terça-feira, 31 de janeiro de 2023

PONTOS CARDEAIS

Norte, Sul, Este e Oeste. Quadro direções, vistas do zimbório, a 80 metros de altura. Quando não há bruma divisa-se, com toda a nitidez, o cume da Serra da Arrábida, a 28 quilómetros, ou Palmela, a pouco mais de 25. O corte abrupto do cerro do castelo identifica-se quase todos os dias

A minha vista preferida? Sul, sempre para Sul.

Sul
Norte
Este
Oeste

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

MUSEU BORDALO PINHEIRO: A ATUALIDADE DA HISTÓRIA

O céu estava azul e a manhã luminosa. Um bom dia para ir visitar o magnífico Museu Bordalo Pinheiro. Tempo ganho a revisitar a obra de um português originalíssimo e de uma criatividade e energia verdadeiramente impressionantes.

Ao ver algumas das suas caricaturas não pude deixar de pensar "era só mudar os nomes dos visados e isto está atualíssimo..."


98,3% É PARA PRINCIPIANTES

Vejam lá se aprendem.

domingo, 29 de janeiro de 2023

ESCADA IEMENITA

Uma pesquisa de imagens levou-me a esta fotografia de Paulo Nozolino (n. 1955). Já a conhecia - foi feita no Yemen, em Seyun, e está publicada no livro "Penumbra" -, mas achei que era altura de a incluir no blogue. A escada não é em caracol, mas está bem marcada na parede.


ESCADA SEM CORRIMÃO


É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Correm-se p’rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.

sábado, 28 de janeiro de 2023

LV - CRÓNICAS OLISIPONENSES: À ESQUINA DO BECO DO SURRA

O metro parou. Havia avaria na linha azul e eu vinha meio embezerrado, ao longo de Alfama. Depois, a manhã melhorou. Primeiro, encontrei a Sónia com um animado grupo, em ação de rua. Retomo o caminho, Rua dos Remédios acima. À esquina do Beco do Surra, gravava-se um clip. Uma, duas vezes. Não sei quem é o cantor, mas eu sou um ignorante nestas coisas. O som era um pouco à Matias Damásio, mas não era ele. Não fiquei muito convencido. Pareceu-me que tinha mais swing a dançar que a cantar. Mas isto sou a dizer, pelo que conta pouco.

Havia sol e luz. A manhã estava ganha. Pude atirar-me com outra alma à última revisão de um livrinho que sairá em fevereiro e se "chama" Thalassa! Thalassa!


sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

GEORGES ROUAULT

As obras de Arte atuais de temática religiosa são raras. As que têm qualidade são ainda mais raras. Os motivos são sobejamente conhecidos.

Um dos últimos autores a privilegiar a religião foi Georges Rouault (1871-1958), artista de profunda devoção. Esta representa o batismo. Intitula-se Nous ...c'est en sa mort que nous avons été baptisés e foi pintado entre 1940 e 1948. Pertence ao Centro Pompidou, em Paris.

Rouault mostra-nos que para pintar é preciso saber pintar.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

TENHO BARCOS, TENHO REMOS


A paixão por esta moda é antiga. Em 1983 ou 1984 comprei um "
single", em segunda mão, numa loja da Rua da Prata que se dedicava a esse tipo de vendas. Era uma gravação do Grupo Coral da Casa do Povo de Serpa.

Ouvi-a, fora disso, muito poucas vezes. E sempre na Feira do Vinho da Amareleja. Em 10 de dezembro de 2011 cantada pelo Grupo Coral da Recreativa. Cinco anos volvidos (10.12.2016, precisamente), num momento especialmente emotivo, o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento teve a extraordinária simpatia de me dedicar a moda, interpretando-a de seguida de forma absolutamente magnífica. Depois fui-me um bocadinho abaixo, mas ainda bem que ninguém reparou.


Tenho barcos, tenho remos

Quem embarca, quem embarca?
Quem vem p'ró mar, quem vem?
Quem embarca, quem embarc'olé, minin'ólé?
Quem vem p'ró mar, quem vem?

Quem embarca nos teus olhos,
que linda maré que tem.
Quem embarca nos teus ólé, menin'ólé,
que linda maré que tem!

Tenho barcos, tenho remos,
tenho navios no mar!
Tenh'um amor tão catit'ólé, menin'ólé,
não mo dexõ namorar.

Não mo dexõ namorar,
Não mo dexõ compar'cer!
Se eu com ele não casar, olé, menin'ólé
com outro não há-de ser!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

AMANHÃ, NO "EL CORTE INGLÉS"

Mais uma apresentação do projeto.

Prossegue a "tournée" 😊.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

VAGA DE FRIO

A recente "vaga de frio" (mínimas de 2, 3, 4 graus..., que só podem ser mesmo problemáticas para os sem-abrigo) trouxe-me à memória a inusitada animação ocorrida em Mértola há uns bons 15 ou 16 anos. Equipas femininas do Leste Europeu vinham estagiar para cá porque o tempo era bom. Efetivamente, o final de inverno mertolense andava pelos 16/17 graus, ao nível de um verão setentrional. Muitas das atletas não perdiam a oportunidade de um bom banho de sol em trajes diminutíssimos nas varandas da residencial, para espanto e gáudio de quem passava.

Inverno em Portugal? Olhem para estas entusiastas do clube de natação de Novosibirsk...


NÃO HÁ LONGE NEM DISTÂNCIA?

O ponto mais próximo entre Europa e África é de 14 quilómetros e mais uns metros.

Em escala mourense: da ribeira de Toutalga a Safara.

Em escala lisboeta: da estação de Santa Apolónia a Santa Iria da Azóia.

Ali morre gente. Todos os dias. Uma lástima. Uma dor sem fim.

De Juan Ramón Jiménez:

El viaje definitivo

… Y yo me iré. Y se quedarán los pájaros
cantando;
y se quedará mi huerto, con su verde árbol,
y con su pozo blanco.

Todas las tardes, el cielo será azul y plácido;
y tocarán, como esta tarde están tocando, 
las campanas del campanario.

Se morirán aquellos que me amaron;
y el pueblo se hará nuevo cada año;
y en el rincón aquel de mi huerto florido y encalado, 
mi espíritu errará nostáljico…

Y yo me iré; y estaré solo, sin hogar, sin árbol
verde, sin pozo blanco, 
sin cielo azul y plácido…
Y se quedarán los pájaros cantando.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

JOSÉ MATTOSO

Hoje, são 90 anos e 1 dia. Completou ontem 90 anos o professor José Mattoso, um nome maior da nossa historiografia e das nossas letras.

Lembro-me dele assim, em 1990, quando foi meu professor no Mestrado de História Medieval. Tinha ele 57 anos e parecia-me num homem muito velho. Não o era, claro. Leccionava um seminário com o "terrorífico" nome de Representações Mentais do Invisível. Pior, muito pior, eu era o único aluno do seminário. Não tinha fuga possível. Aulas individuais, dadas em tom grave e sem concessões: "já leste isto? já leste aquilo? estes parágrafos que escreveste não valem a pena, não vale a pena descobrir o que está descoberto". Rigor, exigência e disciplina. Foram meses decisivos na minha vida. Levou-me a fazer um trabalho razoavelmente complexo de comparação de ritos e rituais funerários (que prolongamentos teve a Alta Idade Média no Islão Peninsular, perguntava-me ele) e que me ainda hoje me traz gratas e saborosas recordações.

José Mattoso forma, com Cláudio Torres, António Borges Coelho e Pierre Guichard, o quarteto de luxo com que me cruzei na minha carreira. Sou um tipo cheio de sorte.

Parabéns professor e até sexta.

QUANDO O VOTO VAI PARA O LIXO E NÃO SERVE PARA NADA

De surpreendente, isto nada tem.

Um oportunista será sempre um oportunista. Tenho é pena - pena mesmo, nada mais - de ver tanta gente, e por um bom par deles tenho sincera estima ou amizade, correndo atrás desta fraude. Porque Ventura é isso: uma fraude sem soluções.

Também tenho pena que tenha sido um órgão de informação nacional a assinalar este facto, e não a imprensa regional ou local.


domingo, 22 de janeiro de 2023

FORMATO? MAS QUAL FORMATO?

48 seleções??? Isto é o "formato rebaldaria". E o futebol submetido, de vez e sem retorno, aos interesses das grandes multinacionais.

1986 - 24 equipas

1998 - 32 equipas

2010 - 32 equipas

2022 - 32 equipas

Em 2034 como será? 96 equipas???

sábado, 21 de janeiro de 2023

AOS ANDALUZES DE JAÉN

As oliveiras foram pintadas por Van Gogh durante a sua estada em Saint-Rémy-de-Provence, em 1889. O quadro está hoje no MOMA, em Nova Iorque. Jáen fica mais perto.

Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
decidme en el alma: ¿quién,
quién levantó los olivos?

 

No los levantó la nada,
ni el dinero, ni el señor,
sino la tierra callada,
el trabajo y el sudor.

 

Unidos al agua pura
y a los planetas unidos,
los tres dieron la hermosura
de los troncos retorcidos.

 

Levántate, olivo cano,
dijeron al pie del viento.
Y el olivo alzó una mano
poderosa de cimiento.

 

Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
decidme en el alma: ¿quién
amamantó los olivos?

 

Vuestra sangre, vuestra vida,
no la del explotador
que se enriqueció en la herida
generosa del sudor.

 

No la del terrateniente
que os sepultó en la pobreza,
que os pisoteó la frente,
que os redujo la cabeza.

 

Árboles que vuestro afán
consagró al centro del día
eran principio de un pan
que sólo el otro comía.

 

¡Cuántos siglos de aceituna,
los pies y las manos presos,
sol a sol y luna a luna,
pesan sobre vuestros huesos!

 

Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
pregunta mi alma: ¿de quién,
de quién son estos olivos?

 

Jaén, levántate brava
sobre tus piedras lunares,
no vayas a ser esclava
con todos tus olivares.

 

Dentro de la claridad
del aceite y sus aromas,
indican tu libertad
la libertad de las lomas.

Miguel Hernández (1910-1942) é um nome grande da poesia espanhola e de todo o mundo. O concelho de Moura guarda a duvidosa "honra" de ter sido aqui que Miguel Hernández foi preso ao tentar atravessar a fronteira, poucos dias depois de terminada a Guerra Civil de Espanha. Levado para o Rosal de la Frontera e depois para Huelva terminou os seus dias na prisão, vitimado por uma tuberculose. Estes aceituneros têm tudo a ver com este mundo em que vivemos..


sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

CORO NO PANTEÃO: DOMINGO

É o terceiro concerto do segundo ciclo "Música no Panteão".

A dimensão do coro, e as características do espaço, levam a que este concerto, como outros do mesmo género, tenha lugar no espaço central do monumento.

A lotação é maior, mas não ilimitada: 250 lugares sentados, mais uma pequena margem de tolerância para quem queira ficar de pé.

SANTO ALEIXO? ALDEIAS? ORA, ORA...

Pergunta: como é que se decide a data de uma feira?

Resposta: cumprindo o respetivo regulamento municipal.

Pergunta: quando deveria ter lugar a Feira de Maio deste ano?

Resposta: de 11 a 14 de maio.

Porque é que foi alterada a data? Por causa de uma feira em Jaén, que fica a 435 quilómetros de Moura.

É mais que discutível que uma feira a centenas de quilómetros interfira com a OLIVOMOURA.

Tanta atenção a isso e tanta desatenção e tanta falta de consideração para com as pessoas de Santo Aleixo da Restauração, que fica a 30 quilómetros e celebra a Festa de Santo António nos dias 5, 6 e 7 de maio.


AMILCAR CABRAL, 50 ANOS DEPOIS

Recordo esta imagem de uma biografia sobre Amílcar Cabral (1924-1973) escrito pelo jornalista soviético Oleg Ignatiev. Gosto da fotografia e do ar de desafio.

Amílcar Cabral foi assassinado há 50 anos. A independência da Guiné-Bissau seria declarada oito meses volvidos.

A morte de Cabral, com a guerra colonial sem ponto de retorno, foi uma perda para todos nós.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

CAIRUÃO

Não vou há muitos anos a Cairuão. Uns 13 ou 14 talvez. Foi um sítio marcante, na primeira viagem à Tunísia, no verão de 2002. Tenho um par de fotografias da mesquita. Nada que se compare, ou remotamente se aproxime, ao esplendor do que Paul Klee (1879-1940) nos deixou, depois de visitar a cidade, em 1914.

Instante

Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio

(Sophia de Mello Breyner Andresen)




quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

MEMORIAL DA ESCRAVATURA

Há coisas que, em Portugal, nunca perceberei.

Decidiu-se, e bem, que haveria um memorial sobre a escravatura.

Foi decidido que haveria um concurso para escolher o melhor projeto.

Ganhou o concurso o artista angolano Kiluanji Kia Henda. A instalação proposta, em torno das plantações de açúcar (e do sofrimento nelas vivido), parece interessante.

Depois nada. O processo parou. Aguardemos que a plantação nasça.


ONTEM, NA ESCOLA SECUNDÁRIA DE MOURA

Seis dezenas de pessoas numa sessão destas - num final de tarde em que se celebrava o 81º. aniversário do MAC - não é nada mau. Quarto ponto na peregrinação do projeto DUARTE DARMAS. Foi muito agradável este regresso à Secundária de Moura. Pelas presenças de muitos amigos, pelo convívio e pela possibilidade de explicar este projeto. Entre os cálamos que eu levava no bolso e o drone que o Daniel Capa trouxe, tudo ficou mais claro.

Segue-se Serpa, em fevereiro.