quinta-feira, 31 de julho de 2025

ARGEL - MEDERSA

Ao olhar esta estampa - em Mértola, está sempre á minha frente -, comprada em Argel há cerca de 20 anos, não pude deixar de penar nos "jogos de compensações" do(s) colonialismo(s). Este medersa revivalista é obra do final do século XIX/início do século XX e foi assinada por uma arquiteto francês. Seis décadas volvidas, "je vous ai compris" e a Argélia era independente.

A palavra medersa é uma adaptação de madrasa, escola corânica. De onde resultou a pouco simpática palavra madraço = preguiçoso. Aos que se dedicam ao estudo aplicam-se (quase) sempre palavras pouco simpáticas...


quarta-feira, 30 de julho de 2025

MATADOURO DE MOURA, DEZ ANOS DEPOIS

Faz hoje 10 anos. Abriu ao público a exposição "Água - património de Moura".

Um momento marcante no mandato 2013/2017. Foi uma das muitas iniciativas que então tiveram lugar. Sobre a exposição em si já disse o que havia a dizer. Sublinho sempre que tive o enorme prazer de liderar a equipa que tornou isto possível.

terça-feira, 29 de julho de 2025

HAÏDRA...

Ao escrever, há dias, sobre a Antiguidade Tardia, não pude deixar de me lembrar da mais improvável de todas as minhas viagens: a Haïdra, na fronteira tunisino-argelina, na primavera de 2002. Uma viagem com direito a "interrogatório" policial, em plena estrada, a que se seguiu uma improvisada escolta, seguida de um almoço num restaurante numa rua deserta, batida pela vento, como nos westerns. E depois a longa passagem pelas ruínas. Foi um dos sítios onde a arqueologia se me tornou impossível. Espero um dia escrever sobre isso e explicar porquê.

Queria tanto voltar a Haïdra...

segunda-feira, 28 de julho de 2025

NACIONAL 265

Tenho três furos no meu currículo. Todos na Nacional 265. Deve ser derivado ao magnífico estado do pavimento... Tive de lá passar quatro vezes na última semana. É um caminho de cabras em versão plus.

A fotografia do google maps é de abril de 2024 e é muito lisonjeira.

Depois venham cá falar na valorização do interior...

domingo, 27 de julho de 2025

À MANEIRA ÁRABE, ISTO É, DE FORMA SELVAGEM E ILEGAL

António Araújo escreveu, para o "Público" de hoje o obituário de um terrorista chamado Moshe Zar. O texto revela uma mal disfarçada admiração para com a criatura agora desaparecida. A parágrafos tantos leio esta frase espantosa:

Moshe Zar, a quem apelidaram de “Rei das Colinas”, foi um dos pioneiros desse movimento, em que a esmagadora maioria das construções foi e é feita à maneira árabe, isto é, de forma selvagem e ilegal, prescindindo de licenças e autorizações camarárias. [o sublinhado é meu].

Não vale a pena sequer comentar ou qualificar tal afirmação. Há frases que se definem por si mesmas e que se qualificam por is próprias. E é tão bom olhar o mundo lá do alto, a partir dos tapetes fofos dos complexo de superioridade...

sábado, 26 de julho de 2025

HOMENAGEM A ANTÓNIO BORGES COELHO

Tardiamente se dá nota desta magnífica iniciativa. Não fui à sessão de homenagem (festa da padroeira oblige...), mas participei, com todo o gosto, no livro dedicado a António Borges Coelho. Uma figura de referência obrigatória na nossa historiografia. Há um antes e um depois dele.

Com quase 97 anos continua a ser recordado por todos nós. E muito bem e com toda a justiça.


sexta-feira, 25 de julho de 2025

THE HUMAN FAMILY

Agora já está disponível a versão em inglês. "The Human Family" é um trabalho de Jorge Calado para a Camara Municipal de Vila Franca de Xira. A minha fotografia é a da esquerda. Uma imagem de Palmyra (Síria), no já distante outono de 2003.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

EXPOSITION 1937

Ouvi falar deste catálogo há meses. Consegui localizar um exemplar numa livraria na Rue Bonaparte, em Paris. O registo da exposição universal de Paris de 1937 conta com seis dezenas de trabalhos de um Pierre Verger (1902-1996) que se iniciara na fotografia poucos anos antes.

A recriação de outros mundos deu lugar, em Paris, a recantos como este (a "Tunísia" junto ao Sena). A outros exotismos se dedicaria depois Verger.

O livro já está em Mértola.


quarta-feira, 23 de julho de 2025

ALEA JACTA EST

Dia de usar a wikipedia. Por causa desta simples frase. E o Rubicao até é um rio pequeno vejam bem...

Alea iacta est ("The die is cast") is a variation of a Latin phrase (iacta alea est attributed by Suetonius to Julius Caesar on 10 January 49 BC, as he led his army across the Rubicon river in Northern Italy, in defiance of the Roman Senate and beginning a long civil war against Pompey and the Optimates. The phrase is often used to indicate events that have passed a point of no return.

Caesar probably borrowed the phrase from Menander, the famous Greek writer of comedies, as the phrase appeared in Menander's lost play Arrephoros ('The Bearer of Ritual Objects'), and Caesar was known to have considered him a great playwright. Plutarch reports that Caesar quoted these words in Greek:

Ἑλληνιστὶ πρὸς τοὺς παρόντας ἐκβοήσας, «Ἀνερρίφθω κύβος», [anerrhī́phthō kýbosδιεβίβαζε τὸν στρατόν.

He [Caesar] declared in Greek with loud voice to those who were present "Let a die be cast" and led the army across.

— Plutarch, Life of Pompey, 60.2.9

terça-feira, 22 de julho de 2025

MÁSCARA N°. 28: MOURA

Um móvel de casa de banho pode ter "cara de gente"?

Então não pode?

Série em continuação.


segunda-feira, 21 de julho de 2025

LXXIII - CRÓNICAS OLISIPONENSES: ERVA, ESSA MARCA DESCONHECIDA

Pequena peça teatral, numa bomba de gasolina lisboeta:

Personagem 1 (vendedora de cigarros eletrónicos) para o personagem 2 (cliente):

- Fuma?

Personagem 2 (para despachar):

- Não, não fumo.

Personagem 1 para personagem 3 (outro cliente, com ar um pouco alternativo):

- Fuma?

Personagem 3:

- Não fumo cigarros, só fumo erva.

Personagem 1:

- Erva? Não conheço [fica-se com a ideia que ela pensava que era uma marca de cigarros...]

Personagem 3 [em tom pedagógico]:

- É uma planta.

A personagem 1 desiste de fazer negócio e procura novos clientes.

Fim de cena. Cai o pano.

Foi o momento yá, meu do dia.


domingo, 20 de julho de 2025

FESTA 56

Foi a festa 56, desde que este modelo foi posto em prática. Falhei três, duas por razões profissionais (1993 e 1997) a outra porque houve o covid (2020).

A Festa aconteceu e foi ótima. Os dias parecem-me sempre curtos...

sábado, 19 de julho de 2025

FOGO

Há livros assim , íntimos e cheios de boas ideias, de boas palavras e de bons desejos. As palavras de Cristina Cordeiro e os desenhos de Ivone Ralha são magníficos. A edição é pequena e para distribuir por amigos. Temos o exemplar nº. 34.

E uma edição alargada, não?


sexta-feira, 18 de julho de 2025

CINEMA

Há muitos anos falaram-me neste livro. Que data do início da década de 60. Há mais de 60 anos, portanto. Não é só a queda do número de espetadores, hoje atraídos por outro tipo de oferta (mea culpa...). É também a menor importância do cinema enquanto Arte (a sétima) e, passe a expressão, o chavascal em que a ida ao cinema se tornou, entre as hediondas pipocas e os refrigerantes. Resta-nos o NIMAS e a Cinemateca. Dois oásis que vão sobrevivendo.

Nunca li o livro de John Spraos. Mas tenho agora vontade de o fazer.


quinta-feira, 17 de julho de 2025

FESTA NA FESTA

Embora continue a "estranhar" uma corrida no sábado à noite - a tradição sempre foi no domingo - esta é uma parte firme nas Festas de Moura. Não consigo precisar quando terei assistido à primeira noturna num domingo de Festa. Arriscaria dizer que entre 1970 e 1972. Um dos cavaleiros era, isso estou certo, o alentejano José Maldonado Cortes (n. 1938).

Sábado lá estarei.


quarta-feira, 16 de julho de 2025

FESTA 2025

As festas da padroeira da minha terra começam hoje. Hoje é dia de Nossa Senhora do Carmo. O rumo a partir do final da semana está traçado.

Fazendo contas assim largas só em entre 2025 e 2028 é que terei "limitações de tempo", em estar ou não estar... Isto passa/passou depressa.

LOURES

O autarca socialista de Loures encostou aos fachos. Foi, aliás, mais longe do que eles. Um dia de ignomínia e de vergonha. Para quem a tem.

O tema da habitação é um problema central nos nossos dias. É preciso decisão política. Ação determinada e coragem. Ou querem voltar aos anos 60?


terça-feira, 15 de julho de 2025

SIM, MAS...

Jorge Calado, num recente artigo, no "Expresso", diz que a exposição fotográfica "Venham mais cinco" é a mais importante realizada nas últimas cinco décadas, em Portugal. Fala quem sabe, mas Jorge Calado "esquece" a exposição que ele próprio organizou para o CCB, em 1998, e onde havia uma coleção de centenas de fotografias, com a água em todos os seus estados. Uma seleção assombrosa, que revelava conhecimento profundo do que tinha sido produzido por esse mundo fora. Podia também juntar-se-lhe "Ofertório", a antológica de José Manuel Rodrigues, em 1999, na Culturgest. Três momentos marcantes, sem dúvida.

Socorro-me da informação presente em: https://fasciniodafotografia.com/2018/08/01/jorge-calado-a-prova-de-agua-waterproof-1999-2/ para completar este texto.

A exposição ocupou todo o piso superior do Centro Cultural de Belém entre 27 de fevereiro e 31 de maio de 1998, no âmbito da programação paralela da EXPO'98.


segunda-feira, 14 de julho de 2025

ANTÓNIO FILIPE

O candidato em quem irei votar. Ponto.

Os da comunicação social submissa (que é quase toda, aí 99%), algum defeito lhe encontrarão.

POR UM PANTEÃO POPULAR

Ontem foi a vez da excelente Banda de Música de Freixo de Espada à Cinta, terra natal de Guerra Junqueiro, marcar presença no Panteão Nacional. Uma iniciativa destinada a aproximar outros públicos do monumento. Com bons resultados, a avaliar pelo arranque: 150 pessoas no público e o apoio entusiástico da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta dão alento para o próximo ano. Haverá mais dois concertos de "Panteão Popular".

domingo, 13 de julho de 2025

AAAAasaaaiiii, GAZA

Quando Cláudia Semedo referiu, na sessão do Prémio Gulbenkian para Humanidade, no dia 9,  o sofrimento dos palestinainos em Gaza um senhor BCBG atrás de mim suspirou aaaiiii. Um aaaiiii de desalento ("logo agora que isto estava correr tão bem e vem esta senhora lembrar desgraças...").

Pois aaaiiii.

Pois aaaiiii, pelo governo genocida de Israel.

Pois aaaiiii, pela desumanidade, logo no dia em que Humanidade era o tema.

Pois aaaiiii, pela atitude militantemente envergonhada do governo português, ante a situação na Palestina.

Pois aaaiiii, meu caro senhor, sempre de ar trombudo e sem aplaudir os miúdos da Orquestra Geração.

Pois aaaiiii, mesmo.


OS LUSÍADAS, EM MOURA

Tinha de copiar um texto, para uma publicação em curso, num projeto em curso há décadas e que deverá estar concluído em 2026.

Cada "copista" tem de assinar e colocar data e local. "Pode ser Moura?", perguntei ao coordenador da obra. Claro que podia, num livro onde 98 ou 99% dos sítios "são Lisboa". Moura on my mind, cantarolei para mim mesmo...

sábado, 12 de julho de 2025

MIGUEL BENTO (1963-2025)

Pois é... Agora foi o Miguel...

E estas palavras, que há uns tempos sabia que tinha de escrever, são das mais amargas em 17 anos de blogue.

Conhecemo-nos em 1983 e ficámos amigos desde então. O Miguel estava nos tempos "tempos livres" e vinha todos os dias de Alcaria Ruiva, numa Casal. Encostava a motoreta à vedação do campo arqueológico e começava o dia. O Cláudio destinou-nos a mesma quadrícula. Falávamos sei lá do quê todo o santo dia. Mas recordo claramente da aprendizagem que aqueles dias foram para mim, com um moço da mesma idade e cujo curso de vida pouco tinha a ver com o meu. O sempre arguto e inteligente Cláudio ensinava-nos coisas da vida, sem a formalidade das aulas. 

Fomos depois colegas na Câmara de Mértola. Viria ele mais tarde, no virar do século a ser vereador da autarquia. Inteligente e persistente, Miguel Bento doutorou-se em 2016 e continuou a sua carreira docente no Politécnico de Beja.

Se há vida de combate e de luta, em todos os sentidos, foi a do Miguel. Pontuou sempre esse combate com uma característica bonomia e com uma calma que nunca lhe vi perder. 

Fomos, ao longo da vida, mantendo contacto permanente e assíduo. Fiz questão de ir visitá-lo no último festival islâmico, para lhe oferecer o meu último livrinho. Saí da lá com um mau pressentimento. Ainda falámos ao telefone um par de vezes: como sempre Mértola, a política, os amigos e outros temas pessoais que não vêm ao caso. Ontem recebi o telefonema que esperava. Hoje vou acompanhá-lo pela vez derradeira. Deixo de ter o convívio de um dos meus melhores. Há quatro ou cinco dos que já partiram que a memória me evoca com regularidade. Junta-se-lhes agora o Miguel Bento.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

BAGHDAD, MUITO AO LONGE

Numa sessão ontem realizada, na Gulbenkian, o Prof. António Feijó, Presidente da Fundação, referiu a construção, em meados da década, de dois importantes edifícios em Baghdad. Era uma forma de manter ligações com o Iraque. Assim se financiaram o Centro de Artes (projeto de Jorge Sottomayor d'Almeida) e o Estádio Nacional (projeto de Carlos Ramos e de Francisco Keil do Amaral). Tive curiosidade de perceber o que se tinha passado. O primeiro é hoje o Museu Nacional de Arte Moderna e parece, exteriormente, meio "abarracado". De acordo com um site que consultei está meio desativado. O estádio passou por várias renovações, mas a traça original é ainda bem reconhecível.





O CONDE D'AGUILAR

Momento onírico-mágico...
No outro dia sonhei que estava  assistir a um espetáculo de magia do Conde de Aguilar. Há condes de Aguilar em Espanha, mas este ilusionista não era conde. Chamava-se Saul Fernandes de Aguilar (1909-1988) e teve grande notoriedade nas décadas de 40, 50 e 60. Vi-o atuar numa feira em Moura (1970 ou 1971) e todo aquele estilo e cerimonial me causou viva impressão. O Conde d'Aguilar atuava com um ar distante e sobranceiro (ou se é conde ou não se é, que diabo...), fazendo os truques mais improváveis.

Esperei que aparecesse na feira de setembro seguinte, mas não... Aquela vez foi a única, para mim.


Homenagem ao Conde de Aguilar, ilusionista

conde da guarda
conde da foz
conde de foulques de maillé
conde da folgosa
conde de fijó
conde da ervideira
conde de castro marim
conde castro
conde de castelo mendo
conde de castelo melhor
conde de castelo branco
conde de casteja
conde de carnide
conde de caminha
conde de cabral
conde de botelho
conde da borralha
conde do bonfim
conde de bonfils
 conde de bobone
conde de belmonte
conde de barcelona
conde da barca
conde da bahia
conde da azarujinha
conde de avilez
conde de ávila e bolama
conde dos arcos
conda das antas
conde do ameal
conde de alvor
conde de alvellos
conde do alto-mearim
conde de almeida araújo
conde de almarjão
conde de almada
conde das alcáçovas
conde de albuquerque
)conde de aguilar(
conde de águeda

Alexandre O'Neill (1979)

quarta-feira, 9 de julho de 2025

A ESTUPIDEZ, EM TODO O SEU ESPLENDOR

O vídeo está no twitter de volksvargas. É uma entrevista de uma neo-facha à Rádio Observador. A estupidez já está no limiar do Poder.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

FILHOS DE TUGA

Cheguei a casa e liguei a televisão para ver esta série documental. E levei um belo murro no estômago. Estes são os filhos sem pai que foram deixados para trás. E que sofreram uma dupla discriminação. Um deles, de pele bastante escura, era acusado pelos seus de não ser suficientemente negro. Estes sao aqueles que ficaram num limbo, nem num lado nem do outro.

Numa altura em que quase se sente a tentação de um novo luso-tropicalismo (ouçam-se os hipócritas discursos de responsáveis políticos...) ver trabalhos como este leva-nos ao outro lado da História.

Verei o que falta deste belo trabalho de Catarina Gomes. Antes que me esqueça, esta é a diferença entre haver serviço público e não haver.

domingo, 6 de julho de 2025

VENHAM MAIS CINCO

Uma exposição poderosa, em todos os sentidos. "Venham mais cinco", organizada por Sérgio Tréfaut (um magnífico trabalho de recolha e de ordeanemtno de materiais), mostra Portugal na visão dos fotógrafos estrangeiros, nos meses que mudaram um País. Uma autentica parada de estrelas da reportagem. Muitos na altura ainda não o eram, mas tiraram todo o partido de situações únicas. Algumas delas de tom pícaro.

Olhamos as imagens e ouvimos os sons e o rumor da multidão. Sobretudo, sentimos uma esperança que, 50 anos volvidos, de alguma forma se esfumou. Mas aquele País, felizmente, já não volta,

Até dia 24 de agosto, em Almada: https://www.cm-almada.pt/exposicao-venham-mais-cinco

Veja-se esta imagem, plena de ingenuidade, de Jean-Paul Miroglio:

sábado, 5 de julho de 2025

CABO VERDE: 50 ANOS

Um pouco surpreendido pelo convite da embaixada fui, com todo o gosto, à festa dos 50 anos de Cabo Verde. Um jantar com dois ou três encontros completamente inesperados. E com o particular prazer de ter oferecido a um descontraído PM Correia e Silva o folheto do Panteão Nacional em língua caboverdiana. Ficou verdadeiramente surpreendido e, melhor ainda, manifestamente agradado. "Obrigou" mesmo os companheiros da sua mesa a tomarem conhecimento do que lhe tinha sido dado.

Viva Cabo Verde, nos seus 50 anos!

Nota final: desta vez, a gravata está direita, mas o pin está fora do sítio. Algum dia, acertarei.


sexta-feira, 4 de julho de 2025

GERACANTE (25)

25 porque é a vigésima quinta iniciativa - entre coisas mais formais e menos formais - que tem lugar no Panteão Nacional neste ano de 2025. É sempre um prazer receber a Orquestra Geração e os grupos corais infantis (neste caso Moura e Ourique). A partir das 18h.

Depois há concertos nos dias 6, 13 e 16. Depois isto acalma um pouco até setembro. Mas há Lawrence Weiner (instalação) e há Pedro Inácio (fotografia)



ADEL SIDARUS

Sessão de homenagem, na Biblioteca Nacional, a Adel Sidarus. O seu nome gera, por boas razões, amplo consenso. Foi por isso que me juntei, na passada segunda-feira, a um numeroso grupo de colegas, amigos, admiradores do Adel numa tarde de recordações.

Não estava prevista intervenção minha, mas o Fabrizio Boscaglia teve a simpatia de me convidar a abrir a segunda parte dos trabalhos. Disse, com toda a sinceridade, o que ia/vai na alma. Fiquei contente com essa inesperada participação e, sobretudo, por lá ter estado a assistir.

terça-feira, 1 de julho de 2025

A RIUIS ANATIS FLUMINIS EXTREMUM MUNDI UIDERI POTEST

Moura é um exemplo interessante para o estudo da arquitetura militar medieval e moderna. Não que qualquer das suas fortalezas seja excecional, em termos de qualidade do que foi edificado. Não é esse o caso. Mas dão pistas interessantes para a compreensão do sítio e para a sua leitura topográfica.

 

Para uma fortificação medieval do mundo mediterrânico Moura parece um modelo perfeito. Ocupa o topo de um cerro (o do castelo, que ainda por cima tem nascentes no seu interior), está entre dois cursos de água (o Brenhas e o da Roda, hoje quase todo “encanado”), tem terras férteis à sua volta e tem uma linha de muralhas de difícil acesso.

 

A força do sítio medieval de pouco lhe serviu depois do século XVI. Chegou, literalmente em força, a artilharia. Uma realidade que a Idade Média não conhecia, desta forma. Qualquer canhão situado nos espaço em volta do castelo – na zona da Porta Nova, por exemplo ou, muito em particular, no alto da Salúquia – fazia facilmente “tiro ao alvo” em direção ao castelo. Encontrámos, nas escavações realizadas em 2003, vestígios de um desses bombardeamentos, com restos de projéteis por entre os escombros das ruínas. Foi essa fragilidade que levou à construção de uma estrutura militar, hoje desparecida, na Salúquia (ficou o nome, na Rua do Forte).

 

Depois da Restauração houve a necessidade de proteger Moura com novos amuralhamentos. A chamada muralha nova, de que sobrevivem alguns troços (Muralha Nova, Boavista, Santa Catarina, Jardim etc.), foi sendo construída, na segunda metade do século XVII, a partir de um desenho ideal de Nicolau de Langres (que nunca foi executado na íntegra). Muitas casas foram demolidas, para dar lugar à edificação de um sistema defensivo razoavelmente complexo. Adaptada ao terreno, e às urbanizações que já existiam, a muralha de Moura não tem o rigor geométrico de outras. Foi, ao longo dos anos, sofrendo várias destruições. Uma das mais importantes ocorreu em 1707, quando a cidade foi cercada pelo Duque de Osuna. Vários pontos das muralhas, medievais e modernas, foram destruídos. Salvou-se a torre de menagem, porque as freiras do convento do castelo imploraram que não fosse destruída, por poder tombar para cima do local onde viviam as freiras. O torreão virado ao Convento do Carmo escapou por pouco. Recordo um excerto das Memórias Paroquiais de 1758: “para a parte do Carmo tem outra grande torre o castello. E levantando-se no ar metade da torre com as minas que lhe fizerão, cahio sobre a metade que tinha ficado fixa, couza que este povo atribuhe a prodigio da imperatriz do Carmo, porque cahindo fora do muro deyxaria o convento todo arrazado” (…)”. Deverá também datar dessa época a célebre “brecha do jardim”, nome hoje em desuso, mas que faz parte do passado de muitos de nós. A ruína parcial que a igreja de S. João Batista sofreu, em 1708, foi, certamente, um “efeito colateral” dos bombardeamentos e das minagens que o poderoso chefe militar espanhol promoveu.

 

Alguns destes tópicos já foram tema para publicações. Outros serão ponto de partida para trabalhos futuros. A riuis Anatis fluminis extremum mundi uideri potest? Das margens do Guadiana vê-se o resto do mundo? Certamente que sim. Desde que se consiga ver. E se queira ver.


Crónica em "A Planície".



Moura, no desenho de Nicolau de Langres (1657)