segunda-feira, 10 de setembro de 2012

FEIRA DE SETEMBRO 2012

Vem aí a feira. A de setembro, a anual.

Highlights ou, como Lauro Dérmio, as luzes altas de um acontecimento que arranca no dia 13 à noite e vai até dia 16:

* A exposição sobre o cante alentejano e os desfiles de grupos corais;
* A mostra de aromas e sabores;
* O concurso de méis;
* O 3º forum da Escola Nacional de Caça, Pesca e Biodiversidade;
* O colóquio sobre apicultura;
* O concurso de petiscos;
* A apresentação do site mourataurina

Mais a feira tradicional, a animação musical e a presença massiva dos mourenses.


Ver: www.feirasdemoura.pt e www.mouraturismo.pt

domingo, 9 de setembro de 2012

MIGUEL BENTO

O senhor da fotografia chama-se Miguel da Conceição Bento e leciona no Instituto Politécnico de Beja. Conheço-o há 30 anos, desde os dias, já demasiado distantes, em que éramos colaboradores das escavações arqueológicas da alcáçova de Mértola. Às quais ele chegava, vindo de Alcaria Ruiva e sempre pontual, numa Casal ou numa V5 (engano-me sempre no modelo, por isso ponho os dois).

No outro dia contou-me que vai receber o "Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio", atribuído pela CASES. Foi distinguido na categoria Estudos e Investigação com um trabalho intitulado Vida e morte numa mina do Alentejo. Pobreza, Mutualismo e Provisão Social – O caso de S. Domingos (Mértola) na primeira metade do séc. XX. Perguntei-lhe se se podia divulgar. Na altura ainda não. Agora já pode. A entrega é amanhã à tarde, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Parabéns, Miguel!

Site do CASES: http://www.cases.pt/

sábado, 8 de setembro de 2012

COISAS QUE SE DIZEM NA NOSSA TERRA...

Post calêro.

A nossa terra (Moura) dá-me sempre motivos para descontrair, no meio da tensão diária.

Esta foi-me contada por fonte fidedigna e dá bem a medida como as coisas da política são, por vezes, lidas e percecionadas por quem está "por fora":

Um grupo de simpáticas reformadas discutia o futuro, numa conhecida pastelaria do centro da cidade. Uma delas garantiu, em tom enfático, que "o senhor vereador Messias está a tirar um curso no Algarve para concorrer a presidente da câmara". As outras senhoras aprovaram a ideia.

Apesar da improbabilidade da situação, o engraçado é o fenómeno de compressão dos factos e do tempo: o ter sido docente da Universidade do Algarve (em 2006/2007) e as eleições de 2013. Mas a ideia do curso tem o seu charme.

 
Nas margens do Ardila, em 1980.

No meio do grupo que o tio Zé designava sumariamente como os suspeitos do costume, muitos anos antes de ir estudar para o Algarve, para concorrer a presidente da câmara...

ALEXANDER MACKENDRICK - 8.9.1912

Alexander Mackendrick nasceu há exatamente cem anos. A sua carreira cinematográfica não foi particularmente prolífica (apenas nove longas-metragens) nem extensa (a última obra data de 1967, quando tinha 55 anos).

Talvez o seu filme mais conhecido seja O quinteto era de cordas (The ladykillers), uma brilhante comédia da fase dourada dos Estúdios Ealing. O argumento está cheio de boas ideias e tem um final à altura. Nunca mais se me apagou da memória Mrs. Louisa Wilberforce, a velhinha que não pára de dizer "Boccherini, Boccherini", cada vez que os supostos músicos ensaiam. Trata-se de um minueto, o terceiro andamento do célebre Quinteto para cordas em Mi maior, op. 11, nº 5, G 275. Garanto que é mais agradável de ouvir (aqui) do que de dizer. Podem ver o espetáculo de interpretação dado por Alec Guiness numa das cenas do filme (aqui).

O meu filme semanal é, ainda assim, outro. É um dos meus filmes favoritos de juventude e que, por isso mesmo, tenho reserva em rever. Os nossos olhos mudam e a poesia das coisas desaparece. Trata-se de uma obra que teve dois títulos - Sammy going south (na Grã-Bretanha) e A boy ten feet tall (nos Estados Unidos) - e cujo nome português desconheço. Conta a história de um rapaz cujos pais são mortos e cuja casa é destruída durante a crise do Suez. Sammy resolve por-se, sozinho, a caminho de Durban, a mais de 6500 kms., onde vive a sua tia. As peripécias são inúmeras e Sammy going south foi fustigado por várias razões. Em particular pelo seu "paternalismo" para com os africanos. O que me ficou gravado, até hoje, não foi o paternalismo ou a procura de uma abordagem realista por parte de Mackendrick. Mas sim, e quase só, a longa jornada solitária de Sammy em direção a sul. Aqui fica a única cena que encontrei, a recordar uma outra do filme Shane. É menos onírica que a ideia da viagem, mas tem nervo. Já não se fazem filmes assim. Agora quem manda são os computadores.




sexta-feira, 7 de setembro de 2012

AVANTE!

É um dos grandes momentos políticos do ano. É, seguramente, a maior festa política de Portugal. Os ataques têm sido muitos, os disparates mais que muitos. O meu preferido foi narrado pelo meu camarada Ruben de Carvalho: uma jornalista vivaça e arguta argumentava que parecia estar mais gente no comício porque tinham chegado o palco à frente, diminuindo o espaço. Acontece que o palco é de betão e está solidamente alicerçado. Um detalhe para jornalistas vivaças e argutas...

De hoje a domingo, não há festa como esta. Ver http://www.festadoavante.pcp.pt/

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A FEIRA DE MOURA, MUITOS ANOS DEPOIS


Recordações da feira de Setembro. A fotografia de cima foi tirada em 8 de setembro de 1968, na praça de Moura. Os forcados são os de Évora. Não tenho memória desse dia, mas foi a primeira corrida de touros a que me levaram. Melhor dizendo, o João pegou-me na mão e levou-me. Muitos anos depois, em 2000, fiz o mesmo com o Manuel, depois de um curto e vigoroso debate com alguém que achava o espetáculo "bárbaro". O miúdo foi, adorou e cresceu sem sequelas.

A imagem de baixo, com Ricardo Chibanga em primeiro plano, só pode ter sido obtida em outubro, por volta de 1970. Porquê outubro? Porque no primeiro domingo do mês havia uma noturna, integrada nas Festas de Nª. Senhora do Carmo.

A feira anual de Moura começou por ser em agosto (dia 15), mas a tradição que sempre conheci foi a dos dias 8, 9 e 10. Frequentemente, as datas caíam no meio da semana e a feira perdia fulgor, a olhos vistos. Em 1988 decidiu-se, e bem, adotar o modelo atual.



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ENSINO SOBRE RODAS


Uma investigadora da Universidade do Minho apresentou uma proposta interessante: as autarquias deveriam oferecer bicicletas aos estudantes em vez de pagarem os passes escolares aos alunos do 1º ao 9º ano. Não sei se Beatriz Pereira andou pelas bandas do maoísmo e se inspirou no exemplo chinês. Devo dizer, em todo o caso e sem ponta de ironia, que estou 100% de acordo com a ideia. A solução é, realmente, mais ecológica, mais saudável. Não sei se é mais económica, mas admito que sim.

Mas é uma proposta irrealizável. António Ganhão, vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, já veio dizer que “não é exequível. Os pais não aceitariam que os filhos fossem assim transportados. É perigoso e no Inverno, com a chuva, não é fácil”. Há concelhos onde a dimensão geográfica não permitiria esta solução, é bem verdade. Mas Beatriz Pereira denota também algum bem intencionado desfasamento da realidade pequeno-burguesa nacional. No interior de muitas das nossas localidades, mesmo nas de menor dimensão, os alunos que não têm passe escolar são transportados de carro pelos pais até à escola. Coitadas das criancinhas, que não podem apanhar um pouco de sol nem de chuva... À conta disso, várias vezes passei, em Mértola, por "pai tirano".

Não acho grande graça às intervenções de Ai Weiwei (n. 1957), mas gosto desta.

FINALMENTE, UMA NOTÍCIA DECENTE...

É uma notícia inesperada. Mas claramente positiva. O esquema mandongo (passe o alentejanismo) da lista única para a Assembleia Municipal e dos executivos municipais homogéneos ainda não é desta que avança.

A proposta de alguns dos nossos cientistas políticos em quererem imitar, à escala local, o governo do país, é uma intenção funesta. E, ao contrário do que pretendem, não melhoraria a democracia. Pior ainda, já se adivinhavam a criação de comissões de inquérito no âmbito das assembleias (tendo em conta o exemplo da AR é melhor não se ir por aí...) e a possibilidade de moções de censura.

Vinte anos disto dão-me estas convicções:

1. A presença da oposição nos executivos é importante. Pretender substituir este sistema por um suposto reforço de poderes da assembleia municipal revela desconhecimento (quem assim fala terá muita ciência política mas uma mais que óbvia falta de prática)

2. O argumento, que já ouvi, de que os conselhos de administração das empresas não têm lá a concorrência, deixa-me aturdido; é que a "concorrência" resulta, neste caso, da vontade dos eleitores.

3. São raríssimos os casos de bloqueio que se verificaram ao longo de 36 anos de Poder Local Democrático. Agradeço aos cientistas de turno que demonstrem o contrário.

4. Algumas elites sempre olharam com desconfiança para este sistema, que permitiu a subida ao poder, nos Municípios, de gente oriunda do povo. Vai daí, e à boleia da troika, criam-se cortes, diminuições, esquemas quase policiais de vigilância e formas mitigadas de poder. O poder é coisa que elas sabem usar. Nós não.

5. Há, nas franjas do poder e das elites, quem aceite este estado de coisas e se satisfaça com pequenas migalhas. Nós não.

Não haja ilusões, porém... Este recuo é circunstancial.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

ANTONIO MACHÍN

Contas erradas. Pensava que Antonio Machín tinha falecido a 4 de setembro. Foi a 4 de agosto de 1977, há 35 anos e 1 mês. Aqui lhe presto homenagem, com El manisero. Rumbas, boleros e cha-cha-chas eram o mundo deste cubano, hoje um pouco esquecido e que já por aqui passou.

Esta gravação antiga tem um encanto suplementar: Machín não devia estar muito habituado a essa coisa do playback e, às vezes, desacerta. Reparem no início... E no fim... O melhor é verem tudo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PONTAPÉ PARA A FRENTE?

Primeiro foi o Nelson Oliveira, depois o Yannick Djaló, depois o Saviola, depois o Nolito, depois o Javi Garcia, depois o Witsel. São muitos milhões, mas eu sou sócio de um clube, não de uma agência do euro-milhões.

E o mister é que sabe, mas sem meio-campo, como é que as bolas chegam lá à frente?

DUAS CEREJAS



ALGUMAS PERGUNTAS E ALGUMAS RESPOSTAS SOBRE DUAS CEREJAS

Na última edição deste jornal podia ler-se, na última página, uma nota onde o meu nome era expressamente referido. A que propósito? Por causa das intervenções em curso em vários locais da cidade, aos quais o meu trabalho como vereador da Câmara Municipal está associado. As quais incluem a componente arqueológica no castelo de Moura, projeto iniciado num já longínquo 1989.

O tom era simpático e mencionavam-se (cito de memória) o meu “empenho” e “dedicação”. Concluía-se que a cereja em cima do bolo seria a reabilitação do convento do castelo.

Ainda que as palavras de “A Planície” sejam lisonjeiras, convém clarificar que não há vitórias solitárias nem salvadores da pátria. As vitórias e os avanços conseguidos, bem como os aspetos menos conseguidos e as derrotas, são assumidos coletivamente. E envolvem os colegas da vereação, os trabalhadores da Câmara Municipal e as equipas internas e externas com as quais temos trabalhado.

Reabilitar o Convento das Dominicanas seria a cereja em cima do bolo? É verdade.

Então porque não se reabilita? Primeiro, porque o trabalho de reforço das estruturas foi feito há cerca de seis anos e orçou em quase 500.000 euros (financiamento governamental: zero), depois porque é necessário desenvolver um projeto para o imóvel, encontrando-lhe um uso adequado e financiando as suas obras. Com tantas obras a decorrer e com a especificidade desta intervenção, isso não seria possível.

O Convento será um museu? Não me parece que seja esse o uso adequado, uma vez que há programas com  esse fim noutros edifícios.

Qual o prazo estimado para a reabilitação do Convento? E quais os custos? A manterem-se as condições atuais de financiamento das autarquias e com o garrote a apertar não é viável pensar que o edifício possa estar recuperado antes de 2017 ou 2018. Os valores não serão inferiores a 3 milhões de euros. E recordemos que antes disto está a recuperação do antigo grémio da lavoura, que defendo como a próxima grande intervenção.

É essa a única cereja que falta no âmbito da reabilitação do património da cidade? Não é. Para além da futura biblioteca (excluída deste pacote por estar fora da área geográfica que justificou o pacote de obras em curso) temos ainda o Convento do Carmo.

Porque não avança o Convento do Carmo? Porque não se conseguiu ainda, arranjar a parceria para o fazer. E porque os valores envolvidos – a reconversão em unidade hoteleira, por exemplo, não é possível por menos de 5/6 milhões de euros – são significativos. Numa altura de retração do investimento mais difícil a tarefa se torna.

O Convento do Carmo vai ser um hotel? É das possibilidades, mas não a única. Depois de cometida a inacreditável estupidez de se ter de lá tirado o centro de saúde é preciso adequar o espaço a novas funções. Por favor, poupem-me a modelos de gestão do género “centro cultural”, “universidade”, “museu” etc. Façam-se contas, veja-se o País em que vivemos e calculem-se futuras amortizações antes de se fazerem propostas.

São tarefas fáceis? Não são. Por isso mesmo se tornam mais interessantes e o desafio é maior. Por isso mesmo me/nos empenhamos nestes projetos.

Há outras propostas concretas e fundamentadas (não me refiro a sugestões e hipóteses) para o Convento do Carmo? Venham de lá elas. Se forem viáveis não haverá um segundo de hesitação.

Devia a Câmara ter assumido a tarefa de chamar a si o Convento do Carmo? Claro que sim. Do interesse do Poder Central nestas matérias estamos conversados. Pelo que, das duas uma: ou fingiamos não ver o problema ou o atacávamos, ainda que sem a certeza de um sucesso. Ficar imóvel e à espera em nada nos ajuda.

Uma nota final sobre estas e outras cerejas: tenhamos em mente que vivemos em Portugal, um país pobre e periférico, e que a nossa região tem particulares dificuldades. Não vale a pena pensarmos que somos a Noruega ou a Alemanha. Os investimentos feitos tiveram essa realidade em conta, pelo que não haverá obras para encher o olho, mas sem conteúdo, nem elefantes brancos que se convertem em sorvedouros de dinheiro. O futuro será pelo mesmo caminho.

Texto publicado em "A Planície" do passado dia 1 de setembro. Está em causa a futura reabilitação de dois imóveis de grande importância na vida, e no passado, da cidade.

domingo, 2 de setembro de 2012

AVANTE, AMARELEJA!

Éramos cerca de uma centena à volta de um almoço. Horas de confraternização, de troca de informações e de preparação para os tempos que se avizinham.

Um domingo diferente, no calor da vila da central fotovoltaica. Foi na cantina da Escola das Cancelinhas, na Amareleja. Uma iniciativa da organização local do PCP, que contou com intervenções de José Maria Pós-de-Mina e de João Ramos.

 

sábado, 1 de setembro de 2012

DAS GUERRAS - 2

Quotidiano das guerras. Poucas fotografias me impressionaram tanto, nos últimos anos, como este trabalho da alemã Anja Niedringhaus (n. 1965). São vidas passadas à sombra das guerras, de tal modo que elas acabam por, placidamente, se incorporar no quotidiano.

A forma como nos projetamos sobre as imagens é um jogo de enganos. Não sabia onde tinha sido feita esta fotografia. Convenci-me que fora na Faixa de Gaza, o sítio que mais associo a uma guerra permanente e eterna. Enganei-me. É no Afeganistão.

DAS GUERRAS - 1

Castelo das Guerras. A última deslocação ao Castelo das Guerras tinha sido em agosto de 1990. A curiosidade espicaçou-me, vinte e dois anos volvidos. É um sítio impressionante, pejado de materiais cerâmicos. Há tégulas, e um invulgar número de telhas digitadas, por toda a parte, incluindo os muros da propriedade. Pressentem-se vários "arranjos" do solo, denunciados em taludes que nada têm de natural. 

Há uma pequena publicação sobre o sítio, dada à estampa nos vols. II-III da Setúbal Arqueológica (1976-77):
CAEIRO, José Olívio da Silva, “Marcas de oleiro em «terra sigillata» itálica do Castelo das Guerras (Moura)”, pp. 419-422



L' OMBRA DEL CALVARIO


Nunca tinha ido à Rocha do Calvário, em Santo Aleixo. Isto apesar do conhecido afloramento rochoso estar mesmo à saída da aldeia. Fui ontem, no final de uma tarde passada nos arredores de Santo Aleixo. As sombras projetam-se desta forma, fazendo lembrar a célebre estatueta de Volterra. O meu amigo José Manuel Godinho olhava, meio intrigado, com aquele ar de "mas o que é que raio o gajo tá para ali a fazer?".

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

REGENERAÇÃO URBANA: MOURARIA

E agora, a Mouraria. Um dos bairros mais extraordinários da cidade. Tem três ruas (Primeira, Segunda e Treceira, assim mesmo, e um Largo). É um conjunto classificado como "de interesse público", mas tão interessante como a arquitetura é o ambiente da Mouraria.

O bairro remonta ao século XIII, quando a população muçulmana foi expulsa do castelo e forçada a instalar-se numa área parcialmente ocupada pela antiga maqbara. Em meados do século XVII, parte do bairro, que se estendia até à zona da atual Rua de Santo António, foi sacrificado, uma vez que se tornou imprescindível construir as novas muralhas.

A Mouraria foi incluída nas Parcerias para a Regeneração Urbana, o vasto plano de intervenções que a Câmara Municipal de Moura tem em concretização. O valor total da empreitada ronda os 420.000 euros. A obra deverá estar concluída no início de 2013.

É um passo, mais um, e bem importante, na valorização da cidade e do concelho.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ARTE ISLÂMICA - 1/10

Inicia-se aqui um novo percurso. Mais dez passos. Chega a vez da arte islâmica. Entendida aqui no sentido da arte islâmica do Mediterrâneo.

Por onde começar? Quando me pedem um exemplo extraordinário da arte islâmica ocorre-me, sempre, citar em primeiro lugar o chamado "quarto de Alepo". O quarto está protegido por um vidro. Pude uma vez lá entrar, quando estava a ser desenvolvido o projeto Discover Islamic Art.

O "quarto" é, na realidade, um conjunto de painéis pintados, que forravam as paredes da sala de entrada de um rico mercador cristão da cidade de Alepo. As representações são um exemplo acabado da melhor arte otomana (os painéis datam de inícios do século XVII), numa conjugação de motivos geométricos e florais. Há temas cristãos que se misturam com outros, oriundos da tradição persa. A única palavra que me ocorre para classificar o quarto de Alepo é "luxuriante".

O quarto foi comprado, em 1912, pelo alemão Friedrich Sarre para o Museu de Arte Islâmica, de Berlim, onde hoje se encontra.


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AINDA A EXPOSIÇÃO "DO GHARB AO ALGARVE"

Post quase "criptado" (e destinado, antes de mais, aos arqueólogos que, no ARCHPORT, acompanharam uma polémica sobre a exposição acima referida).

Foi afirmado, e a propósito do meu trabalho como comissário científico da exposição, que eu teria desconsiderado e ignorado uma colega, tendo o autor do mail (Mário Varela Gomes) afirmado "se R[osa]. V[arela]. Gomes foi convidada para algo referente à exposição, cabe a S[antiago]. M[acias]. demonstrá-lo."

Muito bem. Aqui ficam cópias do ofício de convite e da resposta dada por Rosa Varela Gomes, de aceitação ao mesmo.

O assunto está, em definitivo, encerrado. Não serão publicados quaisquer comentários sobre este tema.






WHISTLER & BORJA & DR. BEAN


Hello, I'm Dr. Bean. Apparently. And my job is to sit and look at paintings. So, what have I learned that I can say about this painting? Well, firstly, it's quite big, which is excellent. If it were very small, microscopic, then hardly anyone would be able to see it. Which would be a shame. Secondly, and I'm getting quite near the end of this... analysis, secondly, why was it worth this man spending fifty million of your American dollars? And the answer to that is, that it's a picture of Whistler's mother. And as I've learned, staying with my best friend David Langley and his family, families are very important. Even though Mr. Whistler was obviously aware that his mother was a hideous old bat who looked like she'd had a cactus lodged up her backside, he stuck with her, and even took the time to paint this amazing picture of her. And that's marvellous. It's not just a painting. It's a picture of a mad old cow who he thought the world of. Well that's what I think.

É esta a "análise" que Mr. Bean faz do quadro Composição em Cinzento e Negro nº 1, mais conhecido como A mãe de Whistler. A obra data de 1871, quando Anna McNeill Whistler tinha 67 anos. James Whistler (1834-1903), apesar da sua aclamada obra, tornou-se mundialmente conhecido pelo suposto restauro que Mr. Bean fez desta sua obra. O filme tem sido citado, de forma recorrente, nos últimos dias.

Esclarecimento final: o quadro não está nos Estados Unidos, mas sim no Musée d'Orsay, em Paris. Vale a pena ver a "explicação":

terça-feira, 28 de agosto de 2012

PESCADOR DA BARCA BELA

Ia, no outro dia, descendo a rua quando ouvi, 20 metros mais abaixo, alguém que cantava no rio uma belíssima moda. Era uma daquelas vozes melancólicas e cheia de uns trinados que, mesmo no cante alentejano, vão sendo cada vez mais raros.

A voz do pescador enchia o anfiteatro natural que Mértola é, para meu encanto e para espanto de um grupo de turistas alemães  que assistia, fascinado, àquela magnífica exibição.

Ao escutá-lo não pude deixar de me lembrar de Michel Giacometti, que me contou que tinha em tempos ouvido as mesmas melodias, os mesmos cantos de trabalho, em Marrocos e em Portugal, prova provada que o mundo de cá e o mundo de lá são criação recente das polícias e das alfândegas. Não pude deixar de pensar naqueles que melhor representam as músicas de tradição mediterrânica. Na Ti Chitas, pastora de Penha Garcia, na "Senhora do Almortão", nos adufes de Idanha e em alguns grupos corais do Alentejo. Recordei-me das vozes únicas de Pepe Marchena e de El Cabrero, ainda que seja difícil convencer muitos portugueses que os fandangos de Huelva estão entre as mais belas sonoridades do mundo. Vieram-me também à memória os nomes de Manuel Bento, Perpétua Maria e Francisco António, os artesãos daquela estranha e magnífica arte do cante e do toque campaniço.

A arte do cante do Mediterrâneo português definha. É com amargura que se ouve cantar cada vez pior, por entre grupos de música etnopimba e por entre supostas, e mais que discutíveis, modernizações. A voz daquele pastor de meia-idade representa o que vai resistindo de uma cultura milenar. Há muitas centenas de anos que as margens do Guadiana, e os esplendorosos cerros à sua volta, ouvem pescadores cantar a mesma musicalidade, dita umas vezes em latim, outras em árabe, outras enfim em português. A quem terá ele escutado aqueles sons? Terá ensinado algum neto a cantar como ele? Ou, no dia em que ficar demasiado velho, ninguém tomará o seu lugar naquele barco do Guadiana?

Ao ritmo lento da remada, o pescador continuou a cantar. No fim, os turistas romperam em aplausos e aos "bravos!", como se estivessem em plena Ópera de Berlim. O pescador retomou as cantigas. Fui-o seguindo, até o perder na curva do rio.


José Domínguez Muñoz, El Cabrero (n. 1944)

Dois motivos me levaram a republicar este texto, uma crónica do "Diário do Alentejo" de 29.1.1999: ter ouvido, há dias, este pescador, cantando entre o Guadiana e o Oeiras; ter estado no almoço de aniversário do Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Amador. O mesmo grupo que gravou uma moda sobre as oliveiras, que ilustrava, como som de fundo, uma exposição no Rio de Janeiro. Tudo o que vale a pena se conjuga.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

QUAL PLANO ESTRATÉGICO, QUAL HISTÓRIA...

Andamos nós nas autarquias em grandes debates e em profundas elocubrações para promovermos os nossos concelhos e as nossas regiões. Andamos nós inventando eventos e organizando feiras. Andamos nós debatendo os planos integrados e os planos estratégico e o ordenamento... Andamos nós atrás dessa palavra mágica que é o "turismo".

E depois, chega uma velhota doidivanas, esborrata uma pintura mediana de um autor obscuro e torna-se um fenómeno mundial, com referências em tudo o que é comunicação social. Multiplicam-se as piadas e as cópias na net. A igreja de Borja (Zaragoza) tornou-se, de um dia para o outro, uma atração turística. Corrigir o "restauro"? Eu não corrigia coisíssima nenhuma.



É POR ESTAS COISAS QUE GOSTO DE PORTUGAL - 2


O que me agrada aqui é a singeleza e simplicidade do nome: Grupo de Trabalho Para a Definição do Conceito de Serviço Público de Comunicação Social. Estas coisas são, em Portugal, de uma austeridade bizantina.

Em todo o caso, e depois das investidas dos últimos dias, vale a pena ler o relatório do grupo de trabalho:



É POR ESTAS COISAS QUE GOSTO DE PORTUGAL - 1

A GNR garante que desenvolve esforços "na tentativa de redução de duas das principais causas de sinistralidade rodoviária - excesso de velocidade e velocidade excessiva". Estas subtilezas dão cabo de mim. Mas até aqui ainda aguento.

O que tenho pena é que tenhamos perdido a bonita tradição dos nomes portugueses nas operações da corporação. A última chamou-se "Speed Enforcement". Ora bolas. Se a moda pega ainda vamos ter saudades do "Natal Sobre Rodas", da "Páscoa Feliz", do "Carnaval Risonho", do "Ano Novo Seguro" e de tantos outros, que encheram de poesia os nossos corações.

Que será feito do Capitão Quesada, porta-voz de tantas e tantas operações?


domingo, 26 de agosto de 2012

O OVO DE MONTENEGRO

Fechar a RTP2, vender a RTP1 e tudo o resto é o ovo de colombo a que temos direito. Cada País tem os montenegros que merece...

Sem dúvida que esta ideia é o nacional-relvismo no seu melhor. E a Antena 2 que se cuide. Nas mãos de um bazarista fecha ao fim de uma semana.



SANTO ALEIXO, ENTRE O SACRO E O PROFANO


As festas no sul têm destas coisas. Aliás, as festas no sul são isto mesmo. A mistura do sacro e do profano e a transfiguração de uma coisa noutra. Há párocos que não percebem isso, e por isso não se entendem com as suas comunidades, fazem discursos penosos e passam ao lado da vida.

Ontem foi dia de festa em Santo Aleixo. A solenidade da procissão, onde se destaca o andor andaluz de Nossa Senhora, rapidamente deu lugar a outra celebração. E a magnífica banda da Amareleja depressa passou de músicas sérias para outros tons. Veja-se a curta gravação, feita em frente ao "Tijolo", onde, ao som do Paquito e com a ajuda coreográfica da minha amiga Isabel Balancho (a senhora vestida de escuro no lado esquerdo das imagens), a rua se tornou em borga.

Bendita festa.


Fotografia: Alberto Frias

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ALMEIDA: O QUARTEL DAS ESQUADRAS


Um quase blitz, salvo seja, a norte, para desembarcar em Almeida. O arq. João Campos convidou-me para vir apresentar as fortificações de Moura. E para falar um pouco do futuro dos Quartéis. Até aqui tudo bem. Nada de novo. O que eu não esperava era que os colegas de Almeida ficassem surpreendidos por haver em Moura uma estrutura muito semelhante ao Quartel das Esquadras. Melhor dizendo, este último é que é semelhante ao nosso. É que o de Moura é mais antigo cerca de três décadas. Mais um elemento de valorização para o nosso património. E para o de Almeida. Mais contactos se seguirão em breve.

A fortaleza de Almeida é aquele esplendor que se vê na fotografia de cima. O Quartel das Esquadras, em baixo, é um siamês do nosso.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O MÉTODO, A ORDEM, A DISCIPLINA, OS ALEMÃES E OS CABIDES

Ora aqui vai um post silly season:

Um dos mais usados chavões é o da disciplina alemã (às vezes usa-se a palavra prussiana). Podia ser só um mito, mas com o passar do tempo convenci-me que não é assim. E há pequenos detalhes que dizem muito. Ou quase tudo. Como o detalhe dos cabides.

Uma vez, nos meus tempos de estudante, fui consultar livros ao Instituto Arqueológico Alemão (cuja biblioteca ficava num 7º andar da Av. da Liberdade, com os mais velhos se recordarão). Sentei-me e pendurei o casaco nas costas da cadeira. Menos de um minuto depois, a arqueóloga alemã responsável pelo serviço, arrancou o casaco da cadeira repreendendo-me "temoshh cábidéshh". Abriu um armário e pendurou o casaco num cabide. Estava visivelmente chateada com a minha nonchalance. Anos mais tarde, a cena repetiu-se, na biblioteca do IAA, em Madrid. Aí em versão cinema mudo. Uma mulher imensa, que fazia recordar um Jean Claude van Damme de saias, estendeu-me um cabide, sem dizer palavra. Tive medo dela e obedeci, rapidamente. Terceiro episódio, no Museu de Arte Islâmica de Berlim. A reunião começa e é interrompida menos de um minuto depois. O Dr. Kröger tinha identificado um casaco na parte de trás da minha cadeira. Levantou-se, com um ar resignado, para aparecer, uns segundos mais tarde, com um cabide.

Agora já não tenho dúvidas: ou a questão dos cabides é mania dos arqueólogos alemães ou é mesmo um problema civilizacional.

CÂMARA MUNICIPAL APOIOU FESTAS NA AMARELEJA

Não me refiro, bem entendido, à presença dos eleitos na festa.  Como sempre, e com prazer, estivémos e estaremos presentes. Importa sublinhar o apoio técnico e logístico a diversos eventos. Tal como hoje informámos em reunião de câmara foi cedido, sem encargos para a organização, o gerador que é habitualmente utilizado pelo Grupo Desportivo Amarelejense.

Uma nota final para referir o trabalho incansável da Cidália Guerreiro nestas Festas da Amareleja. Quando se pensa que há impossíveis e que a logística é uma tarefa inultrapassável, há sempre alguém que dá sequência e solidez ao que é preciso fazer.



A fotografia está na página do facebook Turismo Amareleja

terça-feira, 21 de agosto de 2012

ESTE ANO A FEIRA DE MOURA É NOUTRO FIM DE SEMANA?

De vez em quando, surge a pergunta: este ano a feira de Moura mudou de data? Seguem-se explicações e sugestões, mais ou menos cabalísticas, para o "facto".

As feiras de setembro não migram, nem mudam de fim de semana. Há mais de 20 anos que o texto do regulamento é o mesmo, dizendo expressamente que as feiras de maio e de setembro se realizam no segundo fim de semana, contado pela segunda sexta-feira de cada um daqueles meses. Repito: há mais de 20 anos que é assim.

Ou seja, se o regulamento não sofrer alterações são estas as datas dos próximos anos:

12 a 15 de setembro de 2013
11 a 14 de setembro de 2014
10 a 13 de setembro de 2015
8 a 11 de setembro de 2016
7 a 10 de setembro de 2017
13 a 16 de setembro de 2018

PASSES DE MULETA - 2: NATURAL

Muitas vezes considerado O passe de muleta (v. aqui). É executado com a mão esquerda, sem a ajuda do estoque. O remate faz-se sempre por baixo. O passe natural ou ao natural costuma ser rematado por um passe de peito. É um exercício de alto risco, em que a palavra lentidão se torna sinónimo de dificuldade.

Julián López, El Juli

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O SENTIDO PERDE-SE NA TRADUÇÃO


Um dos meus "passatempos" preferidos é ver onde andam os meus colegas de liceu e de faculdade. O que será feito daquele puto atinado que estava sempre na primeira fila, a beber os ensinamentos do prof? Onde parará aquele vândalo que só tinha ideias desatinadas e que passava metade da semana a caminho do diretivo? Que carreira terá feito a graxista-mor, que dava pontapés na gramática, mas era exímia na sabujice?

Tenho de tudo no passado escolar, embora as memórias mais vivas sejam as da Faculdade: historiadores, músicos, professores, bibliotecários, museógrafos, arquitetos, paisagistas, funcionários judiciais, jornalistas, um designer de moda, inspetores da PJ, radialistas, apresentadores de TV, um ministro (!) etc.

Mas o meu preferido é um colega de História da Arte da Faculdade de Letras que, num momento de aperto, se dedicou à tradução de filmes. Bom, mais ou menos... Foi contratado para traduzir um filme porno, que tinha o título, discreto e nada óbvio, de Os bacamartes da Mauritânia. Quando lhe disse que aquilo não devia ter nada para traduzir pôs um ar falsamente ofendido e ripostou: "é mais difícil do que pensas; são argumentos muito elaborados; o sentido-se vai-se todo na tradução".

Cruzei-me com ele há uns meses. Não falámos no assunto. Mas não está nas traduções de filmes desde há muito.

domingo, 19 de agosto de 2012

VA POR USTED, SENHOR PRESIDENTE!

O ex-presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo não gosta de corridas de touros. O atual Presidente também não. O futuro Presidente não sabemos.

Eles não gostam e querem que nós não gostemos. Como diz o meu amigo Ricardo Lemos, de Safara, isto é o fascismo com cara de alface. Ameaçam agora criar na Associação Nacional de Municípios Portugueses uma secção de municípios que não gostam de corridas de touros. Se a moda pega vai ser giro: Secção de Municípios Que Não Gostam de Música Pimba, Secção de Municípios Que Acham o Ronaldo Melhor Que o Messi, Secção de Municípios Cujos Presidentes Tratam o PM por TU etc etc.

Gostava de ser Presidente da Câmara em Viana do Castelo. Com este nível de preocupações, dá a ideia de ser um sítio menos stressante que ser autarca em Moura.

Hoje há corrida em Viana do Castelo. Ainda bem que há.

sábado, 18 de agosto de 2012

MIDNIGHT IN PARIS

A quadragésima segunda longa-metragem de Woody Allen é um conto de fadas. Uma cinderela parisiense, com viagens a momentos fulcrais da história da cidade nos séculos XIX e XX. O filme tem uma aura de encanto, para a qual concorrem o inspirado argumento, a música de Sidney Bechet e o ambiente da própria cidade. E o trabalho do iraniano Darius Khondji, que empresta a cada cena os tons apropriados, dominado as cores quentes e os tons suaves. O arranque de Midnight in Paris (v. aqui) é prodigioso, como o fade-out de cor à medida que se entra na noite. Escolhi, neste filme da semana a cena em que Gil, aturdido, se dá conta de estar ante o próprio Cole Porter, que apresentava numa sessão para amigos o seu Let's do it. O ar de Gil não escapa a uma jovem que lhe diz, como num bom conto de fadas, you look lost.

Uma muito jovem amiga minha ficou em pulgas quando lhe contei que um pequeno restaurante que aparece no filme (Le polidor) não é cenário e que, além de ser acessível, ainda é mais encantador do que parece na película. Acabou por ir lá, meses depois. Nunca mais se esqueceu (nem esquecerá) do episódio.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

PERMANÊNCIA





Agora me lembra um, antes me lembrava outro.

Dia virá em que nenhum será lembrado.

Então no mesmo esquecimento se fundirão.
Mais uma vez a carne unida, e as bodas
cumprindo-se em si mesma, como ontem e sempre.

Pois eterno é o amor que une e separa, e eterno o fim
(já começara, antes de ser), e somos eternos,
frágeis, nebulosos, tartamudos, frustados: eternos.
E o esquecimento ainda é memória, e lagoas de sono
selam em seu negrume o que amamos e fomos um dia,
ou nunca fomos, e contudo arde em nós
à maneira da chama que dorme nos paus de lenha jogados no galpão.

Faz hoje 25 anos que morreu Carlos Drummond de Andrade, de quem se reproduz Permanência. O poeta faleceu 12 dias depois de ver partir a sua única filha. Queria acompanhar um dos seus poemas por uma pintura. Ocorreu-me Arnold Böcklin e este Villa al mare, pintado entre 1871 e 1874, com aquela silhueta misteriosa que contempla o mar e que tanto evoca a mais completa solidão.