quinta-feira, 3 de setembro de 2026

NO BRITÂNICO

Entre 1980 e 1983, o Instituto Britânico fez parte da minha vida. Duas vezes por semana tinha aulas lá. Os professores eram excelentes (em sucessivos anos letivos: Joseph Tierney, um australiano, e John Ladhams e Margarth Kelting, dois ingleses). Lembro-me do sotaque pausado e muito sofisticado de Miss Kelting. Não aprendi isso com nenhum deles e continuei a falar inglês com sotaque alentejano. Uma vez, no Novo México, disseram-me mesmo, para enorme gáudio da Luísa, "you have a very funny accent, man; where are you from?".

As primeiras aulas foram num convento, nos Inglesinhos, no outro lado do Bairro Alto. Acho que agora é um hotel. Tinha de cruzar aquela zona (era um bairro de portugueses, nesse tempo), passando por bares de má nota e depois pelo Cunhal das Bolas. Passei depois para o Palacete na Rua de São Marçal, outrora propriedade do magnate e mecenas Luís Fernandes e onde também viveu Alves dos Reis.

O Britànico tinha uma magnífica biblioteca - a leitura do Spectator e do Observer faziam parte dos meus rituais de então - e um auditório onde havia ciclos de cinema. As aulas tinham um código rígido: no sex, religion or politics. Mas aprendi imenso. Curiosamente o que mais me marcou foi o espírito analítico na abordagem aos textos, as perspetivas do for and against e a forma de construir um breve ensaio (numa resposta num teste ou num exame, por exemplo). Foram ensinamentos de grande utilidade para o jovem estudante universitário.

Sinais dos tempos: o palacete acaba de ser vendido a uma imobiliária. Haverá menos alunos, imagino, agora é tudo online e digital, e razões de ordem prática levaram o British Council a alienar o imóvel. É assim. Mas é pena.

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