. Foi isso que aconteceu, mesmo depois de eu ter deixado a presidência da câmara.

Trabalho, dedicação e inteligência marcaram esse percurso. Em mais de uma década de presidência construiu um caminho, procurando soluções, inovando, fazendo a diferença e liderando. Foram muitas as intervenções, as obras concretas, numa presença permanente e em diálogo aberto. Mesmo com os que combateram de forma desleal. No momento em que, por razões de ordem pessoal, deixa a presidência da Assembleia de Freguesia, faço questão de deixar aqui este testemunho. Nada que o Bruno não saiba, mas há coisas que vale a pena escrever. Até porque espero que este possa não ser o capítulo derradeiro. O concelho de Moura precisa de homens como ele. Que façam a diferença e que façam mais do que a banalidade a que assistimos.

Tal como ontem dissémos "até ao S. Pedro, se não for antes".


domingo, 17 de maio de 2026

AMOR MÍO...

Amor mío é uma das canções que cantava e de que mais gosto. Uma canción por bulería cheia de sentimento e de palavras com alma.

Arriscaria dizer que era praticamente desconhecido em Portugal. Chamava-se José Domínguez Muñoz (1944 – 2026), mas era conhecido como El Cabrero. Que o era, de facto. Nasceu em Aznalcóllar, uma vila perto de Sevilha. A serra era o seu mundo. Anarquista, esquerdista, irreverente e pouco respeitador do status quo, teve problemas recorrentes com o Poder. Grande Homem!

A sua voz é, sem exagero, uma das mais importantes da cultura mediterrânica. Ele era O flamenco. Ouça-se aqui: https://www.youtube.com/watch?v=OuO-PudhAw8

sábado, 16 de maio de 2026

JOÃO ABEL MANTA

Dir-se-ia eterno. É-o, de certo modo. João Abel Manta (1928-2026) foi/é uma figura mais marcante do que a rapidez das coisas permite que se entenda. Foi o mais importante e comprometido desenhador da Revolução.

Este desenho, de 1972, está mais atual que nunca. A eternidade é isso.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

PORTUGAL ATLÂNTICO

Uma brisa fresca soava acima do Douro, mas sem termos chegado ao Rio Minho. Granito, espigueiros, ardósia e muros de pedra ladeando azinhagas. Outro País, diferente do meu. Mas que não me pertence menos.

Rapidamente, no Porto, dei-me conta que a cidade (ainda) não perdeu a alma. Algo que Lisboa já teve e já não tem.

O Portugal Atlântico é a metade de cima do meu País.



quarta-feira, 13 de maio de 2026

INÊS D'OREY

Foi uma escolha declaradamente pessoal. Refiro-me ao convite feito a Inês d'Orey para fotografar o Panteão Nacional. Quase parece contraditório que uma artista por vezes tão despojadamente "nipónica" seja desafiada a abordar o barroco e o neo-barroco do monumento.

O interesse da proposta está aí. E acredito num grande resultado final.


terça-feira, 12 de maio de 2026

ALMA MINHA...

O jornal "Expresso" lançou um conjunto de quatro livros com poemas de Camões. São, em grande maioria, sonetos. Tiveram a boa ideia ideia de filmar atores, cantores, declamadores, interpretando poemas. As imagens andam pelas redes sociais, e o conjuto do que foi filmado pode ser visto no Panteão Nacional.

Interpretação preferida? Esta, dolorida, de Sofia Alves.



quinta-feira, 7 de maio de 2026

O CHIC-NIC

Em “Agosto 1914”, Alexander Soljenistsine relata a visita de um nobre russo ao Louvre. Fazia-se acompanhar, na deslocação ao célebre museu parisiense, por um criado que transportava uma cadeira. Quando lhe apetecia apreciar Arte, numa determinada sala, dizia ao criado “la chaise, là” [a cadeira, ali] apontando o local onde queria ficar sentado. A aristocracia russa foi varrida em 1917. Os gestos de quem olha o mundo de cima é que não.
 
Lembrei-me dessa passagem do livro ao tomar conhecimento, há dias, da realização de um “chic-nic”, em pleno Parque Eduardo VII, em Lisboa. Por um valor entre 150 e 300 podia-se usufruir de uma parte do jardim – privatizado por umas horas -, degustando iguarias, preparadas por restaurantes caros, e ouvindo música. Cada um gasta o que lhe pertence como muito bem entende. E onde quer. Mas – e há aqui um enorme MAS – o que é que não se pode admitir?
·      Que um jardim público seja privatizado, ainda que por umas horas, para usufruto de uns quantos;
·      Que o acesso ao local seja, por isso, limitado;
·      Que o evento tenha financiamento público (75.000 euros), daí resultando que o que a todos pertence só para alguns reverta;
·      Que não haja um mínimo de sensibilidade social e se passe ao lado dos problemas do mundo real (numa cidade, a capital, de está de pernas para o ar);
 
Perguntará o leitor o que interessa isso a quem vive em Moura, a mais de 200 quilómetros do evento. Interessa também, num momento em que se tentam privatizar praias, em que se cortam caminhos percorridos historicamente pelas populações, em que o acesso aos campos é cada vez mais difícil, em que o que é de todos passa a ser usado apenas por alguns. Em tom proprietário e com desprezo pelos “de baixo”.
 
O “chic-nic” (fantástica e parola designação) é um sinal dos tempos. Da forma arrogante de exercer o poder, da total sobranceria ante os mais desfavorecidos. Há quem nunca aprenda.  Não resisto a recordar Maria Antonieta, a rainha que gostava de organizar piqueniques chiques (chic-nics, portanto) nos jardins de Versalhes. E que acabou por ser a protagonista principal de um evento coletivo na Praça da Concórdia, em Paris, em 16 de outubro de 1793. Como me comentou um amigo, monárquico!, “aquilo foi de perder a cabeça”.
 
Tanto desvario e tanta falta de humildade são um sinal evidente dos tempos que vivemos. Um certo “direito do mais forte à liberdade”, para usar livremente o título do filme de Rainer Fassbinder. Aos mais desalentados (e no meu ceticismo crónico não sou exatamente um “otimista”) recordo sempre que a História não acabou; que esta é a cava da onda; que constatamos o que, em astronomia, se designa por “movimento retrógrado aparente” – em que um planeta parece recuar visto a partir de um ponto fixo, mas tal não passa de uma ilusão de ótica. Como a própria História se encarregará de explicar.

Crónica em "A Planície"

A imagem é de um conhecido "nude-nic", pintado por Manet.




quarta-feira, 6 de maio de 2026

O POEMA DO DIA

7 de maio

Negra negríssima ilha

sobre a pedra negra acendem-se os lampiões

ratos enormes cruzam a latrina

detêm-se a ouvir o megafone

olham-nos nos olhos sem pressa

depois partem calmamente.


Carneiros esfolados pendem

sobre o nosso sono.


Poema de Yannis Ritsos (1909-1990), no livro "Diários do exílio", traduzido por José Luís Costa e por Rui Miguel Ribeiro. A fotografia é de Edgar Martins (n. 1977), da série Siloquies and Soliloquies on Death, Life and Other Interludes (2016)



sábado, 2 de maio de 2026

O DESPOVOAMENTO DO "INTERIOR": DO SÉCULO XVI ATÉ AOS NOSSOS DIAS

A cópia (melhor dizendo, o rascunho) do Livro das Fortalezas de Duarte Darmas está na Biblioteca Nacional de Espanha. Está classificado como manuscrito MSS/9241 e pode ser consultado online: https://bnedigital.bne.es/bd/es/viewer?id=bf5fbebc-a7d6-4e49-9bb8-a9edcb68bbc3 . Foi o que fiz ontem à tarde, cotejando informações "laterais".

Uma das notas mais curiosas reporta-se à fortaleza de Portelo, no concelho de Montalegre. Anota Duarte Darmas o abandono do sítio (nem o alcaide ali vivia...):

"Alcayde nom no vy por que achey a fortaleza soo sem ningem".

Portelo faz fronteira com Espanha. Ficava a 370 quilómetros da capital do reino. Em 2011 a freguesia de Padornelos tinha 124 habitantes. O abandono é antigo.












Ver fotografia atual do sítio em:

https://www.google.com/maps/@41.8932897,-7.7635064,3a,52.2y,327.19h,98.39t/data=!3m7!1e1!3m5!1sojdCgiP-b2fQYK6Wwdajfg!2e0!6shttps:%2F%2Fstreetviewpixels-pa.googleapis.com%2Fv1%2Fthumbnail%3Fcb_client%3Dmaps_sv.tactile%26w%3D900%26h%3D600%26pitch%3D-8.39%26panoid%3DojdCgiP-b2fQYK6Wwdajfg%26yaw%3D327.19!7i13312!8i6656?entry=ttu&g_ep=EgoyMDI2MDQyOS4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D