quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

UM CONCERTO DIFERENTE, PARA COMEÇAR O ANO

Dia 4 de janeiro, às 18h.

Nem polkas, nem valsas, nem minuetos, nem marchas. Nem os Strauss, nem Joseph Lanner, nem Franz von Suppé.

O quê então? Kora e balafon, os sons da África Ocidental, com Kimi Djabaté e Iaia Galissa. Um começo diferente, a dar o tom.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

DE 25 EM 25 TERMINA O ANO...

O 51º aniversário do 25 de abril foi uma torrente popular.

O 50º aniversário da outra data foi uma praça vazia.

Está aí a diferença.



A MAIS COMPLETA INCOMPETÊNCIA

Ante públicas denúncias sobre o estado de ruína do Convento do Carmo, já começou a choradeira sobre as culpas do Poder Central (e esperem que ainda vai sobrar para a CDU e para 2017 e para mim e para sabe-se lá mais o quê...) e sobre a tristeza e a amargura etc.

Muito claramente, sobre esta matéria, recordo o que já escrevi e reafirmo:

Desde outubro de 2017, com o PS à frente da Câmara, o processo do Convento do Carmo tem sido um desvarioFoi desenvolvido um projeto para um hotel de cinco estrelas, que previa a construção de anexos e obras profundas no subsolo. Ao tomar conhecimento do projeto, pensei “isto vai dar problemas”. Porquê? Porque espaços ligados a conventos têm sempre cemitérios, normalmente com muitas centenas de corpos. Estes trabalhos arqueológicos são, por norma, demorados e caros. Antes de se avançar para um projeto desta dimensão conviria olhar o terreno, estudar as suas condições específicas, consultar os técnicos e só depois decidir. Fez-se o contrário.

A culpa não é da arqueologia nem dos arqueólogos. A culpa é de um executivo camarário (presidente e vereadores PS) sem preparação nem conhecimentos. A impreparação custa cara.


Depois de tantos anos envolvido na reabilitação urbana de Moura, tudo isto me causa uma pena imensa. Ainda por cima, com a convicção que com outra equipa à frente da Câmara teria havido trabalho e resultados. Tal como aconteceu no passado. Com menos folclore, menos Domingão, mas mais concretizações.


Portanto:

A culpa não é dos arqueólogos;

A culpa não é dos técnicos;

A culpa não é do Departamento Técnico;

A culpa não é do(s) governo(s);

A responsabilidade total deste imbróglio é da mais absoluta incompetência das equipas autárquicas do PS que, desde 2017, estão à frente do nosso concelho.


Um certeza. Com uma Câmara CDU (fosse o presidente o André, o José ou o Santiago) isto não aconteceria. Tenho provas do que digo. Ponto.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

TOMARA QUE CHOVA

"Atrás de nós os assentos de betão iam-se enchendo compactamente. à frente, para lá da trincheira, a areia da arena estava cilindrada a preceito, muito amarela. Parecia um pouco empapada pela chuva, mas estava seca ao sol e firme e lisa".

Este excerto, e as páginas que se lhe seguem, são, verdadeiramente, a parte de gosto do "O sol nasce sempre" (1926), de E. Hemingway (1899-1961). O resto do livro soa-me bastante irritante.

Falámos de Hemingway ontem à noite, por causa dos touros, da boémia e de Cuba. Quando regressei a casa, com um novo guarda-chuva na mão, só pensei "tomara que chova".


domingo, 28 de dezembro de 2025

KEN LOACH SOBRE "THE OLD OAK" (e algo mais)

O extraordinário Ken Loach (n. 1936), o homem de quem Cannes gosta, dá uma entrevista onde explica e perspetiva coisas importantes. Aquilo, o seu derradeiro filme, podia ser cá.

sábado, 27 de dezembro de 2025

O LADO DE DENTRO

O cenário é "antigo". O google maps mostra esta casa assim, já em agosto de 2022. Eram 17:00 em ponto do dia 23 quando esta ruína, na Rua Capitão Leitão, na Parede, me chamou a atenção. Sempre tive um especial fascínio por casas abandonadas, por interiores-fachada-às-avessas e por sítios que outrora tiveram vida e foram sítios animados. E fica sempre a pergunta: "o que terá acontecido?". Já um dia visto, uma casa onde vivi.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

HUMOR NEGRO E BATAS BRANCAS

Pantanas é a palavra certa para definir o que se vive na Saúde. Algo vai muito mal num País em que as urgências são tema recorrente nas notícias. Cada dia há um coelho tirado da cartola: inteligência artificial, telecoisas, reformas e mais reformas, reprogramações, novidades no INEM, ambulâncias entregues aos privados, etc.

Soluções e progressos é que nem por isso... Valha-nos Claude Serre (1938-1998), que era genial.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

E AGORA... algo nunca visto...

Feliz Natal a todos os leitores do Salúquia, 34.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

QUASE NATAL

Ocasião para recordar esta obra de Diego Rivera (1886-1957).

Simbolismo, tradição e fé. Há obras (Rivera) e sítios (México) onde toda a criatividade é possível. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

A POESIA ATACA

No filme "Marte ataca" os extraterrestres explodiam quando ouviam música.

Parece que a poesia "faz mal" à Inteligência Artificial. A pessoa com pouca da natural sei que faz...

Mesmo que isto (cf. infra) não seja bem verdade é bonito de ler.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

O HOBBY DOGGING OU QUANDO EU ERA EUSÉBIO...

Aquela cena marada de andar a passear cãezinhos imaginários fez-me recuar a 1970 ou 1971. Tinha uns 7 anos e aprendera a ler relativamente depressa. A narrativas épicas do Jornal do Benfica (o primeiro jornal que li) levavam-se a recriar os jogos europeus numa partida a solo. Ou seja, eu era o Benfica e o Real Madrid em simultâneo. Ou seja, eu era 22 jogadores... E jogava sozinho, para trás e para a frente, em desarmes temerários, em passes infalíveis e em golos espetaculares, marcados por Eusébio.

Um dia, no meio de uma animada partida, reparei que os homens que carregavam o bagaço da azeitona, na Sociedade dos Azeites, riam daquele bailado solitário. Envergonhado, abandonei o terreno de jogo. Assim terminou, aos 7 anos, o que podia ter sido uma carreira promissora.

Ah, mas se me virem agora passear algum cãozinho imaginário ou fulminar Junquera com um indefensável remate, podem internar-me sff.



domingo, 21 de dezembro de 2025

OUÇA, 'TOU QUASE A SER DEFENESTRADO...

A conversa teve lugar há dias.

A senhora com quem falava manifestava o seu desapontamento. Não se revia em nenhum dos candidatos à Presidência da República. Embora, com o correr da conversa, tenha ficado com a ideia que ela tinha claras simpatias por um deles.

Disse-lhe, e acho mesmo!, que um deles tem perfil para ser Presidente. E que sou mandatário, no distrito de Beja, de um candidato. Olhou-me e perguntou "qual? Cotrim de Figueiredo?". Fiquei intrigado. Não tenho ar de "tio", não uso mocassins com berloques e o meu accent não é mesmo nada upper class. Desfiz o equívoco, explicando que é mesmo o António Filipe.

sábado, 20 de dezembro de 2025

UNITED COLORS OF PANTEÃO

Assim se encerra a programação de "um ano complexo". Foram dezenas de iniciativas (concertos, poesia, livros, exposições, lançamento de novos conteúdos...). Que remataram ontem à noite, com um concerto do Saint Dominic's Gospel Choir. Lotação esgotada para um grande momento musical.

A Lisboa Cultura decidiu propor-nos que o ciclo de concertos de Natal tivesse lugar no Panteao Nacional. Proposta aceite e ideia que suscitou entusiasmo na equipa. 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

A MÁQUINA DO MUNDO

Um momento extraordinário e uma das excelentes surpresas do ano. Na (creio que não muito  conhecida) Casa do Parlamento está uma exposição / instalação sonora de Daniel Schvetz. A Máquina do Mundo, Ptolomeu, Camões, sons gravados no cosmos pela NASA e as composições originais do próprio Daniel Schvetz, tudo devidamente enquadrado com um pouco de História da Ciência. Uma conceção originalíssima e de grande efeito.

À saída, e antes de entrar para o 773 e continuar o dia - que está a ser intenso - liguei ao Daniel para o felicitar e para lhe dizer "pois é, com a cúpula e os círculos e os sons, e Camões, isto tem mesmo de ir para o Panteao".

2026 começa a estar curto...

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, FERNANDO ALEXANDRE

Ao ouvir, há pouco, o Ministro da Educação, lembrei-me de dois textos:

OS POBREZINHOS

Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

- O que é que o menino quer, esta gente é assim

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis".

Esta é uma genial crónica de António Lobo Antunes.

Mas há também ricos:
Foi uma noite adorável. Partiram o grand piano de Mr. Austen, esmagaram os charutos de Lord Rending na sua carpete, partiram as suas porcelanas, rasgaram os lençóis de Mr. Partridge, atiraram o Matisse para dentro de um jarro, de Mr. Sanders não tinham nada para partir a não ser as janelas, mas encontraram o original no qual ele tinha estado a trabalhar para o Newdigate Prize Poem, e divertiram-se muito com o facto de Sir Alastair Digby-Vaine-Trumpington se ter sentido mal com a excitação, e ter sido levado para a cama por Lumsden of Strathdrummond. Eram onze e meia. Em breve, a noite terminaria. Mas ainda haveria tempo para uma partida.

Este ambiente de festiva destruição não é de nenhuma residência universitária onde vivem "os mais desfavorecidos", a que, pitorescamente, se referiu o Ministro da Educação. Vale a pena ler o ambiente, dos meninos ricos em Oxford, bastante posh, descrito por Evelyn Waugh na sátira "Decline and fall" (a "tradução" é minha, por não ter à mão nenhum exemplar em língua portuguesa).

O livro é uma sátira, as declarações do senhor ministro são uma tragédia.

A DESCOBERTA

Esta obra de Kiluanji Kia Henda (n. 1979) data de 2007. Retomo-a na altura em que o tema Museu dos Descobrimentos volta a emergir. Mas não irá avançar, decerto. Nós, aqui na Lusitânia somos ótimos palrar e a debater mas muito menos ótimos a decidir...



segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

CASTANHAS AITEQUE

Foi ontem, às 17:17. Estava a sair da Estação de Santa Apolónia, em direção ao Panteão Nacional, para abrir a 5ª. temporada de "Música no Panteão". E dou de caras com esta inovadora promoção para a venda de castanhas assadas. Um tira colorida, com a mensagem a circular em permanencia. O vendedor esclareceu-me depois que tinha comprado aquilo "na loja dos chineses". Dentro de casa funcionava, ali, com a humidade, durava pouco tempo. Mas que chamava a atenção, lá isso chamava.

E as castanhas eram excelentes, isso sim.

domingo, 14 de dezembro de 2025

ANDRÉ CHENIER

Figura trágica da Revolução Francesa, André Chénier (1762–1794) foi imortalizado numa tela de Charles Louis Müller (1815–1892) e pela ópera, com o seu nome, de Umberto Giordano (1867–1948), composta em 1896.

Nunca tinha assistido a uma representação de Andrea Chénier. Aconteceu ontem. Com duas portentosas interpretações da búlgara Sonya Yoncheva e do polaco Piotr Beczała.

sábado, 13 de dezembro de 2025

UM OLHAR DISTANTE

Obra de José Canudo, deste ano de 2025.

Para ficar num lugar amado, e mais a sul.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

OS BERBERES DO LAOS E CLÁUDIO TORRES

Uma peça do Laos, do princípio do século XX. Está na Casa da Ásia - Coleeçao Francisco Capelo. O entramado geométrico faz lembrar o padrão das cerâmicas berberes e as mantas da região de Mértola. O meu amigo Cláudio Torres dava-nos, nas aulas (1983... 1984...) uma interessante perspetiva teórica sobre os modos de produção e o seu reflexo nas artes tradicionais. Infelizmente, nunca passou à escrita essas estimulantes ideias.



quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

GREVE GERAL

A pichagem da GREVE GERAL, fotografada às 18:01 de dia 4 de dezembro, remete para as letras do cartaz da primeira greve geral, a de 12.2.1982 (foi no meu primeiro ano de faculdade e lembro-me bem do impacto que teve...).

Vivam os direitos dos trabalhadores.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

MERCOLEDÌ DI LERENO

A iniciativa da Embaixada de Itália recupera a memória das sessões de outrora, realizadas naquele mesmo local (o fantástico Palácio dos Condes de Pombeiro) e dinamizadas por Domingos Caldas Barbosa (Lereno Selinuntino).

Ao longo de seis quartas-feiras assim foi. Os convidados são "desafiados" a participar ativamente. Ontem (a quarta foi à terça, excecionalmente) coube-me "atuar". Apresentei uma obra quase esquecida do escultor italiano Quirino Ruggeri, que se encontra numa ilha tropical e que deve ser uma das últimas obras mussolinianas ainda existentes.














terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O BANDO DOS QUATRO

Eram uma vez um francês, um italiano, um norte-americano e um iraniano. Parece o começo de uma daquelas anedotas, mas não é. Estes quatro senhores são os únicos que ganharam os mais prestigiados prémios do Cinema: Leão de Ouro (Veneza), Urso de Ouro (Berlim) e Palma de Ouro (Cannes). Quando e com que filmes?

Henri-Georges Clouzot (1907-1977):

Manon (1949) - Veneza

O salário do medo (1953) - Berlim e Cannes

Michelangelo Antonioni (1912-2007)

A noite (1961) - Berlim

Deserto vermelho (1964) - Veneza

História de um fotógrafo (1967) - Cannes

Robert Altman (1925-2006)

M.A.S.H. (1970) - Cannes

Bufallo Bill e os índios (1976) - Berlim

Short cuts (1983) - Veneza

Jafar Panahi (n. 1960)

O círculo (2000) - Veneza

Taxi (2015) - Berlim

Foi só um acidente (2025) - Cannes

Pela parte que me toca, sou um convicto altmaniano! Embora "Foi só um acidente", ontem visto, seja poderoso.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

QUASE NA IDADE ADULTA

O blogue existe há 17 anos (!). A partir de janeiro mudarei o registo.

Hoje é dia de continuar e de preparar a semana.


 

domingo, 7 de dezembro de 2025

MARTIN PARR (1952-2025)

Martin Parr faleceu ontem. Sem disso saber, escolhi uma das suas fotografias para ilustrar um texto meu.

Volto a Parr, ao seu maravilhoso sentido da cor e ao seu olhar sardónico sobre os britânicos.

O MELHOR VINHO DO MUNDO

Tem-se tornado quase fastidiosa a chuva de melhores disto e melhores daquilo: a melhor praia, a melhor bica, o melhor pastel de natal, a melhor marisqueira, o melhor por do sol, o melhor trail etc. Um pesadelo de coisas melhores.

Fui, há meses, a uma cidade muito conhecida, um pouco longe daqui. No regresso “foste ao sítio tal? E ao bar xis?” E eu não, nem a um nem a outro, sou pouco de andar em rebanho. E isto agrava-se com a idade.

Qual é o melhor vinho do mundo?, eis a questão. Há vinhos astronomicamente caros, isso sim. Uma garrafa de Romanée-Conti, de 1945, foi vendida por 480.000 euros; uma garrafa do norte-americano Screaming Eagle, de 1992, chegou aos 455.000 euros. Preços obscenos. Ao pé deles, o Barca Velha a 900 euros quase parece uma coisa de saldos.

Não sou grande bebedor – embora já tenha dado jeito a algumas pessoas dizer o contrário… - e também não sou um conhecedor. Gosto dos vinhos de Penedès, dos alentejanos, dos da Beira Interior, dos durienses, dos californianos, de alguns exotismos madeirenses e açorianos e por aí se fica a minha geografia…

Vem isto a propósito do mais extraordinário vinho que bebi até hoje. Fui há muitos anos, mais de 30, na Corte Azinha, uns cinco quilómetros a nordeste da Corte do Pinto, no concelho de Mértola. Várias vezes me tenho perguntado o que esperávamos encontrar, o Miguel Rego e eu, na Corte Azinha. Era inverno e o dia estava frio. A pessoa com quem fomos falar – porque teria informações sobre sítios arqueológicos, mas afinal não tinha nada por aí além... – recebeu-nos com calorosa cordialidade. Era um “homem do campo”. Parecia-me muito velho mas, provavelmente, seria mais novo do que eu sou hoje. Não me lembro da face, mas recordo-me que era magro, morenamente mediterrânico e, porque é que lembro disto?, usava chapéu. Convidou-nos a entrar e fez questão de nos oferecer um copo de vinho. Foi buscar um garrafão, sim!, à maneira antiga, e encheu-nos os copos com a delicadeza e a cerimónia de quem está a servir um Romanée-Conti. Do vinho recordo-me com nitidez, sim, lembro-me do tom carrascão, de marcada rudeza. Mas a simpatia e a boa vontade em nos ajudar fez com que aquele vinho simples se transformasse no melhor dos nectares. A conversa continuou, mansamente, às vezes com poucas palavras, com o gosto de falar de coisas da vida, com o vinho a temperar a manhã fria. Da arqueologia pouco se adiantou, mas o calor do vinho chegou-nos à alma. Tenho-me lembrado muitas vezes desses momentos.

Falei há dias com o Miguel sobre esta nossa improvável expedição. Os anos vão passando e, com firmeza, se me vai vincando a certeza de que aquele foi o melhor vinho que já bebi. Não me falem em castas, nem em “frutados”, nem em “finais prolongados”. Sem o calor humano não há vinhos que valham a pena. Aquele vinho, um pouco áspero, foi o melhor vinho do mundo. Continua, pelo fator e pelo calor humanos, a sê-lo. Até hoje.

A crónica saiu em "A Planície". A fotografia data de 1999 e é de Martin Parr. Intitula-se Reines de la Nuit (sipping wine). É a melhor fotografia de alguém a beber um copo de vinho.


sábado, 6 de dezembro de 2025

O CADUM, O ROLEX E A TROTINETA

Em Portugal, quase tudo tem um toque revisteiro ou de farsa.

Recordo um episódio do início dos anos 70. Houve um assalto a uma igreja em Lisboa (na Sé Catedral, se não me falha a memória). Roubaram a caixa das esmolas. À saída, lavaram as mãos na pia da água benta com sabonete Cadum. Nem numa comédia de Mario Monicelli se imagina algo assim.

Há seis meses (foi em 6 de junho) assaltaram uma ourivesaria e fugiram numa trotineta. Até hoje.






sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

SOMOZA

Faz hoje um século que nasceu um dos mais completos facínoras da América Central, Anastacio Somoza Debayle (1925-1980).

Somoza, que era presidente e filho e irmão de ex-presidentes, tinha o apoio dos norte-americanos. Até ao dia em um dos elementos da sua Guarda Nacional assassinou, a sangue frio, um jornalista da cadeia ABC. O acontecimento, ocorrido em 20.6.1979, foi filmado e difundido em todo o mundo. Anastacio Somoza  durou menos de um mês no poder. Os sandinistas não lhe perdoaram e foram atrás dele. No dia 20 de setembro de 1980, em Asunción, no Paraguai, atacaram o carro com bazucas. O primeiro tiro falhou, o segundo acertou. Não sobrou grande coisa...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

COR NUM DIA CINZENTO

Recordando a cor de Trinidad. Com saudades de Trinidad e de Havana...

Que o sol de lá é melhor que a chuva de cá.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

MÁSCARA Nº. 31: LISBOA

Aqui bem perto (270 metros, em linha reta, a partir do Panteão), na Rua Leite de Vasconcelos. Uma máscara algo sínica.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

NO LIVRO SOBRE O PARTIDO DOS FACHOS

Uma amiga da Coimbra telefona-me "então és citado no livro sobre o partido dos fachos?". Pois não fazia a mínima ideia. Mandou-me um fotografia. O texto tem um par de incorreções (y como no?, diz-se em Espanha...), a começar pelo facto de a pessoa que migrou para o Chega ter sido "assessora dos vereadores". Nunca foi tal. Dava apoio administrativo a quem secretariava as reuniões de câmara. Algo de muito diferente.

"não gostou da gestão do sucessor, Santiago Macias", leio no livro. Fiquei feliz com o desgosto.

"Por dentro do Chega" é um livro de Miguel Carvalho. Para ser lido dentro de dias.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

LXXIV - CRÓNICAS OLISIPONENSES: NA CIDADE DOURADA

Há várias coisas que nunca percebi num célebre (e muito bom) filme de Alain Tanner. Uma delas é o título... A imagem mais forte que tenho de Lisboa é a cor dourada. Um amarelo ouro e palha que se vê ao final do dia. Uma amiga que hoje foi para norte mandou-me esta fotografia, dizendo ter sido a mais bela descolagem de sempre. Há momentos assim. E recordo este mesmo tom, num final de tarde da primavera de 1992, ao chegar de Roma. Que não é menos dourada, diga-se.