segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE IV: PERGOLESI

Chamava-se Giovanni Battista Pergolesi e nasceu em Jesi, perto da costa do Adriático, faz hoje 300 anos. Foi o programa da manhã de hoje na Antena 2 que me recordou o facto. Pergolesi faleceu aos 26 anos, vítima de tuberculose. A tempo, contudo, de produzir uma obra vasta e notável, onde se destaca o Stabat Mater, datado de 1736.
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A paixão por esta peça é antiga. Na falta de conhecimentos musicais comprei uma versão que me pareceu adequada. O meu amigo Francisco Motta Veiga dir-me-ia depois "as vozes delas são magníficas, mas não se adaptam ao repertório barroco tão bem como a outros". Vivendo e aprendendo.
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Aqui fica, em homenagem ao génio de Pergolesi, a versão que me foi aconselhada: Michael Chance (contratenor), Gillian Fisher (soprano) e o King's Consort, com Robert King a dirigir.

domingo, 3 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE III: FUGA DE PENICHE

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Faz hoje 50 anos que um grupo de patriotas, militantes do Partido Comunista Português, se evadiu do Forte de Peniche. Integravam-no, entre outros, Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Miguel e Francisco Martins Rodrigues (este último natural de Moura). É um importante episódio da luta contra o fascismo, que as gerações mais jovens ignoram por completo. Não participou na fuga, por decisão própria, António Borges Coelho (um relato dos anos de Peniche está incluído no livro Historiador em discurso directo, que a Câmara Muncipal de Mértola editou em 2003).
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Num país que lida mal com a memória, e com o passado, o Forte de Peniche vai acabar como pousada de luxo (idêntico destino está reservado à sede da antiga polícia política, em Lisboa), sem que se saiba ao certo o que se vai passar com zonas simbólicas de um local que foi, ao mesmo tempo, espaço de sofrimento e de resistência. Os curros do Aljube, em Lisboa, são apenas uma referência e uma recordação dos que por lá penaram às mãos da PIDE. E assim vão, aos poucos, desaparecendo os símbolos da luta contra a ditadura. Lamenta-se que assim seja, porque é assim que se branqueia o passado e se ilibam os culpados da repressão. É a nossa alma português suave, naquilo que de pior tem.
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Álvaro Cunhal não mais voltaria a ser preso. Regressou a Portugal depois do 25 de Abril. Aqui o vemos, nesta extraordinária fotografia de Guy LeQuerrec, feita durante um comício em Pias e datada de 27 de Julho de 1974. No lado direito da imagem está António Pós-de-Mina, dirigente local do PCP.
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sábado, 2 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE II: 2 DE JANEIRO DE 1998

Faz hoje 12 anos. Mas se não fosse um amigo recordar-me esse facto não me lembraria da data. Em 2 de Janeiro de 1998, o José Maria Pós-de-Mina tomou posse como presidente da Câmara de Moura, eu fui eleito presidente da Assembleia Municipal. Foi o início de um percurso que se mantém. E ainda bem, porque, entre teorias, hipóteses e estudos, muitas oportunidades teriam passado ao lado do concelho de Moura. Os próximos anos serão de consolidação. Daqui a uns tempos falamos.
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150.17

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150.17 - era essa a cota das águas na barragem de Alqueva às 10 horas de ontem. Ou seja, estamos perante o máximo armazenamento até hoje conseguido, e desde o fecho das comportas. A água acumulada equivale a 91% da capacidade da barragem.
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Gostava que dessem agora um passo em frente todos os teóricos que, munidos de estudos irrefutáveis, garantiam que a barragem nunca iria encher.
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Falta ainda cumprirem-se as expectativas de desenvolvimento que se criaram em torno de Alqueva. Tenho as maiores e mais fundadas dúvidas. Sobretudo depois de tudo o que assisti durante a fase de discussão do POAAP.
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Veja-se, embora os dados se reportem a dia 30 de Dezembro, o site da EDIA: www.edia.pt

EFEMÉRIDE I: FAUSTO COPPI

Faz hoje 50 anos que morreu o ciclista italiano Fausto Coppi (1919-1960). O seu palmarés de vitórias foi vasto, mas caberá aí destaque para a conquista do Giro (5 vezes: 1940, 1947, 1949, 1952, 1953), do Tour (2 vezes: 1949 e 1952) e do Campeonato do Mundo (1953). Faleceu vítima de malária, depois de uma deslocação ao Burkina Faso.
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É evidente que nunca vi correr Fausto Coppi e as imagens hoje disponíveis não chegam para dar a real dimensão da sua carreira. O mito em torno do seu nome, e o entusiasmo com que o meu pai sempre se lhe referia, são-me suficientes.
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Não sei se foi escrito algum poema sobre Fausto Coppi. Ruy Belo, contudo, deixou-nos bonitas palavras sobre o grande José Maria Nicolau (1908-1969).
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Na morte de Nicolau
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José maria nicolau fugiu. Quem o apanha?
Nunca ele pedalou tanto como agora
Decerto vai chegar antes da hora
A etapa era decisiva e está ganha
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Ele que várias vezes deu a volta a portugal
deu desta vez a volta a quê? Talvez à vida
A alguns anos já da primeira partida
fugiu. Tudo se torna agora mais real
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Que média fez num terreno tão mau
E tudo serra custa muito subi-la
Deixem que eu vista a camisola amarela
ao grande corredor josé maria nicolau

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

UM COMEÇO A SUBIR

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O ano é começado a subir, com a melhor posição de sempre: lugar nº 245 entre 2089 blogues registados aqui. Apesar de alguns choques durante o ano passado, estou em melhor estado que o Volvo.

HOMENAGEM

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No ano passado, teve lugar em Moura uma pouco vulgar homenagem, que aqui quero relembrar, neste início de ano.
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Trata-se de um pequeno monumento, que inclui os nomes de todos os naturais do concelho de Moura que faleceram na Guerra Colonial. Não é aqui o lugar para uma reflexão sobre as guerras em África ou sobre as feridas ainda em aberto. Mas registei com orgulho o facto da Câmara de Moura ter sido uma das raras (não conheço outro caso, mas admito que exista) a homenagear os seus naturais falecidos nas terras da Guiné-Bissau, de Angola e de Moçambique.
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Há sempre ali flores, que mão anónima deposita com regularidade. É, para mim, o aspecto mais significativo e comovente desta homenagem.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FOI ASSIM...

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Agora, que o ano se esfuma, é altura de deitar contas à vida. Não só as do ano de 2009, mas as do mandato 2005-2009. Ao fim e ao cabo, e exceptuando o breve, e dispensável, percurso pela Universidade do Algarve, os últimos quatro anos foram passados à volta de Moura. Com uma intensidade que, de início, não imaginaria.

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Em todo o caso, é interessante rever o tempo que passou e como o mesmo foi utilizado. O que se seguida se apresenta não é um balanço (longe disso, até porque há domínios nos quais não tive intervenção directa) nem representa o meu trabalho enquanto vereador. Tudo o que foi concretizado foi feito por uma equipa e em torno de um projecto político. Foi também por isso que aceitei continuar. E isso aconteceu no dia em que me apercebi que, esteja eu onde estiver, há sempre uma parte de mim que está em Moura.

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Fora desta listagem, essencialmente feita em torno da componente obra/projectos, fica todo o trabalho de apoio ao movimento associativo, todo o empenho na área educativa ou no domínio das iniciativas culturais. Listei, quase só de memória, cerca de oito dezenas de iniciativas. Dentro de um dia ou dois o José Maria vai-me telefonar a dizer "esqueceste-te disto e daquilo etc.". Aditarei, com todo o prazer.

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Aqui vai um resumo dos tempos recentes:

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Açude de Santa Marina – reparação e reconstrução

Adro da Igreja (Santo Aleixo) – requalificação e instalação de um novo sistema de iluminação

Alcáçova do Castelo de Moura – requalificação

Antigo Edifício da Moagem (Safara) – obras de remodelação

Antigo matadouro municipal e área envolvente – lançamento do concurso e desenvolvimento do projecto (em curso)

Barranco de Vale de Juncos (Amareleja) – realização do projecto de requalificação

Biblioteca Municipal – concurso e realização do projecto

Biblioteca (pólo do Sobral da Adiça) – conclusão do processo

Campo de Jogos das Cancelinhas (Amareleja) – renovação

Casa Mortuária (Safara) – realização do projecto e apoio às obras

Casa Mortuária (Santo Aleixo) – realização do projecto e apoio às obras

Castelo de Moura: aprovação dos projectos e lançamento a concurso do posto de recepção ao turista

Cemitério de Moura – realização do projecto (em curso)

Central Fotovoltaica (Amareleja) – realização de plano de pormneor, de plano de urbanização, acompanhamento e licenciamento das duas fases do projecto

Centro Cultural (Santo Amador) – empreitada de conclusão das obras

Centro Histórico de Moura - parcerias para a regeneração urbana – apresentação do projecto e assinatura de acordo de financiamento com a CCDRA

Convento do Carmo de Moura – negociação do processo de cedência

Convento do Castelo – consolidação e reforço estrutural

Creche (Amareleja) – apoio técnico e financeiro ao processo

Criação de páginas web temáticas (feiras e turismo)

Edifício dos Quartéis – conclusão do projecto e lançamento da empreitada de remodelação

Edifício dos Quartéis – reconversão da cobertura

Eixo comercial de Moura – obras de requalificação

Escola da Porta Nova – remodelação

Escola (Santo Aleixo) – realização do projecto

Escola do Fojo – remodelação

Escola Primária (Santo Amador) – obra de requalificação

Espaço Sheherazade – aquisição e requalificação

Esplanada Mercedes (Amareleja) – condução e concretização do processo negocial

Fundo de Apoio às Micro-Empresas – dinamização do processo

Fundo Social (associado ao processo das energias renováveis) – criação e dinamização

Galeria Municipal e Conservatório - remodelação

Gargalão (Sobral) – abertura de novo furo

Horta das Borralhas – arranjo do espaço exterior

Horta de S. Francisco – processo de regularização e criação de loteamento

Igreja de S. Francisco – realização do projecto de reabilitação e lançamento do concurso

Igreja do Espírito Santo – aquisição do imóvel e realização do projecto

Jardim das Oliveiras – realização do projecto e lançamento do concurso

Laboratório de apoio à Estação da Fonte da Telha – realização do projecto e da obra

Largo da Igreja (Safara) – obras de beneficiação

Largo das Ameias (Safara) – obras de beneficiação

Largo do Regato e zona circundante (Amareleja) – projecto concluído

LÓGICA - criação da empresa municipal de gestão do parque tecnológico

Loteamento do Mourasol – repavimentação

Ludoteca e delegação da Câmara Municipal (Amareleja) – obras de beneficiação

Moura: 3000 anos de História – apresentação de projecto e assinatura de acordo de financiamento com o ITP

Mouraria – projecto de reabilitação (em curso)

Mourasol – acesso pedonal

Museu Alberto Gordillo – reabilitação do edifício do antigo quartel dos bomebeiros

Parque de feiras e exposições – lançamento da empreitada e realização das obras

Pátio dos Rolins – conclusão do projecto e realização da 1ª fase da obra

Pavilhão Gimnodesportivo – requalificação

Pavilhão multiusos nas Cancelinhas (Amareleja) – concurso e realização do projecto

PDM de Moura – continuação do processo de revisão

Plano de Pormenor da Aldeia da Estrela – em fase de conclusão

Plano de Pormenor da UP 1 de Santo Amador – em fase de conclusão

Plano de Pormenor da UP 2 de Moura – conclusão e aprovação

Plano de Salvaguarda do Centro Histórico de Moura – alteração e simplificação do regulamento

Plano de Urbanização da Póvoa – em curso

Posto de saúde (Santo Amador) – conclusão do projecto e apoio às obras

Programa de Apoio às Actividades Tradicionais – criação e dinamização

Quinta de Santa Justa – alteração ao loteamento

Quintalão do Padre (Santo Amador) – realização do projecto de arranjos exteriores

Rede de águas e esgotos de Moura – realização das obras da 1ª fase

Rede de águas e esgotos do Sobral – conclusão do projecto e lançamento do concurso da 1ª fase da obra

Rede ECOS – liderança do processo

Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação – criação e início da aplicação

Regulamento de Taxas Municipais - revisão

Ribeira da Perna Seca (Sobral) – conclusão do projecto e preparação do lançamento do concurso

Rua da Igreja (Santo Aleixo) – requalificação urbanística

Salúquia – requalificação urbana do largo e vias circundantes

Terrenos do antigo aeródromo – negociação do processo de cedência

Terrenos – diversos processos de aquisição, tendo sobretudo em vista a implementação de projectos

UP 3 de Moura – elaboração de plano de urbanização (em curso)

UP 11 de Moura – desenvolvimento do plano de urbanização

UP 11 de Moura – construção de infra-estruturas e arruamentos

UP 4 (zona industrial de Amareleja) – lançamento do concurso

Zona dos Quartéis – processo de regularização e criação de loteamento (1ª fase concluída)

Zona dos Quartéis – realização do projecto de arranjos exteriores (em fase de conclusão)

Zona Industrial de Moura – alteração ao regulamento e ao programa

Zona Industrial de Moura – lançamento da empreitada da 2ª fase (loteamento B)

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Com quem temos trabalhado? Com nomes e equipas como o Ateliermob, Eugénio Castro Caldas, Francisco Caldeira Cabral, Intuição, Manuel Graça Dias e Egas Vieira, Maria João Pinto-Coelho, Nuno Ribeiro Lopes, Oficina de Arquitectura, Pedro Guilherme e Sofia Salema, PROAP, Terraculta, TVM Designers, Ventura Trindade, Vitor Mestre e Sofia Aleixo, Vitor Vajão etc.

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Perdoe-se-me a franqueza mas, repetindo o que já aqui disse em tempos, o "resto" são as coisas que tenho todo o prazer em deixar para os nossos pequenos Josés Mourinhos de bancada.

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Bom ano a todos ! (com ponto de exclamação e tudo!)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

GENERATION GAP

Tive há dias, ao vivo, um exemplo evidente do que é o conflito de gerações. Ouvia músicas dos Clash quando o Manuel, trinta anos mais novo que eu, se surpreendeu: "Olha, tu sabes quem são os Clash...". Na verdade, eu é que fiquei surpreendido por um adolescente dos nossos dias conhecer o grupo. E gostar. É esta a parte boa do conflito de gerações.
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Sempre gostei do estilo punk politicamente comprometido dos Clash. Este Spanish bombs tem uma fibra notável, se descontarmos o facto de Joe Strummer pronunciar as palavras em espanhol de um modo absolutamente aviltante. É bom terminar o ano com um som marcadamente político e desordenadamente à esquerda. A luta continua, e continuará sempre. É isso que nos ensinam os putos que vão todos os anos à Festa do "Avante!". É uma esquerda hardcore e diferente da minha. Mas é, com todo o seu acne, mais estimulante que a minha.
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Há um cantinho especial no meu coração para os Sex Pistols, para os Stranglers - não me refiro aquela sopa morna do Golden brown... - ou para os Bad Brains, que no sossego dos meus 16-17 anos me pareciam (e eram!) infinitamente superiores aquela coisa sonolenta do rock sinfónico, hoje remetido a um mais que merecido jazigo.
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Vivam os Clash! Viva a Esquerda! Viva 2010!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

SOBRAL DA ADIÇA

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Reproduzo o texto que publiquei aqui no blogue há menos de três meses. A situação voltou a repetir-se um par de vezes, hoje com especial gravidade.
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O que há de diferente desde então?
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1. Apresentámos à Assembleia Municipal (e obtivémos a aprovação por parte deste orgão) um pedido de autorização para contrair um empréstimo para a realização de diversas obras, entre as quais a da Ribeira da Perna Seca;
2. Não estamos a falar de hipóteses ou de conjecturas, mas daquilo que vai acontecer, de facto
3. A obra já não será realizada faseadamente mas de uma vez só.
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Do ponto de vista político, as coisas fazem-se assim. Os compromissos que se assumem perante as populações são para serem passados à prática. Aguardo, com inusitada expectativa, para ver qual a reacção e o que vão agora fazer os orgãos e os representantes do nosso bem-amado governo.
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

SOBRAL DA ADIÇA: A VERDADE DA VERDADE
Perguntava-me há pouco uma sobralense se eu iria colocar um texto no blogue sobre os acontecimentos de ontem no Sobral da Adiça. É que o que está a passar em alguma comunicação social reflecte apenas uma parte da realidade.
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Respondi-lhe que sim, por várias razões:
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a) Pela gravidade dos acontecimentos da manhã de ontem;
b) Por ser autarca e por ter tido na minha dependência directa, enquanto vereador da Câmara Municipal de Moura, o dossiê do projecto da Ribeira da Perna Seca;
c) Por não temer a verdade e gostar de falar claro;
d) Para poder desafiar os especialistas em coisa nenhuma a desmentirem uma só afirmação deste texto.
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É esta a verdade sobre a Ribeira da Perna Seca:
1. Boa parte das construções da zona junto à ribeira foram construídas em leito de cheia;
2. A própria ribeira viu o seu espaço preenchido por edificações (isso pode ser constatado ao olhar para uma das pontes, cujos arcos estão hoje obstruídos pelas margens);
3. A terrível cheia de 5 de Novembro de 1997 foi um alerta importante em relação aos riscos que corre a zona baixa do Sobral;
4. À boa maneira portuguesa, rapidamente o governo se descartou, legislando (essa palavra tão cara aos burocratas e aos profissionais de coisa nenhuma) e passando a responsabilidade das obras nas margens das ribeiras para as câmara municipais e, pasme-se, para os proprietários dos terrenos confinantes com as ribeiras;
5. A Câmara Municipal de Moura tomou a seu cargo a responsabilidade de executar o projecto das obras da Ribeira da Perna Seca, processo que, depois de vencidas todas as dificuldades, foi finalmente aprovado em Fevereiro de 2008;
6. As obras previstas têm um custo global (preços de inícios de 2008) de 2.545.200 €;
7. Antes e depois disso fez a Câmara Municipal inúmeros contactos com as mais diversas entidades (CCDRA, Instituto da Água, Protecção Civil, Administração da Região Hidrográfica do Alentejo) no sentido de serem encontrados meios que permitissem a uma autarquia com meios limitados, como a nossa, ultrapassar este problema;
8. A proposta da Câmara de Moura é simples e qualquer pessoa com um mínimo de dicernimento a subscreverá: é necessário que o Governo (sim, o Governo!) participe directamente na resolução do problema e é importante que a Câmara de Moura financie parte das obras;
9. Os princípios de solidariedade entre as instituições devem funcionar e é obrigatório que o Governo tenha uma participação directa na resolução deste problema;
10. Até à data todas as entidades nos bateram com a porta na cara;
11. Tenho nas minhas pastas documentação que prova o que estou a dizer;
12. A última reunião sobre esta matéria teve lugar na Câmara de Moura no passado dia 3 de Junho (a Administração da Região Hidrográfica do Alentejo fez saber, na véspera, que não iria estar presente);
13. Ao longo dos últimos anos o Partido Ecologista "Os Verdes" (que integra a CDU) apresentou na Assembleia da República propostas para o Governo inscrever no orçamento uma verba necessária à concretização das obras;
14. O PSD, primeiro, e o PS, depois votaram contra;
15. Melhor dizendo, o PS votou a favor quando estava na oposição e depois votou contra quando já estava no poder;
16. Ainda hoje estou para perceber porquê;
17. Objectivamente falando, nem o PS nem o PSD ajudaram à resolução do problema;
18. Ontem, voltaram a verificar-se problemas no Sobral da Adiça;
19. Tínhamos, há alguns dias e antes das cheias de ontem, afirmado perante a população do Sobral que, se o Governo de Portugal continuasse a manifestar indisponibilidade para apoiar a intervenção, iríamos tomá-la à nossa responsabilidade, ainda que de forma faseada e tendo em conta a dimensão do investimento que a obra comporta;
20. É isso que iremos fazer de seguida, ainda que se lamente que o Governo do PS continue de costas voltadas para o problema. Não desistiremos também de obter junto das entidades competentes a compensação financeira que um investimento desta importância justifica.

DJENNE

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Quando dei o dinheiro a este senhor fiquei convencido, ingenuidade minha, que estava a adquirir o direito de entrada no topo da mesquita de Djenne, no Mali. Na realidade, o local é tão interdito a não muçulmanos como o interior da própria mesquita. Fiquei muito pouco à vontade com a situação. O meu improvisado guia nem por isso. Fez questão de posar para a minha Leica repetidas vezes.
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Este post vem no seguimento de um outro e destina-se a uma velha e querida amiga que diz que só fotografo luzes e sombras na parede...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA

Foi um choque difícil de explicar. O homem já meio grisalho que saía pesadamente do armazém era o mesmo puto de quem me despedira há 17 ou 18 anos dizendo descuidadamente "ligo-te prá semana, ou então liga-me tu". Nenhum de nós ligou. Até há duas semanas.
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A vida do Jorge tornou-se igual a tantas outras vidas de subúrbio. Levantar às 6, sair de casa às 7, chegar a Setúbal às 8, trabalhar 12 horas ("neste ramo é assim, se mudar fico igual ou pior"), voltar às 10, passar pela casa dos pais, que estão velhotes, deitar à meia-noite. Um ano após outro, desde há muitos, muitos anos. "Chego a casa rebentado, nem há pachorra para os miúdos. Ao domingo não me apetece nada nem ir a lado nenhum".
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Ao menos no ramo em que trabalhas viaja-se, atirei eu. "Nem penses, cada vez tenho menos vontade de sair de Portugal. Nas últimas duas vezes fui detido pelas polícias de fronteira. Em Londres e em Hamburgo". O cruzamento de sangue africano e europeu deram ao Jorge um ar estranho às latitudes nórdicas. "Confundem-me sempre com um árabe. Perguntam se sou do Egipto ou do Iraque. Depois chateiam. Não volto a sair".
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A gargalha estridente de outros tempos - que divertiam a Teresa, com quem casou e com quem vive até hoje - deu lugar a um sorriso um pouco sombrio. Talvez seja difícil escapar a um sorriso sombrio quase se passam, entre Queluz e Setúbal, 124 quilómetros, um dia após outro, de segunda a sábado. Um mês a seguir a outro mês, um ano atrás de outro ano.
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Não falámos, desta vez, dos discos. O Jorge tinha uma colecção notável. Salsa, reggae, ska, merengue, samba, mornas, coladeras, funanás, zouk, os sons do Congo, mais os da Angola natal. Ouvíamos isso tudo de enfiada, entremeado pelas cervejas que emborcávamos, com método e rigor, no Burladero, o bar do rés-do-chão lá do prédio. Ainda guardámos espaço para uma discordância em torno de boleros como Dos gardenias ou Esperame en el cielo, que o Jorge ouvia com um encolher de ombros e que eu amava profundamente.
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"Telefona quando voltares a Lisboa. Almoçamos lá em casa os quatro mais os miúdos. Assim de certeza que não temos sossego". Por uma vez riu-se como há muitos anos. Entrou de novo no armazém e voltou ao trabalho. Hora após hora, papéis e mais papéis, um dia e outro, um mês e outro, sempre sem parar.
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Fiquei sozinho e em silêncio no meio do parque de estacionamento do armazém, tentando recuperar a memória de um Jorge que tinha desaparecido. Em tempos tínhamos combinado que iríamos passar férias a Cabo Verde, talvez a S. Vicente, e beberíamos grogue num qualquer boteco da Avenida Marginal do Mindelo. Talvez sim, um dia destes, se não nos pusermos à espera que o tempo passe e que corram mais 17 ou 18 anos, até que o tempo tome de vez conta de nós.
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Os murais que Diego Rivera (1886-1957) pintou no início da década de 30 para a indústria automóvel de Detroit (estão hoje no Detroit Institute of Arts) expressam bem a ideia do homem-máquina. O texto que acima publiquei foi originalmente editado em A Planície (15.2.2006).

domingo, 27 de dezembro de 2009

IBN SARA

PASSEIO DE BARCO AO PÔR-DO-SOL
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Imagina a nossa situação quando a aragem
nos mostra a face a distender-se
e o sol começa a ensombrar-se.
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Leva-nos uma barca como virgem prenha,
a vela empurrada por ligeira brisa
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sobre um rio semelhante ao espelho que tem a pureza do paraíso
e que reflecte o semblante impertinente do céu.
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O dia foi passado entre catálogos, textos e esquiços, com o fito de encontrar uma ideia coerente para a exposição de Silves. Acho que, ao cabo de oito horas, consegui qualquer coisa razoável. De vez em quando, desviava o olhar para as páginas de poesia do "Portugal na Espanha Árabe". Para isso contribuiu, também, o telefonema que o seu autor, António Borges Coelho, me fez no passado dia 22. Falámos longamente de muitas coisas. Incluindo do projecto de Silves. Os textos de Ibn Sara, grande poeta de Santarém (séculos XI-XII) ajudaram-me bastante a encontrar o caminho e definir uma ideia para o que a exposição poderá vir a ser.
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Pontuar o poema de Ibn Sara com o célebre Carnaval de Arlequim (1924-25), de Joan Miró (1893-1983) parecerá um pouco absurdo. Mas a verdade é que a fantasia, o jogo e o onirismo têm tudo a ver com poesia. E não se faz História sem poesia nem fantasia.

SACUDIR OS MUSEUS DO CAPOTE

A recente hipótese de passagem de alguns museus nacionais para a tutela das autarquias é, no mínimo, arrepiante. Num país ainda assombrado pelo modelo cultural de António Ferro, a tentação de entregar museus nacionais a câmaras municipais, muitas delas com escasso interesse na matéria, é não só um perigo mas pode ser também um atentado ao património cultural do país.
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Sou testemunha, a nível local, de várias peripécias do género. Muito recentemente, um eleito pelo PS na Assembleia Municipal de Moura questionava o dispêndio de dois milhões de euros na adaptação de um edifício para Museu Municipal. O argumento era/é falacioso, uma vez que estamos a falar de uma reabilitação urbana, que vai muito para além do museu em si. O aspecto preocupante é a apurada sensibilidade de pessoas assim para questões cruciais da nossa memória colectiva...
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Onde está o top menos dos museus nacionais?
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1. Museu Abade de Baçal, Bragança - 5595 visitantes
2. Museu da Guarda, Guarda - 6374 visitantes
3. Museu de Etnologia, Lisboa - 9505 visitantes
4. Museu Dr. Joaquim Manso, Nazaré - 9814 visitantes
5. Museu da Cerâmica, Caldas da Rainha - 9838 visitantes
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Poderão invocar-se mil e um motivos. Poderá a ministra da cultura invocar a sua experiência nos Açores para sugerir este modelo de transferências. De momento ficamos na dúvida. Ou a ideia foi mal explicada do ponto de vista político ou vai ficar, mais uma vez, a ideia que isto da cultura e do património é uma maçada pegada e o melhor é vermo-nos livres deste empecilho e de tão dispendioso fardo. E que dirá de tudo isto o novo director do IMC?
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Vejam, enquanto é tempo, a página web do Instituto dos Museus e da Conservação: http://www.imc-ip.pt/
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Painéis de S. Vicente - século XV (Museu Nacional de Arte Antiga)
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Um colega meu de estudos, hoje professor universitário, foi testemunha presencial do episódio que se segue, ocorrido durante a 17ª Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura, em 1983:
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Um nutrido grupo de deputados visitava a exposição patente no Museu Nacional de Arte Antiga, conduzido pelo respectivo comissário, o Prof. Jorge Borges de Macedo. A atenção dada ao guia era mínima. A páginas tantas, e depois de terem passado pelos Painéis de S. Vicente, junto aos quais o meu amigo se encontrava, trava-se o seguinte diálogo:
Deputado 1 para o deputado 2 - "Isto são os painéis do quantos, pá?"
Deputado 2 - "Eh, pá, não tenho a certeza, mas aqui o [F.] deve ter ouvido o nome do gajo. Ó [F.], quem foi que pintou isto?"
Deputado 3 - "Não tenho a certeza, mas acho que foi o Gil Vicente..."
Deputados 1 e 2 (em coro) - "Ahhh, é isso."
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Eis um episódio que se poderia repetir, 26 anos depois. Quem duvida?

VOTOS FRACTURANTES

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Os referendos em Portugal não têm um passado brilhante. E arriscam um futuro ainda menos auspicioso. Foram feitos três: dois sobre a despenalização do aborto (interrupção voluntária da gravidez, em linguagem mais soft), em 1998 e em 2007; um sobre a regionalização, em 1998. Nenhum deles chegou aos 50% de participação. Com a vitória do sim em 2007, o tema ficou arrumado. A não ser que os partidários do "não" possam requerer nova consulta. Têm toda a legitimidade política para o fazer, creio eu.
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As posições da esquerda sobre o tema são, com frequência, erráticas. Umas vezes reclama-se pelo direito à consulta popular, noutros casos reclama-se pelo voto na Assembleia da República. A cena agora repete-se: o PCP e o Bloco de Esquerda reclamaram, com veemência, a realização de um referendo ao Tratado de Lisboa. Vão agora, em conjunto com o PS, bloquear a iniciativa referendária a propósito entre pessoas do mesmo sexo. Estas rápidas trocas de flanco, à Chalana, não ajudam muito a credibilizar o debate político. E são, nas suas subtilezas, nomeadamente as de cariz técnico-jurídico, de difícil leitura pela maioria do eleitorado (eu incluído).
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O voto é secreto, mas aqui vai:
Votei a favor da despenalização da IVG;
Não me lembro como votei a respeito da regionalização, mas sinto-me fortemente inclinado para o "não" numa próxima consulta;
Votaria sim em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

BOW TIE

Está encerrada a saison. Uf! Sobrevivemos, mais ou menos incólumes, ao consumismo habitual da quadra. Uma velha amiga ofereceu-me um bonito laço vermelho, que se vai juntar à pequena colecção que tenho em casa e que uso com regularidade.
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O parágrafo seguinte é destinado, quase em exclusivo, aos amigos do concelho de Moura: o hábito de usar laço, de preferência à gravata, tem raízes antigas. Há semanas, e durante trabalhos de arqueologia doméstica, fui desencantar a fotografia de baixo. Data de 1968 e foi feita no átrio da Escola Industrial, onde a minha mãe trabalhava. À esquerda (já então!) está o autor do blogue, de lacinho vermelho com bolinhas brancas. A jovem pouco atenta ao fotógrafo é a minha irmã Júlia.
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Como costuma dizer a velha amiga que me ofereceu o laço: "podia dar-te para pior...".
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Os bons endereços para comprar laços são americanos (hélas!, eles têm muita coisa boa naquela terra...). Este veio da R. Hanauer: www.bowties.com

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

ARQUEOLOGIA COLONIAL

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As autoridades alemãs recusaram devolver o antigo busto da rainha Nefertiti ao Egipto, alegando que é demasiado frágil para ser transportado. (no "Público" on-line de ontem).
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Já vi desculpas mais consistentes... Somem-se a esta recusa as dos outros grandes museus do Ocidente em devolverem as peças aos seus países de origem. E muitas das colecções museológicas das antigas potências coloniais foram obtidas com base no mais puro saque. O drama é esse. Se as devoluções tiverem lugar os museus imperiais de França, da Alemanha ou do Reino Unido terão muitas salas esvaziadas. Alguém acha que isso acontecerá, de facto?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

POR TEMPO INDETERMINADO

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Fui hoje chamado à secção de pessoal da Câmara de Mértola para assinar o meu novo contrato. Contrato por tempo indeterminado, assim reza o papelucho. 23 anos depois de ter entrado para a Função Pública, milhares de horas de trabalho mais tarde, um mestrado e um doutoramento feitos enquanto funcionário público, tenho "direito" a este contrato. Os que entram agora no "emprego público", nem isso. E Deo Gratias, que isto está mau. Burocratizou-se e criaram-se dificuldades. Sob a capa da transparência - nunca leram Eça que escreveu "sobre a nudez forte da verdade – o manto diáfano da fantasia" - tornaram as carreiras num labirinto à mercê das subserviências. A minha carreira tem 14 posições. Estou na 10ª. Se tiver sempre muito a classificação de "Muito Bom" chegarei ao topo aos 66 anos. Objectiva e sinceramente falando, nesta altura estou-me marimbando para o assunto.
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No meio de tudo isto, e enquanto os nossos supostos socialistas não derem cabo, de vez, com a Função Pública, fica-nos aquela relíquia da lei actual, chamada opção gestionária. O que é uma forma requintada e subtil de dizer que a nossa vida está nas mãos do chefe. Ou seja, o chefe escolhe, propõe e decide. Os subalternos que se cuidem...
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Comecei, a partir de hoje, a contar os dias para a partida. Não para a reforma, palavra que abomino, mas para a partida. Há muito que decidi que um dia assim será. Para sul ou para oriente, que tenho a bússola avariada.

CONFISSÃO NA CIDADE ETERNA


Este sketch do filme "Noite na Terra" (1991), de Jim Jarmusch, inclui um padre e algo semelhante a uma confissão. Isso não faz dele, contudo, um filme religioso.
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A figura do taxista é interpretada, de forma genial, por Roberto Benigni. O excerto que aqui apresento é a parte mais hard do sketch. Benigni, no meio das suas voltas nocturnas por Roma, durante as quais tem tiradas filosóficas que valem todo o filme, apanha um padre. Ao qual resolve confessar as suas iniciações sexuais. O monólogo mete abóboras e uma ovelhinha.
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O filme de Jarmusch comete uma proeza engraçada: encena cada um dos cinco sketchs ao ritmo da cinematografia "local". A história nova-iorquina é trepidante e inclui uma perseguição, a romana é histriónica, a nórdica tem laivos existencialistas. E por aí fora.
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"Noite na terra" é, também, um filme de citações cinematográficas. A história da ovelhinha tem raízes num sketch hilariante do filme "Vejo tudo nu" (1969) de Dino Risi. Refiro-me, para quem disso se recordar, à cena do julgamento, durante a qual Nino Manfredi explica ao juiz o apelo sexual que sobre ele exercia uma determinada galinha. Desgraçadamente, toda essa geração de comediantes desapareceu sem, Benigni à parte, deixar sucessores à altura.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O INVERNO DO NOSSO CONTENTAMENTO

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E Pedro Santana Lopes acaba de salvar o PSD. E de salvar o nosso Inverno. Oh, se acaba. Aquela ideia de extinguir a eleição directa do líder e se voltar à eleição dramatizada num congresso é um achado. Oh, se é. Desde que a ideia vingue, bem entendido. Vou voltar a ver os congressos do PSD em directo na TV. Os congressos do PSD têm tragédia e sangue. Têm coros e desfiles. Têm eternas declarações de amor, que logo se tornam traição. Oscilamos entre a Tosca e o Tide. Porque o partido é inter-classista, e tem tanto de Cascais como de Vinhais. Os congressos do PSD têm procissões elaboradas, como na Odisseia de Homero, e há neles homens semelhantes a deuses. Afinem-se os instrumentos, revejam-se as partituras, confiram-se os cenários. Preparem-se todos, que o pano está prestes a subir.
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Pedro Santana Lopes bem pode vir à boca de cena e proclamar, qual Ricardo III, Now is the winter of our discontent, made glorious summer by this sun of York.

SILVES - II

O desafio é interessante. Fui convidado pela Câmara Municipal de Silves, e aceitei, ser o comissário científico de uma exposição sobre o Garb al-Andalus, a inaugurar, no próximo dia 18 de Maio, na Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica de Silves (v. fotografia). O tempo é curto, mas estou certo que, depois de definidas as linhas mestras do projecto, será possível levá-lo a cabo. Com eficácia, qualidade expositiva e, bem entendido, com a necessária contenção orçamental. Na próxima reunião, prevista para 5 de Janeiro, uma proposta base terá de estar definida e pronta a ser discutida. É esse trabalho que vai ocupar as noites da quadra natalícia. Há coisas piores na vida.
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O antigo matadouro da cidade foi reabilitado pela autarquia, segundo o projecto delineado pelo arq. José Alberto Alegria. É um espaço agradável, onde salas e pátios dão mais sentido à palavra Mediterrâneo.
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Fotografia: Silvestre Raposo

SILVES - I

Começaram a circular nos últimos dias diversos textos sobre o risco (real) de encerramento do Museu da Cortiça, em Silves. O último que recebi, do Manuel Castelo Ramos, director do museu, deu-me a real e séria dimensão do problema.
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Transcrevo um excerto:
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"Como provavelmente já leram nos media ou já vos informaram, a Fábrica do Inglês em Silves, e "por arrasto" o seu museu da cortiça, em 2001 galardoado com o Prémio Luigi Micheletti para melhor museu industrial europeu, está em sérias dificuldades financeiras e em risco de cair na mão dos seus credores, seja por pedido de insolvência, seja por execução das hipotecas pendentes nos bancos. O edifício em causa, e o seu museu, património cultural local e nacional, não se compadecem porém com esta inédita quanto perigosa situação."
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O que se vai passar a seguir é um "clássico" na vida das nossas cidades. A empresa está à beira da falência? O Ministério da Cultura é uma entidade decorativa? A Fundação Gulbenkian há muito deixou de investir nestes domínios? "De Mecenas tantos temos como de brancos tem a Etiópia"? Pois é. Sobra a Câmara Municipal de Silves, como sempre sobram (eu que o diga...), nestas ocasiões, as câmaras municipais. No mínimo, uma situação pouco confortável.Que o museu seja encerrado é coisa em que não acredito. Quanto ao resto, não me sinto habilitado a pronunciar. Sobretudo se se tiver em conta a complexidade do problema e se se pensar que as autarquias não estão minimamente vocacionadas para a gestão de espaços comerciais.
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Devia poder, mas não pode, consultar-se a página http://www.fabrica-do-ingles.pt/ (o site está em manutenção)