Em 14 de janeiro de 2011 (faz agora 15 anos) era anunciado que Beja iria perder a ligação direta a Lisboa. Nesse mesmo dia, o Grupo Parlamentar do PCP apresentou, na Assembleia da República, um Projeto de Resolução sobre a manutenção do serviço intercidades Beja-Lisboa-Beja. O documento foi rejeitado pelos votos contra do PS e as abstenções do PSD e CDS/PP. Os deputados Pita Ameixa e Conceição Casanova estavam no grupo que votou contra. Em fevereiro desse ano, o mesmo Pita Ameixa diria que "tem de haver um claro compromisso com a qualidade do serviço, com a qualidade dos equipamentos e com a modernização e eletrificação da infraestrutura ferroviária que, diretamente, serve e tem de continuar a servir Beja". Um discurso oco e sem vergonha, em politiquês vazio. A subserviência mais perfeita ao governo de turno.
Em 2014, e já com o PSD no Governo, mudavam as “perspetivas”. O presidente de então da concelhia de Beja do PS e mais tarde alcaide da cidade, Paulo Arsénio, pedia à REFER que insistisse "na eletrificação do troço de 64 quilómetros de via entre Casa Branca e Beja, dotando assim a capital do Baixo Alentejo de condições iguais a outras capitais de distrito", assim como uma melhoria substancial da qualidade do material circulante entre Beja e Casa Branca. E concluía, "o PS aguarda, a partir de agora, resposta das empresas em questão, na expectativa que, num curto espaço de tempo, os utentes da Linha do Alentejo possam retirar algum benefício das diligências que concretizámos". Até hoje, só expetativas e nada de benefícios.
Em novembro de 2017, dois políticos do PS, Pedro Marques (ministro do Planeamento) e Pedro do Carmo (deputado) diziam, sem se rirem, que voltaria a haver ligações diretas e que iria ser lançado concurso para a aquisição de composições que permitissem a ligação entre Lisboa e Beja. Nem concurso, nem compras, nem ligação direta. Nada.
Depois houve estudos, houve avanços e recuos. Foi posto dinheiro no Orçamento e tirado dinheiro do Orçamento do Estado. Era para ser em 2022, depois em 2024, depois fala-se em 2030. A linha do horizonte, em versão comboio. Prefiro não invocar as “obras de Santa Engrácia”, não vá mais alguma maldição cair em cima deste projeto.
Crónica em "A Planície".
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