domingo, 31 de janeiro de 2021
CORONAVÍRUS: INFORMAÇÃO NA RÁDIO RENASCENÇA
MOURA NA OBRA DE DIOGO MARGARIDO
É um nome pouco conhecido, o deste fotógrafo nascido no Escoural, em 2.2.1932. Tem vindo a ser descoberto aos poucos. Vantagens do facebook (tem algumas...), a sua página Fotógrafo Diogo Margarido - https://www.facebook.com/FotografoDiogoMargarido - tem imensas fotografias de grande qualidade. Encontrei quatro (haverá outras, provavelmente), referentes a Moura. Todas datadas de 1958. São peças de grande valor documental e de elevada qualidade plástica. Gosto especialmente do toque grego dos gatos e dos vasos de flores expostos, numa casa do castelo (ainda as havia) ao jeito de festão ou de uma grinalda, como se de um templo clássico se tratasse. São imagens de um mundo diferente e já longínquo. Aos saudosistas - tanto que nós perdemos (nunca percebi exatamente o que é que perdemos dessa Moura dos anos 50 ou 60...) - chamo a atenção para um detalhe: as crianças descalças, numa das fotografias. Tantíssimo que nós perdemos, de facto...
sábado, 30 de janeiro de 2021
NÃO É POR MAL? NUNCA É POR MAL...
Li hoje um importante e sentido texto de Eunice Tiago. Conheço bem a família da Eunice, que é da Póvoa da S. Miguel, e sou amigo de muitos dos seus parentes. Um deles contou-me, há não muitos meses, os ataques e as piadas racistas que sofreu, quando estudava na Secundária de Moura. Fu que fui buscar ao instagram e aqui reproduzo, ipsis verbis:
São os ciganos agora, mas há 44 anos atrás, se com o meu avô tem vindo metade da minha família negra para a Póvoa S. Miguel não seriam os ciganos, mas seriamos nós, os pretos.
Porque lá está , tem que haver um bode expiatório.
O meu avô é branco e a minha família paterna direta é 50% negra e 50% branca. A minha mãe também é "branca", mas toda a vida fomos os pretos.
Eu sou filha do Luís preto (que muito me orgulho), os meus primos são filhos do X preto.
Não somos filhas da Manuela...somos filhas da Manuela que está casada com o Luís preto.
É duro pessoas, mas é isto.
Nós damos de barato, porque " há não é por mal".
Pessoas: por bem não é. Já é hora de pararmos com estes epítetos raciais. Acho eu. Não sei...
Já agora o nosso apelido é Tiago.
E tenho muitas mais histórias de quando os meus avós chegaram à Póvoa depois da guerra, que vos arrepiavam os cabelos.
Mas vamos ás que eu vivi:
O meu filho nasceu branco, é loiro.
Ás vezes em tom retórico (porque não creio que esperem resposta a este tipo de perguntas) dizem-me: "aiii o menino tão branquinho, não sai à mãe, não?" ao que respondo em tom de ironia e escárnio "pchiuuu, pulei a cerca! Não contem ao pai dele." E as pessoas riem-se, mas não se mancam.
Numa feira de Natal, há cerca se 1 ano, uma senhora da Póvoa que conheço (com uns 50 e poucos anos) disse-me:
"aiii tão lindo o menino, ainda bem que nasceu branco."
Ao que indaguei incrédula: "então porquê Dna não sei das quantas?! eu gostava muito que ele fosse molatinho se tivesse que ser."
Ao que ela responde:" cá agora! O rapaz havia de ser mais bonito preto não?!"
Eu achei que não valia a pena a conversa...Quem estava comigo e presenciou isto, só olhou para o chão também sem querer acreditar nesta conversa.
Ofensas comuns, não fazem muito parte do meu reportório de criança/adolescente. Para me ofender (pensavam) bastava o preta de merda ou preta do caralho, volta para tua terra.
Eu nasci aqui, sou tão portuguesa como outro português qualquer.
Posso contar muitas mais...mas por agora CHEGA!
Mais explícito não podia ser.
A HISTÓRIA ATRAVÉS DOS OBJETOS: MÉRTOLA NO M.N.A.A.
Aqui se continua, militantemente, a divulgar a exposição "Guerreiros e mártires". A mais recente referência veio no Boletim Cultural de Mértola. O texto é da minha colega e amiga Lígia Rafael. Cito a seguinte passagem:
"Assumindo uma das suas funções de divulgação do acervo, seja nos diversos núcleos museológicos, seja através da participação em exposições temporárias organizadas em Portugal e no estrangeiro, o Museu de Mértola emprestou, para esta importante Exposição, 42 objetos onde se incluem peças de cerâmica, com destaque para a decorada em corda seca e uma talha estampilhada; peças de ourivesaria como um anel, fivelas e outros objetos de adorno, um molde e um cadinho de fundição e alguns objetos de armamento. No lote de objetos do Museu de Mértola está, também, incluída uma maquete da Mesquita de Mértola, todos objetos de destaque na exposição permanente do núcleo museológico de Arte Islâmica, atualmente encerrado para obras de requalificação".
Ver - https://www.cm-mertola.pt
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
LISBOA ROMANA
Fui assistindo, ao longe, ao crescimento do projeto. Um processo longo, com uma equipa vasta. O indiscutível interesse no estudo da Lisboa Romana tomou forma, com um plano ambicioso e bem sedimentado. Uma primeira visão do que se pretende concretizar está disponível na interessante e pedagógica página web. Como ponto de arranque não estaria mal, mas a coleção coleção Lisboa Romana | Felicitas Iulia Olisipo já vai no 4º. volume.
Não são os meus terrenos, mas há sempre espaço para seguir coisas bem feitas e para acompanhar colegas por quem tenho particular estima.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
BARCOS MATINAIS
Dormem na praia os barcos pescadores
Imóveis mas abrindo
Os seus olhos de estátua
E a curva do seu bico
Rói a solidão.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
JOHN MORTIMORE (1934-2021)
Nos meus tempos de adolescência, o futebol interessava-me muito. Seguia muito o Benfica. E lembro-me, claro, da primeira época de John Mortimore no Benfica (1976/77). Foi campeão nesse ano, no final de uma época atribulada. Só voltou a repetir o feito uma década volvida. Punha em campo um futebol contido, muitas defensivo, que fazia os nervos do Terceiro Anel em franja. O auge da fúria ocorria quando, a meio das segundas partes, invariavelmente tirava Eurico (5) e entrava Pereirinha (13). Falava um português deliciosamente péssimo, que nunca conseguiu melhorar. Um gentleman calmo e educado, que parecia um pouco antiquado. Ah, e que tinha uma pequena mania. Nos jogos na Luz vestia quase sempre camisola vermelha e calças pretas. Yo no creo en brujas...
John Mortimore partiu hoje. Deixa grandes recordações na Luz.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
MATAR O RACISMO
And since the quarrel
Will bear no color for the thing he is,
Fashion it thus: that what he is, augmented,
Would run to these and these extremities;
And therefore think him as a serpent's egg,
Which, hatch'd, would as his kind grow mischievous,
And kill him in the shell
domingo, 24 de janeiro de 2021
ARTE E REVOLUÇÃO
É um dos mais emblemáticos cartazes surgidos a seguir ao 25 de abril. Foi seu autor Marcelino Vespeira (1925-2002). Vespeira, além de autor do símbolo do MFA, participou ativamente nos programas de dinamização cultural. O design deste cartaz tem bem o "ar do tempo". Mas é bem bonito. Curiosamente, acho que, do ponto de vista gráfico, funciona muito melhor sem o slogan em rodapé.
Hoje é dia de votar, sempre pela Democracia, sempre contra o Fascismo.
sábado, 23 de janeiro de 2021
O ANTIGO GRÉMIO DA LAVOURA: UMA QUESTÃO DE FASQUIA
No dia 7 de setembro de 2017, no final do anterior mandato autárquico, foi aprovado um investimento de 2.770.000 euros para o antigo grémio da lavoura.
(Da página da CDU Moura no Facebook)
Perguntaram a Edmund Hillary porque tinha querido chegar ao cume do Everest. A resposta foi simples e direta: porque estava lá. Uma parte importante do que queremos fazer na vida prende-se com o estabelecimento de metas e com a forma de lá chegar. Com o chegar lá. Se as metas forem curtas e a fasquia baixa, tudo é mais fácil.
Transformar a renovação total de um edifício num arranjo de cobertura e de fachada é, como diria António Costa, muito poucochinho.
OUSAR SONHAR, OUSAR VENCER
Tenho menos uns 7 ou 8 anos que este meu amigo. Agora não é assim tão significativo. Nos tempos de juventude, sim. Discordamos amigavelmente em quase tudo o que tenha a ver com política e com a visão da sociedade. Ele é liberal assumido, eu um comunista relapso. Cruzámo-nos num restaurante de Alvalade, há umas semanas. Às tantas, aproximou-se da mesa onde me encontrava e mostrou-me um fotografia do telemóvel. Era ele, em 1972 ou 1973, por aí. De frondosa e desordenada melena (ninguém diria, tendo em conta o aprumado executivo dos nossos dias), de boina à Che e óculos de massa. Só consegui balbuciar um "oh, pá...", antes de desatar a rir.
Ficámos de almoçar um dia destes. "Temo" uma daquelas refeições com prolongamento e desempate por "penalties" (salvo seja). Entretanto, e como sei que gosta de poesia e é poeta, aqui fica, da extraordinária Cecília Meireles, esta Canção. Que tem a ver com o sonho. E com a necessidade da utopia. Sempre.
Canção
e o navio em cima do mar;
— depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
TERÃO ANDADO JUNTOS NA ESCOLA PRIMÁRIA?
Passei os últimos dias relendo textos de uma conferência sobre políticas europeias. Um inesperado, mas interessante e útil, "twist" na minha carreira recente. Os dados são interessantes, os participantes são conhecedores e as suas informações pertinentes e desenvoltas. Mas... (há sempre um mas) irrito-me a cada dois minutos, com o hábito dos participantes se referirem a protagonistas da política europeia como "o Macron", "a Merkel", "o Corbyn". Mas que raio? Tanta informalidade. Se calhar andaram com eles, e com Orban e o Timmermans, à escola, e a gente não sabia...
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
LE BROUILLARD ME FAIT PEUR...
Eram 21:14. A Rotunda de Pina Manique estava mais que deserta. A 500 metros de casa parecia viver numa cidade-fantasma. Passou um carro, depois outro, depois outro ainda, depois o 50, a caminho do Oriente, só com o motorista. O cenário merecia melhor aparelho e, sobretudo, melhor fotógrafo.
Para trás ficava um dia longo. Ainda tive de regressar às Amoreiras, recolher uma jovem amiga que estuda francês. Não resisti a provocar "podias ter escolhido o latim, também é uma língua morta...". Ignorou a brincadeira e seguiu em frente. Agora, vamos ser colegas de turma no estudo de um outro idioma.
Seguiu as minhas tentativas fotográficas com sardónica desconfiança. Voltámos ao carro dois minutos volvidos. Continuava a não se ver ninguém. A segunda vaga da pandemia vive-se em ambiente opressivo. O sentimento de impunidade e de invulnerabilidade deu lugar ao medo. Vai ser assim por muitos meses.
BROUILLARD
Le brouillard me fait peur !
Et ces phares – yeux hurlant de quels monstres
Glissant dans le silence.
Ces ombres qui rasent le mur
Et passent, sont-ce mes souvenirs
Dont la longue file va-t-en pèlerinage ?…
Le brouillard sale de la Ville !
De sa suie froide
Il encrasse mes poumons qu’a rouillés l’hiver,
Et la meute de mes entrailles affamées vont aboyant
En moi
Tandis qu’à leurs voix répond
La plainte faible de mes rêves moribonds.
Léopold Sédar Senghor (1906-2001)
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
MOZART NO CAMPO PEQUENO
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
À TUA, JOÃO FERREIRA!
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
O CORONEL KURTZ, EM ALMOUROL
O horror... O horror...
(a propósito de um projeto de "valorização" do castelo, que bem podia ficar em seu descanso)
XLIV - CRÓNICAS OLISIPONENSES
Ouvido no 54:
"Desde os tempos do 'Garganta funda' que não ouvia falar tanto no Capitólio...".
A pornografia no de Lisboa acabou há muito. No do outro lado, o ator inominável sai amanhã de cena. Pela porta dos fundos, como convém.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
EU TAMBÉM NÃO QUERO ESTA CONSTITUIÇÃO!
Não quero esta constituição de 1933!
Nem o acto colonial!
Nem o colonialismo!
Nem o racismo!
Nem a xenofobia!
Nem o fascismo!
domingo, 17 de janeiro de 2021
HOUVERAM E HAVERÃO
Estes e outros pontapés na gramática tornaram-se-me familiares. Erros? (Quase) todos damos. Mas os erros recorrentes e resultado de falhas no ensino são um flagelo. Que piora a cada dia que passa.
Mas isso sou eu. Que nunca percebi a TLEBS. Que sou um troglodita, um bota de elástico, um atrasado etc. Que acha, claro, que é decisiva a participação de todos na nova era digital, como é necessário não esquecer coisas básicas. Como a gramática e a capacidade da escrita.
O que conta é a capacitação digital, mais os "embaixadores digitais" (mais uma fantástica invenção) e a promoção da competência digital dos aprendentes (que linda palavra!).
Depois, os aprendentes (mais ou menos digitais) chegam ao 2º. e ao 3º. ano da faculdade e escrevem "haverão". Mas que estes desenhos com cores quentes e frias são giros, lá isso são.
MALAGUEÑA SALEROSA
Há dias fui "cair" num canal onde passava o "Desperado". Já aqui o referi e acho a sua violência gore melhor que muito Tarantino. Mas o que gosto mesmo é do arranque de "Once upon a time in Mexico", do mesmo Robert Rodriguez. Com António Banderas e a imortal "Malagueña salerosa".
Em dia de confinamento restam os jornais, rever a paginação de um livro (136 páginas: 20 sítios x 8 a 10 imagens, cada = dor de cabeça), preparar aulas e ver filmes. O dia está bonito, mas o passeio vai ter de esperar.
























