segunda-feira, 16 de março de 2026
SILVES, DAQUI A DIAS
sábado, 14 de março de 2026
quinta-feira, 12 de março de 2026
PANTEÃO NACIONAL - MODOS DE VER
A inauguração foi ontem, ao fim da tarde.
Uma recolha longa de imagens, que pode ser vista até final de junho.
Aqui reproduzo o texto de abertura da exposição:
O título da exposição evoca, e apenas isso, uma conhecida obra de John Berger. Não são as perspetivas ideológicas da Arte que aqui nos motivam. Mas sim, de forma muito explícita, os vários modos como o Panteão tem sido olhado.
A parte central da exposição mostra todas as propostas de remate do monumento que, ao longo dos séculos XIX e XX, foram sendo traçadas. São imagens de um panteão que, verdadeiramente, nunca existiu.
“Panteão Nacional – modos de ver” propõe um percurso marcado por uma deliberada diversidade. Abrange os registos mais antigos do monumento (telas, painéis de azulejos...), as representações do Panteão na publicidade, as perspetivas que gerou em artistas contemporâneos ou os momentos históricos de que foi protagonista. A banda desenhada, a televisão, os discos, aproximam o monumento dos “media” dos nossos dias.
“Panteão Nacional – modos de ver” não é uma monografia sob a forma de imagens. Nem apresenta uma narrativa histórica. É antes um convite à descoberta das diferentes representações que o monumento tem motivado. É também um desafio aos visitantes, que podem, a partir daqui, criar o seu próprio modo de ver o Panteão.
segunda-feira, 9 de março de 2026
C.N.C.D.P.
No sábado passado tive como memória recorrente a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Extinta em 2002 às ordens do governo de Durão Barroso. Aquele processo de extinção é um verdadeiro manual de como-não-fazer. A C.N.C.D.P. foi uma verdadeira escola de quadros e de produção de conhecimento. Saber aproveitar esse potencial teria sido importante para o nosso País. Infelizmente, isso não aconteceu.
sábado, 7 de março de 2026
AMÁLIA POR THURSTON HOPKINS
quinta-feira, 5 de março de 2026
RUA MOITA MACEDO
Às 17:41 de hoje descerrou-se a placa toponímica. Um vento gelado varria o Lumiar. Entre as Ruas Pina Bausch e Querubim Lapa criou-se espaço para Moita Macedo, o poeta, o pintor, o militante comunista. Uma justa homenagem e uma semente para o futuro. As brilhantes palavras de Mário Avelar explicaram tudo e tudo iluminaram. Lá estive, entre amigos e memórias. Que se me repetiram, uma vez e outra, no regresso a casa. Uma muito feliz tarde fria.
Da esquerda para a direita:
Carlos Moedas (Pres. CML), Ricardo Mexia (Pres. J.F. Lumiar), Maria Rosário Macedo e Paulo Macedo.
quarta-feira, 4 de março de 2026
ÚLTIMO DIA
segunda-feira, 2 de março de 2026
MEIN DONALD, I CAN WALK!
Sem nenhuma vontade de rir, nem de sorrir, recordo o final de um filme de Stanley Kubrick.
domingo, 1 de março de 2026
O TURISMO E OS OUTROS, QUE SOMOS NÓS
“Olha para isto! Olha para isto!”, acotovelava-me Cláudio Torres. Andávamos algures entre a cidade antiga de Tânger e a zona nova. Era perto da hora do almoço e uma multidão de gaiatos saia da escola. Uma torrente de juventude e de alegria varria as ruas da cidade marroquina. “Já viste? Isto lá já acabou. São estes é que nos vão salvar”. Vivia-se o verão de 1999 e tanta juventude (só veria algo semelhante, anos mais tarde, na Guiné-Bissau) começava a rarear por cá. Aquela frase “são estes é que nos vão salvar” só anos mais tarde me faria total sentido, mas o Cláudio sempre teve aquela particularidade de ver muito longe.
Nos tempos de juventude, gostava de vagabundear, solitariamente, horas a fio, pelos bairros antigos de Lisboa. Corri, muitas vezes, as ruas de Alfama. Ao ali regressar, em 2021, para me fixar no meu local de trabalho (no limite entre Alfama e a Graça) constatei, com consternação que a cidade antiga quase morrera. Crianças não há, os velhos são poucos, os portugueses uma raridade. Há alojamento local, há turistas, há edifícios em obras. Os operários são, maioritariamente, imigrantes. As coletividades definham, as velhas tabernas desapareceram para dar lugar a tretas de “wine and food”. O génio do lugar desapareceu e não voltará.
Ao passar, há dias pela Rua de S. João da Praça, entrei no túnel do tempo. Recuei 30 anos. Conduzia um grupo de amigos franceses, mais velhos, pelas ruas de Alfama. Ao acaso, ainda não havia lojas para turistas e eram poucos os “restaurantes típicos”. Em plena rua estava um grelhador com sardinhas. O cozinheiro não estava à vista. E ei-lo que sai, quase em passo de corrida, do seu estabelecimento, de tesoura ainda em punho, para, num golpe rápido, mandar uns borrifos de água para o grelhador e virar as sardinhas. Era o barbeiro que, no meio do atendimento, preparava o almoço. Depois regressou, para dentro da barbearia, no mesmo passo rápido.
Os amigos franceses ficaram extasiados, como os grupos de excursionistas sempre ficam, quando desembarcam em sítios longínquos e exóticos e veem coisas que, nos países civilizados, fazem parte dos livros de histórias.
Não podemos, seguramente, desejar um mundo congelado no tempo. Muito menos podemos pensar que seria conveniente que não houvesse turistas. Era só o que faltava. Mas a verdade é que esta avalanche, sem a contrapartida juvenil que África ainda tem, levou tudo à frente. Por aquelas bandas ficámos sem os sítios que são o espelho de nós próprios. E que são a nossa identidade. Como a taberna com colunas de ferro forjado onde acabei por almoçar com o grupo gaulês, perto do Chafariz d'el-Rei. Passei por lá há semanas. O sítio tinha vestido um ar sofisticado. Não entrei. Fui afogar as mágoas prandiais do “Pitéu da Graça”, onde os turistas ainda não chegaram em avalanches. Não servem pizzas, nem lasanha, nem hambúrgueres, nem tacos, nem sushi. Só coisas decentes, como vitela no tacho, filetes de peixe galo, petingas fritas, bacalhau com todos...
Fico sempre a pensar quanto tempo mais teremos sítios assim. E quando é que, à força do turismo, passaremos, de vez, a ser apenas os outros.
Crónica em "A Planície"
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
COLHOADA
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
LS XARUTOS DE L FARAO
Foi com surpresa e entusiasmo que recebi a notícia desta tradução. Afinal, o mirandês é a segunda língua oficial do nosso Pais. Não o falo, claro, embora o leia sem qualquer problema. Como também sou fã dos livros do Tintim isso deu-me cá uma ideia...
sábado, 21 de fevereiro de 2026
DIMYANA, DONA ANA, JILLA E BENAGIL
A toponímia dá pano para mangas.
Retomo dois topónimos: Dimyana e [Qaryat] Jilla. Onde se localizariam? As hipóteses têm sido muitas.
Em relação ao primeiro, recupero uma ideia já com uns anos: Dimyana é um sítio referido no Mujam al-Buldan, de Yāqūt al-Rūmi. O topónimo não foi, até hoje, identificado, embora saibamos que fazia parte de Akshunia (Ocsónoba/Faro). Ou seja, provavelmente o topónimo medieval de Dimyana corresponde à zona da praia de Dona Ana, a curta distância de Lagos e 65 kms. a oeste de Faro. O autor do Mujam al-Buldan, normalmente citado como Yāqūt al-Hamawī (1179–1229) viveu na região da Mesopotâmia. Do seu tratado há uma síntese disponível nos vols. 39 e 41-42 da revista "Studia" (1974 e 1979).
Quanto a Jilla, terra natal de Ibn Qasi, segundo Ibn al-Jatīb, situar-se-ia perto de Silves. Surgiram, ao longo dos anos, diversas interpretações, identificando Jilla com o rio Gilão ou com o topónimo Julia, junto a Alte. Jilla corresponderia ao sítio onde Ibn Qasi mandou construir um ribāt. Prudentemente, Christophe Picard fez questão de sublinhar que este ribāt não coincidia com o de Arrifana. E tinha razão.
Estou hoje convencido que a proximidade fonética entre Jilla e Benagil dá sentido à possibilidade de se ter situado neste local da costa o ribāt mandado construir por Ibn Qasi na primeira metade do século XII.
Dados concretos:Benagil fica 11 quilómetros a sul de Silves e 3,5 quilómetros a leste da Senhora da Rocha. Uma localização perfeita.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
FREDERICK WISEMAN: 1930-2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
PORQUÊ VIRIATO E NÃO REQUIÁRIO OU IBN QASI?
É para depois do Carnaval. Vai ser no dia 20, na minha alma mater. Vai ser interessante este regresso. Até porque há uma pequena e (quase inédita) história em torno de Ibn Qasi que irá ser por mim contada.
domingo, 15 de fevereiro de 2026
RÁDIO SAUDADE - ÚLTIMA EMISSÃO
sábado, 14 de fevereiro de 2026
COMPLEXO BRASIL
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
ANATOLE CALMELS & SOARES DOS REIS
Cinco gessos, pouco vistos pelo público, estarão em exposição durante um mês, no coro baixo do Panteão Nacional.
Será o momento para revisitar estas obras de Anatole Calmels (1822-1906) e de Soares dos Reis (1847-1889), dois nomes de grande destaque na nossa escultura do século XIX.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
NA FREGUESIA ONDE VOTO...
domingo, 8 de fevereiro de 2026
DO ARCO DO CEGO A SANTA APOLÓNIA
Aguardava a conclusão de um trabalho à porta de uma casa de fotocópias, na Rua Dona Filipa de Vilhena. Ia trocando impressões com o meu amigo André Linhas Roxas, enquanto via passar os jovens da escola secundária ali ao lado. Eram 10 horas da manhã. Passa um grupo, munido de refrigerantes e folhados pré-fabricados. Daí a pouco outro grupo, com mais refrigerantes e bolicaos e outras trampas do género. Depois, daí a minutos, mais rapaziada, artilhada com refrigerantes e donuts ou algo parecido. Tinham, todos, ar de excesso de peso.
Não deixei de pensar no tema, durante toda a manhã. À hora do almoço, e tendo de rumar à Baixa, parei na "Maçã Verde", mesmo junto à estação.
"Hoje temos um prato dietético", disse-me o empregado, com ar de boa disposição.
"Qual?", perguntei, meio-desconfiado.
"Rancho à transmontana". Foi isso, mais um copo de vinho tinto, pão e café.
Um almoço excelente, ainda que solitário. Ainda há sítios assim, onde o lixo pré-fabricado não entra.
Receita em:
O PIOR É O SILÊNCIO
As bojardas racistas da criatura têm um histórico. Desta vez, contudo, "esmerou-se"... Não há palavras que cheguem para condenar a ordinarice, a javardice e a violência do que se passou.
Ofensivo é também o silêncio dos líderes mundiais. Quam cala consente...