... é o tempo que falta para a corrida de inauguração da temporada, no Campo Pequeno. Lá estarei, porque vai lá estar o Real Grupo de Forcados Amadores de Moura. Uma obrigação para um autarca? Decerto. Mas acima de tudo um prazer, e o orgulho de ter o grupo da minha cidade na primeira praça do País.
domingo, 10 de abril de 2016
UM NOVO MINISTRO DA CULTURA
Banalidade nº 1: Uma pessoa sem cultura não pode ser ministro da cultura.
Banalidade nº 2: Um homem culto não é, necessariamente, um bom ministro da cultura.
Posto isto, a indigitação do poeta e diplomata Luís Filipe Castro Mendes é um assinalável upgrade (passe o palavrão), uma agradável surpresa e, tendo em conta o longo e relevante currículo que detém, uma boa aposta. A Cultura precisa que as coisas deem certo.
Inscrição
Ama silenciosamente o teu destino.
Nem pátria nem palavras memoráveis
farão durar a luz nos teus sentidos:
alguns objectos que te lembrem, poucos livros
e versos que sílaba a sílaba transfiguras
até entardecer cada palavra.
Teces o teu tremor. E sobre a pedra
a marca que ficar será de ausência.
Nem pátria nem palavras memoráveis
farão durar a luz nos teus sentidos:
alguns objectos que te lembrem, poucos livros
e versos que sílaba a sílaba transfiguras
até entardecer cada palavra.
Teces o teu tremor. E sobre a pedra
a marca que ficar será de ausência.
in "Os Amantes Obscuros"
ARTE, RELIGIÃO E MOURA: ANTÓNIO ESPERANÇA
ESCULTURA ANTIGA
Um dos aspetos mais interessantes em muitos autodidatas é a naïveté com que abordam as matérias que
lhes interessam. Isso acontece tanto do ponto de vista temático, como no
tratamento plástico. Um autodidata, se estiver despojado de preconceitos,
consegue resultados verdadeirmente originais. É o caso de António Esperança,
que tem na religião católica (nessa e não noutra) o seu tema central.
Há representações bíblicas, como a Pietà, a par de outras marcadamente locais, como a Nossa Senhora do Carmo. A imagem de Santo António chama também a atenção de
António Esperança, que cria mesmo originalidades iconográficas na Senhora com o Menino, ao representar a
Virgem com um pouco canónico globo na mão.
O talhe na madeira é seco e remete, por vezes, para
representações de outro tempos. Os crucifixos têm laivos da arte medieval, ao
passo que outras esculturas, em especial o S. Francisco de Assis, aponta para a
arte indo-portuguesa setecentista. Uma involuntária viagem no tempo, alheia ao
percurso formativo de António Esperança. Mais interessante se torna, por isso
mesmo.
Continua a igreja do Espírito Santo a acolher acontecimentos
culturais. Para isso foi adquirida, recuperada e colocada ao serviço da
população. A exposição “Estudos de um autodidata: religião” faz parte de um
percurso de permanente valorização do potencial da nossa terra. Que começou, há
uns anos, nos projetos de regeneração urbana e que tem tido continuidade em
várias iniciativas, que dão vida e cor a diferentes zonas da nossa cidade.
Foi este o curto texto que redigi para a introdução ao catálogo da exposição de António Esperança. “Estudos de um autodidata: Religião” estará patente na Galeria do Espírito Santo, de 9 de abril a 31 de maio.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
VIVA GREENAWAY!
Logo eu havia de gostar tanto deste filme. Logo eu, porque os meus amigos me etiquetam de "espartano" ("franciscano", nas versões mais radicais). Logo eu, porque este filme extraordinário evoca tudo menos austeridade. Os livros de Próspero, filme que já aqui passou há mais de quatro anos, é um exercício sofisticado e barroco. Usaria a palavra "luxúria" se não fosse banal. Este filme lembra pouco o que normalmente encontramos nos cinemas. Ainda bem, porque a sétima arte comercial se converteu num prostíbulo de mau gosto...
Peter Greenaway é um cineasta amante de pintura. Ele próprio pinta e é autor instalações. Notam-se esse gosto e essa formação em cada imagem do filme. Eis como a palavra e a poesia se tornam cinema, nesta escolha cinéfila da semana.
Peter Greenaway é um cineasta amante de pintura. Ele próprio pinta e é autor instalações. Notam-se esse gosto e essa formação em cada imagem do filme. Eis como a palavra e a poesia se tornam cinema, nesta escolha cinéfila da semana.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
UMA REUNIÃO DE CÂMARA UM POUCO DIFERENTE
A reunião de câmara de ontem teve lugar em plena Feira do Livro. Uma forma diferente do órgão executivo estar próximo dos eventos culturais. Convidei, em anterior reunião, os vereadores a fazerem uma leitura de textos, e tendo em conta o ambiente de trabalho. Assim aconteceu. Quem leu o quê?
O autor do blogue - um texto próprio.
José Francisco Calado Banha - Ivete Bonito.
José Gonçalo Valente - Sophia de Mello Breyner Andresen.
António Gomes - Manuel Alegre.
Maria do Céu Rato Santamaria Gonçalves - Nuno Lobo Antunes.
Fátima Ourives - Brafma (pseudónimo de um autor local) e Francisco Canudo Sena.
Joaquim Simões - José Carlos Ary dos Santos (leitura acompanhada ao piano).
Uma reunião "fora de tom". Outras haverá.
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UM DIA NA PRESIDÊNCIA - 2ª EDIÇÃO
Mais duas jovens da Escola Secundária de Moura me acompanharam num dia de trabalho. Um dia longo, que para elas terminou na reunião de câmara e para mim só foi dado como acabado à 1:30 de hoje.
Foram quase dez horas de permanente contacto com uma realidade que não conheciam. A ideia surgiu depois de uma aluna da Escola Secundária me ter perguntado como era o quotidiano do presidente da câmara. Melhor que explicar é mostrar.
Foi esta a agenda:
Foram quase dez horas de permanente contacto com uma realidade que não conheciam. A ideia surgiu depois de uma aluna da Escola Secundária me ter perguntado como era o quotidiano do presidente da câmara. Melhor que explicar é mostrar.
Foi esta a agenda:
08:00 – Visita às oficinas municipais.
08:30 – Reunião no Gabinete do Presidente da Câmara (Despacho da correspondência e assinatura de documentos)
09:00 – Reunião de coordenação (vereação).
10:20 – Póvoa de S. Miguel (trabalhos de beneficiação da entrada).
10:50 – Estrela (Centro Náutico).
11:30 – Amareleja (Torre do Relógio e Campo de jogos da EBI).
14:30 – Visita à exposição “Água – património de Moura” (antigo matadouro).
15:00 – Visita às obras do parque de leilão de gado.
15:00 – Visita aos serviços camarários.
16:00 – Reunião com as chefias (finanças, obras e projetos)
17:00 – Reunião de câmara
8:10 - Visita às oficinas.
8:40 - Burocracia e projetos.
9:20 - Reunião com a vereação.
10:30 - Obra na entrada da Póvoa de S. Miguel.
11:00 - Reabilitação da antiga escola primária da Estrela.
11:30 - Explicação do projeto a desenvolver na Torre do Relógio, em Amareleja.
11:50 - Contacto com a população, em Amareleja.
12:15 - Obra do campo de jogos na EBI, em Amareleja.
14:30 - Visita à exposição "Água - património de Moura".
14:45 - Visita à montagem da exposição "Gotas de água".
15:00 - Obra dos arranjos exteriores do Parque de Leilão de Gado.
15:30 - Visita às instalações camarárias.
16:15 - Reunião com as chefias da câmara.
17:00 - Reunião de Câmara.
UM MILHEIRAL VERDE
The earth was green, the sky was blue:
I saw and heard one sunny morn
A skylark hang between the two,
A singing speck above the corn;
I saw and heard one sunny morn
A skylark hang between the two,
A singing speck above the corn;
A stage below, in gay accord,
White butterflies danced on the wing,
And still the singing skylark soared,
And silent sank and soared to sing.
White butterflies danced on the wing,
And still the singing skylark soared,
And silent sank and soared to sing.
The cornfield stretched a tender green
To right and left beside my walks;
I knew he had a nest unseen
Somewhere among the million stalks.
To right and left beside my walks;
I knew he had a nest unseen
Somewhere among the million stalks.
And as I paused to hear his song
While swift the sunny moments slid,
Perhaps his mate sat listening long,
And listened longer than I did.
While swift the sunny moments slid,
Perhaps his mate sat listening long,
And listened longer than I did.
O poema, A green cornfield, é da inglesa Christina Georgina Rossetti (1830–1894). A fotografia é de uma feira agrícola nos Estados Unidos, em 1936.
terça-feira, 5 de abril de 2016
NA TRÓIA
Na Tróia, como se diz aqui no Alentejo. Não em Tróia. Porque "a" tróia é uma armação de pesca. Disse-o o Prof. Jorge de Alarcão, porque é preciso conhecer o português antigo e ser um erudito para se chegar ao que é, afinal, mais que óbvio. Mas só é óbvio depois, como o ovo de Colombo... Nem Helena, nem Aquiles, nem Páris, nem sequer Schliemann.
Sábado foi dia de regresso a esse sítio amado. Uma visita privilegiada, com um regresso à basílica, que é um dos meus monumentos preferidos da nossa Pátria. Com as pinturas e com aquela arquitetura de improviso que previa o que viria a ser a alma portuguesa. A estação arqueológica aguarda por uma merecida reabilitação. Aqui podemos, com toda a propriedade dizer, "noutros sítios isto não estaria assim esquecido".
Ao fim da tarde, e longe da sala-fechada-onde-se-discutiam-coisas, um céu silencioso cobria Tróia. Do azul se passou à chuva, em pouco tempo. O Sado e o Atlântico ficaram depois para trás, à medida que se mergulhava na noite, Alentejo dentro.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS NO CASTELO DE MOURA (lançamento do livro - 9.4.2016)
Recordo-me muito bem do que senti na manhã de 21 de agosto de 1989. Tinha a partir desse dia a responsabilidade de dirigir as escavações arqueológicas no Castelo de Moura. Tinha o infundado receio que não fosse levado muito a sério pela jovem equipa que iria dirigir. Os trabalhos prolongaram-se, nessa primeira campanha, até dia 27 de setembro. A segunda terminaria a 13 de julho de 1990. Entre essa data e 18 de agosto de 2003 cumpri uma longa travessia do deserto. Primeiro, por razões que me foram alheias, mais tarde por opção própria. 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2010, 2011, 2012, 2013 foram anos de intenso trabalho no Castelo de Moura. A arqueologia foi peça fundamental na recuperação do monumento. É provável que o volte a ser em tempos futuros. Oxalá assim seja.
No próximo sábado, dia 9 de abril (às 17 horas), viro mais uma página na minha vida. É publicado o livro Castelo de Moura - escavações arqueológicas (em 2 volumes), em co-autoria com Vanessa Gaspar e com José Gonçalo Valente. A sessão terá lugar na Feira do Livro de Moura, que se realiza no Parque Municipal de Feiras e Exposições. Apresentarão a obra Isabel Cristina Ferreira Fernandes (Gabinete de Estudos da Ordem de Santiago/Câmara Municipal de Palmela) e Paula Amendoeira (Diretora Regional de Cultura do Alentejo).
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PATINAGEM NO GELO
Ao entrar em casa, no outro dia, estavam a transmitir os campeonatos de patinagem artística na televisão. Fiquei a ver durante uns minutos. Nos meus tempos de adolescência, as competições eram, monotonamente, ganhas pelo par soviético Irina Rodnina e Alexander Zaitsev. O penteado de Irina Rodnina fez escola entre as militantes do PCP da década de 70. Zita Seabra foi uma delas. Ainda hoje há, mas cada vezes, quem adote aquela griffe.
Achei graça ao regresso ao passado. Depois desisti. Já não há aquele comentador que explicava tudo - os axel duplos, os loops, os lutzs triplos etc. Mas o que me desapontou mesmo foi já não haver o anúncio das notas, a técnica e a artística, que eram debitadas em direto em várias línguas. Os da minha idade devem lembrar-se disso: fünf komma neun, fünf komma neun, fünf komma sieben, fünf komma acht... Sem esse momento, aquilo perdeu encanto. Mudei de canal.
domingo, 3 de abril de 2016
ENVIRONMENTAL ART, QUANDO ÍA DE BEJA PARA MÉRTOLA
Arte à vista de todos. Nas margens do IP 2, um mar de sinais de trânsito dava cor a uma encosta inóspita. Algo pop. Ou ao estilo da environmental art. Parei por momentos. Os sinais de trânsito podem ser arte? Acho que podem, embora eu não seja crítico de arte. A artista indiana Bharati Kapadia acha que podem e fez o seu Mural for Children's Traffic Training Park, em Mumbai. O francês Pierre Vivant, que montou o Traffic Light Tree, em Londres, também deve pensar o mesmo. Quem sou eu para o dizer o contrário? Só não conheço o autor da instalação no IP 2.
MANHÃ BEJENSE, COM VITÓRIA MOURENSE
Deslocação matinal a Beja. Disputava-se a final da Taça Melo Garrido. Os iniciados do MAC, dirigidos pelo meu amigo José António Oliveira, levaram de vencida o Odemirense (1-1 no tempo regulamentar, decisão nas grandes penalidades). Uma conquista mais que justa. Andei por ali, fiz fotografias, chalaceei, fiz um atendimento (!) e diverti-me imenso.
Os miúdos do MAC festejando o golo do empate. Toda a alegria do momento, numa só imagem.
sábado, 2 de abril de 2016
FEIRA DO LIVRO DE MOURA - E VÃO 36
Começou hoje e vai até dia 10, no Parque Municipal de Feiras e Exposições. Quando a iniciativa arrancou, em 1981, nunca se imaginou, decerto, a dimensão que a Feira do Livro viria a atingir. De uns quantos stands instalados na praça passou-se a um evento com uma organização complexa, que inclui um apreciável conjunto de iniciativas.
Ver programa em: http://www.cm-moura.pt/noticias.php?id=1929
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JUROMENHA
Um sítio antigo e extraordinário. Mesmo sobre o Guadiana e em frente à planura espanhola. Há vestígios da Antiguidade Tardia e restos do amuralhamento islâmico. Impõe-se a tudo isso a fortaleza moderna.
Juromenha corresponde ao sítio medieval de Yulmaniah ou Julmaniah ou, noutra versão, al-Manijah.
Ou seja (repito três vezes):
al-Manijah é Juromenha e não Moura!
al-Manijah é Juromenha e não Moura!
al-Manijah é Juromenha e não Moura!
Posto isto, é certo que nas primeiras décadas do século XIII Juromenha estava no limite setentrional do Gharb. O sufi as-Shaqqaq diria a Ibn Arabi, nessa altura, "je veux me rendre à la frontière, afin d'y combattre les ennemis jusqu'a ma mort". Partiu para a fortificação de Juromenha, situada na fronteira, para continuar a Guerra Santa. Conheço a versão francesa Les soufis d'Andalousie, na tradução de Ralph Austin (Presses Orientales, 1979).
Juromenha numa luminosa manhã de primavera de 2016
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sexta-feira, 1 de abril de 2016
ESTÚDIO C
ESTÚDIO C – 50 ANOS DEPOIS
Passam, ou iriam passar, 50 anos no dia 12 de abril. O
Estúdio C, de Carlos Ferreira, abriu as portas no dia 12 de abril de 1966.
Poucas pessoas tinham máquinas “de tirar retratos”. Os que tinham, e alguns até
iam de férias, passavam depois à do senhor Carlos, para deixarem os rolos para
revelação. Mas a principal clientela do Estúdio C eram os jovens casais, que
iriam casar e ali tinham a garantia de uma reportagem de qualidade. E, bem
entendido, as fotos-tipo-passe de que necessitávamos para o bilhete de
identidade ou para outros documentos.
Guardo imagens impressivas da minha primeira fotografia. A
minha mãe ordenou “vais à do Carlos, pedes 12 fotografias [aquilo era por
atacado] e dizes que eu depois passo lá”. Eu, timidíssimo e mãezeiro, afirmei
“não vou” e bati com o pé no chão. Levei uma nalgada e fui. Claro. O estúdio
tinha uma máquina como eu nunca tinha visto e uns holofotes enormes. “Levanta a
cabeça, endireita os ombros, olha aqui para a minha mão, vá lá um sorrisinho”,
o Carlos com um ar alegre e simpático e eu embezerrado. Um clarão imenso e o
anúncio “já está!”. Fiquei quieto e recordei “ainda faltam 11”. O fotógrafo deu
uma imensa gargalhada e explicou “é só uma, dessa faço cópias”. Fiquei
vexadíssimo.
Ao longo dos anos, Carlos Ferreira, além de construir a
memória de várias gerações deste concelho, foi fazendo um percurso de grande
interesse artístico. Retratos, paisagens, monumentos, o bucolismo da região, os
homens e as mulheres do povo, os ciganos (em especial os ciganos) passaram pela
objetiva deste mourense. Tinha máquinas de qualidade – recordo uma Hasselbald
-, que só o ajudavam a majorar o talento. O tom épico das paisagens ou o
tratamento da luz no estúdio faria inveja a muitos. A mim faz, e eu nem fotógrafo
sou...
Ao longo de cinco décadas, o Estúdio C foi assim. Há
trabalhos que talvez ainda existam, mas cujo paradeiro desconheço. Recordo um,
extraordinário e que me lembrava a arte centro-africana, que decorava uma das
paredes do Clube de Campismo. Lembro-me, como todos nós seguramente nos
lembramos, das montras feitas para as Festas de Nossa Senhora do Carmo.
Momentos únicos, criativos e baseados na inspiração do momento. Um dia
perguntei “você tem registos disso tudo, não tem?”. A resposta foram um sorriso,
um encolher de ombros e a frase “tenho para aí de quatro ou cinco anos, não
mais; as coisas só me interessam no momento”. Fiquei perplexo e pensei nessa
frase muitas vezes. Carlos Ferreira é um homem mediterrânico, um artista
deliberadamente do efémero, daqueles que sabiamente vive os momentos mas não se
preocupa excessivamente em deixar essa marca para o futuro.
O Estúdio C já não existe. Mudou há tempos de mãos e deixou
um vazio na nossa Moura. A Câmara Municipal irá agora elaborar um projeto de recuperação
do arquivo fotográfico. Não irá ser fácil consegui-lo. Vai ser preciso
recuperar negativos, tratar e catalogar o espólio. Vai ser imprescindível
salvar trabalhos de Arte, porque de Arte se trata. Um desafio importante porque
meio século na história da cidade e na vida de todos nós não é coisa pouca. Carlos Ferreira merece esse esforço. Nós
também.
Crónica publicada hoje, em "A Planície". A fotografia data de julho de 2011: a arqueologia foi o tema da montra da festa, nesse ano.
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quinta-feira, 31 de março de 2016
A DERRADEIRA OVAÇÃO A MARCELO CAETANO
No dia 31 de março de 1974 houve Sporting-Benfica. Marcelo Caetano foi assistir ao jogo, acompanhado por Veiga Simão, que era o Ministro da Educação. Vivia-se o rescaldo da intentona de 16 de março. Marcelo foi ovacionado pela multidão. De forma genuína e vibrante. Nota-se, na fotografia, o ar feliz de ambos. Tenho, ao longo dos anos, olhado inúmeras vezes para esta fotografia. O caráter transitório do Poder tem destas coisas e a vontade das massas tem desígnios insondáveis.
Pergunto-me quantos dos que o aplaudiram passaram, três semanas e meia mais tarde, a vaiá-lo num certo dia 25 de abril...
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quarta-feira, 30 de março de 2016
RED HOT RIDING HOOD
Como alguém já notou, tentem lá fazer um filme destes nos nossos dias... No meio do "politicamente correto" isto teria sido banido de imediato. Um capuchinho vermelho a trabalhar num cabaret? Uma avó assim para o tarado? Um lobo mau playboy? Havia de ser...
Tudo isto se deve ao génio de Tex Avery (1908-1980), que realizou este Red hot riding hood em 1943. É um dos muitos filmes que trouxe de França, entre 2000 e 2004, ao Manuel e à Luísa. Fraca compensação para tão prolongadas ausências. Mas os moços ficaram fãs das loucuras de Tex Avery. Nenhum é tão droopyano como eu, mas as coisas são assim mesmo. Nesta versão quente do capuchinho vermelho estão lá todos os recursos de slapstick que celebrizaram o grande cineasta americano.
Versão sem legendas, mas o essencial dispensa palavras, nesta escolha cinéfila da semana:
Tudo isto se deve ao génio de Tex Avery (1908-1980), que realizou este Red hot riding hood em 1943. É um dos muitos filmes que trouxe de França, entre 2000 e 2004, ao Manuel e à Luísa. Fraca compensação para tão prolongadas ausências. Mas os moços ficaram fãs das loucuras de Tex Avery. Nenhum é tão droopyano como eu, mas as coisas são assim mesmo. Nesta versão quente do capuchinho vermelho estão lá todos os recursos de slapstick que celebrizaram o grande cineasta americano.
Versão sem legendas, mas o essencial dispensa palavras, nesta escolha cinéfila da semana:
TURISMO PASCAL
Visitantes nos dias da Páscoa, registados no Posto de Turismo, em Moura:
168 - Sexta
202 - Sábado
167 - Domingo
Ou seja, um total de 537 em três dias. Contra factos não há argumentos. Ninguém visitaria esta cidade se não houvesse nada para ver. E há. Não haveria, bem entendido, se tivéssemos seguido conselhos errados. Ainda hei-de ver alguns mais descarados a reclamarem a paternidade dos projetos de reabilitação...
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