quarta-feira, 22 de abril de 2026

E ASSIM PASSARAM DEZ ANOS

Fui buscar aos "arquivos" esta fotografia. Dez anos certos.

A cena é inesquecível. Subimos a Segunda Rua da Mouraria a custo, no meio da multidão. Ao chegarmos perto da Praça, estava o Jorge Liberato à porta da taberna com garrafas de vinho para oferecer ao Presidente da República. Apresentei-o: "Senhor Presidente, este amigo é o bastonário da Ordem dos Taberneiros". A resposta, acompanhada por um vigoroso aperto de mão, foi: "então temos de conhecer a taberna". E entrou de rompante.

Marcelo Rebelo de Sousa já não é Presidente da República.

Eu já não sou Presidente da Câmara de Moura.

O Jorge continua ativo, no seu posto, felizmente.


sábado, 18 de abril de 2026

MÔDE??? MONDE???

No outro dia dei comigo a pensar em palavras e expressões "que se vão perdendo". Que não fazem sentido nos nosso dias, ou que foram cilindradas por novos usos, pelas redes sociais, pela padronização da estupidez televisiva...

Subitamente, apareceu-me uma expressão quye não ouço há décadas. E que a minha avó Joaquina do Ó Ferreira (1909-1975) usava: môde [por mor de... por causa de...]. O uso era quase sempre interrogativo: "atão isso é môde quê?". Noutras pessoas ouvi o môde passar a monde. Na minha juventude ainda se usava, já mais em tom de brincadeira que outra coisa. Hoje em dia, diria que desapareceu.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

MOURA EM SANTA ENGRÁCIA

Terminou há pouco a missa solene, na Igreja de Santa Engrácia (na Calçada dos Barbadinhos, não no monumento do Campo de Santa Clara), celebrada por D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa.

Fui convidado, pelas funções que atualmente desempenho. O momento mais emocionante ocorreu(-me), perto do final. O coro interpretou a Nossa Senhora do Carmo, adaptada, claro está, a Santa Engrácia. Fiquei contente por uma pessoa vir ter comigo, por saber que sou de Moura. E mais contente fiquei por saber que o autor de Nossa Senhora do Carmo era/é o Maestro José Coelho.


segunda-feira, 13 de abril de 2026

TODD WEBB

Um grande fotógrafo americano em Portugal: Todd Webb (1905-2000). Manifestamente, fascinou-o o ambiente de ebulição política de finais da década de 70 / inícios da década de 80.
A exposição é magnífica. Peço desculpa, mas a minha preferência vai para os jogos geométricos... Como esta imagem de Lagos, em 1980.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS - 150 ANOS

Há bancos mais antigos, claro. Mesmo em Portugal! Mas este é público.

Fui convidado a estar presente no encontro que assinalou a data. Um acontecimento muito interessante. Pelo que foi dito e, por vezes, como foi dito. Mas isso ficará para mais tarde.

Para já assinalam-se os 150 anos da Caixa Geral de Depósitos. Uma efeméride importante.



segunda-feira, 6 de abril de 2026

ARTE ISLÂMICA EM MOURA

Há temas recorrentes... Este "persegue-me" há quatro décadas. Houve uma primeira publicação em 1994. Dei o assunto por encerrado. Até que, há cerca de 15 anos, duas plaquinhas em osso relançaram o assunto. Não havia uma arqueta do final do período islâmico, havia duas! E com a mesma representação geométrica. E, aposto eu!, são coisas de produção local.

Que fazer?, para recordar uma pergunta "clássica". Recomeçar. Uma vez e outra. De momento, as plaquinhas estão no Instituto José de Figueiredo, em Lisboa, para análise de pigmentos. Não se esperam grandes surpresas, mas é o procedimento canónico. Depois retomaremos (o José Gonçalo, a Vanessa Gaspar e eu) um manuscrito que está meio e publicaremos o estudo. Edição bilingue português/inglês da MULTICULTI. Quando? Lá para o outono. Deste ano...

sexta-feira, 3 de abril de 2026

PAIXÃO 2026

Trinity, de Carlos Aires.

Uma grande peça, no MACAM.

Uma evocação perfeita, para este dia.



quinta-feira, 2 de abril de 2026

FIDEL CASTRO

 “Quanto mais o tempo passa, mais cresce a minha admiração por Fidel Castro. Pela coragem, pela capacidade de resistência, pelo desafio, pela tentativa de criação de um modelo alternativo, por ter criado em tantos de nós a ideia de que a utopia era possível. E quanto mais vejo tantos políticos de pantufas, acomodados e sem uma chispa de entusiasmo ou de imaginação, mais essa admiração cresce”. Escrevi isto em dezembro de 2024. Mais o escreveria agora.

No dia 8 de janeiro de 1959, Fidel Castro entrou em Havana. Triunfava um dos mais improváveis sonhos do século XX. Há uma célebre fotografia do desfile triunfal, onde estão Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos. Cienfuegos morreu poucos meses mais tarde, Che faleceu em 1967, Fidel em 2016. A revolução perdeu a sua aura romântica? Sim. Teve momentos e atos com não concordo? Sim, sem dúvida. Mas nunca deixará de nos fazer sonhar. E veio mostrar que a vontade dos povos deve ser mais forte que o imperialismo.

Poucos meses depois desse desfile, em abril de 1959, Castro foi visitar os Estados Unidos. Eisenhower não lhe passou cartão (“esnobou” dizem os brasileiros, e a palavra é fantástica) e foi jogar golfe. O resto da História é conhecida, porque essa viagem se revelaria decisiva. Pico, plagio, copio, sem vergonha e com orgulho, dois excertos de um magnífico texto publicado por Miguel Urbano Rodrigues no “Avante!” e no “Granma”, em 2006. Um texto sem rugas e pleno de verdade:

“A Revolução Cubana configura um desafio à lógica da História. Assim aconteceu com Moncada, com a aventura do Granma, a luta na Sierra, e o choque posterior com o imperialismo norte-americano. A decisão de resistir e a coragem do povo cubano no combate que confirmou ser possível a resistência serão recordadas pelo tempo adiante como acontecimentos épicos da História da humanidade.

Não há calúnia mediática que resista à prova da vida. Definir como ditador um dirigente amado por um povo que governa há quase meio século é um absurdo maldoso. O consenso entre o governante e a sua gente ridiculariza a diatribe forjada pelos seus inimigos”.

O que Cuba fez, ao longo de décadas, foi um combate extraordinário de David contra Golias. O rejeitar a ilha-paraíso-bordel dos vizinhos do lado e o tentar construir uma realidade alternativa. O percurso não foi isento de contradições, nem de erros.

Depois de seis décadas de um bloqueio ilegal (e isso que importa, para quem é a justiça a oeste de Pecos?), o sufoco torna-se quase total. Algo irá mudar, nos próximos tempos. Não será nada de decente… Ter estudado História é, neste caso e assim suponho, uma vantagem. Porque nos remete para o passado e nos dá uma leitura mais abrangente das coisas. E a história recente da América Latina é um longo estendal de ingerências americanas e uma longa luta entre liberdade e opressão. E onde há fome e não há educação nem cuidados de saúde, não há democracia e não há liberdade. Há, em tudo isto, um sim e um não.

É por isso que estou com Lula da Silva e com João Goulart e não com Jair Bolsonaro ou com Costa e Silva. Sim, mil vezes sim, com Chávez e jamais com Pérez Jiménez (cujos esbirros acabaram como acabaram...) ou com Andrés Pérez. Sim com Salvador Allende e nunca com Augusto Pinochet. Sempre com Juan José Torres e com Evo Morales e nunca com Hugo Banzer. Sempre com Rafael Correa e nunca com Lenin Moreno. Sim a Velasco Alvarado e não a Morales-Bermúdez.

Quanto a Fidel Castro, a sua luta perdurará. Sabiamente disse, há quase 73 anos, “a História me absolverá”. Não só já o absolveu, como reconhecerá muito mais que isso.

Crónica em "A Planície"


quarta-feira, 1 de abril de 2026

LUSTRO EM SANTA ENGRÁCIA

Faz hoje cinco anos que iniciei as minhas funções como diretor do Panteão Nacional. Um lustro. Creio que só os 50+ sabem o que é um lustro, ou um quintal, ou uma grosa.

Ao longo destes cinco anos, o foco esteve na atividade, no programação, na investigação, na procura de soluções para reabilitação do monumento. Não me cabe nem quero fazer qualquer auto-avaliação.

Posso dizer que, do ponto de vista pessoal, têm sido anos bons. O balanço há-de fazer-se depois.