"Mas tens trabalho fixo?". "Qual é o teu contacto?". "Vais fazer transferências para o estrangeiro, é isso?". Ouvido por mim, numa entidade privada, em Lisboa, há dias. O inquiridor era branco e funcionário da instituição. O inquirido era um homem negro, perto dos 30 anos. Tinha o colete de uma conhecida empresa de obras. A conversa decorria em voz alta. Do outro lado da sala, enquanto aguardava atendimento, eu ouvia tudo com nitidez. O inquiridor tratava o cliente por tu. Percebia-se que não tinham conhecimento prévio. O cliente, manifestamente desconfortável e intimidado, respondia com monossílabos.
Há dois tratamentos por tu: igualdade e superioridade. A questão é que eu não estou a ver o funcionário tratar por tu um jovem yuppie branco com quem nunca se tenha cruzado...
Ai esta terra ainda...

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