domingo, 10 de fevereiro de 2013

TALASSOTERAPIA - 6/10

Os barcos estarão em movimento, mas não parece assim muito. Talvez um Domingo de Carnaval merecesse um pouco de cor, mas os dias estão frios. Não muito tristes, mas o sol que lhes dá cor não os torna exatamente festivos. O poema de Antonio Machado fala em chumbo, em aço e, três vezes, em cinzento. Não pode ter visto a obra de Klee. Mas é como se tivesse visto.


El mar triste

Palpita un mar de acero de olas grises
dentro los toscos murallones roídos
del puerto viejo. Sopla el viento norte
y riza el mar. El triste mar arrulla
una ilusión amarga con sus olas grises.

El viento norte riza el mar, y el mar azota
el murallón del puerto.
Cierra la tarde el horizonte
anubarrado. Sobre el mar de acero
hay un cielo de plomo.

El rojo bergantín es un fantasma
sangriento, sobre el mar, que el mar sacude...
Lúgubre zumba el viento norte y silba triste
en la agria lira de las jarcias recias.

El rojo bergantín es un fantasma
que el viento agita y mece el mar rizado,
el tosco mar rizado de olas grises.

O quadro, Barcos em movimento, é de Paul Klee (1879-1940) e foi pintada muito perto do seu desaparecimento. Pertence ao  Zentrum Paul Klee, em Berna. O poema é do andaluz Antonio Machado.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

EU NÃO SOU EU. EU SOU OUTRA PESSOA.

Bem sei que o meu nome, que devo a origens sevilhanas, não é vulgar, em Portugal. Em Espanha e na América Latina há tantos santiagos macias como manuéis silva por estas bandas. Mas por aqui não.

Isso deu, durante anos, azo a inúmeros equívocos. Recebi, no Campo Arqueológico de Mértola, cartas dirigidas a Santiago Matias, Santiago Faria, Maciel Macias, Santiago Maciel, Paulo Santiago, Sebastião Maias, Santos Macias, Sebastião Garcia, Santiago Marias, Santiago Marques, Sampaio, Pedro Macias, Sebastião Matias, Salvador, Santiago Cacias, Santiago Mazias, Santiago Assis, Santiago Maciar e Santiago Messias. Um fartote, para gáudio do setor administrativo da casa.

O equívoco ganhou "dimensão internacional" quando uma prima minha comentou, com arqueólogas espanholas, a minha profissão. Disse-lhes depois o nome e ficou muito surpreendida quando as moças disseram que eu era muito conhecido em Espanha. Desfiz o equívoco num jantar de família. O Santiago Macias a que as arqueólogas se referiam é um colega galego que tem vindo a desenvolver um extraordinário trabalho, nos domínios científico e político. Tem escavado, publicado e denunciado os massacres cometidos pelo franquismo.

A confusão não acaba aí. Recebi, há semanas, um mail do António Rosa Mendes, alertando-me para a página na wikipedia do outro Santiago Macias. Na qual surgem referências bibliográficas a diversos trabalhos que ele teria publicado sobre Mértola... Não me dei ao trabalho de desfazer o divertido equívoco.

Santiago Macias Pérez e eu temos uma motivação em comum: a política. Ele é vereador do PSOE em Ponferrada (Castilla y León), eu do CDU, em Moura.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

SOB O SIGNO DE HOPPER - I: EMMERICO NUNES

A luz e os tons de Edward Hopper justificam bem uma nova série no blogue. Duas coisas me marcaram na recente exposição sobre a obra do pintor: uma, foi perceber como o seu percurso, iluminado por várias influências, cresceu e se autonomizou de forma pessoalíssima; a segunda, foi ver como influenciou o modo de olhar de tantos artistas plásticos. O alentejano Emmerico Nunes foi um deles.

À margem, não resisto a reproduzir a pergunta que a Júlia me fez: "ele não gostava de mulheres? têm todas um ar tão masculino...". As mulheres têm cada uma...

Brooklyn N.Y., 1939

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

LEITURA DO DIA

fotografia - António Cunha

Que o português médio conhece mal a sua terra - inclusive aquela que habita e tem por sua em sentido próprio - é um facto que releva de um mais genérico comportamento nacional, o de viver mais a sua existência do que compreendê-la. Descaso de consequências inumeráveis ou desprendimento sublime, herança contemplativa ou simples reflexo de uma urgência vital que nunca deixou muita margem para teoria, esse comportamento é o responsável pelo penoso e já antigo sentimento que no século XIX foi quase o lugar-comum dos homens mais ilustres, de que estamos ausentes da nossa própria realidade.

Caiu-me em cima, literalmente e no decurso de um dos habituais desmoronamentos que ocorrem no escritório lá em casa, o livro O labirinto da saudade, de Eduardo Lourenço, uma edição de 1978. Aqui vos deixo o início do ensaio Repensar Portugal. O endeusamento de Eduardo Lourenço é, hoje, um fenómeno ligeiramente irritante. Mas os livros não são menos interessantes por causa disso nem o seu autor tem disso culpa.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

VERGONHA


Não é só por cá. As dispensas arbitrárias de gente qualificada e cuja único defeito é ter mérito também acontece noutras paragens. A Junta de Andalucía resolveu destituir Antonio Vallejo Triano do cargo de diretor do Conjunto Arqueológico de Madinat al-Zahra. As justificações (v. aqui) são pobres, tristes e esfarrapadas, tendo em conta que Antonio Vallejo fez das ruínas e do trabalho de reabilitação patrimonial um marco no mundo da Arqueologia e da Museologia.

Há um abaixo-assinado a circular. Vi lá muitos amigos e colegas de várias paragens. Estranhei algumas ausências. Espero que sejam colmatadas nos próximos dias. Até porque à hora de almoço eram 75 os subscritores, agora são 210.

http://defensamadinatal-zahra2013.org/

DRESS CODE I: o jantar de gala


O convite era claro e direto: era um jantar de gala. Tomei o assunto a sério. Embora não fosse ao extremo de me apresentar de smoking (graças a Deus não fiz tal coisa, até porque não tenho nenhum smoking) escolhi um fato, mais um papillon, não demasiado formal, e mais uns sapatos pretos reluzentes.

A ideia revelou-se tristíssima. Quando cheguei ao jantar, supostamente de gala e de consagração de desportistas, mais ninguém estava vestido como eu. Havia homenageados em calções e havaianas. Campeavam as t-shirts. Eu, que nunca fui muito formal, mas levo estas coisas a sério, amaldiçoei a minha sorte. Achei-me carnavalesco e despropositado. Percebi o que sentiu aquele convidado de Errol Flynn quando saiu da undressing room e entrou, como Deus o mandou ao mundo, numa sala de jantar onde toda a gente estava vestida... A meio do jantar tirei discretamente o papillon preto de pintas brancas à Churchill.

Foi um dia decisivo. A partir dessa altura, e em jantares de gala do género, passei a usar um discreto truque. Levo no bolso uma gravata com o nó feito (o four-in-hand é o mais simples), o que me permite, face à avaliação no terreno, tomar decisões rápidas. A idade tem destas coisas. Torna as pessoas menos espontâneas, mas mais precavidas...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

MOURA - 25 ANOS DEPOIS


No dia 1 de fevereiro de 1988 Moura foi elevada à categoria de cidade. A designação é honorífica e não traz consigo recompensas adicionais. Depois de longos anos de “reivindicação” instalou-se a pergunta e a dúvida “o que se ganhou em ser cidade?”. A pergunta em si é um tanto deslocada, porque as localidades não ganham ou perdem com as qualificações que as leis lhes atribuem.

Importaria antes ver o que se passou em Moura nos últimos 25 anos e que diferenças substanciais a cidade conheceu. Moura é uma terra melhor e mais qualificada hoje do que era há 25 ou há 30 anos? Indiscutivelmente, é. A cidade tem hoje melhores infra-estruturas do que tinha então? Sem dúvida. Temos hoje mais movimento do que antes? Aí andaremos ela por ela.

Que balanço podemos fazer? Projetos importantes – e contra os quais tantos esbracejaram… - sedimentaram-se e deram visibilidade e trouxeram investimento para o concelho. Problemas sérios como a situação do Castelo e dos Quartéis ficaram resolvidos ou estão em vias de o ser. Renovações decisivas nas redes de águas e esgotos deram resposta a situações que causavam transtornos aos habitantes. Equipamentos culturais e desportivos conheceram uma nova vida. O investimento na Educação ganhou um novo impulso depois de 1997. É uma cidade melhor? Decididamente, sim. Curiosamente, os problemas maiores foram causados pelo desinvestimento do Poder Central que, desde há muito, deixou o interior de Portugal entregue a si mesmo.

25 anos depois é bom que olhemos para a cidade e para o concelho. Mas também, e sobretudo, para a realidade da zona raiana do nosso País. Para as desigualdades que se foram acentuando. Para a incapacidade de sucessivos governos em criarem condições que invertam um problema que tem décadas e que não parou de se agravar. Para a desertificação de freguesias e de concelhos. Que têm agora um futuro mais difícil, depois da aplicação de leis imbecis, que extinguem freguesias à tesourada, sem pensar nas implicações que isso virá a ter. É só o nosso concelho que vive estes problemas? Faça-se então um périplo por Alcoutim, por Idanha-a-Nova, por Almeida ou por Mirandela e pense-se depois em que raio de País vivemos e que gente é esta que nos olha a partir de Lisboa.

Duas notas finais: a primeira é que o ato de resistência em que se tornou a vida em concelhos como Mértola ou como Moura é para continuar. Falo, naturalmente, do ponto de vista pessoal, e fiel a um caminho iniciado há quase 30 anos. E que essa opção tem, terá sempre, reflexos naquilo que é um princípio de combate político e de afirmação de valores de cidadania.

A segunda é para notar que há quem, no meio de tantas dificuldades e de tantos problemas, se preocupe com ramos de árvores. É caso para dizer que se olha para a árvore sem ver a floresta. E isso pode ser trágico.



Texto publicado no jornal "A Planície" de dia 1.2.2013.

A fotografia, de Orlando Fialho, dá-nos testemunho de mais uma obra de reabilitação iniciada na cidade. Começaram os trabalhos de restauro da igreja do Convento do Espírito Santo. Vai ser galeria de exposições. Os andaimes refletem bem este princípio de um percurso em construção. Voltarei ao tema, dentro de semanas. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"O PATRIMÓNIO É IMPORTANTE, MAS NÃO É MAIS IMPORTANTE QUE AS PESSOAS"


Ainda é cedo para avaliar o que um ano de guerra fez a cidades como Tombuctu ou Gao.
Agora que as tropas francesas e os soldados malianos tomaram Tombuctu, Gao e Kidal, praticamente sem que houvesse resistência das forças rebeldes, chegou a altura das autoridades fazerem as contas aos prejuízos na área do património, sobretudo nas duas primeiras cidades, inscritas na lista do património da humanidade (Tombuctu desde 1988, o Túmulo de Askia, em Gao, desde 2004).

Durante meses sucederam-se notícias de mesquitas destruídas e bibliotecas saqueadas. No início da semana, chegou mesmo a temer-se que grande parte da importante colecção de livros e documentos do Instituto Ahmed Baba, com dezenas de milhares de manuscritos, talvez os mais importantes do século XII e outros até pré-islâmicos, tivesse desaparecido num incêndio. Os piores receios não se confirmaram, mas há muito a fazer no terreno.


A guerra começou em Janeiro do ano passado e, quase em simultâneo, surgiram relatos de que os rebeldes, muitos de grupos extremistas com ligações à Al-Qaeda, estavam a arrasar túmulos com centenas de anos que consideravam idólatras, mesmo que consagrados a santos muçulmanos. Tombuctu é conhecida como a "cidade dos 333 santos", mas os islamistas que se revoltaram contra o Governo do Mali querem impor a sharia (lei islâmica) em todo o território e ela não permite que se venerem santos.


A cidade do Norte, que tem o título de "jóia africana" por ter sido um importante pólo de desenvolvimento económico - era paragem obrigatória para os negociantes de sal, ouro e gado - e protagonista de uma época de ouro na promoção da religião e cultura islâmicas no continente (sobretudo nos séculos XV e XVI), foi a mais afectada pelas acções contra o património, embora Gao, a mais populosa da região (60 mil habitantes), também tenha visto muitos dos seus túmulos profanados.


O conflito armado ameaçava de tal forma Tombuctu que, no Verão, a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura decidiu declará-la "em risco". Os especialistas malianos e internacionais - em particular os franceses e sul-africanos - temiam que, além dos edifícios únicos construídos em adobe (lama, palha e madeira), verdadeiras jóias da arquitectura em terra que valeram a Gao e Tombuctu o selo de património da humanidade, os islamistas dirigissem os seus ataques aos fundos documentais.



Manuscritos salvos

O presidente da Câmara de Tombuctu, Hallé Ousmane Cissé, chegou a dizer que as forças rebeldes tinham queimado praticamente todos os documentos históricos da cidade, naquilo que classificava como um "verdadeiro crime cultural". Mas, afinal, os islamistas destruíram apenas um dos dois edifícios do Instituto Ahmed Baba - o inaugurado em 2010, pago pela África do Sul, cuja Universidade da Cidade do Cabo é das organizações que mais têm investido na preservação dos documentos de Tombuctu. Nele só estavam guardadas cópias digitalizadas dos velhos manuscritos e originais menos relevantes.


"Uma grande maioria foi salva. Penso que mais de 90%", disse à AFP Shamil Jeppie, professor da Universidade do Cabo que dirige o projecto de catalogação e conservação dos manuscritos. "É claro que alguns sofreram desgaste, outros foram destruídos ou roubados, mas uma parcela muito mais pequena do que julgávamos à partida", admitiu, explicando que o dano não foi maior porque, receando os ataques ao instituto, arquivistas e conservadores transferiram os livros e documentos mais importantes para Bamaco e para outros lugares seguros nos primeiros meses da insurreição islamista.


Nos "cofres" do instituto há verdadeiras preciosidades em pergaminho pele de carneiro e até em omoplata de camelo. São livros, tratados e textos variados sobre astronomia, música, história, política, direito e matemática. Entre os mais importantes, diz Jeppie, citado pelo diário francês Le Monde, há muita poesia.


"Até há bem pouco tempo, dizia-se erradamente nos círculos ocidentais que a tradição cultural africana era em grande parte, ou por completo, oral", disse ao diário norte-americano Los Angeles Times o especialista em manuscritos árabes Amidu Sanni. Os manuscritos de Tombuctu contradizem essa visão.


Para Adel Sidarus, professor de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Évora, os manuscritos da cidade dos 333 santos são o reflexo do papel que este centro teve na África Ocidental durante centenas de anos, como pólo de trocas económicas e civilizacionais. "À falta de uma palavra melhor podemos dizer que Tombuctu tinha uma espécie de burguesia letrada. Havia tertúlias, era um centro de cultura e de conhecimento", diz ao PÚBLICO este académico cristão copta egípcio que e vive em Portugal há 35 anos.


Para Sidarus, que diz que os manuscritos precisam de ser mais conhecidos e estudados, é bem possível que os arquivos de Tombuctu, muito dispersos até pelas casas de particulares, guardem até surpresas sobre o Al-Andalus (que abrange a Península Ibérica).


"Esta nebulosa político-religiosa que hoje se vive no Mali não tem raízes nenhumas na sua história", explica. "Tombuctu, por exemplo, sempre foi uma cidade de grande tolerância religiosa, que a dada altura chegou a ter uma importantíssima comunidade de judeus, uns berberes, outros fugidos da Península Ibérica. Era também um centro para os sufis, místicos do Islão."



A destruição dos mausoléus sufis - as fontes ouvidas pelas agências falam por vezes em dezenas de túmulos arrasados, outras vezes em sete ou nove - é precisamente um dos grandes objectivos dos rebeldes, acrescenta o professor de Évora. "O fundamentalismo a que assistimos hoje no Norte do Mali faz uma interpretação retrógrada do Corão e é do tipo tribal, como no tempo do profeta Maomé."


Os primeiros relatos ocidentais sobre a cidade só foram feitos no século XIX, quando um francês arriscou a vida ao entrar disfarçado em Tombuctu (a visita era proibida a estrangeiros), lembrou ao PÚBLICO o arqueólogo Santiago Macias, especialista no estudo do Al-Andalus.


Macias tem acompanhado com preocupação o desenvolvimento da situação no Mali, e não está nada optimista. Acredita que o recuo dos rebeldes é temporário e que tudo farão para destruírem o que o Ocidente valoriza, como aconteceu com os budas de Bamiyan, no Afeganistão. "O problema na região é, como todos sabemos, económico e social. O que tem ganho a população de Tombuctu com tanto património da humanidade? Vive menos miseravelmente? E por que estão lá os franceses? Por causa do património ou por causa das minas de urânio?"


Macias diz que é ainda muito cedo para perceber o que se perdeu em termos patrimoniais, apesar de serem "graves" os relatos que foram chegando dos ataques às três grandes mesquitas de Djingareyber, Sankoré e Sidi Yahia, e aos mausoléus de Gao, cuja necrópole foi intensamente escavada pelos japoneses nos anos 1970. "O inventário de muito deste património é, seguramente, frágil. Muita coisa se perdeu ao longo dos séculos - não apenas agora. Se formos comparar a cidade de hoje com aquela que os documentos árabes descrevem nos séculos XIV e XV, com cúpulas douradas por toda a parte, vamos pensar que os autores de há 500 anos estavam a delirar."


Em declarações ao jornal Le Monde, Bruce Hall, professor da Universidade de Duke, nos EUA, foi também bastante crítico em relação à intervenção governamental nas cidades património do Mali e falou em corrupção. "Foram gastos milhões de dólares na digitalização e conservação de manuscritos nos últimos dez anos, pela UNESCO e por fundações americanas. Quase nada foi feito. O dinheiro desapareceu no Mali, mas também nas mão de pseudo-especialistas ocidentais que discutiram muito mas fizeram pouco."


O balanço do que se perdeu nos últimos meses em termos patrimoniais pode muito bem nunca vir a ficar completo, acrescenta Santiago Macias. "A destruição vai continuar e o conflito não deve ficar por aqui. No Mali, como em todo o lado, o património é muito importante, mas não é mais importante do que as pessoas. Enquanto a pressão sobre as populações for enorme, não é de esperar que os extremistas deixem de ter no Mali terreno fértil."

Texto da jornalista Lucinda Canelas (Público de 3.2.2013)
Fotografia de Benoit Tessier

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O BPN? QUAL BPN? O QUE DIABO É O BPN?

No jornal Público:
Esta ligação [de Franquelim Alves] ao BPN levou o PCP a afirmar que esperava que Cavaco recusasse empossar o novo secretário de Estado. A justificação? Franquelim Alves omitiu a sua passagem pelo grupo SLN/BPN e as imparidades no Banco Insular - no currículo oficial divulgado pelo Governo não consta qualquer referência a essas funções. O deputado comunista Honório Novo lembrou que Franquelim Alves foi administrador do grupo sob as lideranças de Oliveira e Costa e Abdul Vakil. "Durante a primeira comissão parlamentar de inquérito sobre o BPN, ficou patente que Franquelim Alves conhecia no princípio de 2008 tudo o que dizia respeito ao Banco Insular", até "um volume significativo de imparidades e de actos irregulares de gestão no grupo BPN/SLN", justificou Honório Novo citado pela Lusa. "Por isso, o PCP considera que uma pessoa desta natureza e com este currículo - que Franquelim Alves omite na sua folha oficial de apresentação do seu passado - dificilmente poderá ser indigitado como secretário de Estado de um Governo do nosso país", argumentou.


Fontes governamentais insistem que não senhor, que não há nada a dizer. Esta cena da nomeação de Franquelim Alves faz lembrar aquela tirada do velho militar corrupto do Astérix na Córsega. Que ao ser interpelado por um subalterno, que detetou uma situação estranha, responde: "Aquilo tudo, o quê? Chega um barco, três tipos saltam do barco, que fica deserto e explode. Outros tipos chegam a nado. Tudo isto é banal. Nem sequer há com que fazer um relatório".

BUENA VISTA SOCIAL CLUB

É um filme muito bonito. Com um toque de nostalgia, sem cair na pieguice; com um registo rigoroso sobre cada um dos intervenentes, sem se tornar intrusivo; filmando Cuba e conseguindo ficar à margem do banal registo do "pró" ou "contra". Wim Wenders não teria feito o filme sem o papel decisivo que nele teve Ry Cooder. A quem os músicos cubanos ficaram a dever um reconhecimento planetário, que os lançou numa segunda, e tardia, fase das suas carreiras musicais.

Há coisas tipidamente wenderianas no filme - como o recurso à motorizada com o side-car -,  num estilo de abordagem que oscila entre o flamboyant e o intimista. As cenas de Buena Vista Social Club (1999) não costumam estar disponíveis na net. Mostro esta, que é uma das minhas favoritas. O diálogo entre os músicos beneficia bastante daquele movimento de câmara em círculo, muito ao jeito de Alan Tanner. Ah, e outra coisa, os raccords são perfeitos.

A rodagem do filme teve um remate absolutamente estúpido e pidesco: Ry Cooder viria a ser condenado pelas Finanças americanas a pagar 25.000 dólares. Porquê? Por ter gasto dinheiro em Cuba sem a autorização daquele organismo. Ainda bem que Ry Cooder foi a Cuba. Vejam porquê:



Duerme en mi jardin
las blancas azucenas, los nardos y las rosas
mi alma, muy triste y pesarosa
a las flores quiere ocultar su amargo dolor

sábado, 2 de fevereiro de 2013

CHECKPOINT

O Conde d'Aguilar é um dos meus grandes mitos de infância. Vi-o atuar na Feira de Setembro, em Moura, em 1970 ou 1971. Fiquei fascinado com aquele aparato todo, a casaca, o chapéu alto, o ar distante. E os truques, todos eles inexplicáveis. O cartaz à porta do circo era exatamente este que aqui se reproduz.

A que propósito surge aqui o Conde d'Aguilar (nome artístico de Saúl Fernandes de Aguilar)? Por causa de uma recente viagem, que me obrigou a passar por um daqueles checkpoints num aeroporto. Para vergonha e desespero de quem me acompanhava tirei dos múltiplos bolsos do casaco: uma carteira, um porta-moedas com 6,77€ em moedas de todos os tamanhos, uma Leica M-6, um fotómetro Minolta, uma cartão de embarque mais um cartão do cidadão, uma pen de 4 giga, um rolo fotográfico HP-5, um rolo fotográfico FP-4, as chaves do carro, as chaves de casa, um lenço de assoar, uma embalagem de lenços de papel, um telemóvel, um carregador de telemóvel, três esferográficas (uma das quais não escrevia) e um moleskine. O comentário foi algo como "como é que consegues meter essa lixeira nos bolsos?". Fiquei triste. Achei que só o Conde d'Aguilar me compreenderia.

 



Homenagem ao Conde de Aguilar, ilusionista

conde da guarda
conde da foz
conde de foulques de maillé
conde da folgosa
conde de fijó
conde da ervideira
conde de castro marim
conde castro
conde de castelo mendo
conde de castelo melhor
conde de castelo branco
conde de casteja
conde de carnide
conde de caminha
conde de cabral
conde de botelho
conde da borralha
conde do bonfim
conde de bonfils
 conde de bobone
conde de belmonte
conde de barcelona
conde da barca
conde da bahia
conde da azarujinha
conde de avilez
conde de ávila e bolama
conde dos arcos
conda das antas
conde do ameal
conde de alvor
conde de alvellos
conde do alto-mearim
conde de almeida araújo
conde de almarjão
conde de almada
conde das alcáçovas
conde de albuquerque
)conde de aguilar(
conde de águeda

Alexandre O'Neill (1979)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

QUARTÉIS - NOVA VIDA EM ZONA ANTIGA


O edifício em si tem História. As imediações também. O processo de reabilitação daquela área teve início há cerca de 5 anos. Da ideia se foi ao projeto e deste se passou à obra. Assim se passou o tempo e assim se fizeram as coisas. O projeto da zona envolvente é da PROAP, a obra foi concretizada pela VIBEIRAS.

A cidade ganhou mais um agradável espaço de lazer. Assim se eliminou um dos buracos existentes no meio de Moura. Assim se trabalha, também, para tornar a cidade mais atrativa para quem nos visita.

E o edifício? É o passo seguinte. A falência da empresa que tinha a obra a seu cargo atrasou o processo. A conclusão é desta, assim esperamos. Quando é que a obra estará terminada? Em finais deste ano ou nos inícios do próximo. O futuro é em frente.


Reportagem fotográfica: Rui Bebiano

MOURA SEM FIOS

Acesso livre à Internet em espaços públicos

A Câmara Municipal de Moura disponibiliza, a partir de hoje um renovado acesso livre à internet sem fios em espaços públicos da cidade.

Assim, a partir das 09:00 de hoje, quem circular nas imediações da Praça Sacadura Cabral, Jardim Dr. Santiago, Piscinas Municipais, Jardim da Porta Nova e Parque de Feiras e Exposições passou a ter disponível a rede wireless em sinal aberto.

Há 25 anos as coisas não eram assim... 


LÓGICA - INAUGURAÇÃO DO EDIFÍCIO-SEDE


Foi hoje. Foi bonita a festa, pá! A manhã do dia em que Moura comemora 25 anos como cidade foi assinalada com a inauguração oficial do edifício-sede da LÓGICA, uma empresa municipal que recentemente teve sucesso num difícil processo de acreditação. Poucos acreditaram neste projeto, nos dias em que o mesmo arrancou. Muitos se lhe opuseram. O edifício está construído, o laboratório está a funcionar. Em volta há equipamentos de experimentação e de testes. A LÓGICA trabalha em rede com instituições ensino superior e tem, neste momento, contactos na Nigéria, no Brasil e em Angola.

Uma vitória para a Câmara Municipal de Moura mas, sobretudo, para toda a equipa da LÓGICA.

A burrice da lei que foi aprovada a propósito das empresas municipais impede que estas tenham participações noutras entidades. Ainda que não perceba como é que uma empresa se pode internacionalizar e criar negócios sem participar em redes, posso informar que foram criados pela LÓGICA mecanismos que permitem contornar o obstáculo. Gasta-se mais tempo e perde-se eficiência, mas chega-se lá.

FILMES CASTELLO LOPES APRESENTA UMA PRODUÇÃO...


Volta a estar na ordem do dia um livro com 50 anos: Decline of the cinema, de John Spraos. O encerramento de 49 salas de cinema da Castello Lopes é uma triste notícia. Dezenas de famílias vão ter uma vida mais difícil a partir de agora. Milhares de espetadores deixam de ter salas a partir de agora (e não! um ecran de plasma não é a mesma coisa nem ver os filmes em casa é a mesma coisa).

Este logo é o símbolo antigo da Castello Lopes. A exibição dos filmes era antecedida pelo anúncio da distribuidora. Que podia ser a Mundial, a Lusomundo, a Rank (com aquele inconfundível gongo) ou a Filmitalus. Muitas vezes, pela distribuidora ficávamos com uma ideia do que se ía ver. Até porque, com frequência, o filme em si era o menos... Cinema às 4ªs, sábados e domingos no Cine-Teatro Caridade. Às 3ªs, 5ªas, sábados e domingos no Pavilhão Mourense. Recordações de um tempo em que comecei a ver cinema. E a gostar de cinema.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O OPUS DEI NÃO GOSTA DE "A REVOLUÇÃO DE 1383"


Proibir costuma ser uma ótima propaganda. Com frequência, é também uma distinção. No início da semana, o DN publicou um trabalho sobre os livros proibidos pelo OPUS DEI. Nos vinte portugueses castigados com a punição máxima (C3: a obra é incompatível com a doutrina católica) havia apenas um ensaio. Qual? "A Revolução de 1383", de António Borges Coelho. Não resisti a telefonar ao Borges Coelho. Que me atendeu com um par de gargalhadas e me confessou sentir-se honradíssimo. Pessoas como ele têm a característica única de nunca perderem a calma nem a bonomia. Sempre conheci o Borges Coelho assim, paciente e com insuperável classe.

O Opus Dei não gosta do livro sobre a revolução? É porque os censores não leram as poucas-vergonhas que há nas páginas sobre a Inquisição de Évora. Teriam de arranjar uma categoria extra...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

TALASSOTERAPIA - 5/10


L’Homme et la Mer
Homme libre, toujours tu chériras la mer!
La mer est ton miroir; tu contemples ton âme
Dans le déroulement infini de sa lame,
Et ton esprit n’est pas un gouffre moins amer.

Tu te plais à plonger au sein de ton image;
Tu l’embrasses des yeux et des bras, et ton coeur
Se distrait quelquefois de sa propre rumeur
Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.
Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets:

Homme, nul n’a sondé le fond de tes abîmes,
O mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!

Et cependant voilà des siècles innombrables
Que vous vous combattez sans pitié ni remords,
Tellement vous aimez le carnage et la mort,
O lutteurs éternels, ô frères implacables!

Por terras de França, e ainda a partir da exposição As idades do mar, uma tela de Courbet e um poema de Baudelaire.  Numa e noutro se evidenciam a impenetrabilidade do que se esconde além da superfície. O realismo de Courbet é, aqui, menos comprometido socialmente, mas não é por isso que o drama tem menos dramatismo.

A talassoterapia já terminou, na Gulbenkian. Prosseguirá aqui, no blogue, até dia 21 de março.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

REVISITAR O PASSADO NO CABEÇO REDONDO

Fui ontem surpreendido pela visita de um jovem colega, Rui Manuel Gusmão Monge Soares, que me veio entregar um exemplar da sua dissertação de mestrado (O Cabeço Redondo - um edifício da Idade do Ferro pós-orientalizante na Herdade do Metum - Moura), recentemente defendida, com brilhantismo, na Faculdade de Letras de Lisboa. O tema está algo distante dos meus interesses cronológicos, mas o sítio de Cabeço Redondo está ligado a uma parte do meu percurso na Câmara de Moura. Visitei o local, em 1990, depois da sua destruição e poucos meses antes de rumar a Mértola. Na altura recolheu-se o que foi possível. Recordo, em particular, um elevado número de ânforas púnicas. Grande parte da informação perdeu-se, mais tarde, por razões que nunca consegui clarificar. O tema do Cabeço Redondo foi retomado, muitos anos depois, pelo Rui. Que o tomou como study case. Um estudo exemplar e de grande rigor metodológico, que é mais uma peça a sublinhar a extraordinária importância patrimonial do concelho de Moura. O Rui Monge Soares irá abalançar-se, decerto, para o doutoramento. O caminho está aberto. Em todos os sentidos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ASSIM UM BOCADINHO DE PATERNALISMOZINHO...


“Daqui a pouco vêm aí outra vez os três reis magos, um do Banco Central Europeu [Rasmus Rüffer], outra da Comissão Europeia [Jürgen Kröeger] e o mais escurinho, o do FMI [Abebe Selassie], e já se fala em mais medidas de austeridade”, afirmou o líder da CGTP, Arménio Carlos.

O mais escurinho? Ó diabo, camarada... Não foi propriamente um grande momento de oratória, pois não?

ESTÁDIO DAS SALÉSIAS - 85 ANOS


A mítica final da Taça de Portugal de 1939, ganha pela Académica ao Benfica (4-3), foi lá. O Estádio das Salésias (1928-1956) ocupou, durante quase 30 anos, um lugar central no futebol português. Foi inaugurado há exatamente 85 anos. Quando o fotografei era mais um ervado que um relvado. Hoje está pior ainda (v. aqui).

Torna-se difícil entender porque se investe tanto em equipamentos de raíz nas periferias quando há espaço com potencial em zonas centrais. Torna-se difícil aceitar esta portuguesíssima tendência para esquecer e eliminar a memória dos sítios.

domingo, 27 de janeiro de 2013

A FRONTEIRA, NOUDAR E BARRANCOS

Não é meu hábito falar do que não conheço. A exceção é, contudo, mais que justificada. Refiro-me à dissertação de mestrado em História Moderna, do meu colega João Ramos. Foi defendida, na passada sexta-feira, na Universidade de Évora e obteve a classificação de 18 valores (veja-se o blog de Zélia Parreira). Título do trabalho de investigação? Fronteira e relações do poder. Noudar e Barrancos no Antigo Regime. Fico a aguardar a possibilidade de uma leitura.

Parabéns, João Ramos!

sábado, 26 de janeiro de 2013

AS CORES DO ISLÃO


Há o negro dos abássidas, tal como há o verde dos omeias. Mas a cor da arte islâmica vai muito além disso. Pude constatá-lo esta tarde. Nas peças mais inesperadas e da forma mais surpreendente. A arte do Islão é a arte de cada território, num processo que vai buscar raízes ao passado e se projeta no tempo. A formulação, bem mais complexa do que aqui se diz, é de Oleg Grabar. Continua atual, apesar do tempo que passou.

As artes do Islão, numa renovada ala do Louvre, são uma festa de cor. Ou isso me pareceu. Ou isso senti. O tom de coral de uma taça iznik, os mosaicos de Damasco, a cerâmica e a tapeçaria do Irão. Mais os prolongamentos pelo mundo indiano. Não encontrei vestígios da arte islâmica africana (não me refiro ao Maghreb, mas ao Islão negro). Curioso e significativo, num momento em que os fanáticos se movimentam nesse espaço. Deixemo-nos, ainda assim, guiar pelas muitas cores do Islão.

Ver: http://www.louvre.fr/departments/arts-de-lislam

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

GRAND HOPPER

Há na manhã de Hydra uma claridade que é tua
Há nas coisas de Hydra uma concisão visual que é tua
Há nas coisas de Hydra a nitidez que penetra aquilo que é olhado por um deus
Aquilo que o olhar de um deus tornou impetuosamente presente -

Na manhã de Hydra
No café da praça em frente ao cais vi sobre as mesas
Uma disponibilidade transparente e nua
Que te pertence

O teu destino deveria ter passado neste porto
Onde tudo se torna impessoal e livre
Onde tudo é divino como convém ao real

Hydra, Julho de 1970



A recordação de Hydra trouxe-me ao poema de Sophia, que li, há anos, naquele mesmo café. Mais se tornou importante em frente às telas de Hopper, que andam à volta da luz e das várias tonalidades da luz. Autores como Hopper são uma ajuda decisiva para os amadores de fotografia, como eu. A sua luz é cinema e teatro ao mesmo tempo. A desolação urbana remete para uma dramatização que é familiar aos planos de tantos filmes. Não é por acaso que a exposição abre com uma fotografia de Wim Wenders. E que perto do fim há uma importante sequência de imagens de Philip-Lorca di Corcia. Que já por aqui passou.

Este quadro, Sun in an empty room, é do ano em que nasci. Escolhi-o porque uma amiga minha diz, sempre, que só fotografo sombras. Ao menos, estou bem acompanhado.

Hopper está no Grand Palais, em Paris, até 3 de fevereiro.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

PRIMEIRAS LEITURAS: A AVENTURA NO BARCO

Mais uma memória dos 9/10 anos. Os livros da série "aventura", de Enid Blyton (1897-1968). Aventuras em família, mas de grande fôlego. A série foi escrita entre 1944 e 1955. O meu volume preferido é este, A aventura no barco. A história inclui o Mediterrâneo, uma fuga numa semi-desértica ilha grega, um labirinto e um tesouro dado como perdido. Há salteadores de sítios arqueológicos pelo meio. Deve ter sido o exotismo que me arrastou para este livro. E talvez para algo mais. Lembrei-me dele, muitos anos depois, na ilha de Hydra, durante um longo passeio até um mosteiro esquecido numa montanha.

Mais um livro "esquecido". Já não se encontram nas bibliotecas, creio eu. Oxalá esteja enganado.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

GILDA

Um filme para sempre. Uma mulher inesquecível. Que tinha na cena em que descalçava a luva algo que era tido, à época (1946), como a quinta essência do erotismo. Lá isso não sei, mas que a simples aparição de Rita Hayworth é uma explosão de sensualidade, lá isso é. Ela tinha nessa altura 28 anos. Gilda é um filme quente e de emoções fortes. Não há sopa morna. Não há molezas. Não há "consensos". Ou seja, as coisas são como devem ser. Tudo ou nada.

O que aqui deixo não é bem um excerto do filme, mas sim uma colagem de cenas. O espalhafato é evidente e mostra um pouco do que Gilda é. Realizador? Charles Vidor (1900-1959).

A música é um samba de 1933. O original é de Carmen Miranda. Gosto muito desta versão é dos Pink Martini.

Nota à parte: uma vez usei músicas dos Pink Martini numa campanha da CDU. Nunca mais me deixaram trabalhar nesse setor das campanhas...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

E É CATÓLICO, IMAGINEM SE NÃO FOSSE...


Tendo em conta que mais de 30 milhões de votantes têm mais de 60 anos (ele próprio é um jovem de 72 primaveras) só podemos concluir que Taro Aso optou por um hara-kiri oral.

TALASSOTERAPIA - 4/10


Joaquín Sorolla (1863-1923) está presente na exposição As idades do mar, mas não com este quadro. Em todo o caso, as velas pintadas pelo naturalista valenciano dão-nos sugestões de um verão que ainda vem demasiado longe. Recupere-se essa imagem e recuperem-se, também, as palavras de Cecília Meireles. Um pouco mais de luz e um pouco mais de calor.


Pescaria

Cesto de peixes no chão.
Cheio de peixes, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.

Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.

As mãos do mar vê e vão,
as mão do mar pela areia
onde os peixes estão.

As mãos do mar vêm e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.

Por isso chora, na areia
a espuma da maré cheia.

O TAMANHO É IMPORTANTE?

A pergunta pertence ao domínio dos "clássicos sem resposta". Veja-se a imprensa de hoje, e para que o dia seja menos cinzento:

Hannover, Alemanha 22 jan (Lusa) - O treinador do clube de futebol alemão Hannover, Mirco Slomka, admitiu hoje a sua surpresa ao constatar que o novo reforço da equipa, o médio brasileiro França, é nove centímetros mais baixo do que o anunciado.
Slomka esperava um médio defensivo de 21 anos, que era descrito como imponente nos seus 1,90 metros e 88 quilos, mas afinal, quando França chegou ao clube alemão é que foi descoberto que havia uma clara discrepância nas medidas anunciadas.
"O que é que posso dizer. Fui surpreendido. O único critério foi ter atenção ao tamanho do jogador", avançou Slomka ao jornal alemão Bild, depois de uma fita métrica ter confirmado que França tinha "perdido" nove centímetros.