terça-feira, 20 de novembro de 2012

OMONIA

Aquele início de 2006 foi tudo menos pacífico. Foi, na verdade, um autêntico caos pessoal. Por isso, a preparação da viagem à Grécia sofreu inúmeros percalços e a escolha de sítios e percursos fazia lembrar vagamente uma prova de ski alpino. Quando se tratou de marcar o hotel em Atenas optei pela zona de Omonia. Por ser central. Só no combóio entre o aeroporto e a cidade abri o guia da Lonely Planet. Tive um calafrio ao ler:

Chic is not a word that springs readily to mind when describing the district of Omonia, north of Syntagma. Once one of the city´s smarter areas, Omonia has gone to the dogs in recent years and is better known for its pickpockets and prostitutes than its architecture.

Não tive margem para desapontamentos. À saída do metro estava um mocetona nua (repito, nua), com uma espécie de rede de pesca a "tapá-la" e um triângulo de tecido a cobrir a zona púbica. O chulo, um negro imenso, de cabeça rapada e longo rabo de cavalo, discutia com ela. O queixo do Manuel, então com 12 anos, descaiu. A Luísa, com 9, perguntou "porque é que a senhora está despida?". Depois de uns momentos difíceis com a família, tudo estabilizou. O bairro era tranquilo e as trabalhadoras e os clientes ignoraram-nos. Havia menos turistas que noutras zonas da cidade, claro. No essencial, era uma zona residencial, tranquila e sem nada de mais.

Não se se algum dia voltarei a Atenas. Se voltar, escolherei de novo Omonia. Estes bairros têm sempre mais graça que os outros.

A Praça Omonia, nos dias de glória

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

SQUARE KILOMETRE ARRAY - UM PROJETO INTERNACIONAL QUE PASSA POR MOURA

A Zélia escreveu, lapidarmente (v. aqui):

Depois da maior central fotovoltaica do mundo, Moura vai receber uma das 10 estações de antenas que vão servir de base de ensaios ao Square Kilometre Array Telescope (SKA).

Isto deve ser só um golpe de sorte. A chatice é que a sorte dá muito trabalho... muito mesmo. Tanto que há sempre quem prefira  ficar de papo para o ar e depois destilar o veneno nas esplanadas ou no facebook. São os corajosos desta vida. Ou talvez simplesmente não tenham competência para mais.

A Zélia tem, obviamente, razão. A notícia da instalação deste equipamento, que vai ficar na Herdade da Contenda, saiu na passada semana na Exame Informática e é motivo de satisafação para todos (ou quase todos) os mourenses. E claro está que estas coisas não nascem de um dia para o outro nem surgem com um estalar de dedos. A apresentação do projeto ocorreu há mais de dois anos, conforme então dei conta (v. aqui). Moura está no centro do Universo? De certo modo, até podemos dizer que está.

Já gostava do outro SKA, agora gosto também deste. 

Depois da maior central fotovoltaica do mundo, Moura vai receber uma das 10 estações de antenas que vão servir de base de ensaios ao Square Kilometre Array Telescope (SKA).

Isto deve ser só um golpe de sorte. A chatice é que a sorte dá muito trabalho... muito mesmo. Tanto que há sempre quem prefira  ficar de papo para o ar e depois destilar o veneno nas esplanadas ou no facebook. São os corajosos desta vida. Ou talvez simplesmente não tenham competência para mais.

Read more: http://acucaramarelo.blogspot.com/#ixzz2CccyUVLN
Depois da maior central fotovoltaica do mundo, Moura vai receber uma das 10 estações de antenas que vão servir de base de ensaios ao Square Kilometre Array Telescope (SKA).

Isto deve ser só um golpe de sorte. A chatice é que a sorte dá muito trabalho... muito mesmo. Tanto que há sempre quem prefira  ficar de papo para o ar e depois destilar o veneno nas esplanadas ou no facebook. São os corajosos desta vida. Ou talvez simplesmente não tenham competência para mais.

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Depois da maior central fotovoltaica do mundo, Moura vai receber uma das 10 estações de antenas que vão servir de base de ensaios ao Square Kilometre Array Telescope (SKA).

Isto deve ser só um golpe de sorte. A chatice é que a sorte dá muito trabalho... muito mesmo. Tanto que há sempre quem prefira  ficar de papo para o ar e depois destilar o veneno nas esplanadas ou no facebook. São os corajosos desta vida. Ou talvez simplesmente não tenham competência para mais.

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Depois da maior central fotovoltaica do mundo, Moura vai receber uma das 10 estações de antenas que vão servir de base de ensaios ao Square Kilometre Array Telescope (SKA).

Isto deve ser só um golpe de sorte. A chatice é que a sorte dá muito trabalho... muito mesmo. Tanto que há sempre quem prefira  ficar de papo para o ar e depois destilar o veneno nas esplanadas ou no facebook. São os corajosos desta vida. Ou talvez simplesmente não tenham competência para mais.

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PRIMEIRAS LEITURAS: FANTÔMETTE

Na realidade, não foram bem primeiras leituras. Mas li com muito prazer, aí pelos 10/11 anos, as inocentes aventuras de Fantômette, uma adolescente heroína francesa de identidade secreta. As histórias eram engraçadas, ainda que improváveis. Uma jovem que sai da casa, pela calada da noite, para combater malfeitores é coisa ainda menos realista do que um ser voador vindo de Krypton.

Recordo apenas uma passagem de um livro, aquela em que Fantômette é salva de morrer trespassada por uma seta porque levava junto ao peito, dentro do fato, uma obra de Victor Hugo. São as vantagens de se gostar de literatura.

Georges Chaulet (1931-2012) morreu há pouco mais de um mês. Escreveu mais de 50 livros com histórias da minha heroína. As quais eram destinadas, em princípio, ao público feminino entre os 8 e os 12 anos (!). É o que diz a wikipédia, mas a wikipédia é a treta que se sabe.

Tive uma professora de Físico-Química no Liceu de Queluz que tinha uns óculos copiados da mascarilha de Fantômette... Mas interessava-me muito menos que a jovem de Framboisy, que foi a minha primeira paixão platónica.

domingo, 18 de novembro de 2012

CHAMA-SE "NUMERUS CLAUSUS", MR. CARVALHO

Chama-se Alberto M. Carvalho e é o responsável pela educação em Miami. É um self-made man, que tem o estilo (até no penteado) do político americano. É português e saiu da Pátria há 30 anos. Deu uma interessante entrevista ao Expresso. E há muitas coisas que disse com que estou de acordo.

A páginas tantas, Alberto Carvalho comete um erro curioso. Que me parece resultar mais da imagem que Portugal projeta para fora do que de um lapso de memória. Diz, a propósito das razões da sua saída: "quando acabei o 12º ano em Portugal, tinha de se conhecer alguém para entrar na universidade, ou então pagar muito dinheiro para ir para uma faculdade privada". A segunda parte era verdade, mas diga-se que hoje estudar no ensino público ou no privado de qualidade já tem pouco a ver com o valor das propinas. É que na altura em que Alberto Carvalho terminou o 12º ano, o valor das propinas no ensino superior público era de 6 (seis) euros/ano. A primeira parte é um erro flagrante. O sistema de admissão era feito por notas, e respeitando o limite de vagas por curso. Eu que o diga, que pus como primeira opção História da Arte, desejando febrilmente que a nota não desse, para poder ir para Comunicação Social...

Somos o país do esquema e da desvalorização do mérito? Somos. Era seguramente isso que Alberto Carvalho tinha em mente. Usou, contudo, um exemplo falso.

THERE IS ALWAYS ANOTHER STORY

Um filme sobre histórias escondidas. Um filme sobre realidades cruzadas. Um pouco como em "A noite americana", de Truffaut, em que a vida (supostamente) real e o filme se cruzam. Há duas histórias de amor, uma no filme, outra dentro do filme. O conselho para o ver veio do Dr. John Ladhams, meu professor no Instituto Britânico. Tinha grande admiração pela obra de Karel Reisz (1926-2002). Não fiquei tão entusiasta, mas gostei muito de "A amante do tenente francês" (1981). Gostei sobretudo dos diálogos, escritos por Harold Pinter. Curiosamente, em inglês o título é "The french lieutenant's woman", bem mais subtil. É a escolha cinéfila de hoje:


Behind the corpse in the reservoir,
behind the ghost on the links,
behind the lady who dances
and the man who madly drinks,
under the look of fatigue
the attack of migraine and the sigh
there is always another story,
there is more than meets the eye.

Lembrei-me daquela remota e solitária ida, ao S. Jorge, ao ver Bellamy, de Claude Chabrol, há umas semanas. O filme não é excecional, mas tem motivos de interesse, com um argumento bem urdido, cheio de pontos de interrogação e de histórias paralelas. No final de tantas dúvidas o filme encerra um um poema de W.H. Auden (1907-1973). Aquele final, com a frase "there is always another story / there is more than meets the eye", causou-me mais impacto que o resto do filme.

sábado, 17 de novembro de 2012

NÃO TARDA NADA ESTAMOS EM MAIO...

Exagero? Um pouco.

Mas a verdade é que 16 de novembro (ontem) era a data-limite para a apresentação de propostas por parte das entidades que integram a Comissão Organizadora. Em breve, haverá novo encontro para debate das ideias que foram avançadas. No início do ano de 2013, o programa estará quase fechado, no que às principais iniciativas diz respeito. As quais abrangem a Feira Empresarial, o Forum das Energias Renováveis e o Salão de Caça e Pesca.

Novidade em breve em http://www.feirasdemoura.pt/

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

CHIEN AU MEUNIER

Almas sensíveis, abstenham-se.

A história é verdadeira e foi-me relatada por um dos protagonistas. Passou-se na década de 80, durante a deslocação de uma representação de uma antiga colónia portuguesa à Coreia do Norte. Informado que um dos pratos do país era a carne de cão, um dos participantes virou-se para o outro e declarou "juro que não vou comer cão! dê por onde der". Assim foi, de facto, para enorme embaraço do seu companheiro de viagem. Insensível às amplas liberdades gastronómicas, arranjou uma forma expedita de não comer o que não queria. Apesar de não dizer uma palavra de coreano. Em cada refeição, oficial ou não, sempre que lhe punham o prato à frente, apontava o que lhe serviam e latia, bem alto, para o seu anfitrião: "au? au?". Os visados sorriam, orientalmente impávidos. E abanavam a cabeça, para sossego do homem.

Chien au meunier? Os da fotografia têm um ar assim mais croustillant, como os leitões. Mas confesso que a experiência não me tenta. Para já, basta-me um jantar de carne de macaco, ocorrido há dois anos e tal... 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

ARTE ISLÂMICA - 6/10


Dos grandes museus do mundo para o quase anónimo mundo rural. Das lâmpadas mamelucas do Museu Gulbenkian para um vaso em cerâmica de Tavira. E, contudo, o vaso de Tavira é uma das mais notáveis peças da arte islâmica a nível mundial. Foi descoberto na cidade algarvia, durante a década de 90 do século passado, em escavações dirigidas por Maria Maia e por Manuel Maia. Inclui animais, um tocador de adufe, um guerreiro, mais um homem e uma mulher.

O significado preciso deste exemplar de arte popular do sudoeste continua envolto em controvérsia. A probabilidade mais consensual aponta para a representação de uma cerimónia nupcial. Veja-se O vaso de Tavira, trabalho de síntese de Maria Maia, editado este ano pela Câmara Municipal de Tavira.

A peça está em exposição no núcleo islâmico do museu da cidade. Ver:
http://www.cm-tavira.pt/site/content/camara-museu-tema/museu-municipal-de-tavira

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

UMA TERRA SEM AMOS


Foi com um ar de desgosto que o Christophe Picard me ouviu dizer, a meio do jantar, que tinha acabado de comprar um disco dos Motivés. Pior ainda, que gostava dos Motivés. Apontou a janela e disse uma coisa que eu não sabia: "São aqui de Toulouse e a sede deles é aqui na Rue de Metz, mesmo em frente da minha casa. Fazem a revolução a partir da meia-noite, com uns barulhos a que chamam música de protesto. Com frequência, isto mete polícia". Apesar de ter uma certa pena da falta de sossego do Christophe, continuei a gostar do estilo e do ritmo dos Motivés. Não é uma versão da Internacional, mas sim uma do Bandiera Rossa que podem ouvir aqui. "Uma terra sem amos" é um voto de todos os dias. Hoje, de forma muito especial.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

BIRMÂNIA À VISTA!

Acho sempre graça quando alguém chega ao blogue "vindo" de paragens remotas. Na maior parte das vezes deverá tratar-se, presumo, de algum equívoco ou de uma pesquisa de palavras que leva por caminhos inesperados. A menos que haja algum mourense lá para as bandas de Rangoon...

Os ziguezagues da estrada da Birmânia são-me familiares.

OLHAI OS PÁSSAROS DO CAMPO

Francisco Pinto Moreira, fotógrafo de Moura, ficou em primeiro lugar na categoria dedicada às rolas-bravas, no âmbito do concurso intitulado um olhar sobre as aves, promovido pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. A imagem premiada é esta e é magnífica. Parabéns, Francisco!


A rola

O cheiro acre da penugem nova
da jovem rola fiel, solitária,
dos próximos pinheiros exilada,

entontecia os seres que a rodeavam
para escutar a paz do seu arrulho
- os seres tão diversos de três reinos,
o gato negro, a pedra e eu no mundo.

Poema de Fiama Hasse Pais Brandão

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

FLU X 4

Reportagem fotográfica, no Maracanã: Maria da Conceição Lopes

Deu Flu. Três jornadas antes do fim o Fluminense é campeão do Brasil. OK, já que os da casa ainda não me dão hipóteses de festejo, celebro com os de fora.

E AGORA, TAVIRA


Se outro mérito não tiver, há um que posso reclamar para esta exposição: tem provocado reações. Muito boas, más, assim-assim, simpáticas, desdenhosas, tem havido de tudo. Desde o "é uma síntese excecional sobre uma vila no período islâmico" até ao "é só isto? ganda treta...".

Agora, é a vez de Tavira. Depois de um périplo que já incluiu Lisboa (Castelo de S. Jorge e Fundação Millenniumbcp), Alcobaça (Armazém das Artes), Cascais (Centro Cultural), Silves (Museu Municipal de Arqueologia), Mértola (Casa Amarela), Évora (Grupo Pró-Évora), Santo Amador (Centro Cultural), Tlemcen (Palais de la Culture) e Argel (Musée National des Antiquités et des Arts Islamiques) é agora a vez de regressar ao Algarve. De 13 de novembro a 27 de abril de 2013, a minha exposição Mértola - o último porto do Mediterrâneo estará patente ao público no Museu Islâmico. A Câmara Muncipal de Tavira deu à iniciativa um simpático destaque. Devo/devemos esta oportunidade à generosidade da autarquia e ao empenho e solidariedade de duas colegas, Jaquelina Covaneiro e Sandra Cavaco.

Amanhã, às 11 horas, é tempo de estar em Tavira.

domingo, 11 de novembro de 2012

QUANDO A PRAÇA PARECIA MAIS RUA QUE PRAÇA

O desenho feito por Nicolau de Langres em 1657 é a mais antiga planta de Moura que se conhece. A configuração e o traçado das ruas que mostra corresponde, em grande parte, ao que hoje conhecemos, excluindo os bairros, muito mais recentes, da Salúquia e do Sete e Meio.

A Praça Sacadura Cabral, por exemplo, apresenta um desenho que é idêntico ao que hoje podemos ver. Na verdade, a nossa “praça” não é bem uma praça, mas antes um vasto terreiro, que circunda a sul o castelo, acompanhando o traçado das muralhas. Para que não restem dúvidas, estas localizavam-se onde estão os edifícios do mercado municipal, da Câmara e da biblioteca.

A linha recortada da praça, ou a pouca regularidade da sua planta, sempre me pareceu pouco lógica. Ou, pelo menos, sem uma explicação evidente. A leitura recente do segundo volume do Tombo da Vila de Moura veio lançar luz sobre um aspeto pouco conhecido do urbanismo da nossa terra. O documento, de 1575, é claro: “a praça da vila era tão estreita que parecia mais rua que praça”. Decidiu-se então que deveria ser alargada. Os métodos eram expeditos. Compraram-se casas para serem demolidas, estabelecendo-se um limite de 300.000 réis (1,5 €, na moeda dos nossos dias) para tais aquisições. Seriam nomeados dois avaliadores “sem sospeita”, sendo um deles designado pelos proprietários. Um terceiro faria o desempate, caso fosse necessário. A engenharia financeira era pouco complexa. As verbas viriam da renda de um baldio do concelho e de 50.000 réis que o Convento do Carmo desembolsara para compra de um terreno municipal. Determinava-se ainda que, quando a obra de alargamento estivesse terminada, “se mude pera ella a feira da ditta vila”.

Voltemos então à configuração da praça. Os documentos escritos são escassos, mas a malha urbana conta-nos, por vezes, a história dos sítios. As zonas mais espaçosas em frente à Câmara e ao Mercado devem ter correspondido às áreas demolidas. Ou seja, o quarteirão que termina nas esquinas das ruas Miguel Bombarda (outrora do Morgadinho) e Conselheiro Augusto de Castro (que já foi das Tendas) devia prolongar-se mais alguns metros, conforme se propõe na planta em anexo. De igual modo, deveria existir outro quarteirão na zona em frente dos Paços do Concelho. A falta de simetria que hoje constatamos aparece-nos, assim, corrigida, nesta hipótese de trabalho. O desenho é uma aproximação, sem possibilidade de verificação concreta. Algum dia a faremos? Talvez, embora me pareça pouco provável que os fundos documentais nos possam adiantar muito mais ou clarificar as zonas de penumbra. O futuro o dirá.



Nota: Tive a colaboração neste trabalho dos colegas Rafael Reis e Sérgio Delgado, que redesenharam a praça e a quem agradeço. Agradeço também ao André Linhas Roxas que, sugestivamente, comentou a minha proposta “tá muito bonito; parece a mascarilha do Lone Ranger”.

Esta (re)leitura do urbanismo de Moura foi publicada no jornal "A Planície" de dia 1 de novembro de 2012.

NÃO TE ATREVAS A CRITICAR O TEU PAÍS!

Amanhã vem cá a chanceler alemã. Vai dar confusão. Mas pequena. Vai dar um faduncho, à portuguesa.

Do fundo do coração, o que mais me chateia é a subserviência, o estilo lambe-botas de Passos Coelho. Aquele ar de caniche ante os poderosos - estou a portar-me bem, não estou?sou um bom menino, não sou? - vale todo um estilo e é todo um programa. Prefiro outro tipo de abordagem. Cito um texto de Miguel Esteves Cardoso: Também há 16 anos a PAC quis cortar-nos os tomates. O secretário de Estado para os assuntos europeus de então, Francisco Seixas da Costa, avisou logo que se tinha acabado essa história de sermos os "bons alunos" da Europa, com tudo o que isso "implicava de subordinação" (v. aqui).

Nestas alturas, recordo sempre uma conversa tida, em 1998 ou 1999, com a minha amiga Maria de Lurdes Rosa, no antigo bar da Biblioteca Nacional. Falávamos dos nossos percursos - ela inscrevera-se para fazer o doutoramento nos Hautes Études, eu em Lyon2 - e comentávamos as dificuldades da investigação, sobretudo se comparadas com as condições de trabalho dos nossos colegas gauleses. Nesse ponto a Lurdes disparou-me esta advertência, num tom seguro e sem direito a réplica: "não te passe pela cabeça queixares-te das dificuldades; haverá logo quem te olhe com displicência e paternalismo, dizendo-te pois é, vocês nesses países têm imensos problemas. Daí a olharem o teu trabalho com um complexo de superioridade vai um passinho". A Lurdes é mais nova do que eu, mas sempre teve um estilo assertivo. Achei imensa graça à conversa, que me ficou gravada, sobretudo porque ela tinha toda a razão. Não é que eu fosse lamuriar-me - não me está nos genes -, mas foi uma troca de impressões muito interessante.

Não sei se alguma Lurdes se cruzou no caminho de Passos Coelho. Temo que não.


Uma coisa é o que vemos e aquilo que existe. Outra o seu reflexo, como na tela de António Carneiro. Passos Coelho surge, no olhar dos poderosos, assim refletido, difuso e desmaterializado.

sábado, 10 de novembro de 2012

O RIO

Não é um filme da Índia, nem feito por cineastas locais. Mas Jean Renoir resistiu, com todo o seu talento, à tentação de exótico ou ao paternalismo.

Bénard da Costa referia que era o único filme passado na Índia em que não aparecia o Taj Mahal. Ainda assim, não se me apaga da memória o calafrio que senti ao ver O rio, na Fundação Calouste Gulbenkian, há muitos anos. Numa das cenas locais, uma mulher declara, a propósito do seu amado, "ele era belo como o sol". Na imagem seguinte via-se o objeto da paixão e que era um homem indiano. A sala rompeu em gargalhadas. Esse calafrio, que me provocou a abjeta reação racista, foi compensado pela beleza do filme e pela história, um pouco triste, de amores desencontrados entre pessoas de diferentes meios e de diferentes origens geográficas.

Um filme muito grande, e que é a escolha desta semana.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A AUSTERIDADE, OS ECONOMISTAS E O ABDELATIF

Ir a qualquer lado com o Abdelatif em Granada era uma calvário. Marcava-se encontro com os amigos no bar xis. Eu não conhecia o sítio e perguntava ao Abdelatif "sabes onde é?". E ele "claro!". Começávamos a andar. Ao fim de largos minutos, o Abdelatif declarava "é nesta zona, viramos aqui". Virávamos. Depois esquerda, depois direita, depois esquerda. Não me atrevia a perguntar, mas concluia "está perdido". Claro que estava. Aí começávamos a perguntar aos transeuntes onde ficava o bar xis. Invariavelmente, estávamos a centenas de metros do local. Onde chegávamos mais que atrasados e entre as vaias da rapaziada.

O Abdelatif é, para mim e nos dias que correm, o exemplo acabado dos economistas que aconselham a Pátria e dos que gerem a Pátria. Primeiro o caminho era um e depois era outro. E era preciso austeridade. Daquela a sério. Depois o desemprego disparou. Depois o FMI veio dizer que se enganou nas contas. Agora declara, com solenidade, que a austeridade se pode tornar política e socialmente insustentável. Ou seja, não têm noção do que andam a fazer e abdelatifizaram a nossa vida.

A AUSTERIDADE E A GASOLINA MALIANA

Os gregos vão passar a poder consumir produtos fora de prazo. Por causa da crise e da austeridade. Os portugueses vão deixar de comer bifes todos os dias, diz a Dra. Isabel Jonet, o que causou gritos de fúria nas redes sociais e levou, decerto, muitos dietistas ao desespero.

É a vida em versão low-cost. Estes dados do nosso quotidiano levam-me a uma recordação precisa de Bamako. A cidade vive envolta no fumo dos escapes. Nada me causou recordações mais vivas que aquela permanente nuvem de fumo e o gosto acre do combustível que se metia nas roupas e deixava a garganta a arder.

Quando comentei o facto com um colega maliano tive uma explicação, surpreendente e plausível, "sabe, a gasolina que é vendida no Mali é um produto de inferior qualidade, que não passaria nos testes nos países europeus; é mais barata, mas isso tem estes custos...". Isso e os carburadores asmáticos davam uma poluição como nunca tinha visto. Nem voltei a ver.

Bamako fica a cinco horas de voo. A pé é mais perto ainda.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CAMPEONATO INTERNACIONAL DE XAMINÓ


"A política internacional é um sistema de peças em que mexer num dominó altera o xadrez" - Zorrinho dixit.

CARLOS CAMPANIÇO - PRÉMIO LITERÁRIO


Do site da Rádio Planície:

Escritor safarense ganha prémio literário 

O romance original “Os demónios de Álvaro Cobra”, da autoria do escritor safarense Carlos Campaniço, venceu o Prémio Literário Cidade de Almada 2012. O galardão foi atribuído na passada quinta-feira, 25 de outubro. Instituído pela Câmara Municipal de Almada em 1989, o Prémio Literário Cidade de Almada é considerado uma referência nacional na área da literatura e na promoção da criação literária em língua portuguesa, daí que, para o autor, a atribuição deste prémio lhe tenha dado uma imensa satisfação. Carlos Campaniço diz ainda que o galardão é um prémio colectivo, partilhando-o com amigos, família e conterrâneos.

Situada numa aldeia alentejana do século XX, a intriga do livro gira em torno de Álvaro Cobra, uma raridade da natureza, tido ora por santo, ora por bruxo. As alegrias e contrariedades vividas por Álvaro, pela família Cobra e por demais habitantes da aldeia intercalam-se, apegam-se. O retrato de um Alentejo intemporal e do inusitado carácter de um povo que se inventa a si mesmo é feito num ritmo invulgarmente ágil e num tom airoso, que equilibra peripécias risíveis, violentas e de uma imensa ternura.

Parabéns, Carlos!

A MARIA ANTONIETA DA LINHA


Une grande princesse à qui l’on disait que les paysans n’avaient pas de pain, et qui répondit : Qu’ils mangent de la brioche.  Isabel Jonet não disse, mas podia ter dito...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ALÔ, ESTOCOLMO, DAQUI É DE CANELAS!



D. Ufa e D. Arnaldo tiveram dois filhos: D. Guido Arnaldes de Baião e D. Gosende Arnaldo de Baião. Este último, por sua vez, foi pai de Egas Gosende, Emílio Viegas e Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques. Consta, aliás, que Egas Moniz tinha grandes pertences na freguesia. Egas Moniz completou a instrução primária na Escola do Padre José Ramos e o curso liceal no Colégio de São Fiel dos Jesuítas. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra. Depois foi transferido para a Universidade de Lisboa onde leccionou neurologia. Egas Moniz contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da medicina ao conseguir pela primeira vez dar visibilidade às artérias do cérebro. (fim de citação)

Egas Moniz deu visibilidade às artérias do cérebro, depois de ter educado Afonso Henriques. Tenho a certeza que Einstein teria gostado de conhecer o Presidente da Junta de Freguesia de Canelas: compressão do espaço, viagens no tempo e tal. Eis a prova definitiva que há freguesias essenciais ao desenvolvimento, à investigação científica e ao pugresso.

COMO ORSON WELLES, MAS SEM TALENTO

Passei ontem numa empresa de Lisboa, para entregar uma bobine em super-8, a fim de ser convertida em formato editável (mov ou algo do género). O super-8 é uma realidade pré-histórica. Para quem nasceu no mundo contemporâneo esclareço que se trata de um tipo de película com 8 mm de largura (os filmes projetados no cinema têm, por norma, 35 mm).

O filme que levei à CCBS, passe a publicidade, tem contornos wellesianos. Foi escrito em 1980 e rodado em inícios de 1981, tinha o autor do blogue 17 anos. Fazia parte das tarefas obrigatórias de um curso de cinema ministrado num clube que existia na Av. Columbano Bordalo Pinheiro: o Clube Micro-Cine. Fiz a montagem (é um documentário sobre um pintor, esclareça-se) com uma moviola emprestada pelo clube e depois pronto. Ficou por terminar. Não cheguei a sonorizar a minha grande obra - apesar de ter procedido à respetiva pistagem - nem a mostrá-la a ninguém. Ficou, até à semana passada, na bobine final.

Há dias resolvi acabar o filme. Fui recuperar um velho sobrescrito, onde se conservavam umas folhas, às quais dei o pomposo nome de "argumento". Passei horas a pesquisar os sons que na altura idealizei. Até final do ano haverá documentário. 32 anos depois de ter sido pensado. Uma história à Orson Welles. Só me falta o talento cinematográfico, mas não se pode ter tudo...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A AGRICULTURA - MODOS DE VER

Angelus - Museu de Orsay (Paris)

Lembro-me de um ensaio de Lionello Venturi, no qual comentava a postura submissa dos camponeses de Jean-François Millet (1814-1875), no seu Angelus (1857). Foi com um sorriso que, há meses, dei algures com uma pasta de velhos papéis pertencentes a um familiar. Entre eles conservava-se um recorte de um folheto antigo, com a imagem de Silvana Mangano, no filme Arroz amargo. Imagino que a película, rodada em 1950 por Giuseppe de Santis (1917-1997), deva ter tirado o sono a muito bom adolescente daquela época...

Cem anos separam as duas obras. Mas o contraste entre o silêncio dos orantes de Millet e a estridente sensualidade de Silvana Mangano não pode ser mais óbvio. Adapta-se a ela, que não a eles, um conhecido poema de William Wordsworth (1770-1850):

The Reaper


BEHOLD her, single in the field,
Yon solitary Highland Lass!
Reaping and singing by herself;—
Stop here, or gently pass!
Alone she cuts and binds the grain,
And sings a melancholy strain;
O listen! for a vale profound
Is overflowing with the sound.


No nightingale did ever chant
More welcome notes to weary bands
Of travellers in some shady haunt
Among Arabian sands;
No sweeter voice was ever heard
In springtime from the cuckoo-bird,
Breaking the silence of the seas
Among the farthest Hebrides.

Will no one tell me what she sings?—
Perhaps the plaintive numbers flow
For old, unhappy, far-off things,
And battles long ago,
Or is it some more humble lay,
Familiar matter of to-day?
Some natural sorrow, loss, or pain,
That has been, and may be again!

Whate’er the theme, the maiden sang
As if her song could have no ending;
I saw her singing at her work,
And o’er the sickle bending;—
I listen’d till I had my fill;
And, as I mounted up the hill,
The music in my heart I bore
Long after it was heard no more.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

SEMPRE SE POUPAM UNS TOSTÕES EM FOTOCÓPIAS...


A notícia do DN é, involuntariamente, redundante. De certa forma, alguns arquivos já foram "privatizados". E reforça a ideia que a ação de Miguel Relvas é uma forma extrema de solipsismo. Mas, ssshhh, não digam isto ao senhor, não vá ele a correr para uma consulta de urologia...


MOURA INVISÍVEL


Não, a imagem não é de Moura. A de Moura está mais abaixo. Como se pode ler na legenda é uma proposta elaborado para a Costa da Caparica. O seu autor, Cassiano Branco (1897-1970), é um dos nomes mais interessantes da arquitetura portuguesa dos anos 30, 40 e 50.

A citação tem a ver com as cidades que nunca existiram. Um pouco como as cidades invisíveis, de Italo Calvino. Em todas as instituições há projetos que, pelas mais diversas razões, nunca se concretizaram. As Câmaras Municipais não escapam a essa regra. Existem no arquivo da Câmara de Moura projetos que se converteram, com o passar dos anos, em verdadeiras curiosidades. Como uma proposta de urbanização, concebida no final dos anos 30, para os terrenos onde hoje se encontra a Escola Secundária. Ao estilo da época, e bem na senda do conceito fascista de cidade, alamedas e avenidas (a Doutor Oliveira Salazar terminava na Praça General Carmona) cruzam-se, num desenho fora da escala de Moura.

Em tempos lancei o desafio no Departamento Técnico no sentido de se fazer um estudo sobre a cidade invisível e sobre os projetos que nunca se concretizaram. Pode ser que um dia alguém pegue no tema.

Excerto do livro de Italo Calvino:
Em Eudóxia, que se estende para cima e para baixo, com vielas tortuosas, escadas, becos, casebres, conserva-se um tapete no qual se pode contemplar a verdadeira forma da cidade. À primeira vista, nada é tão pouco parecido com Eudóxia quanto o desenho do tapete, ordenado em figuras simétricas que repetem os próprios motivos com linhas retas e circulares, entrelaçado por agulhadas de cores resplandecentes, cujo alternar de tramas pode ser acompanhado ao longo de toda a urdidura. Mas, ao se deter para observá-lo com atenção, percebe-se que cada ponto do tapete corresponde a um ponto da cidade e que todas as coisas contidas na cidade estão compreendidas no desenho, dispostas segundo as suas verdadeiras relações, as quais se evadem aos olhos distraídos pelo vaivém, pelos enxames, pela multidão. A confusão de Eudóxia, os zurros dos mulos, as manchas de negro-de-fumo, os odores de peixe, é tudo o que aparece na perspectiva parcial que se colhe; mas o tapete prova que existe um ponto no qual a cidade mostra as suas verdadeiras proporções, o esquema geométrico implícito nos mínimos detalhes.


É fácil perder-se em Eudóxia: mas, quando se olha atentamente para o tapete, reconhece-se o caminho perdido num fio de carmesim ou anil ou vermelho amaranto que após um longo giro faz com que se entre num recinto de cor púrpura que é o verdadeiro ponto de chegada. Cada habitante de Eudóxia compara a ordem imóvel do tapete a uma imagem sua da cidade, uma angústia sua, e todos podem encontrar, escondidas entre os arabescos, uma resposta, a história de suas vidas, as vicissitudes do destino.

Plano de J. Mendes de Oliveira (junho de 1939)

domingo, 4 de novembro de 2012

A CAÇA

Hesitei no título do post. Estive tentado a chamar-lhe a verdade oculta ou algo assim. Porquê? Porque a versão final desta curta-metragem de Manoel de Oliveira teve dois tempos. Leia-se a explicação:

"A Caça é, a esse propósito (Censura), um caso mais particular porque o subsídio (Fundo) foi atribuido à Tobis Portuguesa e a direcção da Tobis queria fazer o filme impondo-me condições económicas que eu não podia aceitar. Propus então receber o dinheiro do filme, poder beneficiar dos descontos do laboratório e assegurar a responsabilidade da produção. Aceitaram, e impuseram-me como única condição, a de figurar no genérico, por uma questão de prestígio, o nome da Tobis Portuguesa como produtora. Tornei-me, assim, o verdadeiro produtor do filme, e recebi directamente o dinheiro do Secretariado Nacional da Informação. Foi nessa ocasião que os homens do SNI me impuseram a alteração do fim do filme, salvando o homem da mão amputada e o jovem que se afunda no pântano, como se lhes parecesse que salvavam o regime em vias de se afundar. Por isso se mostravam irredutíveis. Como o filme já estava rodado e eu devia dinheiro, ameaçavam-me de não me entregar o subsídio prometido se não fizesse as alterações exigidas. Fui, pois, forçado a aceitar. Durante muito tempo, deixei o filme tal e qual, a fim de que, de cada vez que fosse levado a apresentá-lo pudesse explicar a censura. Presentemente, retirei aquele final (1988, por ocasião da XXIV Mostra Internazionale del Nuovo Cinema - Pesaro). E introduzi uma legenda indicando: "Eis o final imposto". Não é uma vingança da minha parte. É uma questão histórica, é muito importante para dar uma ilustração da censura na época."
Antoine Baecque, Jacques Parsi, Conversas com Manoel de Oliveira, ed. Campo das Letras, Porto, 1999

Do filme emana uma angústia quase expressionista. À medida que a trama progride acentua-se a inevitabilidade da tragédia e o absurdo da situação. A caça, de 1964, não é muito visto fora dos círculos cinéfilos. É mais um filme a juntar à lista dos que vi, em tempos, na RTP2. É mais um dos meus filmes preferidos. Daqueles do topo da lista. O que aqui se propõe é o visionamento integral (21 minutos):



Mais sobre A caça em http://www.amordeperdicao.pt/basedados_filmes.asp?filmeid=63

sábado, 3 de novembro de 2012

ENTRE LISBOA E SILVES


Entre Mértola e Moura, entre as escavações e a chuva, entre Silves e Lisboa. Neste caso, apenas em sentido figurado. A participação no júri da dissertação de mestrado de Ana Azevedo, intitulada As representações das conquistas cristãs: Lisboa (1147) e Silves (1189), levou-me a revisitar textos há muito conhecidos mas aos quais não voltava há tempos. O trabalho de Ana Azevedo vem, uma vez mais, provar que as crónicas, mesmo as mais lidas, batidas e discutidas, estão longe de estarem esgotadas. O trabalho que apresentou foi uma prova disso mesmo e uma demonstração de proficiência da sua autora. A classificação de 18 valores, atribuída por unanimidade, não deixa margem para dúvidas.

O júri foi constituído por António Rosa Mendes (Universidade do Algarve), que presidiu, por Luís Filipe Oliveira (Universidade do Algarve), que orientou o trabalho, e por dois elementos externos, Maria João Branco (Universidade Nova de Lisboa) e o autor do blogue.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

TALVEZ - NÃO - SIM

A posição de João Proença, líder da UGT, quanto à greve geral do próximo dia 14 vem abrir novas possibilidades e diferentes cambiantes para aquilo que alguns entendem por "estratégia".

Ou seja, a UGT não adere, a UGT não se revê nos métodos da CGTP, a UGT não participa, mas ele, João Proença, adere e participa. Perceberam ou é preciso explicar de novo?

FUMO BRANCO NA IGREJA DE S. FRANCISCO


Reabriu ao público a igreja de S. Francisco, em Moura, depois de um prolongado processo de reabilitação. O processo, lento e dispendioso, não está totalmente concluído. Mas o essencial - o reforço estrutural do edifício, a reparação das coberturas e a pintura exterior - está feito. Os estudos foram realizados pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a obra concretizada pela Monumenta.

Podemos discutir as opções. Deve uma Câmara gastar 500.000 euros (55% desse montante, na verdade, uma vez que o Turismo de Portugal financiou a obra em 45%) na reabilitação de uma igreja? A nosso ver deve. Este legado é dos nossos antepassados, é nosso e dos que virão a seguir. O património pertence-nos tanto quanto pertence às gerações vindouras. Que não nos perdoariam se deixássemos ruir o que pertence à memória coletiva.

A verdade é uma coisa simples. E direta.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

EHUD NÓDOA


Embaixador de Israel diz que Portugal tem "uma nódoa" que os judeus não esquecem (na imprensa de hoje)


Já não nos bastava termos de aturar os imbecis locais, como ainda sermos obrigados a gramar os de importação. Aguardo, impaciente, a reação do fotocópias, aka Paulo Portas.

NOUTRO BLOGUE


Fui encontrar esta fotografia, tirada em 2007, publicada aqui no blogue em 10 de dezembro de 2008 e que que faz parte do livrinho Mar do meio, de 2009, a ilustrar um texto no blogue de Francisco Seixas da Costa, intitulado O outro défice (v. aqui). Uma citação simpática, tendo em conta o cuidado do autor na escolha das imagens.

ARTE ISLÂMICA - 5/10

O que vou escrever poderá soar como um tremendo disparate, mas as lâmpadas em vidro das mesquita causam-me tremendos calafrios. Imagino-me sempre a trabalhar num museu e a ter um acidente com uma, fazendo-a em mil e um pedacinhos.

Tirando esta parte, de laivos quase psicanalíticos, considero este conhecido conjunto de peças do período mameluco como uma das mais acabadas provas do talento humano. Ou, se se quiser, daquilo que o Homem consegue fazer de melhor. O vidro era coberto com decoração dourada e esmaltada, em diversas cores. Frases corânicas preenchiam a maior parte da área disponível. As lâmpadas, produzidas no Egito ou na Síria, datam do século XIV.

O Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, tem uma apreciável conjunto de vidros deste período. Ver: