terça-feira, 7 de maio de 2019

ENTRE 13°16'38.64" e 38°43'0.01" NORTE / -9°07'59.99" W e 37°09'60.00" E

Djenné, a sul, e Lisboa, a norte, são os pontos extremos do livrinho "Mesquitas".
Tal como o são Lisboa, a ocidente, e Alepo, a oriente. É um triângulo com 11.670 quilómetros.

A imagem deve ser da mesquita de Djenné. Um sítio ascético, de beleza espartana. Um dos mais extraordinários sítios por onde passei, seguramente.

Oh lugar sagrado de Córdoba, existes por Ishq (Dios)
Ishq eso es completamente eterno, que no viene y se va.
Tus cimientos son duraderos, tus columnas innumerables
Como un grupo de palmeras en el desierto de Siria
Tu belleza, tu majestad me dice que fuiste creado por un hombre guiado por Dios
Eres hermoso y majestuoso, Él también, es hermoso y majestuoso
Excerto do poema Masjid-e-Qartaba, do paquistanês Muhammad Iqbal (1877 -1938).

segunda-feira, 6 de maio de 2019

LISBOA NO CENTRO DO GHARB

Não no centro geográfico, bem entendido. Mas como cidade de maior destaque (não faz sentido falar em "capital"). Por isso a LISBOA ISLÂMICA se estenderá a outros territórios, dos quais se estão a selecionar algumas peças fundamentais. Tenho especial predileção por estas tábuas para ensino do Alcorão, de cronologia moderna. E que (me) darão uma excelente abertura para o derradeiro setor da exposição. Nunca as tinha visto (são quatro, de diferentes tamanhos) assim de tão perto, muito menos as tinha tido na mão. Foi isso que aconteceu na passada sexta-feira. Medidas e sopesadas.


sábado, 4 de maio de 2019

DA PÓVOA PARA A CUBA, PASSANDO POR BEJA

A tarde não teve um padrão, mas há muito que as coisas deixaram de ter padrão. Decidi passar por Beja, a caminho da abertura da exposição fotográfica em Cuba. Ou na Cuba, como nós dizemos. Não cheguei a ver o fim do jogo, mas o Grupo Desportivo Povoense levou a taça para casa. Isso é o que conta. A passagem rápida deu para rever amigos, que são aqueles que contam.


PORTUGAL, SEGUNDO O "OBSERVADOR"

Quem estiver na Patagónia a ler o "Observador", convence-se que em Portugal aconteceu isto:


sexta-feira, 3 de maio de 2019

VENEZUELA E O LADO CERTO DA HISTÓRIA

Ver o Ocidente de gatas ante os americanos tornou-se banal. Até a França, sempre disposta a respingar (outros tempos...), segue o padrão. A política é hoje feita não por ideologias mas por agências de comunicação.

É certo que Nicolás Maduro é um sucedâneo de pouca qualidade. O próximo passo, depois de todos os embargos e de todos os constrangimentos, será a entrada de mercenários. A história vai acabar mal.

Com que lado da História me identifico, na América Latina? Com o de Evo Morales, de Rafael Correa, de Velasco Alvarado, de Hugo Chávez, de Salvador Allende, de Fidel Castro, de Juan José Torres, de João Goulart... Com os que estiveram ao lado do Povo e contribuíram para que a América Latina pudesse, ao menos um pouco, deixar de ser a quinta das traseiras de Washington, um bordel barato e com matérias-primas à discrição.  Com quem nunca estarei? Com René Barrientos, com Hugo Banzer, com Jorge Videla, com Costa e Silva, com Fulgencio Batista, com García Meza, com Díaz Ordaz, com Pérez Jiménez. Talvez alguns se lembrem o tratamento dado pelos venezuelanos aos agentes da polícia política deste último.

Em muita coisa mudei ao longo da vida. Nas convicções mais fundas, não.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

OUTRA VEZ A DÍVIDA DA ÁGUA…

Há quase seis meses que não escrevia um texto sobre política local. Não tinha a mínima intenção de o voltar a fazer, nos próximos tempos. Depois da série de perfeitos disparates que me levaram a escrever um texto sobre as “fake news” na Câmara de Moura pensava ter algum sossego. Qual quê…

Volta, não volta, lá vem a conversa fiada da dívida da Câmara. E, de forma obsessiva, a dívida da água. O que revela má-fé e falta de capacidade para se enfrentarem os
problemas, que fazem parte do quotidiano de uma Câmara.

Frase dita e repetida: “os executivos da CDU não pagaram as faturas de fornecimento da água”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. Esta afirmação é uma mentira grosseira. E uma mentira várias vezes repetida pode ser aceite como verdade por algumas pessoas, menos atentas. Vou ter, assim, de voltar a dizer o que já escrevi. O acordo de pagamento da dívida da água com a ÁGUAS PÚBLICAS DO ALENTEJO foi aprovado pela Câmara Municipal e pela Assembleia Municipal em 2014. O PS votou a favor desse acordo. O qual foi posto em prática de imediato. E foi cumprido. Verbas pagas, tanto do acordo, como da faturação corrente? 1.139.000 euros em 2015, 1.251.000 euros em 2016, 1 188.000 euros em 2017. Essa é a realidade do nosso mandato. Valores da dívida à AGDA? Esse valor era de 1.163.000 euros no momento em que deixámos funções. Sublinho que esses números se reportam aos valores em atraso mais à faturação corrente. Começou o mandato do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Qual a evolução da dívida? Subiu para 1.708.000 euros em 31 de dezembro de 2018. Mais 545.000 de dívida em pouco mais de um ano. Uma Câmara de torneiras abertas.

Repito ainda: o novo executivo fez, em final de 2017, um novo acordo de pagamento. Do qual pagou, até final de 2018, ZERO. Se a dívida se acumulou, a responsabilidade é do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Que devia assumir essa responsabilidade, e não atirá-la para cima de executivos anteriores. Fica a curiosidade em saber qual será o montante da dívida da água no final deste mandato. Saberá o executivo responder?

A Câmara tem pago outras dívidas? Sim, no seguimento da prática que vinha de trás. A Câmara pode pagar neste momento mais dívida? Sim, porque os investimentos feitos são perfeitamente ridículos. Com exceção dos contratos que deixámos assinados – obras da Torre do Relógio e do Bairro do Carmo –, só agora foi começada a obra da piscina. Nas freguesias, zero. Muita parra e pouca uva. É por isso que as despesas de investimento passaram de 4.945.000 em 2015 e 4.446.000 em 2017 para 2.916.000 em 2018. Muitas caminhadas, muitas festas, muitas visitas, muitas apresentações de projetos, quase nada de investimento. Pouquíssima obra e quase nada de inovação (não de inovação no papel, mas da que se concretiza e da que faz a diferença).

Continuo tranquilamente o meu trabalho, que também inclui Moura (incluirá sempre!). Continuo na expectativa. E aguardo, bem entendido, a auditoria que a Inspeção-Geral de Finanças iria fazer ao nosso mandato. Já foi pedida?


Crónica publicada hoje, em "A Planície".

quarta-feira, 1 de maio de 2019

BD EM BEJA

Sou um moderado apreciador de BD. Mas há duas coisas que me levam a dar aqui notícia deste festival, promovido pela Câmara de Beja:

1. A persistência da iniciativa, que vai numa proveitosa 15ª. edição, e que conta com o conhecimento e a experiência do Paulo Monteiro;
2. A beleza do cartaz, concebido por Susa Monteiro.

Arranca no final deste mês. Pareceu-me bem começar maio desta maneira.

terça-feira, 30 de abril de 2019

ONTEM, NA AMARELEJA

Ontem, houve assembleia municipal na Amareleja. Sei que fui profusamente citado. Agradeço a atenção. Houve, a meu respeito (raio de fixação, 555 dias depois de eu ter deixado funções!) uma nutrida quantidade de asneiras. Não é altura para abordar o tema. Ficará para depois.

No meio de tanta coisa, fico assim um bocadinho vaidoso com esta preocupação com a minha pessoa. Talvez tenham razão para se preocuparem... De resto, vou bem, muito obrigado.

Se tudo o que há é mentira,

Se tudo o que há é mentira,
É mentira tudo o que há.
De nada nada se tira,
A nada nada se dá.
Se tanto faz que eu suponha
Uma coisa ou não com fé,
Suponho-a se ela é risonha,
Se não é, suponho que é.
Que o grande jeito da vida
É pôr a vida com jeito.
Fana a rosa não colhida
Como a rosa posta ao peito.
Mais vale é o mais valer,
Que o resto ortigas o cobrem
E só se cumpra o dever
Para que as palavras sobrem.
Torre do Relógio (antes das obras)

ELEMENTOS - AR 4

Tenho-me lembrado muito desta ária. Gosto especialmente de Giuseppe di Stefano, um tenor dotado. Muitas vezes o seu CD das canções napolitanas me tem acompanhado. Nessun dorma? Claro que não.

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincerò!
Vincerò! Vincerò!

Não há música sem ar e não há, seguramente ópera, sem respiração.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

MUNDO ARCAICO

Numa recente conversa com Manuela Barros Ferreira, disse-me "tens de ler o meu texto sobre rezas, que está no facebook". Li quase de seguida, pensando "tenho de aqui voltar". Transcrevo dois excertos:

Cada vez mais esquecidas andam as rezas que fora da Igreja se recitavam, acompanhando gestos de bênção ou de exorcismo. Até certo ponto, elas contrastam com as orações que na catequese, ou mesmo antes, se aprendem.


Julgo que as rezas populares estão em vias de desaparecimento. Já não há transmissão de crenças e saberes, não há camponesas tradicionais nem ranchos de filhos que tinham de ir buscar fortuna fora da escassez do povoado, mas a quem era incutida a esperança de encontrar no caminho um Ente excepcional que os ajudaria. As raras crianças que nascem no interior continuam a ir embora, mesmo sem isso. Outros tempos.

O regresso a este belo texto foi marcado pelas recordações infância. "Este rapaz está olhado", decidia a tia Ana. E ela e a avó Perpétua armavam-se com um pequeno coto com um pavio, a que puxavam fogo, mais um pires e água e azeite. A reza parecia-me infindável, eu cabeceando com sono, no meio de um palavreado indecifrável. Isto repetiu-se muitas vezes, justamente no nº. 34 da Avenida da Salúquia.

A avó Perpétua e a tia Ana já cá não estão. Já não há camponeses na família. Nunca soube que diziam. Que reza era aquela. Que palavras mágicas pronunciavam e me guareciam. As palavras perderam-se. Ficaram, para sempre, noutro tempo.

domingo, 28 de abril de 2019

O QUINTO CAVALEIRO DO APOCALIPSE

Fome
Guerra
Peste
Morte

e o Afonso, coleção primavera-verão.

A ANDALUZIA, LOGO À NOITE

É a primeira região que procuro nas noites das eleições espanholas. E sigo estas com mais atenção que quaisquer outras, fora de portas. A Andaluzia é a terra de origem da minha família. Com extensões mais a sul, mas essa é outra história...

É um Portugal um pouco mais pequeno, com 87.200 km2 e 8.400.000 habitantes. A crise tem batido forte na Andaluzia. Li, há dias, uma reportagem que deva conta do desalento que tomou conta dos andaluzes. Na região de Cádis, o desemprego disparou. E só o turismo não chega. Leio e vejo um filme conhecido. Vejo, sobretudo, a nossa realidade ao espelho.

Em 2015, foi esta a distribuição de lugares para o Congreso de Diputados:
PSOE - 22
PP - 21
PODEMOS . 10
CIUDADANOS - 8

Não é preciso ser Nuno Rogeiro para perceber que o VOX vai ter um grande resultado. Poderá surgir como a terceira força política, em termos gerais. Veremos como é na Andaluzia.

O folclórico Podemos, agora com o que resta da Izquierda Unida à mistura, vai baixar. É uma esquerda patusca, que rima com os gregos do Syriza (lembram-se que eram esses o futuro e a rotura blablabla que proclamava o Cardeal Louçã?) e com os nossos do Bloco de Esquerda. Ser treinador de bancada é fácil. Estar no terreno é outra conversa.

sábado, 27 de abril de 2019

PARA UMA VISÃO FERROVIÁRIA DA LINHA DO HORIZONTE

De 2017 para 2018.
De 2018 para 2019.
De 2019 para 2020. Ou 2021. And so on.

O mais engraçado - engraçado mesmo - nesta sequência de balelas são as visitas convictas à OVIBEJA:

Oh, sim, o interior;
Oh, claro, o cante alentejano;
Oh, sem dúvida, o Património;
Oh, pois evidentemente, o queijo e os enchidos e mais o vinho.

O candidato terá vindo de altometôra?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

ÁGUA CASTELLO - PORTO, 1965

Água Castello a norte. A referência que me surge no bendito facebook é Autocarro AEC Regent nº 65, da STCP (Porto). Ano? 1965. A Água Castello, símbolo de Moura, chegou, e chega, aos quatro cantos do mundo. É certo que a empresa já não tem a visibilidade local de outrora. Mas continua a ser marca de Moura.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

A FESTA DO FÁBIO, PÁ

Estive ontem em Moura, para assistir ao festival de curtas-metragens organizado pela Câmara Municipal. O tema central era "A ditadura em Portugal". Respeito a decisão do júri, que premiou um filme com boa imagem e boa montagem. Com um registo que era mais etnográfico que sobre a ditadura em si.

O filme que me pareceu mais original foi o do Fábio Moreira. Era mais um clip que um filme. Uma colagem de várias filmagens. Tinha um registo algo mecanicista, é certo. Mas a imagem de África subjacente à ideia da Liberdade é interessante. Tal como era interessante - ainda que um tanto óbvia - a imagem da normalização. Filmes como este tendem ao solipcismo, mas esse é o risco em que os autores sempre incorrem.

A festa, pá... é um pouco a visão de Simeão Estilita, o anacoreta, mas essa é uma opção a que se tem direito.


quarta-feira, 24 de abril de 2019

NAÏVETÉ EDITORIAL

Ao pedir, há dias, um orçamento para um livro decidi que a edição seria em papel reciclado. Avisa-me a empresa com que costumo trabalhar "olhe que vai ficar mais caro; tem de pagar o papel e a certificação". Fico sem perceber nada, até me explicarem que tenho de pagar uma certificação extra. A qual custa umas centenas de euros. Ou seja, as boas intenções saem-me caras.

O que acabo de relatar tem lógica? Eventualmente, até tem. Não estou a ver é qual...

terça-feira, 23 de abril de 2019

EM MODO CEELO GREEN

Apesar da minha idade quase avançada, gosto de rap, de funk, de punk. No outro dia, no Tarro (Moura), era a segunda pessoa mais velha.
Gosto de tudo aquilo. E de DJ. E gosto muito de CeeLo Green.

CONVENTO DO CARMO SEM INTERESSADOS

É ofensivo ter de se ler que o convento está em saldos.

Só não percebo porque é que a autarquia desistiu de conduzir este processo. O resultado está à vista...

segunda-feira, 22 de abril de 2019

FERNÃO LOPES-GRAÇA, ESSE GRANDE MÚSICO MEDIEVAL

Há uma certa autarquia que jura que houve um Fernão Lopes-Graça. É capaz disso. Tenho ideia que compôs músicas medievais. E creio que houve também um cronista nessa época. Chamava-se Fernando Lopes, se não estou em erro. Ou estarei a fazer confusão com o Fernando Lopes, o que era cineasta? Estou baralhado, admito.

ORIENTALISMO EXÓTICO

Numa recente pesquisa em torno da pintura orientalista, dei com este The gate of the great Umayyad Mosque, pintado em 1890 pelo alemão Gustav Bauernfeind (1848-1904). A grande cúpula é a que se vê numa fotografia feita por mim há já uns bons anos.

Já falta pouco para os pintores orientalistas serem banidos. Gostavam do exótico e não deviam tê-lo feito. Pelo menos, de acordo com alguns padrões atuais... A estupidez inquisitorial vai excomungá-los de vez (querem apostar?) e atirá-los para aquele sítio belo, inodoro, incolor e insípido onde não se lêem livros da bela adormecida, onde as pessoas não se disfarçam de chineses no carnaval, onde não há pai nem mãe, mas sim progenitores 1 e 2 etc.

A tela de Gustav Bauernfeind foi vendida, há pouco mais de 10 anos, por 2.890.000 euros.