quarta-feira, 10 de abril de 2013

CLÁUDIO TORRES - HOMENAGEM EM LETRAS E EM MÉRTOLA

É na próxima semana, nos dias 19 e 20. Em Lisboa e em Mértola. Celebra-se o percurso de Cláudio Torres. Aqui fica o programa dos eventos, onde muitos amigos estarão, decerto, presentes.

MESA REDONDA – O MEDITERRÂNEO ISLÂMICO E MEDIEVAL
BALANÇO E NOVAS PERSPECTIVAS

Sexta-feira 19 de Abril de 2013
Anfiteatro 1 Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

PROGRAMA
10:00h Cerimónia de abertura
Prof. Doutor António Sampaio da Nóvoa, Magnífico Reitor da Universidade de Lisboa;
Prof. Doutor António Maria Maciel de Castro Feijó, Diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Prof. Doutor António Dias Farinha, Diretor do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Lisboa
10:30h Mesa Redonda: O Mediterrâneo Islâmico e Medieval
Dr. Cláudio Torres, Prof. Doutor António Borges Coelho, Dr. José Luís de Matos, Prof. Doutor Jorge de Alarcão e Prof. Doutor José Mattoso (a confirmar)
11:30 Pausa para café
CONFERÊNCIAS
12:00 Prof. Doutor Christophe Picard, Université de Paris I Panthéon-Sorbonne.
12:30 Dr.ª Isabel Cristina Fernandes, Gabinete de Estudos sobre a Ordem de Santiago
13:00 Pausa para o almoço
CONFERÊNCIAS
14:30 Prof. Doutor Santiago Macias, Investigador do Programa Ciência 2008 da FCT: Universidade de Coimbra - CEAUCP/CAM
15:00 Prof. Doutor Mário Barroca, Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15:30 Professor Catedrático Alexandre Alves Costa Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto
16:00 Prof. Doutora Maria Cardeira da Silva, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa
17:00 Encerramento
Prof. Doutor Hermenegildo Fernandes, Subdirector da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Prof. Doutor Luís Filipe Oliveira, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve
Prof. Doutora Filomena Barros, Universidade de Évora
Prof. Doutor Fernando Branco Correia, Universidade de Évora
Prof. Doutora Susana Gómez Martínez, Investigadora do Programa Ciência 2008 da FCT: Universidade de Coimbra - CEAUCP/CAM
17:30 Convívio

ORGANIZAÇÃO
            

 


 








MESA REDONDA

DESENVOLVIMENTO, PATRIMÓNIO E MUNDO RURAL

Sábado, 20 de Abril de 2013



Sede da Associação para a Defesa do Património de Mértola

10:00 Sessão de abertura.
Representante da Câmara Municipal de Mértola (a confirmar)
Representante do Campo Arqueológico de Mértola
Representante da Associação para a Defesa do Património de Mértola
Apresentação – Dr. Jorge Revez (ADPM)

10:30 Dr. Camilo Mortágua

11:00 Prof. Doutor Fernando de Oliveira Batista (ISA)

11:30 Pausa para café

11:45 Prof. Doutor João Guerreiro. Magnífico Reitor da Universidade do Algarve

12:15 Dr. Ana Paula Amendoeira (ICOMOS)

12:45 Prof. Doutor Juan Zozaya Stabel-Hnasen (AEAM)

13:00 Encerramento – Prof. Doutora Conceição Lopes (CEAUCP-CAM)

Almoço e convívio na Casa Amarela


ORGANIZAÇÃO
 
 
 

MELANCOLIA

O filme é sobre o fim do mundo, num ambiente de apocalipse, mas o que mais gostei foi da primeira parte, sobre uma desastrosa "festa" de um casamento que não o chega a ser. O ambiente é de permanente tensão e angústia. Lars Von Trier (n. 1956) não escreve filmes fáceis nem simpáticos. Este filme não é do sul, porque no sul não tivémos Ibsen nem Munch. Há escolas que se criam e desenvolvem ao longo dos anos. Se não há aqui um determinismo geográfico andamos muito perto disso.

Wagner, com Tristão e Isolda, pontua magnificamente o filme. Melancolia é o mais recente filme do cineasta dinamarquês. É a minha escolha, num dia cinza.




terça-feira, 9 de abril de 2013

COM A GNR, EM SAFARA

Final de tarde em Safara. Com a presidente da junta de freguesia, Ana Caeiro, com o meu colega de vereação, José Oliveira, e com cerca de duas dezenas de safarenses. O motivo foi a entrega de um convite, em tamanho gigante, à GNR. Devidamente paginado e com o texto: A CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA E A JUNTA DE FREGUESIA DE SAFARA CONVIDAM A GUARDA NACIONAL REPUBLICANA A PERMANECER NESTA FREGUESIA.

A atitude supreendeu, e divertiu, alguns dos militares. Seguiram-se alguns minutos de diálogo com o comandante. Câmara e Junta deram conta da sua discordância quanto à alteração de horário. Passa a cumprir-se um burocrático nine-to-five. Haverá patrulhas depois, mas isso é pouco. O interior precisa de mais e merece mais.

Ana Caeiro em entrevista à TVI

THATCHER E OS TERRORISTAS


Detesto a beatice do "Thatcher morreu e era excelente, apesar de não estar de acordo com ela".

Duas frases suas definem uma maneira de ver o mundo. Sobre o ANC disse que era "a typical terrorist organisation". Acrescentando ainda "anyone who thinks it is going to run the government in South Africa is living in cloud-cuckoo land".

Pois...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

AS CANCELINHAS, A BIBLIOTECA E A IGREJA DO CONVENTO DAS BEATAS



Três edifícios, três projetos, três histórias diferentes. O que as une? O nome da dupla de arquitetos, Victor Mestre e Sofia Aleixo. E duas localidades do concelho: Amareleja e Moura. A que propósito vem esta referência? É que Victor Mestre e Sofia Aleixo acabam de ser galardoados com um dos prémios EUROPA NOSTRA no domínio da reabilitação do Património. Trata-se de uma das mais importantes distinções da arquitetura, a nível mundial, e é atribuído anualmente pela União Europeia. A intervenção premiada foi, neste caso, o trabalho de reabilitação do Liceu Passos Manuel, em Lisboa. Por várias vezes ouvi o Victor explicar o processo de evolução do projeto e pude constatar a forma, inteligente e sensível, como ultrapassou as dificuldades inerentes à necessidade de dar nova vida a um velho imóvel, apetrechando-o para fazer face às necessidades educativas e sociais do século XXI. Isso faz-se sabendo desenhar e com imaginação? Sem dúvida, mas há uma outra componente que é essencial, chamada conhecimento. Os projectos do Victor e da Sofia são fruto de um conhecimento aprofundado dos materiais, dos sistemas construtivos e da História da Arquitetura. A obra do Liceu Passos Manuel é um exemplo prático e concreto do que acabo de dizer.

A relação do Victor Mestre e da Sofia Aleixo com o concelho de Moura é recente, tendo-se iniciado em 2007. Venceram três concursos para projetos de reabilitação, desenvolvidos numa das áreas em que tenho tido responsabilidades políticas, enquanto vereador: a dos estudos e projetos. Uma dessas intervenções, a das Cancelinhas, situa-se na Amareleja. É um processo complexo, que obrigou, por razões financeiras, a uma “divisão” das suas componentes em várias fases. O concurso para esta obra foi agora lançado. O resto é conversa fiada. O projeto da Biblioteca é, por seu turno, um notável projeto de recuperação de um dos mais belos palácios da cidade. Será uma das prioridades do próximo mandato autárquico. Em fase de obra está a bela igrejinha do Convento do Espírito Santo, que a tradição popular denomina como Convento das Beatas. Um projeto muito simples de adaptação do imóvel a galeria de exposições. É um estilo pouco vaidoso, o do Victor e da Sofia, para quem uma igreja como esta “já tem arquitetura de sobra”. Não é preciso, portanto, fazer grandes modificações, mas sim fazer o restauro do imóvel.

Ter autores assim a trabalhar no nosso concelho é bom? É, de facto, muito bom. Como se tem provado no decurso dos últimos anos, vale a pena irmos buscar fora de portas as soluções que não encontramos internamente. Ou que, podendo ser encontradas internamente se tornam de tal modo morosas que se perdem tempo e, sobretudo, dinheiro. Coisas que alguns aprendizes de política local continuam a ter dificuldade em perceber.

Crónica publicada em "A Planície" do passado dia 1 de abril. A fotografia foi tirada a um telhado de Ouarzazate, um daqueles sítios caros à cultura arquitetónica de pessoas como a Sofia e o Victor.

domingo, 7 de abril de 2013

LIBERDADES - VERSÃO WASHINGTON DC

Valham-nos os puritanismos americanos para nos relaxar um pouco.

Primeiro, o Presidente Obama disse que Kamala Harris, procuradora-geral do Estado da Califórnia (é senhora que está à esquerda na foto, by the way) "by far the best-looking attorney general", algo como "de longe, a procuradora com melhor aparência" (ou mais atraente, se se quiser uma tradução mais livre). Nada de palavras menos apropriadas, nem de expressões dúbias. Uma simples camachice de segunda divisão e, pronto, já teve de vir pedir desculpa.

Segundo, de acordo com o DN, "os congressistas republicanos Ileana Ros-Lehtinen e Mario Diaz-Balart, ambos da Flórida, dirigiram uma carta a Adam Szubin, diretor do controlo de activos estrangeiros do Departamento do Tesouro para solicitar informações sobre a permissão obtida pelo casal [Beyoncé e Jay Z, que foram a Cuba], quais os propósitos da viagem e quem a aprovou" (sublinhado meu).

Dois exemplos do american way. Não obrigado, é que apetece dizer.


LEITURAS A SUL

Uma recente deslocação ao outro lado do sul levou-me a selecionar um conjunto de textos que, sem terem a pretensão antológica ou de recolha, me parecem interessantes e mostram diferentes modos de olhar para Marrocos. Aqui vos deixo a lista, marcadamente pessoal e obrigatoriamente incompleta:

BEN JELLOUN, Tahar
Dia de silêncio, Bertand, 1990

BERQUE, Jacques
Mémoires des deux rives, Paris, Editions du Seuil, 1999

BOWLES, Paul
Días y viajes, Barcelona, Seix Barral, 1993

CANETTI, Elías
As vozes de Marraquexe, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1991

COELHO, António Borges
Raízes da expansão portuguesa, Lisboa, Prelo, 1976

GOMES, Manuel Teixeira
Agosto Azul, Bertrand, 1986

MADRAS, Didier
Dans l'ombre du Maréchal Lyautey, Rabat, Editions Felix Moncho, 1953

MERNISSI, Fatima
Êtes-vous vacciné contre le harem?, Casablanca, Editions Le Fennec, 1997

MERNISSI, Fatima
Sonhos proibidos - memórias de um harém de Fez, Porto, ASA, 2000

ZAFZAF, Mohamed
Une nuit à Casablanca in "Onze histoires marocaines", Paris, IMA, 1999, pp. 9-17

Mausoléu de Moulay Ismail - Meknes

sábado, 6 de abril de 2013

ENSAIO DE LUZ

Eis uma ante-estreia. Foi ontem à noite, por entre algum frio. Fez-se um dos últimos ensaios de luz do sistema de iluminação das muralhas e das estruturas do convento do castelo de Moura. Um projeto em progresso e que vê agora concluir-se a primeira fase. Deste trabalho se falará, mais em detalhe, dentro de semanas. Fica apenas a sugestão de um sistema que privilegiou, e bem, a dramatização das estruturas, em detrimento dos habituais holofotes de auto-estrada.

CASA ROMANA

O núcleo romano do Museu de Mértola foi inaugurado em 24 de junho de 1988. Foi, curiosamente, o primeiro núcleo a abrir ao público. O catálogo, de um espólio enriquecido por múltiplas descobertas e investigações, foi apresentado no passado dia 21 de março. Ou seja, 24 anos, 8 meses e 25 dias depois da inauguração. O que se "perdeu" no tempo decorrido ganhou-se no resultado final. Os textos são de Cláudio Torres, Virgílio Lopes e Lígia Rafael.

Com este livro, encerra-se um ciclo de publicações no Museu de Mértola. Uma instituição com prestígio e cujos projetos futuros terão de estar à altura, nomeadamente do ponto de vista técnico e científico, do que se fez desde 1988. É importante que se digam estas coisas, porque gente convencida que sabe deste ofício é coisa que por aí não falta. E, como diz um amigo meu, "a ignorância é muito atrevida".

sexta-feira, 5 de abril de 2013

...the rain is gone...



Um dia bom, o de ontem, embora um pouco em sexta a fundo. Correu tudo bem:

* Reunião numa empresa de design, o que permitiu calendarizar as próximas publicações;
* Miguel Relvas teve um lampejo de lucidez e demitiu-se;
* Reunião proveitosa e interessante com um responsável governamental;
* Participei no ciclo de aulas abertas na FCSH, a convite da Profª Maria Cardeira da Silva;
* O Benfica deu três no Newcastle;
* Houve bifanas e imperiais fora de horas, no local de paragem do costume;
* O site meteo.pt disse que a chuva vai parar;

À conta disso lembrei-me de anúncio da nescafé de que gosto muito. Uma coisa antiga e que não sei onde foi produzida, embora me dê a ideia que é portuguesa. A música de Johnny Nash é inspiradora. O VW Carocha não é menos inspirador.

SABONETES SANTA IRIA

Mistério publicitário em esquina lisboeta: publicidade aos sabonetes Santa Iria, promovida pelos Armazéns Grandella. Porquê a Santa Iria? O que tem a mártir cristã a ver com o tema? Alguém me dá uma dica?

quarta-feira, 3 de abril de 2013

HOMENAGEM A GONÇALO RODRIGUES DOS SANTOS


Homenagem a Gonçalo Rodrigues dos Santos, o serralheiro que concebeu uma das grandes criações da Lusitânia: a cadeira Gonçalo, elemento indispensável em qualquer esplanada digna desse nome. Isso foi, claro, antes do plástico ter rafeirizado o nosso quotidiano. O Cantinho e o Ideal tinham cadeiras destas. Foi na esplanada do Cantinho que, aos 12 anos, bebi o primeiro zézinho. Um zézinho era um copo de imperial (bem) mais pequeno que os outros. Ficou-me, daí, a paixão pelas esplanadas e pelos cafés à antiga, versão moderna dos fora.

A cadeira Gonçalo é um prodígio de funcionalidade. Em tempos recentes houve "recriações", concebidas por designers. Como a de baixo, que foi desenhada por alguém que nunca passou um par de horas refastelado numa esplanada, entre imperiais e tremoços. Tenho a certeza que não.


LE MATIN DU SAHARA ET DU MAGHREB


Faço esta publicação só para dizer que este jornal, que nem é nada de especial, do ponto de vista informativo, tem um dos títulos de imprensa mais bonitos que conheço: Le matin du Sahara et du Maghreb soa bem entoado de todas as maneiras.

terça-feira, 2 de abril de 2013

BOXE

É a segunda vez que o boxe faz a sua aparição no blogue. A primeira foi com o filme Belarmino, de Fernando Lopes. Aqui fica mais um pouco da nobre arte, como também é conhecido. Dedico este excerto de Raging bull, de Martin Scorsese, a todos os praticantes de boxe. E a todos os cinéfilos que gostam de boxe.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

MÉRTOLA - ARQUEOLOGIA EM 3 D

Depois de andar, durante vários anos, com as reconstituições da basílica do Rossio do Carmo e do bairro islâmico num DVD - que faz parte da exposição Mértola, o último porto do Mediterrâneo - resolvi-me hoje a colocá-lo no youtube. Uma estreia para mim, que nunca tinha colocado nada na conta. É, sobretudo, uma forma de divulgar o trabalho feito e de colocar à disposição dos interessados as propostas elaboradas. Os anos passaram - a exposição data de fevereiro de 2006 (!) - mas ainda não foram feitas, em Mértola, novas tentativas neste domínio.

O vídeo tem 16 minutos e pode ser visto aqui:

http://youtu.be/qYZancQl1Yc

QUANDO KHADDAFI ESTEVE PARA VIR A MÉRTOLA...

Foi no dia 1 de abril de 1992. Um grupo de amigos passou a véspera congeminando a forma de animar o quotidiano mertolense. Vai daí um deles resolveu pedir ao Abdallah Khawli que traduzisse para árabe uma "comunicação" da embaixada líbia, informando que Muammar Khaddafi se deslocaria a Mértola no mês seguinte, para visitar as escavações arqueológicas e apoiar a construção do Museu Islâmico. O "comunicado" era um texto delirante, que incluia indicações sobre as tendas necessárias ao alojamento da guarda pessoal do líder líbio e informações diversas sobre a comitiva, na ordem das várias centenas de pessoas.

Espantosamente, quando o fax chegou, ninguém telefonou para a embaixada a confirmar o que quer que fosse. Ao invés, chamou-se o Abdallah (que não se desmanchou) para fazer a tradução e convocou-se, de imediato, uma reunião extraordinária de câmara. Já a balbúrdia ia alta - com telefonemas às autarquias vizinhas, para resolver o problema das tendas - quando o Abdallah resolveu colocar um ponto final na brincadeira, lembrando que era dia das mentiras. Caiu-lhe tudo em cima. O Abdallah, cavalheirescamente, aguentou firme e não denunciou os comparsas. Nos dias seguintes quase se constituiu uma bolsa de apostas quanto ao(s) autor(es) da coisa.

Foi nos tempos, mais risonhos que hoje, em que essas coisas aconteciam assim no Campo Arqueológico de Mértola. Já lá vão 21 anos.

domingo, 31 de março de 2013

SOB O SIGNO DE HOPPER - IV: WIM WENDERS

Desertos urbanos, o de Edward Hopper e o de Wim Wenders. De Early Sunday Morning a Street Corner Butte, Montana vão 73 anos. Ambos me evocam a solidão física. Tal como Rilke.

Solidão 

A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.

Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:

então, a solidão vai com os rios...

Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"


sábado, 30 de março de 2013

PÁSCOA EM VIDAGO

VIDAGO é uma palavra que associamos a "água mineral". Ou a "termas". Ou a "spa", mais modernamente. Algo de muito relax e salutar. Não conhecia Vidago e a minha Páscoa, nesse ano de 2006, foi passada em Trás-os-Montes. Tudo correu tranquilamente, até o Lobo da Silva me apresentar a um amigo. Que fez questão de me dar a provar o seu vinho. Mais o seu presunto, que não comeu, por ser Sábado de Aleluia. "Mas vós, comede e bebede, c******!", bradava o senhor, de forma pouco pia. Deverei pagar esses, e outros, pecados. Não bebi água mineral em Vidago, admito. Mas o vinho e o presunto eram excelentes...

sexta-feira, 29 de março de 2013

EIS MARROCOS

Ao sul e leste o Saará, a oeste o Atlântico, a norte o Mediterrâneo, a oriente desertos e a estrada natural do norte de África, a estrada das invasões, das especiarias e do Islão: eis Marrocos.

No mapa parece um cavalo deitado voltado para o Mediterrâneo com a garupa nervosa bem recortada sobre o Atlântico. A cordilheira do Atlas com os seus 4000 metros de altitude liberta-o da estepe e dos desertos do Leste. Depois os seus campos vão descendo de planalto em planalto, abrindo sobre o oceano os seus largos terraços de terras úberes. Atlas, o velho gigante, não sustenta o céu com os seus ombros possantes, mas sustém estes açafates mouriscos que podem abarrotar de cereais, de gados e de frutas. Um outro braço de montanhas corre paralelamente ao Mediterrâneo - é a cordilheira do Rif, muralha onde vêm quebrar-se as ondas invasoras.


O excerto que acima reproduzi é o início de Raízes da expansão portuguesa, de António Borges Coelho. A primeira edição, de 1964, foi apreendida pela PIDE. Tenho um exemplar da 3ª edição, que comprei em dezembro de 1979. O livro era de leitura obrigatória na disciplina de História, no 11º ano. Fiquei preso ao estilo de escrita e à elegância poética do autor. Ao seu jeito um pouco sardónico, também. Foi texto que me acompanhou por estes dias. A imagem é do Civitates Orbis Terrarum, de Georg Braun (1541-1622). Representa Ceuta. Foi lá que tudo começou.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A CRISE - ONLINE E OFFLINE

A informação tem coisas curiosas. Ao olhar hoje o diário económico de Casablanca Les Échos Quotidien fui atraído pela manchete "Tudo para evitar o Plano de Ajustamento Estrutural!". Com um défice orçamental de 7,6% soaram as campainhas de alarme. Quem aponta o caminho é Abdellatif Jouahri, governador do Banco Central marroquino. Fala-se em rigor, em cortes etc. Nada que não conheçamos.

Curioso mesmo é o jornal ter puxado para a primeira página da versão impressa, cuja tiragem não é especificada, este tema. Ao passo que na versão da net a notícia surge num discretíssimo rodapé. Há verdades que é melhor não circularem muito depressa...

Ver: http://www.lesechos.ma/

EUROPA NOSTRA

Os prémios da União Europeia do Património Cultural distinguiram, este ano, trinta projetos de quatro áreas diferentes.

Da lista fazem parte quatro laureados Portugal. Quero aqui manifestar o meu regozijo pelo reconhecimento internacional que o trabalho de Victor Mestre e de Sofia Aleixo acaba de conhecer. O prémio, no âmbito da Conservação (categoria 1) reporta-se à notabilíssima intervenção levada a cabo no Liceu Passos Manuel, em Lisboa. Cabe também referência à distinção atribuída à Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, no âmbito da categoria 3 (Contributo Excecional).

A que propósito vem a referência? É que Victor Mestre e Sofia Aleixo são autores de três projetos no âmbito da conservação, no concelho de Moura. Um deles está em obra. E Conceição Amaral, diretora do Museu da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, tem, por diversas vezes, prestado serviços à Câmara de Moura, no domínio cultural.

Estamos, portanto, bem acompanhados. Isto vem, também, dar razão ao método de trabalho que, na Câmara Municipal de Moura, temos vindo a seguir. Faz sentido, mais que nunca, citar uma máxima célebre: Gouverner, c'est choisir (Pierre-Marc-Gaston de Lévis - 1764-1830)

Veja-se a lista completa em http://www.europanostra.org/laureates-2013/

quarta-feira, 27 de março de 2013

ONDAS VERDES NUM MAR DE GENTE


É um mar lento, o que se move de Bab Bou Jeloud até ao Funduq Nejjarine. Encosta abaixo, ao ritmo de ondas que passam sem cessar. Por cima de nós há um mar verde nos zellijs e nos tetos, que mergulha no Alcorão (sura 76 - versículo 21: sobre eles haverá vestimentas verdes, de tafetá e de brocado, estarão enfeitados com braceletes de prata e o seu Senhor lhes saciará a sede com uma bebida pura) e que nos é evocado pela figura mítica de al-Khidr. Ondas verdes no meio do bulício.

Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia

Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz

Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

Manuel Bandeira

MAR VERMELHO


Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação

Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte

Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústia em botão
Dor cerrada em Baleizão

A foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravada
Ó minha terra vermelha
Como bandeira sonhada


As palavras de Urbano Tavares Rodrigues ecoaram na subida do mar vermelho de Aït Ben Haddou. O tom amargo de há décadas não tem hoje razão de ser, daquela forma. Que outras preocupações nos toldam o quotidiano ninguém o duvida. Que o futuro tem sombras é outra verdade. Mais que nunca se tornam necessários o espírito de combate, a entrega e a solidariedade. Bem como a denúncia da venalidade, da incompetência e do oportunismo.

terça-feira, 26 de março de 2013

MAR AZUL

mar azul

mar azul      marco azul
mar azul      marco azul      barco azul
mar azul      marco azul      barco azul      arco azul
mar azul      marco azul      barco azul      arco azul      ar azul


Pode discutir-se o conceito, ou até pensar-se "seria capaz de viver aqui?", mas o Jardim Majorelle tem a faculdade de transmitir um pouco de paz de espírito. O silêncio do fim de tarde ajudou. Aquele exuberante mar azul em que se anda não será exatamente o de Ferreira Gullar, mas para o caso tanto dá.

domingo, 24 de março de 2013

OUTRA VEZ O MAR DE ARZILA


no mar de arzila
namorei
teus olhos

no mar de arzila

uma voz antiga
tangia
a claridade
dobava o musgo
das pedras
adormecendo

no mar de arzila

havia o meu canto
recluso
do teu canto
gaivota gaivota
e nas praças
o tempo
renascera

no mar de arzila

namorei
teus olhos

no mar de arzila
 
O poema de José Manuel Mendes surge, aqui, pela segunda vez. A primeira foi em 14 de março de 2009. Escrevi então É fácil lembrarmo-nos do Mar de Arzila e dos olhos que vimos junto ao Mar de Arzila. E dos olhos que, às vezes, namoramos. O olhar desta mulher - amanhã direi quem é - ilustra bem esse cruzar de olhares. E a atracção pelo desconhecido. Quatro anos depois escreveria o mesmo. Ao passar por Arzila, ao longo da muralha, e até chegar ao marabout de Krikia, pensei que não me importaria de viver naquela cidade durante algum tempo. Ou, até, mais do que isso.

COISAS IMPROVÁVEIS

Coisas improváveis são aquelas que estão sempre a acontecer. Como a história que esteve na origem do filme Amigos improváveis, obra recente de Olivier Nakache e Éric Toledano. O argumento cinematográfico recria a relação verdadeira entre um riquíssimo aristocrata, Philippe Pozzo di Borgo, e o seu auxiliar de origem magrebina, Abdel Yasmin Sellou. A forma como um empregado, sem formação e considerado pelos amigos de Philippe como um homem sem educação e sem nível, altera a vida de alguém marcado pelo infortúnio é, no mínimo, tocante. No filme, o jovem magrebino é "trocado" por um pintas de origem africana, cheio de imaginação e de expedientes. O filme é divertido e comovente. Não ficará como obra-prima? Provavelmente não. Mas é daqueles que preenchem a alma.

Aqui fica a cena da dança, depois de um concerto de música clássica:

RECOMEÇANDO UMA VEZ MAIS


Outra vez. Recomeçar contactos e relançar pontes. A surpresa não podia ser maior. 75 pessoas num final de tarde para assistir a uma apresentação sobre o património islâmico em Portugal. Uma iniciativa que se deveu ao dinamismo do Luís Raposo, à disponibilidade de Vasco Seruya (do MNE) e ao interesse da Profª. Fatiha Benlabbah, diretora do Instituto de Estudos Hispano-Lusófonos. No final entregou-me uma proposta, que deverá ser desenvolvida no âmbito do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto. Antes houve encontros e reencontros. Tudo demasiado rápido, como sempre acontece nestas coisas. Vi, apenas de relance, a Profª Cristina Robalo Cordeiro. Tive a enorme surpresa da presença, e de um contacto amabilíssimo, do Dr. Mohamed Benaïssa. Sugeriu-me um futuro acordo entre Arzila e Moura, depois das eleições de outubro. Revi, 14 anos depois de Argel, o Dr. António Pinheiro Marques. Não resisti a dizer-lhe "se o ritmo se mantém, encontramo-nos, em 2027, em Nouakchott...". Reencontrei o Dr. Youssef Khiara. Que, no meio da confusão, ainda teve tempo e pachorra para me colocar em contacto com amigos dos tempos de Mértola e de Lyon. E ainda o Dr. El Mostafa Touri, que proporcionou contactos e abriu mais algumas portas. Finalmente, a conversa luminosa com Hugo Maia. Arabista, fotógrafo, tradutor, investigador e entusiasta dessa coisa chamada VIDA.

Era já noite quando saímos para as ruas de Rabat. Ao passar pelo BALIMA não pude deixar de recordar o primeiro passeio naquela cidade, já lá vão quase 32 anos. A sensação de estar sempre no ponto de começo é, apesar de tudo, um pouco angustiante. Tal como então, o ponto seguinte foi tomar o Marraquexe Express.

quinta-feira, 21 de março de 2013

TALASSOTERAPIA - 10/10

Comemoras o dia
da solidão As palavras
serão esquecidas ou apenas

as temerás mais uma vez e
partirás para um lugar
onde julgas poder sentir o mundo
pulsar na tua pele

afinal imortal Nos olhos
passará o filme aquoso
do que viveste Viverias
de novo esse presente obscuro

tão futuro Já então
por vezes confundias o teu corpo
com o ar ou a água e entregavas
à sua transparência

a paixão
Mas o fogo e a terra são mais
densos Geram víboras
na tarde


O poema de Gastão Cruz tem sobretudo a ver com o momento da passagem. Tal como os navios mercantes holandeses, pintados num outro estreito, que não o de Gibraltar, por Heerman Witmont (1605-1684).

Décimo e derradeiro capítulo da talassoterapia. Pensado para terminar quando começa a primavera. A partir de agora chegam, de verdade, a luz e o mar.

quarta-feira, 20 de março de 2013

A ILHA QUE NÃO É ILHA


O nome da cidade - Al-Jazīra Al-Khadrā', em árabe الجزيرة الخضراء ou Ilha Verde - deve ter origem numa pequena ilha situada outrora em frente a Algeciras. Mas a verdadeira e extraordinária ilha é o cerro que se ergue à entrada do Mediterrâneo. Gibraltar é a montanha de Tarik? É daqueles nomes que não encaixa. Que gibr tem origem é jebel está mais que provado. Agora que o tal governador tenha dado o nome ao cerro custa mais a acreditar...

O ÚLTIMO EXPRESSO


Pode ser que volte a apanhar o expresso em Mértola, ou em Beja, ou em Lisboa. Mas é pouco provável. Pelo menos, evitarei fazê-lo. Eis a última invenção: as latrinas nas gares rodoviárias passaram a ser pagas. Uma semvergonhice e uma forma de atacar os bolsos dos clientes. Sabendo-se que boa parte dos passageiros tem uma idade avançada e que, a partir de certa altura, a tal glândula exócrina começa a dar chatices isto é, para a Rodoviária, um sucesso garantido. Desta vez, não precisei de usar os 50 cêntimos. Mas daqui a uns anos não deverei poder dizer o mesmo.

Como se tem visto nos últimos tempos, os mais acabados e perfeitos assaltos ocultam-se sob a capa de "medidas de gestão", "melhoramento da eficácia", "racionalização" etc. Este é mais um deles. Um exemplo pequeno, mas significativo.

terça-feira, 19 de março de 2013

O SENHOR SLOW-MOTION

Um calafrio, hoje, nas notícias. Vítor Gaspar GARANTIU que a situação que se vive em Chipre é impossível em Portugal e tal não acontecerá. Do ponto de vista pessoal, a minha preocupação é limitadíssima: não tenho poupanças nem aplicações financeiras. Do ponto de vista da credibilidade política, a afirmação, proclamada naquele tom inconfundível, é terrível. Se Gaspar diz que não acontecerá é porque vai acontecer...

Quando Vítor Gaspar apareceu, não gostei de nenhuma das suas propostas. Mas acreditei na sua lógica e no que dizia que iria acontecer. Mesmo sofrendo na pele o flagelo das medidas, pareceu-me que a lógica das propostas de Gaspar era consequente com a sua filosofia política. Ou seja, as coisas seriam desenvolvidas como ele propunha. Essa era a única parte que eu respeitava: a coerência do pensamento e da prática. Afinal, nem isso... Falhou tudo, todas as previsões. Um zandinga. Sob a capa da seriedade académica.
 
 Vítor Gaspar, quando não tinha olheiras e não fazia previsões.

segunda-feira, 18 de março de 2013

AL QUÊ?

É um dos petiscos mais divertidos da nossa Pátria. Dos mais saborosos, sem dúvida. Mas o que tem piada é que o nome, bem castelhano, tropeça na linha da fronteira. Ainda há pouco o pude constatar. Gambas al ajillo? Qual quê... Eis algumas variantes: gambas à la ilho ou gambas alailho. Ou ainda gambas aílho. Ou, com apóstrofo, gambas al'ailho. Ou mais difícil e sintético, gambas guilho.

Quando disse a uma amiga que gostava de anotar estas coisas das ementas ela resmungou qualquer coisa onde percebi a palavra Rilhafoles. Pareceu-me ser isso.

domingo, 17 de março de 2013

CIDADE VIRTUAL

Uma forma diferente de ver e de entender as cidades. Coisas de ricos, dir-se-á e é um pouco verdade. Estas reconstituições não são baratas e implicam meios, que não são só financeiros. Interessante é complementar a cidade virtual com a verdadeira. Deixo aqui, em ritmo domingueiro, uma reconstituição da Lisboa pré-pombalina e a indicação de um espaço, o Lisboa Story Centre onde se pode tocar - confesso que o "discurso" e os conteúdos não me convenceram, pelo pouco equilíbrio que apresentam - um pouco mais da cidade de Lisboa.

Deite-se um olhar ao filme. Lance-se a vista pelo Lisboa Story Centre. Que não é barato... Mas Lisboa vale sempre a pena. E vale bem mais que uma missa.

sexta-feira, 15 de março de 2013

VOU VISITAR MINHA TIA A MARROCOS...


Não é a minha tia, como na lengalenga, mas para o caso tanto dá. Percurso de dez dias, Marrocos de norte a sul e depois para este e a seguir para oeste, acompanhando um grupo de amigos do Museu Nacional de Arqueologia. Passamos ao lado de Alcácer Ceguer, de Mazagão e de Safim. Paciência... Pelo meio, há uma apresentação sobre a arqueologia islâmica em Portugal, na Universidade de Rabat, promovida pela Embaixada de Portugal e pelo Instituto Camões. Uma oportunidade para rever velhos amigos. Agora a palavra velhos começa mesmo a fazer sentido...

No convite, tiveram a simpática ideia de reproduzir a lápide funerária de um mertolense, Ibn Khalis.

quinta-feira, 14 de março de 2013

707


A SIC teve, no telejornal da hora do almoço, uma peça sobre os números de telefone de atendimento ao público, que somos "estimulados" a usar. A parte mais curiosa tinha a ver com os números começados por 707, pagos pelo utente a bom preço e onde as entidades para as quais ligamos ainda vão buscar umas massas. Que empresas privadas o façam tá mal, que entidades públicas o façam é um ato de gangsterismo.

À cabeça da desvergonha vem a Autoridade Tributária e Aduaneira (nome do caraças para o Fisco). Cujo único número de contacto é o 707.206.707. Ou seja, nós pagamos. E, para tirarmos uma pequena dúvida, tornamos a pagar.

Em tempos havia aqueles números para alguns incautos ligavam para ouvir gemer. Gemiam depois eles quando recebiam as contas telefónicas. Agora não precisam do pornofone para serem esfolados. Basta o Ministério do Prof. Gaspar.

Um 707 de altos voos. Mas não para nós.


 Utente com as malas cheias de dinheiro, antes de ligar para o 707 do Fisco

quarta-feira, 13 de março de 2013

NOMENKLATURA SISTINA

  
Vejamos a idade dos últimos quatro Papas, à data da eleição:
Albino Luciani - 65 anos
Karol Józef Wojtyła - 58 anos
Joseph Aloisius Ratzinger - 77 anos
Jorge Mario Bergoglio - 76 anos
Somam 276 anos

E a idade dos últimos quatro secretários-gerais do PCUS, na data da eleição?
Leonid Ilitch Brejnev - 57 anos
Iúri Vladimírovitch Andropov - 68 anos
Konstantin Ustínovitch Chernenko - 72 anos
Mikhail Serguéievich Gorbachev - 54 anos
Somam 252 anos

São/eram estruturas de poder com paralelos interessantes.
Mas o Vaticano ganha, ainda assim, por uma diferença de 24 anos.

terça-feira, 12 de março de 2013

PAUL THOMAS ANDERSON NA FCSH





Li, em tempos, uma entrevista feita a Woody Allen, na qual o cineasta explicava um dos seus métodos favoritos para arranjar materiais para os argumentos. Limita(va)-se a passear pelas ruas de Nova Iorque, observando as pessoas à sua volta.

A entrevista veio-me à memória, há uns meses, no elevador da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Entrámos cinco pessoas, três senhoras, um jovem gorducho, provavelmente aluno, e eu. Quando o elevador parou no primeiro piso, o jovem, muito hirto, bradou, de forma sincopada: PRI-MEIRO PISO. Entreolhámo-nos naquela do ó mau, o que é que se passa aqui? Segundos depois, a cena repetiu-se, num tom de voz ainda mais forte: SE-GUN-DO PISO! Duas das senhoras precipitaram-se para a porta, com ar espavorido. Pensei raio de azar, isto do Departamento de História ser no sexto andar... E, logo de seguida, o que vale é que ele não deve estar armado... O inusitado anúncio teve lugar uma vez mais, antes do jovem abandonar o elevador. Fiquei só com a passageira restante, que suspirou de alívio. Comentei o Tarantino não precisa de se esforçar muito na escrita dos filmes. A senhora riu nervosamente e respondeu pois não.

Não é sítio onde vá muitas vezes, mas fiquei curioso quanto à atitude do jovem  e improvisado ascensorista. Bem vistas as coisas, a cena é mais Paul Thomas Anderson que Quentin Tarantino.

segunda-feira, 11 de março de 2013

'O SURDATO 'NNAMURATO



Por norma, só falo do que sei, ou do que conheço. Mas, na verdade, nunca vi este filme, La sciantosa, rodado para a RAI, em 1970, por Alfredo Giannetti (1924-1995). Não sei, portanto, se o filme é bom. A cena que se mostra tem tiques curiosos da maneira de fotografar italiana, com as panorâmicas e, o que é pior, com aquela irritante mania dos zooms (v. ao minuto 3:40), tão populares nos filmes transalpinos da década de 70.

Porquê, então, La sciantosa (uma adaptação meridional de chanteuse)? Por causa de Anna Magnani. Por causa da bela língua napolitana. Por causa deste tema popular, 'O Surdato 'Nnammurato. Que tem quase 100 anos, mas não parece.

domingo, 10 de março de 2013

TALASSOTERAPIA - 9/10


Lenta, descansa a onda que a maré deixa. 
Pesada cede. Tudo é sossegado. 
Só o que é de homem se ouve. 
Cresce a vinda da lua. 
Nesta hora, Lídia ou Neera ou Cloé 
Qualquer de vós me é estranha, que me inclino 
Para o segredo dito 
Pelo silêncio incerto. 
Tomo nas mãos, como caveira, ou chave, 
De supérfluo sepulcro, o meu destino, 
E ignaro o aborreço 
Sem coração que o sinta.


Uma onda azul, um poema em tons de azul. Ondas portuguesas, por Noronha da Costa e por Ricardo Reis. A tela é de 1988 e intitula-se "Do Subnaturalismo ao Sobrenaturalismo" (Pintura Fria). O poema é de 1927. Só não acho a pintura fria. Um pouco triste, talvez.

sábado, 9 de março de 2013

PCP - ANIVERSÁRIO 92


Jantar do 92º aniversário do PCP.

Foi no refeitório da Escola Secundária de Moura e juntou mais de 100 pessoas. Intervenções dos camaradas José Maria Pós-de-Mina e Francisco Lopes. Mais um bom momento, numa caminhada que ganha firmeza. Outubro está perto e longe. Estamos juntos. E confiantes.