domingo, 10 de janeiro de 2010

MUROS E MUROS ERGUENDO

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aprovou hoje a construção de uma barreira em dois segmentos da fronteira com o Egipto e a instalação de um sofisticado equipamento de vigilância para impedir a entrada no país tanto de imigrantes ilegais como de militantes armados. “Esta é uma decisão estratégica para garantir o carácter judeu e democrático de Israel”, explicou o líder da direita israelita no anúncio de um projecto que, segundo o diário "Ha’aretz" irá custar 1500 milhões de dólares (16.700 milhões de euros). Nos últimos anos, milhares de africanos entraram em Israel pela fronteira egípcia, fugindo à pobreza ou aos conflitos nos seus países de origem, mas o fluxo desagrada às autoridades, que privilegiam o acolhimento de judeus oriundos de outros países.
.
A notícia saiu há poucas horas na edição on-line do Público. A orla mediterrânica agita-se. "Vem aos meus braços, querido amigo", pensou, decerto, Berlusconi. O racismo já nem se dá ao trabalho de se esconder ou de disfarçar intenções. Em Portugal ainda só se rosna contra os imigrantes. A luta está por conta do folclórico PNR. O estilo português suave ainda não rima com os pogroms calabreses. Para já. É tudo uma questão de tempo.
.
Fotografia de Larry Towell, na Faixa de Gaza, em 1993

EVA LOOTZ

Aqui se recorda o projecto Caligrama, que a artista plástica Eva Lootz montou no Khan Assad Pasha, na cidade velha de Damasco, no Outono de 2003. O antigo espaço otomano viu o seu solo, e as escadas, preenchidos por centenas de pequenos pontos de luz, que davam ao sítio um ar ao mesmo tempo acolhedor e fantasmagórico. Não vem aqui ao caso como conheci Eva Lootz, nem como fui "desembarcar" na instalação, justamente no dia em que esta era inaugurada.
.
As imagens que se publicam provam bem que a criatividade e a imaginação da artista criaram um projecto de excepcional qualidade com meios muito modestos. A fotografia de cima é do site da artista. A de baixo é minha (não tinha tripé e restava-me apenas um rolo de baixa sensibilidade, que "estiquei" ao máximo...) e aqui a deixo, para dar razão a uma amiga que diz que só fotografo sombras.
.

.
Site da artista: http://www.evalootz.com/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

MAGNOLIA

O cineasta chama-se Paul Thomas Anderson (n. 1970). Tornou-se célebre com Boogie Nights, que dirigiu com apenas 27 anos, mas tem muito melhor que esse filme. Tem Punch-Drunk Love (2002) e este Magnolia (1999). O início de Magnolia, com uma extensa reflexão sobre o significado da palavra "sorte", é um dos mais electrizantes que conheço. A história é um cruzar de episódios, um pouco na linha que Altman tornou na sua imagem de marca. Mas Paul Thomas Anderson vai mais além da simples fábula do quotidiano, estende-se aos territórios do absurdo. Que parece, afinal, uma coisa naturalíssima. Partilho com uma amiga o fascínio pela frase "This happens", usada por um personagem para justificar o que não tem explicação. A sorte e o acaso que nos atormentam a cada momento.
.
  

CASAMENTO GAY

Aparentemente, a questão está resolvida. Ou talvez não. Balançam sobre o assunto dúvidas de constitucionalidade. Vão começar os jogos de florete jurídicos. As razões e as contra-razões. Os argumentos, cada vez mais técnicos e especializados (não conheço outro país em que os juristas estejam tão omnipresentes no debate político e em que as discussões tenham uma tão forte carga técnica), vão enredar-se em meandros infindáveis.
.
Quando o assunto se der por terminado - pessoalmente é-me tão "indiferente" o casamento entre pessoas do mesmo sexo como entre as de sexo diferente -, há outros dossiês que esperam resolução. Menos mediáticos mas bem mais decisivos para o nosso futuro. 
.

PORTUGAL DESCONHECIDO

Ao chegarmos hoje a Lisboa fomos assaltado por uma dúvida. Qual será a segunda ponte do Feijó, tão falada todos os dias na Antena Um? O Rui acabou por apresentar a hipótese mais consistente, mas ficámos seguros que há um Portugal Desconhecido que é todos os dias mencionado nas notícias do trânsito e que nos escapa por completo. Para os que, ai de nós!, vão para o trabalho a pé e não sofrem os problemas dos engarrafamentos (ou quase, no rush-hour de Mértola contei no outro dia uma bicha de seis-carros-seis...) tentamos imaginar um país que, para nós, não existe. O que será o Nó de Francos? E porque é que há sempre entupimentos em Faria Guimarães? E porque é que a Segunda Ponte do Feijó é sempre mais referida que a Primeira Ponte do Feijó? E os que nunca foram à Amadora nunca saberão como é a Recta dos Comandos. No fim disto tudo, apenas um detalhe me intriga. Antigamente, falava-se sempre nos problemas de trânsito na General Torres. Agora, nada. O que terá acontecido ao General, agora condenado ao esquecimento?
.
Um engarrafamento! O meu reino por um engarrafamento! 
.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O ESPLENDOR DO SILÊNCIO

.
“No esplendor inigualável dos 70 mm e do som estereofónico total”. Era esta a frase publicitária que, há trinta anos, acompanhava o anúncio da reposição de velhos filmes nas salas de Lisboa. O formato dos 70 mm é hoje uma relíquia arqueológica. As salas onde esses filmes eram exibidos há muito que entregaram a alma ao Criador. O Império é uma igreja, o Monumental foi demolido, o Condes é um restaurante, o Tivoli encerrou.
.
Muita da solidão e da timidez da minha adolescência foi passada nessas salas. No esplendor silencioso do 2º balcão desses templos imensos. A paixão pelo cinema nasceu aí. O hábito solitário de ver cinema consolidou-se aí. Não estranho recordar, portanto, tantos anos depois, que a primeira vez que convidei uma namorada para ir ao cinema tenha sido para a Cinemateca. E para ver Roma, de Fellini. Haverá sítio, e filme, menos provável para namorar ou beijar alguém? Admito que não. Tenho a certeza que não. Mas foi assim.
.
Ir ao cinema, ou ao teatro, ou à ópera, converteu-se, desde a adolescência, num hábito próximo da devoção. E se no teatro ou na ópera o silêncio entre o público ainda impera, louvado seja Deus!, no cinema o esplendor inigualável do silêncio há muito foi eliminado. Com a rara excepção do King e de mais um ou dois sítios (agora não me lembro de quais, verdade se diga) as salas converteram-se em anexos do fast food dos centros comerciais. À entrada das salas os espectadores podem abastecer-se como se partissem para uma longa viagem. Baldes imensos atulhados de pipocas, garrafas de coca-cola de tamanho familiar. Gomas e pastilhas, pipas e batatas fritas. Que la fête commence. Os diálogos dos filmes são agora pontuados por schhhhlurrp! e scrontch! scrontch! A cada segundo. Tentem imaginar, por um segundo que seja, a silenciosa sequência da piscina, no Nostalgia, de Tarkovsky, no meio daquele festim. Revejam a cena final de Casablanca ao som da mastigação. Pensem no que é o mais belo flash-back da história do cinema, o regresso à juventude em Morangos silvestres, de Bergman, no meio do barulho das pipocas. Peço que façam o favor desse elementar exercício.

.
Foi em tudo isto que pensei há semanas quando comprei bilhete numa sessão da meia-noite, um reduto ainda relativamente tranquilo, para ver Agora, de Alejandro Amenábar. O filme é mediano. Mas ficou menos interessante quando o dramatismo da narrativa foi entrecortado pelo trabalho dos maxilares de outros espectadores. Sonho, cada dia mais, com o inigualável esplendor do silêncio. E com o dia em que abram cinemas onde, à porta, se coloque o aviso: “é expressamente proibido o consumo de pipocas e de refrigerantes nesta sala de cinema”. Podem ter a certeza que comprarei um lugar cativo.

.
Crónica publicada em A Planície no passado dia 1 de Janeiro.
.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

COTA MÁXIMA

Ponto da situação na Barragem de Alqueva (informação do anónimo Watergate, a quem agradeço):
.
05/01/2010
23:00
151.44
.
A cota máxima deixou de ser uma miragem.

VENTOS DE BONANÇA

.
Segundo a imprensa de hoje, "por cada 100 Watt de electricidade consumidos no ano passado nos lares portugueses, 15,03 Watt vieram do vento, um valor que eleva o país para o segundo lugar mundial." (Público on-line). Aí está uma notícia positiva e que vem dar um pouco de cor a estes dias cinzentos.
.
O vento é um elemento dominante em várias sequências do filme "O grande mestre do crime", rodado em 1967 (direcção de Norman Jewison). Queria ilustrar este post com um excerto do filme. Não foi à primeira. Procurava uma canção chamada The windmills of your smile e o título é, na verdade, The windmills of your mind. Curiosamente, o seu autor, Michel Legrand (n. 1932), deu-lhe um título diferente na língua original: Les moulins de mon coeur. Your mind/mon coeur? A cerebralidade anglo-saxónica dá lugar ao sentimento latino. Prefiramos o segundo à primeira.
.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

JOSÉ ALBERTO ALEGRIA

Aqui ficam o aviso e o convite. O arquitecto José Alberto Alegria dará, na próxima segunda-feira, dia 11, pelas 17 horas (sala ST 3 do edifício dos Leões/Universidade de Évora), uma conferência sobre Arquitectura Islâmica e Contemporaneidade.
.
A iniciativa integra-se no seminário Introdução à arquitectura islâmica e do espaço do Maghreb que, desde há dois anos, lecciono no Mestrado em Arquitectura da UE.
.
.
Vejam-se informações sobre o curso de Arquitectura em:
http://www.uevora.pt/estrutura_organica/unidades_organicas/escolas/escola_de_artes/departamento_de_arquitectura

MATRAQUILHOS

Ouvi dizer hoje, na Antena 1, que vai começar em Nantes o Campeonato Mundial de Matraquilhos. Fiquei emocionado por saber que a prática de tão prosaico entretenimento já tem nível para Campeonato do Mundo. Lembro-me sempre do jogo do boneco (era assim que, há 40 anos, lhe chamávamos em Moura) por três motivos básicos:
1. Adoro jogar matraquilhos;
2. Jogo pessimamente (facto cientificamente comprovado) e nem sequer sei fazer as fintas mais básicas;
3. Nas feiras de Maio de 1971/1973, a turma contava sempre com o auxílio precioso do J.V. (omito o nome, não vá dar-se o caso de ter hoje um lugar respeitável), especialista em sacar as bolas com a ajuda de um pente de metal (!) e de um pontapé certeiro no local apropriado. O feirante, coitado, nem desconfiava que aqueles meninos de ar bem comportado só pagavam um jogo em cada dez...
.
.
O jogo foi criado por um galego, Alexandre de Fisterra, em 1937. O seu autor ficou, na altura, muito impressionado pelo facto de muitas crianças, vítimas dos bombardeamentos da Guerra Civil, ficarem com pernas amputadas, o que as impedia de jogarem futebol. Inventou então este entretenimento, hoje de difusão planetária.
.
Os jogos não têm transmissão televisiva, mas podem seguir o essencial do campeonato em: http://www.table-soccer.org/

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

AS TORRES DO IÉMEN

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse hoje que a situação no Iémen era uma ameaça às estabilidades regional e mundial.
.
"Nós vemos implicações globais na guerra no Iémen e nos esforços contínuos da Al Qaeda no Iémen para usar o país como uma base de ataques terroristas bem além da região», disse Hillary depois de uma reunião com o primeiro-ministro do Qatar." (na imprensa de hoje).
.
As torres do Iémen que se cuidem...
.

BURJ KHALIFA

.
Acima das nuvens, como o viajante de Caspar David Friedrich, mas com muito menos romantismo, estão as torres do Dubai. É lá que fica a mais alta do mundo: tem 828 metros, acaba de ser inaugurada e o seu nome de ser mudado. De Burj Dubai passou para Burj Khalifa (torre do califa), em honra de Sheikh Khalifa bin Zayed al-Nahayan, presidente dos Emirados Árabes Unidos. A palavra califa quer dizer sucessor (do Profeta). Explicações e justificações à parte, a alteração do nome parece-me, nestes dias, tudo menos inocente.
.
A torre tem página web:
http://www.burjdubai.com/
.

OUVI DIZER

Ouvi dizer que havia
na água uma pedra e um círculo
e sobre a água uma palavra
que dispõe o círculo à volta da pedra.
.
Vi o meu choupo descer para a água,
vi o seu braço mergulhar no fundo,
vi as suas raízes suplicar noites voltadas para o céu.
.
Não corri atrás dele,
limitei-me a apanhar do chão essa migalha
que dos teus olhos tem a forma e a nobreza,
tirei-te do pescoço o colar daquelas falas
e debruei com ele a mesa onde agora estava a migalha.
.
E deixei de ver o meu choupo.
.
.
Um post sob o signo da solidão. A do poeta solitário, Paul Celan; a do viajante solitário perante o mar de nuvens, pintado em 1818 por Caspar David Friedrich (1774–1840). A do escritor Albert Camus, que nos deixou em 4 de Janeiro de 1960, e que criou Meursault, o mais solitário de todos os homens.

EFEMÉRIDE IV: PERGOLESI

Chamava-se Giovanni Battista Pergolesi e nasceu em Jesi, perto da costa do Adriático, faz hoje 300 anos. Foi o programa da manhã de hoje na Antena 2 que me recordou o facto. Pergolesi faleceu aos 26 anos, vítima de tuberculose. A tempo, contudo, de produzir uma obra vasta e notável, onde se destaca o Stabat Mater, datado de 1736.
.
A paixão por esta peça é antiga. Na falta de conhecimentos musicais comprei uma versão que me pareceu adequada. O meu amigo Francisco Motta Veiga dir-me-ia depois "as vozes delas são magníficas, mas não se adaptam ao repertório barroco tão bem como a outros". Vivendo e aprendendo.
.

Aqui fica, em homenagem ao génio de Pergolesi, a versão que me foi aconselhada: Michael Chance (contratenor), Gillian Fisher (soprano) e o King's Consort, com Robert King a dirigir.

domingo, 3 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE III: FUGA DE PENICHE

.
Faz hoje 50 anos que um grupo de patriotas, militantes do Partido Comunista Português, se evadiu do Forte de Peniche. Integravam-no, entre outros, Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Miguel e Francisco Martins Rodrigues (este último natural de Moura). É um importante episódio da luta contra o fascismo, que as gerações mais jovens ignoram por completo. Não participou na fuga, por decisão própria, António Borges Coelho (um relato dos anos de Peniche está incluído no livro Historiador em discurso directo, que a Câmara Muncipal de Mértola editou em 2003).
.
Num país que lida mal com a memória, e com o passado, o Forte de Peniche vai acabar como pousada de luxo (idêntico destino está reservado à sede da antiga polícia política, em Lisboa), sem que se saiba ao certo o que se vai passar com zonas simbólicas de um local que foi, ao mesmo tempo, espaço de sofrimento e de resistência. Os curros do Aljube, em Lisboa, são apenas uma referência e uma recordação dos que por lá penaram às mãos da PIDE. E assim vão, aos poucos, desaparecendo os símbolos da luta contra a ditadura. Lamenta-se que assim seja, porque é assim que se branqueia o passado e se ilibam os culpados da repressão. É a nossa alma português suave, naquilo que de pior tem.
.
Álvaro Cunhal não mais voltaria a ser preso. Regressou a Portugal depois do 25 de Abril. Aqui o vemos, nesta extraordinária fotografia de Guy LeQuerrec, feita durante um comício em Pias e datada de 27 de Julho de 1974. No lado direito da imagem está António Pós-de-Mina, dirigente local do PCP.
.

sábado, 2 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE II: 2 DE JANEIRO DE 1998

Faz hoje 12 anos. Mas se não fosse um amigo recordar-me esse facto não me lembraria da data. Em 2 de Janeiro de 1998, o José Maria Pós-de-Mina tomou posse como presidente da Câmara de Moura, eu fui eleito presidente da Assembleia Municipal. Foi o início de um percurso que se mantém. E ainda bem, porque, entre teorias, hipóteses e estudos, muitas oportunidades teriam passado ao lado do concelho de Moura. Os próximos anos serão de consolidação. Daqui a uns tempos falamos.
.

150.17

.
150.17 - era essa a cota das águas na barragem de Alqueva às 10 horas de ontem. Ou seja, estamos perante o máximo armazenamento até hoje conseguido, e desde o fecho das comportas. A água acumulada equivale a 91% da capacidade da barragem.
.
Gostava que dessem agora um passo em frente todos os teóricos que, munidos de estudos irrefutáveis, garantiam que a barragem nunca iria encher.
.
Falta ainda cumprirem-se as expectativas de desenvolvimento que se criaram em torno de Alqueva. Tenho as maiores e mais fundadas dúvidas. Sobretudo depois de tudo o que assisti durante a fase de discussão do POAAP.
.
Veja-se, embora os dados se reportem a dia 30 de Dezembro, o site da EDIA: www.edia.pt

EFEMÉRIDE I: FAUSTO COPPI

Faz hoje 50 anos que morreu o ciclista italiano Fausto Coppi (1919-1960). O seu palmarés de vitórias foi vasto, mas caberá aí destaque para a conquista do Giro (5 vezes: 1940, 1947, 1949, 1952, 1953), do Tour (2 vezes: 1949 e 1952) e do Campeonato do Mundo (1953). Faleceu vítima de malária, depois de uma deslocação ao Burkina Faso.
.
É evidente que nunca vi correr Fausto Coppi e as imagens hoje disponíveis não chegam para dar a real dimensão da sua carreira. O mito em torno do seu nome, e o entusiasmo com que o meu pai sempre se lhe referia, são-me suficientes.
.
.
Não sei se foi escrito algum poema sobre Fausto Coppi. Ruy Belo, contudo, deixou-nos bonitas palavras sobre o grande José Maria Nicolau (1908-1969).
.
Na morte de Nicolau
.
José maria nicolau fugiu. Quem o apanha?
Nunca ele pedalou tanto como agora
Decerto vai chegar antes da hora
A etapa era decisiva e está ganha
.
Ele que várias vezes deu a volta a portugal
deu desta vez a volta a quê? Talvez à vida
A alguns anos já da primeira partida
fugiu. Tudo se torna agora mais real
.
Que média fez num terreno tão mau
E tudo serra custa muito subi-la
Deixem que eu vista a camisola amarela
ao grande corredor josé maria nicolau

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

UM COMEÇO A SUBIR

.
O ano é começado a subir, com a melhor posição de sempre: lugar nº 245 entre 2089 blogues registados aqui. Apesar de alguns choques durante o ano passado, estou em melhor estado que o Volvo.

HOMENAGEM

.
No ano passado, teve lugar em Moura uma pouco vulgar homenagem, que aqui quero relembrar, neste início de ano.
.
Trata-se de um pequeno monumento, que inclui os nomes de todos os naturais do concelho de Moura que faleceram na Guerra Colonial. Não é aqui o lugar para uma reflexão sobre as guerras em África ou sobre as feridas ainda em aberto. Mas registei com orgulho o facto da Câmara de Moura ter sido uma das raras (não conheço outro caso, mas admito que exista) a homenagear os seus naturais falecidos nas terras da Guiné-Bissau, de Angola e de Moçambique.
.
Há sempre ali flores, que mão anónima deposita com regularidade. É, para mim, o aspecto mais significativo e comovente desta homenagem.