terça-feira, 15 de setembro de 2009

DEVASSA

Farney, Dick Farney, soa bem dito assim, como Bond, James Bond. O cantor assinava Dick Farney mas na realidade chamava-se Farnésio Dutra e Silva (1921-1987), o que é um pouco mais banal. Era ele quem cantava, em tempos que já lá vão, uma balada a Copacabana, garantidamente a princesinha do mar.
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Mas a coisa mais visível naquele feriado em Copacabana não eram as princesinhas, nem a memória do Dick nem a bravura das ondas. De repente, surgido dos confins da avenida eis um grupo musical que, já ao longe, se fazia anunciar com estrondo. Vinha em cima de uma camião aberto e o volume dos decibéis ultrapassava em muito o limite do tolerável. Mais ao perto o barulho crescia. Em cima do camião vinha um trio eléctrico cheio de ritmo com uma cantora gorducha pouco vestida que sambava a plenos pulmões “Maria chegou! Ô-ô-ô! Maria chegou! Ô-ô-ô!”. Que giro, pensa a malta, animação de praia em dia de feriado da Senhora Aparecida. Simples, demasiado simples como explicação. Na realidade, o trio eléctrico era seguido de perto por uma nutrida escolta policial em moto, a que se seguia um carro dos bombeiros onde – alguém já adivinhou? – vinha a imagem de Nossa Senhora. A procissão, pois disso se tratava, aberta em ritmo de samba “Maria chegou! Ô-ô-ô! Maria chegou! Ô-ô-ô!”, tinha como cortejo mais de um milhar de motoqueiros que em aceleradelas permanentes vrom-vrom anunciavam, urbi et orbi, a sua electro-fé. A procissão demorou a passar por entre os aplausos e o entusiasmo de quem por ali andava, até se perder de vista.
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Em 1976 ou 1977, uma banda ida de Portugal à aldeia espanhola de Paymogo fora obrigada, por exigência do padre, a tocar músicas mais animadas na procissão. Nunca eu tinha visto um cortejo desfilar, Calle Calvo Sotelo abaixo, ao som do Y viva España, por entre o ar embaraçado dos músicos e o espanto de desaprovação de alguns mais velhos. Nem voltei a ver. Nada que se compare, contudo, ao estardalhaço da gorducha do “Maria chegou!”, da escolta policial, da imagem da Senhora da Aparecida em cima do carro dos bombeiros e dos devotos motoqueiros.
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“Tuas sereias, sempre sorrindo, sempre sorrindo”, dizia o Dick na canção acerca de Copacabana. Bem podem, meu caro, num mundo onde até as coisas mais sérias se tomam com descontracção e um profundo saber viver.
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Crónica publicada no Jornal A Planície de 1.11.2007
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A bola tinha acabado e era hora de ir tomar algo. O Fluminense empatara mas a Cláudia Noronha, que até é flamenguista, achou que isso não devia esmorecer ninguém. Sugeriu uma das Cervejarias Devassa, a de Ipanema.
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A moça do rótulo tem uma pose sugestiva e o slogan é ainda mais sugestivo, embora a palavra no Brasil não tenha exactamente o mesmo sentido.
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Foi uma noite memorável, onde se brindou ao sucesso da exposição que se acabara de montar e onde pudémos, dias depois, constatar o brilhante e profissionalíssimo trabalho de promoção que a Cláudia e a sua equipa da CW&A realizaram.
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Mais alguns dados:
O site da Cerveja (e das cervejarias) Devassa é http://www.devassa.com.br/ (vale mesmo a pena ver!) ou http://www.cervejariadevassa.com.br/ (idem)
O site da CW&A é http://www.cwea.com.br/
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A Devassa de Ipanema fica na Rua Prudente de Moraes, 416
Telef. (21) 2522-0627
Horário: Segunda a sexta, das 12h às 2h. Sábado e domingo, das 12h às 3h.
Uma refeição fica pelos 50 reais (cerca de 18 euros, à cotação actual), tanto quanto me recordo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

RICARDO I, O BAJULADOR

Dizia-se de Leonid Brejnev que tinha tanto sentido de humor que coleccionava as anedotas que circulavam a seu respeito. Ao que parece coleccionava também autores de anedotas.
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A relação dos políticos com os humoristas ou é uma tragédia ou uma farsa. Frequentemente assistimos a ambas. Como esta noite, quando Ricardo Araújo Pereira "entrevistou" José Sócrates. Sócrates fingia-se entalado e Ricardo A. Pereira fingia que colocava perguntas incómodas. As graças de parte a parte foram frouxas e sem punch. Uma bajulação penosa e sem sentido. Aquele horrível toque português suave no-fundo-somos-todos-amigos-e-uns-gajos-porreiros no seu pior.
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Pior mesmo, ainda que noutro aspecto, só quando Herman José perguntou a Carlos Carvalhas qual o filme que vira recentemente e de que mais gostara; Carvalhas, com aquele ar sossegadinho, respondeu "Pulp Fiction". Herman seguiu em frente, sem ter a curiosidade de perceber o que leva um pacato secretário-geral comunista a gostar de um filme que é um hino à perversão.
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Seguem-se mais quatro capítulos de bajulação. Resta-me ver como reagirá às provocações Francisco Louçã, o homem que, com José Sócrates, disputa o título de político com menos sentido de humor.
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domingo, 13 de setembro de 2009

MÉRTOLA NO BCP

Já fechou a exposição Mértola - o último porto do Mediterrâneo, que esteve patente no espaço do millenniumbcp, na Rua Augusta. O núcleo arqueológico da Rua dos Correeiros, que fica mesmo ao lado, registou um aumento de visitantes de 40 % em relação a 2008 e de 70% em relação a 2007. Não sei se foi o efeito da presença da exposição de Mértola, mas é sempre agradável pensarmos que também nós podemos, de algum modo, ajudar os bancos...
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Imagem da mesa do colóquio promovido no auditório da Rua Augusta. Mértola, Lisboa, o Mediterrâneo e o sul foram o prato forte de uma conversa em que participaram Maria da Conceição Amaral (Directora do Museu da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva), Paulo Macedo (Vice-Presidente do Millenniumbcp), Cláudio Torres (Director do Campo Arqueológico de Mértola), José Luís de Matos (antigo professor de Arqueologia Medieval da Universidade de Libsoa) e o autor do blogue.

CDU - MOURA

Capacidade de iniciativa e espírito de militância é isto: várias dezenas de candidatos da CDU mobilizaram-se para montarem um stand de divulgação e um espaço de convívio na Feira de Moura.
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Nenhuma outra força política foi capaz de se organizar desta forma. Os dois locais têm sido um sucesso em termos de visitantes, abrindo as melhores perspectivas para as autárquicas de 11 de Outubro.
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No fotografia: Ana Benedita e Mário Valério, membros da Comissão Concelhia de Moura do Partido Comunista Português

RUA DO SEMBRANO

Ouvi falar neste local, pela primeira vez, em Janeiro de 1986. O Doutor Caetano de Mello Beirão, no seu estilo característico, fez uma intervenção bastante ácida sobre o assunto no decorrer do 1º Encontro de Arqueologia do Baixo Alentejo. Fiquei sem perceber muito bem o que se iria passar a seguir...
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O tema arrastou-se, os anos foram correndo. Imóveis ao lado foram comprados e a área inicial de intervenção foi alargada. O arqueólogo que iniciara o processo desapareceu de cena e os trabalhos continuaram. Estruturas romanas e, sobretudo, da Idade do Ferro vieram cofirmar a excepcionalidade do achado. Lançou-se um concurso de arquitectura para o local que foi abandonado por inconmpatibilidade com os achados. O processo foi mais tarde retomado.
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A dada altura, e para surpresa minha, sou chamado a colaborar na exposição permanente, ficando a meu cargo os textos referentes a Beja na Antiguidade Tardia e no período islâmico. Fi-lo com prazer. Porque gosto da cidade, por causa do meu camarada Francisco Santos, porque tenho lá muitos amigos e porque a coordenação final coube à Susana Correia e ao Rui Aldegalega. Foram de uma infinita paciência comigo e com os meus sucessivos atrasos...
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O museu de sítio da Rua do Sembrano é um espaço notável. A entrada é marcada por um painel de azulejos concebido por Rogério Ribeiro (1930-2008). O interior é composto por um pavilhão com um chão de vidro que permite ver as estruturas arqueológicas. Em volta há vitrines com materiais, tabelas cronológicas e uma enorme planta de interpretação do sítio. O resultado é um espaço moderno e, em todos os seus elementos, de grande qualidade e que faz justiça às estruturas arqueológicas e as dignifica.
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Site da Câmara Municipal de Beja: www.cm-beja.pt

Texto sobre a Antiguidade Tardia em Beja:


Ao longo do século V as cidades modificam-se e alteram as suas funções. Os grandes edifícios públicos, manifestação do poder do Império, perdem utilidade e são adaptados a novos usos. A cidade mudara, assim como o papel que desempenhava. Teatros, anfiteatros, foros, vêem o seu espaço ocupado por basílicas cristãs ou por zonas habitacionais; na pior das hipóteses, os edifícios foram pura e simplesmente desmontados e as pedras reaproveitadas em novas construções. Um certo sentido de reciclagem irá marcar toda a Alta Idade Média.
É verdade que a arqueologia ilumina ainda hoje de forma insuficiente a evolução do Conventus Pacensis ao longo da Antiguidade Tardia. Os materiais são escassos e reportam-se, no caso das peças de arquitectura, quase sempre ao contexto religioso. Pode dizer-se sem grande exagero que as escavações referentes a este período se limitaram às villæ, às basílicas e às estruturas associadas à elite romana. Devemos acrescentar as necrópoles, apesar da insuficiência de trabalhos sistemáticos no sudoeste peninsular. Não se estranha, assim, que os principais vestígios sejam os de antigos locais de culto como a basílica de Sines, de Mértola, a igrejinha de Vera Cruz de Marmelar ou a importante colecção recolhida em Beja ou nos seus arredores.
A importância dos meios urbanos é uma constante e marca a geografia do território. A cidade de Beja herda um importante legado da época romana, sendo constantes, ao longo dos séculos VI e VII, as referências ao seu bispado, abundando no espaço intra-muros os elementos arquitectónicos que desmentem qualquer declínio. A tradição da cidade enquanto centro importante e lugar de difusão do conhecimento continuou na época islâmica: uma elite religiosa de ulemas de origem local assegurará uma prestigiosa transmissão de saberes.

sábado, 12 de setembro de 2009

BERLIM E SANTO ALEIXO

Durante a fase de preparação de um livro que vai sair em breve sugeri ao Alberto Frias que dividissemos a realidade de Santo Aleixo em duas áreas bem definidas: as pessoas seriam fotografadas a preto e branco, as ruas e casas da aldeia a cores. Mesmo se a perspectiva das pessoas serem registadas a preto e branco possa representar uma leitura um pouco céptica, e menos angelical, sobre o mundo à nossa volta. Assim se fez e o livro faz justiça, pelo menos na parte fotográfica, a Santo Aleixo da Restauração.
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Sabia que já algures, e não era no filme O feiticeiro de Oz, vira qualquer coisa assim e que tinha gostado da ideia. Só hoje de manhã ao rever imagens de As asas do desejo se me fez luz. E se há anjos sobre Berlim estão também, decerto, sobre Santo Aleixo.
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Fotografia de Alberto Frias

AS ASAS DO DESEJO

A história não é muito vulgar: anjos povoam o céu de Berlim e confortam os humanos, ouvindo os seus pensamentos. Um deles apaixona-se por uma trapezista e, por causa disso, quer tornar-se mortal. Um humano (Peter Falk) explica ao anjo prazeres simples da vida, como a combinação do café e dos cigarros. Os anjos vêem a realidade a preto e branco, as pessoas olham a realidade a cores. Os anjos pairam sobre a cidade e percorrem-na de forma secreta (ou quase; há quem os veja mas eu não digo quem). O resultado é instenso e mais de uma pessoa olhou para cima à saída do cinema. Mas não havia anjos nessa tarde nos telhados de Lisboa...
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Wim Wenders (n. 1945) escreveu o argumento a meias com o aclamado autor austríaco Peter Handke (n. 1942) e entregou a direcção de fotografia a outro nome de peso: Henri Alekan (1909-2001). O resultado foi brilhante e à medida que os anos passam o filme não só não envelhece como vai ganhando uma carga poética que o passar do tempo sobre nós vai tornando mais evidente.
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Song of childhood (Peter Handke)
When the child was a child

It walked with its arms swinging,
wanted the brook to be a river,
the river to be a torrent,
and this puddle to be the sea.
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When the child was a child,

it didn’t know that it was a child,
everything was soulful,
and all souls were one.
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When the child was a child,

it had no opinion about anything,
had no habits,
it often sat cross-legged,
took off running,
had a cowlick in its hair,
and made no faces when photographed.
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When the child was a child,

It was the time for these questions:
Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell
not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people.
does evil really exist?
How can it be that I, who I am,
didn’t exist before I came to be,
and that, someday, I, who I am,
will no longer be who I am?
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When the child was a child,

It choked on spinach, on peas, on rice pudding,
and on steamed cauliflower,
and eats all of those now, and not just because it has to.
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When the child was a child,

it awoke once in a strange bed,
and now does so again and again.
Many people, then, seemed beautiful,
and now only a few do, by sheer luck.
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It had visualized a clear image of Paradise,

and now can at most guess,
could not conceive of nothingness,
and shudders today at the thought.
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When the child was a child,

It played with enthusiasm,
and, now, has just as much excitement as then,
but only when it concerns its work.
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When the child was a child,

It was enough for it to eat an apple, … bread,
And so it is even now.
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When the child was a child,

Berries filled its hand as only berries do,
and do even now,
Fresh walnuts made its tongue raw,
and do even now,
it had, on every mountaintop,
the longing for a higher mountain yet,
and in every city,
the longing for an even greater city,
and that is still so,
It reached for cherries in topmost branches of trees
with an elation it still has today,
has a shyness in front of strangers,
and has that even now.
It awaited the first snow,
And waits that way even now.
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When the child was a child,

It threw a stick like a lance against a tree,
And it quivers there still today.
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O título original era Der Himmel über Berlin (O paraíso sobre Berlim).

Wenders ganhou o galardão de melhor director em Cannes, em 1987, com este filme. Coisa pouca para tão grande obra. O cineasta é doutor honoris causa pela Sorbonne, o que me parece francamente bem.
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Site do cineasta: http://www.wim-wenders.com/

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

BIBLIOTECA MUNICIPAL DE MOURA – PROJECTO APROVADO

Está terminada a história do projecto da Biblioteca Municipal de Moura. Depois de vários acidentes de percurso, e após a responsabilidade de elaboração da proposta ter sido entregue aos arquitectos Vitor Mestre e Sofia Aleixo, foi possível, em apenas 10 meses, concluir o projecto de execução e ter a aprovação por parte das entidades competentes.

O IGESPAR deu parecer favorável ao projecto no passado dia 2 de Setembro, tendo esse facto sido agora comunicado à Câmara Municipal de Moura. Fui o autor da fundamentação da primeira candidatura da biblioteca (ao extinto IPLL), no já distante ano de 1987. Esse projecto foi depois aniquilado por uma vereação socialista, que se limitou a executar a uma primeira fase do que estava previsto. Uma atitude tímida, que não sei se foi, na altura, de prioridade, de necessidade ou exequibilidade. O que sei é a cultura não era tema que os motivasse e que o projecto morreu.

No momento em que o novo projecto (cf. infra algumas imagens) está terminado sinto-me feliz por isso e espero ter a possibilidade de o concretizar.
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Cito do parecer do IGESPAR:

"O projecto integra um conjunto de peças gráficas notável, elaborando fichas de espaços e de pormenores construtivos existentes, com referências, descrições e modos de intervenção detalhados.

Considera-se ser de viabilizar o projecto de execução apresentado, pois reabilita e recupera, de forma correcta e rigorosa, o imóvel em causa e o seu espaço exterior propondo uma intervenção que não modifica a tipologia e a morfologia original do edifício, contribuindo para a sua valorização do ponto de vista patrimonial, funcional e estético."


Conclusão minha: quem sabe, sabe; quem não sabe devia esforçar-se por aprender.

Site dos autores do projecto: http://www.vmsa-arquitectos.com/

LISBOETAS

Os projectos foram aguardados com expectativa. Tratava-se, nem mais nem menos, da renovação do Martim Moniz e da sua revitalização. No Martim Moniz desses tempos (final da década de 70 havia um largo vazio, o Teatro Ad-Hoc (para revistas "de esquerda"), a igreja e o Salão Lisboa, que passava cobóiadas e era popularmente conhecido como o Salão Piolho.
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Houve concurso e ganhou um projecto do ateliê Carlos Duarte/José Lamas (seriam, anos mais tarde, os autores do primeiro Plano de Salvaguarda do Centro Histórico de Moura). O projecto previa um Centro Comercial, uma praça renovada, mas sobretudo, e espero não me estar a enganar e a confundir a proposta vencedora com outra, criar naquela zona de Lisboa uma pequena rive gauche. O Martim Moniz estaria fadado para a criação, os espaços de encontro de intelectuais e, bem entendido, para a fruição (palavra horrorosa!).
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O que aconteceu depois é uma história divertida e, aqui sem ironia, bem interessante. Os lisboetas não aderiram aqueles espaços e a proximidade da Mouraria fez com que outros protagonistas assumissem um papel de destaque no Martim Moniz. O centro comercial rapidamente foi conquistado por comerciantes africanos e orientais. Cheiros, sabores e tecidos do Senegal, do Paquistão e da China reinam hoje às portas da Mouraria. É um multiculturalismo modesto mas estimulante. Os portugueses vivem à margem do fenómeno. Por diversas vezes atravessei o centro comercial sem me cruzar com nenhum branco. Alguém me perguntou "não tens medo de ir ali?". A pergunta não mereceu resposta.
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O Martim Moniz (em cima) e duas imagens do documentário Lisboetas

Quém és tu? O que fazes aqui? A pergunta surgia nos cartazes do filme Lisboetas, de Sérgio Tréfaut (n. 1965). O documentário, de 2004, é uma peça de rara e comovente beleza. Fala-nos desses novos lisboetas, os que chegaram das mais variadas partes do mundo e dão vida e cor e alma à cidade. Lisboetas tem sensibilidade e audácia, está montado com a fibra que um documetário deve ter e conta-nos parte da história de uma Lisboa que desconhecemos, mas que existe.

Sérgio Tréfaut tem ligações à cidade de Moura, terra natal do seu pai, intelectual de grande craveira e meu amigo e camarada.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DESCEU TÃO DE REPENTE O SOL...

Desceu tão de repente o sol por onde
andámos. Já não o vejo
essa janela para além das árvores,
esse lugar-refém
de tudo o que senti. A própria infância
confundiu as imagens, quis amar
a voz do seu segredo.
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Se ainda existe o verão, porquê
a nostalgia, a dor feliz que foge e não
regressa? A cada instante parece outra
a melodia
nos olhos do meu pai do meu irmão
e eu sei adormecer, rezar ainda
com a minha mãe à cabeceira.
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Quais são as cores da morte? Uma paisagem
acontecendo, em sombra, os objectos
esquecendo-se de nós - numa so vida
começam e acabam mais outras
vidas.
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Era uma casa cor-de-rosa e do meu quarto
Podia ver-se o mar.
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O poema é da autoria do escritor e ensaista Fernando Pinto do Amaral (n. 1960). As imagens, que reflectem a desolação das casas abandonadas e representam bem o prenúncio da morte, foram retiradas do vídeo Linha do tempo, de Jorge Molder (n. 1947). Nos 5'40'' do vídeo "um homem percorre uma casa, que vemos estar abandonada, como se procurasse algo, que suspeita estar ligada ao seu passado, seguindo um fio ténue de sentido que poderia encontrar nas coisas ainda presentes e mesmo nas marcas de destruição."
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Recordo-me de ter visto o vídeo num dos Encontros de Fotografia de Coimbra, num dos anfiteatros da Universidade no meio de um silêncio apenas quebrado pela som dos passos e pelo vidro estilhaçado de uma janela.
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Página web de Jorge Molder: http://www.jorgemolder.com/

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

AMARCORD

No outro dia, ao regressar da feira, um morcego cruzou-me por segundos o horizonte. Voltou para trás e desapareceu na escuridão da Horta do Prazeres. Lembro-me sempre dos morcegos no fim das noites da feira e da festa. Havia sempre morcegos no amanhecer dessas noites, uma revoada detrás do Café Ideal, quando se virava para a Rua do Burgueto. Mas já não existe o Café Ideal desses dias e a Rua do Burgueto mudou de nome. Mais morcegos haveriam de aparecer depois da passar a Latôa. Confiei sempre no sentido de orientação dos bichos, que picavam sobre mim, pairavam uns segundos e voltavam para trás, como se um elástico os puxasse. A minha irmã Júlia arrastava-me, por entre resmungos, ladeira da Salúquia acima. Desde então que as mulheres da família e eu não nos entendemos sobre os significado profundo das palavras "feira" e "festa".
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Era a melhor hora do dia, esse momento de abandono, em que a noite já não era noite e o dia ainda só espreitava. Quase toda a cidade desistira. Sobravam pequenos grupos de rapazolas como o nosso. Lembro-me que às vezes se hesitava "café do Tio Russo ou Mercado?" e a decisão era sempre ditada por secretos critérios, de difícil explicação mas que geravam sempre unanimidade. Pelo menos por parte dos que ainda conseguiam falar. Um café e um poejo, este último com fins supostamente medicinais mas que só vinha dar o toque de decadência final à noite.
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No outro dia, quando a noite já não era noite e o dia ainda só espreitava e o sábado da Festa estava a acabar, lembrei-me desses dias e dos momentos de abandono ao amanhecer.
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A Rua de Serpa estava deserta, a dos cafés também, no largo apenas se ouvia o rumor dos papéis que o vento levantava e depois ia pousar no mesmo sítio, exactamente no mesmo sítio. Lembro-me das gambiarras balouçando devagar na primeira aragem da manhã, as lâmpadas apagadas e já sem préstimo.
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Um velho poema de Manuel Bandeira veio em meu auxílio: "Quando ontem adormeci / Na noite de S. João / Havia alegria e rumor / Estrondos de bombas luzes de Bengala / Vozes cantigas e risos / Ao pé das fogueiras acesas // No meio da noite despertei / Não ouvi mais vozes nem risos / Apenas balões / Passavam errantes / Silenciosamente / Apenas de vez em quando / O ruído de um bonde / Cortava o silêncio / Como um túnel./ Onde estavam os que há pouco / Dançavam / Cantavam / E riam / Ao pé das fogueiras acesas ?". O poema segue, até ao fim de tudo, quando um dia a festa continuar e já tivermos partido há muito.
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Passaram pelo largo dois grupos de rapazolas. Trocaram piadas. Lembro-me que eram iguaizinhas às de há quase trinta anos. Resignado ao passar do tempo e já cansado, e sem ter a Júlia para me empurrar por entre resmungos, caminhei sozinho em direcção à Salúquia.
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Este texto foi publicado no jornal A Planície de 1.10.2005. Amarcord (1973) é um filme de recordações de Federico Fellini, um filme amado dentre os amados, uma pérola, como alguém já lhe chamou.
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A feira começa amanhã - ver http://www.feirasdemoura.pt/
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DIA 10 (Quinta-Feira)
11:00H - 1º Workshop do Projecto MEDISS - Reforçar as capacidades de inovação nas fileiras "Aromas e Sabores" (Cine-Teatro Caridade)
19:00H - Sessão de Inauguração da Feira e Abertura dos Pavilhões de Exposições
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DIA 11 (Sexta-Feira)
10:00H - Assembleia da Rede de Cooperação Transfronteriça 7X7 (Auditório da Comoiprel)
18:00H - Colóquio "Artesãos da Saúde - A resposta está nas suas mãos" (Auditório da Comoiprel)
19:00H - Gincana da Ass. Desp. Arucitana (Junto ao Parque do Leilão do Gado)
22:00H - Espectáculo musical com Expensive Soul & Jaguar Band
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DIA 12 (Sábado)
10:00H - XVI Concurso de méis da região de Moura; Gincana da Ass. Desp. Arucitana (Junto ao Parque do Leilão do Gado)
11:00H - Visita às instalações da APIVALE - Associação dos Apicultores do Vale do Guadiana.
15:00H - Entrega de prémios do concurso de meís; Assembleia Geral da APIVALE - Associação dos Apicultores do Vale do Guadiana (Auditório da Comoiprel)
22:00H - Espectáculo musical com Paulo Gonzo; Corrida de Toiros (Praça de toiros)
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DIA 13 (Domingo)
17:00H - Concurso de doçaria confeccionada com mel
19:00H - Espectáculo musical; Entrega de prémios do concurso de petiscos e do concurso de doçaria confeccionada com mel

Horário dos Pavilhões de Exposições
Quinta-Feira: 19:00h às 24:00h
Sexta-Feira e Sábado: 10:00h ás 13: 00h e 15:00h ás 01:00h
Domingo: 10:00h ás 13: 00h e 15:00h ás 22:00h

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CARTAZES DE CAMPANHA

Ainda a saison das autárquicas vai no adro e já há pano para mangas. Por norma, os cartazes oscilam entre o mau e o muito mau. Dou graças aos céus pelo facto do cartaz da CDU em Moura ser dos melhores que já vi, com uma boa fotografia e um grafismo limpo.
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Não posso deixar de notar duas ou três intervenções menos felizes:
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Os cartazes de Jovita Ladeira, um nome improvável mas autêntico, em Vila Real de Santo António que se apresenta com o slogan gosto desta terra. So what?
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O cartaz da equipa de José Apolinário em Faro, a roçar o hilariante. Houve um erro de impressão e os candidatos têm as faces entre o rosado e o avermelhado, dando a ideia de que foram à praia e se esqueceram do protector solar em casa.
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Os de Mértola também não são nada de especial, fazendo o da CDU lembrar um anúncio a um pronto-a-vestir de outros tempos, ao passo que o do PS é muito ostensivo, nos seus tons demasiado quentes. Que diabo, há bons artistas plásticos nas duas campanhas...
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O cartaz do CDS de Vale de Cambra parece de um filme indiano e o slogan parece dum empregado de mesa: "É p´ra já" (Eduardo Cintra Torres em artigo do Jornal de Negócios, onde a campanha em Moura é expressamente referida - cf. link).

EDWARD WESTON

Este nu de Edward Weston (1886-1958) foi vendido no ano passado por 1.609.000 USD. A fotografia foi concebida em 1925 e, enquanto imagem do corpo, está nos antípodas do que hoje identificamos como erotismo. Outras fotografias de Weston são, nesse sentido, bem mais explícitas mas, eventualemente, bem menos imaginativas.
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É a 3ª fotografia mais cara da História.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

BIBLIOTHEQUE NATIONALE DE FRANCE

Na lista final para este projecto esteve Álvaro Siza Vieira. Não conheço a proposta que apresentou, mas não tenho dúvidas em dizer que a ideia vencedora é sublime.
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Conheço muitas bibliotecas, mas nenhuma tão prática e tão simpática para os utentes como esta. Vista ao longe dir-se-ia estarmos na presença de quatro grandes livros colocados ao alto. Uma enorme plataforma liga os quatro vértices. No centro fica um jardim, que nasce a partir do chamado rez-de-jardin. É aí que se situa a biblioteca de investigação, à qual se acede com um cartão com um chip.
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Na biblioteca de investigação, as salas são luminosas (um milagre em Paris), o silêncio impera e o trabalho avança. Nos seus fundos há tudo ou quase tudo. Mesmo a bibliografia anglo-saxónica que nos falta noutros locais e aquelas obras antigas e há muito esgotadas e que nos deixam à beira do desespero. Passei ali muitos dias entre 1998 e 2004, com o apoio da Fundação Macias-Valet para o Progresso da Ciência. Não sei se há um paraíso das bibliotecas, mas esta deve andar lá perto.
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O autor da obra-prima chama-se Dominique Perrault (n. 1953). Não tem nenhum projecto em Portugal.
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Site do ateliê de Dominique Perrault: http://www.perraultarchitecte.com .
Site da BNF: http://www.bnf.fr


Hoje é o Dia Internacional da Alfabetização.

VÍTOR MESTRE E SOFIA ALEIXO

Antes que me esqueça...
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Vítor Mestre e Sofia Aleixo estiveram em destaque no último domingo na revista dominical do Público. O Ministério da Educação encarregou-os da reabilitação do Liceu Passos Manuel, o mais antigo de Portugal. A dupla de arquitectos é especialista na recuperação da arquitectura vernacular e conta com um extenso e prestigiado currículo nesse domínio.
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Não são de Moura, nem da Amareleja, nem me consta que tenham familiares por estas bandas. Porque são aqui mencionados? Porque concluiram três projectos no nosso concelho, os quais serão lançados em breve a concurso, para a concretização das respectivas obras.
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A saber:
* Reabilitação da Igreja do Espírito Santo - futura Galeria Municipal (Moura)
* Reabilitação do antigo Grémio da Lavoura - nova Biblioteca Municipal (Moura)
* Pavilhão das Cancelinhas (Amareleja)
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O resto é conversa e assunto para treinadores de bancada.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

FUCK THEM

Fuck him, disse Joe Berardo a propósito de Rui Costa. Fuck them, berrou hoje Alberto João Jardim a quem o critica. A nossa sorte, a nossa profunda sorte, é Jaime Ramos não saber falar inglês...
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Alberto João Jardim é doutorado honoris causa pela Universidade de San Cirilio (Itália). A fucking internet não me dá informações sobre tal sítio. Bloody hell, quem me ajuda?

MAIS À FRENTE - MOURA E AMARELEJA

Dois momentos importantes na vida do município. Dois episódios para a história deste mandato autárquico. Duas situações para recordar.
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Sexta à noite reabriu a Sheherazade, agora convertida em espaço multiusos. Começou da melhor forma, com uma magnífica actuação de António Zambujo, um tanto prejudicada por um sector do público algo irrequieto. A noite continuou até de madrugada. Moura ganhou um novo e interessante espaço, que não uma discoteca, num acto ao qual ninguém quis ficar alheio. Apesar das críticas amargas da comissão política local, na hora da verdade até destacados candidatos do PS quiseram marcar presença. Campanha oblige, mesmo se a coerência vai às urtigas...
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O bar foi explorado pela Comissão de Festas de Nossa Senhora do Carmo, que assim obteve um importante apoio para as suas iniciativas futuras.
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Sábado à tarde foi a vez da inauguração no novo Estádio das Cancelinhas, na vila de Amareleja. Torna-se difícil, neste caso particular, explicar a satisfação que se sente ante a promessa cumprida e a concretização de mais um importante equipamento desportivo. A decisão de se avançar com uma radical renovação do velho campo das Cancelinhas data de inícios de 2006 e foi tomada durante uma visita feita ao local. Em três anos realizou-se o projecto, lançou-se a obra a concurso e concluiu-se a empreitada.
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A vila de Amareleja passa a contar com um estádio que fica, antes de mais, ao serviço das centenas de jovens da localidade. É bom sublinhar, por outro lado, que a renovação da zona das Cancelinhas terá continuidade com a construção do Pavilhão Multiusos, cujo projecto já está concluído.
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Ontem à tarde teve lugar a apresentação da equipa senior do Grupo Desportivo Amarelejense.
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Blogue do Grupo Desportivo Amarelejense: http://gdamarelejense.blogspot.com/

LOUÇÃLANDIA

Ouvi esta ontem num dos canais televisivos. Francisco Louçã declarava que "o PS, com a maioria absoluta, podia ter feito o que quisesse".
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Não podia não, Doutor Louçã. Mesmo quando se está numa situação de maioria absoluta impera a necessidade do diálogo e do consenso. E o dever da transparência. Não podemos, nem devemos, fazer o que queremos. Mas compreendo, ainda assim, que na messiânica visão do mundo que Francisco Louçã tem, estas coisas lhe possam passar pela cabeça.
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domingo, 6 de setembro de 2009

MORTADELO Y FILEMON

Carpe diem. Rir é o melhor remédio, depois do desastre da selecção...
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Mortadelo y Filemon é uma dupla criada em Espanha por Francisco Ibáñez, desenhador e humorista catalão (n. 1936). Nunca tiveram grande popularidade deste lado da fronteira, mas foram/são um sucesso de grande dimensão em Espanha, e imagino que também na América Latina. Creio que o humor tipicamente espanhol de F. Ibáñez seja razão suficiente para explicar a escassa divulgação das aventuras de Mortadelo y Filemon em Portugal.
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Durante a infância e a adolescência passava horas perdidas das férias em Madrid ou em Paymogo rindo às gargalhadas com as disparatadas histórias destes quase-super-heróis, que trabalhavam ao serviço du uma agência de informação chamada TIA e que nunca conseguiam terminar as missões de que eram encarregues. Tinham como chefe um senhor a quem chamavam SUPER. Mortadelo tinha a capacidade de se transmutar em qualquer coisa que quisessesse. Filemon era apenas o outro lado do desastre. O João ficava sempre um pouco preocupado com esse prazer solitário e achava que eu não regulava bem.
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A primeira história de Mortadelo y Filemon foi publicada em 20 de Janeiro de 1958.
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E têm página oficial e tudo: http://www.mortadeloyfilemon.com/index2.asp

MATEMATICAMENTE...

É a expressão do dia. Matematicamente ainda podemos ficar em primeiro lugar no grupo. Se ganharmos os jogos todos e a Dinamarca perder este e aquele e o outro é matematicamente possível. Pois...
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Assim sendo, e aqui do alto da Salúquia, proponho o Prof. Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, para seleccionador nacional de futebol. Tem lógica, ou não?
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

CITIZEN KANE

É, talvez, o mais admirado filme da História do Cinema. Em todos os extensos e regulares inquéritos da Sight and Sound aparece como o melhor filme jamais realizado. Não sei quantas vezes o vi e não sei quantas vezes me surpreendi com a maturidade desta obra, realizada aos 26 anos. Nem quantas vezes revi a cena inicial, de uma modernidade e ousadia que o tempo não consegue apagar.
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A maior parte dos artifícios narrativos do cinema moderno estão em Citizen Kane (O mundo a seus pés), obra seminal e definitiva. Escolhi, para partilhar com quem passa aqui pela Avenida, uma das muitas cenas geniais do filme. Em pouco mais de dois minutos temos o correr do tempo por um casamento. Neste prodígio de narrativa, os personagens tornam-se sombrios, o tom de voz muda, os afectos dão lugar à desconfiança e ao rancor. Paira a sombra da traição...
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Citizen Kane foi realizado por Orson Welles (1915-1985) em 1941. Ganhou um oscar, o de melhor argumento. Nada mais. Sem contar as tretas honoríficas foi o primeiro e último prémio que a Academia concedeu a Welles... Ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes com Othello, em 1952. É por essas e por outras que os prémios de Cannes são mais importantes que quaisquer outros.

609

Ontem houve lugar a recorde absoluto de visitas aqui na Avenida da Salúquia: 609. Nada como tocar em temas sensíveis para aguçar a curiosidade.
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Coincidência: ontem foi a dia de uma estreia em termos geográficos. Alguém da Palestina, zona de conflito, passou pela Salúquia. Isso dá-me um bom pretexto para telefonar ao Nimr...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ESPAÇO SHEHERAZADE - UM DESMENTIDO

Fernando Pinto, cidadão de Moura, decidiu enviar um texto para um blogue local de autores anónimos, onde fez afirmações graves e difamatórias. No fundo, tomou a iniciativa de reproduzir uma invenção que corre em certos meios de Moura e segundo a qual a autarquia teria inviabilizado um investimento privado para o Espaço Sheherazade.
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Ante a iminência de consequências sérias viu-se na contingência de um rápido recuo e de um pedido de desculpas ao Dr. José Maria Pós-de-Mina, Presidente da Câmara Municipal de Moura. Como sei que este blogue é lido por muita gente em Moura publico aqui o texto do Fernando Pinto, sublinhando a bold as partes mais significativas:
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Por ser verdade e por solicitação do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Moura, venho por este meio esclarecer que a Câmara Municipal de Moura (CMM), ao contrário do que se consta, não recusou a um privado a aquisição do espaço conhecido como Discoteca Sheherazade para abrir como tal por o referido espaço se encontrar na zona histórica da cidade. Tal pode ser confirmado pela acta nº 16 de dia 18/7/2007 da reunião da CMM em que se refere que sobre o assunto em apreciação, o Presidente propôs que a Câmara não exercesse o direito de preferência sobre o imóvel em causa e que admitisse a viabilidade da concessão do Alvará de Licença de Utilização do mesmo, de acordo com a pretensão do requerente, e que se procedesse a uma avaliação actual do imóvel para registo.

Por aqui, se pode concluir que a CMM não teve interferência na não conclusão do processo e que eu, induzido em erro pelo que se constava na cidade, faltei à verdade na carta por mim redigida ao Sr. Comandante da PSP de Moura e por isso aqui deixo o meu pedido de desculpas.

Em todo o caso, não quero deixar de referir que em minha opinião, a postura da CMM e em prol desta cidade, deveria ter sido a que o Partido Socialista através do Sr. Vereador João Cordovil na referida reunião tomou e que referiu que não lhe parecia coerente ser emitido uma licença, já se sabendo previamente que o Plano de Salvaguarda vai prever a demolição daquele edifício.

Divagando e sem que seja da minha competência, não posso deixar de referir que mais uma vez, penso, que maravilha seria a demolição dos edifícios no referido espaço até às muralhas do Castelo e que ali sim, poderia ser construído um bom parque de estacionamento e um bom parque de merendas. Com toda a certeza que o Centro Histórico desta Cidade agradeceria. (fim de citação)
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Farei os possíveis por esquecer este episódio e as opiniões do Fernando, meu antigo colega da escola primária e meu amigo (embora a atitude que tomou não seja mesmo nada de amigo).

ON PHOTOGRAPHY

Não, não vou falar do célebre ensaio de Susan Sontag.
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Ao levar há dois dias a minha Leica R7 para reparação (uma queda quase me levava a relíquia, comprada em segunda mão há uns bons dez anos por 450 contos) reparei numa prateleira do laboratório onde repousava uma velha Nikon FM2.
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Foi a minha primeira máquina fotográfica - não entra aqui a Ferrania com que fazia as "reportagens" à beira do Ardila - e o primeiro grande trauma da entrada na idade adulta. "Precisam de um bom aparelho", ordenou o Prof. Mendes Atanásio, director do curso de História da Arte. Custava tal coisa, em 1981, a exorbitância de 30 contos (150 euros). E agora? Pedir a massa ao João nem pensar. Ao avô Chico dava-me vergonha e não tinha forma de lhe pagar depois. Salvou-me o Carlos Almeida, estudante de Direito (suponho que é hoje jurista da TAP) e indivíduo com uma lábia de fazer inveja. Convenceu não sei quem a deixar-me ser divulgador da CREDIVERBO.
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Dias depois andava eu de pasta na mão marcando entrevistas aqui e ali, a vender enciclopédias, meias-enciclopédias, quartos de enciclopédia, aulas de inglês e sei lá que mais. Fui expulso da ANA e do Ministério da Educação. Gaguejava, atrapalhava-me e metia os pés pelas mãos. A coisa só não era pior porque, afinal, os materiais da VERBO, eram de boa qualidade. As percentagens proporcionadas aos vendedores eram decentes: 25% nas vendas a crédito, 30% a pronto. Aquilo durou três ou quatro semanas, o que deve significar que, como vendedor, até nem era mau de todo (embora tenha sido o meu mais destestável trabalho)...
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Um amigo trouxe-me dos Estados Unidos uma Nikon FM2, com uma magnífica lente de 50 mmm (1:8). Ainda hoje me acompanha. Competindo com as Leicas M6 e R7 e metendo a um canto a Nikon D70.
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Não gosto muito de remeter para a wikipedia mas, à falta de melhor, aqui vai: http://en.wikipedia.org/wiki/Nikon_FM2

MOURA MAIS À FRENTE - BD

Uma feliz iniciativa de Carlos Rico, desenhador da Câmara de Moura e apaixonado pela BD, teve há dias o reconhecimento da imprensa nacional (Jornal de Notícias). Chamada de capa e uma página sobre o livo dedicado à Lenda da Moura Salúquia. Bravo!
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O livro é uma edição da Câmara Municipal de Moura e faz parte do projecto Moura - 3000 anos de História. Moura mais à frente? Sem dúvida.

CARO PRESIDENTE DA JUNTA DE SAFARA

Caro Presidente da Junta de Safara
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Acompanhei, no decurso dos últimos dias, duas importantes iniciativas que tiveram lugar em Safara. No domingo, estive presente na benção da nova Casa Mortuária; ontem, foi a vez da abertura da Semana Cultural.
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Fiquei particularmente sensibilizado pela forma entusiástica como o meu amigo se referiu ao apoio da Câmara Municipal às iniciativas que têm lugar na freguesia ou aquelas que a Câmara protagoniza. Reconheceu-o, por diversas vezes, nas suas intervenções, chegando a dizer, na cerimónia de domingo que "o apoio da Câmara é fundamental e sem a Câmara não vamos a lado nenhum". Agradeço a sua franqueza e fico, enquanto vereador e enquanto natural do concelho, feliz pelo contributo que, em conjunto com o Presidente e os meus colegas, pude dar a processos como:
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A conclusão do processo do Largo das Ameias;
A conclusão do processo do Largo 25 de Abril;
A conclusão do processo do Centro de Artesanato;
A conclusão do processo da Casa Mortuária.
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Há ainda coisas a fazer? Decerto. É por isso e para isso que aqui estamos. Palavras? Leva-as o vento.
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Um abraço do
Santiago Macias

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ESPLANADA MERCEDES - AMARELEJA

Terminou um longo processo negocial com a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças. Após uma derradeira reunião com o Director-Geral e os Subdirector-Geral do Tesouro e Finanças, que teve lugar em Lisboa, no passado dia 24 de Abril, e após a aceitação do valor de venda (60.000 €, muito abaixo das verbas apontadas em tempos) por parte da Junta de Freguesia de Amareleja, vai ser concretizada a escritura.
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E, assim, a Junta de Freguesia de Amareleja passa a ser proprietária de um espaço que, além de uma forte carga simbólica e sentimental que detém, é uma mais valia para a Amareleja e abre interessantes potencialidades para uso futuro. Fico feliz com a conclusão deste processo e sinto-me grato aos eleitores do concelho que me deram a possibilidade de ser vereador e de integrar um executivo que colaborou com a Amareleja em processos como este.
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Assinale-se a atitude de abertura do Dr. Carlos Durães da Conceição (Director-Geral) e do Dr. José António Barreiro (Subdirector-Geral) no desenvolvimento de processos como os do Convento do Carmo, do terreno da Central Fotovoltaica e, agora, neste da Esplanada Mercedes.
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É um dado (mais um) a reter e a desmentir aquela velha e falsa lenda da incapacidade de negociação e do espírito "intransigente" dos autarcas comunistas.
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MOONRISE

Este nascer da lua, de Ansel Adams (1902-1984), é uma das mais belas fotos do mundo. A imagem foi captada no Novo México em 1948. E dela se desprende, ou será isso que nela vejo, uma enorme melancolia, uma sensação de abandono difícil de traduzir em palavras, acentuada pela presença da morte, vincada nas cruzes do pequeno cemitério. Sempre que olho para a fotografia não consigo deixar de me recordar do poema de Álvaro de Campos que começa com a frase ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra. Ouvi uma vez Jô Soares (sim, esse mesmo!) lê-lo magnificamente num programa da RTP. Numa altura em que os programas tinham um pouco mais do que imbecis a falarem sobre caroços de cerejas.
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Moonrise foi vendida por 609.600 USD. É a 10ª fotografia mais cara do planeta.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

LISBOA II - CENTRAL TEJO

O edifício é esplendoroso e até parece um milagre que tenha resistido. Falo da antiga central que fornecia energia a Lisboa. Hoje, para além de ser um ponto de encontro e de servir de cenário a inúmeros eventos culturais, alberga o Museu da Electricidade. Didáctico, bem montado e bonito. E com entrada livre. Nem por isso havia mais gente a vistá-lo naquela tarde de domingo...
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O Museu da Electricidade também é palco de outras iniciativas. Como o Remade in Portugal. "O Remade in Portugal é um projecto que procura incentivar à criação e desenvolvimento de produtos cuja composição integre uma percentagem de, pelo menos, 50 % de matéria proveniente de processos de reciclagem" (do site do projecto). A exposição, na qual participa Ricardo Desirat da Cunha, da SUGO Design, com os papassacos, encerra no próximo dia 13 de Setembro.
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No meio há ainda lugar para a instalação Jardim do Eden #3, de Joana Vasconcelos. Flores de fibra óptica, PVC, MDF, lycra, micro-motores síncronos, acrílico, vinil, lâmpadas fluorescentes compactas e sistema eléctrico. Isso e um ambiente de penumbra fazem do Jardim do Éden a antítese do que esperaríamos num lugar paradisíaco.
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Do site Rua de Baixo:
Finalmente, desaguamos no “Jardim do Éden”, de Joana Vasconcelos, que a própria descreveu à RDB como sendo “a criação de uma outra dimensão”. Através da utilização de materiais pobres, como flores de plástico normalmente utilizadas na decoração de restaurantes chineses ou restos de tubos de canalização, a autora criou um jardim colorido em fundo completamente negro que recria “uma perfeição aparente, em que tudo é mecânico, falso. Um jardim à noite, eléctrico, completamente oposto a um jardim natural”.
Desenhando um motivo minhoto ao longo de 400 m2 e 600 vasos electrificados, Joana Vasconcelos utiliza matéria de baixo custo, chamando a atenção para o grave estado do mundo em geral e do mundo da arte em particular. A artista consegue transportar quem visita este espaço, relativamente isolado do resto da exposição, para uma atmosfera particular, vagueando “entre o espanto da quantidade e o espanto da delicadeza”, como diz João Pinharanda (curador da exposição para as artes plásticas).
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O Jardim do Éden remete, obrigatoriamente, para a vitória sobre a as trevas, que são a parte mais visível da instalação de Joana Vasconcelos. Podemos tentar uma leitura subliminar a partir da Bíblia: Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. (Genesis 1:16); esta parte é antes do pecado original, para quem estiver interessado no tema.
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Central Tejo numa fotografia antiga (em cima) e Jardim do Éden (em baixo)

Sites a ver:

www.joanavasconcelos.com (site da artista)

www.remadeinportugal.pt (site do projecto)

www.sugodesign.pt (site da SUGO)