quarta-feira, 24 de outubro de 2012

JOOS VAN CLEVE E PÃES DE AÇÚCAR


As pinturas serão, ou não, de Joos Van Cleeve ou de Jan Provoost. Os especialistas debatem o tema e encontram atribuições às quais atribuem, eles próprios, nomes criativos. Como Mestre da Adoração de Machico, que é designação pouco vulgar.

O que não é vulgar é o núcleo de pintura flamenga do Museu do Funchal. O açúcar fez a riqueza da ilha e criou uma classe social que transformou parte dessa riqueza em encomendas de obras de arte. A arquitetura vernacular é discreta e o contraste com o luxuriante interior das igrejas lembra o início de um filme de Orson Welles: against so home-spun a background, the magnificence of the Ambersons was as conspicuous as a brass band at a funeral.

Bendito açúcar.
 

Formas de pães de açúcar, descobertas numa escavação arqueológica na Madeira. Como se sabe, mas nunca é demais recordar, foram essas formas que deram o nome a uma certa formação geológica numa certa cidade do Hemisfério Sul.


Sobre o Museu do Funchal:
http://www.museuartesacrafunchal.org/homepage.html

Sobre arqueologia moderna na Madeira:
http://ceam.pt/

terça-feira, 23 de outubro de 2012

CHUVA & GUARDA-CHUVA


Hoje a chuva parou. Parece que retoma amanhã. A escavação parada será o menor dos males. Até porque a chuva faz falta. Ganhe-se balanço para dias (ainda mais) difíceis, com a ajuda de As férias de Hegel, de Magritte, pintado em 1958, e com a doce Gigliola Cinquetti, que ganhou o Festival de San Remo, com este La pioggia, em 1969. Ah, e com Cecília Meireles. É uma repetição, mas não faz mal...

A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...
. 
E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene
A alma, evocando coisas líricas de outono ...
. 
... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,
 
. 
Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,

Revira in-fólios, cancioneiros e missais...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

FIDEL CASTRO


Voltaram a "matar" Fidel Castro. Há uns anos até tivémos direito a uma explicação feita na tv por um médico, que mostrava um diagrama das artérias do cérebro e garantia por a + b que o revolucionário cubano estava morto. Não garanto que a receita da longevidade esteja na fotografia, mas também não posso garantir o contrário. Entretanto, a direita americana vomita ódio sobre Cuba e tenta, de tempos a tempos, acabar com Castro. Um dia destes ainda acertam...

X CICMM

Começa hoje, em Silves, o X CICMM. Ou seja, a 10ª edição do Congresso Internacional de Cerâmica Medieval no Mediterrâneo. É uma iniciativa do maior interesse científico, que remonta a um já mítico colóquio, que teve lugar em Valbonne, em 1978.

Fiz parte da Comissão Organizadora da 4ª edição (Lisboa - 1987) e participei na seguinte, em Rabat (1991). Há muito que me afastei destes domínios enquanto tema de investigação, mas continuo a seguir com todo o interesse os resultados dos trabalhos em curso.

A organização de um evento destes (v. programa aqui) implica a mobilização de muita gente, mas permito-me destacar aqui o empenho de duas colegas e amigas: a Maria José Gonçalves, em Silves, e a Susana Gómez-Martínez, em Mértola.

domingo, 21 de outubro de 2012

O JOGO DA SEMANA: SINDICATO COMUNISTA MUITO VIOLENTO - 1 / FRANCISCO VAN ZELLER - 0


Isto anda tudo ligado, como diz um amigo meu.

GUARDA-CHUVA & CHUVA


Parece que hoje vai estar de chuva.

Tenho uma péssima relação com os guarda-chuva. São inumeráveis os guarda-chuva que perdi. Lembrei-me disso, na sexta-feira, ao ter de fazer marcha-atrás para ir buscar o que deixara na biblioteca da Academia das Ciências. Não me fazia falta nenhuma, porque não choveu. A desgraça começa aí. Ando sempre de guarda-chuva em dias em que a previsão falha. A inversa ainda é mais verdadeira. Saio de casa, na Salúquia, e olho para o céu. Decido "não vai chover". Quando passo no Largo de S. Francisco começam a cair umas pingas. Em frente ao tribunal já chove. A partir da Rua de Serpa e até à Câmara a bátega é furiosa. Tenho de pedir que me levem a casa para ir trocar de roupa. Onde ouço a pergunta de sempre "porque não esperaste que escampasse?". Nunca espero, porque não tenho paciência para tal. 

O mal deve ser de família. Na noite do terramoto (28.2.1969) o João não encontrava a chave de casa. Andou escada acima escada abaixo à procura da chave com o guarda-chuva aberto - deixara-o assim à entrada e chocara nele com a aflição - até conseguirmos sair.

Já agora, e antes que alguém pergunte, o verbo escampar existe mesmo. Mas só o tenho ouvido no Alentejo.

Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.

Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.

Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.

Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.

Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.

A fotografia, de André Kertész, e o poema, de João Cabral de Mello Neto, têm os tais artefactos malditos.

sábado, 20 de outubro de 2012

A POESIA NÃO VAI ACABAR


Quase sinto vergonha de nunca ter aqui transcrito nenhum poema de Manuel António Pina. Copiei uma das suas crónicas, onde, sem dó nem piedade, fustigava o atual PM (a ainda a procissão ía no adro - v. aqui).

Agora, que Manuel António Pina partiu e não haverá mais poesia escrita, temos a certeza que a poesia, e todas as escritas, apesar da sua efemeridade, se renovarão e perpetuarão.

O poema que está umas linhas mais abaixo é de um livro que tem um belo e original título: "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde" . 

Porquê o quadro com os gatos? Porque o poeta gostava de gatos. E este foi o mais original que arranjei. É de um pintor flamengo, Abraham Teniers (1629-1670), dado a figurações algo invulgares. Nada de espantar naquelas paragens. A barbearia está no Kunsthistorische Museum, em Viena.




A poesia vai acabar

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não acabarem).
Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei:
"Que fez algum poeta por este senhor?"
E a pergunta afligiu-me tanto
por dentro e por fora da cabeça que
tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
– Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? –

GEÓGRAFOS ÁRABES

Em julho de 2007 participei, como arguente, no júri de doutoramento de António Rei. A instituição onde obteve o grau, a Universidade Nova de Lisboa, editou agora, em CD, um trabalho de folêgo, resultado de uma investigação do António. O Gharb al-Andalus al-Aqsa na geografia árabe foi ontem apresentado, na Universidade Nova, por Bernardo Vasconcelos e Sousa, prefaciador da obra. Entre a perseguição a manuscritos sobre Moura, na Academia das Ciências de Lisboa e na Biblioteca Nacional, arranjei forma de passar pela Av. de Berna, ao fim da tarde.

Do outro prefácio, o meu, deixo aqui três parágrafos que deixam claro o que penso do trabalho do António:

O ponto de partida foi, afinal, uma evidência surpreendente: não há, em Portugal, trabalhos recentes sobre os geógrafos árabes. Usam-se textos conhecidos desde há muito e continua a ter-se o imprescindível David Lopes como base geográfica para o conhecimento dos territórios. São, por isso, ajuda decisiva os inúmeros trabalhos que António Rei tem vindo a produzir e que começam agora a somar-se, contribuindo para um mapeamento do Gharb. O seu conhecimento da língua árabe tem-lhe permitido aprofundar uma pesquisa que tem sido intensa e com resultados de grande interesse, lançando novas perspetivas sobre a evolução da memória geográfica do sul.

Não se trata, ainda assim, apenas de uma abordagem de erudição filológica, mas também de uma comparação entre fontes e de propostas para as dúvidas, nomeadamente de ordem topográfica, que elas mesmas mais vezes levantam do que resolvem. Bem como de esclarecedoras discussões e clarificações sobre edições anteriores destas fontes. Particularmente útil se revela o capítulo referente à escrita geográfica sobre o al-Andalus, ao mergulhar nas datas e nas origens dos textos e ao apresentar uma divisão em tipologias literárias.

Pode, pois, dizer-se, e em resumo, que este utilíssimo guia sobre fontes geográficas históricas do Gharb passa a ser obra de consulta indispensável e que vem preencher uma lacuna existente. Neste domínio de investigação, em que se cruzam os textos escritos, a arqueologia e a leitura e a interpretação das diferentes paisagens, a obra de António Rei é, simultaneamente, um marco, um momento de reflexão e um ponto de partida para novas investigações.



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

PRIMEIRAS LEITURAS: GUILHERME

Richmal Crompton (1890-1969) já tinha falecido quando a comecei a ler. Guilherme, ou Just William no original, deve estar completamente out. Pelo menos, lá em casa os rapazes nunca se lhe referiram. A menos que haja algum jogo William na net ou para playstation.

Foi uma das minhas leituras preferidas entre os 9 e os 12 anos, por aí. Guilherme e os seus amigos (um era Douglas, os outros já não recordo) concebiam e executavam as mais inconsequentes e acabadas tropelias. Para desgosto dos pais, dos professores e das pessoas ajuizadas. Não tenho ideia que os livros fossem excecionais, mas ria-me com eles a bandeiras despregadas. E foram estes livros e outros como estes que me levaram a ler mais e melhor. Desconfio sempre dos que dizem que liam Byron aos 7 anos...

Uma noite pessimamente dormida levou-me, esta madrugada, da Salúquia às recordações de Guilherme.

William and the Space Animal, cuja capa da edição portuguesa da Estúdios Cor aqui se reproduz, é de 1956.




quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"A REVOLUÇÃO ESTÁ LATENTE E NÃO SERÁ PACÍFICA"


Oh não, por favor. Outra vez os delírios do Otelo...

Talvez as palavras sejam, aqui, um desperdício, mas aqui fica um curto excerto de autocrítica, de Alexandre O'Neill:

A poesia é a vida? Pois claro!
Conforme a vida que se tem o verso vem
— e se a vida é vidinha, já não há poesia
que resista. O mais é literatura,
libertinura, pegas no paleio;
o mais é isto: o tolo dum poeta
a beber, dia a dia, a bica preta,
convencido de si, do seu recheio...
A poesia é a vida? Pois claro!
Embora custe caro, muito caro,
e a morte se meta de permeio.

CAMAS SEPARADAS

"Fizémos-lhe um upgrade no quarto", disse a senhora da receção. Explicou depois que o hotel tinha poucos quartos com camas de casal, porque os turistas eram quase todos nórdicos. Ainda mal ouvira o princípio do discurso quando a senhora continuou, com toda a clareza: "os alemães e os suecos pedem sempre camas separadas; não são quentes assim como a gente, que gostamos de dormir agarradinhos". Consegui ficar sério e limitei-me agradecer polidamente. Parti do princípio que a senhora fazia sondagens entre os clientes...



C'est l'extase langoureuse,
C'est la fatigue amoureuse,
C'est tous les frissons des bois
Parmi l'étreinte des brises,
C'est vers les ramures grises
Le choeur des petites voix.

O le frêle et frais murmure !
Cela gazouille et susurre,
Cela ressemble au cri doux
Que l'herbe agitée expire...
Tu dirais, sous l'eau qui vire,
Le roulis sourd des cailloux.

Cette âme qui se lamente
En cette plainte dormante
C'est la nôtre, n'est-ce pas ?
La mienne, dis, et la tienne,
Dont s'exhale l'humble antienne
Par ce tiède soir, tout bas ?

Jean-Honoré Fragonard e a sua Résistance inutile, que está, et pour cause, no Museu Nacional de Estocolmo. Mais Paul Verlaine e L'extase langoureuse... A senhora ainda teve oportunidade de clarificar que os franceses são um pouco mais parecidos conosco. Daí a escolha de hoje.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

DONA FRANCELINA

Uma das pessoas que recordo mais vezes do meu curso de História da Arte - não era exatamente do meu, uma vez que entrara em 1982 ou 1983 - é a Dona Francelina. Teria perto de 60 anos e destacava-se por vestir de forma desprendida, por andar sempre de cigarro na mão e pelo modo descontraído como se sentava nas secretárias que, por esses dias, preenchiam os corredores da FLL. A Dona Francelina tratava-nos de modo afetuoso e um tanto maternal. Baixinha e magrinha era apelidada de Francineide (por fazer recordar fisicamente a mãe de um personagem do Jô Soares, chamado Bô Francineide) por duas ou três megeras da faculdade.

Um belo dia, andava escada abaixo escada acima, trabalhando na preparação de uma qualquer iniciativa da Associação de Estudantes, quando a Dona Francelina - não a conseguia sequer tratar por você - se me dirigiu "chega lá aqui, filho! preciso falar contigo!". Seguia-a, intrigado. Sentámo-nos a uma mesa. Levei uma valente reprimenda, por causa da minha atividade política. Que sabia que eu bom aluno, que me andava a desgastar, que não me devia atirar assim de cabeça, que havia outros que me mandavam para a frente e ficavam nas encolhas. Não me dava hipótese de responder. Estava, de facto, preocupada. No fim disse-me, com um olhar de funda tristeza e agarrando-me o braço, "não quero que te aconteça o que aconteceu ao Zé Dias; olha o que fizeram ao Zé Dias...". Num primeiro momento não percebi. Depois, tive um flash. Claro, a Dona Francelina - que eu sabia ser licenciada em pintura pelas Belas-Artes - fora colega e amiga de José Dias Coelho, militante do PCP assassinado pela PIDE (v. aqui).

As palavras são curtas, e eu pouco talentoso, para explicar a ternura com que recordo a Dona Francelina. E as vezes que aquela conversa me tem tornado à memória. E a dúvida profunda que essa conversa em mim, para sempre, instilou.


Gravura de José Dias Coelho

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O PATRIMÓNIO OU O MATRIPÓNIO OU LÁ COMO É QUE CHAMAM A ESSA CEGADA DAS PEDRAS...


E diz o Orçamento do Estado:

A gestão do património por entidades exteriores ao Governo assegura que o Estado não só diminui os seus encargos com o património concessionado, como mantém a maior parte das receitas que este gera. A Secretaria de Estado da Cultura (SEC) irá optar futuramente por soluções de gestão que mais beneficiem o Estado, a preservação do património e o acesso dos cidadãos à cultura.

Não vale a pena comentar grande coisa. Sou técnico superior da função pública na área do Património há 26 anos. Tenho nisso especial orgulho. E há muito que se esperava uma cena destas. A segunda parte da opera buffa aqui fica, em ante-estreia: concessiona-se o Património a umas empresas de amigalhaços, que depois são subsidiadas/apoiadas à pala dos fundos europeus. Ou seja, faz-se o mesmo, só que há uns que ganham muito mais à conta de todos nós. Vai uma aposta?

ESCRIBA E DESENHADOR


Tarde em volta de documentação mourense. No meio do Tombo da Vila deparo com este trabalho do escriba desenhador. Momento de inspiração? Forma de vencer o tédio do repetitivo linguajar burocrático? Vá lá uma pessoa saber... Eu, que nunca estudei estes temas, não sei.

Um pouco melhor do que isso foi a leitura da sentença para se alargar a praça da vila, datada de 1575. Dizia-se do largo principal de Moura que "era tão estreita que parecia mais rua que praça". Não estiveram com meias medidas. Encetou-se um plano de demolição de casas, de forma a que o espaço fosse alargado "pera ornamento e nobreza da terra". Está tudo no fólio 201 do tomo II.

Por estes dias, navegando entre Cila e Caríbdis, o refúgio na documentação é uma esperança. Por agora vemos poucas luzes na explicação escrita da história medieval do castelo de Moura. Haverá que encontrar resposta noutros caminhos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

MOVIMENTO ALTERNATIVA SANTINI


O imprescindível Gil Garcia ataca de novo. Agora com o Movimento Alternativa Socialista. Começa bem. Pelo menos com um toque de bom gosto: o logótipo do Movimento é uma discreta homenagem aos gelados Santini. São ótimos gelados, posso garantir.

ARTE ISLÂMICA - 4/10


Eis uma peça "invisível". Encontra-se no interior da mesquita Qarawiyyin, em Fez. Invisível na medida em que o acesso à sala de orações é interdito a não muçulmanos, pelo que só temos acesso às imagens publicadas.

De que se trata? De uma lâmpada ou, melhor dizendo, de um candelabro feito a partir do sino de uma igreja. Não é só uma reciclagem. Os muçulmanos medievais detestavam o som dos sinos e este reaproveitamento é uma vingança e um modo de afirmar o Islão. A peça terá vindo, segundo se sabe, de Gibraltar, após a reconquista da cidade pelos merinidas, em 1333. A adaptação foi supervisionada por Ahmad b. Muhammad b. al-Askar al-Sanhaji, tendo o candelabro sido instalado na mesquita Qarawiyyin em 1337.

Porquê a sua escolha nestas dez peças? Porque sempre que me falam no Islão medieval recordo-mo sempre deste sino/candelabro como forma de ilustrar esse doce equívoco a que damos o nome de "diálogo de culturas".

domingo, 14 de outubro de 2012

VOODOO MAMA

Pode contar-se uma história num minuto e meio? Claro que pode. É o caso deste clip, com o ator britânico Rhys Ifans e a cantora belga Bilonda. O anúncio é um falso anúncio, o que torna a história mais divertida. Voodoo, um gelado, sexo, um ovo e molho picante. E algo mais:


PASSES DE MULETA - 5: PASSE DE PEITO

Remetam-se os passes, remata-se este tema, remata-se a semana, na vaga esperança que a próxima seja melhor.

A palavra "remate" é adequada" porque o passe de peito é obrigatório para se terminar uma série de "muletazos", normalmente "naturales" ou "derechazos". A muleta "corre" o corpo do touro, dos cornos até ao rabo.

Enrique Ponce

sábado, 13 de outubro de 2012

SINAIS DE EMPOBRECIMENTO Nº 2: TADINHO DO PÁLINHO

Tenho imensa peninha de pessoas como o Pálinho Campos, que ganham uma miséria como deputadinhos...

O tempora, o mores...

SINAIS DE EMPOBRECIMENTO Nº 1: TADINHO DO ZORRINHO

Tenho imensa peninha de pessoas como o Zorrinho, que andam em carros baratinhos, assim como o Audi 5...

O tempora, o mores...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

FAHD KANARA

A fotografia tem exatamente 9 anos. Foi tirada a 12 de outubro de 2003, no deserto da Síria, entre Palmyra e Damasco. São sítios de que me tenho lembrado, uma vez e outra, no decurso das últimas semanas.

Um dos grandes motivos de sucesso dessa quinzena memorável foi o Fahd Kanara, o motorista que a agência nos arranjou, garantindo que falava bem inglês. Claro que não só não falava bem como não falava quase nada... Os diálogos faziam-me lembrar imenso os diálogos dos filmes de Manoel de Oliveira. Um exemplo: ele perguntava "stop lunch?" e eu respondia "no stop lunch" ou "yes". Ou ainda, "visit monument or no visit?". Eu respondia "yes" ou "no".

Um dia, não havia forma de lhe explicar que queria ir visitar um determinado castelo. Já em desespero disse-lhe, de modo enfático, "fi-l qasr, min fadlik" (para o castelo, se faz favor). Virou-se para mim com um largo sorriso: "Very good!! Very good arabic!!". Só consegui parar de rir uns bons quilómetros mais adiante. Não imagino o que será feito do Fahd Kanara, homem de Damasco e que falava o árabe na característica maneira daquela cidade (um pouco como o sotaque alentejano, com o arrastamento da última sílaba das palavras).

O Fahd superava as dificuldades no inglês com uma imensa boa vontade e com uma rede de contactos em vilas, cidades e aldeias que me fizeram correr a Síria de uma ponta à outra, entrando em aldeias, visitando famílias e conhecendo um mundo que não estava no meu guide du routard. Estão na minha memória deslocações a sítios extraordinários como Qalb Lozeh ou as-Srouje. Não imagino o que terá acontecido aos aldeões que ali viviam, em especial aos drusos de Qalb Lozeh, cujas casas estavam a poucos quilómetros da fronteira turca. São percursos que gostaria de voltar a repetir. O que era fácil então é hoje uma impossibilidade.

O autor da fotografia na desolada estrada do deserto foi o meu amigo Fahd.

REJEIÇÃO

A fotografia é pobre, mas a imagem é expressiva. O Centro Cultural de Santo Amador encheu-se ontem, com pessoas de várias freguesias, para uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal. Votava-se um documento, proposto pela Câmara Municipal, de rejeição à organização territorial proposta pelo analfabeto do relvas, e seguida por gente que eu não esperaria que seguisse tais asneiras...

O relvas está convencido que é o Mouzinho da Silveira do século XXI. Que ele se convença disso é uma coisa, que haja gente que nisso acredite é bem pior.

Já se percebeu que chamada reorganização (e a extinção de freguesias) representa um corte mínimo em custos diretos e vai representar outras despesas. E que, na prática, vai representar a morte de aldeias como Santo Amador. A solução continua a ser uma, e só uma: lutar afincadamente para que este e outros disparates não tenham seguimento. Antes que acabem com o País.

Votação:
Votos a favor do documento enviado pela Câmara Municipal - 26 (15 CDU, 9 PS, 1 PSD, 1 IND.)
Abstenções - 2 (PSD)
Votos contra o documento enviado pela Câmara Municipal - 0

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

RAMALHO EANES

Recebi, esta manhã, um mail, onde me perguntavam opinião sobre Ramalho Eanes, antigo Presidente da República.

Em 1980 ainda não era eleitor e não pude votar em Eanes para Presidente. Tenho dele uma imagem da maior integridade e de um sentido de serviço à causa pública que não tem par na maioria dos governantes atuais. O seu ar esfíngico marcou uma época na presidência. O estilo marcial, primeiro estranhou-se, depois entranhou-se. É, seguramente, um dos homens públicos mais respeitados em Portugal.

Fui protagonista de um pequeno episódio ocorrido com Ramalho Eanes, em 1984 ou 1985, na Faculdade de Letras de Lisboa. Havia uma qualquer comemoração, a que o Presidente iria assistir. Acompanhavam-no o Ministro da Cultura, António Coimbra Martins, e o da Educação, José Augusto Seabra. Os estudantes do Superior tinham uma especial embirração por Seabra. Naquele tempo, as cantinas estavam num estado miserável e a comida era absolutamente intragável. Resolvemos, na direção da associação de estudantes, chatear o ministro. Como era impossível furar a barreira de segurança, alguém (tenho ideia que ou o Carlos Almeida ou eu próprio) sugeriu que convidássemos o ministro para almoçar através de uma pancarta gigante. Se bem o pensámos, melhor o fizémos. Já a sessão decorria, no anfiteatro 1, quando entrámos silenciosamente com uma monumental folha em papel de cenário, onde se lia "A Associação de Estudantes convida o Sr. Ministro para almoçar". Eanes, sentado no palco, fulminou-nos com o olhar e ficou (ainda mais) hirto.

À saída repetimos a gracinha. Corremos para o átrio e esperámos a passagem da comitiva. Seabra, de ar azedo, escapuliu-se, porta fora. Eanes, seriíssimo, caminhou na minha direção (tinha o azar de ser o mais alto no grupo...). Pensei, confesso que pensei, "vou levar uma rabecada em público". O Presidente parou à minha frente e perguntou-me, no seu tom inconfundível: "Posso perguntar-lhe porque é que convidou o sr. ministro para almoçar e a mim não?". Ante o meu ar estupefacto - conseguiu emudecer-me - sorriu e continuou o seu caminho. Seguia-o um divertido Ministro da Cultura.

Uma pequena história? Decerto. Mas o estilo das pessoas avalia-se, e muito, pelas pequenas histórias.

UGETSU MONOGATARI

O nome mais comum é "Contos da Lua Vaga". O filme completa 60 anos em 2013, mas ainda não tem rugas. Não sei se filmes destes, com planos longos e esteticamente depurados, hoje são possíveis. Mas eram possíveis em 1953. Ainda o são, de algum modo, no cinema que consegue escapar às lógicas estritamente comerciais. Não consigo explicar o tremendo impacto que esta obra teve em mim, quando a vi na RTP2, há muitos anos (sim, isso acontecia e ainda acontece, e deixará de acontecer quando o analfabeto do relvas conseguir fazer vingar o seu esquema).

Percebi, ao longo desse já muito distante primeiro visionamento, que as imagens podem, em si mesmas, ser poéticas, dispensando, com frequência as palavras. A cena final é poderosa, com a imagem de permanente renovação que vida e morte comportam. A obra de Kenji Mizoguchi é a minha referência cinéfila da semana.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

VENHA À RUA!

Quem ontem (dia 26.9) tiver assistido a um dos telejornais da TVI 24 teve a rara oportunidade de presenciar ao vivo um arremedo do que pode vir a ser o futuro. Um aluno vaiou e insultou o primeiro-ministro à entrada do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. O moço, ingénuo e, decerto, com escassa preparação política, caiu em duas esparrelas: tomar a iniciativa sozinho, à campeão, e não resistir à tentação, fácil e estúpida, do insulto. A coisa deveria ter ficado por aí. Ou, melhor, o aluno deveria ter sido alvo de procedimento disciplinar, se fosse caso disso. O pior é que não ficou por aí. Um dos gorilas do PM intimou o aluno com um “venha à rua!”. O estilo é ordinário, no género rufia de bar rasca. O jovem deveria ter recusado e armado barraca. Os colegas do jovem deveriam tê-lo ajudado em vez de se acagaçarem e virado costas. Sei bem o que o jovem terá sentido, porque me aconteceu o mesmo – não vaiar o primeiro-ministro mas ser deixado só, num momento de aperto. Claro que o jovem aprendeu coisas importantes, naqueles breves instantes. A mim aconteceu-me o mesmo.

A cena continuou com um agente da PSP, a chegar perto do moço para o identificar. Aquilo não se prolongou muito, mas deu para perceber várias coisas. Há alunos que não sabem, e deveriam saber, que as forças policiais não podem entrar, assim à toa, no espaço da Universidade. Os alunos não sabem que podem, e devem, resistir a intimidações de gorilas. Coisas básicas, mas que precisam de prática política. Mais importante e decisiva que aquilo das capas e das praxes.

A TVI 24 prestou um bom serviço jornalístico? Não foi bom, foi péssimo. Porque em vez de denunciar a atitude repressora – o fascismo vem com pezinhos de lã, dizia Sérgio Godinho – preferiu colocar a tónica da notícia no facto do gorila não querer que o operador de câmara lhe filmasse a cara. Só excecionalmente o jornalista é o sujeito da notícia. E naquele caso estava longe de o ser.

Quando não há outra razão, surge a da força. Os pequenos tiques multiplicam-se e são motivo de preocupação.


Esta crónica é dedicada a José Orlando Infante. Fui colega dele na Câmara de Moura. Ele foi meu chefe no Corpo Nacional de Escutas, há uns bons 40 anos. Eu tinha então 9, ele 16 anos, o que fazia com que me parecesse velhíssimo. Não era um chefe nada formal. Muito menos era dado a autoritarismos, o que sempre me fez ter saudades do estilo distraído com que dirigia os seus lobitos. Nos últimos 7 anos mantivémos contacto próximo, sendo eu vereador da área onde ele trabalhava. Nunca lho disse, mas aquela longínqua relação hierárquica causava-me um profundíssimo embaraço e, ao longo destes anos, nunca lhe consegui dar uma indicação direta, sendo obrigado a usar vários subterfúgios. Nunca lho disse e, agora, já não direi, porque o José Orlando partiu há dias, cedo demais e de forma inesperada. Como me afirmava o Vítor, durante as cerimónias, “era uma pessoa importante”. Para mim foi-o e continuará a ser. Para muita gente em Moura também. Como foi visível naquele final de tarde.

Crónica publicada em "A Planície" de 1.10.2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

TANTO SILÊNCIO...

Andei hoje, à hora do almoço, pela blogosfera. Esquisito... Nem o 31 da armada, nem o jugular, nem o corta-fitas, nem o abrupto, nem o insurgente, nem o delito de opinião, nem o combustões falam das eleições na Venezuela...

дерьмо

O que está escrito aqui em cima? Merda, em russo.

Porquê a imprecação? Porque, devido a restrições orçamentais, vamos deixar de ter os filmes legendados, na Cinemateca.

A responsável pela instituição optou por passar as obras em versão original. A opção é legítima, admito. Mas não funciona. Em tempos assisti, durante um ciclo de cinema alemão, à projeção de dois filmes de Fritz Lang, sem qualquer legendagem. A curiosidade falou mais alto e vi Die Nibelungen (4h 48 min) e Spione (2h 58 min), obras dos tempos do mudo. Ou seja, na prática olhei para o(s) boneco(s). Por muito interessantes os filmes sejam, é uma experiência incompleta. Que não repetirei.

!غائط para os burocratas da crise.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

BOLIVARIANAMENTE FALANDO


Estou em pulgas para ouvir as explicações dos politólogos.

domingo, 7 de outubro de 2012

MACARONÉSIA - TERRA

Quarto e último elemento da Macaronésia: a terra. Por aqui, anda-se mais tempo debaixo da terra, em infindáveis túneis, que ao ar livre. A terra cerca-nos e cobre-nos, nesta ilha da Macaronésia. É uma terra úbere e dali saem coisas extraordinárias. Sem aquela terra não haveria frutos tropicais, nem cana de açúcar, nem poncha, nem a casta Malvasia aqui se teria dado, como se na Creta natal vivesse. Nem Mário de Sá-Carneiro assim teria escrito:


Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.


A Macaronésia tem ilhas inesquecíveis. Esta é uma delas.

sábado, 6 de outubro de 2012

MACARONÉSIA - FOGO

Também o fogo nos rodeia nesta ilha. O fogo que a construiu, em tempos. O fogo que a consumiu, há muito menos tempo. O fogo que formou as rochas e lhes deu um tom que não se confunde com mais nenhum.

Churchill pintou, também, alguns fins de tarde desta ilha da Macaronésia, em tons de fogo. Como este, em Câmara de Lobos. A pintura é uma desgraça. Conta a intenção.

Palavras-chave do dia: alfarje, Calheta, Casa das Mudas, Art Déco, Ponta do Sol
 


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

OUTUBRO

A imagem é simbólica.

Houve de tudo: políticos amedrontados e comemorando a República em cerimónias secretas; uma bandeira de pernas para o ar; uma mãe coragem que foi expulsa das cerimónias por dizer o que lhe vai na alma; uma cantora que, com talento atirou Lopes Graça e João José Cochofel às trombas do conformismo.

Foi um bom 5 de outubro. Precisamos de mais outubro.

MACARONÉSIA - ÁGUA

O tema da água surge e não é só porque a Pátria se esteja a afundar. Está mesmo, mas com as mesmas receitas e os mesmos chavões não iremos longe. Os mangas de alpaca do BCE e do FMI estão contentes com os resultados. Os mangas de alpaca do BCE e do FMI não vivem cá...

A água tudo rodeia nesta ilha da Macaronésia. Está à nossa frente, por baixo de nós e cai-nos em cima. Ora porque chove, ora porque de despenha ruidosamente dos montes, perto do Seixal. O fragor da água com o rumor de Outubro em fundo.

Palavras-chave do dia: túneis, Ponta do Pargo, piscinas, Porto Moniz, mais túneis, quedas de água, ainda e sempre os túneis
 

Porto Moniz - piscinas naturais

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

RECEITAS ADICIONAIS

As soluções do governo para resolver os problemas são cada vez mais óbvias e cada vez menos imaginativas. Mais e mais impostos e um beco sem saída.

Esperemos que não vão longe de mais nesta procura de "receitas adicionais" e naquilo que os funcionários públicos poderão ser obrigados a fazer para as obter.

MACARONÉSIA - AR

Quando admiti a um amigo que nunca tinha vindo à Madeira rosnou "és um gajo com sorte". Cada pessoa tem as suas razões, mas fiquei com pena de não ter vido antes. A chegada a esta parte da Macaronésia confirmou-me a sensação de outros  dos seus arquipélagos. Ficamos com uma sensação de vertigem e com a certeza que há mais ar debaixo dos nossos pés que por cima das nossas cabeças. Um relance para o Curral das Freiras, a partir da Eira do Serrado, tirou-me as dúvidas.

A visão das escarpas e a tarefa "impossível" de vencer os elementos ajudou, ainda, a essa estranha impressão do nos faltar o ar, quando ele nos rodeia por todos os lados.

Palavras-chave do dia: alfarje, Joos van Cleeve, sé do Funchal

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

BENFICA-BARCELONA


Nestes jogos deviam dar também uma bola à outra equipa. 'Tá mal ser só uma a jogar.

PASSES DE MULETA - 4: MANOLETINA

Penúltimo passe da temporada.

Manoletina, de Manolete (1917-1947). Embora não tenha sido o matador a criar este passe. É feito de frente, com a muleta atrás das costas. Costuma ser executado, ou pelo menos assim o tenho visto, perto do final da lide.

Tenho gravadas na memória três ou quatro manoletinas que José Tomás fez, na praça de Huelva, no verão de 2009. Escalofriantes.



Alejandro Talavante, num momento de grande espetáculo

terça-feira, 2 de outubro de 2012

MARIA DA GUARDA

Acontecem coisas no Alentejo? Acontecem, apesar de tudo. Apesar das dificuldades, da crise e de governantes que não sabem nem entendem o que é o interior. Não entendem mesmo. Basta ouvir Relvas e a sua turma para ter nisso uma exata dimensão.

Ontem aconteceu, em Serpa, a inauguração do novo lagar da Herdade Maria da Guarda. Onde estive, em resposta a um simpático convite do Dr. João Cortez de Lobão. Passei o final da manhã e o início da tarde no local, entre a concorrida conferência de João César das Neves e a visita à nova unidade de produção. Um investimento de vulto, na ordem dos 14 milhões de euros. O almoço tinha vista para a Cidade das Rosas, uma villa romana que conheceu ocupação até ao século XI. Nada mal, como fonte de inspiração.

À porta da Herdade, uma manifestação ruidosa dava largas a preocupações que são, a cada dia que passa, mais evidentes. 

TURISMO DE BOCA VAZIA

Talvez já não sejam muitos os que se recordam disso, mas Luís Nandim de Carvalho, Secretário de Estado do Turismo do VIII Governo Constitucional (1981-1983), ficou célebre pela sua cruzada contra os turistas de pé-descalço. Nada de novo, afinal. Até tempos recentes, o turismo destinava-se à grande burguesia e à aristocracia. Os grandes circuitos culturais do século XIX são disso reflexo. Nandim de Carvalho expressava os sentimentos da sua classe social. Nada mais.

Nandim de Carvalho deve sentir-se vingado com as notícias hoje publicadas na imprensa:

"A autarquia de Roma aprovou um regulamento, que entrará em vigor hoje, que prevê uma multa de até 500 euros para as pessoas que comerem uma sanduíche no centro histórico da cidade, divulgou a imprensa local."

Pé-descalço? forse! Mas de bocca vuota.