quinta-feira, 12 de dezembro de 2024
MAALOULA
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
MUSEU DAS DESCOBERTAS: ÓMEGA
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
MOURA, E O CANTE FOI UMA FESTA
segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
QUASE A TERMINAR O ANO...
domingo, 8 de dezembro de 2024
sábado, 7 de dezembro de 2024
O PINTOR DE TRINIDAD
Jorge Silot nasceu em Trinidad, em 1981. Tem uma loja/ateliê perto da Plaza Mayor. Falámos um pouco sobre os temas que lhe interessam e sobre a iconografia que destaca nas suas pinturas. Foi lá que comprei uma tela, de marcado gosto popular. Terá honras de destaque, dentro de semanas, em Mértola.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2024
10 ANOS DE CANTE - ANA BAIÃO
Raid a Moura, no domingo ❤. Para participar na sesão de apresentação do livro de Ana Baião. Um magnífico trabalho, do qual não falarei aqui. A Taberna do Barranquenho é o sítio certo.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2024
DO TURISMO AOS TROVANTE
Vai haver de tudo um pouco.
Levantando a ponta do véu: como é visto o Panteão Nacional no cinema, na fotografia, na pintura, na serigrafia, na banda desenhada, na iconografia antiga, na publicidade? Respostas na sala de exposições temporárias a partir de maio de 2025.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2024
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
CUBA 1/10: FIDEL CASTRO
Quanto mais o tempo passa, mais cresce a minha admiração por Fidel Castro. Pela coragem, pela capacidade de resistência, pelo desafio, pela tentativa de criação de um modelo alternativo, por ter criado em tantos de nós a ideia de que a utopia era possível. E quanto mais vejo tantos políticos de pantufas, acomodados e sem uma chispa de entusiasmo ou de imaginação, mais essa admiração cresce.
A fotografia data de 24.4.1959 e foi tirada por Alberto Korda no zoo de Nova Iorque. A viagem foi decisiva. Eisenhower não lhe passou cartão e foi jogar golfe. O resto da História é conhecida.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2024
domingo, 1 de dezembro de 2024
GAZA
O blogue que dá título a esta rúbrica “Avenida da Salúquia, 34” teve início no mês de dezembro de 2008, já lá vão 16 anos. O blogue é quase um diário pessoal, onde muitos temas foram, e são, abordados. Muita coisa mudou, em 16 anos. Na nossa terra, no País, no mundo. Tudo, menos um tema: GAZA.
A faixa de Gaza foi o tema do dia, no meu blogue, em 29 de Dezembro de 2008. Reproduzia uma fotografia de cinco crianças amortalhadas. O texto que escrevi era este: “A foto é de hoje, da France Presse. A legenda diz apenas "Corpos de cinco irmãos palestinianos, em Gaza". Não é necessário que diga mais. O quadro de Arnold Böcklin, ‘A ilha dos mortos’, ganha, à luz de Gaza, uma nova e terrífica dimensão”. Reproduzia no blogue uma imagem de uma célebre tela do pintor suíço.
A morte violenta, e a opressão sobre a população palestiniana assombra, todos os dias, a Faixa de Gaza. O que é a Faixa de Gaza? Um território com 365 km2. Algo semelhante à soma das freguesias de Santo Amador, da Póvoa de S. Miguel e da Amareleja. Nesse espaço sobrevivem (sobreviviam...), em condições infra-humanas, 2.375.000 pessoas. É o equivalente à soma dos habitantes de Lisboa, Sintra, Vila Nova de Gaia, Porto, Cascais, Loures, Braga, Almada e Matosinhos. Tentemos imaginar quase dois milhões e meio de pessoas “vivendo”, praticamente sem infraestruturas, em cerca de um terço do nosso concelho.
Beatificamente, em outubro de 2023 o Governo Português descobriu onde fica Gaza. E condenou os 300 mortos israelitas. Eu também condeno.
Gostaria de ver o Governo Português condenar a chacina diária de palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Quando ouço as notícias só me lembro, disparatadamente, dos roseirais de Gaza. Eram célebres em todo o Médio Oriente. Foram praticamente extintos durante as sucessivas guerras. Os que resistem cairam, indiretamente, nas mãos de comerciantes israelitas. Ou estes entravam no negócio ou as rosas não saiam de Gaza. De Gaza não se sai. Em Gaza não se pode entrar. É em roseirais que nunca vi que penso nas muitas vezes que penso em Gaza. Como raio será viver em Gaza?
Quando ouço as notícias só me lembro, disparatadamente, de um livro de Michael Avi-Yonah, onde se falava do património de Gaza e dos ateliers que, no século VI, fabricavam, ao mesmo tempo, mosaicos para igrejas e para sinagogas. Um tempo irreal, ante a bestialidade organizada do Governo de Israel.
Gaza é um crime diário contra a Humanidade. É o genocídio diário do Povo da Palestina. Gaza é o Apocalypse Now e o homem que murumura “o horror! O horror!”. Gaza é o final do poema de Sophia “Vemos, ouvimos e lemos”: “Nada pode apagar / O concerto dos gritos / O nosso tempo é / Pecado organizado”. Gaza é a vergonha de todos nós.
Crónica em "A Planície".
Fotografia de Larry Towell
sábado, 30 de novembro de 2024
1000 x A TAP: quando um projeto falha...
Tenho, na minha carreira, um par de projetos que não deram em nada. Que falharam, que "foram à vida"... Ora por culpas próprias, ora por razões alheias, ora porque circunstâncias diversas me levaram a desistir. Se fico frustrado ou aborrecido? Nem tanto, apenas com alguma pena que não tenha sido possível avançar. Em todo o caso, retiro sempre ensinamentos do que acontece.
O mais recente não-projeto: 1000 x a TAP. De que se tratava? De oferecer 1000 bilhetes/entradas no Panteão Nacional a passageiros (nacionais ou estrangeiros) que entrassem em aviões que têm o nome de homenageados no monumento: o que está na fotografia é o Airbus A330-941 (matrícula CS-TUG), que tem o nome de Pedro Álvares Cabral. Pretendia-se fazer uma ação de promoção do monumento, e que nos fizesse voar. Os custos eram irrisórios e seria, assim me pareceu, uma forma original de promoção.
A proposta foi recebida com simpatia pela estruturas dirigentes, tanto pela Direção-Geral do Património Cultural como da Museus e Monumentos de Portugal.
O que falhou?
1. Dificuldades logísticas e técnicas na sua concretização;
2. A irrelevância do projeto, a partir do momento em que o sistema de vouchers (com 52 entradas gratuitas por ano) entrou em vigor.
Ficou a ideia. Que será retomada em breve, doutra forma e com outra entidade.
Fotografia: Matteo Lamberts
https://www.planespotters.net/photo/977520/cs-tug-tap-air-portugal-airbus-a330-941
HAVANA
sexta-feira, 29 de novembro de 2024
GUAYABERA...
... porque nem só de padrões africanos vive o homem.
Esta é (mais uma) das minhas disparatadas perdições... Também porque só se vive uma vez...
quinta-feira, 28 de novembro de 2024
RAMALHO EANES
Há muitas perspetivas e leituras que o Presidente Ramalho Eanes faz neste livro e que não partilho. Um coisa tenho como certa. A forma como exerceu o cargo faz dele uma referência da política portuguesa no pós-25 de abril.
Espero conseguir estar na sessão de apresentação do livro.
quarta-feira, 27 de novembro de 2024
ALBERTO KORDA
Um grande fotógrafo, que esteve nos momentos certos. E que esteve sempre do lado certo. Chamou-se Alberto Korda (1928-2001) e é muito melhor do que a fotografia que, justamente, o celebrizou.
terça-feira, 26 de novembro de 2024
MÉRTOLA, AINDA E SEMPRE
Por razões de ordem particular não pude participar na jornada de reflexão em torno do Campo Arqueológico de Mértola (e do seu futuro), que ontem teve lugar. Numa altura em que a instituição passa por grave e profunda crise, todos os contributos são úteis para se caminhar no futuro.
segunda-feira, 25 de novembro de 2024
PARA O RUI PINTO E PARA O JOSÉ PELICA
Caros Rui Pinto e José Pelica,
Isto é um pouco disparatado, mas associo a vossa carreira profissional à antiga cantiga da Escola Industrial. Uma das vossas provas escritas (seria de admissão na carreira, pergunto-me eu) teve lugar ali. Isso terá sido em 1987, era presidente da câmara Lamas de Oliveira, eu estava de vigilante e todos nós éramos muito novos e nunca iriamos ser velhos nem reformados. É o que se acha quando se é muito novo.
Tive a sorte de ser vosso colega durante quatro anos. Foram anos em que trabalhámos de perto. E foram anos bons. O tempo parecia então que não passava. Estes dias, que agora se vivem, pareciam impossíveis, de tão longínquos. E, no entanto, eles chegaram. O Rui e o Pelica acompanharam, de perto, a construção do Portugal Democrático e as positivas transformações que o País sofreu, graças ao Poder Local. Vocês foram atores nessa transformação.
O Município fica sem dois funcionários que foram e são marcantes. Pela ética, pelo empenho, pela capacidade de entrega, por trabalharem sem truques nem candongas, por serem generosos, por terem estado ao serviço do nosso concelho, por terem ajudado as nossas associações.
Como vocês sabem – trabalharam com sete presidentes de câmara – os homens passam, as instituições ficam. Decisivo mesmo são as memórias que se deixam. E nisso, ninguém vos bate.
(texto lido ontem, na festa de homenagem)
domingo, 24 de novembro de 2024
O MAR SEM FIM - HOJE, NA RTP 2
"O mar sem fim", hoje na RTP2, às 23:25.
É a conclusão de um longo e difícil processo. A gravação teve lugar no início deste mês, no Panteão Nacional.
sábado, 23 de novembro de 2024
TERCEIRA VEZ
Pela terceira vez, de forma surpreendente, "Chegar a casa" foi a jogo. Em concurso em Loulé, quase uma década depois de ter sido produzido.
As expectativas de apuramento eram baixíssimas. Mas o que divertiu foi ter tentado. Juro.
PANTEÃO NACIONAL - MODOS DE VER, AGORA EM VERSÃO XL
sexta-feira, 22 de novembro de 2024
QUEM PÕE O CHOCALHINHO AO GATO?
Era com essa frase, verdadeiramente decisiva na sua coloquialidade, que o José Maria Pós-de-Mina rematava muitas das discussões que havia na vereação. Ou seja, muito bem, há ideias, há intenções, há objetivos. E agora, quem se encarrega de os concretizar. Quem acompanha, quem executa, que trata, que resolve?
Conversa e teoria, há sempre muita. Concretizar é que é tramado... Constato isso sempre que é preciso passar da teoria e das boas intenções à prática. A parte menos brilhante é a da concretização. São dias e dias de trabalho duro e, muitas vezes, solitário. Há coisas para resolver? Ponha-se, então, o chocalhinho ao gato... Pessoalmente, foi coisa que aprendi a gostar de fazer. Mesmo falhando, por vezes.
quinta-feira, 21 de novembro de 2024
E EIS QUE PASSARAM DEZ ANOS...
"Não teremos extrema-direita enquanto Paulo Portas fizer o pleno da demagogia e se apropriar dos temas caros a essa faixa do eleitorado. E como ninguém leva a sério José Pinto-Coelho ou Humberto Nuno Oliveira, o justicialismo populista é tomado de assalto por Marinho Pinto, aka Marinho e Pinto. O estilo Berlusconi assenta-lhe na perfeição. Ele sabe disso e gosta de se/o exibir. Ou seja, a nossa sorte é que o espaço que os fascistas poderiam ocupar é tomado por Marinho Pinto. E pelo obscuro José Inácio Faria, na realidade o grande vencedor destas eleições. Ironia das ironias, ainda temos de lhes agradecer…"
Creio que não me enganei assim muito. A estupidez fascizante chegaria poucos anos depois.
quarta-feira, 20 de novembro de 2024
SAMBA
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.
O pandeiro bate
é dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.
Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.
terça-feira, 19 de novembro de 2024
REPÚBLICAS DAS BANANAS
segunda-feira, 18 de novembro de 2024
OXALÁ CORRA BEM...
Há uns meses, um veterano professor universitário (veterano da minha idade, quero eu dizer) acusou-me de "fatalista", quando comparava o desempenho dos nossos alunos com os de outros países. E citava eu uma cena do filme "Lisboetas", de Sérgio Tréfaut.
De cada vez que temos um Web Summit, há coisas estranhas nos astros. Agora prometem tutores educativos para ajudar os alunos a compreenderem o mundo (?????). Mais uma cena de conversadatreting... Oxalá me engane. É que os chegam à Universidade escrevem cada vez pior. E têm um sentido crítico cada vez menos evidente. A culpa é deles? Não é, é nossa. E das fantasias mias ou menos inúteis que todos os dias se criam.
domingo, 17 de novembro de 2024
STAR ???
Participei na rodagem deste documentário em fevereiro de 2022. Espero poder vê-lo um destes dias. Entretanto, vão-me chegando notícias pelas redes sociais. Estou com curiosidade, naturalmente.
Divertido fiquei, ao constatar no IMDb (Internet Movie Database) - que surge assim explicada: IMDb is the world's most popular and authoritative source for movie, TV and celebrity content - que sou definido como star. Ora bem!
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
CONVENTO DO CARMO - DE MOURA A LISBOA
E agora, durante uns meses - até março de 2025 - alguns materiais provenientes das escavações arqueológicas no Convento do Carmo, em Moura, vão estar expostos no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa.
Um trabalho notável das colegas Rute Silva e Vanessa Gaspar. Deixando de lado outas questões, a complexa realidade arqueológica do sítio merecerá bem uma monografia, a matizar com a informação histórica.
Coisas interessantes que resultaram da conferência de apresentação e que me mereceram reflexão:
* a presença de um sítio islâmico, que certamente corresponde a uma munya;
* toda a encosta a norte do castelo deverá ter tido pequenas hortas, de que parecem ser evidência a moeda de Hisham II e as cerâmicas encontradas na zona do Sete-e-Meio;
* todo esse espaço terá beneficiado das fontes do castelo, que viriam, muito mais tarde, a ser objeto de documentos de divisão da água;
* os três silos localizados têm uma capacidade de armazenamento de 7.300 litros, pelo que seria interessante ver qual a área necessária para garantir essa produção (talvez isso desse uma perspetiva sobre a dimensão da munya e pudesse dar pistas, um dia, para a origanização fundiária em toda esta zona)
* não por acaso, é aí que o Convento do Carmo se instala, muito pouco tempo após a Reconquista.
Um belo conjunto de peças a ver, e um trabalho de arqueologia a seguir.
quinta-feira, 14 de novembro de 2024
COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ...
O arranque foi no dia 28.11.2021. Tinha início o 1º. ciclo de concertos "Música no Panteão". Desde então já houve 25 concertos.
Começa agora o 4º. ciclo. Até julho de 2025 haverá mais nove concertos.
O projeto consolidou-se e fidelizou público.
Um dado importante: tem sido crucial o apoio da Antena 2 na divulgação via rádio.
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
O METRO DE LISBOA E A NOVILÍNGUA
Lemos coisas assim, a propósito das novas carruagens do metro:
"Estas novas carruagens, desenvolvidas pela Siemens e Stadler, para o Metro de Lisboa, prometem melhorar a experiência de viagem dos passageiros. Com janelas mais amplas, mais espaço para facilitar entradas e saídas, e uma disposição longitudinal dos lugares sentados, está prometido mais conforto para o passageiros. Cada unidade tripla dispõe de 90 lugares sentados, dos quais 30 serão prioritários (...).
As novas carruagens do Metro, muito semelhantes ao sistema de assentos que vemos noutras cidades mundiais como Nova Iorque, dispostos longitudinalmente, prometem transformar a experiência de todos os utilizadores, uma vez que disponibiliza mais espaço para circulação no seu interior".
O eufemismo "mais espaço para circulação no seu interior" significa que passa a caber mais gente. De pé. Apertadinhos.
terça-feira, 12 de novembro de 2024
IMIGRANTES ILEGAIS...
segunda-feira, 11 de novembro de 2024
SÃO MARTINHO - DE SZOMBATHELY A TOURS
domingo, 10 de novembro de 2024
RÁDIO SAUDADE - 46 A 53
Gravação de mais oito emissões. Isto dá mais trabalho do que parece...
Quem se segue?
Luís Cilia, Jacques Brel, Rui de Mascarenhas, Doris Day, Banda do Casaco, João Gilberto, Carlos do Carmo e Specials.
Qual é o "racional", como se diz agora? É não haver "racional". O "racional" é fazer aqui o que me apetece.
Daqui por umas semanas volto ao estúdio.
sábado, 9 de novembro de 2024
SÃO MARTINHO E NOSSA SENHORA DO CARMO
A noite de hoje trouxe uma série de recordações - um coleção notável de cartazes e de programas das Festas de Nossas Senhora do Carmo -, que levaram muitos de nós a verdadeiras viagens ao passado. Pelo ano de 1974 passou o ar de todas as libertações. Recordo-me de celeuma que esta cartaz provocou (o seu autor foi, se não estou em erro, António Galvão). Que "aquilo" não tinha a ver com festa, "que ideia tão disparatada etc.". 50 anos volvidos, a sugestão cinética do cartaz, que evoca todo o movimento da Festa, faz dele, na minha opinião, o melhor do todo os que foram produzidos.
Que saudades do António Galvão...
sexta-feira, 8 de novembro de 2024
O VESÚVIO, SINICAMENTE
quinta-feira, 7 de novembro de 2024
KLEE, NO NILO
O hino terá cerca de 3.500 anos. É a celebração de um rio que foi fonte de vida. Lembrei-me dele depois de perguntar a uma amiga "de que pintor gostas?" e de ter ouvido, um pouco surpreso, como resposta, "Paul Klee!".
Paul Klee esteve no Egito um ano antes de morrer, e pintou assim o Nilo. Só os maiores conseguem fazer da complexidade coisas tremendamente simples.
quarta-feira, 6 de novembro de 2024
O FLAUTISTA DE MAR-A-LAGO
O candidato diz, num debate, que os imigrantes comem cães e gatos da vizinhança.
Um dos animadores de um comício do candidato diz chama a Porto Rico uma ilha de lixo flutuante. E daí? Os latino votaram no candidato.
O candidato diz que a adversária é índia ou malaia ou qualquer coisa assim.
O candidato contrata prostitutas e diz que agarra as mulheres "pela rata".
AS PESSOAS NÃO QUEREM SABER.
O eleitorado pobre votou nele. Lá como cá. Porque o eleitorado não quer saber da verdade. Quer a ilusão. Um clássico...
terça-feira, 5 de novembro de 2024
LOGO À NOITE
Não, também não votaria em nenhum dos dois. Ou, melhor, talvez, em último caso e com muito esforço, votasse na senhora. Não porque seja objetivamente muito melhor, em termos de ação, mas por que ele é um perigoso tresloucado.
Ela já disse ao que que vinha:
Não há nada de relevante sobre a mortandade em Gaza, a construção da paz, o desenvolvimento global, o combate à pobreza, etc.nem se destacou pela positiva. Nada. O que (me) ficou foi o sublinhar da mais letal força no mundo.
Se vou acompanhar os resultados logo à noite? Sim. Adoro circos.
segunda-feira, 4 de novembro de 2024
2024 - ANO DE VIRAGEM
No início de 2024 nasceu a Museus e Monumentos de Portugal EPE. Foi um processo inovador e uma forma diferente de ver a realidade dos museus, monumentos e palácios. São constatações, nada mais.
Com mais um lote de lugares colocados, ontem, a concurso, já lá vão cerca de 30 processos abertos. Dentro de semanas, deverão abrir os que faltam:
Convento
de Cristo, em Tomar.
Fortaleza
de Sagres, em Vila do Bispo.
Mosteiro
de Alcobaça, em Alcobaça.
Mosteiro
de Santa Maria da Vitória, na Batalha.
Museu
Nacional da Música, em Mafra.
Palácio
Nacional de Mafra, em Mafra.
Panteão
Nacional, em Lisboa.
Em 2025, a realidade será outra.
domingo, 3 de novembro de 2024
O MAR SEM FIM - EM BREVE, NA RTP2
sábado, 2 de novembro de 2024
GOSTAR DE PINTURA
sexta-feira, 1 de novembro de 2024
O MUNDO ANTIGO DE PASCUAL DUARTE
O
livro de Camilo José Cela foi lido há mais de 40 anos, seguramente. Não mais
esqueci esta passagem, a mais tremenda de entre todas as das memórias de
Pascual Duarte:
“La
puerta de la cuadra que daba al corral era baja de quicio. Me agaché para entrar;
no se veía nada.
—¡To, yegua!
La yegua se arrimó contra el pesebre; yo abrí la navaja com cuidado; en esos
momentos, el poner un pie en falso puede sernos de unas consecuencias funestas.
—¡To, yegua! Volvió a cantar el gallo en la mañana.
—¡To, yegua!
La yegua se movía hacia el rincón. Me arrimé; llegué hasta poder darle una
palmada en las ancas. El animal estaba despierto, como impaciente.
—¡To, yegua!
Fue cosa de un momento. Me eché sobre ella y la clavé; la clavé lo menos veinte
veces…
Tenía la piel dura; mucho más dura que la de Zacarías… Cuando de allí salí
saqué el brazo dolido; la sangre me llegaba hasta el codo. El animalito no dijo
ni pío; se limitaba a respirar más hondo y más de prisa, como cuando la echaban
al macho”.
O
homem vingava com sangue a ferida irreparável que a égua causara na sua mulher.
A navalha é usada sem hesitações. A mentalidade mágica prevalece. Morta a égua,
o mal é varrido.
Voltei
a encontrar este mundo duro e arcaico anos mais tarde, no filme “Las hurdes.
Tierra sin pan” de Luís Buñuel. Nele se retrata a violência de vidas marcadas
pela miséria e pelo desconhecimento do que acontecia para lá do horizonte. A
cena da festa popular, em que os cavalos passam a correr pelo meio de uma praça
e o cavaleiro tem, à passagem, de arrancar a cabeça de um galo vivo, que está
pendurado pelas patas, é de uma crueza que as palavras são curtas para
explicar.
A
essa Espanha profunda chegou, no início da década de 50 do século XX, o
jornalista Eugene Smith. A reportagem, mais tarde publicada na “Life”,
permanece como o testemunho poderoso de uma época. Sentimos a pobreza dos
habitantes da Deleitosa (província de Cáceres) em cada uma das suas imagens.
Sentimos a ferocidade da repressão franquista no trio de guardas-civis que
olham para o horizonte, com uma expressão que não deciframos.
Não
é que Deleitosa fosse muito diferente de outras localidades raianas – ao
repassar as fotografias acho que há ali coisas parecidas com o “callejón” que
separava a Calle Calvo Sotelo da Calle del Corzo, em Paymogo e há miúdas que me
recordam a Aurélia, que morava na Calle Real (o que será feito da Aurélia?...)
– mas Eugene Smith só houve um.
Sentados
no sofá, olhando tranquilamente o écran, entre um café e a leitura do jornal, o
mundo antigo de Pascual Duarte parece irreal. Pelos nossos olhos perpassam
imagens de que foram testemunhas diretas três jovens artistas. As paisagens são
frugais, as pessoas têm expressões de aspereza e de dor permanente.
A única coisa que nunca consegui perceber
é a fantástica e precoce maturidade das suas obras. Eugene Smith tinha 31 anos
quando fotografou Deleitosa. Luis Buñuel rodou “Las hurdes” aos 33 anos.
Camilo José Cela escreveu La família de Pascual Duarte aos 26 anos.
As Hurdes ficam a 250 quilómetros de Moura,a Deleitosa a cerca de 230. Esse mundo antigo e violento é-nos próximo fidsicamente. E facilmente o entenderemos se, nas nossas próprias terras, recuarmos um século.
Crónica em "A Planície". A fotografia é de Eugene Smith.
O livro de Camilo José Cela foi lido há mais de 40 anos, seguramente. Não mais esqueci esta passagem, a mais tremenda de entre todas as das memórias de Pascual Duarte:
“La
puerta de la cuadra que daba al corral era baja de quicio. Me agaché para entrar;
no se veía nada.
—¡To, yegua!
La yegua se arrimó contra el pesebre; yo abrí la navaja com cuidado; en esos
momentos, el poner un pie en falso puede sernos de unas consecuencias funestas.
—¡To, yegua! Volvió a cantar el gallo en la mañana.
—¡To, yegua!
La yegua se movía hacia el rincón. Me arrimé; llegué hasta poder darle una
palmada en las ancas. El animal estaba despierto, como impaciente.
—¡To, yegua!
Fue cosa de un momento. Me eché sobre ella y la clavé; la clavé lo menos veinte
veces…
Tenía la piel dura; mucho más dura que la de Zacarías… Cuando de allí salí
saqué el brazo dolido; la sangre me llegaba hasta el codo. El animalito no dijo
ni pío; se limitaba a respirar más hondo y más de prisa, como cuando la echaban
al macho”.
O homem vingava com sangue a ferida irreparável que a égua causara na sua mulher. A navalha é usada sem hesitações. A mentalidade mágica prevalece. Morta a égua, o mal é varrido.
Voltei a encontrar este mundo duro e arcaico anos mais tarde, no filme “Las hurdes. Tierra sin pan” de Luís Buñuel. Nele se retrata a violência de vidas marcadas pela miséria e pelo desconhecimento do que acontecia para lá do horizonte. A cena da festa popular, em que os cavalos passam a correr pelo meio de uma praça e o cavaleiro tem, à passagem, de arrancar a cabeça de um galo vivo, que está pendurado pelas patas, é de uma crueza que as palavras são curtas para explicar.
A essa Espanha profunda chegou, no início da década de 50 do século XX, o jornalista Eugene Smith. A reportagem, mais tarde publicada na “Life”, permanece como o testemunho poderoso de uma época. Sentimos a pobreza dos habitantes da Deleitosa (província de Cáceres) em cada uma das suas imagens. Sentimos a ferocidade da repressão franquista no trio de guardas-civis que olham para o horizonte, com uma expressão que não deciframos.
Não é que Deleitosa fosse muito diferente de outras localidades raianas – ao repassar as fotografias acho que há ali coisas parecidas com o “callejón” que separava a Calle Calvo Sotelo da Calle del Corzo, em Paymogo e há miúdas que me recordam a Aurélia, que morava na Calle Real (o que será feito da Aurélia?...) – mas Eugene Smith só houve um.
Sentados no sofá, olhando tranquilamente o écran, entre um café e a leitura do jornal, o mundo antigo de Pascual Duarte parece irreal. Pelos nossos olhos perpassam imagens de que foram testemunhas diretas três jovens artistas. As paisagens são frugais, as pessoas têm expressões de aspereza e de dor permanente.
A única coisa que nunca consegui perceber é a fantástica e precoce maturidade das suas obras. Eugene Smith tinha 31 anos quando fotografou Deleitosa. Luis Buñuel rodou “Las hurdes” aos 33 anos. Camilo José Cela escreveu La família de Pascual Duarte aos 26 anos.
As Hurdes ficam a 250 quilómetros de Moura,a Deleitosa a cerca de 230. Esse mundo antigo e violento é-nos próximo fidsicamente. E facilmente o entenderemos se, nas nossas próprias terras, recuarmos um século.
Crónica em "A Planície". A fotografia é de Eugene Smith.


