sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CÉSAR BARRETO

Nestes dias de clima opressivo em que nos querem meter lembrei-me, quase sem querer, do César Barreto. Conheci o César quando se preparava a exposição Lusa - a matriz portuguesa. Ele tinha sido encarregue da produção do material fotográfico do catálogo. É um homem de espírito livre e aguçado sentido criador. A tarefa que lhe foi atribuída era realizada com brilhantismo e boa disposição. Mas também com uma descontracção e uma nonchalance que punha os nervos da Conceição e da Ana Isabel em franja. As peças mais precisosas eram manipuladas de uma forma que escapava aos manuais dos conservadores de museus. Tudo se resolveu, no meio de alguns gritos e do imperturbável sorriso do César.
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Acabei por establecer com ele, nas tardes passadas no improvisado estúdio que se montou no antigo cofre-forte do Banco do Brasil, uma simpática relação de amizade. Esta imagem do seu querido Rio de Janeiro está publicada no catálogo que me ofereceu.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

MATCH OF THE DAY

SOL - 1
SÓCRATES - 0

NELSON MANDELA

Fez hoje vinte anos. O mundo nunca mais foi o mesmo depois da libertação de Nelson Mandela. A opressão e o "apartheid" foram derrotados nessa tarde de Fevereiro de 1990. Pelo que fez antes e, sobretudo, por tudo o que fez depois Nelson Mandela está muitos quilómetros acima de quaisquer outros políticos do século XX.
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Seis anos antes os SPECIAL AKA fizeram sair este hino à liberdade do líder histórico do ANC. O ska tem este tom de festa que antecipava o que se iria passar. Ouvi o disco vezes sem conta, até o vinil parecer um terreno lavrado.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

TODOS PELA LIBERDADE

Amanhã é dia de blogomanif. O avenida da salúquia 34 solidariza-se com a iniciativa.
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SERENATA À CHUVA

A entrada deste filme (nono lugar ex-aequo) na lista dos dez melhores filmes de sempre é recente. Serenata à chuva esteve no "top" em 1982 e regressou depois em 2002. Esta sequência, que dá o título ao filme, é a mais célebre de todas. A cena do maluco apaixonado dançando à chuva é difícil de esquecer, tal como a outra sequência em que Kelly dança com Cyd Charisse. Mas aqui os olhos do público, e os do próprio Kelly, prendem-se, antes de mais, às pernas esculturais da bailarina.
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Pessoalmente prefiro outro filme de Kelly, Um americano em Paris, mas este último foi dirigido por Vincente Minnelli. Serenata à chuva é um filme em 1952, realizado pelo próprio Gene Kelly e por Stanley Donen.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

SIGHT AND SOUND

Qual é o melhor filme do mundo? Quais são os melhores filmes do mundo? A resposta - uma das respostas, melhor dizendo - é dada de 10 em 10 anos, desde 1952, pela revista britânica Sight and Sound. Cineastas e críticos de muitos países (nenhum português, sorry) votam e elegem. Uma passagem pelas diferentes escolhas dá-nos a medida das flutuações dos gostos, que são também flutuações estéticas, políticas, sociais etc. A lista de 2002 é a mais politicamente correcta de todas. Faltam ali filmes, creio eu, mas não sou cineasta nem crítico.
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Esta iniciativa deve-se boa parte da sua celebridade ao espírito empreendedor de Penelope Houston, editora da revista entre 1956 e 1990. É a autora de O cinema contemporâneo, ensaio sobre o cinema do pós-guerra. Foi editado há muitos anos na Ulisseia (salvo erro) e tornou-se um dos livros mais importantes da minha juventude. O estilo gracioso e flamboyant de Penelope Houston é uma lição de escrita e de comunicação. E pelas suas páginas passa um profundo conhecimento da História do Cinema.
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Não há nenhum filme português no top ten. Ainda assim Charles Tesson, editor dos Cahiers do Cinema, considera Francisca, de Manoel Oliveira, um dos dez melhores filmes de sempre.
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A partir de amanhã começarei a divulgar aqui na avenida excertos dos dez melhores filmes.
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Site da revista: www.bfi.org.uk/sightandsound/

TODO O OURO DE BIZÂNCIO

Todo o ouro e todo o azul. Foi por causa da exposição De Byzance à Isntabul, que esteve patente no Grand Palais, em Paris, que me lembrei de um pequeno e utilíssimo livro intitulado Tout l'or de Byzance. O seu autor, Michel Kaplan, conduz-nos pelo passado da cidade, traduz fontes escritas e dá-nos as primeiras pistas sobre uma das cidades mais importantes da nossa civilização. Não foi por acaso que Peter Brown afirmou em tempos que "devemos mais a Justiniano que a Roma."
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A releitura de excertos do livro leva-me a reproduzir imagens de dois sítios diferentes e, afinal, tão próximos. Em cima temos a Collegiata de San Gimignano, em Itália, onde encontramos o cromatismo alternado dos arcos formeiros, tão cara aos ambientes do Oriente, que encontramos na arqueitectura transalpina, e que os otomanos se encarregaram de difundir pela bacia do Mediterrâneo. Na imagem de baixo reproduz-se a cúpula de uma mesquita de Istanbul, a Yildiz Hamidiye, de finais do século XIX.
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O que as une? O ouro das estrelas sobre a abóbada celeste. A ideia do infinito sobre nós. E, sim, é verdade que nas mesquitas, mesmo nas mais recentes - e antes da histeria contemporânea - encontramos estes pontos de contacto com as igrejas. São maneiras de representar o mundo que remontam a muitos séculos antes de Cristo e que perduraram até nós.
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O livro de Michel Kaplan continua à venda e custa a insignificância de 14 euros. Ver: www.gallimard.fr

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

Quando ontem uma colega me sugeriu que nos encontrássemos na próxima segunda-feira respondi-lhe que até me dava jeito, porque vou estar em Lisboa. Mas alertei "olha que é segunda-feira de Carnaval". Respondeu-me "Carnaval é todos os dias, nesta terra".
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Bem observado.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

CARDEAL CEREJEIRA

Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977) foi cardeal e patriarca de Lisboa. Doutorou-se em História com um trabalho notável, sobre Clenardo, e foi o primeiro cardeal a usar o avião para se deslocar a um conclave, o que elegeu o dúbio Pio XII, em 1939. Em termos de modernidade por aí se ficou
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O cardeal Cerejeira foi também fiel aliado de Oliveira Salazar. Sob a égide de Cerejeira, a igreja tornou-se parte integrante do fascismo, ora de forma activa (veja-se o papel destinado às missões no processo de colonização), ora de forma passiva, fingindo não ver a repressão e agindo com aquele cinismo tão característico de alguns círculos do poder. Cerejeira pairou sobre o século XX português com a arte e engenho melífluos. Até depois do 25 de Abril tal presença se fez sentir. Foi uma charge à sua figura que esteve na origem do primeiro acto censório do Portugal livre, quando o Gen. Galvão de Melo mandou cortar uma emissão televisiva na qual o cardeal, e outras figuras do fascismo, eram parodiadas.
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Passou-me ao lado a homenagem de que o Cardeal Cerejeira foi alvo, há pouco mais de dois meses. O assunto foi agora reavivado numa coluna do diário I. Há uma estátua em Almada, celebrando Cerejeira, um dos obreiros do Cristo-Rei, "farol divino, uma mensagem de amor, uma grandiosa profissão de Fé!" (cf. site do santuário). Poderia acrescentar-se que a obra é, também, uma homenagem imorredoura ao kitsch na arquitectura...
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Pois bem, a Câmara de Almada (CDU) associou-se à homenagem, considerando a estátua um elemento de valorização do concelho. Com palavras de entusiasmo: "Este é um momento importante para a nossa terra. Portugal está mais rico e a nossa cidade também". É pena. Na terra onde há homenagens, bem mais discretas, a heróis do Povo Português como Alfredo Diniz era escusada tanta excitação. Valha-nos uma coisa: a estátua é péssima.
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sábado, 6 de fevereiro de 2010

SILENZIO CANTATORE

Amenizemos então a tarde, que o dia tem sido difícil. Os papéis à volta da mesa acumulam-se e um texto que devia estar concluído não está. A canzone napoletana é sempre um bom auxílio. Este Silenzio cantatore em particular, uma conhecida canção de amor de 1922 (autores: Libero Bovio/Gaetano Lama), é uma das minhas favoritas.
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A gravação é de 2008. A interpretação é do grande tenor Josep Carreras (n. 1946).
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ALBERTO GIACOMETTI E A SOMBRA DA TARDE


O mercado das artes agitou-se esta semana com um novo recorde na compra de uma escultura. L' homme qui marche I, concebida em 1961 pelo artista suiço Alberto Giacometti (1901-1966), foi vendida por 74,4 milhões de euros e pertencia ao Commerzbank alemão.
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A Sotheby's refere o anónimo comprador como um "investidor". As obras de arte dos consagrados, sujeitas a flutuações e a modas, vão sendo vendidas a preços cada vez mais astronómicos e são vistas como activos pelas empresas. E, ao contrário das acções, nunca desvalorizam. Walter Benjamim tinha meia razão quando escrevia sobre a democratização da Arte por via dos meios mecânicos de reprodução. Todos nós temos hoje reproduções de conhecidas pinturas ou fotografias nas nossas casas. Mas isso não diminuiu, contudo, o endeusamento das peças únicas e originais.
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O percurso de Giacometti é marcado pela originalidade do seu verticalismo e por uma forte carga expressionista, ainda que o conjunto da sua obra seja difícil de catalogar ou de etiquetar. O facto de Giacometti ter, em tempos, dito que não esculpia figuras humanas, mas sim as sombras que elas produzem, remete-nos para outra realidade. O Museu Guarnacci, em Volterra, tem em lugar de destaque uma escultura etrusca poeticamente conhecida como L'ombra della sera (A sombra da tarde). Foi encontrada em 1879 e data do século II a.C. Alberto Giacometti conheceu estas e outras produções da cultura etrusca. O facto não lhe retira mérito. Mas deixa-nos a pensar sobre o genial autor da peça de Volterra.
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Sobre L'ombra della sera: http://ombradellasera.com/

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

JÁ SE PÔS O SOL...

... e são 23 horas.
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Até este momento nem o primeiro-ministro, nem o presidente do supremo, nem o procurador-geral apresentaram a demissão.
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De diferentes formas, e em diferentes graus, todos eles nos mentiram ou omitiram factos importantes. De forma deliberada e intencional.
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Num país sério, ou a sério, já se teria feito mais e melhor que mandar abrir um inquérito por causa da divulgação das escutas. Se isto fosse um país sério ou a sério, bem entendido...

CRIMETHINK

"Thoughtcrime is death. Thoughtcrime does not entail death, Thoughtcrime is death.... The essential crime that contains all others in itself."
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Tony Blair leu George Orwell, evidentemente. Na segunda metade do século XX toda a gente o lia. Bem sei que a definição dada por Orwell tinha a ver com o desafio da ortodoxia. No entanto, a noção que todos os crimes começam com um pensamento assenta como uma luva a Tony Blair. Até porque, na história real, Blair não é acusado, mas sim acusador. É isso que lhe permite dizer "a decisão que tomei - e francamente voltava a tomar - foi de que se houvesse alguma possibilidade de ele [Saddam Hussein] desenvolver armas de destruição maciça nós deveríamos pará-lo".
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O Iraque é o primeiro massacre global da História apoiado numa hipótese. Que foi vendida a todo o planeta como uma verdade irrefutável.
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PIET MONDRIAN

Piet Mondrian (1872-1944) nasceu no seio de uma família calvinista. O pai desaprovava claramente as tentações artísticas do jovem Pieter. Este só muito lentamente abraçou a carreira artística.
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Participou em diversos movimentos artísticos de vanguarda, em especial na década de 20, destacando-se na sua obra o geometrismo das composições e o uso insistente das cores primárias. Mondrian tornou-se uma figura de primeira linha das artes plásticas da primeira metade do século XX. Dir-se-ia, contudo, que a austeridade do calvinismo nunca foi inteiramente esquecida, pelo menos se tivermos em conta o rigor e o formalismo das suas telas. Imagens para serem vistas em dias de luz perfeita e exacta.
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Composição com Amarelo, Azul e Vermelho (1937-42), Tate Gallery, Londres
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Em Dias de Luz Perfeita e Exacta
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Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!
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Alberto Caeiro in "O Guardador de Rebanhos" (poema XXVI)

BISSAU II - CASA COIMBRA

Na realidade, não é uma casa mas sim todo um quarteirão. A primeira coisa a chamar a atenção foi esta fachada-Mondrian, virada à sé de Bissau. A cidade não é particularmente colorida e esta parede fez-me lembrar o início do filme The magnificent Ambersons: "the magnificence of the Ambersons was as conspicuous as a brass band at a funeral."
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A fachada faz parte da Casa Coimbra, uma verdadeira instituição de Bissau. A família detentora do espaço está na Guiné há quase um século. Atravessou todas as épocas e todas as dificuldades com a energia e a convicção dos estóicos. O negócio centra-se, actualmente, em torno da residencial e do restaurante (a fachada-Mondrian pertence a este último).
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Há inspirações momentâneas que nos valem. Foi um pouco ao acaso que fui lá jantar. Um magnífico buffet a preços mais que sensatos, passe a publicidade. E assim travei conhecimento com o Dr. Miguel Nunes, um gentleman membro da família fundadora e o actual responsável pela Casa Coimbra. Licenciou-se em História em Coimbra e temos conhecimentos comuns. No dia seguinte conduziu-me, com uma cortesia antiga, numa visita guiada pela residencial, decorada com um bom gosto intocável e ainda que a parte antiga tenha mais charme e menos design que a área mais recente. Trocámos livros e ficou a promessa de uma próxima estada.
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Sobre a residencial veja-se o rerspectivo site: http://www.residencialcoimbra.com/

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O PARTENON DE NASHVILLE

É evidente que temos sempre a hipótese de recriar/reconstruir o património desaparecido. O resultado é, quase sempre, kitsch. Mas nem por isso menos divertido ou interessante. A espada de Dâmocles que paira sobre o Museu de Arqueologia caiu várias vezes no Partenon, em Atenas. As ruínas são, ainda hoje, impressionantes. Quem quiser ver o Partenon intacto terá, no entanto, de ir a Nashville (EUA), onde, por volta de 1930, se reconstruiu, em escala real, o célebre templo grego.
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Aqui vos deixo uma imagem do edifício, arranjada na net, assim como o final do filme de Robert Altman, do qual gostei bastante em 1977. Não tenho a certeza que uma revisão me devolva as recordações de outrora. A música que Barbara Harris interpreta, It don't worry me, pode bem ser enviada à ministra da cultura.
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MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA

No Público de hoje:
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"Um parecer sobre as condições do terreno no qual se encontra o edifício da Cordoaria Nacional, encomendado pelo Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA), indica que se trata de um local de “muito alta vulnerabilidade” no que diz respeito a riscos sísmicos."
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No fundo, o que eles querem é ter a certeza da existência de ruínas no futuro. Trata-se de uma visão de longo prazo, e destinada a garantir o trabalho das próximas gerações de arqueólogos. Até nem me parece mal de todo...
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A igreja de S. Paulo, depois do terramoto de 1755

O REGRESSO DOS PINIPONS

Momento 1
O jornalista Mário Crespo escreve coisas e diz coisas que maçam os governantes.
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Momento 2
O jornalista Mário Crespo diz que o primeiro-ministro Sócrates, acompanhado por dois destacados serventuários, chateou um responsável da SIC num restaurante dizendo que ele, Crespo, não está bom da cabeça e é um problema. José Lello vem agora dizer que Crespo está num estado psicótico. Deve, ao que suponho, ser uma visão oficial do "problema".
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Momento 3
O Jornal de Notícias não publica uma crónica de Mário Crespo e este bate com a porta.
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Momento 4
Nuno Santos, o homem da SIC, vem agora dizer que "a conversa não se passou da forma como é descrita". Se não fôr demasiada maçada convirá que alguém explique o que, de facto, se passou.
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Momento 5
Punch-line: o ministro Silva Pereira considera que este tipo de revelações remete para «o tempo da ditadura». Nem mais, caro ministro!
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Conclusão (minha):
Temos os governantes que merecemos ter. Têm a falta de estatura que têm. São os pinipons a que temos direito.
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THE CATCHER IN THE RYE

Aconteceu na semana passada, mas só hoje o soube. J.D. Salinger morreu aos 91 anos. Escreveu o seu livro maior aos 31. Viveu a maior parte da sua vida em reclusão e especula-se agora sobre a existência de um espólio inédito. The catcher in the rye (traduzido primeiro como Uma agulha no palheiro e, mais recentemente, como À espera no centeio) começa assim:
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If you really want to hear about it, the first thing you'll probably want to know is where I was born and what my lousy childhood was like, and how my parents were occupied and all before they had me, and all that David Copperfield kind of crap, but I don't feel like going into it, if you want to know the truth. In the first place, that stuff bores me, and in the second place, my parents would have about two haemorrhages apiece if I told anything pretty personal about them.
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Qualquer adolescente à procura de respostas se revê em Holden Caufield e na sua distância do mundo. Foi isso que aconteceu comigo. O cinismo de Caufield seria relativizado pelas experiências quotidianas, de uma sensibilidade à flor da pele, do jovem telegrafista Homer Macauley na Comédia Humana, romance escrito em 1942 por William Saroyan (1908-1981), um autor hoje quase esquecido entre nós.
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A vida de reclusão de J.D. Salinger esteve na base do filme Finding Forrester, de Gus Van Sant (2000). Não é uma obra-prima, mas é um filme sensível, com nervo, livros, palavras e gente dentro. Nos dias de hoje já não é coisa pouca.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O PS/MOURA E O PROFESSOR KARMA

Foi publicado, na Planície de ontem, um comunicado da secção local do Partido Socialista.
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O texto é aflitivo, na sua macedónia de assuntos. Misturam-se meias verdades com explicações esfarrapadas (aquela da Ribeira da Perna Seca não ser assunto da "responsabilidade" da Administração Central é para, em antecipação do Carnaval, a malta se rir muito) e com umas quantas banalidades que não chegam a ser argumentação política.
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Mas a melhor parte é a que se reporta ao elevado nível de detalhe de conhecimento de alguns temas. Devo felicitá-los, porque o grau de pormenor é elevado. E não falham uma. O Professor Karma não teria feito melhor.
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BISSAU I - RUA CIDADE DE MOURA

Comecemos quase pelo fim. Ao dar início a uma série de dez textos que, nas próximas semanas, irão sendo publicados aqui no blogue, dou destaque à atribuição do nome da nossa cidade a uma das principais artérias de Bissau.
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Foi o culminar de uma visita intensa e que abre as melhores perspectivas de cooperação entre os dois munícipios. Foi também o momento derradeiro de um encontro durante o qual a delegação de Moura pôde constatar o que quer verdadeiramente dizer hospitalidade. Voltarei a este tópico nos próximos dias.
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José Maria Pós-de-Mina (presidente da Câmara de Moura) e Armando António Napoco (presidente da Câmara de Bissau)

sábado, 23 de janeiro de 2010

ATÉ JÁ

Bem sei que em Bissau também há computadores e internet. Ainda assim, a minha atenção estará virada para outros temas. Assim sendo, retomo a actividade do blogue no próximo dia 1 de Fevereiro.
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

NELSON EDDY E JEANETTE MacDONALD

Ao passar esta tarde pelo Quai de Gesvres deu-me o coração um baque. Daqueles que já só dão raramente. Estava à venda uma velha revista, que tinha na capa o grande duo Nelson Eddy e Jeanette MacDonald. Só os que têm mais de 45 anos compreenderão o significado profundo da minha angústia. Que é a mesma de muitos da minha geração. As tardes de domingos dos nossos tempos de infância eram, periodicamente, assombradas pelos filmes de Nelson Eddy e Jeanette MacDonald. As nossas mães gostavam imenso, porque choravam imenso com aquelas histórias muito tristes, a puxar ao sentimento e com canções xaroposas à mistura. Os filmes eram pior que o "Deus me livre", ele sempre vestido com aquelas fardas da Real Polícia Montada do Canadá e com as sobrancelhas depiladas à António Calvário, ela muito loirinha e de olhinhos apaixonados.
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O duo está hoje mais que esquecido. Mas não aposto que seja para sempre.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

DE POMPEIA A ROISSY

Quando o aeroporto de Roissy foi inaugurado era apresentado como o exemplo máximo de eficácia e de comodidade. Garantiam então que o passageiro tinha apenas de percorrer a pé um máximo de 75 metros desde o momento em que saía do taxi ou do autocarro e entrava no avião. Nada de novo, afinal. A mesma lógica de conforto é verificável em cidades como Pompeia, onde as casas estavam a uma distância máxima dos pontos de abastecimento de água.
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Em Pompeia o sistema colapsou no dia em o Vesúvio assim o entendeu. Em Roissy não há mortes, felizmente, mas a eficácia prevista entrou há muito em crise e há sempre nervos em franja. Os espaços abertos de outrora deram lugar a barreiras e mais barreiras, obstáculos e mais obstáculos, percursos labirínticos e à prova de lógica. Em especial na zona mais antiga do terminal 2. O conforto e o racionalismo são uma miragem. E o que foi preparado para a "eternidade" tem, manifestamente, os dias contados.
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O ALENTEJO E A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA


Fotografia: http://alentejanando.weblog.com.pt
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Um texto hoje publicado no blogue A CINCO TONS punha em causa a validade de um determinado centro de investigação da Universidade de Évora, tendo em conta uma classificação supostamente negativa atribuída pelo painel de avaliadores da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Julgo ser interessante a publicação da lista completa das entidades avaliadas pela FCT e cuja actividade está relacionada com o Alentejo:
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EXCELLENT

Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia da Universidade de Évora (CEFAGE-UE)

Coordenador Científico: Cesaltina Maria Pacheco Pires

VERY GOOD

Instituto de Ciências Agrárias Mediterrânicas - ICAM

Coordenador Científico: Maria do Rosário Gamito de Oliveira

Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA)

Coordenador Científico: Christine Mathilde Thérèse Zurbach

Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto / Campo Arqueológico de Mértola

Coordenador Científico: Maria da Conceicao Lopes

Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora

Coordenador Científico: Mafalda de Sousa Machado Soares da Cunha

GOOD

Centro de Investigação em Matemática e Aplicações - CIMA

Coordenador Científico: Vladimir Alekseevitch Bushenkov

Centro de Química de Évora

Coordenador Científico: Peter Joseph Michael Carrott

Centro de Geofísica - Évora

Coordenador Científico: Ana Maria Guedes de Almeida e Silva

Unidade de Investigação em Música e Musicologia - UnIMeM

Coordenador Científico: Benoît Gibson

Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFC)

Coordenador Científico: Maria de Fatima Nunes

FAIR:

Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias da Saúde

Coordenador Científico: Peter Prosper Auguste Elodie Vogelaere

Centro de Investigação em Sociologia e Antropologia-Augusto Silva

Coordenador Científico: Eduardo Alvaro do Carmo Figueira

Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora

Coordenador Científico: António Manuel Águas Borralho

Mais informações sobre os processos de avaliação em:
http://alfa.fct.mctes.pt/apoios/unidades/avaliacoes/

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

COLLEGE D'ESPAGNE

Foi extremamente interessante a sessão que hoje decorreu no Collège d'Espagne. O seminário Islam médiéval d'occident, organizado por uma unidade conjunta de investigação que reúne as Universidades de Paris I e IV tem este ano como tema as Constructions politiques, organisation et contrôle du territoire dans l’Occident islamique médiéval. E se o território de Beja, que apresentei, pode ser sempre interessante pelo seu exotismo - a realidade do nosso período islâmico é muito pouco conhecida fora de portas - tive a sorte de ter como colega de mesa Jean-Pierre Van Staevel, um historiador de grande categoria, que se debruçou sobre a região do Sous, no sul de Marrocos. Os alunos e professores presentes contribuiram para a animação da sessão com perguntas e observações, num debate que se prolongou para lá da hora prevista. Deve ter corrido bem, porque me convidaram para a próxima saison.
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Parte menos boa: à saída falei na Casa de Portugal, que se encontra no mesmo complexo. Nenhum dos presentes tinha ouvido alguma menção a tal sítio. Isso dá razão a um lamento do embaixador de Portugal, escrito há dois meses. Sobretudo, e tendo em conta a visibilidade do Collège, torna-se evidente que o nosso "desaparecimento" é também o reflexo da falta de investimento das entidades oficiais (e não-oficiais) neste domínio. E sem investimento não há retorno.
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Que imagem escolher para ilustrar este Islão do Ocidente? Tânger, cidade de rara beleza. Que o é por causa do porto, por causa da baía, por estar às portas do Mediterrâneo, pelos cafés do Petit Zoco. Cidade de má reputação, e pouco turística, conserva o charme das coisas que estão um pouco fora do tempo. Comprei este postal, por um preço escandalosamente baixo, em Setembro de 1999, num antiquário de Tânger. Foi uma forma de perpetuar no tempo a minha memória da cidade e para festejar o facto de termos (o Francisco Motta Veiga, a Conceição Amaral e eu) sugerido a cidade como local da Cimeira Luso-Marroquina. A exposição foi, em termos de carreira, importante. Mais importante ainda foram amizades que ficaram e que o tempo foi sedimentando.
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Informação sobre o seminário:
http://www.diwan.info/spip.php?article483