Um prato em bronze do século II, que terá vindo de Kildare, 50 quilómetros a sudoeste de Dublin.
A peça está no fantástico Museu de Arqueologia e olha-nos assim.
Um prato em bronze do século II, que terá vindo de Kildare, 50 quilómetros a sudoeste de Dublin.
A peça está no fantástico Museu de Arqueologia e olha-nos assim.
A sessão de apresentação foi na Casa do Alentejo. Sala a abarrotar. Quem comentou o livro, com o brilhantismo habitual, foi José Pacheco Pereira. Uma apresentação em contraditório, que foi muito estimulante.
O livro está muito bem escrito. Comecemos por aí, que é logo um bom princípio. E tem boas ideias e não é nenhum missal. O que é outro bom princípio. Leitura em fim de semana vermelho.
Às 11:24 de ontem o blogue atingiu, supostamente (estas coisas têm sempre uma boa margem de dúvida), 3.000.000 de visualizações. Aconteceu isso ao fim de 16 anos, 8 meses, 26 dias, 11 horas e 1 minuto. Dá uma média, supostamente de 490 visualizações diárias.
Isto já vai em mais de 8.000 textos. Tempo perdido? Não, tempo ganho.
Este ano tenho escrito menos. O "smorzando" vai acentuar-se a partir de janeiro. Tudo tem um tempo.
Domingo, às 19h, na Póvoa de S. Miguel. Sessão de apresentação de candidatos à Freguesia, à Assembleia Municipal e à Câmara Municipal.
A lista da Póvoa é liderada pelo Fábio Garcias. Estou neste combate, convictamente, com ele e com a restante lista.
No verão de 2020 trabalhei no levantamento fotográfico de agências da
Caixa Geral de Depósitos situadas em 156 concelhos (todos os
distritos do Continente, mais as ilhas da Madeira, Faial, Terceira e São
Miguel). Um trabalho intenso, planeado com rigor quase militar. As fachadas dos
edifícios tinham de ter luz plena, o que me obrigava a um esquema rígido. Um
dia comecei às 8h 30 em Viana do Castelo para depois fotografar, sucessivamente,
na Póvoa do Varzim, em Vila do Conde (um “filme” inesquecível, num caótico dia
de feira), em Valongo, em Fafe, em Felgueiras, para ir terminar a jornada em
Anadia. Antes de retornar a Mértola. Fotografar no Funchal foi um blitz:
apanhar o avião às 7h., tomar um táxi para o Lido, fotografar, regressar à
baixa, voltar a fotografar e regressar ao aeroporto para estar em Lisboa antes
da hora de jantar.
Foi um trabalho que me deixou inapagáveis marcas emocionais, e que já
motivaram um texto, neste mesmo jornal. À medida que aquelas jornadas
decorriam, aumentava a minha perplexidade sobre a palavra “interior”. É difícil
dizer que Portugal tem “interior” quando os concelhos mais afastados do
litoral, como Idanha-a-Nova, por exemplo, estão a pouco mais de 200 quilómetros
de Lisboa ou do Porto. Mas é fácil pensar em “interior” quando vamos a
Castanheira de Pera, a 30 quilómetros de Coimbra, ou a Ferreira do Zêzere, a
pouco mais de 100 quilómetros da capital, e é como se tivéssemos mergulhado
noutra dimensão.
Agora
que o País esteve em chamas, lá veio a ladainha do “interior” e do apoio ao
“interior”. Esquecemo-nos que o País está em chamas porque já não há gente
jovem e cada vez menos se cuida dos campos, nesses territórios remotos. O concelho mais “interior”
que ganhou população, nos últimos censos, é Vila Nova da Barquinha (Santarém),
que está a 60 quilómetros da costa. Para dentro, é a desolação. Não há gente,
porque o Poder Central abandonou vastas faixas do território à sua sorte.
Quando vêm inaugurar feiras, lá vem a revoada de banalidades elogiosas aos
autarcas, ao esforço das populações, à autenticidade do país real. “It kills
me”, como dizia o personagem de “Catcher in the rye”, quando elogiam a
autenticidade. Parece que estão em visita a uma reserva de criaturas exóticas.
O esforço dos Municípios não chega. É claro que estes têm de ter vistas
largas. Não podem comprometer o futuro com festas e festarolas, foguetes e
concertos. Em tempos (2013-2017) integrei o Conselho Nacional do Ambiente. Um
dia, irritado com tanta basófia, disse ao ministro de turno que dava um certo
jeito os governantes lerem dois livros que nos ajudam a enquadrar a realidade
atual: “A estrutura da antiga sociedade portuguesa”, de Vitorino Magalhães
Godinho, e “Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico”, de Orlando Ribeiro.
Respondeu, petulante, “é claro que já li os dois”. Não me pareceu que lhe tenha
servido de muito a eventual leitura…
Vamos estando assim, em periferias envelhecidas – não tarda muito também contribuirei para isso –, das quais se lembram de tempos a tempos e da quais se esquecem, na primeira curva da estrada, na hora do regresso.
Crónica em "A Planície"
Achei que "mandar pelo correio" não fazia muito sentido. Vai daí... decidi-me por uma pequena "peregrinação" pelos terrenos da margem esquerda do Guadiana, para entregar pessoalmente, aos grupos corais, os pequenos catálogos que resultaram da celebração do 10º. aniversário do Cante Alentejano como Património da Humanidade.
Pias, no sábado.
Amareleja, no domingo.
Dou-me, subitamente, conta do desmesurado interesse que textos muito antigos do blogue suscitam. Nos 20 mais lidos desta semana, há 9 (nove) antiquíssimos, maioritariamente sobre política local. Coisas sobre as eleições de 2009, a regeneração urbana, património, até um texto de 2017, sobre o Egito...
Tantíssimo interesse nas coisas que escrevo sobre Moura. Imagino da parte de quem. Deixam-me vaidoso, a sério.
Blackrock diving tower é o nome do sítio. A torre de mergulhos tem um toque modernista, é obra dos anos 50 e fica a três quilómetros do centro de Galway.
O sítio é bonito, tal como o é o passeio ao longo da costa. Havia uma pequena multidão junto à torre. Muitos miúdos subiam à plataforma mais alta e daí se lançavam. Nada de especial, não estivessem 15º e chuviscasse. Um verão fresquíssimo, o de Galway.
O livro foi apresentado ao público em maio do ano passado. São mais de 400 páginas. Um pequeno excerto está disponível em:
Sempre dá "para ter uma ideia".
Extingue-se a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Ainda não está claro o que se segue e como se segue.
Extingue-se o Plano Nacional de Leitura. Não se percebe porquê nem para quê. Nem qual o modelo alternativo. Acharão que está tudo bem e que toda a gente lê imenso?
Extingue-se a Rede de Bibliotecas Escolares. Não se percebe porquê nem para quê. Nem qual o modelo alternativo. Os alunos do Secundário têm níveis de leitura fraquíssimos. Chegam à Faculdade com deficiências de escrita aflitivas.
Agora, vivemos no mundo das métricas e dos peer...
No outro dia, disse a um amigo destas lides: "hoje, nenhum crivo universitário deixaria que se publicasse o Portugal na Espanha Árabe; e tenho sérias dúvidas que o 'impressionismo' de Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico fosse bem visto e fosse admitido; contudo, há um antes e um depois deles".
Estamos em plena "era Sam the Eagle" do Muppet Show.
Apesar de tudo, ainda e sempre.
No sábado à noite, alguns dos meus companheiros estavam animadamente divertidos, " se visses a tua cara durante a representação...". Não vi a minha cara, mas posso dizer que deveria estar "de trombas".
Já não tenho pachorra (saco, dizem os nossos irmãos brasileiros) para tanto politicamente correto, tanto wokismo, tanta necessidade de ser e justificar não sei o quê. Desta vez, foi a encenação de "Os irmãos", de Terêncio. A peça passa a ser um pretexto para...
Valem o sítio e o ambiente. Para o ano lá espero estar.
Momentos memoráveis:
2002 - "Pentesilea", com direção de Peter Stein.
2005 - "Una odisea antillana", com direção de Derek Walcott.
Vinca-se-me uma certeza: há momentos que valeu a pena terem sido aproveitados, porque foram únicos. E são irrepetíveis.
De 2005 para cá, aguardo por qualquer coisa de excecional. Será em 2026?
Moura é motivo de destaque na "Business Insider". Qual a razão?
O jardim, o castelo (visitável desde 2004, obra de uma gestão CDU) e a Mouraria (obra de recuperação de uma gestão CDU) são os pontos de referência: "I absolutely love walking along the tight network of narrow streets lined with low-slung, white-washed houses, many ornamented with colorful flower pots".
Uma pequena história sobre os vasos de flores: em 2016, um destacado membro do Partido Socialista de Moura veio propor (quase reivindicar), numa reunião tida no meu gabinete, que, por razões de segurança, fossem removidos os vasos de um dos lados da rua. Explicou-me, pedagógico e sapiente, que se uma ambulância tivesse de passar, os vasos seriam uma obstrução à circulação e, inclusivamente, poderiam ser destruídos.
Ou seja, ante a popularidade de uma iniciativa que tivéramos, vinham sugerir que fossemos nós a acabar com ela...
Quem me conhece minimamente sabe da pouca pachorra que tenho para este tipo de tretas. A minha resposta foi, ante algum embaraço dos presentes, curta e grossa:
"Não há problema. Se houver uma emergência, podem partir o que for preciso. Os vasos todos, se necessário. No dia seguinte, colocamos lá outros"
A reunião terá durado uns 5 minutos, não mais.
Ver:
As tragédias são pretexto para quase tudo. Dispenso-me de comentar coisas que por aqui (redes sociais) tenho lido.
Um silêncio pesado é o que fica nestas alturas. Nada mais.
A preparação de um livro sobre o território em volta do Panteão Nacional (de que não sou o autor, nem nada que se pareça) obrigou-me a vestir a roupagem de fotógrafo. Uma passagem pelos palácios das grandes famílias de tempos idos (Lavradio, Condes de Resende, Barbacena, Sinel de Cordes...), mais os Conventos (Desagravo, S. Francisco Xavier) e a descoberta de novas perspetivas e de novas cores. Na esquina da Calçada dos Cesteiros com o Campo de Santa Clara há um "português suave" que parece projeto de António Reis Camelo.
E mais acima está esta paleta de vermelhos, variações sobre o pantone 1807 (será?).
Esta publicação tem uma história pouco linear. Há cerca de 15 anos, achámos que seria boa ideia editar uma primeira memória das escavações no Castelo de Moura. Planeou-se o livro em dois volumes: texto e apêndice de imagens.
Afogado em trabalho na vereação, consegui gizar e dirigir o planeamento dos dois volumes. As imagens (desenhos, fotografias, plantas etc.) estavam disponíveis. O índice do livro estava decidido. Solução de "emergência"? Imprimir primeiro os anexos. Três anos (3!) demoraria a redação do texto. Tudo acertado com as imagens, num jogo arriscado de correspondências: as citações teriam de ser sequenciais, nada de citar primeiro a imagem 14 e depois a 12...
Entretanto, havia mais informação pertinente disponível. Como todos os dados de suporte (elementos descritivos, unidades estratigráficas etc.) que não valia a pena imprimir, por serem demasiado extensos, iriam ser incluídos num CD apenso ao volume I, anexou-se aí tudo o que faltava.
Conclusão da edição? 2016.
No final, bateu tudo certo. Um trabalho duro e literalmente irrepetível. Explico sempre aos meus alunos este processo repetindo no final "não tentem fazer isto em casa!"
Gailearaí Náisiúnta é o nome, em gaélico, da galeria nacional de Arte da Irlanda. Um excelente museu e uma viagem importante pela arte europeia. Parte da coleção foi construída já no século XX, quando a Irlanda não navegava propriamente num mar de prosperidade. Em Portugal não fizemos nada disso. Tivémos Salazar, nada mais. E a palavra cosmopolitismo passou a ser proibida despois de 1926.
Chamou-me a atenção este quadro de telhados na Checoslováquia, pintado no início da década de 20 por Mary Swanzy (1882-1978). O expressionismo, que curoiosamente não vi associado ao nome da pintora, mostrava-se. Antes de ler a legenda pensei que fosse um trabalho de um artista alemão...
Fui, até hoje, oito vezes candidato nas autárquicas do concelho de Moura: 1985, 1993, 1997, 2001 e 2021 nas listas da Assembleia Municipal; 2005, 2009 e 2013 nas listas da Câmara Municipal. Não há oito sem nove e sou agora candidato, em quarto lugar, à Assembleia de Freguesia da Póvoa de São Miguel. A lista é liderada pelo Fábio Miguel Pereira Garcias.
A convicção é a mesma de sempre.
Faz hoje 50 anos (!) que o primeiro-ministro, Vasco Gonçalves, discursou na escola D. António da Costa, em Almada. O Documento dos Nove fora publicado uns dias antes. As posições extremavam-se. A intervenção de Vasco Gonçalves, dura e radical, transmitida em direto pela televisão, marca o início do fim do PREC. Como se veria nas semanas seguintes. Um mês mais tarde, Vasco Gonçalves saía de cena.
O discurso de Almada é, também, por esse motivo, uma peça importante da nossa História.
Fotografia: Fausto Giaccone
Nunca tinha publicado uma fotografia de Augusto Alves da Silva, agora desaparecido.
E tinha ideia de o fazer, depois de ver vários trabalhos seus, em especial este, do início do século. Há aqui um toque kubrickiano, a remeter para as cores de The shining. Está em exposição no MACAM (Museu de Arte Contemporânea Armando Martins). Foi lá que o vi, há algumas semanas.
Na calha está a compra do livro de AAS sobre o Instituto Superior Técnico.
Não temos emenda. Refiro-me a nós, ao País, a Portugal.
Esta fotografia foi-me enviada, ontem, por um amigo. Um grupo de turistas ingleses fazia um piquenique nas ruínas do ribat da Arrifana. Heinrich Schliemann adornava a sua própria esposa com as supostas jóias de Helena. Nada que se aconselhe, mas menos gravoso, ainda assim.
O ribat é um sítio único no nosso Património. É Monumento Nacional! E está assim. À mercê de piqueniques.
Mas, ó pá, em Aljezur vai haver, no final deste mês:
Julinho KSD
Dino d'Santiago
Paulo Gonzo
Pete tha Zouk
Zé Amaro
Marco Filipe
etc.
Ah! E uma mega-sardinhada.
E a Fórmula 1 em 2027, que vai ser do camandro.
Pode ser que sobre qualquer coisinha para dignificar o ribat.
Há dias, surgiu no "Público", um questionário que o jornal faz a personalidades da vida pública portuguesa.
Não pertenço a esse grupo, claro. Mas resolvi responder "ao Proust", acrescentando este pós-Proust.
O autor do blogue, por si próprio.
QUESTIONÁRIO 1
O principal aspeto da minha personalidade.
A capacidade de persistir. Sem me desconcentrar.
A qualidade que desejo num homem.
A honestidade.
A qualidade que desejo numa mulher.
Idem.
O que eu mais aprecio nos meus amigos.
A paciência que têm para me aturarem...
Meu principal defeito.
Uma razoável dose de intolerância. Decantada com uma certa impaciência.
Minha ocupação favorita.
No essencial, trabalhar no que gosto. O que varia muito.
Meu sonho de felicidade.
Que, às vezes, em certos momentos, o relógio do tempo pudesse parar.
Qual seria a minha maior desgraça?
A absoluta solidão de não ter família.
O que eu gostaria de ser.
“Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa, / Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa”. Senti, muitas vezes isto, ao longo da minha carreira, a permanente dúvida. Talvez fotógrafo/repórter, se tivesse tido talento para tal.
O país onde eu gostaria de viver.
Na pátria mediterrânica, que é aquela onde vivo. Ou seja, em Portugal, apesar de tudo... Mas não me importaria de viver no sul de Espanha, em Tânger ou numa ilha grega.
A minha cor favorita.
O azul, todos os dias; o amarelo e o negro, quando me lembro de Moura.
A flor de que eu gosto.
O cravo, símbolo da Liberdade.
O meu pássaro favorito.
A águia, por ver mais longe.
Os meus autores de prosa favoritos.
Não sei se são os favoritos, mas foram os mais marcantes: Albert Camus, Jorge Luis Borges, Graham Greene.
Os meus poetas favoritos.
Robert Frost, Baudelaire, Pessoa.
Os meus heróis da ficção.
O major Alvega. Porque há momentos da primeira juventude que não se esquecem.
As minhas heroínas da ficção.
Fantomête, pela mesma razão.
Os meus compositores favoritos.
Os compositores anónimos do cante alentejano. Noutro registo, Beethoven e os da ópera: Puccini, Bellini, Rossini, Verdi e Wagner.
QUESTIONÁRIO 2
Já se arrependeu de alguma coisa que escreveu numa rede social? O quê?
Arrependo-me de uma ou duas coisas na vida. Mas não nas redes sociais.
Tem a noção de quantos ex-amigos tem? Cinco? Dez? Ou nunca se zangou com um amigo?
Com os amigos que são mesmo amigos a gente nunca se zanga a sério.
Qual é o elogio que menos gosta que lhe façam?
Já fizeram: “você é um grande presidente de câmara”. Foi feito por um lambe-botas imbecil que disse, e diz, isto a todos, mesmo todos, os presidentes de câmara. A banalização do elogio faz dele quase um insulto...
Fora de Portugal, qual é o lugar onde se sente em casa? E porquê?
Na Andaluzia. As origens estão lá, o sangue puxa para lá. Vejo-me a viver em Sevilha ou em Granada até ao fim dos meus dias. E em Tânger, que é a Andaluzia do lado de lá.
De que tem saudades quando está de férias? Porquê?
Nunca estou 100% de férias. Nunca desligo. Para irritação dos que me são próximos.
Quantos dias de férias precisa até se desligar?
Cf. supra.
Qual o melhor conselho que lhe deram na vida?
"Fala e escreve só do que souberes" (Cláudio Torres, há muitos anos). Falo de conselhos profissionais. Foi o único que cumpri. Deram-me muitos outros, que falhei. Aliás, ando a falhar há 60 anos...
Em que situações se considera um “chato”?
Quando estou a trabalhar. Perco a paciência com a excessiva lentidão e com o desleixo. Já fui apelidado de irascível e perfecionista, por uma colega. Um manifesto exagero...
Tem algum vício que gostaria de não ter? E um de que se orgulhe?
Vícios privados, públicas virtudes. Deixemos essas coisas de lado.
Com que personalidade (viva ou morta) gostaria de ir almoçar amanhã? Porquê?
Morta - Nelson Mandela e Fidel Castro. Dois homens acima dos outros.
Viva - Snoop Dogg. A parte pós-prandial devia ser divertida.
Noutro registo - o meu avô Francisco Ferreira; foi um homem decisivo no meu percurso de vida.
Já teve algum ataque de ansiedade? Em que circunstâncias?
Na primavera de 2003. Quando achei que não ia conseguir acabar o doutoramento. Fui para Mérida sozinho fotografar, pensar no futuro e traçar um plano. Resultou.
E já se sentiu profundamente exausto? Foi burnout?
Exausto, um par de vezes. Nessas alturas, mudo de registo. Faço outra coisa.
Se lhe pedissem conselhos para uma relação amorosa feliz, o que é que dizia?
Que há sentimentos pessoais e intransmissíveis.
É vegetariano, vegan, faz alguma dieta especial? Porquê?
Não. Às vezes, devia ter mais juízo, só isso.
Gosta de cozinhar? Qual a sua maior especialidade?
Não sei cozinhar. Nada. O limite é fritar um bife ou fazer ovos mexidos. Mas sou um lavador de pratos de elevadíssimo nível.
Qual foi o último filme ou série que viu? E qual foi o/a último/a de que gostou?
O último não me lembro. Quando não gosto, esqueço-os. O último de que gostei foi “O cão preto”, de Guan Hu. É-me importante a construção de narrativas que passem pela capacidade de bem contar uma história. Neste caso, quase sem palavras.
Qual o seu maior arrependimento?
Não ter tomado determinadas decisões no tempo certo.
Qual foi a última vez em que se surpreendeu?
Há um par de dias. Com o País a arder, anuncia-se o GP de Fórmula 1 em 2027. Perguntei-me “como é que é possível?”.
Qual foi a última coisa nova que aprendeu? Como foi?
Estou a digitalizar todos os meus milhares de slides. Nunca tinha trabalhado com um aparelho daqueles.
Imagem da alcáçova do castelo, no verão de 1989.
O espaço estava ainda dividido entre a parte que pertencia ao Município e uma propriedade particular. Ainda existia o que restava do armazém da Água Castello. A intervenção arqueológica no lado esquerdo arrancou em 2003. Os livros que daí resultaram estão disponíveis em https://santiagomacias.org/publi.php?livros
O filme foi rodado em 1984. Tinha por título "A moura encantada" e foi dirigido por Manuel Costa e Silva (1938 –1999). O autor do argumento foi António Borges Coelho. Do filme não reza(rá) a História. Mas tem curiosidades, como Vitorino em versão príncipe árabe.
Acompanhei as filmagens em Noudar, no verão de 1984. Ao digitalizar os milhare de negativos que há lá por casa vou tendo surpresas. Com esta "reportagem" feita na altura.
Quando uma visita é mais que uma visita.
A ida a Kilmainham Gaol (uma antiga prisão com longo e importante papel na libertação da Irlanda) é uma lição de História e de Cidadania. Toda a tirania inglesa, toda a imperial crueldade, está ali detalhadamente explicada. Os guias nao sao só guias: são empenhados nacionalistas que, tendo de fazer aqueles percursos várias vezes por dia o fazem (pelo menos no que nos calhou) com afinco e profissionalismo.
Conseguir bilhetes não é fácil, pelo que convém reservar com (muita) antecedência.
Ver: https://heritageireland.ie/places-to-visit/kilmainham-gaol/
Morreu há dias o último ministro ainda vivo do governo de Salazar. Em 2007 cruzei-me (sem perceber à primeira, quem era) com um ex-ministro, há muito a residir no Rio de Janeiro. Um episódio para ser relatado num destes dias.
Não perco tempo a "desejar mal". Se o ex-ministro viveu, espero que com saúde, até aos 97 anos, tanto melhor para ele. Espero que tenha tido tempo para refletir naquilo que não foi: Ministro da Justiça. Porque na repressão não há justiça. Porque na tortura não há justiça. Porque fascismo não rima com justiça. Superiormente inteligente como era, o ex-governante sabia ao que ia e com o que era, e foi, conivente.
Não embarco em coros laudatórios por razões que são iníquias.
em baixo: manifestação em frente à Prisão de Caxias, em abril de 1974, exigindo a libertação dos democratas aí encarcerados
Quase não vale a pena dizer mais nada sobre mapa. Ele fala por si. E diz muito sobre modos de vida.
Gosto de viver no Mediterrâneo. Cada vez mais.
Um acidente ocorrido ontem, perto de Moura, foi filmado por uma câmara de televisão colocada numa propriedade privada e, quase de seguida, disponibilizada nas redes sociais da rádio local. Hoje de manhã, o vídeo somava quase 2.000.000 de visualizações. Permito-me duvidar que seja esse o acontecimento mais importante ocorrido no meu concelho nas últimas décadas. Mas duvido que haja outro tão divulgado.
Questionei, na página da rádio, o seguinte: "Há vantagem em divulgar estas imagens? Ou pertinência informativa?". A pergunta motivou mais de 100 reações. Li meia dúzia, e reagi a duas.
E estou convencido que não, que não há qualquer pertinência informativa. Há apenas o peep-show (sim, eu também vi, porque consulto a rádio local todos os dias) e uma lógica de correiodamanhização por parte dos consumidore. Isto não serve para sensibilizar, nem para alertar, nem para nada. Poderá servir - se as imagens forem validadas - para efeitos de perícia. Nada mais.
Galway é o grande centro irlandês de corridas de cavalos. Foi uma estreia divertida, mas sem grande sucesso financeiro. Melhor dizendo, sem nenhum sucesso financeiro. As apostas falharam, mas o ambiente era de grande animação, com bancadas barulhentas e agitadas. Irlanda e barulho são pleonasmos.
Ah, e não apostem num cavalo chamado Trusty Tycoon. É falhanço garantido. Também, com chances de 1 para 250...
Estava a ver os campeonatos de natação e dei com uma equipa NAB. À primeira não percebi. Depois é que... "espera lá! são os russos!". Se não os queriam deixar participar como Rússia, podiam ter arranjado uma designação menos imbecil.
Israel participou como Israel. Mainada!
A imagem anda pela net. Diz muito do que são as intenções do patronato mais retrógrado. E diz muito do que são as intenções do Governo.
Vale a pena ler, na íntegra, os textos de Ana Sá Lopes e de Ricardo Paes Mamede, no "Público".
Escreve a primeira:
O regresso da peste grisalha e o coro indignado da amamentação
Como se o Governo não estivesse já a ser bastante bondoso com as organizações empresariais – facilitando mais nos contratos a prazo e banco de horas, por exemplo – vem agora a CIP pedir que seja legalizado o direito a despedir os velhos. Ou mais velhos, vá lá. É uma forma alternativa de combate à “peste grisalha”. Como o Expresso noticiou, a CIP quer poder despedir quem quiser com o argumento da “renovação do quadro das empresas”. Os direitos dos trabalhadores com mais anos de casa ou mais idade são atirados ao lixo. A renovação pela renovação, e não a estratégia, tornou-se um mantra nos nossos dias. Se o Governo ceder aos patrões, podemos dizer que finalmente atingimos a excelência da sociedade americana – zero direitos laborais.
Diz o segundo:
Trabalhadores descartáveis como modelo de desenvolvimento
Os mesmos que se dizem defensores da juventude e garantem querer combater a dualização do mercado de trabalho (ou seja, a diferença de direitos entre trabalhadores sujeitos a diferentes regimes contratuais) vêm agora propor medidas que agravam a precariedade precisamente entre os mais jovens. Entre 2015 e 2024, a taxa de contratos temporários entre menores de 25 anos baixou de 67,6% para 53,3%; com as medidas agora propostas é de esperar que os valores voltem a aumentar.
Ou seja, nem para velhos nem para novos. É mais para quem pode.
Junto uma imagem de Léon Blum (1872-1950). Um progressista ao qual, enquanto trabalhador, me sinto reconhecido. tivessem outros um décimo da categoria de homens como Léon Blum.
Era esse o título do segundo de quatro livrinhos de aventuras. Foram-me oferecidos algures por 1971 ou 1972. A segunda aventura passava-se na Irlanda. Durante muitos anos tive curiosidade de conhecer algumas das paisagens ali descritas. Depois de cinco dias entre Galway e Dublin fiquei ainda com mais vontade de repetir o percurso dos primos Jan (holandês) e Maria (portuguesa). E de repetir os tratos nos outros três países: Finlândia, Itália e... Portugal. Uma pequena saga que saiu da inspiração de Monique e de Jacques Wolgensinger.
Há duas cidades em agosto. A Lisboa turística, com gente aos magotes, e a Lisboa a caminho dos subúrbios, com os transportes mais à larga. Panteão à parte (expectativa de 18.000/19.000 visitantes em agosto...), onde há sempre gente e problemas para resolver, gosto de agosto de Lisboa. O mês mais tranquilo. A cidade assim deserta, como a da fotografia, é que não se quer. É uma recordação dos tempos da pandemia...
Segunda-feira é o regresso ao trabalho.
Faria amanhã 100 anos. Deixou-nos na primavera de 2017, pouco tempo antes de chegar aos 92. Miguel Urbano Rodrigues nasceu em Moura, na Quinta da Esperança, bem perto do Ardila.
Conheci o Miguel em 1986 ou 1987. Era ele presidente da Assembleia Municipal de Moura e figura prestigiada do jornalismo. Estava eu a começar a minha carreira como técnico na Câmara de Moura. Foi o começo de uma amizade que durou três décadas. “Não me tratas por você”, deve ter sido uma das primeiras frases que me dirigiu. Uma “ordem”, bem ao seu estilo, direto e sem cerimónias.
Parte da sua vida está relatada em dois fascinantes livros de memórias (“O tempo e o espaço em que vivi”). Deveria ter havido um terceiro volume, que não sei se chegou a tomar forma. De qualquer maneira, nesses livros, ora sérios, ora pícaros, sempre motivados politicamente, o Miguel relata episódios que, mesmo quando são pessoais, refletem sempre o tempo e o espaço em que ele viveu. E que são um testemunho imprescindível sobre esse tempo. Boa parte da narrativa anda em torno dos jornais e de prática da escrita.
A saída do “Diário Ilustrado”, onde era chefe de redação, em 1957 (na sequência de um processo absurdo, que deu brado e passou fronteiras...) acabaria por dar outro rumo à vida do Miguel. Nos anos 60 está no Brasil, onde se tornará editorialista de política internacional de “O Estado de São Paulo”, o maior e mais prestigiado periódico da América Latina. Não era lugar para qualquer um... Só deixará o posto em 1974, depois de ter ido à embaixada de Portugal em Brasília. O episódio é relatado bem ao seu estilo (“fomos lá, exigimos os passaportes e pusemos o embaixador [José Hermano Saraiva] na rua”).
Dizia com frequência “numa vida há muitas vidas e num homem muitos homens”, frase que se lhe aplicava na perfeição. O seu percurso foi um somatório espantoso de coisas e de acontecimentos (foi crítico tauromáquico, esteve no assalto ao Santa Maria – facto que Henrique Galvão omite –, militou no Partido Comunista Português durante mais de 50 anos, dirigiu “O diário”, foi deputado, foi comentador televisivo, viveu em Cuba e no Brasil e foi um homem de espírito progressista como poucos). Nunca perdeu a argúcia, o sentido de humor e a capacidade crítica. Temperava tudo isso com uma cultura vastíssima, que se refletia num estilo de escrita elegante e fluido.
Repito o que já aqui escrevi sobre ele: “Não perdoava falhas na língua portuguesa, nem a ignorância travestida de saber. Uma vez, apareceu num almoço em que estávamos um arrivista que passara pelo jornalismo e que se “interessava pelo Mediterrâneo”. E que andava “a investigar”. Sentou-se à nossa mesa. Depois de muita conversa, às tantas disparou “ó Miguel Urbano, qual é a diferença entre árabes e berberes?”. O Miguel alinhavou, de mau humor, duas ou três frases sobre a questão. A partir daí, e sempre que nos encontrávamos, recordava “aquele moço é de uma ignorância enciclopédica”.
Escrevi quando ele partiu que à medida que amigos nos vão deixando – começo a entrar nessa idade – há uma parte das nossas vidas que fica para trás e há uma parte de nós que já não volta. Senti isso com duas ou três pessoas muito especiais. O Miguel é, será sempre, uma delas.
Dele retenho uma frase essencial e cada vez mais importante nos nossos dias: “a pátria do Homem é o planeta Terra”.Foi um homem de corpo inteiro. Chamou-se Miguel Urbano Rodrigues. Foi um mourense ilustre. Amanhã é o dia do seu centenário.
Crónica em "A Planície"