
Aqui fica, em compensação, uma imagem da ilha de Santorini. Cada um de nós tem a sua Ítaca. E a minha nem é Santorini.




Admito que sim, que a publicidade e a manipulação da imagem me interessam. E este é um anúncio célebre. Foi concebido por Jean-Paul Goude (n. 1940) para a Chanel. O perfume era o Égoïste, e aquela sequência de janelas a abrir e a fechar ficou para a história da publicidade.
Curiosidades:
A fachada é uma evocação do célebre Hotel Carlton, em Cannes (so they say, nunca estive em tal sítio). Foi construída num sítio desértico e era fachada e nada mais.
A música é a Dança dos Cavaleiros, da bailado Romeu e Julieta, apresentado em 1938 por Serguei Prokofiev (1891-1953)
Vale a pena transcrever o diálogo na íntegra:
Miss Casswell: Oh, waiter!
De Witt: That isn't a waiter, my dear. That's a butler.
Miss Casswell: Well, I can't yell, 'Oh, butler!' can I? Maybe somebody's name is Butler.
De Witt: You have a point. An idiotic one, but a point.
Miss Casswell: I don't want to make trouble. All I want is a drink.
Max: Leave it to me. I'll get you one.
Miss Caswell: Thank you, Mr. Fabian.
De Witt: Well done. I can see your career rising in the east like the sun.
Esta breve cena é do filme All about Eve, de Joseph L. Mankiewicz. O filme data de 1950 e conta com um argumento brilhantemente escrito. Vi-o, pela primeira vez, há muitos anos, na Fundação Gulbenkian. Não é dos filmes mais vistos pelas novas gerações, cinéfilos à parte, mas um dia destes vai ser redescoberto.
E se há muitos diálogos que não se esquecem, e se a história é, ela mesma, um prodígio, a frase do cínico De Witt (George Sanders), prevendo o futuro da quase estreante Marylin Monroe, parece-nos um milagre de premonição. O filme existe em DVD, mas não encontrei versão portuguesa.




A fotografia retrata, segundo imagino, um momento de Carnaval. Não tenho a data mas faz parte do "período brasileiro" do grande fotógrafo Pierre "Fatumbi" Verger (1902-1996). Pierre Verger fixou-se em S. Salvador da Bahia em 1946. A partir daí continuou a fazer inúmeras viagens, mas foi no Brasil que, cada vez mais, foi vivendo. Criou a Fundação Pierre Verger, à qual legou todo o magnífico espólio de imagens. Mais informações em:
Poucos livros terão tido tanta importância na minha vida como Para compreender a pintura: de Giotto a Chagall, de Lionello Venturi (1885-1961), lido no Verão de 1980, trinta anos passados sobre a data da primeira edição. Venturi era um historiador e crítico de arte com uma posição social e política bem definida. E o seu livro é um dos mais belos manifestos de libertação que jamais li. E não esqueço, e cito de memória, depois de todos estes anos, as vibrantes páginas de crítica à atitude académica de pintores como Ernest Meissonier (1815-1891), a quem acusava de representar homens sem alma, ou como Jean-François Millet (1814-1875), cujo Angellus interpretava como um acto de submissão ante os poderosos. Assim como recordo com toda a clareza o entusiasmo de Venturi ante um quadro como Os britadores de pedra de Gustave Courbet (1819-1877) e toda a luta que lhe estava subjacente. Com Venturi comecei a compreender as leis básicas da perspectiva, do enquadramento, das diagonais. Mas também, e sobretudo, a importância do papel social da Arte.
O que têm em comum Alfred Hitchcock, Luis Buñuel, Jean-Marie Straub, Wim Wenders, Jean Rouch, Gene Kelly, Sergei Eisenstein, Jean Renoir, Sergio Leone, Michelangelo Antonioni, Kenji Mizoguchi, Jim Jarmusch, Pier Paolo Pasolini, Theo Angelopoulos, Yasujiro Ozu, Fritz Lang, Jean-Luc Godard, Ingmar Bergman, Frederick Weisman, Robert Flaherty, Akira Kurosawa, Ken Loach, Robert Bresson, Paul Thomas Anderson, Vittorio de Sica ou Andrei Tarkovsky? Nenhum deles ganhou um prémio americano chamado oscar. A maior parte deles nunca teve, sequer, uma das tais famigeradas nomeações. Foi, contudo, graças a eles que a Arte do Cinema se afirmou e, a cada dia, continua a alargar horizontes.
A meio do projecto Discover Islamic Art fui convocado para uma reunião no Cairo. Os primeiros dias foram dramáticos. Trabalhava-se na sala de congressos do hotel de manhã à noite. Sem sequer sair à rua. A partir do terceiro dia fui "adoptado" por uma colega egípcia e pelo marido, que era economista e passava pelo local da reunião para a recolher. O Amr passou a levar-me pela noite do Cairo, de bar em bar, fumando narguilé e conversando das coisas da vida. Fomos a esplanadas ver futebol, passámos horas sem conta no El Fishawy, o mais célebre café de Khan el-Kahlili. Habibi, chamava-me às tantas o empregado, e uma vez que me tinha tornado cliente habitual.
Pompeu de Sá Leão y Seabra, bispo de Malange
O realizador de filmes eróticos Sá Leão (aqui com Cicciolina)
A vitória de Hugo Chávez no referendo venezuelano causou uma torrente de comentários. De entre estes, os meus preferidos são os dos politólogos profissionais. Na segunda-feira de manhã, o que estava de serviço à Antena Um alinhavou um chorrilho de banalidades, com particular destaque para as lapalissadas “a Venezuela está dividida ao meio” e “Chávez tem o apoio de metade mais pobre da população” (sério? ninguém diria…), terminando com a despeitada sentença “se fosse daqui a dois meses, e com o petróleo mais baixo, não ganhava”.
A minha velha tv era mais ou menos assim, com aqueles selectores redondos e tudo. Quando chovia viamos o telejornal às risquinhas, como aquelas gravatas fora de moda.
O Santos Silva é o tipo em cima do gajo de pijama