quinta-feira, 12 de setembro de 2019

BIBLIOGRAFIA MOURENSE - UM REGISTO PESSOAL: 13/13

O mandato autárquico 2013/17 não terminaria sem que visse a luz do dia um projeto longamente acalentado. O arranque foi tudo menos fácil, com pequenos boicotes, que forma sendo ultrapassados com calma. O princípio de trabalho era simples. Deu-se, a partir de um guião muito simples, total liberdade de trabalho ao José Manuel Rodrigues. A organização das fotografias caberia, depois, ao Jorge Calado. Foi convidado um reputado geógrafo (Jorge Gaspar) para escrever um texto. E integraram-se ao projeto dois autores locais: Francisco Ramos e Norberto Franco. O resultado final foi extraordinário e isso deveu-se tanto à genialidade do José Manuel Rodrigues como à capacidade organizativa e à imaginação do Jorge Calado.

Comecei assim o meu texto nesse livro:
A terra é quente, as pedras escaldam. O calor molda o espírito e ajuda a afeiçoar o vinho. É assim o verão na Amareleja. Quando chegar o outono, o calor será um pouco menos. Haverá vindimas e depois virá o frio e depois haverá vinho novo. Por agora, o céu é quase sempre azul. Entre o céu e a terra se fez a Amareleja. Entre o céu e a terra se faz o vinho da Amareleja.

Foi a minha última edição por terras do concelho. Até ao momento, bem entendido. O 14º. livro está na calha.


Amareleja
Autoria: José Manuel Rodrigues, com textos de Francisco Ramos, Jorge Calado, Jorge Gaspar, Norberto Franco e Santiago Macias
Formato - 22 X 25
Nº de páginas - 172
Ano de edição - 2017
Classificação CDU - 77.03

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A ANGÚSTIA DO COMISSÁRIO ANTES DA EXPOSIÇÃO

Quase me parece mentira que este projeto, iniciado algures em 2012 ou 2013, depois interrompido, depois retomado, depois novamente suspenso, se aproxime agora do fim. Equilibrar a nudez da pedra com pintura contemporânea, num cenário pontuado por paramentos barrocos não é excessivamente complicado. Há opções que ora são cromáticas, ora temáticas. Verdade seja dita que me foi dada total liberdade para organizar a exposição. Não haverá desculpas.

As decisões finais tomam-se agora. Hoje foi dia de medir e de fotografar com um telemóvel, como se de um rascunho se tratasse, as obras que estão pré-selecionadas. Das 39, talvez se exponham umas 20 a 24.

Eis o comissário, em involuntário auto-retrato sem cabeça, às voltas com a sua angústia. Eram 11:38:21.

SILVA POWER

SILVA é, quem diria!, o nome de uma empresa sueca, que se dedica ao fabrico e à comercialização de instrumentos de iluminação, de orientação e de precisão. Há uns anos popularizaram a empresa com este brilhante e divertido anúncio. Só gostava de saber o nome dos criativos.

SITE - www.silva.se

terça-feira, 10 de setembro de 2019

PAN - ALUCINAÇÕES URBANAS

E lemos no programa eleitoral do PAN:

Permitir sessões semanais de reconciliação entre reclusos condenados por crimes violentos, com excepção dos crimes de violência doméstica ou violação, e familiares das vítimas ou com as próprias vítimas, desde que todas as partes assim o pretendam.

Garantir que o estatuto de recluso passe a ser equiparado ao de pessoas vulneráveis e protegidas nos termos da lei.

Sem surpresa constato que a alucinação é permanente. O absurdo é tal que parece estarmos na iminência de termos os Monty Python à beira do poder.

MEMÓRIA DA FALAGUEIRA E AS SAUDADES DE SALAZAR...

A imagem de cima é do fotógrafo Alfredo Cunha. Data de 1974. Não tenho forma de saber onde foi feita a fotografia. Mas junto à Estrada da Falagueira, em torno do curso de água que vem do norte, da Serra da Mina, as coisas ainda eram assim em 1983/1984. O autocarro que apanhava em Queluz, em direção a Sete Rios, circundava o largo e seguia, em direção à Venda Nova. Tenho presente, com toda a nitidez, a imagem das barracas amontoadas sobre a ribeira, a mistura de água e de esgoto, o ar mais que precário de tudo aquilo. Tal como tenho presente o que sempre me ocorria, quando via os moradores, a certeza de que com uma enxurrada como a de 1967, muita gente morreria.

O largo tem, hoje, o aspeto que a imagem de baixo mostra. Quase basta isso para explicar a diferença entre o salazarofascismo e a democracia. Entre o antes e o depois do 25 de abril de 1974. Há gente que insiste em não perceber coisas básicas. Vamos ter de insistir na explicação. Uma vez e outra.


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

JORGE - 50

Só conheci, pessoalmente, o Jorge no ano de 2005. Tinha acabado de chegar à Câmara de Moura e um dia o Rafael desafiou "e se fossemos até à do Liberato?". Nos primeiros momentos, senti-me um pouco intruso, merecendo um tratamento algo cerimonioso e distante. Cordial, mas distante. O "desconforto" durou pouco. Na televisão passava um programa sobre a vida selvagem. Às tantas, o Jorge vira-se para mim e, com um ar muito pensativo, tem esta tirada: "desculpe lá, o meu amigo é vereador e deve saber destas coisas; quantas leiras de coentros serão precisas para fazer um petisco com a orelha daquele elefante?". Apanhado de surpresa, desmanchei-me a rir. O resto da taberna fez o mesmo.

A taberna é um sítio popular, onde o Jorge foi dando largas à sua criatividade e boa disposição. A taberna tornou-se ponto de referência em Moura. Por mérito do Jorge e da sua família. Aproveitei essa onda e a TSF fez dali um programa à escala nacional. O Presidente da República esteve lá, cortando presunto e bebendo vinho tinto.

A dada altura, o Jorge passou a identificar-se como Bastonário da Ordem dos Taberneiros. Um título que ninguém reclamara e que bem lhe assenta. Entre 2005 e 2017, perdi a conta ao número de vezes que entrei na Taberna do Liberato. Do simples conhecimento com a Alice e com o Jorge passou-se à simpatia, daí à amizade. Foram muitas horas de conversa ao longo de uma dúzia de anos. Foi a certeza de estar ante gente franca, solidária e séria. E que foi enfrentando as agruras da vida com coragem e boa disposição. A passagem do Jorge Liberato pelos Bombeiros é outra dessas facetas fundamentais, e onde continua a dar provas de empenho e de vontade de ajudar.

Tive, do ponto de vista pessoal, tocantes provas de amizade. De uma delas, no final de setembro de 2013, não me esquecerei. A partir de outubro de 2017, a minha vida mudou de coordenadas. A única coisa de que sinto falta é do convívio com as pessoas (nem tão poucas como eu imaginaria, nem tantas como outros pensarão...). De pessoas como a Alice e como o Jorge, sem dúvida. Um ponto da minha peregrinatio a Moura é a taberna. Para poder estar com os proprietários do sítio e mais com alguns habitués de longa data.

Como, há meses, escrevi:

Més que un club, dizem os adeptos do Barcelona da sua agremiação. Os que, ao longo de muitos anos, temos vindo a passar pelo Liberato podemos proclamar, com convicção “mais que uma taberna”. Bebemos copos? Sim. E ouvimos e contamos histórias? Claro, nem outra coisa seria de esperar. Sobretudo, temos a presença da Alice e do Jorge. Nos últimos tempos, uma nova faceta se veio juntar às muitas outras da Taberna do Liberato. Nasceram as Tertúlias dos Templários. À animação habitual, à música ocasional, à permanente boa disposição veio juntar-se a História. Num registo descontraído, mas nem por isso menos rigoroso. A Taberna do Liberato é uma taberna? É, e é muito mais que uma taberna. É um sítio com alma.

O Jorge chega hoje ao meio século. Daí este texto, que é uma mensagem e um abraço de parabéns. À tua e à da tua família, Jorge. Na feira, aí nos encontraremos!


Recebendo o Presidente da República, em 2016.
Em dezembro do ano passado, tirando partido de uma tranquila tarde.

domingo, 8 de setembro de 2019

CAMINHOS DA HISTÓRIA - 2019/2020

Com a descendência na Universidade (Universiteit Leiden e ISCTE), só mesmo a curiosidade académica me fez rever notas de acesso e estabelecer comparações. Candidatei-me, no verão de 1981, a História (variante de História da Arte), a Comunicação Social e a Antropologia. Tinha 14,85 de nota de candidatura (uma classificação que não era especialmente alta) e desejava ardentemente não entrar em História da Arte, para poder estudar Comunicação Social. Falhei. O resto não foi mau de todo. Houve estudo (tive melhores notas na faculdade que no liceu), houve política e, sobretudo, o despertar para o mundo e para a idade adulta.

Em 1981/82 foram admitidos, na Faculdade de Letras de Lisboa, 200 alunos em História e 42 em História da Arte. Este ano, História, História da Arte e Arqueologia somaram 138 admissões. Pagava de propinas 6 euros, agora pagam-se 871 euros.

Mais comparações, ao nível das notas de entrada:
História
Universidade de Lisboa - 14,30
Universidade Nova de Lisboa - 15,40 (!)
Universidade de Coimbra - 13,80
Universidade do Porto - 15,28

História da Arte
Universidade de Lisboa - 12,10
Universidade Nova de Lisboa - 12,25
Universidade de Coimbra - 12,00
Universidade do Porto - 14,20

Arqueologia
Universidade de Lisboa - 12,20
Universidade Nova de Lisboa - 12,80
Universidade de Coimbra - 11,80
Universidade do Porto - 13,44

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXXV

Quinta de manhã, na paragem 8811 da Carris. Olhei em volta e constatei que, em oito pessoas, era o único branco. Fui subitamente arrastado para o túnel do tempo. Há uns 20 anos, em Dallas, quis ir a uma Barnes and Noble. Que era perto. Logo li, disseram os alentejanas de Dallas. O logo ali ficava a 10 quilómetros (de Pearl Station a Park Lane), do Rossio à Amadora, em tradução combóio suburbano. Apanhei o elétrico. Onde constatei que só havia passageiros negros e hispânicos, e dois ou três brancos, de ar pouco próspero. O tram era barato, limpo e rápido. Mas, tal como os autocarros da Carris, estava destinado ao povo. Era assim em Dallas, é assim em Lisboa. Isso nota-se em especial em carreiras como o 11, o 14, o 50, o 54... Servem bairros populares, onde a população de origem africana é marcante ou, mesmo, maioritária. 

Está a começar a campanha eleitoral. Ainda me devo cruzar com algum ministro no autocarro. De preferência com o carro à espera no terminal, como naquela parte gaga que montaram em Setúbal.

sábado, 7 de setembro de 2019

NÃO HÁ GUITARRA COMO ESTA

Um epítome da parolice e do mau gosto, o palco do Rock in Rio. A sorte deles é não haver uma Polícia Estética...

MIRADAS PARALELAS

Quando vejo fotografias assim, lembro-me sempre do Joker no filme Batman“where does he get those wonderful toys?”. Como é que se fazem fotografias tão extraordinárias, com temas aparentemente simples? Julgo que é pergunta comum aos amadores, como é o meu caso.

Fotógrafas espanholas e iranianas, olhando o seu mundo. Apesar do tema o poder suscitar, escapam ao exótico, ao tipicismo e ao folclore. A modernidade está presente a oriente e a ocidente. Para isso em muito contribuiu o trabalho de curadoria de Santiago Olmo e de Zara Fernández de Moya.

Escolhi imagens de duas artistas: Amparo Garrido e Newsha Tavacolian. Que me evocam o ambiente estranho e desolado de um filme de que não gosto: Inland empire, de David Lynch. Ou melhor, não gosto do filme, mas gosto do cenário criado...

A exposição está no Arquivo Fotográfico, na Rua da Palma (Lisboa, até final de setembro. Reescrevendo, "how do they get those wonderful pictures?"

Site - http://www.miradasparalelas.com



sexta-feira, 6 de setembro de 2019

A PROPÓSITO DO ENSINO DA MÚSICA: DE IGARASSU A CATEURA E DEPOIS ATÉ MOURA

Nunca tinha ouvido falar disto. O vídeo chegou-me há dias, remetido por Isabel Gaivão, uma amiga de Safara. O que vi deixou-me estupefacto. Numa paupérrima localidade do Paraguai, Cateura, os miúdos aprendem música, com objetos feitos a partir do lixo. Fui depois à procura de informação e percebi que o desenvolvimento do projeto teve contornos menos poéticos e que houve coisas tristes. Essa parte já não me surpreendeu. Tantos projetos que vi começar poeticamente, para depois sucumbirem na vaidade e na ambição...

Em todo o caso, o que aqui interessa são palavras como vontade, superação, esforço, determinação. Os miúdos constroem, tocam e falam do poder da música como elemento transformador. Não se queixam, não reclamam porque não há ar condicionado ou porque a estante está partida. Há uns oito anos, em Igarassu, muito perto da linha do Equador, assisti a uma cena notável. Numa manhã quente e muito húmida, vejo sair um homem ainda jovem sair de uma modesta Casa das Artes. Vinha com umas partituras na mão e disse, para dentro, "vamo' lá pra fora, que aqui num dá". O grupinho de adolescentes, uns seis ou sete, seguiu-o ordeiramente, com estantes, cadeiras, instrumentos e partituras. Foram para o outro lado da rua e instalaram-se, debaixo de uma árvore. A aula começou. Tocavam um choro. Não é a minha área, mas pareceu-me que tocavam lindamente. Sobretudo, estavam com um ar sorridente e transmitiam felicidade. Fiquei por ali um pouco, mais interessado naquele concerto, no meio do calor, que na pinacoteca.

Imaginei-me em Moura. E imaginei a trovoada de reclamações, quase sempre da parte de alguns pais "ó, sô vereador, quando é que temos aqui um ar condicionado a funcionar como deve ser?", "não há umas almofadas? quando é que esta câmara dá condições para as crianças aprenderem?", "ó sô vereador, está um sol que não se pode e nem um sítio para estacionar o carro...", "quando é que a câmara arranja um subsídio para novos instrumentos? as câmaras xis e ípsilon pagam TUDO". Etc. Vivi situações destas e outras ainda mais confrangedoras. E quando penso naquilo que, um vários sítios, fui vendo, mais me convenço do que é crucial. Coisas como vontadesuperaçãoesforçodeterminação, humildade, abnegação. E também palavras como alegria, sonho, imaginação.

Cateura fica a 8.780 quilómetros de Moura. Igarassu está a 5.850.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

BIBLIOGRAFIA MOURENSE - UM REGISTO PESSOAL: 12/13

À medida que a exposição Água - património de Moura se aproximava do fim foi decidido fazer um catálogo. Que, de algum modo, recuperasse a memória da exposição, mas que não fosse um catálogo clássico, de estudo das matérias apresentadas e de fichas de materiais. No fundo, editava-se um livro repositório. E assim se fez, com a pressão do final do mandato a ditar as suas leis. O resultado foi bom, com o desenho gráfico do Luís Pedro Raposo a ajudar.

Entre final de julho de 2015 e junho de 2017 foi este o balanço:


Três prémios;
Quatro mostras temporárias, que acompanharam Água - património de Moura ao longo desse tempo;
Sete mil visitantes;
Duas visitas especiais: Presidente da República e embaixadora da Argélia;
Atividades como“Do Castelo ao Museu”, “Dá-me uma gotinha de água” e “Da cidade à ribeira – percursos à sombra da água”, esta última promovida no âmbito da Bolsa de Turismo de Lisboa;
Uma câmara aberta denominada “Água – património de todos”;
Duas edições do Fórum 21;
A edição da Valsa da Água Castello “Sallúquia a Bella Moura” de Alfredo Keil;
A edição do catálogo da exposição.

Água - património de Moura
Autoria: Santiago Macias, com a colaboração de Vanessa Gaspar
Formato - 20 x 20
Nº de páginas - 64
Ano de edição - 2017
Classificação CDU - 061.4

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

HAVERÁ FEIRA

Haverá, claro. Dentro de uma semana e um dia, lá estaremos. Como as (minhas) aulas começam a 17, isso obriga-me a trabalho extraordinária por estes dias. Deus me livre de passar os dias da feira à volta dos apontamentos...

De resto, será o plano do costume. Com os amigos do costume e mais alguns de passagem. Uma agenda mais apertada, agora que estou menos perto.


terça-feira, 3 de setembro de 2019

A SÉÉÉRIOO???

Tem sido uma semana tramada... Isto é só ralações...
Ontem foi isto. O programa do Bloco de Esquerda é social-democrata, diz Catarina Martins.

Então e a nova esquerda?
Então e a diferença?
Então e a ovelha negra?
Então e o PSR?
Então e a Quarta Internacional?
Então e a luta?
Então e o Syriza?
Então e o não lhes dês cavaco?

O António Vilarigues é que os topou. Há muito tempo.

37 MINUTOS

Há dias, fui ver uma projeção no âmbito do FUSO - Anual de Vídeo Arte Internacional de Lisboa. Quando, no final, disse que não tinha gostado dos dois primeiros filmes, um amigo crítico de arte elucidou "aquilo não são filmes". Pois, não devem ser... Mas já volto ao que vi.

Coleciono, no currículo, um invejável número de "secas". Tive como princípio aguentar até ao fim. Exceto há uns tempos, num festival de cinema independente, em que resisti a 37 minutos de vazio fílmico. Aquilo começara mal, com o realizador a ser chamado ao palco para dizer umas palavras sobre o filme. Desgrenhado e cabisbaixo, emitiu uns monossílabos, dando ar de grande angústia existencial. Pensei "isto começa mal". Depois foi pior. O filme, com boas imagens, não tinha narrativa que se visse (à partida não tem que ter, mas esse ensaio já Resnais o fez há quase 60 anos...). Pior, a sequência era enervante e absurda. Olhei para o relógio e pensei "ainda falta uma hora para esta marmelada acabar". Levantei-me e saí. Um facto inédito na minha carreira. Sem surpresa, vi depois depois que o filme ganhara o Grande Prémio.

Meses depois, caí noutra esparrela. A coisa era pior. Havia "raccords" errados e sequências contraditórias. A meia da projeção deixei soltar, involuntariamente, um "mas o que é isto??". O desgrenhado de serviço, ao meu lado, deu um indignado salto.

Voltando ao FUSO. Duas das projeções correspondiam a um padrão a que me habituei: ensimesmamento, falta de proficiência, ausência de narrativas, auto-complacência, textos pretensiosos etc. etc.

Razão tem Alberto Barbera, diretor do Festival de Veneza: "é difícil receber de Portugal propostas que tenham uma respiração internacional e que possam esperar entrar num concurso onde aparecem autores confirmados que sabem o que é falar com um público mais vasto do que o da cinefilia mais radical". E classifica o cinema português como auto-referencial e sem preocupações em procurar o público.


STARDUST MEMORIES Nº. 30: LIDO

Uma senhora da geração da minha mãe dizia LIDÔ. Dava um som mais chique. Mas o Cine-Teatro LIDO ficava num sítio sem pretensões. O Bairro Janeiro, no limite ocidental da Amadora, era o típico subúrbio dos anos 60 e 70. Na altura ia-se ao cinema, e justificava-se um Cine-Teatro com 1137 lugares (!). Ninguém com menos de 45/50 anos sabe o que era um cinema de reprise, mas era isso que o lugar era. Havia sessões todos os dias, às 15.30 e às 21.30.

O Lido, a menos de 600 metros de casa, foi um dos lugares onde mais vezes escondi a minha solidão de adolescente. Ia sempre para a plateia (12$50 - 0,06235 €), que o balcão (20$00 - 0,09976 €) e a tribuna (25$00 - 0,12470 €) eram devaneios para ricos. Vi lá muitos filmes, do péssimo ao bom. Nem um só me deixou especiais recordações. Os muito bons vi-os na Cinemateca, no Londres, no Quarteto... Na altura a Comissão de Classificação de Espetáculos punha um carimbo de "filme de qualidade" nos que o mereciam. De forma nem sempre consensual.

Os cinemas decaíram. A dada altura, houve uma adaptação do Lido a centro comercial, depois passou a danceteria. Depois houve um incêndio e hoje é uma ruína...

O Cine-Teatro Lido foi inaugurado em 1962, com projeto do arq. Carlos Antero Ferreira (1932–2017). Ainda o tive como professor numa pós-graduação nas Belas-Artes.




segunda-feira, 2 de setembro de 2019

MOURA ARQUEOLÓGICA

Vem este texto a propósito da recentemente inaugurada exposição no antigo matadouro. Utilizando materiais da coleção do Museu Municipal, peças de escavações arqueológicas e réplicas do Museu Nacional de Arqueologia, é apresentada uma panorâmica dos achados arqueológicos no nosso concelho.

É um trabalho de grande mérito de quem se encarregou do comissariado da exposição, José Gonçalo Valente e Marisa Bacalhau. Raramente é possível, por limitação alheia aos comissários, ter materiais de excecional qualidade para todos os períodos históricos. Moura tem a “sorte” (e essa sorte tem muito a ver com a riqueza agrícola e mineira do seu território) de ter uma importante ocupação humana desde a Pré-História.  Hesíodo escreveu, na Teogonia (e isso foi há quase 3.000 anos...) sobre “as Hespérides que guardam belos frutos em ouro e as árvores que os sustentam, para lá do famoso oceano”. Os metais da Ibéria terão criado este Jardim das Hespérides. Sem eles, não teríamos os belos materiais que “Moura Arqueológica” nos mostra, em especial para épocas mais recuadas.

É um trabalho seguro e de grande qualidade, aquele que Marisa Bacalhau e José Gonçalo Valente construíram. É também a oportunidade para revermos muito bons materiais, nem sempre conhecidos da nossa terra. O thymiaterion e o tesouro do Álamo, pertencentes ao Museu Nacional de Arqueologia, podem ser vistos através de réplicas. Os botões em ouro do Castro dos Ratinhos são uma novidade absoluta, por nunca terem estado expostos. Trazem-se para este contexto explicativo um fragmento cerâmico que refere uma igreja do século VII (Santa Maria Lacantensis), hoje desaparecida, e a lápide fundacional do minarete da mesquita de Moura, de meados do século XI. Os materiais são o suporte necessário de uma exposição. Mas não chegam para construir um percurso. Daí que a linha de tempo construída pelos responsáveis pela exposição seja fundamental para se perceber o contexto em que nos movemos. Resultou bem, e daí as coisas se tornarem claras.

Por um princípio que, em tempos e por várias vezes, discuti com a Marisa e com o José, não sou grande adepto das chamadas abordagens diacrónicas ou de sucessão temporal. Mas isso é aqui o que menos interessa. Fundamental mesmo é ver a exposição e ver que há profissionais como Marisa Bacalhau e como José Gonçalo Valente que fazem falar as coisas do passado, em nome da nossa terra.

Esta Moura partiu da arqueologia e fez-se um belo museu. Quem havia de dizer?...


Crónica em "A Planície"

domingo, 1 de setembro de 2019

FESTIVAL ISLÂMICO VEZES DEZ

Na próxima edição, em 2021, há-de comemorar-se o 20 º. Aniversário do Festival Islâmico de Mértola. Do ponto de vista do sítio, é quase um ovo de colombo. É difícil encontrar outro local onde se conjuguem tantos fatores favoráveis para um tão grande sucesso. Como quando os astros estão todos alinhados e, segundo dizem, acontecem coisas extraordinárias. E, sem meias palavras, o Festival Islâmico é um acontecimento extraordinário. O sítio, com ruas estreitas e sinuosas, por entre a cal e as improvisadas sombras, tem em si todo o Mediterrâneo, histórico, cultural e humano. O investimento feito no património da vila – e que conheceu, nos últimos anos, um assinalável incremento – torna-se mais visível naqueles dias e põe em evidência aquele que foi o último porto do Mediterrâneo. Ou, como prefere dizer um colega e amigo, o primeiro do Atlântico. Já são dois dados dignos de registo. Juntemos-lhe um terceiro. É comum outros festivais de pendor histórico recorrerem a “pacotes”: três malabaristas, mais um sortido de dromedários, uns desfiles e um programa musical a preceito. Em Mértola, porém, o fator local é essencial. A arquitetura do festival é construída por trabalhadores da autarquia. Portas como as que recriam a arquitetura do período islâmico ou fontes redesenhadas são fruto do trabalho de Manuel Passinhas da Palma e Margarida Rosário. Esse toque pessoal é outra das pedras de toque do festival.

São tudo rosas? Claro que não. O festival enfrenta, passadas dez edições, novos desafios. A candidatura a Património da Humanidade é um deles e não o menor, decerto. A pressão acrescida que uma tal classificação pode trazer vai obrigar à criação de mais infraestruturas, de maior capacidade de resposta a todos os níveis, de uma programação que será (ainda) mais exigente. O programa do festival tem estado à altura da responsabilidade, mas a necessidade de criar novos interesses e novos públicos implicará, provavelmente uma nova estrutura organizativa e de conteúdos.

Várias vezes, fora de Mértola, me questionaram sobre o caráter dúbio da designação. “Festival Islâmico” pode remeter para o domínio da propaganda ou do proselitismo. Não é assim. Nem o festival é de cultura islâmica, num sentido estrito. O passado islâmico é, nesse sentido, um ponto de partida, mas não necessariamente de chegada. Parece contraditório? Talvez, e daí? É preferível que o seja, e que as coisas aconteçam, do que embarcarmos num qualquer inútil debate sobre designações, como o que envolveu o falecido Museu da Descoberta.

O Festival Islâmico tornou-se imagem de marca da vila. Com orgulho e com convicção. Não há melhor prova disso que a pergunta, que tantas vezes me repetem, nos lugares onde vou, “para o ano há festival?”. Lá respondo, sempre, que é nos anos ímpares. Tal com o festival, que também é ímpar.

Venha o 11º., em 2021.


Crónica publicada na edição de 30.8.2019 do "Diário do Alentejo"

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

GEOPOLÍTICA DA ARTE ISLÂMICA


            O sol nasce a oriente, e a arte moveu-se de oriente para ocidente. O esplendor da arte islâmica está hoje sobretudo nos grandes museus europeus e norte-americanos. Por isso mesmo a exposição “O gosto pela arte islâmica” se socorreu de peças que se encontram nos Estados Unidos, em cinco países da Europa comunitária, às quais se juntaram as que o próprio Museu Gulbenkian detém.
            A exposição, e o esplendoroso catálogo que a acompanha, são uma parada de estrelas. É a elite ocidental que está no centro desta história. São financeiros e magnatas como John D. Rockfeller Jr. e John Paul Getty. Que, tal como Calouste Gulbenkian, alimentaram as suas coleções com a decisiva ajuda do petróleo. São historiadores da arte como Wilhelm von Bode e Ernst Künhel. São orientalistas e colecionadores, como Charles Schefer ou Frederic du Cane Godman. Pelo meio, fica uma intensa trama de contactos, nas quais desempenham papel de destaque negociantes arménios, com os quais Gulbenkian manteve relações próximas. A movimentada história das peças acompanha de muito perto a geopolítica do Médio Oriente. Uma peça exposta, um canudo de farmácia [cat. 111] do período zengida e aiúbida (final do século XII ou início do século XIII) sintetiza bem as mudanças ocorridas. Entre 1869 (ano do nascimento de Gulbenkian) e a atualidade, a cidade síria de Raca, de onde a peça provém, teve dez diferentes estatutos políticos. Os orientais ficaram longamente à margem deste processo de construção da sua própria identidade. Tanto do ponto de vista artístico, como do ponto de vista político.
            A exposição é uma viagem pela sensibilidade pessoal de Calouste Gulbenkian. Que ora se interessou por cerâmicas, ora por tapetes e por livros – e por eles porfiou -, mais tarde pelos vidros. A política de aquisições é-nos mostrada num gráfico, fundamental para se perceber a lógica de construção da coleção. A exposição tem cinco secções que refletem cinco momentos históricos, a construção do gosto pela arte islâmica (a palavra “rise” parece, neste contexto, mais adequada) e a forma como esse gosto acompanhou de perto a geopolítica do Medio Oriente. É o primeiro dos grandes trunfos do trabalho de curadoria de Jessica Hallett. Ou seja, a inequívoca beleza das peças e o seu valor artístico são enquadrados no seu tempo. Essa leitura é acompanhada por uma outra, mais minuciosa e erudita. “O gosto pela arte islâmica” é um percurso cruzado entre as peças em si, da fonte inspiradora em que muitas delas se tornaram – a exposição inclui obras da segunda metade do século XIX e de inícios do século XX, de Philippe-Joseph Brocard [cat. 37] e de William de Morgan [cat. 77], diretamente inspiradas em peças mamelucas ou otomanas – e do modo como o gosto, não isento de equívocos e de preconceitos, pelo oriente se espalhou na Europa, a partir do século XIX. O que está exposto tem uma história concreta. Um minucioso trabalho sobre o percurso de muitas peças ajuda-nos a entender o caminho que percorreram, quem por elas se interessou, como e quando foram adquiridas. Ao nosso dispor estão catálogos antigos, que nos mostram que o interesse pelas peças que estamos a ver tem, também ele, uma longa história.
            Luz e transparência são ideias chave da exposição. Se o trabalho de Jessica Hallett nos leva arte dentro, Mediterrâneo fora, o projeto de Mariano Piçarra foi elemento decisivo para que o discurso tenha ganho luminosidade e transparência. Que são, nitidamente, outras das ideias chave da curadora. E que peças como as lâmpadas mamelucas tão bem sublinham, iluminando o mundo em volta com a luz e com as palavras do Alcorão.
            “O gosto pela arte islâmica” levanta, a despeito do seu próprio título, uma ponta do véu sobre um debate que se adivinha estar a ser retomado. Se esta arte começou, muitas vezes, por ser “persa”, o que lhe conferia maior prestígio, o caminho para se chegar à designação atual foi longo. Só em 1928, com a criação do Museu das Artes Turcas e Islâmicas, em Istambul, o termo se generalizou. Mas, como escreve Jessica Hallett, “atualmente, com a globalização e a rápida evolução de definições e identidades nacionais e regionais, alguns académicos consideram eu o termo ‘islâmico’ continua a ser útil para englobar formas híbridas e múltiplas identidades, enquanto outros argumentam que reflete uma noção eurocêntrica do ‘Outro’. E o debate continua em aberto...”. Há peças que tornam o debate mais aceso e são, por isso, ainda mais interessantes. Como o cálice com inscrições turco [cat. 18], que aproxima oriente e ocidente. E que nos faz recordar uma cruz processional do Museu Nacional de Arte Antiga (M.N.A.A.), certamente feita por mãos muçulmanas.
            O início e o fim de “O gosto pela arte islâmica” são simbólicos e de deliberada intenção. Entra-se por um arco otomano [cat. 4], de finais do século XVI, oferecido por Gulbenkian ao M.N.A.A.. É uma peça que reúne geometria, caligrafia e fitomorfismo. Uma excelente síntese de vários domínios da arte islâmica. Não nos escapa ao olhar o mahmal, o palanquim cerimonial onde o sultão se fazia transportar na peregrinação a Meca [cat. 7], peça chave da exposição, enquanto obra de arte e símbolo do poder. Tal como não nos é indiferente a mensagem final do vaso com pássaros a voar [cat. 146], pela raridade da peça, pelo facto de ter uma das derradeiras aquisições do magnata arménio e por nos remeter para soluções de liderança que não dependem de homens providenciais.
            Expor a arte islâmica é importante? Sem dúvida que sim. Mas fazer da ocasião uma reflexão estética e política é crucial. Foi isso que se conseguiu. E que importará, um dia, pôr em diálogo com a arte islâmica ocidental.

“O gosto pela arte islâmica”
Curadoria – Jessica Hallett
Datas – 12 de julho a 7 de outubro de 2019
Horário - 10:00 – 18:00 (encerra à terça-feira)
Horário alargado: sextas das 18:00 às 21:00. 
Fundação Calouste Gulbenkian, Edifício Sede - Galeria Principal
Av. de Berna, 45 A - Lisboa

Classificação:*****

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

AINDA A PINTURA E O ACADEMISMO

Ainda a propósito do livro de Venturi, ri com gosto ao ler o comentário de Édouard Manet (1832-1883) sobre o frio academismo de Ernest Meissonier (1851-1891). Gabava-se este de conseguir retratar pessoas com inteira fidelidade. Nesse sentido, acaba por ser quase um hiper-realista como neste célebre 1814...

Em todo o caso, o que aqui conta é a frase de Manet sobre um dos seus quadros de uma batalha: tout est en acier, excepté les cuirasses - é tudo em aço, exceto as armaduras

RELENDO VENTURI

Há muitos anos que não regressava a este livro, que tão importante foi na minha juventude. Para compreender a pintura - De Giotto a Chagall atirou-me para História da Arte. Lembrava-me, ou julgava lembrar-me, de uma passagem sobre a atividade de Thomas Gainsborough (1727-1788). Erro crasso. O texto reporta-se a John Constable (1776-1837). Reproduzo um excerto, que usei num texto escrito esta tarde:

"Foi assim que, sob a pressão das circunstâncias materiais, Constable viu abrirem na sua frente dois caminhos: ou inclinar-se perante as leis da Academia e da opinião pública, ou conservar-se fiel à sua maneira de ver e de sentir. Não quis renunciar a nenhum deles e, na maturidade, pintou paisagens aos pares: um de harmonia com o seu ideal, para satisfação própria, a outra para corresponder às exigências da Academia".

E Venturi apresentava como exemplo as duas versões de The hay wain, de 1821. Lembrei-me muito deste quadro, e dos comentários de Venturi, nestes dias. A propósito de um texto que tive de escrever e, depois, de rever. E ambos eram/são verdadeiros.


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

BIBLIOGRAFIA MOURENSE - UM REGISTO PESSOAL: 10 e 11/13

Quanto mais este projeto avançava, mais me recordava de um filme argentino: La nube, de Fernando Solanas. Nele, uma parte dos protagonistas anda sempre às arrecuas. E esta publicação foi mesmo feita em marcha-atrás... Em 2013, não consegui(mos) terminar o livro. A culpa no atraso foi minha. Mergulhado e enredado em compromissos fui atrasando o texto. A dada altura, propus aos colegas de jornada que editássemos primeiro o catálogo e depois a parte escrita. Uma manobra arriscada, porque as imagens têm de estar citadas no texto e com ele serem coerentes. Para mais, as fotografias e os desenhos estavam divididas por setores, o que tornava imperioso que não houvesse contradições. O catálogo foi publicado em 2013. Três longos anos teve o segundo (primeiro...) volume de esperar. Tinham, entretanto, surgido novos achados, que levaram à edição de um CD, que surgiu como apenso ao texto.

Como na célebre série televisiva dos anos 80, "confused? these questions — and many others — will be answered in the next episode of...Soap".

No final, resultou tudo bem. Bateu tudo certo, mas deu uma trabalheira dos diabos.

Em resumo, como sempre defendi a realização de publicações monográficas sobre intervenções arqueológicas, avançou-se com esta primeira síntese. Que avança com interpretações, com datações e com propostas globais. Num trabalho a prosseguir e a aperfeiçoar.


Castelo de Moura - escavações arqueológicas 1989-2012
Autores: Santiago Macias, José Gonçalo Valente e Vanessa Gaspar
Formato - 26 x 22
Nº de páginas - 190
Ano de edição - 2013 (catálogo)
Classificação CDU - 904(469.521)"-03/18" (083.82)


Castelo de Moura - escavações arqueológicas 1989-2013
Autores: Santiago Macias, José Gonçalo Valente e Vanessa Gaspar
Formato - 26 x 22
Nº de páginas - 136 + CD
Ano de edição - 2016 (textos)
Classificação CDU - 904(469.521)"-11/18"

terça-feira, 27 de agosto de 2019

MARRAQUEXE EXPRESS

Ao procurar imagens para um projeto em desenvolvimento, fui dar com um conjunto de fotografias antigas de Marraquexe, ponto central do tema que nos ocupa. Ainda desabafei para o meu colega, e amigo há quase 40 anos, "ainda vamos ser acusados de promotores do exotismo ou de orientalistas filhos do pós-colonialismo, vais ver a barraca...". Embora não pareça, ele tem muito mais juízo que eu e não (me) ligou nenhuma. Há muitos anos (seis, para ser preciso) que não vou a Marraquexe. Mas a imagem perene será, sempre, a daquele setembro de 1981, quando alguns sítios da cidade se pareciam ainda um pouco com o cliché orientalista.

E, isso sim, lembro-me de irmos no autocarro, estrada fora, enquanto na minha cabeça soavam os Crosby, Stills and Nash:

Would you know we're riding
On the Marrakesh Express
Would you know we're riding
On the Marrakesh Express
All on board that train


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

COMISSÃO DE FESTAS

Por várias vezes, na minha carreira, desempenhei o papel de "comissário". Ou seja, de responsável científico no âmbito de uma exposição. É um trabalho que me agrada especialmente, por razões que não vêm agora ao caso.

Ora, tendo sido "comissário", nunca fui membro de uma comissão de festas. Muito menos da de Moura. É uma (A) falha maior, e dificilmente reparável, no meu caminho. Em todo o caso, fiquei feliz ao ver este grupo de amigos abalançar-se à Festa de 2020. Salvo erro da minha parte, cumprem-se 50 anos deste modelo de festa. Tenho a certeza que esta comissão grande vai ser uma grande comissão. Aqui fica o texto que hoje difundiram:

Caros Mourenses, 
Nenhum caminho é longo demais quando um amigo nos acompanha.
É com este espírito de grande amizade e união que nos apresentamos a vós como a novel Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo.
Como todos sabemos, as nossas festas anuais são um marco importante da nossa cidade, e a sua continuidade, ano após ano, é imperativa e um dever que todos os mourenses devem honrar.
Felizmente o nosso povo nunca diz não, quer fazendo parte das comissões, quer com uma ajuda incansável, de todos, para com as mesmas.
Este ano cabe-nos a nós essa honra, e começámos já a trabalhar, para que no final a nossa Santa Padroeira e as suas Gentes se sintam orgulhosas com o nosso trabalho.
Em todos os nossos eventos terão a garantia máxima da nossa dedicação e trabalho, sempre a pensar em todos vós. 
Assim sendo, esperamos ver-vos a todos ao longo deste ano.
Marcamos já encontro na tradicional Feira de Setembro de 12 a 15 de Setembro. 
Que Nossa Senhora nos acompanhe a todos.
Com os melhores cumprimentos,
A Comissão de Festas 2019/2020

domingo, 25 de agosto de 2019

ESPOSENDE

A fotografia é de 1971. O autor é Armindo Cachada. Representa a romaria de S. Bartolomeu do Mar. Mostra-nos um Portugal telúrico, antigo e rural. Ao olhar, ontem à tarde, para esta imagem, ocorreu-me que muitos políticos só frequentam estes ambientes em datas pré-eleitorais. Ou que muitos académicos o fazem na perspetiva do voyeurismo.

É a altura das romarias de verão. Por entre o pó, o mar, o calor e a festa genuína. Mais ou menos religiosa, mais ou menos profana.

Dado curioso na fotografia: não está ninguém dentro de água. Parto do princípio que o banho ritual ainda não se iniciara...

sábado, 24 de agosto de 2019

NUNO CALVET, NA PÓVOA DE S. MIGUEL

O "Expresso" de hoje inclui uma entrevista com Nuno Calvet (n. 1932). Poucas exposições me deixaram tão perenes e fundas marcas como a sua "Além Terra", no início de 1983, na Fundação Calouste Gulbenkian. Na altura, aluno do 2º. ano da Faculdade e em crónico deficit financeiro, não pude comprar o catálogo. Mas ficaram-me gravadas as imagens e as cores da terra. Mas já não me lembrava concretamente desta fotografia, que hoje fui recuperar, à boleia do texto do "Expresso". Intitula-se "Região da Póvoa, Moura" e data de 1981.

Diz ele, na entrevista, "o Alentejo é um mundo". Se é!

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXXIV

20.8.2019 - 12.40 (Rua da Ribeira Nova)

Está um arrumador a tratar da vidinha. O ar é de desmazelo. Andrajos, cabelo comprido e oleoso (oleoso é favor, aquilo bem aproveitado dava para fritar uma travessa de batatas). Gesticula e orienta duas bifas, troce, troce, pró outro lado, tá ok. Elas saem, com aquele ar de atarantamento que, inevitavelmente, envergamos quando estamos em território desconhecido.

O arrumador desata aos gritos psstooooipsstooooiatenção aíthe brake! E faz o gesto de puxar. Uma entra no carro e, trrrrkkkkk, puxa the brakeVerdade se diga que, naquela niveladíssima rua, só um terramoto faria mover o carro. Mas mais vale ser profissional e justificar a moeda.

As bifas rimaram à Praça da Ribeira. Eu segui, Rua dos Remolares fora.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

BIBLIOGRAFIA MOURENSE - UM REGISTO PESSOAL: 9/13

A experiência que tive, como vereador na área do urbanismo e dos fundos comunitários, foi das mais interessantes por que passei, a nível profissional. O desafio era grande - executar os projetos com financiamento comunitário - e não admitia falhas. Implicou a mobilização de vários executivos camarários, num verdadeiro trabalho de equipa.

Ainda hoje ouço a voz de uma técnica da Câmara de Moura, que insistia repetidamente "o que nos está a pedir é impossível". E lá vinha com uma catadupa de fluxogramas e de termos de referência. Não era assim, e não só foi possível, como fomos mais além, recuperando verbas em overbooking. Facto muito criticado, dentro e fora de portas, recorremos a equipas exteriores para a execução de projetos e para a fiscalização de obras. O resultado foi, globalmente, muito positivo. Dele se deu conta, numa publicação de síntese, editada em 2013. Um antes e um depois do que se concretizou. Muito para além de protocolos e acordos assinados, bem entendido. Uma reflexão desses anos verá a luz do dia em 2020.

Download em:
http://santiagomacias.org/AUTARQUIA/Moura_Regeneracao_Urbana_2013.pdf


A complementar com:
http://santiagomacias.org/AUTARQUIA/revista_12_2015.pdf

http://santiagomacias.org/AUTARQUIA/revista_08_2017.pdf


Moura - parcerias para a regeneração urbana
Autores: Santiago Macias, José Maria Pós-de-Mina, Célia Gomes, Vanda Fialho e Maria de Jesus Mendes
Formato - 27 x 21
Nº de páginas - 64
Ano de edição - 2013
Classificação CDU - 711.5(469.521)