terça-feira, 30 de abril de 2024

50 RAZÕES PARA DEFENDER A CORRIDA DE TOUROS

Um livro extraordinário. Comprei a primeira edição, em 2011. Vai na quarta. Francis Wolff não é um bárbaro sanguinário. É um reputado professor universitário e um homem de Cultura. Tauromaquia é Cultura. Como Francis Wolff explica em 50 tópicos, bem escritos e bem informados.


MORA SUR MER

É uma das mais fantásticas fotografias de Fausto Giaccone, feita no verão de 1975. Numa parede em Mora, desenharam-se palavras e slogans, palavras em ondas e um sobreiro-palmeira inclinado sobre a água, em jeito tropical, que tanto pode "ser" na barragem de Montargil como na do Maranhão.

Era difícil que numa parede coubesse tanta espontaneidade, mas coube. Fausto Giaccone volta a estar em Portugal, a partir de dia 7 de maio.


segunda-feira, 29 de abril de 2024

MAIO, MADURO MAIO

Maio é mês de livros. Dois num só mês. Colaboração num, co-autoria de outro. Têm ambos a ver com memória(s). Através de um deles um grande fotógrafo, Fausto Giaccone, regressa a Portugal. O outro é um inventário de património.

Por diferentes razões, deram-me "água pela barba". Mas o pior já lá vai. Serão, ambos, anunciados condignamente dentro de dias. A suivre...


UN PRIMOR DE MANTEQUILLA

Mértola - 13:12 de sábado, na rotunda. Passam dois casais espanhóis. Um dos homens, de carregado sotaque andaluz, ia falando, entusiasmado, sobre uma marca de manteiga: "es que la mantequilla Primô', e' un primô' de mantequilla". Não muito original  mas já vi anúncios (bem) piores.  


domingo, 28 de abril de 2024

IKIRU

O burocrata, a solidão e a morte. Um filme de 1952 de Akira Kurosawa que vi, há muitos anos (40?) e que agora gostaria de rever. Em todo o caso, é um filme que todos os burocratas deviam ver.


sábado, 27 de abril de 2024

I ❤ BUROCRACIA: O MEU IMODERADO AMOR POR PERFEIÇÕES ABSOLUTAMENTE INÚTEIS

O'Neill foi um português originalíssimo. Um homem inspirador. Um anti-burocrata. Viveria mal hoje, no meio das folhas de Excel e dos inquérito via-drive... Já imaginaram um poema em Excel? Pois... eu também não.

Guichê / 1

Quando o burocrata trabalha é pior do que quando destrabalha.
Antes quero esperar, aquém guichê, que ele discuta toda a bola ou pedal que tem para discutir
com os destrabalhadores dos seus colegas;
antes quero esperar pelo meu burocrata
do que ter a desilusão de o ver trabalhar para mim mal eu chegue.
Isso custa-me pés e cotovelos, cãibras e suspiros, repentinos ódios vesgos,
projectos de cartas a directores de vespertinos,
mas se o meu burocrata assomasse à copa do papel selado
e me convidasse, acto contínuo, a dizer ao que vinha pelo higiafone,
da boca não me sairia um pedido, mas um regougo,
e eu teria de ceder a vez
ao cigarro que me queimasse a nuca.
É preciso exercer a paciência e cultivar a doçura no canteiro do rosto,
enquanto o burocrata destrabalha.
Geralmente não serve de nada pigarrear ou dizer com voz-passadeira «Fazmòbséquio».
Levantar-se-iam, além guichê, as sobrancelhas de, pelo menos, três sujeitos.
Melhor será começar pelo globo que pende do tecto
e que é um olho vazado sobrepujando a cena.
Melhor será observar como a mosca dos tinteiros
nele pousa as patinhas escriturárias.
Depois (lição de coisas!) baixar os olhos para o calendário mural
e ver quantas cruzes a azul ainda faltam para liquidar o mês.
A seguir, circunvagar o olhar para ir enquadrar noutra parede
um calendário perpétuo parado um mês atrás.
Também aqui há zelo e desmazelo.
Também aqui falta o tempo e sobra o tempo.
Por certo é o mantenedor do calendário em dia
o que está a vir para estes lados.
Já olhou para mim. Sorrio-lhe. Passou.
Volto ao globo e, geografia cega,
pergunto aos meus botões «Onde será Paris?»
Mas não é o terráqueo. É um abafador
que trago desde a infância e não abafou népia.
Rompeu-me a algibeira e não abafou népia.
Curvo-me, enfio a cabeça pelo guichê e, num assomo,
comando em voz clara e alta: TODOS AOS SEUS LUGARES!
Quebrei o encanto!
Os burocratas que destrabalhavam correm pra mim à uma.
Trémulo de prazer, pergunto a um deles: «É o senhor o meu



sexta-feira, 26 de abril de 2024

I ❤ BUROCRACIA: POEMA DA FLOR PROIBIDA

Se uma coisa me irrita é aquela burocracia inútil com que enxameiam as nossas vidas. Desisti, ontem, de participar num congresso, algures na Europa - depois da minha proposta de comunicação ter sido aceite - porque me enviaram quatro ou cinco longos pdf's com tretas para responder e com instruções para seguir. Perdi, de vez a paciência, quando me perguntaram sobre crimes cometidos nos últimos cinco anos. Não sei se uma multa (leve) por (ligeiro...) excesso de velocidade conta. Fechei o computador murmurando baixinho "vão à *****".

A burocracia inútil é um inferno quotidiano. De pouco serve e tudo empata. Só me evoca homens sisudos e de chapéu de coco. Um poema de Gedeão e uma tela de Magritte. O poema já por aqui andou em 31.3.2009, a tela também, em 20.9.2013.


Por detrás de cada flor
há um homem de chapéu de coco e sobrolho carregado.

Podia estar à frente ou estar ao lado,
mas não, está colocado
exactamente por detrás da flor.
Também não está escondido nem dissimulado,
está dignamente especado
por detrás da flor.

Abro as narinas para respirar
o perfume da flor,não de repente
(é claro) mas devagar,
a pouco e pouco,
com os olhos postos no chapéu de coco.

Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,
protege-me com o seu amor.
Ele sabe que a flor pode ter espinhos,
ou tem mesmo,
ou já teve,
ou pode vir a ter,
e fica triste se me vê sofrer.

Transmito um pensamento à flor
sem mover a cabeça e sem a olhar
De repente,
como um cão cínico arreganho o dente
e engulo-a sem mastigar.











Golconde está na Menil Collection, em Houston, no Texas. Foi pintado por René Magritte (1898-1967) em 1953.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

25 DE ABRIL DE 2024

Fomos 17 a celebrar os 50 do 25, logo pela manhã.

Fiz questão de estar em Moura, com os meus camaradas e amigos.

Para registo (da esquerda para a direita, sem leituras políticas ☺️):

Helena Costa, Daniel Ortiz Rodrigues, José Maria Pós-de-Mina, André Linhas Roxas, José Finha, Ana Almaça, Luís Rico, Santiago Macias, Paula Ventinhas, Jorge Pós-de-Mina, Ana Farinho, Luís Raposo, Maria José Silva, Manuel Bravo, Gabriel Ramos, José Flores e Joaquim Carrilho.

Em balanço, e no meio do grupo (e entre antigos e atuais): 2 presidentes e 10 vereadores.


25 DE ABRIL DE 1974

Ficou conhecido como o Hino do Movimento das Forças Armadas. É, de facto, uma marcha militar do compositor inglês Henry Russell (1812–1900), datada de 1838. É um dos símbolos dos meses que mudaram Portugal, para sempre.

Foi escolhida, creio que quase por acaso, nos estúdios do Rádio Clube Português, no próprio dia 25 de abril. Acompanhou as nossas vidas durante os anos de 1974 e de 1975.

Nestas alturas há imagens que me ficam gravadas: os tanques nas ruas, o Povo, Salgueiro Maia, os cravos, a alegria das pessoas, os cartoons de João Abel Manta...

Este foi, é, será o grande dia das nossas vidas.




 

quarta-feira, 24 de abril de 2024

O JOGO ESQUECIDO

Em Lisboa tinha havido empate. Para passar à final da Taça dos Vencedores de Taças, o Sporting não podia perder em Magdeburgo. Seria um regresso à final da competição, uma década depois da vitória em Bruxelas.

No final da tarde de 24 de abril juntámo-nos todos à volta do His Master's Voice a preto e branco para ver o jogo. A 20 minutos do fim, o Sporting perdia por 2-0, sem que o Magdeburgo tivesse jogado nada de especial. A 12 minutos do fim, Marinho reduziu para 2-1. Quase de seguida, Tomé falhou, inacreditavelmente, o empate (é esse desalento que a fotografia mostra). Os alemães estavam de gatas. Deu-se então uma parte gaga. Isto para que não digam que os latinos é que são "fiteiros"... Um alemão simulou uma lesão. Entra o massagista do Magdeburgo. Aquilo prolonga-se por uns minutos. Quando vai de regresso em direção à linha lateral, o massagista abre, "acidentalmente", a mala. Espalha-se pelo relvado todo o seu conteúdo, uma mistura de frascos e frasquinhos, que toda a gente ajuda a apanhar. Aqueles momentos quebraram o ritmo, de total domínio, do Sporting. Com a ajuda de um pequeno golpe de teatro, a Magdeburgo passava à final...

No dia seguinte, tudo isto deveria dar manchetes nos joirnais. Não deu. Porque o outro dia foi o que se sabe.


terça-feira, 23 de abril de 2024

DEPOIS DO HERRI BATASUNA

A entrada do Herri Batasuna foi o principio de uma enorme "animação". Armou-se "la marimorena". Gritos, boicotes, expulsões etc. Isso durou até junho de 2005, quando o Herri Batasuna foi ilegalizado. Surgiu depois o Eukal Herria Bildu, próximo do separatismo mas mais moderado e abrangente. No passado domingo, houve um pequeno "susto". O futuro é cada vez menos previsível...

Dos três eleitos em 1979, Telesforo Monzón (1904-1981), Francisco Letamendía (n. 1944) e Pedro Solabarría (1930-2015) apenas Letamendía está vivo. Que diria o trio nesta altura?


domingo, 21 de abril de 2024

UM DIA INESQUECÍVEL

Não tenho muitos dias assim, numa carreira profissional com quase 40 anos.

Foi um prazer enorme, e uma emoção difícil de traduzir em palavras, ver o Panteão Nacional completamente cheio na celebração dos 10 anos do cante alentejano como Património da Humanidade.

Por ali passaram, por ordem de atuação:

Grupo Coral Infantil da Escola do Sete e Meio (Moura)

Grupo Coral e Etnográfico "Os Camponeses de Pias" (Pias)

Grupo Coral e Etnográfico "Cantares de Évora" (Évora)

Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa (Serpa)

Grupo Coral da Sociedade Recreativa Amarelejense (Amareleja)

Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento (Vila Nova de São Bento)

Grandes vozes e grande presença. Um grande final, com os grupos todos cantando, em conjunto, o "Alentejo! Alentejo!".

Depois, foi mesmo uma festa, cantando Alfama abaixo até à sede do Grupo Sportivo Adicense, onde foi o lanche. E ainda aquela nota fantástica do Rancho de Cantadores ter homenageado um casal de senhoras que acabara de casar.


Fotografia: "A Planície"








BARTOLOMEU COSTA CABRAL (1929-2024)

Foi uma carreira longa e perfeitamente realizada, a de Bartolomeu Costa Cabral, que ontem faleceu. Foram muitos os projetos, os prémios, é consensual o reconhecimento dos pares.

Aqui o recordo porque precisamente dentro de um mês vai ser apresentado um livro que tem uma obra sua: a agência de Caixa Geral de Depósitos de Sintra (1978).


sábado, 20 de abril de 2024

NÃO FOSSEM OS MANDATOS DA CDU...

E não teria havido:

* A obra da Mouraria;

* A casa dos poços;

* O Museu Gordillo;

* A reabilitação da Torre de Menagem;

* O jardim das oliveiras;

Ou seja, os jornalistas da "Visão" viriam a Moura ter visões.

Nos últimos sete anos, o que se criou, a este nível, em termos de reabilitação urbana? ZERO.


quinta-feira, 18 de abril de 2024

ASTON VILLA

Tenho seguido, com interesse, a carreira do Aston Villa. Têm duas finais europeias no currículo. Desde há 41 anos, nada mais. Este ano estão nas meias-finais da Conference League. Aposto que chegam à terceira final. O treinador? Unai Emery, o que ganhou quatro Ligas Europa. Mais um acaso, com toda a certeza...

quarta-feira, 17 de abril de 2024

CONCERTO DE AVES

sabes, as aves aquáticas já não pernoitam junto ao mar nem por entre os nossos dedos de areia
sobem-nos vozes calcárias à garganta, estrangulo-me neste humilde canto, fico atento ao eterno silêncio do teu castelo

às vezes escuto o teu cantar, raramente, é certo...mas quando cantas saem-te nomes puros da boca e sorrisos diáfanos de cristais
os lábios incendeiam-se com vinho, teu corpo adquire o sabor misterioso das algas
no crepúsculo expande-se o perfume a moreia frita, teu olhar é o mosto dos nossos desejos

dançamos à roda dum mastro, saia em papel de seda bordada com búzios...uma quadra flutua pela noite de nossos cabelos
rodopias, e os teus amores são relembrados pela noite adiante
espalham-se estrelas cadentes, papoulas breves, junco molhado e o mar enche-se novamente de pássaros, embarcações semelhantes a beijos que nos percorrem de alegria

Uma recente "visão" do Concerto de aves, de Frans Snyders, que está no Museu do Prado, levou-me a Al Berto. Uma maneira diferente para terminar uma quarta-feira agitada.

terça-feira, 16 de abril de 2024

O JOÃO OLIVEIRA! O JOÃO OLIVEIRA É QUE É!!! QUAL JOÃO OLIVEIRA???

O João Oliveira anda, desde há umas semanas, desaparecido dos media. Quando não era candidato "ele é que era", "ele é que devia ser", "o vosso camarada João Oliveira é melhor que o Raimundo e que os outros todos", "vocês têm sempre os mesmos, o João Oliveira é que era!". Por sinal, o cabeça de lista ao Parlamento Europeu é o João Oliveira. Não a pedido, claro, mas por ser o camarada que reúne melhores condições. Subitamente, o João Oliveira sofreu um eclipse. Ou melhor, fala-se é do seu homónimo do Big Brother...

Só a muito custo veremos o João Oliveira nas televisões e nos jornais nas próximas semanas. Mas o João Oliveira é que era... Se fosse ele...


segunda-feira, 15 de abril de 2024

CANTE ALENTEJANO, VOZ E SANTA ENGRÁCIA

O cante alentejano no Panteão Nacional. Porque o Dia da Voz é, também, o Dia de Santa Engrácia. Dia 20, às 17 horas, com entrada livre.

Seis grupos de outras tantas localidades: Amareleja, Évora, Moura, Pias, Serpa e Vila Nova de S. Bento.


ESTA VIDA DAS AUTARQUIAS ESTÁ A DAR CABO DE MIM, RAPARAPARAPARAPARAPARAPARIM

Este é um desafio e tanto. A experiência de ex-autarca e de diretor de um monumento nacional. É sobre isto que os moços querem que eu vá falar. E da forma como vejo a responsabilidade cívica, que cabe a cada um de nós.

Então vamos a isso, num sessão (para mim) inédita, ante uma plateia de alunos de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra. A terra pode não tremer. Já eu 🙂...