quarta-feira, 19 de agosto de 2026
NÓS TAMBÉM...
terça-feira, 18 de agosto de 2026
GARCÍA LORCA - 90 ANOS
Foi este o poema que Ramón Jiménez dedicou a García Lorca:
En el blanco infinito,
nieve, nardo y salina,
perdió su fantasía.
El color blanco, anda,
sobre una muda alfombra
de plumas de paloma.
Sin ojos ni ademán,
inmóvil sufre un sueño.
Pero tiembla por dentro.
En el blanco infinito,
¡qué pura y larga herida
dejó su fantasía!
En el blanco infinito.
Nieve. Nardo. Salina.
O reino da estúpida violência fascista fez desaparecer o corpo de García Lorca. Mas não a sua poesia, nem o seu legado.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
FIDEL CASTRO - 100 ANOS
É, certame, uma das personagens mais marcantes do século XX. Uma das mais importante pelo que fez pelo seu povo e que pelo que motivou a outros. Aqui lhe deixo a minha homenagem e a minha profunda admiração. Fidel Castro nasceu há 100 anos, em Birán.
Reproduzo o melhor texto que já li sobre Fidel Castro. Do meu amigo Miguel Urbano Rodrigues:
FIDEL, UM AQUILES COMUNISTA
Em meados dos anos 60, encerrando o XII Congresso dos Trabalhadores Cubanos, em Havana, Fidel formulou um desejo: "que no futuro poucos homens, ou mesmo ninguém, tenham a autoridade que tivemos no início da Revolução, porque é perigoso que seres humanos disponham de tanta autoridade".
O revolucionário cubano não podia então prever que essa situação, que o preocupava, iria manter-se por muitas décadas.
A doença que o levou agora a transferir a chefia do Estado e do Partido para o irmão desencadeou a nível mundial uma avalanche de opiniões contraditórias sobre o homem e a sua intervenção na História. Raramente em vida de um estadista célebre se escreveu e falou tanto sobre ele como agora sobre Fidel.
Ele foi na segunda metade do século XX o dirigente do Terceiro Mundo que maior influência exerceu pela palavra e pela acção no rumo de acontecimentos que marcaram o processo da descolonização e as lutas contra o imperialismo.
A meditação sobre a temática do poder pessoal acompanha-o desde a juventude.
Creio que foi sincero ao definir como perigoso o excesso de autoridade concentrada num dirigente. Foram as próprias circunstâncias da História que o investiram de um poder cada vez maior que não ambicionava.
Fidel tinha lido na universidade os clássicos do marxismo. Estudou-os depois na prisão. Mas a sua opção pelo socialismo resultou do movimento, da dialéctica da História.
O atentado terrorista que fez explodir [o navio] La Coubre e a invasão mercenária de Playa Giron, ideada e financiada pelos EUA, ocorreram numa época em que o brado soy y seré marxista-leninista, que alarmou Washington, expressou mais a decisão de defender a Revolução situando-a no campo socialista, do que propriamente uma opção ideológica.
Fidel insistiu muitas vezes no significado que sempre atribuiu à avaliação da correlação de forças. Ao reconhecer que em Cuba foram cometidos muitos erros tácticos na condução do processo, conclui que não identifica um só erro estratégico importante. O mérito, acrescentarei, é seu.
Já na Sierra Maestra durante a luta armada, ele revelara dotes de um grande estratego. Mas foi posteriormente que, na confrontação permanente com o imperialismo, desenvolveu uma capacidade extraordinária de compreender o movimento da História nos momentos em que o seu rumo se define.
Escolha dolorosa
Isso aconteceu concretamente na fase crítica em que a Revolução, numa guinada brusca, rompeu com o discurso e a praxis dos anos da utopia para fazer uma escolha dolorosa. Cuba estava à beira do desastre económico e o único país que lhe estendeu a mão foi a União Soviética. Sem essa aliança tudo se teria afundado. Naturalmente o preço foi muito alto. A Revolução entrou num período cinzento – assim lhe chamaram – num processo de burocratização que atingiu duramente a intelligentsia, sufocou o debate de ideias e a criatividade em múltiplas frentes.
Mas não havia alternativa.
Até o Che, o homem novo do futuro, na definição de Fidel, o companheiro entre todos admirado e querido, que tinha sobre o mundo um olhar nem sempre coincidente, reconheceu na sua carta de despedida, ao partir para a aventura africana, que lamentava não se ter apercebido mais cedo das capacidades de liderança e de visão estratégica que faziam do comandante um revolucionário incomparável, único.
Lenine emergiu como um líder incontestado na mais brilhante geração de revolucionários profissionais europeus do século XX. Fidel não foi tão afortunado, nem isso era possível.
O núcleo de quadros revolucionários do Exército rebelde era insuficiente para enfrentar após a vitória os desafios colocados pela História. A geração que acompanhou Fidel forjou-se em circunstâncias muito adversas num pequeno país já bloqueado pelos EUA, vítima de uma guerra não declarada.
A excepção Fidel
Alguns historiadores criticam em Fidel um voluntarismo que nunca conseguiu dominar. Esse voluntarismo marcou-lhe aliás a intervenção nas lutas do seu povo desde os anos da Universidade. A própria definição que Fidel apresenta do "marxismo martiano" como síntese do materialismo dialéctico e do idealismo que vinha de Luz Caballero y Varela confirma uma evidência: a Revolução Cubana configura um desafio à lógica da História. Assim aconteceu com Moncada, com a aventura do Granma, a luta na Sierra, e o choque posterior com o imperialismo norte-americano. A decisão de resistir e a coragem do povo cubano no combate que confirmou ser possível a resistência serão recordadas pelo tempo adiante como acontecimentos épicos da História da humanidade.
Ora o épico não pode ser explicado pela razão.
Para compreendermos a excepção Fidel, os tratados de ciência política são insuficientes.
Identifico nele uma síntese de heróis mitológicos e de heróis modernos que o inspiraram num batalhar que já se tornou História.
Fidel traz à memória Aquiles, Martí e Bolívar.
Do aqueu e do venezuelano herdou a coragem sobre-humana e a fome dos desafios ao impossível aparente. Mas a sede de glória, que acompanhou Bolívar, nunca o fascinou e a desambição foi sua companheira permanente. Contrariamente a Aquiles não atravessou o mar para destruir as Tróias contemporâneas. A sua gente atravessou um oceano mas para levar solidariedade a povos que se batiam pela liberdade.
Do cubano Martí aprendeu que revolução alguma pode vencer sem fidelidade a uma concepção ética da vida, sem amor pela humanidade. E, por humano, apresenta também alguns defeitos dos três.
Ao escrever estas linhas recordo uma conhecida afirmação sua: o dever do revolucionário é fazer a revolução.
Poucos homens em milénios de História colocaram com tanta coerência a sua vida ao serviço desse objectivo, erigido em infinito absoluto.
Imagino-o na sua cama, no hospital, insensível ao vendaval de calúnias desencadeado pela sua doença e tocado pelo furacão simultâneo de afecto, respeito e admiração.
Os revolucionários de todos os povos, onde quer que se encontrem, desejam-lhe um rápido restabelecimento. Agradecem-lhe o que fez pela humanidade.
Quase carregou o Estado e o Partido às costas em períodos de crise. E isso foi negativo. Por ter consciência da lei da vida, sabe que exigiu de si muito mais do que podia e devia. Exagerou.
Recuperada a saúde, poderá ser ainda por longos anos uma consciência actuante da humanidade revolucionaria se, distanciado de esgotantes tarefas do quotidiano, utilizar o tempo para transmitir ao seu povo e ao mundo o saber e a experiência acumulados, a sua lição de moderno Aquiles, de discípulo de Bolívar.
El comandante
Vivi oito anos em Cuba. Mais de uma vez, escutando durante muitas horas os seus discursos na Praça da Revolução em Havana, ou em comemorações do 26 de Julho noutras cidades da Ilha, me interroguei sobre a contradição entre um poder pessoal enorme, minimamente partilhado a nível decisório, e o humanismo de quem o exercia, identificável no amor pelas crianças e na solidariedade com os oprimidos e excluídos de todo o planeta.
Comportam-se como hipócritas conscientes aqueles que por ódio ou fanatismo ideológico qualificam Fidel de ditador brutal e sanguinário, de tirano feroz.
Sabem que a acusação é falsa
Quem conhece um pouco Cuba não ignora que existe uma relação de afecto profundo entre o povo cubano e el comandante en jefe. Ele é amado pela esmagadora maioria dos seus compatriotas. Depositam nele uma confiança absoluta. É um sentimento que não cultivou e talvez o inquiete por estar consciente de que qualquer dirigente, por mais dotado e sábio que seja, não pode substituir o colectivo como sujeito transformador da História.
Não há calúnia mediática que resista à prova da vida. Definir como ditador um dirigente amado por um povo que governa há quase meio século é um absurdo maldoso. O consenso entre o governante e a sua gente ridiculariza a diatribe forjada pelos seus inimigos.
A grandeza de Fidel teria obviamente de desencadear campanhas de ódio. Mas não fez surgir somente inimigos e caluniadores. É inseparável também do aparecimento de uma geração de epígonos. Em Cuba e pelo mundo afora eles apareceram. Ora a tendência para a glorificação incondicional dos grandes homens é sempre negativa. Porque não há governante perfeito. E Fidel sabe disso e não gosta que vejam nele um super-homem.
Ele é o que é, um ser mortal, modelado por uma vontade de aço, uma inteligência excepcional, e uma fome insaciável de humanização revolucionária da vida, mas com uma lúcida percepção das limitações da condição humana.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
CHAMBLAS

sábado, 8 de agosto de 2026
CANAL SUR Y TOROS
O Canal Sur é uma das minhas paixões. Porque é andaluz, porque é orgulhoso (andaluz e orgulhoso é pleonasmo) e porque tem Noelia López. Uma comentadora competentíssima e informada. É um prazer ouvi-la a propósito de touros e das lides em curso. Sabe o que diz. Não improvisa. Poderão verificar isso nos dias 20 a 22, com as corridas da Feira da Málaga:
20 Toros de Núñez del Cuvillo para Morante de la Puebla, Diego Urdiales e Fortes.
21 Toros de Victorino Martín para Manuel Escribano, Emilio de Justo e Fortes.
22 Toros de Torrealta e Garcigrande para Morante de la Puebla, Roca Rey e David de Miranda.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
TERESA GANCEDO
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
E EM MOURA, HOUVE UMA MESQUITA?
Houve, claro. Em rigor, houve duas. Primeiro uma, dentro do castelo, depois, outra, na Mouraria. O que sabemos de qualquer uma delas é muito pouco. Não temos a certeza das localizações. Hipóteses temos, mas certezas não há. Não temos vestígios das construções, embora tenhamos, quanto à do castelo, “suspeitas”.
Fiquemos, por agora, pela mesquita do castelo. O que dela se sabe remonta ao século XVIII. E chegou-nos pela mão de James Murphy, “architect”. Que por aqui andou por vilta de 1789/1790 e depois publicou, em 1795, o livro “Travels in Portugal”. Refere uma inscrição que está junto à fonte do castelo do seguinte modo: “a cópia da inscrição B (imagem VII) foi-me dada pelo Padre [João] de Souza. A original, segundo ele me disse, está sobre a antiga fonte, junto ao castelo de Moura”. Uma informação bastante precisa e correta. A inscrição foi lida, nos anos 40 do século XX, por um célebre arabista checo, Alois Nykl (1885-1958). Mas Nykl, ao traduzir o original árabe, referiu apenas que a inscrição assinalava a construção de uma torre. Foi precisar esperar mais 40 anos até que Ana Labarta (n. 1950) e Carmen Barceló (1949-2024) explicassem, num novo estudo, que a torre a que a inscrição se referia não era uma torre qualquer, mas sim uma almenara. Ou seja, a estrutura utilizada nas mesquitas para o chamamento à oração.
Como se costuma dizer, aí o caso mudou de figura. É que o promotor da construção foi al-Mutadide Billahi, que governou no sudoeste peninsular entre 1042 e 1069. Pergunta básica: porque é que o homem mais poderoso do ocidente se preocupou em mandar construir uma almenara numa fortificação de menor importância, como era o caso de Moura na época? É preciso recuar um século, para se perceber que a região entre Moura e Aroche era particularmente rebelde e avessa a submissões ao “poder central”. Ar-Razi, no “Akhbar muluk”, diz que os habitantes desta região exploravam a prata “em segredo”. E Ibn Hayyan, no “Muqtabis V”, refere as alianças regionais e o poder de uma família local, os Banu Tutalliqi (que tiraram o nome da zona da Toutalga, naturalmente…), no combate a Córdova. Ou seja, e essa é uma ideia que defendo há muito, a construção da almenara foi um gesto de apropriação política do território (e da sua prata) e não uma mera campanha de obras públicas.
Mas, afinal, onde se situaria a mesquita? Com toda a probabilidade – diria que com 90% de certeza – no local onde mais tarde se construiu a igreja de Santiago. Cujas ruínas estão junto ao posto de turismo. Com que argumentos?
Foi comum a sobreposição de igrejas de Santiago (em especial junto às alcáçovas, como é o caso) ao espaço de antigas mesquitas. Havia que limpar o “pecado”…
A igreja de Santiago ocupou o espaço de uma construção anterior. Num dos extremos é visível a esquina do edifício mais antigo, que não só não está alinhado com os muros da igreja, como limita uma rua do período islâmico. Para mais, essa esquina apresentava um “spolium” (aproveitamento de uma pedra funerária romana), forma de valorizar o edifício que integrava.
No outro lado da rua islâmica, as escavações de 2012 puseram à vista o muro de uma construção, que poderá ser a base da almenara.
Resumindo, houve mesquita, certamente desativada em meados do século XIII. E estava no local que as escavações arqueológicas permitiram identificar. Mais tarde se construiria outra, fora de portas, na Mouraria. Coisas da Arqueologia e da História da nossa terra.
Crónica em "A Planície".
A imagem é do livro de Murphy.
sábado, 1 de agosto de 2026
VIEIRA PORTUENSE EM ROMA
Numa pesquisa de imagens no MATRIZPIX encontrei este desenho de Vieira Portuense (1765-1805). A datação coincide com a sua estada em Roma. Representa, seguramente, a Piramide di Caio Cestio, monumento funerário do século I a.C.. Benditos tempos estes, em que nos é permitido fazer investigação onde e como nos apetece. E em que temos o prazer de rever sítios que merecem ser vistos.
Número de Inventário: 81868.71 DIG |
Tipo de Espécime: Digital (DIG) |
Instituição / Proprietário: Museu Nacional de Arte Antiga |
Número de Inventário do Objecto: 824/70 Des |
Categoria: Desenho |
Denominação / Título: Fólio com um esquisso - Álbum de Desenhos |
Datação: 1789 dC - 1793 dC |
Dimensões: 26,3 x 19 cm |
Autoria / Produção: Vieira Portuense, Francisco (1765-1805) |
Informação Técnica: Desenho a lápis e a tinta sobre papel |
Fotógrafo: Luísa Oliveira, 2024 |
Copyright: © DGPC |
quarta-feira, 29 de julho de 2026
A DAY AT THE RACES
A ida às corridas de Galway fora motivada pela recordação de um livro de infância: "O tesouro do triângulo de fogo".
Nunca tinha ido a uma corrida de cavalos e, muito menos, tinha apostado. O ambiente estava entre o festivo e o frenético. Apostei no "Trusty Tycoon".
O cavalo não me desapontou. À saída da box guinou, decidido, para a esquerda (um excelente sinal!). Quando a Isabel me perguntou a razão da atitude, enquanto os outros galopavam em frente, "expliquei", com convicção: "aquilo é tática; é para despistar os adversários".
Ficou em último, a grande distância dos outros. Mas que foi uma bela tarde em Galway, lá isso foi.
terça-feira, 28 de julho de 2026
PORTUGAL 1966
E 60 anos se passaram. E o feito não foi repetido. Só em 2006 houve um 4º. lugar e em 2022 a seleção chegou aos quartos-de-final.
Este ano - e ao tema não voltarei - o campeonato deixou-me um gosto amargo. Demasiado espetáculo - cedências aos espaço publicitários, um intervalo na final à margem da lei -, demasiadas jogadas de bastidores, pressões políticas, vistos negados, seleções a serem escorraçadas, um rol de coisas que nunca tinha visto. O próximo Mundial, o de cá, já começa em "grande estilo". A pretexto do centenário já apuraram três seleções: Argentina, Paraguai e Uruguai. Não deverei ver muitos jogos.
Aconselho a leitura deste livro - à venda na net por valores entre 50 e 70 euros - comprado pelo João numa livraria em Madrid, porque tinha Eusébio na capa. Bendita capa. O livro, que ainda anda cá por casa, é mesmo muito bom.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
YO SOY CUBA
sábado, 25 de julho de 2026
1984 EM 2026
quinta-feira, 23 de julho de 2026
ARTE ISLÂMICA EM 2027
Ouroboros na minha vida.
Regresso às origens e "retomo" a Arte Islâmica. Com tudo o que esta designação tem de "equívoco". Esse será o tópico das aulas no próximo ano letivo.
segunda-feira, 20 de julho de 2026
ANTÓNIO PASSAPORTE

sexta-feira, 17 de julho de 2026
quinta-feira, 16 de julho de 2026
RECORDANDO 2016
Estávamos no inverno de 2016 e não havia Comissão de Festas. Era preciso encontrar uma solução e "promover" uma Comissão.
Fomos falar com antigos festeiros. Primeira reação "nem pensar". O que é mais que compreensível. Depois houve reuniões e mais reuniões. O que se pedia? Trabalho (ainda por cima à borla...) e a Câmara estaria na "dobra", a apoiar. Futebolisticamente, ao jeito de um "libero".
Não poderia ser, em caso algum, a Câmara a organizar a Festa. Nunca!
Foram semanas de intenso esforço. Deles e da equipa camarária. E a Festa fez-se e foi fantástica.
Nunca esqueci nem esquecerei aquele extraordinário grupo.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
A CAMINHO DE BAFATÁ
Os edifícios e as praças dos sítios são sempre o grande apelo. Fui à Síria depois de ver as colunas de Palmiyra num museu belga. Quis ir a Argel depois de ver as ruas da cidade num filme de Costa-Gavras. E Bolama foi o destino, depois de uma "misteriosa" fotografia de um edifício colonial, localizada algures.
Na lista, será cumprida?, ainda estão Tombuctu, Ghardaia e Ghadames.
Agora é (será? seria?) Bafatá. Esta é a extraordinária fachada, de revivalismo neo-árabe, do mercado da cidade.
Bafatá fica 100 quilómetros a oriente de Bissau, na confluência dos rios Geba e Campossa.
sexta-feira, 10 de julho de 2026
CHAMPIONS
quinta-feira, 9 de julho de 2026
UMA IGREJA NA POLANA
Ainda ontem se falou nesta igreja. O meu interlocutor estava convencido que era projeto de Pancho Guedes (1925-2015). Não é. Foi seu autor o arq. Nuno Craveiro Lopes (1921-1972), filho de Francisco Craveiro Lopes, Presidente da República entre 1951 e 1958 (v. fotografia de baixo).
Nuno Craveiro Lopes desenvolveu os seus principais projetos em Moçambique. O mais emblemático é a Igreja de Santo António, na Polana. Estive lá há quase 30 anos. Numa das cidades que mais marcas me deixou.
quarta-feira, 8 de julho de 2026
POUSÃO, AINDA E SEMPRE
Nunca tinha visto este pequeno óleo sobre cartão. Não tenho dele qualquer memória. Vi-o, há dias, no Museu Nacional de Arte Contemporânea. A vida curta de Henrique Pousão (1859-1884) não permitiu mais do que uma produção não muito extensa, que nos dá uma ideia da sua genialidade, cortada pela doença.
Esta imagem é de Capri, mas podia ser de qualquer outro sítio no Mediterrâneo.
Como escreveu Raquel Henriques da Silva: registem-se os estudos para Casas brancas de Capri, imobilizando os volumes mediterrânicos sobre os valores ‘dissonantes’ da atmosfera e da vegetação cujas sombras materializam uma espessa luz colorida, segundo a poética pessoal que o pintor desenvolveria na obra final.
terça-feira, 7 de julho de 2026
segunda-feira, 6 de julho de 2026
THE NOR-WAY TO BRAZIL
Excepcionais, Vinícius e Casemiro. E isso não chega.
O resto? São bons, sem serem para a História.
Desde 1990 que o Brasil não ficava pelos 1/8. E tinha então uma seleção muito melhor.
Segue o Campeonato. Ficará para ser recordado pelas piores razões.
TROPEL
Começa julho. E prepara-se setembro, que agosto é mês que "não conta". Depois do desgaste de "Modos de ver", o verão irá acabar com Equus, os ecos da obra de Júlio Pomar. Estudos e obras terminadas. Entradas de toiros, corridas e bandarilheiros. Hoje esses temas já não são tema... Há que recuperá-los.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
UM ESTÁGIO EM MEM MARTINS
Ou no Casal de S. Marcos. Ou nos Moinhos da Funcheira. Os primeiros dois sítios ficam no concelho de Sintra. O derradeiro no da Amadora. Era essa a ação de formação, esse estágio, que proporia à Ministra do Trabalho, a inacreditável Maria do Rosário Ramalho. E a todos aqueles que apoiam as (agora chumbadas) alterações à legislação laboral. Algo parecido aqueles programas patetas da televisão, em que as pessoas têm de sobreviver em ilhas desertas ou coisa que o valha. Aqui o desafio seria bem mais simples: teriam de ir trabalhar em Lisboa (na Rua da Junqueira, por exemplo, que não há transporte direto para lá) e viver com o salário mínimo. Seis meses de “ação de formação”. Nada de carro com motorista nem cartão de crédito da empresa. Tirava o passe social e ala, que se faz tarde. Para vos poupar trabalho, a deslocação acima referida traduz-se em cerca de três horas diárias. Mais as horas de trabalho, de preferência com um daqueles patrões feroz paladino do “crescimento” e da “produtividade”. Um dia após outro. Sempre a mesma rotina. Sem alternativas, nem flexibilidade. Sem possibilidade de amealhar. Sem possibilidade de acompanhar de forma adequada o crescimento dos filhos. Sem possibilidade de estar presente no envelhecimento dos pais. Eles próprios, que já foram sugados pelo sistema, irão com sorte parar a um lar barato. Daqueles que são notícia, de vez em quando, sempre por más razões. Um dia após outro, sempre assim, sem possibilidade de respirar, nem de aspirar a uma coisa “simples” chamada Felicidade. E a uma outra chamada Liberdade. Que não só de votos vive a Democracia, tenham lá paciência.
Por isso, acho que Mem Martins ou os Moinhos da Funcheira (seis meses bastariam…) seriam um excelente treino para a Ministra do Trabalho, a inenarrável Maria do Rosário Ramalho. Ou para aquele que, em tempos, disse esta coisa fantástica: “quem é rico pode viver no Chiado, quem não é, não pode. É assim”. Ou um outro, que teve este “pensamento” não menos fantástico “não podemos ter pessoas da classe média ou média baixa a viver em prédios classificados”.
Seis meses, vejam lá, só isso, não peço mais, com o salário mínimo, horários alargados de trabalho, bancos de horas, o uso obrigatório dos transportes públicos. Os engarrafamentos colossais, os autocarros em ritmo de procissão, os comboios à cunha.
Todos os dias vejo pessoas e vidas assim. Não conheço os pormenores. Mas conheço-lhes o cansaço. Ao fim da tarde, na estação de comboios de Entrecampos, há sempre um magote de pessoas que regressa do emprego. Têm ar de exaustão e vestem, quase sempre, roupas modestas. Gente moída por horas a fio de trabalho. Aguardam, resignadamente. O problema, pelo menos um deles, é que aguardem resignadamente…
Logo mais, ao fim do dia, irei apanhar os transportes públicos, como quase sempre faço. Haverá muita gente – com uma larga maioria de africanos ou de portugueses de origem africana. Mas não me cruzarei com “decisores”, nem com “comentadores”, nem com “politólogos”, nem com todos aqueles que entusiasticamente falam em “produtividade” e em “crescimento”. Como se isso fosse um toque de magia. E que da vida das pessoas nada conhecem. Nem tal lhes interessa.
Crónica em "A Planície"
domingo, 28 de junho de 2026
MEL BROOKS 100
sexta-feira, 26 de junho de 2026
CLAQUES E POESIA
A cena passou-se no início da década de 80. As músicas do PREC ainda por ali (aqui) andavam. Um delas era de José Jorge Letria, que musicara um poema de Hélia Correia.
A claque do Benfica - eram claques improvisadas, nada como as dos dias de hoje - resolveu celebrar a conquista de um título cantando / adaptando parte de um poema de Hélia Correia.
Era assim:
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
Benfica é campeão.
Parece mentira mas, juro!, aconteceu mesmo.
Que o poema tenha carne
ossos vísceras destino
que seja pedra e alarme
ou mãos sujas de menino.
Que venha corpo e amante
e de amante seja irmão
que seja urgente e instante
como um instante de pão.
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.
Que seja rua ou ternura
tempestade ou manhã clara
seja arado e aventura
fábrica terra e seara.
Que traga rugas e vinho
berços máquinas luar
que faça um barco de pinho
e deite as armas ao mar.
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão
segunda-feira, 22 de junho de 2026
WATERLOO SUNSET
O passado não é melhor que o presente. Mas tenho saudades de ver bons filmes na RTP1, ao sábado à noite. Procurei este telefilme da BBC durante muito tempo. A "solução" era fácil, mas não me ocorreu que o nome fosse o de uma canção que é cantada, logo no início: "Waterloo sunset", dos Kinks.
De que trata este telefilme absolutamente maravilhoso? É a história de uma senhora idosa, que resolve fugir do lar, e regressar ao sítio de origem. Acaba por, acidentalmente, conhecer uma comunidade de jovens jamaicanos, que a "adota". Resultado: copos, charros, reggae, festas. A história não tem um final feliz. O filho, um "atinadinho", vai resgatá-la dos "perigos" e remete-a, de novo, ao lar. Onde lhe garante que será feliz.
"Waterloo sunset" foi rodado em 1978 e tem um argumento excecional de Barrie Keeffe (1945-2019), de grande ternura e inteligência. E conta com uma soberba interpretação de Queenie Watts (1923-1980), falecida pouco depois da rodagem. O pior é o sotaque cockney dela... Nada fácil de seguir sem legendas.
O filme integrava uma série de peças para televisão (foram gravadas mais de 300!, entre 1970 e 1984), intitulada Play for today.
Gosto do final, quando ela vai no carro, insultando mentalmente os "bourgeois fascists".
Passou na RTP, em 1983 ou 1984. Nunca se me apagou da memória:
Play for Today - Waterloo Sunset (1979) by Barrie Keeffe & Richard Eyre
sábado, 20 de junho de 2026
LUMUMBA
quinta-feira, 18 de junho de 2026
UM CLUBE MUITO EXCLUSIVO
Esta é a Jules Rimet, uma bonita peça art-deco, ganha de vez pelo Brasil em 1970. Não tem nada a ver com o atual troféu, uma horrenda criação, muito típica dos anos 70.
Até agora, oito países entraram neste clube muito exclusivo:
Alemanha
Argentina
Brasil
Espanha
França
Inglaterra
Itália
Uruguai
O mais recente a ingressar no clube foi a Espanha, em 2010. Sete poderão repetir o feito. E cinco já ganharam neste século.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
SOMBRAS
Adger Cowans (n. 1939) é um fotógrafo norte-americano. Quando vejo as fotografias dele penso sempre "é isto mesmo". Como neste Três sombras, de 1960. Uma enorme simplicidade neste jogo de luzes e sombras.





