sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

HAVERÁ MUSEU REGIONAL DE BEJA EM 2015?

Artigo publicado na edição de hoje do Diário do Alentejo.


Escrevo este texto antes de se realizar a Assembleia Distrital de 29 de dezembro, na qual serão discutidas a situação que a instituição atravessa bem como o futuro do Museu Regional. Chegamos ao final do ano sem que se tenha chegado a uma solução que podia e devia ter sido encontrada.
Deixo, em quatro tópicos, uma síntese do passado recente deste processo, bem como algumas pistas que, a título individual, e sem me conseguir “desligar” da minha profissão de base, me parecem pertinentes.


1. A LEI 36/2014 E O FUTURO DA ASSEMBLEIA DISTRITAL (E DO MUSEU)
A lei estava anunciada e saiu no final de junho. Os prazos eram claros, tal como claro foi o enquadramento futuro para os trabalhadores: ou CIMBAL, ou Câmara de Beja, ou mobilidade. Esta derradeira hipótese implica/implicaria a perspetiva de encerrar o Museu. Podemos não estar de acordo com a lei, nem com a forma abrupta como foi posta em prática, mas há um mérito que temos de lhe reconhecer: o seu conteúdo não deixa margem para dúvidas. Idealmente, a transição deveria operar-se para a Câmara Municipal de Beja. Mas é evidente que um tal cenário só pode ser considerado num horizonte de médio prazo, tal como defendi no passado mês de janeiro, e mediante acordos entre todas as autarquias, que me parecem difíceis de obter num prazo razoável. A possibilidade de uma gestão repartida entre a Secretaria de Estado da Cultura e a CIMBAL parece-me também irrealista. Numa altura em que a SEC procura passar a responsabilidade de alguns dos seus museus para as autarquias parece improvável que se consiga, para o Museu Regional de Beja, o caminho inverso.
Na prática a Assembleia Distrital deixa de fazer sentido, nesta altura, ao ser esvaziada de competências. Resta, problema maior, resolver o futuro do Museu Regional de Beja.


2. UM ANO PERDIDO
Conhecido o enquadramento e o que nos esperava tentei, dentro das minhas competências, e tendo em conta que sou apenas 1 entre 14, arranjar uma solução. Os cenários possíveis eram conhecidos à partida. Este ano, onde foi necessário começar a perspetivar o futuro, tornou-se uma pequena via sacra: em 25 de março teve lugar uma sessão da Assembleia Distrital, entre 5 de maio e 9 de junho cumpri um périplo de contacto com os colegas das câmaras do distrito. A pergunta era sempre a mesma: que solução? Percebi que, no essencial, e ante uma situação de crise, se assumiria a solução possível. A saga continuou: no dia 24 de julho promovi, com a presença de figuras de relevo na área dos museus, um colóquio sobre o futuro do Museu Regional de Beja. Finalmente, no dia 9 de setembro, não sem alguma turbulência, foi decidido propor a transição de todo o património e do pessoal para a CIMBAL. O impasse persiste desde então. Dois ofícios enviados à CIMBAL (em 10 de setembro e em 13 de novembro) não tiveram, até à data, resposta.


3. UM MUSEU A BALÕES DE OXIGÉNIO
E assim chegamos ao dia de hoje. Há situações por resolver, do ponto de vista financeiro, há incumprimentos e houve, logo na altura do Natal, salários pagos de forma parcial. A situação em nada dignifica a Assembleia nem as autarquias. A ingénua crença que tinha no início deste ano de que a situação se comporia, rapidamente se esfumou.
Tal como disse nessa altura, muita gente olha para a assembleia e para o museu e pergunta: “mas afinal, para que raio é que aquilo serve?”. O que quer dizer que o próprio museu vai ter de trilhar novos caminhos, seja qual for o seu enquadramento futuro. Estamos a falar de um orçamento de 372.700 euros. O mais preocupante é olharmos para o orçamento e constatar que desse montante apenas 3.300 euros (0,88 por cento) são despesas de capital. Ou seja, o museu “consome-se” sem ter uma perspetiva, ou uma possibilidade, de investimento.
Um museu com o potencial do de Beja não pode trabalhar, apenas e só, a partir das comparticipações camarárias, seja no figurino atual, seja no âmbito da CIMBAL. Isso é prolongar a agonia. Há componentes científicas a promover (encontros, seminários etc.), mas há também um trabalho de promoção do museu a fazer. E isso abrange várias vertentes, incluindo uma marcadamente “comercial”. No que diz respeito à parte científica ou de investigação, é decisiva a abertura do museu à comunidade científica, através de um programa de curadorias em sistema rotativo, que traga ao museu propostas formuladas a partir do meio museológico, tendo as coleções de Beja como ponto de partida.


4. DA ASSEMBLEIA PARA A CIMBAL
O Museu Regional de Beja é uma peça essencial no futuro da região, na afirmação do território e da própria cidade de Beja. Assim esta o queira.
Foram várias as iniciativas em torno do Património e do Museu, nas quais participei. Em fevereiro de 2012 teve lugar o colóquio “Beja – imagens da cidade antiga”, com uma chamada de atenção séria para a situação do Museu Regional. Os resultados práticos foram inexistentes. Em maio de 2012 promoveu-se uma concentração à porta do museu, alertando de novo para um problema que se tornava cada vez mais sério. Nada de concreto se passou.
Chegado a este ponto, deixo aqui algumas questões, já em tempos formuladas: É admissível que se possa pensar no encerramento, por falta de perspetivas futuras (que têm de ser criadas), de um dos principais museus do Sul? É admissível que a cidade se alheie de uma das suas mais emblemáticas instituições e deixe que ela definhe, sem poder cumprir a sua função? É admissível que os poderes públicos olhem para um Museu (e logo este, cheio de carga simbólica e possuidor de uma notável coleção) como se encara um setor dispensável de um qualquer organigrama?

Depois de um ano perdido em hesitações de vária ordem, o tempo é agora mais escasso e o caminho ainda mais estreito. A Assembleia Distrital de 29 de dezembro terá sido, sobretudo, um momento de debate em torno de um problema comum. Não creio que o percurso possa ser muito diferente do que aquele que aqui se avança:
1)      Aceitação por parte da CIMBAL da transição efetiva do património imobiliário e dos recursos humanos;
2)      Estabelecimento de uma nova fórmula de cálculo (tendo em conta que o Município de Odemira deixa de fazer parte deste grupo), de forma a repartir a despesa do Museu Regional de Beja;
3)      Convocação, no início de janeiro, de uma assembleia extraordinária, destinada a garantir o pagamento dos salários durante a fase de transição;

A situação poderia, e deveria, estar resolvida há meses. Assim tivesse funcionado a boa vontade, essa decisiva mola propulsora de tantas decisões políticas.

Santiago Macias

Historiador – Presidente da Câmara Municipal de Moura e da Assembleia Distrital de Beja

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

VAI SER DESTA

Vai, vai mesmo... Com maiores ou menores dificuldades, mas vai ser desta. Vai ser em 2015 que vamos conseguir montar as exposições, com catálogo, de Francisco Hermenegildo (escultura) e de Francisco Marques (pintura). E de colocar cá fora o estudo de Arlindo Caldeira sobre Santo Aleixo. Há, para este ano, projetos maiores. Sem dúvida que sim. Deles iremos falando. À medida que os formos concretizando. Mas estes três refletem bem o genius loci que nos move. E que, todos os dias, nos motiva mais.

Aqui fica a promessa.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

MOURA A 360º, DE CIMA E DE BAIXO

Um site eventualmente pouco conhecido, feito a partir do trabalho de um fotógrafo mourense: Rui Ferreira.

Há vistas aéreas e outras à flor do chão. São perspetivas inusuais da nossa terra. Tenho a certeza que todos gostarão de ver estas fotografias. Foram feitas no âmbito do projeto da Regeneração Urbana. A iniciativa e o site foram/são da Câmara Municipal de Moura.

Ver - http://www.visitemoura.com e

Site do Rui Ferreira - http://www.rf-fotografia-aerea.com

Com o Castelo de Moura ao centro

Ângulo inverso, com a Salúquia ao centro

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ESTRELA DA NOITE

Foi, provavelmente, a mais extraordinária prenda de Natal deste ano de 2014. Foi-me dada pelos alunos do Jardim de Infância e da Escola Básica de Santo Aleixo da Restauração, no passado dia 1. Prometi usá-la na noite de dia 24. Assim fiz. Quase a acabar o ano recordo agora aquela bonita estrelinha da noite. Com a ajuda de Bernardo Soares. Eles ainda não ouviram falar de Bernardo Soares. Mas hão-de ouvir.


Ó noite onde as estrelas mentem luz, ó noite, única coisa do tamanho do universo, torna-me, corpo e alma, parte do teu corpo, que eu me perca em ser mera treva e me torne noite também, sem sonhos que sejam estrelas em mim, nem sol esperado que ilumine do futuro.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

MOURALUMNI

Este post é um teaser.

Eis o PROJETO MOURALUMNI. Vamos trazer de volta a Moura todos os antigos alunos da Escola Industrial e Comercial e da Escola Secundária que vivem fora e que se destacaram nos respetivos domínios profissionais. Como e quando? Isso será divulgado conjuntamente pela Escola Secundária e pela Câmara Municipal de Moura no início de 2015. A Rádio Planície irá apoiar a iniciativa. E mais não se diz, por agora. Um teaser é isso mesmo.

VAN EYCK E OS LARANJAIS INGLESES

As paisagens meridionais de algumas pinturas de Jan Van Eyck são reflexo da passagem do pintor pela Península Ibérica e do fascínio que a flora mediterrânica nele exerceu. Os olivais, as laranjeiras, ausentes no Brabante, fascinaram o artista.

Detalhe de L'agneau mystique, com vegetação mediterrânica

A que propósito vem isto? Por causa de uma notícia, no Observador, sobre passagens de ano luxuosas. Dava-se o exemplo de Weston Park, no centro de Inglaterra:
Não é apenas uma questão de lugar, mas também de tempo. Regressar ao passado e (re)viver, em primeira mão, uma experiência ao estilo da série Downton Abbey não é para todos. Pela primeira vez, a casa senhorial do século XVII Weston Park, situada em Staffordshire, em Inglaterra, vai estar disponível para reservas — até 30 pessoas — na noite de Passagem de Ano.
É provável que os lugares restritos já estejam ocupados, mas sonhar não custa: brindar com champanhe na biblioteca, dançar no laranjal e saborear, numa sala própria, um banquete composto por cinco pratos são algumas das promessas. O pacote custa 15.000 libras (cerca de 19.000 euros) e inclui ainda um chá à chegada e a estadia num dos 28 quatros da casa. E sim, há direito a pequeno-almoço (tardio) ou brunch, tal como manda a tradição inglesa.

No original:
Guests will soak up the grandeur of the House, toasting champagne in the Library and dancing in the Orangery.  Celebrations will be centered around the historic Dining Room, where a decadent five-course banquet will be served by the Head Chef.

E então? A graça disto é imaginar os frondosos laranjais do Staffordshire... Orangery não é um laranjal mas sim um edifício, uma estrutura de jardim, muito comum nos palácios entre os séculos XVII e XIX. Convenhamos que dançar no laranjal não é má ideia. Os laranjais são sítios ótimos para dançar. So they say...

Ver:
http://observador.pt/2014/12/26/passar-o-ano-com-luxo-e-em-grande-estilo/
e também
http://www.weston-park.com/event/new-years-eve-house-party/

sábado, 27 de dezembro de 2014

PASOLINI: AS MIL E UMA NOITES

Fiz aqui auto-censura. A cena que mais gosto é a da aposta (quem ama mais quem?) entre o rei Harun e a rainha Zeudi. Mas essa (ver aqui) poderia ser considerada como demasiado ousada, mesmo tendo em conta a relativa liberalidade do blogue. O mais divertido é constatar que o rei acorda os amantes usando o bastão que os religiosos usam, na Etiópia, durante as cerimónias...

Fiquemos com a poesia da história, com a poesia das imagens e com a poesia da arquitetura. É de tudo isso que este filme, mais um dos decisivos nos tempos de juventude, nos fala. Foi a penúltima obra rodada por Pasolini, antes do seu assassinato, em 2 de novembro de 1975.

Com este As mil e uma noites ganhou o Grand prix spécial du jury, em Cannes, em 1974.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

"CAGANER" ALENTEJANO

Chamaram-me, há dias, a atenção para esta curiosa e interessante figura de um presépio de uma localidade alentejana. Esta tradição do homem a defecar não é, que eu saiba, regional. A representação surge, de forma discreta, nas cascatas de São João e é uma "figura nacional" na Catalunha e no País Valenciano com o nome de "El Caganer". O cagão, que aqui nos aparece, está associado à sorte e à prosperidade. Bom, oxalá assim seja, e que a escatologia nos traga um bom 2015.

JÁ FOI NATAL

Tentei arranjar uma pintura contemporânea que representasse o nascimento de Cristo. As obras atuais de temática religiosa são raras. Os motivos são sobejamente conhecidos.

Um dos últimos autores a privilegiar a religião foi Georges Rouault (1871-1958), artista de grande talento e profunda devoção. Curiosamente, não encontrei dele uma única pintura sobre a Natividade. Tem muitas sobre a Paixão ou sobre Cristo com os Pescadores, mas nada sobre o nascimento.

Aqui fica, ainda em tempo de Natal, uma das suas paisagens bíblicas.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

BOAS FESTAS 2014

Há dois dias perguntaram-me em Moura se não havia música nas ruas. Sinceramente surpreendido, disse que havia. Justamente naquela tardes, os estudantes do Conservatório tinham espalhado o seu talento pelas ruas da cidade. Que não, não era música dessa, mas sim da outra, nas colunas de som. "Qual?", tornei, "a do chingalingaliga e a do let it snow? Dessa não há, de facto". Perguntaram-me se eram problemas de orçamento que levavam a cortar aí e nas iluminações de Natal. É um pouco isso, mas não só. Duas certezas:

1. Em 2015 haverá um programa de animação para o Centro Histórico;
2. Os comerciantes serão chamados a dar o seu contributo para esse programa.

Entretanto, aqui fica o clip de Boas Festas, produzido pelo Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Moura.



O blogue hiberna até sexta-feira à tarde.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

QUASE NATAL

É quase Natal. Sem o calor tropical de Gauguin, aquele homem estranho que deixou a sua vida de classe média para trás, foi renegado pela família e nunca mais voltou à pátria de origem. Nós somos, por vezes turistas. Gauguin era um viajante. Foi sem saber se regressaria. Não regressou.


É mais fácil de longe imaginar
o que seria ter-te aqui presente
do que seria ter-te e não saber
com que forma de corpo receber-te.
Talvez um amplo véu oriental
ou o brilho mental de uma armadura
me deixassem arder sem ser molesto
no lume horizontal de uma figura.
Se te vejo, já está o meu desejo,
enquanto estavas longe, satisfeito;
no teu olhar encontro tudo quanto
à altura de amor é mais perfeito.
E no entanto, perto, fico incerto
se não é melhor bem o que imagino.

Poema de António Franco Alexandre

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

IGREJA DE SANTO AMADOR

Notícia apropriadamente natalícia: a reparação da cobertura da igreja de Santo Amador irá ser financiada pela Câmara Municipal de Moura. As obras terão lugar na próxima primavera, quando o tempo o permitir.

Talvez alguns digam "mais museus...", mas a preservação do património arquitetónico é, para nós, um tema da maior importância.

CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA - NOVO SITE

Já está disponível:

www.cm-moura.pt

domingo, 21 de dezembro de 2014

JOHN CONSTABLE (confessando uma velha paixão)

Não sou entendido ou conhecedor de Arte. Mas a minha formação de base, neste domínio, está sempre subjacente aos interesses ou à leitura do quotidiano. Fui alertado, há muitos anos, por um texto de Lionello Venturi, para o caráter vanguardista de parte da obra de John Constable (1776-1837). Venturi não se referia às obras "acabadas", mas aos estudos e a versão não-oficiais dessas mesmas obras. Imagino que muitas delas - como este Seascape Study with Rain Cloud (c.1824) - não despertassem grande interesse ao público daquele tempo.

A paixão por essa faceta secreta de John Constable permanece intacta, até hoje. Foi importante para me ajudar a perceber a duplicidade que, tantas vezes, a realidade tem. Mas iluminou, sobretudo, o facto de ser o aspeto "inacabado" e "imperfeito" das coisas que mais estimulante as torna.

FÍSICA ELEMENTAR II - POST PARA OUTRO PLÁCIDO DOMINGO


Havia um santo-amadorense que dizia: "Dizem que a terra tem um eixo. Ai tem? E quem é que lá o vai untar???"

sábado, 20 de dezembro de 2014

ISAK BORG - VERSÃO COSTA LESTE

Não é um dos melhores Woody Allen, mas foi dos que mais me divertiu. É a versão neurótica de Morangos silvestres. Como os meus amigos próximos sabem (oh, não! outra vez aquela coisa do Bergman, diz uma amiga muito especial) é o meu filme favorito.

Em Deconstructing Harry, de 1997, Woody Allen regressa ao colégio de onde tinha sido expulso. O existencialismo setentrional paira por ali, mas Allen mistura-o com um personagem desfocado. Há uma prostituta com quem ele se envolve e há, no essencial, a angústia ao melhor estilo Konigsberg. 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

CHEGAR A CASA - 2º CAPÍTULO

Agora sim, chegou a confirmação: a Câmara Municipal de Mértola irá apoiar a curta-metragem de ficção que me propus realizar para o Festival Islâmico de 2015.

Está tudo previsto e garantido: atores, argumento, música, locução, tradução, design gráfico, catering, guarda-roupa, operador de imagem, estúdio de som, cenografia, construção de cenários... Só falta mesmo fazer o filme. "Um detalhe...", como costuma dizer o meu querido amigo Carlos Lopes Pereira.

Data de estreia - 15 de maio de 2015

FINAL DA TAÇA

Foi a minha penúltima final de Taça. A última a que assisti, em maio de 2005, foi um Vitória de Setúbal-Benfica, que não correu bem. Lembro agora este jogo, ao qual fui por solidariedade alentejana. A partida foi fraquita, e dela não guardo recordações, a não ser do golo. E de um furioso adepto do Beira-Mar, sentado mesmo atrás de mim. Estava a cair de bêbado e berrava, a cada 30 segundos, "Beeeeeeiraaaaa!". Pensei que ia ter um jogo tormentoso. No entanto, mal o jogo começou, fez-se silêncio. A medo olhei para trás. O ruidoso adepto deixara-se dormir. E assim ficou, em sono profundo, até ao fim (!) do jogo...

Recordações da taça, num ano em que não verei a final no Jamor.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

CENTRO DE ACOLHIMENTO A MICROEMPRESAS DE MOURA


A empresa municipal Lógica vai dar início ao processo de dinamização e gestão do Centro de Acolhimento de Microempresas de Moura (CAMM), situado no Parque Tecnológico da cidade.

Trata-se de uma iniciativa que representa um incremento nos apoios à actividade empresarial no concelho. No quadro desses apoios, as empresas que pretendam iniciar a sua actividade no concelho poderão instalar-se no CAMM a custo zero.

Neste “ninho de empresas” vão ser disponibilizados 11 espaços, designadamente 5 escritórios, com áreas entre os 16 e os 52 metros quadrados, e 6 armazéns, com áreas entre os 51 e os 105 metros quadrados.

Os contactos para informações e pré-inscrições podem ser feitos a partir da hoje, dia 18, para camm@logica-em.com ou pelo telefone 285254249, para a empresa municipal Lógica, entidade gestora do CAMM e do Parque Tecnológico de Moura.

Propriedade da Câmara Municipal de Moura, o edifício onde está instalado o CAMM beneficiou de apoio comunitário.

O Centro de Acolhimento de Microempresas de Moura deverá começar a funcionar a partir de fevereiro de 2015. O arranque deste projeto significa uma nova fase na vida do Parque Tecnológico de Moura.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

EEEEEEUUUUUUU !!!!

“Quem é que em Portugal não confiava em Ricardo Salgado?…”


VIVA CUBA!

O EMBARGO NÃO TEVE OS EFEITOS DESEJADOS, diz Obama...

ANTIOQUIA, MÉRTOLA, DOIS MUSEUS E DUAS MENORÁS

A recente referência ao Worcester Art Museum fez-me regressar a um catálogo que lá me ofereceram:  Antioch - the lost ancient city. As ligações ao oriente dos mosaicos de Mértola eram mais que evidentes, mas não foi isso que mais me chamou a atenção. Numa das páginas do catálogo figura uma menorá, com a legenda Inscription with incised relief  of menorah. Surface find from Antioch, present location unknown. Já não bastava a imprecisão e descontextualização do achado, como ainda por cima não se sabia onde a peça estava. Mais outra ligação de Mértola às comunidades do Levante: na exposição da basílica paleocristã de Mértola pode apreciar-se uma lápide funerária, ratável do século V d.C., com a menorá. Outra coincidência: a peça de Mértola foi também resultado de uma recolha de superfície.



Já lá vão 21 anos. O catálogo da Basílica Paleocristã foi a minha primeira prova de fogo em Mértola. Uma prova difícil, e que na altura me valeu duras críticas internas... Palavras leva-as o vento, o catálogo ainda resiste, continuando globalmente válido, nos seus diversos domínios.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

MONTADO QUENTE

O António Galvão mandou-me, por mail, esta pintura. Montado evoca, sempre, calor. E o sul, com sentimentos à flor da pele. O António é do sul. Casimiro de Brito também.


Entro no teu corpo árvore
felina
como quem visita um templo
vegetal uma ilha impregnada
pelas especiarias mais raras
do sol e do mar. Ascendo em bocas
que bebem a minha seiva em dunas
que me lavam e queimam
humildes. Armas tão frágeis
as que temos: o mel a saliva o
sémen. Caminho
na luz obscura
com as mãos vazias
de quem nasce de novo. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

NA IDADE MÉDIA É QUE ERA BOM

A página anda no facebook. Trata-se, suspeito, de trabalho de um conhecido medievalista. Até suspeito quem poderá ser o/a autor(a)... O estilo de picar ilustrações é tributário do genial José Vilhena (v. aqui).

Estou roxo de raiva e de inveja por a ideia não ter sido minha. Assim sendo, só me resta recomendar a página: https://www.facebook.com/idademediaerabom?fref=ts

D'o cante alentejano

O CANTE, NO DIA DE HOJE

“Ia, no outro dia, descendo a rua quando ouvi, 20 metros mais abaixo, alguém que cantava no rio uma belíssima moda. Era uma daquelas vozes melancólicas e cheia de uns trinados que, mesmo no cante alentejano, vão sendo cada vez mais raros.

A voz do pescador enchia o anfiteatro natural que Mértola é, para meu encanto e para espanto de um grupo de turistas alemães  que assistia, fascinado, àquela magnífica exibição.

Ao escutá-lo não pude deixar de me lembrar de Michel Giacometti, que me contou que tinha em tempos ouvido as mesmas melodias, os mesmos cantos de trabalho, em Marrocos e em Portugal, prova provada que o mundo de cá e o mundo de lá são criação recente das polícias e das alfândegas. Não pude deixar de pensar naqueles que melhor representam as músicas de tradição mediterrânica. Na Ti Chitas, pastora de Penha Garcia, na "Senhora do Almortão", nos adufes de Idanha e em alguns grupos corais do Alentejo. Recordei-me das vozes únicas de Pepe Marchena e de El Cabrero e de, ainda que seja difícil convencer muitos portugueses que os fandangos de Huelva estão entre as mais belas sonoridades do mundo. Vieram-me também à memória os nomes de Manuel Bento, Perpétua Maria e Francisco António, artesãos daquela estranha e magnífica arte do cante e do toque campaniço.

A arte do cante do Mediterrâneo português definha. É com amargura que se ouve cantar cada vez pior, por entre grupos de música etnopimba e por entre supostas, e mais que discutíveis, modernizações. A voz daquele pastor de meia-idade representa o que vai resistindo de uma cultura milenar. Há muitas centenas de anos que as margens do Guadiana, e os esplendorosos cerros à sua volta, ouvem pescadores cantar a mesma musicalidade, dita umas vezes em latim, outras em árabe, outras enfim em português. A quem terá ele escutado aqueles sons? Terá ensinado algum neto a cantar como ele? Ou, no dia em que ficar demasiado velho, ninguém tomará o seu lugar naquele barco do Guadiana?

Ao ritmo lento da remada, o pescador continuou a cantar. No fim, os turistas romperam em aplausos e aos bravos!, como se estivessem em plena Ópera de Berlim. O pescador retomou as cantigas. Fui-o seguindo, até o perder na curva do rio.”

O texto que acabo de transcrever foi escrito, e publicado, há cerca de 15 anos, quando vivia em Mértola. Enganei-me. Estava errado e constato-o com prazer. O cante não definha, e a classificação como Património Cultural Imaterial da Humanidade, lograda há poucas horas, é a prova viva do meu erro. O cante enquanto encenação e forma de desfile e atuação em palco é coisa recente. O cante era, sobretudo, o das tabernas e das festividades. E o do trabalho, bem entendido. Decisivo mesmo é que se perpetue e eternize. E isso já não depende das classificações. Depende de nós.


Crónica publicada em "A Planície" de 1.12.2014.

Quem é o da fotografia? É o jornalista Pedro D'Anunciação. Que se entreteve a escrever no "Sol" uns disparates sobre o cante alentejano. Os franceses tiveram o D'Artagnan, nós temos o D'Anunciação... Cada um tem o D' que pode.

DIA DE S. FERNANDO ALVES

1. Estes dias são um martírio. E vão piorando à medida que se avança. Logo mais, antes e depois do jogo, vai haver diretos, com dezenas de apoiantes aos urros à volta dos repórteres. A quem, coitados, mandam fazer aquelas peças, de interesse absolutamente nulo.

2. Recuso-me a pagar aquele esbulho legal chamado SportTv. Casa do Benfica, aí vou eu!

sábado, 13 de dezembro de 2014

THE ROAD TO MADRID

Madrid, si tanto tienes tanto vales
y aunque falto de encinas, te respiro
bebiéndole los vientos al Retiro
y al oro del crepúsculo en Rosales.
Con otoños románticos prevales
para permanecer en el suspiro.
¿Dónde vamos, Madrid? A octubre miro
y con sabor de soledad me sales.
Mientras el corazón amarillea
la tarde, que no el cuerpo, me pasea
por las tranquilidades del palacio.
Todo se finge rápido y urgente,
pero yo te recorro lentamente
que las cosas del alma van despacio.

É, justamente, outono em Madrid. Mas aquela minha amiga vai passar por cima do outono em Madrid e verá, lá muito ao longe, esta esquina de Madrid. A casa era aquela, na Menéndez Pelayo, 63 - 4ºF. Mas não se via da rua. Um dia levo a minha amiga a passear ao Retiro e aponto-lhe a casa "era ali que morava a tua bisavó".

Poema de Luis López Anglada (1919-2007)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

JANTAR BENETTON

Ao entrar, há pouco, num restaurante de Moura, deparei com um animado trio em fim de jantar. Um deles interpelou-me "sabes porque estamos aqui?". Não fazia ideia. O esclarecimento veio de seguida: "fizémos, há muitos anos, parte da mesma junta de freguesia". Só então reparei que, de facto, o trio estava equilibrado: CDU-PS-PSD. Os anos, muitos, passaram. Conservam a amizade. E cultivam estes momentos de convívio. Achei bonito.