sábado, 9 de março de 2013

MOURA-PÓVOA-AMARELEJA-MOURA-SANTO AMADOR-MOURA-PÓVOA-SOBRAL-MOURA


Vertigem na margem esquerda. Um périplo incessante, entre uma iniciativa cultural em preparação, questões de ordenamento e os festejos do Dia da Mulher (a imagem é da sessão de ontem à noite, em Santo Amador).

Passagens por várias freguesias numa sexta-feira e num sábado em que a dimensão espaço-tempo se pareceu comprimir.

A ideia é continuar, com entusiasmo e afinco. Mostrando o que queremos fazer, com exemplos concretos e não com palavras e teorias avulsas.

Recentemente, alguém escreveu sobre o nosso trabalho, classificando-o como inculto, desconhecedor, insensível etc. O que nos vale são os pequenos salvadores-da-pátria...

sexta-feira, 8 de março de 2013

MARTINS & BAILÃO


Nota lacónica antes da semana acabar: foi com um sentimento de tristeza que soube da notícia da insolvência da empresa Martins & Bailão. Mais trabalhadores para o desemprego, mais uma casa que fecha.

A construtora está ligada ao meu início de trabalho em Mértola, em 1991. Foi a Martins & Bailão que concluiu o museu de sítio da Basílica Paleocristã. A relação correu muito bem e a obra foi terminada no prazo. Um processo difícil, marcado por  tremendas dificuldades financeiras e por peripécias administrativas. As faturas atrasavam-se e o sr. Martins esperava, paciente. Valeram-nos a ajuda do eng. Ventura Lopes, do eng. Teotónio e um encontro, que foi decisivo, com o Dr. Nunes Liberato, então Secretário de Estado da Administração Local. Uma grande aprendizagem, para mim, e um momento crucial na vida do Campo Arqueológico de Mértola.

O Museu Paleocristão foi inaugurado no dia 14 de novembro de 1993.

quinta-feira, 7 de março de 2013

FINAL CUT



Há percursos que se começam, que se interrompem, que depois se retomam. Muitas vezes, quando se pensa que já está tudo arrumado. Ou quando, por qualquer razão, se desistiu. É essa a razão de ser desta pequena crónica. Trata-se de um história verdadeira.


Aos 17 anos rodei um pequeno documentário sobre um pintor e poeta. Era o “trabalho de curso” de um clube de cinema de amadores, que então frequentava. Espantosamente, o pintor levou-me a sério e sujeitou-se a filmagens em som direto, a encenações, nas quais pintava quadros, deixando-me entrar em sua casa e cumprindo (!) as minhas indicações. Era meu assistente de realização o filho do pintor, meu colega de liceu. O equipamento resumia-se a uma câmara de super-8, um formato hoje pré-histórico, e a um “spot” de iluminação. Tripé era coisa que não havia. Fotómetro muito menos.

Ao fim de uns meses, que meteram uma inauguração numa galeria de arte e tudo, comecei a montagem da “grande obra”. Tinha seis bobinas sem som e mais uma em som direto. Pedi uma pequena moviola emprestada e segui, com paciência e na solidão do meu quarto, a planificação que traçara. Cronometrando tempos, cortando e colando a fita. Entreguei-a mais tarde no único laboratório de som que, em Lisboa, fazia pistagens em super-8. Ou seja, que colava, na estreita margem da película, uma fita magnética para som. Passei a ter duas bobinas: uma grande com uma pré-montagem, de cerca de 10 minutos, outra mais pequena, com som direto, com 3 minutos.

E depois?

Depois nada. Comecei o curso de História da Arte e desisti de fazer Cinema. Não consegui arranjar um estúdio onde pudesse gravar o som que faltava. Perderam-se duas gravações que tinham sido feitas, na RDP, com poemas. O pintor morreu pouco depois. As bobinas e as notas de montagem recolheram a um dossiê, lá em casa. Viajaram, sucessivamente, de Massamá para a Salúquia, dali para a Rua de Arouche, depois para a de S. Pedro, até estacionarem em Mértola.

No passado mês de novembro, 32 anos depois do início do caminho, resolvi terminar o filme. Fui recuperar um velho sobrescrito, onde se conservavam umas folhas, às quais dera o pomposo nome de "argumento". Telefonei a um amigo cineasta e pedi-lhe ajuda. Fui a uma empresa que transcreve formatos e os passa para digital. Recuperei velhos temas musicais. Passei horas a pesquisar os sons que na altura idealizei. Pedi ajuda a um profissional da Rádio Planície para fazer “voz-off”. Constatei, com enorme surpresa, que a bobina em som direto resistira ao passar do tempo. O filme está agora em fase final de montagem. Sonorizado e com genéricos feitos como deve ser. Respeitei rigorosamente a planificação inicial.

O filme é bom? Nem por isso. Aos 17 anos temos a mais desmedida segurança da idade. Dá sempre mau resultado… O filme vale como objeto de juventude, para o qual se olha com uma certa ternura e nada mais.

Fui, durante a vida,  fazendo coisas assim. Retomando projetos, parecendo que os esquecia, mas afinal não. Como no caso da escavação de Moura, interrompida em 1990 e reiniciada 13 anos mais tarde. Começa-se e acaba-se. Mais depressa ou mais devagar. Nunca nada ficou, nem fica, para trás. Temporariamente, sim. Em definitivo, não.

Crónica publicada em "A Planície" (1.3.2013)

quarta-feira, 6 de março de 2013

HUGO CHÁVEZ (1954-2013)


Truculento. Solidário. Imprevisível. Empenhado. Carismático. Contraditório. Orgulhoso. Popular. Revolucionário. Imprescindível. São palavras que assentam bem a Hugo Chávez, ontem desaparecido. Já uma vez comentei os comentários sobre o líder venezuelano. O que muitos não percebem (os comentadores da Antena Um, hoje de manhã, por exemplo) são os fundamentos da pobreza e o que sentem os mais desfavorecidos. Chávez sabia o que isso era, entendia o seu Povo e preocupava-se com o destino do seu País. Era um patriota e um homem do Povo. Daí o apoio e a idolatria. E o contraste tão flagrante com figuras como Carlos Andrés Pérez ou Pérez Jiménez.

Tenho pela figura de Chávez a maior admiração. Mesmo com todas as suas ilógicas e contradições. A verdade é que homens como ele, que falam forte em nome dos mais fracos, são necessários.

Vivam a memória e o legado de Chávez!

SOB O SIGNO DE HOPPER - III: WINSLOW HOMER


A luz translúcida de Winslow Homer (1836-1910) refletiu-se nas telas de Hopper. Não há, nem numas nem noutras, sombras de tragédia. Apenas a placidez de um mar calmo. E a vibração da luz. A mesma calma se desprende das palavras de Fiama Hasse Pais Brandão.


DO MAR

Aqueles de um país costeiro, há séculos,

contêm no tórax a grandeza
sonora das marés vivas.
Em simples forma de barco,
as palmas das mãos. Os cabelos são banais
como algas finas. O mar
está em suas vidas de tal modo
que os embebe dos vapores do sal.
Não é fácil amá-los
de um amor igual à
benignidade do mar.

DRESS CODE II: o casamento


Eu era "convidado do noivo". O que quer dizer que ninguém da família da noiva me conhecia. Nada de estranho num casamento. As coisas só se complicaram quando, a dada altura, me ofereci para ir buscar um jarro de cerveja destinado à mesa de amigos onde me encontrava. Ao passar por outra mesa alguém me pediu entre o se-faz-favor e a voz de comando "é mais uma garrafa de tinto". Estranhei o pedido, mas não desarmei. Só depois percebi que o lacinho que usava fora confundido com o dos empregados. Ao chegar à copa, expliquei o que se passava. Os empregados riram e serviram-me. Ao voltar para trás, com o que me tinham solicitado, fui de novo interpelado, por outra mesa, "e é mais um sumo, fáxavor". Não dei parte de fraco. Regressei à copa para dar seguimento à demanda. O maître, manifestamente bem humorado, aconselhou-me "o colega é melhor tirar essa coisa do pescoço, ou deixa de ter sossego". Tirei o papillon. Em compensação, os colegas deram-me tratamento vip durante o resto do evento.

terça-feira, 5 de março de 2013

ESPÍRITO SANTO (MOURA): A IGREJA QUE VAI SER GALERIA DE ARTE

Uma obra fundamental que avança. A igreja do Convento do Espírito Santo vai ser galeria de exposições. Isso já foi várias dito e escrito. Uma coisa é dizer. Outra, bem diferente, é fazer.

A reabilitação está em curso e segue em bom ritmo. Um projeto de grande sensibilidade dos arqs. Victor Mestre e Sofia Aleixo. Durante uma visita à obra, esta tarde, pude voltar constatar isso mesmo.

Para o final do ano a intervenção estará concluída. O financiamento comunitário atinge os 85%.




segunda-feira, 4 de março de 2013

NA HORA DO ADEUS AO ENG. ARMANDO NAPOCO

O telefone tocou já tarde, ontem à noite. Do outro lado, a voz do Fernando Arlete comunicava-me, em tom grave, o falecimento do eng. Armando Napoco, antigo Presidente da Câmara de Bissau.

Conheci Armando Napoco em finais de janeiro de 2010, em Bissau. Voltei a encontrá-lo, meses mais tarde, em Moura. Político discreto e de maneiras suaves, o eng. Napoco transmitia o que queria em voz baixa e de forma eficaz. Falámos bastantes vezes nesses dias. Sobre o passado dos sítios. Mas, sobretudo, sobre o seu futuro. Durante o nosso último encontro, há pouco mais de um ano, conseguiu emocionar-me, ao apresentar o meu livrinho sobre Moura e Bissau, dizendo: "o nosso amigo Santiago tornou-se, com este seu trabalho, um cidadão guineense". Recordar que nos recebeu com toda a deferência é pouco para traduzir o cuidado e simpatia com que rodeou aqueles dias.

Pouco antes de nos despedirmos disse-me que se iria ausentar durante uns dias, para exames de rotina, em Dakar. Afinal, foi algo mais sério que uma simples rotina. O seu estado de saúde debilitou-se rapidamente. Armando Napoco faleceu no passado sábado, em Cuba.

Espero poder um dia voltar a Bissau. Espero poder render-lhe homenagem na terra que tanto amava. E na qual tanto acreditava.

Da esquerda para a direita (no edifício-sede do PAIGC, em fevereiro de 2012): Fernando Arlete (ex-Vicepresidente da Câmara de Bissau), Carlos Lopes Pereira (historiador e antigo diretor do Nô Pintcha), Armando Napoco (na altura Presidente da Câmara de Bissau) e o autor do blogue

QUE SERA SERA




















Não é nenhum jogo de palavras com os dias que se aproximam. Nem um alusão à ida, no final do mês, a Marrocos, e uma vez que parte deste filme tem lugar nesse País.

Nada disso. Acontece apenas que gosto muito de O homem que sabia demais, obra rodada por Alfred Hitchcock em 1956. Esta cena é bem característica do estilo do realizador. A mulher que canta suspeita que o seu filho está no edifício. Daí erguer a voz, cantando acima do tom. O som ecoa pelos salões e pelas escadas, até chegar ao destinatário. São coisas das mães. O mestre sabia disso. E sabia da manipulação dos sentimentos como ninguém. Por isso os seus filmes são tão bons.

O homem que sabia demais, e a bela voz de Doris Day, são a escolha cinéfila da semana.

domingo, 3 de março de 2013

O QUE MATA OS TOUROS...

... são os matadores, é certo.

Mas o que mata os touros, enquanto Espetáculo e Cultura, são cenas como as desta tarde.

Pior que o frio oliventino foi o facto de se terem vendido mais bilhetes que lugares, dando origem a broncas inenarráveis.

Pior que tudo foram os touros Zalduendo. Que nunca poderiam dar uma grande corrida. Apesar da aplicação de Talavante.

Melhores tardes virão.

Diz o site mundotoro.com:
Plaza de toros de Olivenza. Última de feria. Lleno. Cinco toros de Zalduendo y un sobrero (4º) de Garcigrande. Nobles, pero de poca transmisión en líneas generales. Morante de la Puebla, silencio y ovación; José María Manzanares, silencio y ovación y Alejandro Talavante, ovación y oreja. Juan José Trujillo y Luis Blázquez saludaron tras banderillear al quinto.

sábado, 2 de março de 2013

CDU MOURA 2013: NO YOUTUBE, NO FACEBOOK, NO MEO E NA BLOGOSFERA

 


Caros Munícipes: 

A decisão de me apresentar como cabeça de lista da CDU à presidência da Câmara de Moura é o corolário lógico de um já longo percurso político neste concelho. Representa também uma acrescida responsabilidade e espero poder responder aos desafios colocados, e à confiança que o PCP e a CDU colocam nesta candidatura. 

As minhas raízes estão em três localidades do concelho (Amareleja, Póvoa e Moura). A ligação sentimental a um território é um dado decisivo para uma candidatura. A identificação dos problemas existentes e conhecimento do terreno não são menos importantes. 

Esta é uma candidatura de continuidade. Para dar seguimento ao trabalho da CDU no concelho, em particular com o que, desde 1998, tem vindo a ser concretizado. As nossas prioridades são este concelho e o seu desenvolvimento. Continuaremos a lutar pelo nosso futuro, todos os dias, ano após ano. 

Contamos convosco. 
Podem, seguramente, contar com a CDU e com esta candidatura.
Estamos juntos.

Depois do arranque ao vivo, a candidatura dá notícias no youtube e na blogosfera. Primeiro, com a apresentação do clip usado na sessão de dia 23 e que mostra algumas imagens de um percurso, entre o político, o académico e que inclui muitas das intervenções em que estive pessoalmente envolvido. Em segundo lugar, com o blogue da candidatura (onde se encontra o texto da carta acima transcrita), que já está disponível em:

http://cdumoura2013.blogspot.pt/

No MEO em:
Canal nº 966980

No facebook em:
http://www.facebook.com/#!/pages/CDU-Moura-2013/355581004556415?fref=ts

sexta-feira, 1 de março de 2013

REGRESSO A TÂNGER

Esta é a história de um homem perseguido pelo vento, esquecido pelo tempo e desprezado pela morte.

O vento vem de leste, na cidade onde o Atlântico e o Mediterrâneo se encontram, uma  cidade feita de colinas sucessivas, enigma doce e inatingível.

O tempo começa com o século ou quase. Forma um triângulo no espaço familiar desse homem que, cedo - tinha 12 ou 13 anos -, deixou Fez para ir trabalhar no Rif, em Nador e Melilla, para durante a guerra e emigrar nos anos 50, com a sua pequena família, para Tânger, cidade do estreito, ondem reinam o vento, a preguiça e a ingratidão.

Começa assim o livro Dia de silêncio, de Tahar Ben Jelloun. Tânger é um dos mais belos e inesquecíveis sítios do mundo. É, seguramente, uma daquelas cidades para onde poderia partir amanhã e não mais regressar. O excelente livro de Tahar Ben Jelloun foi lido, entre o Petit Zoco, os cafés do Boulevard Pasteur e o museu onde a exposição Marrocos-Portugal estava a ser montada. Foi em 1999. Não regressei a Tânger. Irei lá estar no próximo dia 21, no início de um rápido périplo magrebino. Um dia vai saber a pouco. Tentarei voltar depressa. À cidade do vento, da preguiça, da luz e do caos. Mas não da ingratidão.

Tânger, por Braunio (séc. XVI)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

TALASSOTERAPIA - 8/10




O pontilhista Paul Signac viu o mar num dia de frio e cinzento, assim como o de hoje. Com o mar coalhado, com a neblina e com o frio. E talvez nevasse na praia. No mar do Norte deve nevar na praia todo o ano. Portrieux fica na Bretanha.

O mar da Bretanha, o frio e a neve evocaram-me um poema, popularíssimo e que cruzou quase todas as gerações do século XX. Devia continuar a ser obrigatório. Estava no meu livro de leitura da Escola Primária. O poema não é muito bom, mas a gente gostava muito dele. Havia na turma quem o declamasse bem. Mas não era eu.

A balada da neve foi escrita por Augusto Gil (1873-1929) e publicada, em 1909, no livro Luar de janeiro. Paul Signac pintou este Portrieux. La jetée, temps gris em 1888. O quadro está no no Kröller-Müller Museum.


Balada da neve 
 
Batem leve, levemente, 
como quem chama por mim. 
Será chuva? Será gente? 
Gente não é, certamente 
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania: 
mas há pouco, há poucochinho, 
nem uma agulha bulia 
na quieta melancolia 
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente, 
com tão estranha leveza, 
que mal se ouve, mal se sente? 
Não é chuva, nem é gente, 
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía 
do azul cinzento do céu, 
branca e leve, branca e fria... 
- Há quanto tempo a não via! 
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça. 
Pôs tudo da cor do linho. 
Passa gente e, quando passa, 
os passos imprime e traça 
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais 
da pobre gente que avança, 
e noto, por entre os mais, 
os traços miniaturais 
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos... 
a neve deixa inda vê-los, 
primeiro, bem definidos, 
depois, em sulcos compridos, 
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador 
sofra tormentos, enfim! 
Mas as crianças, Senhor, 
porque lhes dais tanta dor?!... 
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza, 
uma funda turbação 
entra em mim, fica em mim presa. 
Cai neve na Natureza 
- e cai no meu coração.

Augusto Gil, Luar de Janeiro

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

JOAQUÍN SOROLLA - 150 ANOS


"Se Almeida Garrett fosse vivo faria hoje 200 anos". Ouvi esta frase espantosa e inesquecível na rádio portuguesa, no dia 4 de fevereiro de 1999. Vinha a conduzir para Mértola. São estas coisas que causam acidentes de viação.

Não sei se a Rádio Nacional de Espanha começou assim o noticiário, a propósito dos 150 anos do nascimento de Joaquín Sorolla. Espero bem que não...

Em todo o caso, em homenagem a Sorolla, à sua mujer desnuda e à poesia de Maria Teresa Horta, aqui vai...

As nádegas 

Porque das nádegas
a curva
sempre oferece
a fenda
o rio
o fundo do buraco

Para esconso uso do corpo
nunca o fraco
poder do corpo em torno desse vaso

Ambiguo modo
de ser usado
e visto

De todo o corpo
aquele
menos dado

preso que está já
do próprio vicio
e mais não é que o limiar de um acto

MAR DO MEIO - UM POUCO MAIS A SUL

Há coisas simpáticas. Um amigo tunisino, Houssem Eddine Chachia, referiu, e transcreveu na íntegra, no blogue Los moriscos de Túnez, a versão em língua árabe do meu livrinho Mar do meio. Foi editado, em 2009, por ocasião do Festival Islâmico, em Mértola. Um ano de boas recordações. Pudesse, às vezes, o tempo recuar. Só um pouco.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CAFÉ IN


Aquela minha amiga, uma das mais queridas e mais ausentes, jura que o café não tem nome. Já lhe disse que isso não é possível, mas ela insiste que nunca viu nenhuma pancarta em lado algum. Quando lhe perguntei como o identificava disse que era apenas o Café In. "Como café in?", surpreendi-me. A minha amiga explicou "é um sítio tão chique, tão chique, que as senhoras tratam os cães por você".

Sou capaz de jurar que Elliott Erwitt não trata os cães por você...

CAMILO LOURENÇO à la manière de Eça

Passei há pouco pelo blogue Tim Tim no Tibet. Não resisto a reproduzir...


QUEIROZIANAS

Não consegue aprender História
Um tal Camilo Lourenço.
Não lhe entra na memória
Um acervo tão imenso!

O Gouvarinho dizia

Ao Maia com contrição
Que a História do Mundo lia
Sem guardar recordação.


Há mesmo cada cabeça

Que só já lida no Eça!

http://timtimnotibet.blogspot.pt/



Um camilo lourenço procurando o interesse da História.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

CAMILO LOURENÇO E OS HISTORIADORES


Foi hoje, pela manhã. Camilo Lourenço, que é economista, veio dizer que "se eu tiver licenciado pessoas em História ou pessoas para serem professores, qual é a utilidade para a Economia? Então se nós não precisamos deles... eu tenho de ter pessoas formadas nas áreas onde a Economia precisar deles" (v. aqui).

Num País que tem sido governado, com reconhecido sucesso que hoje constatamos, pelos mais reputados economistas, fica por entender até onde vai o retrógrado "pensamento" lourenciano. São só os historiadores os visados? Ou há mais gente de que a Economia não precisa? Que terá a Economia a dizer aos bailarinos? Aos pintores? Aos músicos? Aos filófosos, Deus meu, esses perigosos especuladores? Aos encenadores? Aos linguistas? A Economia precisará de linguistas?

Não se riam, por favor. O estilo Camilo Lourenço faz escola. Os custos serão pagos pelas próximas gerações. Os ideólogos de tal selvajaria já cá não estarão.

ESCRITA EFÉMERA

Foi notícia, há uns anos, o incidente ocorrido num museu de arte contemporânea. A senhora da limpeza, ao chegar de manhã cedo, deparou com um cenário estranho no átrio de entrada: vidros partidos, areia e fragmentos de moldura, em madeira. Pegou nos apetrechos de trabalho e enfiou tudo aquilo no caixote do lixo. O problema veio depois... Aquilo era uma "instalação". Não sei como o artista terá reagido mas, no lugar dele, teria considerado o gesto da senhora como parte integrante do ato criativo. O conceito de pathos parece-me adequado.

Lembrei-me do que aconteceu, há semanas, durante uma reunião na Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas. Numa das paredes estava um quadro, daqueles de sala de aula, assinado por muitos escritores. Ao lado, figurava o aviso: "Atenção!! Este quadro é um original. Por favor, não limpar". Para que a escrita, já de si ato efémero, não se torne ainda mais efémera.

SÁBADO, NA SHEHERAZADE


Durante a minha intervenção. E no final da sessão, já com os participantes a caminho da saída. Primeiro registo de muitos outros, que virão a seguir.

Fotografias: Pinto Moreira (a de cima); Rui Bebiano (a de baixo)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CANDIDATURA À CÂMARA DE MOURA - O INÍCIO DA CAMINHADA

De momento, são estas as imagens disponíveis, no youtube, pela mão do amigo Cardão Pinto. O Pinto Moreira trabalha no mesmo sentido. Palavras gentis andaram pelos blogues de Zélia Parreira e de Luís Filipe Maçarico.

Balanço breve: mais de 400 pessoas passaram ontem pelo Espaço Sheherazade. Calor e entusiasmo. Descontração e empenho. No final, uma pequena homenagem a um músico e maestro da cidade. O apego às nossas coisas e a afirmação da nossa identidade vão estar na primeira linha. A candidatura da CDU à Câmara de Moura arranca muito bem.

Agradeço publicamente a todos, em especial aos amigos que montaram e dinamizaram, das mais diversas formas, o evento.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

PREVISÕES ECONÓMICAS



The only function of economic forecasting is to make astrology look respectable.
John Kenneth Galbraith (1908-2006)

AL DOLCE GUIDAMI CASTEL NATIO

Já uma vez aqui referi esta ária da ópera Anna Bolena. Na altura, em outubro de 2011, as palavras Al dolce guidami castel natio, / ai verdi platani, al quello rio, soaram-me como uma estranha premonição. Leva-me para o querido castelo onde nasci, cantava Anna Netrebko, numa interpretação absolutamente arrepiante.

Hoje é dia de recordar tudo isso. E de, em Moura, reafirmar o futuro.

Al dolce guidami ouve-se a partir do minuto 5:50. Mas o melhor é ouvir tudo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

FIM DE TARDE EM ENTRADAS

O fim da tarde de ontem foi passado em Entradas, no Museu da Ruralidade, a convite do meu amigo Miguel Rego. O tema: alimentação na Idade Média. Na verdade, há muito que deixei este objeto de investigação. Ainda assim, a alimentação no período islâmico "persegue-me".

Valeu a pena ir a Entradas. Um público diferente, fora dos circuitos habituais. Alguns velhos amigos pelo meio. Três mourenses, que foram a surpresa da tarde. E um ambiente mais que informal. No fim houve petiscos, que isto da investigação só por si... Primum vivere deinde philosophari!, já aqui o disse.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

SOB O SIGNO DE HOPPER - II: MATHEW BRADY



Mathew Brady (ca. 1822 – 1896) foi um dos que estiveram na origem dos temas e dos enquadramentos de E. Hopper. Que, em vez de fazer à maneira de, se apropriou deles e os fez viver de outra forma. Como aconteceu com os trabalhos do retratista Mathew Brady, nome maior da fotografia do século XIX.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

TALASSOTERAPIA - 7/10


43 
Fiquemos sentados um pouco mais
nesta pedra ao alto
da falésia; sentados pois não podemos
ser pedra sob a luz que do céu
perfumada cai
como se fosse um vinho macerado
pelo vento. A tua mão
sem palavras sem pensamentos
acaricia-me o joelho
sob a luz que do céu
fatigada
cai.


Mais mar. Mais poemas. Neste caso, as palavras são de Casimiro de Brito. Não sei se a falésia de que ele fala tem mar. Parto do princípio que sim. Uma falésia sem mar não faz muito sentido, pois não?

A tela de Carl Friedrich Blechen (1798-1840), Gruta no Golfo de Nápoles, foi pintada em 1829 e esteve na Fundação Gulbenkian. Pertence a uma fundação alemã.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

APRESENTAÇÃO DO CANDIDATO DA CDU À PRESIDÊNCIA DA CÂMARA DE MOURA - DIA 23, às 18h


Local - Espaço Sheherazade

Dia - 23 (sábado)

Hora - 18

O candidato é o autor deste blogue.

CULTURA CASTRENSE


A reunião com uma alta patente estava atrasada. Deambulava pelo átrio do Ministério da Defesa quando houve uma súbita agitação. Vieram colocar bandeiras no átrio, a de Portugal e a de outro país, e houve uma atitude de expetativa. Batedores, veículos do corpo diplomático, um carro da segurança. Entram um senhor alto, uma senhora mais baixa, os dois em passo decidido, seguidos por um batalhão de gente.

"Visita VIP", comentei para o veterano general, com quem combinara encontrar-me à porta do edifício. "O embaixador ou o adido militar", sugeri.

"O adido militar", decidiu ele.

"Como sabe?", reagi, surpreso

"Tem o cabelo bem aparado, mas está muito mal vestido" esclareceu, com ar matreiro.

Ri com gosto. Aprende-se sempre qualquer coisa no contacto com generais veteranos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

PARA EVITAR OS ENGARRAFAMENTOS NA LISBOA DO SÉCULO XVII


A placa data de 1686 e fica na Rua do Salvador, no bairro lisboeta de Alfama. É o sinal de trânsito mais antigo que se conhece, em Portugal. Tem andado pela blogosfera e acho-o um curiosidade interessante. Daí que o partilhe.

O que está escrito na placa?

ANNO DE 1686
SVA MAGESTADE ORDE
NA Q OS COCHES SE
GES E LITRAS Q VIE
REM DA PORTARIA DO
SALVADRO RECVEM PA
A MESMA PARTE

Ou seja,
Ano de 1686 - Sua Magestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da portaria do Salvador recuem para a mesma parte

Que se passava? A rua era muito usada, sendo comuns os problemas entre os coches que desciam e os que subiam, uma vez que só podia passar um de cada vez. Chegava-se, com frequência, a vias de facto. Assim, determinou D. Pedro II que o coche que viesse de cima perdia prioridade em relação ao que vinha de baixo. Ao contrário do que determina hoje, em termos gerais, o Código da Estrada. Veja-se o Título II, Capítulo I, Secção IV, Subsecção III, Artigo 33º, nº 2, Alínea d (é, também, por estas coisas que Portugal se torna divertido e diferente):
2 – Se for necessário efectuar uma manobra de marcha atrás, deve recuar o condutor do veículo que estiver mais próximo do local em que o cruzamento seja possível ou, se as distâncias forem idênticas, os condutores:
d) Perante veículos da mesma categoria, aquele que for a subir, salvo se for manifestamente mais fácil a manobra para o condutor do veículo que desce.

Em caso de dúvida, vejam: http://www.segurancarodoviaria.pt/

domingo, 17 de fevereiro de 2013

MEMÓRIA TELEVISIVA: DEBAIXO DA CAPA, ESTÁ O SEGREDO

Não é a ociosidade domingueira mas antes, admito-o, uma certa nostalgia que me leva a reproduzir esta anúncio televisivo - na altura dizia-se reclame -, muito popular na RTP de final dos anos 60. Não encontrei a versão portuguesa. Os anúncios eram longuíssimos. Havia um da TORRALTA que se prolongava, minutos a fio. Pode ser que um dia destes mostre mais alguns, incluindo o das alcatifas Robillon, que metia ao barulho um combóio e um casal que dançava. O punch-line era algo como "em sua casa não passa um combóio"...

sábado, 16 de fevereiro de 2013

ARQUEOLOGIA - DE LEICESTER A MÉRTOLA

For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,

A(s) arqueologia(s). A que merece referências nos orgãos de comunicação social de todo o mundo. E a outra, de uma escala mais pequena. Na primeira está o crânio de Ricardo III, uma das mais espetaculares descobertas dos últimos tempos. Mais do que o crânio em si, o que se sublinha é a carga mítica do achado e o seu caráter mais ou menos inesperado. Os restos mortais do rei são agora disputados por vários sítios. Não é só por cá que estas coisas acontecem.

Menos barulhenta foi a chegada ao Museu de Mértola de uma cupa, proveniente dos Corvos e recolhida em data incerta nas imediações da localidade. Mais uma peça para enriquecer o património mertolense. Está, desde quinta-feira, no átrio dos Paços do Concelho.

Em baixo: Sandra Gonçalves (vereadora da cultura da Câmara Municipal de Mértola) e Vírgilio Lopes (investigador do Campo Arqueológico de Mértola), no momento da chegada da peça às instalações camarárias, e a peça no local onde agora se encontra.

MULHERES DE CARNE E OSSO

Não são modelos. Não são conhecidas. Muitas não são novas. Não têm corpos "perfeitos". Mas aceitaram posar para o fotógrafo Matt Blum. Sem roupa e nas suas casas. Têm todas um ar de boa disposição. Trabalho notável o deste fotógrafo, conseguir mostrar mulheres autênticas, sem artifícios nem plásticas, em boas fotografias, e conseguir descontraí-las.


Soneto do corifeu

São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.

E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.

Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.

Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.

Soneto de Vinicius de Moraes
Site do projeto de Matt Blum: http://thenuproject.com/

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

SIM

(...) caminante, no hay camino, se hace camino al andar. (...), dizia o poeta António Machado. Acabo de aceitar o desafio que me foi lançado, no sentido de encabeçar a lista da CDU para as próximas autárquicas, em Moura. A intenção é continuar a caminhada. Dando mais passos pelo progresso do concelho de Moura.

A imagem tem uns 5 anos. Nessa altura, os passos que dava (no Mali, não muito longe da fronteira com o Burkina Faso) estavam muito longe da minha cidade. O texto que aqui vos deixo é o final do solilóquio de Molly Bloom, de James Joyce. Tal como ela, também eu digo SIM. Só que com menos arte. Uma velha amiga achou o texto despropositado e sem relação com o momento em si. Não tem nada a ver com o momento em si, de facto. Mas este final é belíssimo e o ponto crucial está na repetição da palavra SIM.

the sun shines for you he said the day we were lying among the rhododendrons on Howth head in the grey tweed suit and his straw hat the day I got him to propose to me yes first I gave him the bit of seedcake out of my mouth and it was leapyear like now yes 16 years ago my God after that long kiss I near lost my breath yes he said I was a flower of the mountain yes so we are flowers all a womans body yes that was one true thing he said in his life and the sun shines for you today yes that was why I liked him because I saw he understood or felt what a woman is and I knew I could always get round him and I gave him all the pleasure I could leading him on till he asked me to say yes and I wouldnt answer first only looked out over the sea and the sky I was thinking of so many things he didnt know of Mulvey and Mr Stanhope and Hester and father and old captain Groves and the sailors playing all birds fly and I say stoop and washing up dishes they called it on the pier and the sentry in front of the governors house with the thing round his white helmet poor devil half roasted and the Spanish girls laughing in their shawls and their tall combs and the auctions in the morning the Greeks and the jews and the Arabs and the devil knows who else from all the ends of Europe and Duke street and the fowl market all clucking outside Larby Sharons and the poor donkeys slipping half asleep and the vague fellows in the cloaks asleep in the shade on the steps and the big wheels of the carts of the bulls and the old castle thousands of years old yes and those handsome Moors all in white and turbans like kings asking you to sit down in their little bit of a shop and Ronda with the old windows of the posadas glancing eyes a lattice hid for her lover to kiss the iron and the wineshops half open at night and the castanets and the night we missed the boat at Algeciras the watchman going about serene with his lamp and O that awful deepdown torrent O and the sea the sea crimson sometimes like fire and the glorious sunsets and the figtrees in the Alameda gardens yes and all the queer little streets and pink and blue and yellow houses and the rosegardens and the jessamine and geraniums and cactuses and Gibraltar as a girl where I was a Flower of the mountain yes when I put the rose in my hair like the Andalusian girls used or shall I wear a red yes and how he kissed me under the Moorish wall and I thought well as well him as another and then I asked him with my eyes to ask again yes and then he asked me would I yes to say yes my mountain flower and first I put my arms around him yes and drew him down to me so he could feel my breasts all perfume yes and his heart was going like mad and yes I said yes I will Yes.

NB: não serão publicados comentários anónimos a este post.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O CHATO

Do filme talvez não reze a história, mas este O chato, realizado por Édouard Molinaro há quarenta anos, tem uma das cenas rodoviárias mais divertidas de que me recordo. O filme anda à volta da história de um assassino (Lino Ventura), contratado para eliminar uma testemunha. Não consegue levar a tarefa a bom termo, devido às constantes interferências de um chato (Jacques Brel).

Neste louco, e curto, percurso o melhor é a tirada filosófica do condutor: "y en a, faudrait leur faire sauter le permis".

Espaço de publicidade também para o Renault 12 Gordini, um modelo mítico saído das oficinas de Billancourt.

Visto no Cinema Berna, em 1974, é a minha escolha da semana. Porque os próximos dias vão ser de prego a fundo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A SUA CARA NÃO ME É ESTRANHA...

Ainda a propósito de confusões e de identidades...

A Fátima ouviu falar português. Nada de estranho no metro de Paris. Mas, ao voltar-se, deu de caras com alguém que conhecia. Cumprimentou animadamente o senhor justamente por isso, porque o conhecia. Vai daí tentou perceber de onde, num animado e curto diálogo. Nada batia certo. A Fátima estudara numa escola, o senhor lecionara noutra. Ela trabalhara numas empresas, ele noutras. Nada batia certo, mesmo nada, embora o senhor, gentilíssimo e discreto, se esforçasse por encontrar pontos de contacto. Chegou-se a um beco sem saída. Às tantas, o senhor tentou uma saída: "bem, eu fui Ministro da Educação, chamo-me Roberto Carneiro...". Foi então que a Fátima se deu conta do equívoco, ficando embaraçada, mas não muito, que não é moça para isso. Eu teria gaguejado trinta vezes, mas ela não. De certeza que não.

"Doctor Livingstone, I presume", disse Stanley. Mas não foi no metropolitano.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

NIGÉRIA CAMPEÃ

A Nigéria acaba de ganhar a Taça Africana das Nações, ao bater o Burkina Faso por 1-0. Tive dificuldade em encontrar informações sobre a competição na imprensa escrita. Os jornais remeteram, se tanto, o assunto para as breves. Muitas vezes, nem a hora dos jogos aparecia.

O comentador da Eurosport dizia "vai ser grande a festa em Lagos, capital da Nigéria". A capital é Abuja... Veio-me à memória um jornalista da RTP que, durante o Mundial de 1994, chamou, durante a primeira parte de um jogo, africanos aos sauditas. É que os jogadores eram todos negros...

África não existe, para uma Europa que, muitas vezes, ainda não olha para lá dos seus limites. E que, muitas vezes, quando olha melhor seria que não olhasse.

Rashid Yekini (1963-2012), campeão africano em 1994.
Jogou em Portugal, no Vitória de Setúbal.