sexta-feira, 17 de agosto de 2012

MA FEMME DE MÉNAGE AUSSI

Em França é frequente colar-se a Portugal uma imagem de arcaísmo. Uma Eusropa do sul, com sol e melancolia, mulheres morenas e pouco atraentes. Um país atrasado, mas deliciosamente simpático. Il y a, bien sûr, Amáliá Ródriguéss et le fádô. Et Pessôá.

Vem isto a propósito dos chavões que (se) nos colam e a que o embaixador de Portugal em França faz alusão (v. aqui). Já fui disso "vítima", uma vez, quando faleceu Amália Rodigues. Um jornalista da LCI (La Chaine Info, nada a ver com a Liga Comunista Internacionalista) telefonou-me e fez-me três ou quatro perguntas para colocar depois em fundo enquanto se mostravam imagens do funeral. Uma das questões foi, espantosamente, se o país tinha parado por completo...

Há melhor, contudo, numa mistura de condescendência e sobranceria. Uma das minhas histórias favoritas passou-se com uma amiga, radicada em Paris há mais de 20 anos. Nem o facto de viver no exclusivo seizième lhe vale. Um belo dia, uma senhora do seu meio perguntou-lhe qual o nome de família. Ao ouvir a resposta comentou, em tom casual, "ma femme de ménage aussi...".

É assim. Continua a ser, apesar de tudo, assim.
 
Fotografia: Henri Cartier-Bresson (1955)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

NEM SALAZAR...

Declaração inicial: Julian Assange não me suscita especial simpatia. O sistema de divulgação indiscriminada de informações importantes para a segurança dos Estados (que tanto gáudio causa à esquerda) não me merece entusiasmo. Embora, confesso também, a existência do wikileaks nos tenha proporcionado dados cruciais sobre a atuação de governos portugueses em tempos recentes.

Assisti, por isso, com a maior perplexidade, aos desenvolvimentos dos últimos dias. A história da agressão sexual a duas mulheres é bizarra e pouco clara. O desejo dos Estados Unidos consumarem a vingança derradeira sobre o aventureiro Assange é mais que óbvia - Bradley Manning faz parte da mesma trama...

Chegados a este ponto  - nem claro nem linear - temos que:

1. O cidadão australiano Julian Assange pediu asilo político à República do Ecuador;
2. O governo britânico, provavelmente convencido que o primeiro-ministro se chama William Gladstone, Robert Gascoyne-Cecil ou Benjamin Disraeli, resolve dar-se ares de império e avisa os equatorianos de que poderá vir a invadir a embaixada (não guardei, infelizmente, um cartoon publicado no New Statesman dos anos 80 em que se via Michael Heseltine a rebolar-se aos pés de Ronald Reagan, depois de fingir dureza com os americanos no tratamento de questões importantes);
3. O governo britânico diz agora que não deixará Assange sair, seja em que cisrcunstância fôr.

Muito bem. Isso faz-nos recuar a 1959, quando Henrique Galvão fugiu do Hospital de Santa Maria e se refugiou na embaixada argentina, à qual pediu asilo político (se bem recordo, Galvão  conta, no seu Assalto ao Santa Maria, que não confiava no governo de Juscelino Kubitschek). Depois de três meses de tensão Salazar permitiu que Galvão saísse do país. Fico na expetativa para ver o que se vai passar. A menos que Cameron esteja mesmo convencido que é primeiro-ministro da rainha Vitória...

AMARELEJA - FESTA REVISTA

Primeiro, foi o jantar de gala do Grupo Desportivo Amarelejense. Depois a corrida de touros. Finalmente, a procissão. Amareleja vezes três. E muitas mais vezes serão.

A minha família materna é da Amareleja. Nos últimos tempos tem-se multiplicado a pergunta: "você é Canastro, não é?".  Canastro é a alcunha da família, oriunda do Alto de Bombel.  Não há, na Amareleja, quem não tenha alcunha, e a da minha família está erradamente explicada num livro sobre o tema. Por vezes, segue-se a pergunta "você é meu primo, sabia?". Não, a maior parte das vezes não sabia. O que não deixa de ser sempre um pouco embaraçoso. E tenho de recorrer à memória viva da Júlia ou da Elisa para reconstituir percursos e genealogias "essa tua prima é neta de fulana, que era prima-irmã da tua avó".

Ontem, no meio de um animado e longuíssimo jantar, com mais de duas dezenas de amigos, a cena repetiu-se, por mais duas vezes, em pleno Largo do Regato. Quando pensamos que estamos longe dos sítios de origem, há sempre qualquer coisa que nos faz regressar. Um facto que tenho constatado, à medida que o tempo vai passando.
 
Fotografia: Zambrano Gomes (c. 1935)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A RELATIVA IMPORTÂNCIA DAS COISAS

O jogo é mais importante? Opções não se discutem, mas este anúncio da UMBRO gerou polémica. Oportunidade para retomar um tema, o da publicidade, que, a espaços, passa por aqui.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

PINACOTECA

In a Museum


I
Here's the mould of a musical bird long passed from light,
Which over the earth before man came was winging;
There's a contralto voice I heard last night,
That lodges with me still in its sweet singing.

II
Such a dream is Time that the coo of this ancient bird
Has perished not, but is blent, or will be blending
Mid visionless wilds of space with the voice that I heard,
In the full-fuged song of the universe unending.

Thomas Hardy (1840-1928)


A organização daquele setor do Städel Museum, ao jeito dos antigos gabinetes de pintura ou das galerias privadas dos aristocratas europeus, não deixa de ter uma certa graça. Apesar dos tons fortes das paredes. A imagem de cima reproduz um quadro de Willem van Haecht (1593-1637). Intitula-se A galeria de Cornelis van der Geest e foi pintado em 1628.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A SÍRIA EM PERIGO

Em tempos que já lá vão, a rota de ouro do comércio mediterrânico começava em Sevilha, tocava os portos da Tunísia e ia terminar lá longe, em Alexandria ou em Antioquia. Era um percurso que todos os mercadores conheciam e que várias vezes ao longo do ano tinham que percorrer. À Península Ibérica vinham buscar a prata que faltava a Oriente. Para a Península Ibérica traziam os tecidos e os perfumes que iriam tocar o corpo das andaluzas mais belas. Ou das mais ricas.

Lá longe, para lá de Antioquia, existia ainda, até há meses, um pouco desse mundo. Fica fora das fronteiras da Europa, cada vez mais longe do Ocidente. Às portas do Levante, o ar do Mediterrâneo começa a dar lugar à aridez do deserto. É aí que começa a Síria, onde o Mediterrâneo acaba e até onde chegam as oliveiras. A algumas jornadas do mar fica o oásis de Palmyra e, mais para leste, a imensidão da Mesopotâmia.

Os nomes das cidades – Damasco, Alepo, Hama, Palmyra – estão nos compêndios de História e habituámo-nos a ver os monumentos alinhados em páginas. A Síria servia-nos como mostruário de volutas e de pâmpanos, como uma lição de Arte ao vivo. A Síria Antiga guarda-se nos museus de Damasco e de Alepo e nos das antigas capitais coloniais do Ocidente, que pilharam, com método e eficácia, um solo inesgotável.

Muito do passado de Síria está hoje escondido em bairros recônditos ou quase desapareceu. As cidades não são uma realidade imóvel e imutável. Menos ainda quando falamos de sítios como este, ocupados há milénios e abalados de tempos a tempos por convulsões, pelas dos homens e pelas que surgem das entranhas da terra. O correr dos anos, o simples martelar do sol e da chuva se encarregaram de fazer o resto.

Desde há semanas que a guerra desabou sobre o passado. Uma ameaça, real e sem remédio, pesa sobre o património da Síria. Que é, também, o património de todos nós. Os monumentos da Síria têm um longo convívio com a guerra. As destruições e reconstruções sucederam-se no tempo, numa região onde os conflitos são habituais. O armamento pesado, que se tornou cada vez mais comum, de mais fácil aquisição, de uso discriminado e com um crescente poder destrutivo é uma ameaça maior. O exemplo do Iraque, e o saque dos seus museus após a invasão americana, de pouco serviu. Com o intensificar do conflito na Síria é uma parte importante da nossa História comum que ameaça ruir. Sem retorno, porque a reconstrução de jóias como a cidadela de Alepo ou a mesquita de Damasco será uma tarefa impossível. E sem solução, porque a História da região é complexa e pouco linear e cada muro que se destrói são milhares de anos que se perdem. As paredes dos monumentos da Síria contam-nos essa História e poucos episódios o exemplificam tão bem como o da construção da mesquita dos omeias, em Damasco.

Onde está a mesquita, esteve, há muitos séculos, um templo romano dedicado a Júpiter, substituído mais tarde pela igreja de São João Batista. Que cedeu depois o lugar a uma mesquita. O próprio califa al-Walid terá descido, de archote, em punho, à cripta da igreja, aí tendo encontrado um cofre com a inscrição “contém a cabeça de João”. Talvez hoje achemos a descrição pueril, mas o califa não hesitou. A cabeça do santo ficou no local de origem, de tal modo que, durante muitos anos, a mesquita adotou o seu nome, Yahya b. Zakariya, João filho de Zacarias.

A memória de São João Batista representa, contudo, mais do que um simples nome. O mausoléu contendo as relíquias do santo ocupa um lugar de destaque em plena mesquita, e não é possível deixar de reparar no cortejo de pessoas que ali se deslocam, pedindo proteção, fazendo promessas, agradecendo benesses. São cristãos e muçulmanos, vindos por vezes de sítios longínquos, em busca de um auxílio que faltou algures.

Trata-se de um caso único? Nem por sombras. A grande mesquita de Alepo tem um passado semelhante: de agora passou a jardim da catedral de Santa Helena e depois a local de culto muçulmano. Tal como em Damasco, a mesquita alberga um mausoléu, neste caso o de S. Zacarias, pai de S. João Batista. A história no Oriente é uma matrioska, uma sucessão de factos e de épocas.

 Apesar das contradições, igrejas e mesquitas, minaretes e campanários, partilham as mesmas ruas, por vezes muito perto, por vezes mesmo lado a lado. Os cristãos continuaram nas principais cidades até aos nossos dias, mas o peso da sua comunidade foi-se esbatendo com o tempo. Em Damasco habitam num bairro no extremo oriental da cidade antiga, por entre uma profusão de igrejas (maronitas, gregas ortodoxas, católicas, arménias) e dedicam particular devoção à Virgem e a São Paulo. O nome do santo, que terá residido na Rua Direita, bem no coração de Damasco, persiste numa capela, junto à Bab Kaysan.

O coração de uma Síria intemporal vive em Alepo. Cerca de mil metros separam Bab Antakyah e a cidadela. Em mil metros mergulhamos na máquina do tempo, num souk que saiu das páginas de um texto antigo. O barulho, os pregões, a venda de tecidos repetem-se sem cessar há muitos anos. Os vendedores, que repartem o espaço com um rigor de geometra, têm centenas de anos. O tempo não passou por eles porque estão resguardados do sol e da luz do dia pela penumbra do souk. O que se vende é tão antigo como o souk, como os sabões de azeite e palma que fizeram a fama de Alepo. O risco de se perder esse mercado vai, por isso, muito além do valor dos muros que limitam as suas ruas. O bairro cristão de Alepo fica um pouco mais a norte, no limite da rua da Bab Antakyah. Talvez o elemento mais surpreendente tenha sido o contraste entre o caos e as ruas pouco tratadas à saída da cidade velha e a limpeza, a iluminação pública e a presença de lojas de conhecidas marcas europeias no bairro cristão.

Para lá dos dos monumentos e da História Antiga começa a outra Síria, não menos ameaçada pelo conflito em curso. A das montanhas do Kalaamoun, onde o aramaico que Jesus falou é ainda entendido em duas ou três aldeias. A das aldeias druzas, como Qalb Lozeh, a do jovem que veio ter comigo para me oferecer uma romã, à entrada do sítio de Aïn Dara, e se apresentou dizendo apenas “sou curdo”. Há uma outra Síria que não é dos monumentos nem dos mosaicos nem do castelos dos cruzados. É uma Síria marcada pela diversidade, pela diferença e pelo justificado orgulho das diferentes comunidades. É, e provavelmente, deixará de o ser, a Síria dos cristãos, como Margarita Curché, a anciã que me acompanhou pelas ruas do bairro cristão de Damasco, rematando, de punho fechado e em voz alta, “aqui somos todos cristãos!”. Margarita referia-se ao bairro, mas o seu bairro é o seu mundo, um mundo que fica junto a Bab Touma, no extremo nordeste da cidade antiga.

Agora, que a guerra devasta Alepo e Damasco – voltaremos a entrar no souk Hamadieh?, regressaremos à grande mesquita?, o que acontecerá ao bairro cristão de Jdeideh, em Alepo? – avolumam-se as perguntas e aumenta a preocupação de estarmos a perder, para sempre, monumentos e modos de vida.

Da Damasco onde viveu São Paulo só restam o arco romano na rua que vai para Bab Sharqi, a entrada oriental da cidade, a colunata à saída do souk Hamidieh e algumas das paredes da grande mesquita dos omeias. Esse património físico está em risco. O outro, que não é menos nosso, também.




A fotografia foi feita no pátio da grande mesquita, em Damasco. Um local de fé e, também, de sesta.

O texto que acima se transcreve foi publicado na edição de hoje do Público.

NA REPÚBLICA DO GENERAL TAPIOCA





Do JN online (sem comentários, porque não há nada a dizer, a não ser que estamos ao nível da República de S. Teodoro e que, obviamente, não haverá responsáveis):
 

Grande parte da documentação dos submarinos desapareceu do Ministério da Defesa. Sumiram, em particular, os registos das posições que a antiga equipa ministerial de Paulo Portas assumiu na negociação.

"Apesar de todos os esforços e diligências levadas a cabo pela equipa de investigação, o certo é que grande parte dos elementos referentes ao concurso público de aquisição dos submarinos não se encontra arquivada nos respetivos serviços [da Defesa], desconhecendo-se qual o destino dado à maioria da documentação", escreveu o procurador João Ramos, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), em despacho de 4 de junho que arquivou o inquérito em que era visado apenas o arguido e advogado Bernardo Ayala (o processo principal continua em investigação).

Nos últimos anos, já tinha sido noticiado o desaparecimento de vários documentos do negócio concretizado, em 2004, quando Durão Barroso era primeiro-ministro e Paulo Portas ministro de Estado e da Defesa Nacional. Mas, agora, é o próprio Ministério Público não só a reconhecer o problema como a atribuir-lhe uma dimensão que vai para além dos casos pontuais já noticiados.

domingo, 12 de agosto de 2012

EL DRIMTIM

Pois é...

El Drim Tim fué otro y vaya susto han pillado los americanos...

O ALQUEVA E MAIS O TURISMO E MAIS O PNPOT E MAIS O PROT E MAIS O POAAP E MAIS O PROZEA E MAIS ESSA COISADA TODA

O recente e clamoroso falhaço do projeto Roquette para o aproveitamento turístico da barragem de Alqueva provocou um mar de opiniões, de reportagens, de declarações e de tomadas de posição (não faltou, por via do inefável Zorrinho, o habitual pedido de uma audição ao ministro da economia, à CGD e aos promotores do projeto).

Objetivamente falando, são péssimas notícias para a região e lançam sombras e dúvidas sobre projetos futuros. O Diário de Notícias recordava que, do que José Socrates anunciou, em 2008, nada passou do papel. Ou quase nada, se descontarmos um hotel concretizado em Montemor-o-Novo, que não é exatamente ao lado da barragem de Alqueva. Eram 1.800.000.000 euros. Eram, que não foram.

Na altura, fomos fustigados, na Câmara de Moura, com críticas, por causa das coisas maravilhosas que iam acontecer nos outros concelhos. Nada aconteceu, em parte alguma.

E dificilmente acontecerá o que quer que seja. Se persistir uma lógica de resort, se continuarmos a ancorar projetos em campos de golfe (golfe com temperaturas a roçar o negativo no inverno e a passar os 40º no verão?), se insistirmos nos mega-investimentos, se acharmos que o aeroporto de Beja vai alimentar esse turismo e que assim o turismo se tornará uma mola para a riqueza da região, a conclusão é simples: nada aconteceu e nada acontecerá.

Pior ainda: somos capazes de levar semanas infindáveis a discutir os termos de referência e mais uns meses largos a debater regulamentos, os quais se enchem de detalhes e subtilezas indecifráveis, a burilar artigos e a sopesar cartografias. E depois, o que acontece? Nada. Nada de nada. A frustração de quem, numa autarquia, queira, a este nível fazer coisas simples e práticas esbarra numa legislação (perfeitíssima, já se sabe...) que é um verdadeiro emaranhado filosófico.

Assim não vamos lá. E estes falhanços, por ocorrerem noutros concelhos, não me enchem de júbilo nem me fazem esboçar sorrisos de troça. Ao contrário, deixam-me preocupadíssimo.

 

sábado, 11 de agosto de 2012

PASSES DE MULETA - 1: ESTATUÁRIO

Segue a saga tauromáquica, maneira de deixar claro, aqui no blogue, quais as coisas de que gosto. Segue antes das corridas em Amareleja e no Sobral onde, decerto, não haverá estatuários.

É um passe ajudado de grande espetáculo, usado no início da faena. Causa sempre sensação no público, como já pude constatar em Badajoz e em Sevilha. O matador fica imóvel, e com os pés juntos, levantando a muleta, para permitir a passagem do touro. José Tomás usa bastante este passe. Com eficácia e um desprendimento que faz com que tudo o que faz pareça facílimo.

Manolete em Barcelona (maio de 1944)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ZITA SEABRA - NOME DE CÓDIGO: AGENTE XIS-BATATA

Zita Seabra resolveu fazer uma denúncia espetacular: o PCP espiava instituições do Estado Português, instalando microfones em aparelhos de ar condicionado montados pela FNAC, à época (anos 80) liderada pelo então militante comunista Alexandre Alves. Zita Seabra descobre uma tardia vocação de agente secreto. Uma coisa me preocupa. Das duas uma: ou os aparelhos de ar condicionado não tinham manutenção ou os tipos que faziam a dita era uns nabos do piorio, incapazes de identificarem um microfone.

Os delírios de Zita são frequentes e parecem ter-se agravado com a aproximação à Opus Dei. As suas intervenções merecem tudo, menos credibilidade e julgo que o PCP fez bem em dizer apenas "as afirmações dessa pessoa, nesta como noutras matérias, não merecem qualquer crédito ou comentário".


Zita Seabra num baile de debutantes. Na cabeça parece ter uma coroa. Nada garante, contudo, que não seja um sofisticado sistema de comunicações. Foi assim que tudo começou.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

CASTELO DE MOURA: ARQUEOLOGIA E RESPONSABILIDADE CIENTÍFICA

Ainda o castelo de Moura, e prometo não regressar ao tema nas próximas semanas:

Sou (em conjunto com a Vanessa Gaspar e o José Gonçalo Valente) responsável científico pelas escavações arqueológicas em curso;

Tenho, enquanto vereador da Câmara Municipal de Moura desde 2005 e em conjunto com os meus colegas, procurado soluções para aquele local;

Para o bem e para o mal, tenho sido identificado com o castelo;

Portanto, e antes que me venham perguntar, não sou responsável pelos conteúdos técnicos e científicos da Feira Medieval em curso.

IGREJA DE SANTIAGO: O MOMENTO KIM-IL-SUNG DE UMA CARREIRA

Quando a Lígia me enviou a sms com o texto “a moeda da ue 9 é um dinheiro de D. Afonso IV (1325-1357)” quase íamos (a Vanessa, o José Gonçalo e eu) tendo um badagaio com a emoção. Comecemos, contudo, pelo princípio. A Lígia Rafael é uma colega e amiga que se disponibilizou a fazer a limpeza e estabilização de uma moeda, encontrada junto a um muro de um vasto compartimento que estava a ser escavado no castelo de Moura. De repente tudo fazia sentido: os muros fortes, o pavimento argamassado, o pequeno quadrilátero junto à parede este, os enterramentos no exterior do edifício.

Se o conjunto de elementos parecia apontar para a presença de uma igreja associada a uma necrópole ainda nos custava a acreditar que pudéssemos estar em presença de um templo medieval. A moeda do séc. XIV no interior do altar ajudou a afastar dúvidas, os ceitis de D. Afonso V pertencentes aos enterramentos do exterior vieram dar solidez a uma hipótese que não sonharíamos à partida. Acabávamos de identificar a igreja de Santiago, referida na documentação medieval mas que estava, até à data, por localizar. É quase um milagre que, ante as sucessivas obras no castelo de Moura, concretizadas ao longo de vários séculos, tenha sobrevivido uma parte importante da cidade medieval.

A igreja é bonita? Nem por isso. É uma simples nave, bem pobrezinha, benza-a Deus. Nada de decoração, nada de elementos arquitetónicos elaborados. Uma nave e nada mais. Talvez mais interessante, do ponto de vista histórico, por isso mesmo. Até porque o ascetismo com que o espaço foi pensado vai a par com o austeridade dos dias que vivemos…

Verdade se diga que, apesar das referências escritas, várias vezes duvidámos da existência da igreja de Santiago, ao ponto de pensarmos ser a alusão ao templo fruto de um qualquer equívoco. A localização é, contudo, perfeita: dentro do perímetro fortificado e junto à porta da alcáçova. Estamos perto, muito perto, do local da antiga mesquita de Moura. As sacralizações destas são, por norma, feitas através do nome de Santa Maria, mas os exemplos de locais de culto muçulmanos convertidos em igrejas de S. João, do Espírito Santo ou, até, de Santiago não faltam. Encontrar uma mesquita no meio dos restos dos enterramentos cristãos e numa área muito refeita após meados do século XIII seria ter uma sorte pouco comum. Provavelmente, não teremos essa fortuna.

Como sugeriu uma amiga “ainda vão dizer que inventaste o nome da igreja, só para ser o teu”. É pouco provável que o digam, mas essa parte é aquela que ao José Gonçalo, à Vanessa e a mim menos interessa. A campanha está ganha e o modelo da ocupação medieval do castelo fica, a cada dia, mais claro. Esse é o dado essencial.




Crónica publicada no jornal "A Planície" de 6 de agosto de 2012

Pequena legenda da fotografia:
1 - À esquerda deste número identifica-se uma pequena estrutura quadrangular, que pensamos ter sido um altar;
2 - Local onde se encontrou a moeda da primeira metade do século XIV;
3 - Enterramento com moeda associada (ceitil de D. Afonso V);
4 - Enterramento com moeda associada (ceitil de D. Afonso V);

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

REGENERAÇÃO URBANA: EDIFÍCIO DE RECEÇÃO AOS TURISTAS (CASTELO DE MOURA)

Mais um passo, mais um esforço. Está em fase adiantada de concretização o edifício de receção aos turistas, no castelo de Moura. As escavações arqueológicas ainda em curso serão compatibilizadas com as novas instalações. O processo de valorização por que o monumento passa deverá ter esta fase concluída no próximo outono. A iluminação das muralhas terá lugar sensivelmente na mesma altura.



Imagem de cima: obra em curso
Imagem de baixo: antevisão do edifício concluído (projeto: INTUIÇÃO ARQUITETOS)

Valor de adjudicação da obra: 422.132 €
Financiamento INALENTEJO + Turismo de Portugal: 90%
Câmara Municipal de Moura: 10%

RECORDAÇÃO DO BAIRRO DA SALÚQUIA

O bairro da Salúquia fica em Moura. É uma extensa, e periférica, parte da cidade, delimitada pela estrada de Brinches, pelo rio da Roda, pela Rua de Angola e pelo bairro 25 de abril. É o bairro onde sempre viveu a minha família, e ao qual já dediquei um texto (v. aqui).

Até aqui nada de novo... Mas no outro dia, alguém encontrou lá por casa, durante uma campanha de arqueologia doméstica, uma fantástica caneca onde, a par de um desenho de um pescador, que é um monumento ao kitsch, está a enigmática frase "Recordação do Bairro da Salúquia". Nem mais. Como "Recordação da Nazaré" ou "Recordação de Alcobaça". Não consigo imaginar quem terá sido o autor da ideia embora, tipologicamente, a caneca seja dos anos 70. Haverá canecas de promoção turística de outras zonas da minha cidade? Nunca vi uma "Recordação do Bairro da Porta Nova" ou uma "Recordação do Sete-e-Meio". O que não quer dizer que não existam, bem entendido.


GENE ACTN3

Chama-se ACTN3 e é um gene específico das Caraíbas. E está na base de uma proteína que está na base da aptidão para a velocidade pura. É por isso que ilhas como Trinidad and Tobago, com cerca de cinco vezes a área do concelho de Moura, produzem velocistas a uma velocidade estonteante. Já para não falar em Granada ou em Saint Kitts and Nevis. 20% dos brancos não têm nada de nada do tal ACTN3 (eu sou um deles, tenho a certeza). O gene é específico da região e é por isso que, cada vez mais, são os caribenhos a abarbatar as medalhas nos Jogos Olímpicos (100 e 200 metros).

Tendo em conta que os norte-americanos estão, cada vez mais, de fora ainda vão arranjar maneira de decidir que o tal ACTN3 é, afinal, doping.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A SÍRIA SEM NEVOEIROS - UMA CRÓNICA DE CORREIA DA FONSECA

Com a devida vénia, como em tempos se dizia, aqui vos deixo uma magnífica crónica de Correia da Fonseca sobre a situação na Síria:

1. Nos primeiros dias, e mesmo nos seguintes, a comunicação social reprodutora das versões convenientes contou-nos estórias ingénuas em que quase só acreditava quem queria: em resumo, que um grupo de paisanos bem formados e ávidos de democracia tinha resolvido acabar com uma ditadura detestável, aparentemente quase que usando apenas as mãos nuas e pouco mais. Depois, decerto porque não se pode ocultar tudo durante todo o tempo, foram gotejando informações capazes de comporem um outro quadro. Revelam que os espontâneos e inocentes combatentes pela liberdade manejam material bélico sofisticado, incluindo carros de combate, que dificilmente lhes teria caído do céu aos trambolhões sem que lhes tivesse partido as cabeças. Que os mesmos recebem ajuda, embora não se sabendo quanta e qual, da Arábia Saudita e do Qatar, estados onde a total penúria de respeito pelos tão invocados direitos humanos é aparentemente compensada pela estrita obediência à política de Washington. Que Israel, esse estado que detém, e de longe, o recorde mundial de desobediência a resoluções da ONU, e que aliás desde há muito ocupa ilegalmente uma faixa de território sírio, também está irmanado com o autodenominado Exército Sírio Livre. Que nem mesmo os homens da ONU/USA declararam frontalmente que a responsabilidade pelos horrores havidos na Síria podem ser imputados exclusivamente às forças fiéis ao presidente Assad, bem antes pelo contrário.

2. A este breve arrolamento de factos que têm como que passado pelas malhas da rede manipuladora que a TV, como elemento fundamental da ofensiva mediática desencadeada contra a Síria, tem querido erguer entre nós e a realidade, acrescentaram-se recentemente (escrevo estas notas no sábado, 28) duas informações esclarecedoras, decerto entre várias outras. Uma delas até se reveste de um aspecto um pouco caricato: trata-se da afirmação já reiterada de que o governo sírio disporia de «armas de exterminação maciça», que no caso seriam armas químicas, e que estaria disposto a usá-las contra o «povo revoltado». Todos decerto nos lembramos ainda da repetida afirmação de que o Iraque de Saddam Hussein possuía, também ele, «armas de destruição maciça», e de que esse foi o argumento decisivo para justificar a invasão do Iraque pelos Estados Unidos & Cª., com o cortejo de horrores que aliás ainda hoje prossegue embora já não no seu apogeu. A outra informação recentemente prestada, e sem que dela haja motivo para duvidar, é a de que o ponto mais duro dos combates entre as forças fiéis ao governo e o tal Exército Livre é agora a cidade de Alepo. Ora, acontece que Alepo está encostadinha à fronteira com a Turquia, o que confirma perante quem não tenha escolhido ser míope que a Turquia tem vindo a ser a principal base das operações desencadeadas contra a Síria. Sem surpresas, aliás: a Turquia é, consabidamente e desde há muito, um peão da política norte-americana na região. Que essa sua condição seja agora de facto confirmada também pela TV é, pois, natural e inevitável nas circunstâncias actuais.

3. A mesma TV fornece uma outra informação verdadeiramente concludente no exacto momento em que escrevo estas notas: citando um jornal diário, a apresentadora de um telenoticiário diz que na Turquia está instalada uma base que, com auxílios da Arábia Saudita e do Qatar, se destina a apoiar as forças anti-Assad. É já a Operação Anti-Síria sem os nevoeiros mistificadores dos primeiros dias. Entretanto havia sido divulgada uma outra informação, essa até um pouco patusca: as deserções entre os apoiantes do presidente Assad têm sido em número muito inferior ao que o «Ocidente» esperava e ao que aconteceu na Líbia em relação a Khadafi. Querem ver que o dólar está a perder o seu poder de convencimento?



 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O LUÍS PEREIRA DE SOUSA DO ATLETISMO

Dizia há pouco, de forma enfática, o comentador dos Jogos Olímpicos na RTP2, durante a final feminina de 3000 metros obstáculos: "Vão cinco mulheres na frente".

Em cada comentador desportivo há um luís pereira de sousa em botão.


Transexual fotografado por Diane Arbus. Não participou, que se saiba, nas Olimpíadas.

LA TERRA TREMA

E por falar em cinema (v. texto publicado ontem) está na altura de recordar um filme antigo e hoje um pouco esquecido: La terra trema, filmado por Luchino Visconti, em 1948. A rodagem teve lugar na Sicília e os atores eram os pescadores locais, uma vez que o tema do argumento a eles se dedicava. O filme foi uma encomenda do PCI, partido no qual Visconti militava. Vi La terra trema na RTP2, nos meus tempos de liceu. Há mais de 30 anos, portanto. Não foi tanto a temática, muito marcada pelo neorrealismo (que, com raríssimas exceções, nunca me interessou), a chamar-me a atenção. Mas sim a ousadia do recurso a não profissionais, a simplicidade formal e o rigor estético no tratamento das imagens. Mas, sobretudo, a sensibilidade no modo de retratar as pessoas e as suas vidas. Eis o final do filme:

domingo, 5 de agosto de 2012

UM DOW JONES CINEMATOGRÁFICO

Acaba de ser publicada a escolha da revista Sight and Sound referente a 2012. A lista é publicada de 10 em 10 anos e envolve quase um milhar de especialistas de todo o mundo. Qual o melhor filme do mundo, segundo a mais recente votação? Vertigo, de Hitchcock.

A lista, publicada desde 1952 e que já foi objeto de textos no blogue (v. aqui e aqui), teve Ladrões de bicicletas, de De Sica, como o primeiro classificado no ano de arranque. Entre 1962 e 2002 pontificou Citizen Kane. Vertigo primou pela ausência em 1962 e em 1972. Foi 7º em 1982, 4º em 1992 e 2º em 2002. Chega agora ao topo.

O que faz uma lista? Muitos fatores, decerto: as sensibilidades de diferentes gerações, orientações políticas, modificações na forma de percecionar a estética cinematográfica, preocupações sociais etc. Isso é bem visível nas oscilações, nas subidas e descidas de filmes, nos que emergem e nos que, depois de conhecerem uma súbita popularidade, são votados ao esquecimento.

Eis a escolha do ano de 2012:

01. Vertigo
02. Citizen Kane 
03. Tokyo Monogatari 
04. A regra do jogo 
05. Aurora 
06. 2001: uma odisseia no espaço 
07. A desaparecida 
08. O homem da câmara de filmar 
09. A paixão de Joana d'Arc 
10. 8 1/2

Há ausências de monta: Eisenstein, que desaparece da lista ao fim de 60 anos, Kurosawa, Coppola, Tarkovsky, Mizoguchi. Kubrick só entrou a partir de 1992, estreia-se agora Vertov.

O filme mais recente da lista é 2001, que data de 1968. Já lá vão 44 anos.
 
  

Não sendo crítico cinematográfico, nem um entendido, aqui ficam os meus dez mais, com muitas lacunas, fruto do muito que ainda tenho para ver e depois de uma revisão a uma escolha :

01. Morangos silvestres (Ingmar Bergman - 1957)
02. O mundo a seus pés (Orson Welles - 1941)
03. Aurora  (F.W. Murnau - 1927)
04. Ivan, o terrível (Sergei Eisenstein - 1944)
05. Apocalypse now  (Francis Ford Coppola - 1979)
06. Metropolis  (Fritz Lang - 1927)
07. Nostalgia (Andrei Tarkovsky - 1982)
08. Tokyo monogatari (Yasujiro Ozu - 1953)
09. 2001: uma odisseia no espaço (Stanley Kubrick - 1968)
10. Janela indiscreta (Alfred Hitchcock - 1954)

E mais estes, que também lá poderiam estar:
Lawrence da Arábia (David Lean - 1962)
Que viva México! (Sergei Eisenstein - 1930)
Amarcord (Federico Fellini - 1973)
Contos da lua vaga (Kenji Mizoguchi - 1953)
As asas do desejo (Wim Wenders - 1987)

Pormenores dos meus mais:
Não há filmes franceses e apenas um italiano.
Há três filmes alemães, dois deles mudos.
Não há nada posterior a 1987.
Há um filme inacabado, Que viva México!.
Não há nenhuma comédia.

sábado, 4 de agosto de 2012

25 ANOS SEM DICK FARNEY

"O que é que andas a ouvir?", perguntou o Carlos José Almeida. "Dick Farney", respondi, quase a medo e quase escondendo o LP. "O Di-ck Far-ney?", soletrou devagarinho, antes de se desmanchar a rir. Fui alvo da troça dos elementos da direção da associação de estudantes de Letras que por ali andavam. Por sorte, eram só mais dois ou três.

O episódio ficou-me gravado. Na altura (1984 ou 1985) não estava muito na moda ouvir crooners brasileiros (ainda por cima, o Carlos José era um fã convicto de Milton Nascimento). O confesso prazer em ouvir Dick Farney não ajudou nada à minha reputação musical, marcada por heterodoxias "pouco sérias", que incluiam os Heróis do Mar, os Delfins, os Specials, Kid Creole, António Machin, Los Panchos, Pepe Marchena, El Cabrero, Carlos Ramos, Amália, Perez Prado, Xavier Cugat etc. Eu dava o flanco e a malta da UEC caía-me em cima sem dó nem piedade.

Continuei a ouvir Dick Farney pela vida fora. Muitas vezes fiz o percurso entre Mértola e Moura ao som de Sábado em Copacabana, de Nick Bar, de Este seu olhar e do extraodinário dueto com Lúcio Alves, que imortalizou Tereza da praia.

Dick Farney chamava-se, na verdade, Farnésio Dutra e Silva (!). Deixou-nos faz hoje 25 anos.
 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

DECIFRADORES DE IMAGENS


O decifrador de imagens
persegue um fantasma de vestígios
como Ulisses amarrado
ao querer do conhecer

A descoberta é invenção provisória:
as vozes não se vêem
o que se vê não se ouve

A imaginação
ergue-se do arrepio da sombra
guerrilha entre parênteses
ergue-se da constante chacina
procurando outra coisa
outra causa
o outro lado do ver 



Somos, nestas tarefas, decifradores de imagens, de vidas e daquilo que ficou quando quase tudo se esqueceu. Pareceu-me que o poema de Ana Hatherly se adequa bem, nessa referência ao outro lado do ver, às escavações arqueológicas em curso no castelo de Moura. Gosto da palavra imaginação, tão necessária na leitura das estruturas e na reconstrução da História.

Eis a equipa, dividida entre androceu e gineceu:
Da esquerda para a direita - João Chamorro, Nelson Esperança, Francisco Seixas, o autor do blogue, Jorge Raposo, Mário Romero e José Gonçalo Valente;
Vanessa Gaspar, Clara Guerreiro, Marta Coelho, Teresa Carmo e Dina Chibito.

MAIS CAUSAS PARA O DESEMPREGO EM PORTUGAL

A expressão "tachista" era muito comum em Portugal, na época marcelista. Referia-se aos membros da oligarquia do regime, que acumulavam cargo sobre cargo.

Essa imagem do passado regressou quando soube que o Conde da Anadia, aka Miguel Pais do Amaral, acumula 73 lugares em administrações várias. Fazendo contas, e esperando estar dentro do espírito do novo Código do Trabalho:

Se MPA trabalhar 35 horas por semana (7x5) dá uns 29 minutitos por empresa/semana;
Se MPA der o litro numas 60 horas por semana (12x5) a coisa passa para 49 minutos/semana.

Um milagre de eficiência e de racionalização, tá a ouvir, Álvaro?

Não se contabilizam as horas no bridge, no golfe e nas corridas de carros, que também são trabalho.

É por essas e por outras que o desemprego entre os administradores de empresas é a desgraça que é...


Miguel Pais do Amaral festejando o 40º tacho. Ainda faltavam 33.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

MIGUEL RELVAS NOS JOGOS OLÍMPICOS

A saga Miguel Relvas, assim tipo Anita ou assim tipo Astérix, chegou a Londres.

O homem do cartaz chama-se José Santos. É um professor, de Cantanhede. É um homem do centro.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

BAB CHARQUI E BAB TOUMA

Foi com um arrepio que acompanhei as notícias, à hora do almoço. O conflito, na capital síria, chegou aos bairros cristãos da cidade. Era previsível que, mais tarde ou mais cedo, a comunidade cristã fosse envolvida na balbúrdia. Estou convencido, e oxalá me engane, que nada voltará a ser como dantes.

Em breve ouviremos falar de Maaloula e de Saydnaia, as aldeias aramaicas das montanhas do anti-Líbano...


Rua do bairro cristão de Damasco (outubro de 2003)

HIERÓGLIFOS E PASSARINHOS...

Recordações do mundo maravilhoso dos colóquios e dos congressos:

Foi há uns anos, num encontro de arqueologia. Um especialista fazia uma intervenção sobre hieróglifos. Com mal disfarçada satisfação, e com nítido talento artístico, desenhava e dava pormenorizadas explicações sobre os símbolos de uma determinada inscrição. A comunicação alongava-se, para evidente e crescente impaciência da moderadora, uma colega com tanto de competente como de intempestiva. Às tantas, e depois de um primeiro aviso de que o tempo se esgotara, resolveu interromper a apresentação, perguntando "olha lá pá, vais concluir ou pensas ficar aí o resto da tarde a desenhar passarinhos?".

Do meu lugar no público enfiei-me cadeira abaixo, como se fosse comigo, e vi uma espécie de película de gelo cobrir a face do arqueólogo. O resto da comunicação não terá demorado mais de 15 segundos.