quinta-feira, 19 de novembro de 2015

PROSKYNESIS - uma explicação prática

A discussão andava à volta do que é a proskynesis. O tema já por aqui andou, a propósito da corte bizantina.

O meu amigo José Gonçalo Valente, a quem dedico o post, fez uma exemplificação (a meu ver imprecisa) do ritual oriental. Resolvi a questão com um "faz de conta que tu és o Constantino  Porfirogeneta e eu um reles súbdito". E lá exemplifiquei como se "falava" - não falava nada, que não se podia comunicar com Deus na Terra assim à balda - com o imperador, lá para os lados de Bizâncio.

A representação causou algum júbilo na equipa... Obrigado, Fábio Moreira.


MANUEL ROMANA ÂNGELO E MANUEL MESTRE

Já não estão entre nós. Manuel Romana Ângelo e Manuel António Vitorino Mestre foram presidentes da Câmara Municipal de Moura. O primeiro entre 1979 e 1985, o segundo entre 1991 e 1997. Fiel ao princípio de que devemos valorizar a memória de quem trabalhou em prol da comunidade, propus à Câmara de Moura a atribuição do nome destes dois autarcas a equipamentos de nossa cidade, a cuja construção estiveram, de perto, ligados. Assim, em data  próxima a acertar, a piscina coberta passará a designar-se Piscina Municipal Manuel António Vitorino Mestre e o pavilhão passará a ter o nome Pavilhão Gimnodesportivo Municipal Manuel Romana Ângelo.

O reconhecimento e a justiça andam a par. É disso que se trata. Nada mais.


PAVILHÃO DAS CANCELINHAS (AMARELEJA)

Inauguração no domingo, dia 22 de novembro, às 16 horas.

16:00 – Descerramento de uma placa comemorativa à entrada do Pavilhão Municipal de Amareleja
16:10 – Atuação da Banda Filarmónica da SFUM Amarelejense

16:20 – Intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Moura
16:30 – Atuação do Grupo Coral Infantil
16:40 – Demonstração de Zumba
16:50 – Atuação do Grupo Coral da Sociedade Recreativa Amarelejense
17:00 – Atuação do Dr. José Pepo
17:10 – Atuação do Grupo Coral Feminino da Casa do Povo de Amareleja
17:20 – Atuação do Grupo Coral Masculino da Casa do Povo de Amareleja
17:30 – Atuação de Pasion Flamenca
17:40 – Atuação de Os Caprichosos


Interior do pavilhão

CANNES? É JÁ A SEGUIR...

Recebi, há poucas horas, a informação, via mail, que a curta-metragem "Chegar a casa" foi selecionada para a 10ª edição do Concurso de Vídeo da Fundação Inatel. Vai decorrer entre 11 e 13 de dezembro, em Lisboa.

Valham-me os momentos de descompressão. Como este.




quarta-feira, 18 de novembro de 2015

ISTO OS ÁRABES SÃO ASSIM TIPO TODOS IGUAIS

Sempre achei interessantes, porque reveladores, os discursos de simplificação. Nos dias que correm, é melhor nem falar. Os árabes, os muçulmanos, os terroristas, aqueles países etc. O longo braço do imperialismo tem no cinema um dos seus métodos mais eficazes de propaganda. A simplificação é, aí, regra. Qualquer arco em ferradura identifica um país árabe, as mesquitas são todas iguais... O importante é vestirem-se os homens com uns trajes vagamente orientais e polvilharem-se as cenas de tiros em ruas poeirentas. O perigo campeia.

Ridley Scott filmou este Body of lies em 2008.  Deu ontem na tv, fora de horas. Teoricamente, o filme passa-se no Médio Oriente. Passa? Não passa nada... Nesta cena, vê-se, durante largos segundos, um minarete. Qualquer amador de História da Arquitetura identifica, claramente, uma construção de tipologia magrebina. Uma consulta na net, ainda mais tardia, confirmou o óbvio: Body of lies foi rodado em Marrocos. Para o espectador médio dos States (o filme é, em primeiro lugar, para eles ok?) é tudo igual: Marrocos, Jordânia, Síria, Egito são países de árabes, barbudos e muçulmanos. E, obviamente, terroristas. Mais minarete, menos minarete, vai tudo dar ao mesmo.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

MUSEUS E TAL

Foi esta tarde a gravação. Mesa-redonda dirigida pelo jornalista Manuel Vilas Boas, responsável pelo programa "Encontros com o Património", para um debate em que tive a (boa) companhia de Pedro Pereira Leite e de Graça Filipe.

Tema? Ecomuseus e museus comunitários. Palavras como "sustentabilidade", "massa crítica", "desenvolvimento", "território", "identidade", "recursos" etc. andaram por ali.

Difusão - dia 12 de dezembro, às 12h 10.


Gosto sempre de referir estas participações. Por prazer pessoal, pelo facto desta presença representar um reconhecimento pelo que na nossa terra se faz e, também, porque sei que este tema causa sempre, em Moura, algumas regurgitações.

CÂMARA ABERTA: ÁGUA - PATRIMÓNIO DE TODOS (PROGRAMA)

Não é Moura, mas tem as margens de dois rios. Tem muita água, portanto.

Programa da iniciativa. Quarta Câmara Aberta do mandato.

QUARTA-FEIRA, 18
08:00 – Reunião com responsáveis e trabalhadores da Secção de Águas da CMM
09:00 – Visita ao Gargalão (Sobral da Adiça)
10:00 – Visita à obra da Ribeira da Perna Seca (Sobral da Adiça)
16:00 – Visita a obras na aldeia da Estrela
17:00 – Reunião de Câmara (aldeia da Estrela)
21:30 – Debate em Moura sobre o Aquífero Moura/Ficalho (Sala de Sessões da CMM)

QUINTA-FEIRA, 19
09:00 – Visita à ETA do Ardila
11:00 – Visita à Ribeira de Vale de Juncos (Amareleja)
15:00 – Visita em Moura à exposição “Água, Património de Moura – Identificação de um Concelho”, no antigo Matadouro Municipal
18:00 – Visita à piscina coberta de Moura
21:00 – Sessão de esclarecimento em Safara (Junta de Freguesia)

SEXTA-FEIRA, 20
9:00 – Visita às instalações da Fonte da Telha
11:00 – Visita às termas, em Moura, seguida de reunião com técnicos.
14:00 – Visita a uma empresa de animação turística
15:00 – Visita à Barragem de Alqueva e encontro com o Presidente da EDIA.

A PROPÓSITO DE BIBLIOTECAS...

Repito o que aqui escrevi, em 3 de abril de 2014:

Teve a Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, através da Dra. Maria José Moura, a enorme simpatia de me convidar a estar presente na sua iniciativa "Sábado de Primavera com a BAD" e a participar na mesa-redonda intitulada "A crise e a sustentabilidade das Bibliotecas e Arquivos". Dei o meu testemunho de autarca. Na verdade, repisei o caminho iniciado em setembro de 1986, quando tomei como primeiro projeto, em Moura, a renovação da Biblioteca Municipal. Paguei cara a ousadia e acabei "defenestrado"... Nada de que me arrependa.

Grande parte da minha vida profissional foi passada em bibliotecas. O tema tem, também, passado com regularidade por este blogue. E o projeto da nova biblioteca municipal de Moura é o falcão da malta da minha carreira. Entre o projeto e a sua concretização há um "pequeno" detalhe: 2.700.000 €.

Esta intervenção, delineada por Victor Mestre e Sofia Aleixo, é das tais que gostaria mesmo de poder concretizar. Dando, assim, por terminado  um percurso de 30 anos.

Com a certeza que é dos investimentos que tem, sempre, retorno.



Quanto ganhamos (e só em termos financeiros) quando utilizamos uma biblioteca? Faça as contas:
http://www.somosbibliotecas.pt/index.php/valor

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CÂMARA ABERTA: ÁGUA - PATRIMÓNIO DE TODOS

É a próxima Câmara Aberta. Três dias, entre 18 e 20, em torno da água. Visitas, debates, contactos com empresas, reuniões, num tema essencial para todos nós. Não haverá, na realidade, uma onda gigante como a que ameaçou a costa de Kanagawa, e que Katsushika Hokusai (1760 –1849) imortalizou.

Nem o tema é tão ruidoso como sugere o poema de James Joyce.

Programa definitivo divulgado amanhã.


All Day I Hear the Noise of Waters
All day I hear the noise of waters
Making moan,
Sad as the sea-bird is when, going
Forth alone,
He hears the winds cry to the water's
Monotone.

The grey winds, the cold winds are blowing
Where I go.
I hear the noise of many waters
Far below.
All day, all night, I hear them flowing
To and fro.

domingo, 15 de novembro de 2015

OUTRO SONHO

Filmar os sonhos? A ideia é tentadora, mas não é fácil de concretizar. Nem mesmo de forma figurada... Neste filme - Dreams, de 1990 - de Akira Kurosawa (1910-1998) entramos nos sonhos. E entramos nos quadros e na obra de Van Gogh. O filme não me deixou grandes marcas, mas retenho a cor festiva e o tom irreal da narrativa.

Aqui fica a proposta cinéfila da semana. Numa altura em que a aridez das coisas torna, ainda mais, necessário o sonho. Porque nele realidade e fantasia se confundem.


sábado, 14 de novembro de 2015

BEUR

Selon nos informations, l’un des huit terroristes tués a été identifié comme étant un Français d’une trentaine d’années, connu des services de renseignement, identifié grâce à des traces dans le carnage du Bataclan (Le monde).

Aguardo, com expetativa, as identidades e as conexões dos restantes... O mais provável é que sejam cidadãos franceses. Ou, melhor dizendo, pessoas nascidas em solo francês.

Subúrbio de uma cidade francesa. Já lá estive e ali a Europa é uma miragem...

ESTA NOITE, EM PARIS

Primeiro eram dois mortos, depois dez, mais tarde, vinte, quarenta, sessenta... Há poucos minutos os números passavam os cento e dez. Uma carnificina em plena cidade de Paris. A banalidade iraquiana atinge-nos e deixa de ser banalidade. Gente inocente morreu, sem saber como nem porquê. O terror, antes só em Bagdade ou em Kabul, globaliza-se com displicência. O horror instala-se e tememos que tenha vindo para ficar.

Sinal dos tempos: a intervenção televisiva de um François Hollande aturdido e desanimado foi um péssimo sinal. O que menos se precisa, em momentos de crise, é de um líder fraco e desorientado. Foi isso que me pareceu ver.

Temos tempos terríveis pela frente...


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

JOANA RAMALHO - MÉRITO MUNICIPAL

No próximo dia 20, a Assembleia Municipal irá votar uma proposta enviada pela Câmara de Moura. A intenção é atribuir a medalha de mérito municipal a Joana Ramalho, campeã do mundo em pesca desportiva.

A entrega formal ocorrerá, assim se espera, no próximo mês de dezembro.

Precisamos de dar valor ao que temos. A lógica é essa e é bem simples.


ANALFABETOS E CASMURROS...

Não me daria à maçada de citar o cartaz da JSD, se não fosse a "justificação" dada a propósito do mesmo: “É também importante referir que, ao contrário do que tem sido veiculado por alguns comentadores, a imagem que serve de suporte ao cartaz da JSD é uma manipulação soviética e não o "infeliz uso da capitulação nazi", como bem recorda o Spiegel Online”. É um daqueles casos em que bem podemos dizer que não há limites para a desonestidade intelectual. Refiro-me aos fogosos jotas. O texto do Der Spiegel tem frases como "Khaldei was no great stylist". Dá vontade de escrever "Michael Sontheimer is no great journalist"...Yevgeny Khaldei (1917– 1997) foi um dos grande fotógrafos do século XX, que não contou, azar dele, com a máquina de propaganda que ajudou tantos outros.

A célebre fotografia do Reichstag foi retocada mais tarde, para ocultar o ato de pilhagem de um soldado... Considerar esse detalhe como uma "manipulação soviética" é um feito notável. E que tenta esconder o óbvio: a fotografia de Khaldei é um (o?) símbolo da queda do nazismo. Se não sabem que dizer, ao menos estejam calados...



E AGORA, O VATICANO...

- Next! Qualifications?
- Stampeding cattle.
- That's not much of a crime.
- Through the Vatican!
- Kinky! Sign here.

Não sei se o Virgílio Lopes e o Cláudio Torres se lembraram deste diálogo do filme Blazing Saddles, de Mel Brooks. Eu lembro-me dele, cada vez que ouço a palavra Vaticano. Em todo o caso, as razões são bem mais nobres. Foi no Vaticano que o Campo Arqueológico de Mértola recebeu o prémio das Academias Pontifícias do Vaticano pelo seu trabalho no domínio da arqueologia cristã.

“Apraz-me entregar o prémio das Academias Pontifícias, ex aequo, à associação portuguesa Campo Arqueológico de Mértola pelas campanhas arqueológicas conduzidas nos últimos anos e pelos extraordinários resultados obtidos”, escreveu o Papa Francisco.

Reconstituição do segundo batistério que pode, na verdade, ser o terceiro.

A CASA DE PEDRA

Surpresa vespertina. Passa-se pelas esquinas uma vez e outra e não se repara no que lá está. Andar a pé é melhor... Na esquina da Av. dos Defensores de Chaves com a Avenida Visconde de Valmor está uma casa de pedra. O site chama-se Lisbon Stone Block, nem de propósito. Frestas ao alto, numa certa evocação das seteiras das fortificações. Sobriedade e discrição. Gostei imenso do edifício. Talvez por ser minimalista (uma amiga minha diz que tenho gostos de asceta, coisa em que nunca reparei..., outro amigo diz que tenho hábitos espartanos, vá lá, podia ser pior...). É uma arquitetura que me parece pouco lusitana, e conheço muita gente que nunca aceitaria uma casa onde não se pode "ir à janela". Mas aquela contenção, a qualidade dos materiais e a simplicidade do desenho agradam-me. Aguardo pelo euromilhões de logo para fazer negócio...

No site do arquiteto há um conjunto de ótimas fotografias, da autoria de Nélson Garrido. Vale a pensa ver como se continuam a fazer bons troços de cidade, sem espalhafato. Mas com qualidade.

http://www.lisbonstoneblock.com

http://www.souzaoliveira.pt


A BROCA

Foi há uns anos, no dentista onde vou há mais de três décadas. Estávamos em período pré-eleitoral. Às tantas, o médico, que acabara de colocar a broca em funcionamento, perguntou-me, em tom casual "o Santiago, em que partido vai votar?". Desconfiada e pragmaticamente, respondi "vou no seu". "Não sabe qual é o meu...", tornou o dentista, surpreendido. E eu "o senhor doutor só saberá o meu quando acabar de brocar o dente". Depois de umas gargalhadas, falámos então de política. Tema ao qual voltamos, com regularidade.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

LUANDA

Há 50 anos, marcas lusitanas com as corridas de touros faziam parte da vida de Luanda. Em 1975, Angola tornava-se independente, pondo fim a séculos de escravatura, subjugação e exploração de todos os os seus recursos. O processo de descolonização foi o espelho do colonialismo: erros do passado refletiram-se em novos erros...

Angola é o único dos PALOP onde nunca estive. Pode ser que um dia...


NÃO FOI ASSIM

O "melhor" do dia de ontem foi a futebolização da política, com as claques divididas pela polícia. Os No Name da esquerda e os Juve da direita. A parte engraçada, mesmo engraçada, foi ver tanto beto numa manif - um gesto talvez demasiado operário para o gosto de uma certa e determinada deputada...

No meio disto, e admito que seja uma trágica limitação minha, não percebi a utilidade de qualquer das manifestações. Razão que me levou a ficar pacatamente em Moura, nas minhas funções de alcaide.

Entretanto, o Palácio de Inverno não foi tomado, os bancos não foram nacionalizados, os comissários do povo ainda não foram designados, os chaimites estão nos quartéis, as rádios não emitem música marcial, a televisão ainda não passou o Daktari (esta é quase um quizz: quem se lembra porque estou a citar o Daktari?).

Está tudo calmo. Hoje é dia 11 de novembro. As eleições foram há 38 dias. Não há governo.


TODA A MOURA DESTE MUNDO

O site já tem algum tempo. O autor é cá da terra e chama-se Rui Ferreira. Deve ser por isso que não há muitas partilhas e muitos likes... É uma trabalho notável de divulgação da nossa terra. Muitos dos locais que nos são queridos aparecem aqui em 360º. Podemos ver o que queremos a partir do ângulo que mais nos agrada.

Fui buscar ao trabalho do Rui uma das exposições que mais prazer me deu. A sugestão de pendurar as fotografias ao jeito de um estendal foi minha (e esteve muito longe de merecer concordâncias ou elogios...). "A rua é nossa" foi uma declaração de guerra e um sinal de apropriação. O que tem acontecido na igrejinha é o sinal do evidente sucesso de um projeto.

Mas o melhor mesmo é visitar Moura a 360º.





Ver - http://avenidadasaluquia34.blogspot.pt/2013/10/e-assim-aconteceu-na-esquina-da-rua-da.html

Ver sobretudo - http://www.visitemoura.com