terça-feira, 17 de maio de 2016

BENFIQUISMO LICHTENSTEINIANO

À entrada, ontem, para o voo da TAP de Genebra para Lisboa, reparei num cachecol vermelho no cockpit. Aproveitei, por entre o pontilhado da parede de vidro, para fazer uma fotografia. A falta de qualidade da imagem tornou-se vantagem. Depois de passada para o computador, sugere vagamente o grafismo da obra do artista pop Roy Lichtenstein (1923-1997).

Já agora: ah, grande Comandante Bernardo Caetano!


segunda-feira, 16 de maio de 2016

HISTÓRIAS DE VIDA NA SUIÇA, ENTRE O AEROPORTO DE GENEBRA E OS VINHEDOS DE EPESSES

Blitz a Lausanne e a Epesses, para assistir à atuação do Grupo Coral Feminino de Santo Amador. O primeiro baque foi à chegada, quando encontrei este simpático grupo de patrícios "tire lá aqui uma fotografia com a gente e ponha no facebook que viemos trabalhar para a Suiça porque o nosso País não nos dá condições". A mesma realidade que encontrei, horas mais tarde, em Epesses. Uma festa de expatriados, de outra geração muitos deles, e mais instalados na vida. Mas com as mesmas saudades da terra natal. Os vinhedos de Epesses, Património da Humanidade, foram o pano de fundo para muitas conversas e para a magnífica presença o Grupo Coral Feminino de Santo Amador. Duas santo-amadorenses estão à frente de duas casas por onde o grupo passou (Domaine Blaise Duboux e Le verre gourmand).

Um dia demasiado rápido, com algumas conversas que terão continuidade no próximo verão.

Há sempre um momento cómico nestas ocasiões: estavam a assistir ao cante alentejano alguns japoneses, convencidíssimos que era um grupo folclórico suiço. Bem vistas as coisas, eu também não sei distinguir o folclore japonês do coreano...



domingo, 15 de maio de 2016

JORGE CAMPANIÇO

Termina hoje a Feira de Maio. Quatro dias intensos, apesar de chuva e do frio.

É também a derradeira oportunidade para ver a exposição do meu colega Jorge Campaniço. Ótimas fotografias. Cores intensas e Alentejo por toda a parte. Feiras são Cultura (também!) e daí o espaço de destaque que foi dado a esta mostra. Uma ideia de montagem muito simples e de extrema eficácia. Os elogios às fotografias têm-se multiplicado. Promover o trabalho de quem tal merece é (também!) a função das autarquias.



sábado, 14 de maio de 2016

PARQUE DE LEILÃO DE GADO - inauguração

Dia 12 de maio, e no ato de abertura da feira, teve lugar a inauguração do Parque de Leilão de Gado (edifício à esquerda, na fotografia), equipamento que veio fechar um ciclo de investimentos no Parque Municipal de Feiras e Exposições.

A Escola Nacional de Caça, Pesca e Biodiversidade vai ficar também instalada neste local, cuja gestão caberá à Herdade da Contenda, empresa municipal. O desafio mais interessante e importante começa agora. Essencial é que este espaço, que foi/é uma aposta importante da Câmara Municipal (a intervenção começou em 2005 e só agora se concluiu) seja posto ao serviço da economia do concelho. É isso que irá ser feito.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

MADRID, ALMODÓVAR E LOLA BELTRÁN

Este filme já aqui andou, há seis anos. 

Repito o texto de 27.6.2010:

Gosto deste filme por muitas razões. Pela música, pela montagem, por Madrid, pelo ritmo, pelas mulheres neuróticas. É uma das obras mais conhecidas de Pedro Almodóvar (n. 1949), mas nem por isso foi especialmente incensada por parte da crítica. Mujeres al borde de un ataque de nervios, rodado em 1988, tem, por vezes, o ritmo e o estilo de uma slapstick comedy. Sob essa capa esconde-se um melodrama, tão ao gosto espanhol. É, também, um filme de cinéfilo. O que justifica que parte da trama se desenvolva em torno da dobragem de uma obra clássica: Johnny Guitar.

A primeira coisa de que gostei foi da canção inicial, Soy infeliz, da grande cantora ranchera Lola Beltrán (1932-1996). Levei anos de procura obsessiva à procura do disco. Valeu-me uma amiga mexicana, cujo rasto entretanto perdi. O que tem Mujeres? Amores e desencontros, dois actores que já se amaram e que dobram um filme, também sobre desencontros, sem nunca se cruzarem. Há uma mulher obsessiva e paranóica, uma advogada sem escrúpulos, terroristas xiitas e um extraordinário mambo-taxi.

No final do trailer vê-se Carmen Maura a cruzar uma rua, com a Torrespaña em fundo. É a Calle O'Donnell, perto do cruzamento com a Calle de Narvaez. A minha avó morava ali a dois passos. Passei por aquele sítio, pela mão dela, muitas vezes. São, também, as recordações que nos fazem regressar aos sítios. E aos filmes.

Retomo agora o filme, usando os créditos iniciais. Podia ter usado outras cenas, em que a ausência de duas pessoas é recordada através das suas vozes. Acabei por fazer esta escolha. Mujeres al borde de un ataque de nervios é o meu filme destes dias.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

MISSÃO POUCO SECRETA EM LAUSANNE

O prometido é devido... Dei a minha palavra ao Grupo Coral Feminino de Santo Amador que iria LÁ estar. Ou seja, vai haver, entre domingo de manhã e segunda ao meio-dia, um ping-pong rápido Moura-Lisboa-Genebra-Lausanne-Genebra-Lisboa-Moura. Depois "isto" acalma. Acho eu.


AS MÍTICAS CURVAS DA CAPELA

A primeira era perigosa quando se ia para lá. A segunda, a contar de Moura, era perigosa quando se vinha para cá. Fizeram parte das nossas vidas durante dezenas de anos. Era duas, mas nós dizíamos sempre a curva da capela, no singular. Ficavam na estrada de Pias e foram fotografadas por Eduardo Gageiro e por Carlos Ferreira.

Ontem, às 14 horas, o sítio estava assim. A água vai começar a subir e, em breve, as curvas e a ponte deixarão de estar visíveis. A paisagem muda. Ora devagar, ora depressa, um pouco como acontece com as nossas vidas.


terça-feira, 10 de maio de 2016

MAIS UMA NOITE SEM DORMIR...

O PS cada vez mais à esquerda.
E o PS e o Bloco apostando nos sindicatos.
Como se diz na minha terra "isto é só fezes".

WAYS OF SEEING

Ways of seeing, assim mesmo, numa citação direta ao livro de John Berger. Que foi o mote de mais esta edição do Fórum 21. Uma iniciativa "desformatada" da presidência, e que tem por objetivo o debate dos mais diversos temas. Sempre numa perspetiva estimulante. Este sexto encontro teve como tópico a fotografia. Em especial, a obra de José M. Rodrigues, que pode ser vista no espaço do antigo matadouro.

E que foi o ponto de partida para a apresentação e a apreciação de alunos da área das Artes da Universidade de Évora. Uma sala cheia de uma juventude cheia de entusiasmo. Foram protagonistas e principais intervenientes deste fórum, e para além de José M. Rodrigues, dois nomes de grande importância no nosso panorama da crítica de arte: Alexandre Pomar e Jorge Calado. Moura fica a dever-lhes a generosidade e a disponibilidade que tiveram para trazer até à nossa terra o conhecimento que acumularam. As suas intervenções podem ser resumidas numa palavra, simples e complexa: QUALIDADE.



segunda-feira, 9 de maio de 2016

ÁGUA - DE BISKRA A MOURA, PASSANDO POR LISBOA E PELA ESTRELA, COM OUTROS COMPROMISSOS PELO MEIO...

O que estava previsto era um fim de semana em torno da água. Benza-a Deus, que não faltou. Mas o programa passava, inicialmente, por um colóquio internacional ao qual a Câmara se associou e pela inauguração do Centro Náutico, na Estrela. O resto, bom o resto foi fruto de uma multiplicidade de circunstâncias e de compromissos que saltaram em cima uns dos outros...

No início, estava um encontro que tinha/teve Biskra como ponto fulcral. A cidade já não será exatamente como Maurice Cullen (1866-1934) a pintou em 1983, mas a água está no quadro (1) e, espero eu ver um dia, o toque idílico também. Estivémos presentes no encontro de Lisboa, tendo cabido a apresentação do trabalho a Vanessa Gaspar (2). A água acompanhou-nos na inauguração que teve lugar na Estrela. O Vice-Presidente e eu ensaiámos uma pose Usain Bolt, ante o ar algo menos dinâmico do vereador Joaquim Simões (3). No domingo tivémos a prolongada visita a Moura da Embaixadora da Argélia, do Reitor da Universidade de Biskra e do Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Museologia (4).

Nessa altura já as coordenadas espácio-temporais se tinham balburdiado, e a noção do tempo se tinha perdido. Ao longo de três dias, e com a água pelo meio, houve lugar a um encontro com o meu colega do Tarrafal, José Pedro Nunes Soares (6), à presença na justa homenagem ao Dr. Joaquim Simões (7) e na tarde/noite na animada Festa de Santo António, em Santo Aleixo (8). Tranquila mesmo foi a passagem pelo bar da Casa do Povo de Santo Amador, onde fui surpreendido pelo encontro, e pela longa conversa, com um antigo habitante na ilha de Bolama (9). Ficou marcada uma nova ida à aldeia, para lhe mostrar as fotografias que fiz, em tempos, na Guiné-Bisssau.


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QUASE EM MAIS UMA FEIRA

Os dias correm, as semanas correm, os meses correm. Estamos quase em mais uma feira de maio. Parece que o tempo vai "levantar".

A multiplicidade de iniciativas é o resultado da multiplicidade de contactos e do esforço feita pela equipa que coordena o evento (já lá vai o tempo em que me encarregava diretamente dessas tarefas...). O arranque é "em quarta", com a inauguração do Parque de Leilão de Gado. O programa aqui fica, porque se Paria vale bem uma missa, Moura vale bem uma visita.



domingo, 8 de maio de 2016

NUVENS, CHUVA, CHAMA E FUMAÇA


Chama e Fumo
Amor – chama, e, depois, fumaça…
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa…
Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor – chama, e, depois, fumaça…
Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimando o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa…
Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor – chama, e, depois, fumaça…
A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa…
Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linha a arder!
Amor – chama, e, depois, fumaça…
Porquanto, mal se satisfaça
(Como te poderei dizer?…),
O fumo vem, a chama passa…
A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas… tem de ser…
Amor?… – chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa…

Ao passar esta tarde por Safara, e quando o sol começava a cair e tinha acabado de chover, o José disse, de repente, "espera aí, que tenho de fotografar isto". Não vi o que ele fez, mas está certamente melhor que a minha tentativa. Foram breves segundos, e a melhor luz perdeu-se. Recordámos os míticos seis segundos de Ansel Adams, na célebre fotografia feita em Hernández, no Novo México.
A recordação de Manuel Bandeira veio depois.

sábado, 7 de maio de 2016

NENHUMA CHUVA CAI

Chove ? Nenhuma Chuva Cai...


Chove? Nenhuma chuva cai... 
Então onde é que eu sinto um dia 
Em que ruído da chuva atrai 
A minha inútil agonia ? 

Onde é que chove, que eu o ouço? 
Onde é que é triste, ó claro céu? 
Eu quero sorrir-te, e não posso, 
Ó céu azul, chamar-te meu... 

E o escuro ruído da chuva 
É constante em meu pensamento. 
Meu ser é a invisível curva 
Traçada pelo som do vento... 

E eis que ante o sol e o azul do dia, 
Como se a hora me estorvasse, 
Eu sofro... E a luz e a sua alegria 
Cai aos meus pés como um disfarce. 

Ah, na minha alma sempre chove. 
Há sempre escuro dentro de mim. 
Se escuro, alguém dentro de mim ouve 
A chuva, como a voz de um fim... 

Os céus da tua face, e os derradeiros 
Tons do poente segredam nas arcadas... 

No claustro sequestrando a lucidez 
Um espasmo apagado em ódio à ânsia 
Põe dias de ilhas vistas do convés 

No meu cansaço perdido entre os gelos, 
E a cor do outono é um funeral de apelos 
Pela estrada da minha dissonância... 

Fernando Pessoa in "Cancioneiro" 

Nenhuma chuva cai é maneira de dizer. Tem caído com regularidade, num maio demasiado fresco. Hoje assim será, diz a net, que é quem tudo controla, nos nossos dias.

Fotografia feita, em tarde de sol, nos arredores de Moura.

TCHAU, QUERIDO!


sexta-feira, 6 de maio de 2016

YOUTH & YOUTH POR TERRAS DA MARGEM ESQUERDA

Dois dias quase só entre a juventude, por este meu concelho. Terceira edição de Um dia na presidência, com três alunos da Escola Profissional de Moura. Com três pontos cruciais: a obra de reabilitação do Pátio dos Rolins, a visita ao Parque de Leilão de Gado e a inauguração do novo campo de jogos na EBI de Amareleja. No final da tarde, assistiram a uma reunião com os trabalhadores da autarquia e à reunião de câmara.

Ontem, a tarde foi ainda mais jovem. Acho que me diverti mais que os meus jovens "espetadores", na Escola Básica do Sete e Meio. Uma aula sobre património da cidade e sobre as muralhas. Um público exigente e difícil...

O concelho não pára. E estes jovens cá estarão um dia, para o perpetuar.






De cima para baixo:

1. Obra do Pátio dos Rolins.
2. Visita ao Parque de Leilão de Gado.
3. O novo campo de jogos da EBI de Amareleja.
4. Reunião com os trabalhadores.
5. Aula na Escola do Sete e Meio (há fotografias magníficas mas, infelizmente, não utilizáveis, por questões de privacidade dos miúdos).

quinta-feira, 5 de maio de 2016

MOURA - FÓRUM 21: FOTOGRAFIA - MODOS DE VER

A segunda à tarde promete, aqui pelo burgo. Virá uma turma de Artes, da Universidade de Évora. Às 17 horas, no local da exposição "Gotas de água" terá lugar um debate, com a presença de Alexandre Pomar, Jorge Calado e José M. Rodrigues.

Antes de mergulhar no território da Contenda (7º Fórum 21, lá para final do mês), o tema é a fotografia. Porque há alunos da UE que andam a fotografar Moura. Porque José M. Rodrigues foi co-autor de um livro sobre a nossa terra. Porque está a preparar outro, sobre a Amareleja. Porque é importante ter no concelho contributos válidos. Nas mais diversas áreas.


O VENDEDOR DE ILUSÕES

The music man é o filme.  Não gosto especialmente nem do filme, nem dos gorjeios de Shirley Jones nem de Robert Preston, um clássico canastrão. Mas esta cena tem Till there was you. A canção é bonita, ainda que muito melhor na versão dos Beatles e insuperável na de Peggy Lee.

Homenagem do blogue aos musicais americanos, numa época em que o seu declínio era mais que evidente. Deste filme de 1962 de Morton DaCosta não reza a história. Mas é a minha escolha cinéfila da semana.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

ENTASIS OU A ILUSÃO DE ÓTICA EM DISCURSO DIRETO

Definição na net para êntase - Técnica usada para reduzir a ilusão óptica provocada numa coluna quando as duas linhas paralelas do fuste parecem encurvar para dentro. De modo a diminuir este efeito o fuste passa a ter uma ligeira curvatura para fora resultando no efeito óptico de linhas paralelas. Esse engrossamento é mais visível no primeiro terços da coluna (as balaustradas barrocas que o digam...).
Há dias, num dos claustros da Universidade de Évora, tive um exemplo ao vivo de como a luz "usa" o fuste. O dia estava límpido. Daí a Alberto Caeiro foi um passo curto.

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!

AH! QUEREM uma luz melhor que 
a do Sol! 
Querem prados mais verdes do que estes! 
Querem flores mais belas do que estas 
que vejo! 
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me. 
Mas, se acaso me descontentam, 
O que quero é um sol mais sol 
que o Sol, 
O que quero é prados mais prados 
que estes prados, 
O que quero é flores mais estas flores 
que estas flores - 
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira! 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 


CÁTEDRA CLÁUDIO TORRES

Estive ontem em Évora, claro está. Foi um momento importante para todos nós e, como é evidente, um especial reconhecimento à carreira de Cláudio Torres. Transcrevo o que está no site da Universidade de Évora e onde, infelizmente, não é feita qualquer menção à presença e à importante intervenção da Dra. Paula Amendoeira, antiga aluna de Cláudio Torres e atual Diretora Regional da Cultura.

Eis o texto do site da UE:

A investigação de qualidade deve ser transmitida “em linguagem de gente. O Museu é a grande divulgação”. São palavras de Cláudio Torres, fundador e diretor do Campo Arqueológico de Mértola (CAM), no âmbito da Cerimónia de criação da Cátedra de Ensino em Arqueologia Cláudio Torres, que teve lugar no dia 3 de maio, no Colégio do Espirito Santo.

Desconstruindo, no seu discurso, as não necessariamente coincidentes, em termos de resultados, historiografia escrita e historiografia arqueológica, Cláudio Torres destacou o papel fundamental e decisivo da UÉ, enquanto polo agregador e dinamizador do interior do país, ao promover a criação de redes e parcerias interinstitucionais na região. De facto “há toda uma geração de futuros investigadores, historiadores e arqueólogos que tem de ficar a trabalhar na sua região”. Espera, por isso, que “esta cátedra sirva para cimentar, justificar e para organizar estes que ficarem e os que vem a seguir.”

A reputação assinalável do CAM no panorama da Arqueologia foi realçada por Ana Costa Freitas, Reitora da UÉ, considerando-o “uma estrutura sem paralelo e de reconhecida excelência, ao qual estará sempre associado o nome de Cláudio Torres”, Doutor Honoris Causa da Universidade de Évora desde 2001.

Renovando agora esse reconhecimento de forma consequente, a Cátedra Cláudio Torres reforça os Programas de Ensino em Arqueologia da UÉ e abre caminho à concretização de projetos conjuntos neste domínio, no âmbito do qual a UÉ faz investigação de ponta. Traz vantagens para ambas as partes, sobretudo a valorização da formação dos alunos, pois esta relação incrementa a ligação com o terreno, potenciando tanto o trabalho desenvolvido no âmbito do CAM, como a qualidade da formação dos alunos da UÉ.

Referindo-se a Cláudio Torres como “um nome incontornável quando se fala em Arqueologia”, Fernanda Rollo, Secretária de Estado da Ciência, encerrou a sessão, salientando o seu entusiasmo, criatividade e inconformismo como características associadas ao próprio processo científico “a ciência é isto, o conhecimento é isto, a cultura é isto”. Frisou, ainda, que “o encontro entre a Ciência e a Cultura é absolutamente determinante” e que “a Cátedra ora instituída, materializa esta articulação que se pretende aprofundar”.


terça-feira, 3 de maio de 2016

UMA CIDADE E O SEU MUSEU: 19/20 - ARGEL

Penúltimo museu desta série de 20. O Musée national des antiquités et des arts islamiques é o mais antigo de África... Está numa cidade de que gosto particularmente. Onde várias vezes me perdi. A última passagem por Argel foi em abril de 2012. Houve uma conferência no museu, onde a minha exposição Mértola - último porto do Mediterrâneo foi (muito bem) montada e apresentada.

Tenho pena de nunca ter podido estudar o passado cristão da Argélia. A complexa situação do país leva a que temas como esse sejam relegados para um secundaríssimo plano. Estão, por isso, insuficientemente estudados os vestígios da Alta Idade Média. É certo que investigadores como Gsell ou Février se debruçaram sobre o tema. Mas sempre de forma demasiado rápida. A tese de Isabelle Gui podia ter aberto caminhos. Tal não sucedeu. Na primavera de 2012, percorri melancolicamente as salas do museu, com mais perguntas que respostas. Não consegui arranjar cópia dum baixo-relevo com um falcoeiro, estudado por Marçais em 1934. Uma peça de grande beleza e que merecia bem ser retomada.

Talvez esteja na altura de tentar um pretexto para regressar (v. aqui). Para voltar à casbah e para uma nova incursão a Tipasa, onde não regressei depois de 1999.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A BELEZA DO FUTEBOL INGLÊS

Leicester - 61.500.000 € em salários (clube pequeno, mas não tanto assim...).
Chelsea - 274.000.000 € em salários.

O Leicester acaba de ganhar o campeonato inglês, o Chelsea é nono classificado.

A beleza e imprevisibilidade do futebol inglês está, também, nestas coisas. 


QUANDO MOURA SE CHAMAVA LACANT


Quatro fragmentos cerâmicos existentes em Moura permitiram relançar o debate em torno da toponímia local e colocar novas hipóteses sobre o nome antigo da cidade. Moura conta-se no grupo dos sítios para os quais não dispomos de dados suficientes no que à época romana diz respeito. A hipótese de uma correspondência entre Nova Civitas Arucitana e Moura foi desmontada, há anos e de forma definitiva, por José d’Encarnação.

A ligação entre Julumaniya e Moura é um equívoco que remonta ao século XIX, e que deu origem a erros como al-Manijah ou Yelmaniah. Se aceitarmos como válido o texto de Ibn al-Faradi e a proposta que David Lopes produziu, fazendo a islâmica Mura coincidir com a atual Moura, ligação hoje aceite de forma generalizada, temos resolvida a toponímia posterior ao século XI.

As peças acimas referidas, datadas do século VII e descobertas na Rua de Arouche, na Primeira Rua da Mouraria e nas reservas do Museu Municipal, citam uma Ecclesia Santa Maria Lacantensis. Ou seja, de uma igreja consagrada a Santa Maria, numa localidade denominada Lacant ou Lacanta. A concentração de peças num só sítio permite supôr que o nome romano ou tardo-romano de Moura seria esse.

Este dado vem abrir novas possibilidades de explicação para a localização de um topónimo islâmico (Laqant) e para o qual se têm esboçado várias teorias. As referências a Laqant surgem, quase sempre, com a exceção do oriental Yaqut, em textos antigos, reportando-se a acontecimentos cuja cronologia não ultrapassa o período califal.

O que nos dizem as fontes sobre Laqant? E quem são os autores que ao sítio se reportam?

Ibn Idhari (inícios do século XIV) refere, pouco depois de meados do século VIII uma revolta, que teria tido lugar em Beja ou em Laqant e que teria sido conduzida por Ala b. Mughit al-Yassubi. No final do século VIII, ao mencionar-se uma campanha militar conduzida por Abu Ayyub Sulayman, refere Ibn Hayyan (séculos X-XI) a retirada que este teria feito para o “país de Firris e Laqant”. Os textos diferem um tanto sobre o início da revolta. Ibn al-Athir (séculos XII-XIII), retomando a interpretação do Fath al-Andalus escreveu: “(...)Ala b. Mughit al-Yassubi passou da Ifriqiya (Tunísia) à cidade de Beja, no al-Andalus, onde arvorou a cor negra dos Abássidas e fez fazer a hutba (prédica) em nome de al-Mansur. Numerosos aderentes se lhe juntaram rapidamente”. Segundo outra versão, a do Behdjat en-nefs, al-Ala ter-se-ia revoltado num local chamado Laqant, pertencente à kura de Mérida, tendo depois marchado sobre Beja e tornado-se senhor de todo o oeste da Península. A localização não era segura, tendo-se feito coincidir, durante muito tempo, Laqant com a zona de Fuente de Cantos, perto de Mérida, e Firris com Castillo del Hierro, nas serranias a oriente de Sevilha.

Foi dessa região que sairam movimentos tão importantes como o que terá tido origem em Laqant, referido expressamente como fazendo parte do “cantão de Beja” (Ibn Idhari). Esta região juntou-se a Sulayman b. Martin em 835 d.C. para fomentar uma revolta que assolou todo o território de Beja. A importância estratégica de Laqant levou os vikings, na invasão de 844 d.C.  a enviar destacamentos para este sítio, bem como para Firrish, Moron e Córdova.

Nesta zona, cerca de 50 quilómetros a leste de Beja, e no limite oriental do seu território, as ligações familiares e a componente mullawad (muçulmanos de origem local) continuam a marcar presença preponderante. Ibn Hayyan assinala a revolta de Faraj b. Hayr al-Tutaliqi, que se rebelou em 848-849 d.C.  contra o emir Abd al-Rahman II a partir de Aroche e de Dnhkt, topónimo não identificado. Pode tratar-se de um problema de transcrição e a referência reportar-se a Laqant e não a Dnhkt. Vencido pelas tropas do emir, põe-se ao serviço deste e é nomeado para diversos cargos, nomeadamente o de governador de Beja.

É ainda o sítio de Laqant que o califa Abd al-Rahman III coloca sob o comando de Abd al-Malik b. al-Asi, jurisdição que passaria, anos depois, para Abd al-Rahman b. Muhammad b. al-Nazzam.

Perto do final do século X, Laqant era ainda referida como kura (algo semelhante a um distrito): “en el jumada de este año [362 h., ou seja, entre outubro de 972 e outubro de 973), salió el sahib al-radd Abd al-Malik ibn Ibn al-Mundhir Ibn Said a las coras occidentales – que son: Ferris, Laqant, Sevilla, Niebla, Carmona, Morón, Ecija y Sidonia – en visita de inspección (...)”. Pela mesma época, e numa história da conquista da Península, é feita a seguinte referência explícita quando se fala da rota seguida pelas tropas: “después de Sevilla se fué a Lacant (es decir) a un lugar que se llamó “el desfiladero de Musa” en las cercanías de Lacant, en dirección a Mérida”.

Ou seja, a Lacant do século VII corresponde, segundo aqui se propõe, à Laqant dos textos islâmicos. A mutação do nome, ocorrida presumivelmente nos século X-XI, tal como sucedeu noutros sítios do Garb, como Ocsónoba, justificaria o esquecimento do nome antigo e a “criação” de um novo topónimo.

Texto preparado a partir da publicação “Castelo de Moura – escavações arqueológicas” (autoria conjunta com José Gonçalo Valente e Vanessa Gaspar) e que retoma um artigo publicado em “A Planície” no dia 15.7.2012.


Artigo publicado hoje em "A Planície"

domingo, 1 de maio de 2016

JOGO DA MALHA

Um dia diferente no Gargalão (Sobral da Adiça). Uma incursão, com duas vitórias, no jogo da malha abre-me a expetativa de participar, um destes dias, na Champions da modalidade. Imagino que não seja esta uma forma canónica de celebrar o 1º de maio. Mas foi a minha. A convite da Associação de Trabalhadores da Câmara de Moura.


TRANSALENTEJO


O transiberiano é um combóio. TRANSALENTEJO é a pé.  Percursos pedestres do Alqueva é uma iniciativa do Turismo do Alentejo. O percurso de Moura tem como tópico essencial a água. A apresentação foi feita esta manhã. Recebi o grupo de caminhantes, capitaneado pelo meu amigo Ceia da Silva, junto ao castelo da cidade. O percurso vai até Porto Mourão, na margem esquerda do Ardila. O regresso é feito pelo cerro da forca, cruzando os terrenos da várzea, até se entrar em Moura, na zona das Sete Casas. São 8,5 km., por caminhos conhecidos por todos os "calêros", mas que outros irão agora descobrir.

Ver - www.visitalentejo.pt/transalentejo