quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

100.000

Obrigado a todos.
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SOBRAL - REDE DE ÁGUAS E ESGOTOS

As obras de renovação da rede de águas e esgotos começaram ontem. Não pude, por ter outros compromissos já assumidos, estar com os meus colegas de vereação, e com o presidente da junta, a assistir ao início da obra. Mas sinto-me feliz pelo começo dos trabalhos e por outro compromisso assumido ganhar agora forma.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

AIR FRANCE OU AR FRANÇA?

Vivi, há poucas horas, um momento de verdadeira boa disposição a bordo do voo para Paris. O comissário de bordo, um jovem luso-francês, resolveu ignorar o livro dos discursos e improvisou. Disse, textualmente, o seguinte: "os senhores passageiros deverão desligar os telemóveis antes de os arranjar" (do fr. ranger: arrumar).
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Pois...
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INTER-CIDADES

Permanece para mim com um dos mistérios da Pátria o facto de muita gente preferir usar sempre, mas sempre mesmo, viatura própria ao combóio. Um dos bons exemplos de um serviço cómodo, rápido e económico é o Inter-Cidades Beja-Lisboa (2 horas e 5 minutos entre a capital do distrito e Sete Rios). O público desta manhã era, como sempre, maioritariamente constituído por reformados.
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Duas notas de viagem:
1. O revisor ostentava na lapela a bandeira arco-íris do orgulho gay. Para os que dizem que as mentalidades no nosso País não mudam. Alguém imaginaria uma situação parecida há 20 anos? Ou, até, há 10?
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2. Ao passar sobre o IC 20 (antigamente conhecido como Via Rápida para a Costa, embora de rápida só tivesse o nome) diverti-me a observar que o antigo bar para adultos (chamavam-se boîtes e era o sítio onde iam senhores casados sem as respectivas) O SELIM ostenta uma faixa onde se lê CAPARICA PELES. O ramo é outro, claro, mas que há pontos de contacto, lá isso há.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

ANTÓNIO CAMÕES GOUVEIA

António Camões Gouveia, professor na Universidade Nova, é o novo director do Museu de Évora. A notícia, que há vários dias estava a correr, teve agora confirmação oficial. Um percurso profissional de elevada craveira - com uma passagem pela Comissão dos Descobrimentos - e uma extensa experiência profissional na área da divulgação cultural são razões mais que suficientes para se saudar esta nomeação. Parabéns, António!
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Fotografia: Notícias de Castelo de Vide

JORNALISMO ALENTEJANO

"Manuel e Aurora Guerreiro são dali perto, de Corte do Pinto, mas só ontem arranjaram um tempinho para espreitarem o bailado furioso das águas." Onde vem esta afirmação? No Público. O que tem de invulgar? É que o ali perto refere-se à distância entre a barragem de Alqueva e a Corte do Pinto. Qual a distância real? Uns 75 km. bem contados. Ou, como dizemos no Alentejo, "é logo ali".
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A imagem, arranjada na net, refere-se a um Prémio de Atletismo na Corte do Pinto. Os moços estão com ar de quem vai começar a correr. Mas não deverão, em princípio, ir até à Barragem de Alqueva, apesar desta ser perto.

SMORZANDO

Nos próximos dias a actividade do blogue vai em smorzando.
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Não é preguiça, nem falta de tema. Compromissos externos a isso obrigam. O primeiro é bom, o segundo também. Primeiro, a participação num colóquio sobre o Islão no Ocidente no período medieval, em França. Depois, uma deslocação a Guiné-Bissau integrando uma delegação do Munícipio de Moura. Ficarei mais uns dias, por minha conta, a fotografar e a preparar textos. Nem uma nem outra actividades me devem deixar grandes oportunidades para blogar.
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Irei, contudo, cumprindo os chamados "serviços mínimos" e, sempre que possível, colocando algum texto novo.
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E para a minha amiga BB aqui fica um Kandinsky. Quem quiser ver uma corrida de bicicletas na qual Kandinsky terá participado é só clicar aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

MANUEL ALEGRE

O histórico dirigente socialista Manuel Alegre declarou a sua disponibilidade para ser candidato à presidência da república. Traduzindo de forma mais clara: Manuel Alegre vai ser candidato.
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O Bloco de Esquerda, que dispara mais rápido que a própria sombra, já veio declarar o seu apoio à candidatura.
Vitalino Canas, do PS, já veio dizer que essa candidatura dividirá seriamente o PS.
José Lello, do PS, já veio dizer que “não posso comentar uma coisa que é a ele que lhe diz respeito. Não me empenharei nem vou obstacularizar [a candidatura], é um problema dele. Não sou entusiasta dessa candidatura, portanto é-me relativamente indiferente”.
Vítor Ramalho, do PS, já veio cinicamente dizer que não pode comentar o que não existe.
Renato Sampaio, presidente da Federação Distrital do Porto do PS, já veio dizer que a sua posição “é a posição oficial do partido” (ainda bem que ele não é do PCP, senão caia-lhe toda a gente em cima, assim o que Sampaio diz é apenas disciplina partidária...).
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Isto promete.
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VAMOS A LA PLAYA, CALIENTA EL SOL!

Pois, todos criticaram e quase crucificaram o ministro Mário Lino e afinal o homem tinha, pelo menos, semi-razão. Quando o ministro falava no deserto da margem sul estava quase certo. Na parte que se refere à areia, pelo menos. É que o seu sucessor na pasta das Obras Públicas, António Mendonça, veio agora dizer que "Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid."
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São assim os horizontes da Pátria. Fazem lembrar uma cena do filme Malteses, Burgueses e às Vezes..., de Artur Semedo. O protagonista repreende um arrumador de carros invocando o país de marinheiros que somos e nosso passado de glória, num discurso empolgado. Remata a prédica prometendo-lhe uma ocupação mais condigna. Cena seguinte: o arrumador de carros está a guardar barcos na doca de Pedrouços...
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Nos tempos em que António Mendonça foi do PCP não era de esperar que ouvisse esta música conformista e decadente. Aqui lhe/vos deixo o inesquecível grupo Los Payos e o não menos inesquecível sucesso María Isabel, que a minha prima Maria me cantava nas férias em Paymogo. São palavras de inspiração e, já agora, de convite, para quem vive em Madrid e arredores. Bute curtir prá Costa da Caparica!
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BECOS DE LISBOA

Não conheço todas as cidades do mundo. Nem nunca irei conhecer uma ínfima parte das que existem. Ainda assim, não tenho dúvidas que, com a provável excepção do Rio de Janeiro, Lisboa é a mais bela cidade do mundo.
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Ainda hoje, tantos anos volvidos sobre os primeiros e solitários passeios na cidade antiga, gosto de voltar as mesmos sítios para, sozinho, me perder de novo na cidade antiga. A melhor recordação data, contudo, de 1996 ou 1997. Conduzia um grupo de amigos franceses, mais velhos, pelas ruas de Alfama. Ao acaso, sem lojas para turistas nem restaurantes típicos. Perto da rua de S. João da Praça há um grelhador com sardinhas em plena rua. O cozinheiro não está à vista. E ei-lo que sai do seu estabelecimento, de tesoura ainda em punho, para, num golpe rápido, mandar uns borrifos de água para o grelhador e virar as sardinhas. Era o barbeiro que, no meio do atendimento, preparava o almoço.
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Ficaram extasiados, como os grupos de excursionistas sempre ficam, quando desembarcam em sítios longínquos e exóticos e vêem coisas que, nos países civilizados, fazem parte dos livros de histórias. Quase tive de jurar que aquilo não era combinado com o homem.
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Acabámos a manhã almoçando numa taberna perto do Chafariz d'el-Rei, entre o cheiro das sardinhas assadas e o sotaque gingão dos lisboetas de Alfama.
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Aqui ficam, para o fim-de-semana, palavras a sério de um bom poeta e duas imagens, a do pintor seguramente melhor que a do "fotógrafo".
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PRIMEIRA CANÇÃO EM LISBOA

Em Lisboa é que nascem as gaivotas.
Que pena, meu amor, o mar não ser
um copo de água pura. De água para
a sede que em Lisboa eu vi nascer.

Em Lisboa. Capital do vento sul.
Coração do meu povo. A doer tanto
que a dor se tornou cor. E é azul
como a ganga dos homens do meu canto.

Em Lisboa a gente morre sem idade.
Devagar. Como se faz uma canção.
E há um pássaro que voa. É a saudade.
E uma janela aberta. O coração.

Joaquim Pessoa


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Imagem de cima - pintura, datada de 1935, de Carlos Botelho (1899-1982), um bom artista plástico, hoje em dia bastante esquecido. A tradução em imagem da topografia de Lisboa, que lhe foi tão cara, é-me ainda hoje bastante querida. E importante em termos profissionais.
Imagem de baixo - fotografia feita pelo autor do blogue, em 2007, algures na zona antiga da capital.

NIGÉRIA

O 10º lugar, em termos de visualizações de  páginas, deste blogue cabe à Nigéria. Outro local qualquer chamaria menos a atenção. Mas a Nigéria...
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A curiosidade matou o gato, mas quem será o mourense que vive por essas bandas? Algo me diz que é um mourense.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

VITÓRIA OU A LEI NÃO É IGUAL PARA TODOS?

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Das duas uma. Ou a lei não é igual para todos ou o movimento OLD LIBERATO pode cantar vitória. O senhor da imperial chama-se Francisco Manta.
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Nota pessoal: há sempre uns intelectuais à séria que acham que na vida não há espaço para a diversão. Tenho recebido mensagens de crítica sobre o pouco interesse deste tema. Meus caros, só passa aqui pela Avenida quem quer...

A NOITE

Filme que pertence à célebre trilogia da incomunicabilidade de Antonioni, La notte, de 1961, retrata um casal num beco sem saída. Giovanni (Marcello Mastrianni) e Lidia (Jeanne Moreau) vagueiam sem rumo, entre pequenas escapadelas, bares nocturnos e festas, num meio burguês e entediado. O filme acaba com Lidia lendo uma carta de amor que Giovanni lhe escreveu antes de se casarem, e da qual ele não se lembra.
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Gostei tanto do filme quando o vi que decidi não repetir a experiência. Há filmes que perdem o encanto e ganham muitas rugas com o tempo. Com o dele e com o nosso, que ganhamos perspectivas diferentes das coisas. Talvez um dia volte a esta noite.
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Eu...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

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As palavras de Florbela Espanca, a sua tristeza e abandono, têm um ritmo que não é muito diferente do que tem o filme. O filme é lunar, o poema um pouco também. Tragam-nos o sol.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SÓCRATES E O DEBATE DE AMANHÃ SOBRE O ENSINO SUPERIOR

Mariano Gago deslocou-se duas vezes a Mértola. Foram visitas interessantes, por diferentes ordens de razões. Na primeira foi mais técnico que ministro. Quis saber imensas coisas dos projectos, como funcionava o Campo Arqueológico, quais os projectos que cada um de nós tinha. Tratou-nos por tu e insistiu que todos o tratássemos por tu. Coisa que ninguém fez, claro está. Foi fraterno e portou-se como um colega mais velho que se interessa pelo trabalho dos novatos.
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A segunda visita foi mais institucional mas não menos interessante. Na sessão de apresentação do mestrado Portugal Islâmico e o Mediterrâneo dissertou longamente sobre os desafios do ensino superior. Foi irreverente e contestatário. Manifestou-se contra todos os métodos estupidamente quantitativos de avaliação de carreiras, disse coisas que ninguém esperaria sobre as formas de contratação de docentes no ensino superior e sobre a estupidez da burocracia. Mais parecia o jovem extremista de outrora que o ministro do ensino superior de um país da Europa Ocidental. Não levei o que disse minimamente a sério mas Mariano Gago foi, como sempre, brilhante e convincente.
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Lentamente, vai levando a água ao seu moinho - o da progressiva e discreta privatização do sistema de ensino superior ou, pelo menos, o da crescente, participação do sector privado empresarial no destino das universidades -, embora não se resolva um enigma de base:
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Como vão nos países europeus, com uma tradição mecenática relativamente pobre no apoio às Ciências Humanas, sobreviver essas "inutilidades" do ensino do grego, do estudo da poesia medieval ou da evolução das basílicas na Antiguidade Tardia?
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O Governo escolheu o ensino superior como tema do debate quinzenal de sexta-feira, com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, disse à agência Lusa fonte do ministério dos Assuntos Parlamentares. Deve ser má vontade minha, mas nunca percebi o que é que raio o nosso primeiro terá a dizer sobre o ensino superior. A não ser que seja para ensinar uns truques à malta...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

THALASSA! THALASSA!

Thalassa! Thalassa! (O mar! O mar!). Foi assim que os soldados gregos comandados por Xenofonte saudaram a visão do mar no Ponto Euxino.
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Este curto parágrafo já foi, em tempos, publicado aqui no blogue. Mas foi essa a sensação - a de estar perante o mar - que tive quando hoje de manhã cheguei à Estrela. A fotografia tem como autor Orlando Fialho.
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E assim a barragem de Alqueva chegou à cota máxima...

PITA AMEIXA: à descoberta do concelho de Moura

E chega Pita Ameixa às terras de Moura e afirma à comunicação social esperar que o município de Moura, por ser liderado pela CDU, não crie obstáculos ao desenvolvimento da freguesia de Amareleja, cuja Junta de Freguesia é, desde as últimas eleições autárquicas, liderada por um movimento de independentes.
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Fico sempre fascinado com estes descobridores. Pita Ameixa aventurou-se em território desconhecido e descobriu coisas. Primeiro, já encontrou o caminho para a Junta de Freguesia de Amareleja. Em anterior deslocação à freguesia não conseguiu lá chegar. Depois, descobriu também o caminho aventuroso e difícil para o Sobral da Adiça. Entretanto, e no meio do périplo, divertiu-se a debitar umas banalidades e umas jonglerias absolutamente confrangedoras sobre o que já se fez noutras freguesias e noutros concelhos. Há coisas na nossa região que são assim. Uma delas é que, a par das coisas boas que temos, somos, de quando em vez, fustigados pelo pita-ameixismo.
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Faço votos que o deprimente Pita Ameixa encontre, em futura vinda a estas terras longínquas, o caminho da Câmara Municipal de Moura. Não por razões de solidariedade política, institucional ou pessoal. Mas apenas por uma questão de boa educação.
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Chapéu colonial - modelo que aconselhamos ao explorador Pita Ameixa em próximas aventuras no concelho de Moura. Está de acordo com um certo modo de descobrir o mundo desconhecido. Para a capacidade de debitar asneiras não há chapéu que lhe valha...

OLD LIBERATO

Há sítios assim e pessoas assim. O Liberato é um sítio que vale pelo sítio, e pelo próprio Jorge. Durante muito tempo pudémos, ao fim da tarde, desfrutar de grandes momentos de convívio ao balcão do Liberato. Em particular nos últimos anos o bar tornou-se uma tertúlia popular. Numa tertúlia popular não se discute filosofia contemporânea, nem literatura, nem pintura, nem coisas assim. Os temas são outros, e têm a ver com a vida de todos nós. Com o dia-a-dia na nossa Moura. São sítios privilegiados de trocas de informação, de um pouco de má-língua e de grande animação ao fim da tarde.

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O Jorge era/é mestre na arte do dichote e da graça a propósito. A gargalhada e a boa disposição foram a imagem de marca de muitas tardes no Liberato.
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Desde o dia 4 de Janeiro, o Jorge acabou com os copos ao balcão. É claro que o ambiente ficou mais pacato, um pouco mais "europeu" e silencioso. É evidente que não vamos deixar de ir ao Liberato ao fim da tarde. Mas é diferente, porque aquele ambiente um pouco andaluz de animação se perdeu.

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Depois de uma breve troca de impressões, e na nossa qualidade de indefectíveis do bar e do direito a bebermos uns copos em pé, e num controlado desassossego, resolvemos tornar público este lamento.

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Corrige lá isso, Jorge! Caso contrário avançamos para o abaixo-assinado e, quiçá, com uma petição na Assembleia da República.

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O presente texto será publicado pelos seus autores, e promotores do movimento OLD LIBERATO, nos seguintes blogues:

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http://castelodemoura.blogspot.com/ (Francisco Manta)

http://pdmoura.blogspot.com/ (Harley)

http://rentearelva.blogspot.com/ (Rafael Rodrigues)

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/ (Santiago Macias)

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Fotografia de um final de tarde "clássico" - tirada do blogue http://oliberato.blogspot.com

Mandem sff mensagens de protesto para rest.liberato@sapo.pt ou oliberato@gmail.com

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A CHUVA CHOVE...

A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...
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E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene

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... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,

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Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,

Revira in-fólios, cancioneiros e missais...
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Jackson Pollock (1912-1956), figura de proa do expressionismo abstracto, cultivou uma técnica conhecida como "dripping" (gotejamento). Não usava pincéis, no sentido em que habitualmente estes são utilizados. Lançava a tinta sobre a tela, colocada no chão, usando por vezes regadores ou arrastando os pés sobre a superfície sobre a qual trabalhava. Lembrei-me do nome de Pollock (chovendo sobre a tela, na imagem de cima), de cujo trabalho não sou um fã de primeira linha, nestes dias em que toda a água do céu parece cair sobre Portugal.

Cota da barragem de Alqueva às 23 h. de ontem: 151.90

LISBOETAS E JOSÉ TRIBOLET

Numa cena do filme Lisboetas, de Serge Tréfaut, uma mulher oriunda do leste europeu (Rússia ou Ucrânia, se não estou em erro), fala ao telemóvel com alguém do seu país de origem. A mulher está sentada na praia e descreve Portugal com a calma de uma adquirida traquilidade. E que diz ela? Que o país é magnífico e que as pessoas são simpáticas. Que o clima é óptimo e que há segurança nas ruas. O monólogo vai por aí fora até a mulher referir o sistema de ensino. Que classifica como muito fraco, sem rigor nem níveis de exigência.
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Ontem à noite, apanhei, por acaso um excerto do programa "Prós e Contras". No meio daquela chatura sem dimensão achei graça a uma intervenção, meio enfurecida e genuína, do Prof. José Tribolet. Clamava que era necessário "trabalho, trabalho, trabalho" e "disciplina, disciplina, disciplina".
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Nem mais. Tanto a mulher de leste como o Prof. Tribolet tocam num ponto sensível: o da falta de exigência e da ausência de métodos de trabalho que rodeiam o nosso ensino. Os curricula do secundário estão cheios de inutilidades pomposas como Estudo Acompanhado, Formação Cívica e de carnavaladas inconsequentes como Área Projecto. Ao todo, uma série de horas atiradas à rua. O trabalho de memorização (que horror!) foi atirado para a Pré-História, a leitura dos clássicos passou a passatempo, o trabalho duro de aprendizagem tornou-se uma amável reinação.
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No "meu tempo" é que era bom? Não era. Havia um ensino mais elitista, havia menos possibilidades de intercâmbio, havia menos ferramentas e uma tecnologia incomparavelmente mais atrasada. Ora, justamente por termos todo esse leque de possibilidades é que deveríamos dar passos em frente. Não é isso que está a acontecer. Não há disciplina alguma, nem se incute nos jovens estudantes a ideia que um curso, uma carreira, um trabalho de investigação, implicam muitas horas de trabalho, frequentemente solitário, e de sofrimento. Resultado: se antes tinhamos um ensino pensado para o terciário urbano, hoje temos um ensino que criou nichos para a formação de super-elites. Justamente o contrário que a democratização preconizava...
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Bibliothéque Nationale de France, Paris

Divirto-me hoje a recordar que, na Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, algumas colegas (sobretudo elas) me chamavam "monge" pelas horas gastas na biblioteca ou "alemão", por ser um partidário do trabalho persistente. Elas não tinham razão. Sempre achei, e hoje tenho a certeza, que trabalho intenso não é incompatível com diversão intensa. Muito pelo contrário.

domingo, 10 de janeiro de 2010

MUROS E MUROS ERGUENDO

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aprovou hoje a construção de uma barreira em dois segmentos da fronteira com o Egipto e a instalação de um sofisticado equipamento de vigilância para impedir a entrada no país tanto de imigrantes ilegais como de militantes armados. “Esta é uma decisão estratégica para garantir o carácter judeu e democrático de Israel”, explicou o líder da direita israelita no anúncio de um projecto que, segundo o diário "Ha’aretz" irá custar 1500 milhões de dólares (16.700 milhões de euros). Nos últimos anos, milhares de africanos entraram em Israel pela fronteira egípcia, fugindo à pobreza ou aos conflitos nos seus países de origem, mas o fluxo desagrada às autoridades, que privilegiam o acolhimento de judeus oriundos de outros países.
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A notícia saiu há poucas horas na edição on-line do Público. A orla mediterrânica agita-se. "Vem aos meus braços, querido amigo", pensou, decerto, Berlusconi. O racismo já nem se dá ao trabalho de se esconder ou de disfarçar intenções. Em Portugal ainda só se rosna contra os imigrantes. A luta está por conta do folclórico PNR. O estilo português suave ainda não rima com os pogroms calabreses. Para já. É tudo uma questão de tempo.
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Fotografia de Larry Towell, na Faixa de Gaza, em 1993

EVA LOOTZ

Aqui se recorda o projecto Caligrama, que a artista plástica Eva Lootz montou no Khan Assad Pasha, na cidade velha de Damasco, no Outono de 2003. O antigo espaço otomano viu o seu solo, e as escadas, preenchidos por centenas de pequenos pontos de luz, que davam ao sítio um ar ao mesmo tempo acolhedor e fantasmagórico. Não vem aqui ao caso como conheci Eva Lootz, nem como fui "desembarcar" na instalação, justamente no dia em que esta era inaugurada.
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As imagens que se publicam provam bem que a criatividade e a imaginação da artista criaram um projecto de excepcional qualidade com meios muito modestos. A fotografia de cima é do site da artista. A de baixo é minha (não tinha tripé e restava-me apenas um rolo de baixa sensibilidade, que "estiquei" ao máximo...) e aqui a deixo, para dar razão a uma amiga que diz que só fotografo sombras.
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Site da artista: http://www.evalootz.com/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

MAGNOLIA

O cineasta chama-se Paul Thomas Anderson (n. 1970). Tornou-se célebre com Boogie Nights, que dirigiu com apenas 27 anos, mas tem muito melhor que esse filme. Tem Punch-Drunk Love (2002) e este Magnolia (1999). O início de Magnolia, com uma extensa reflexão sobre o significado da palavra "sorte", é um dos mais electrizantes que conheço. A história é um cruzar de episódios, um pouco na linha que Altman tornou na sua imagem de marca. Mas Paul Thomas Anderson vai mais além da simples fábula do quotidiano, estende-se aos territórios do absurdo. Que parece, afinal, uma coisa naturalíssima. Partilho com uma amiga o fascínio pela frase "This happens", usada por um personagem para justificar o que não tem explicação. A sorte e o acaso que nos atormentam a cada momento.
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CASAMENTO GAY

Aparentemente, a questão está resolvida. Ou talvez não. Balançam sobre o assunto dúvidas de constitucionalidade. Vão começar os jogos de florete jurídicos. As razões e as contra-razões. Os argumentos, cada vez mais técnicos e especializados (não conheço outro país em que os juristas estejam tão omnipresentes no debate político e em que as discussões tenham uma tão forte carga técnica), vão enredar-se em meandros infindáveis.
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Quando o assunto se der por terminado - pessoalmente é-me tão "indiferente" o casamento entre pessoas do mesmo sexo como entre as de sexo diferente -, há outros dossiês que esperam resolução. Menos mediáticos mas bem mais decisivos para o nosso futuro. 
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PORTUGAL DESCONHECIDO

Ao chegarmos hoje a Lisboa fomos assaltado por uma dúvida. Qual será a segunda ponte do Feijó, tão falada todos os dias na Antena Um? O Rui acabou por apresentar a hipótese mais consistente, mas ficámos seguros que há um Portugal Desconhecido que é todos os dias mencionado nas notícias do trânsito e que nos escapa por completo. Para os que, ai de nós!, vão para o trabalho a pé e não sofrem os problemas dos engarrafamentos (ou quase, no rush-hour de Mértola contei no outro dia uma bicha de seis-carros-seis...) tentamos imaginar um país que, para nós, não existe. O que será o Nó de Francos? E porque é que há sempre entupimentos em Faria Guimarães? E porque é que a Segunda Ponte do Feijó é sempre mais referida que a Primeira Ponte do Feijó? E os que nunca foram à Amadora nunca saberão como é a Recta dos Comandos. No fim disto tudo, apenas um detalhe me intriga. Antigamente, falava-se sempre nos problemas de trânsito na General Torres. Agora, nada. O que terá acontecido ao General, agora condenado ao esquecimento?
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Um engarrafamento! O meu reino por um engarrafamento! 
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O ESPLENDOR DO SILÊNCIO

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“No esplendor inigualável dos 70 mm e do som estereofónico total”. Era esta a frase publicitária que, há trinta anos, acompanhava o anúncio da reposição de velhos filmes nas salas de Lisboa. O formato dos 70 mm é hoje uma relíquia arqueológica. As salas onde esses filmes eram exibidos há muito que entregaram a alma ao Criador. O Império é uma igreja, o Monumental foi demolido, o Condes é um restaurante, o Tivoli encerrou.
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Muita da solidão e da timidez da minha adolescência foi passada nessas salas. No esplendor silencioso do 2º balcão desses templos imensos. A paixão pelo cinema nasceu aí. O hábito solitário de ver cinema consolidou-se aí. Não estranho recordar, portanto, tantos anos depois, que a primeira vez que convidei uma namorada para ir ao cinema tenha sido para a Cinemateca. E para ver Roma, de Fellini. Haverá sítio, e filme, menos provável para namorar ou beijar alguém? Admito que não. Tenho a certeza que não. Mas foi assim.
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Ir ao cinema, ou ao teatro, ou à ópera, converteu-se, desde a adolescência, num hábito próximo da devoção. E se no teatro ou na ópera o silêncio entre o público ainda impera, louvado seja Deus!, no cinema o esplendor inigualável do silêncio há muito foi eliminado. Com a rara excepção do King e de mais um ou dois sítios (agora não me lembro de quais, verdade se diga) as salas converteram-se em anexos do fast food dos centros comerciais. À entrada das salas os espectadores podem abastecer-se como se partissem para uma longa viagem. Baldes imensos atulhados de pipocas, garrafas de coca-cola de tamanho familiar. Gomas e pastilhas, pipas e batatas fritas. Que la fête commence. Os diálogos dos filmes são agora pontuados por schhhhlurrp! e scrontch! scrontch! A cada segundo. Tentem imaginar, por um segundo que seja, a silenciosa sequência da piscina, no Nostalgia, de Tarkovsky, no meio daquele festim. Revejam a cena final de Casablanca ao som da mastigação. Pensem no que é o mais belo flash-back da história do cinema, o regresso à juventude em Morangos silvestres, de Bergman, no meio do barulho das pipocas. Peço que façam o favor desse elementar exercício.

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Foi em tudo isto que pensei há semanas quando comprei bilhete numa sessão da meia-noite, um reduto ainda relativamente tranquilo, para ver Agora, de Alejandro Amenábar. O filme é mediano. Mas ficou menos interessante quando o dramatismo da narrativa foi entrecortado pelo trabalho dos maxilares de outros espectadores. Sonho, cada dia mais, com o inigualável esplendor do silêncio. E com o dia em que abram cinemas onde, à porta, se coloque o aviso: “é expressamente proibido o consumo de pipocas e de refrigerantes nesta sala de cinema”. Podem ter a certeza que comprarei um lugar cativo.

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Crónica publicada em A Planície no passado dia 1 de Janeiro.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

COTA MÁXIMA

Ponto da situação na Barragem de Alqueva (informação do anónimo Watergate, a quem agradeço):
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05/01/2010
23:00
151.44
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A cota máxima deixou de ser uma miragem.

VENTOS DE BONANÇA

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Segundo a imprensa de hoje, "por cada 100 Watt de electricidade consumidos no ano passado nos lares portugueses, 15,03 Watt vieram do vento, um valor que eleva o país para o segundo lugar mundial." (Público on-line). Aí está uma notícia positiva e que vem dar um pouco de cor a estes dias cinzentos.
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O vento é um elemento dominante em várias sequências do filme "O grande mestre do crime", rodado em 1967 (direcção de Norman Jewison). Queria ilustrar este post com um excerto do filme. Não foi à primeira. Procurava uma canção chamada The windmills of your smile e o título é, na verdade, The windmills of your mind. Curiosamente, o seu autor, Michel Legrand (n. 1932), deu-lhe um título diferente na língua original: Les moulins de mon coeur. Your mind/mon coeur? A cerebralidade anglo-saxónica dá lugar ao sentimento latino. Prefiramos o segundo à primeira.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

JOSÉ ALBERTO ALEGRIA

Aqui ficam o aviso e o convite. O arquitecto José Alberto Alegria dará, na próxima segunda-feira, dia 11, pelas 17 horas (sala ST 3 do edifício dos Leões/Universidade de Évora), uma conferência sobre Arquitectura Islâmica e Contemporaneidade.
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A iniciativa integra-se no seminário Introdução à arquitectura islâmica e do espaço do Maghreb que, desde há dois anos, lecciono no Mestrado em Arquitectura da UE.
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Vejam-se informações sobre o curso de Arquitectura em:
http://www.uevora.pt/estrutura_organica/unidades_organicas/escolas/escola_de_artes/departamento_de_arquitectura

MATRAQUILHOS

Ouvi dizer hoje, na Antena 1, que vai começar em Nantes o Campeonato Mundial de Matraquilhos. Fiquei emocionado por saber que a prática de tão prosaico entretenimento já tem nível para Campeonato do Mundo. Lembro-me sempre do jogo do boneco (era assim que, há 40 anos, lhe chamávamos em Moura) por três motivos básicos:
1. Adoro jogar matraquilhos;
2. Jogo pessimamente (facto cientificamente comprovado) e nem sequer sei fazer as fintas mais básicas;
3. Nas feiras de Maio de 1971/1973, a turma contava sempre com o auxílio precioso do J.V. (omito o nome, não vá dar-se o caso de ter hoje um lugar respeitável), especialista em sacar as bolas com a ajuda de um pente de metal (!) e de um pontapé certeiro no local apropriado. O feirante, coitado, nem desconfiava que aqueles meninos de ar bem comportado só pagavam um jogo em cada dez...
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O jogo foi criado por um galego, Alexandre de Fisterra, em 1937. O seu autor ficou, na altura, muito impressionado pelo facto de muitas crianças, vítimas dos bombardeamentos da Guerra Civil, ficarem com pernas amputadas, o que as impedia de jogarem futebol. Inventou então este entretenimento, hoje de difusão planetária.
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Os jogos não têm transmissão televisiva, mas podem seguir o essencial do campeonato em: http://www.table-soccer.org/

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

AS TORRES DO IÉMEN

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse hoje que a situação no Iémen era uma ameaça às estabilidades regional e mundial.
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"Nós vemos implicações globais na guerra no Iémen e nos esforços contínuos da Al Qaeda no Iémen para usar o país como uma base de ataques terroristas bem além da região», disse Hillary depois de uma reunião com o primeiro-ministro do Qatar." (na imprensa de hoje).
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As torres do Iémen que se cuidem...
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BURJ KHALIFA

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Acima das nuvens, como o viajante de Caspar David Friedrich, mas com muito menos romantismo, estão as torres do Dubai. É lá que fica a mais alta do mundo: tem 828 metros, acaba de ser inaugurada e o seu nome de ser mudado. De Burj Dubai passou para Burj Khalifa (torre do califa), em honra de Sheikh Khalifa bin Zayed al-Nahayan, presidente dos Emirados Árabes Unidos. A palavra califa quer dizer sucessor (do Profeta). Explicações e justificações à parte, a alteração do nome parece-me, nestes dias, tudo menos inocente.
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A torre tem página web:
http://www.burjdubai.com/
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OUVI DIZER

Ouvi dizer que havia
na água uma pedra e um círculo
e sobre a água uma palavra
que dispõe o círculo à volta da pedra.
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Vi o meu choupo descer para a água,
vi o seu braço mergulhar no fundo,
vi as suas raízes suplicar noites voltadas para o céu.
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Não corri atrás dele,
limitei-me a apanhar do chão essa migalha
que dos teus olhos tem a forma e a nobreza,
tirei-te do pescoço o colar daquelas falas
e debruei com ele a mesa onde agora estava a migalha.
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E deixei de ver o meu choupo.
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Um post sob o signo da solidão. A do poeta solitário, Paul Celan; a do viajante solitário perante o mar de nuvens, pintado em 1818 por Caspar David Friedrich (1774–1840). A do escritor Albert Camus, que nos deixou em 4 de Janeiro de 1960, e que criou Meursault, o mais solitário de todos os homens.