segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ATALANTA, HIPOMENE E OUKA LEELE

Como em todas os mitos gregos, a história é complexa. Resuma-se o essencial:
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Atalanta era filha de Jasão, rei da Arcádia. Um oráculo previra que se Atalanta se casasse seria amaldiçoada e perderia o seu talento de caçadora exímia. Atalanta compromteu-se a casar apenas com quem a batesse em corrida, tarefa que se sabia ser impossível. Hipomene, apaixonado por Atalanta, desafia-a para uma corrida, pedindo ao mesmo tempo a ajuda de Afrodite. Esta dá-lhe três maçãs de ouro do Jardim das Hespérides. Durante a corrida, Hipomene deixa sucessivamente cair as maçãs de ouro que Atalanta se distrai a recolher, acabando por perder o desafio.
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Hipomene e Atalanta acabam por casar, mas a maldição viria a consumar-se. Rhea (ou Cybele, na designação romana) transformou-os em leões depois deles terem feito amor num dos seus templos e pô-los a puxar o seu próprio carro. Acreditava-se na altura que os leões não acasalavam entre si, pelo que Hipomene e Atalanta não permaneceriam juntos.
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Madrid, 1986 - Em plena movida, a extravagante fotógrafa Ouka Leele (n. 1957), recriou a história em plena Plaza de Cibeles. Grande aparato, grandes meios e uma encenação para a História da Fotografia. Fiel ao seu estilo, Ouka Leele coloriu a imagem como se de um postal antigo se tratasse. Muitas das suas fotografias evocam o colorido dos anos 50 e um certo ambiente pop. Ouka Leele voltará a passar por aqui.
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Nem eu sei porque me lembrei agora da Plaza de Cibeles, 35 anos depois do último Natal passado em Madrid... Talvez por a alfaitaria do padrinho António ficar na Calle Fernanflor, mesmo por detrás das Cortes. O caminho de cerca de 1500 m. entre a Av. Menendez Pelayo e o local de trabalho era, com frequência, feito a pé. E por ter passado bastantes vezes pela Plaza de Cibeles vindo do Retiro. A recordação de tudo isto devia estar armazenada algures no inconsciente. Há coisas ocorridas na infância que, de vez em quando, nos recordamos. Nem nós sabemos porquê, não é verdade?
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Ouka Leele chama-se, na verdade, Bárbara Allende Gil de Biedma.

domingo, 20 de dezembro de 2009

JOÃO DA MOUCA

Teve lugar, ontem à noite, a entrega do galardão Mourense do Ano 2009. A iniciativa, da Junta de Freguesia de Santo Agostinho, distinguiu este ano, a título póstumo, João Francisco da Mouca. A proposta foi apresentada pelo Centro Infantil Nossa Senhora do Carmo e Santa Casa da Misericórdia de Moura, tendo sido unanimemente aprovada pelo júri.
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João da Mouca (1921-2008)
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João Francisco da Mouca foi, durante várias décadas, o responsável pela Biblioteca, pelo Arquivo e pelo Museu de Moura. O Município deve-lhe serviços inestimáveis. Em primeiro lugar, pelo trabalho à frente da biblioteca fixa nº 149 da Fundação Calouste Gulbenkian, o sítio onde tantos de nós tomámos, pela primeira vez contacto com os livros. A progressão nos temas e autores era feita de acordo com o nosso escalão etário e, também, segundo os nossos interesses específicos. O sr. João foi uma peça fundamental na formação de várias gerações de jovens mourenses, entre os quais me incluo. O interesse pelos livros levou-o a ter um papel fundamental na preservação do arquivo histórico municipal, salvo, em grande parte, graças à sua acção. A outra paixão profissional de João da Mouca foi o património arqueológico, a ele se tendo ficado a dever a recolha e a preservação de um valioso espólio, fundamental para o conhecimento do passado do nosso concelho.
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Fiquei satisfeito por me ter podido associar a (mais) esta homenagem. Conheci de perto João da Mouca, tendo chegado a ser seu colega entre 1986 e 1989. Sei bem do interesse e quase devoção com que se preocupava com a história e património do concelho de Moura. O facto de o Arquivo Histórico Municipal ter hoje o nome deste mourense foi outra forma de reconhecermos o mérito do seu labor.

sábado, 19 de dezembro de 2009

TOMAI LÁ DO CASTELLA


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Mesa dos sonhos
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Ao lado do homem vou crescendo
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Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente
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Mesa dos sonhos no meu corpo vivem

Todas as formas e começam
Todas as vidas
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Ao lado do homem vou crescendo
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E defendo-me da morte povoando
de novos sonhos a vida.
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Há que esperar 1 min. e 40 seg., quase até ao fim da gravação. Temeridade dos gestos, temeridade das palavras. Alexandre O'Neill talvez não se importasse com este uso.

DAS COLOMBINAS À CATALUNHA

Ainda Enrique Ponce mal concluira a faena e já os lenços brancos se agitavam freneticamente. "O que é que se passa?", perguntou a Isabel, que nunca entrara numa praça de touros. "Estão a pedir uma orelha", esclareci. Para meu enorme espanto, a Isabel puxa de um lenço branco e acompanha o transe do resto da praça de touros de Huelva. "Isto visto assim é diferente", disse depois. Nos dias seguintes, aquelas palavras continuaram a ressoar na minha cabeça, uma vez e outra. A Isabel nunca será uma aficionada, no sentido clássico do termo. Mas gostou de ver, mais tarde, Sebastian Castella na Real Maestranza, arrepiando-se com a sua temeridade.
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Aqui vos deixo 30 segundos de absoluta magia do grande toureiro Sebastian Castella:
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O parlamento catalão acaba de abrir as portas à proibição das corridas de touros na região, ao votar ontem uma proposta que poderá, a curto prazo, extinguir a Festa na Catalunha. Momentos de magia como os que José Tomás protagonizou em 21 Setembro de 2008, em Barcelona, poderão não se repetir. O problema é político antes de ser qualquer outra coisa. Os catalães usam de todos os meios e de todos os artifícios para não serem espanhóis como os outros. A esquerda (a deles e a nossa) rejubila. "Esquecendo" que, por detrás destas recentes medidas, estão tentações independentistas. As quais são alheias à palavra solidariedade que, à esquerda, tanto gostamos de brandir. Veja-se o PIB da Catalunha para se entender melhor o que digo...
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Quanto ao resto: os touros, gostem os proibicionistas ou não, fazem parte da cultura do Mediterrâneo. Desde há vários milénios. Decretar a eliminação das corridas de touros por via jurídica é tornar o mundo mais igual e asséptico. Mais politicamente correcto e aborrecido. Mais normalizado e formatado. Mais descafeinado e clean. Preocupemo-nos. Os chatos estão a ganhar avanço.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

MOURA MAIS À FRENTE: 9.203.000 € PARA PROJECTO DE REGENERAÇÃO URBANA

Fotografia: Silvestre Raposo
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O Município de Moura lidera o projecto, mas o mesmo será concretizado em parceria com a ADCMoura, com a AMPEAI, com a Associação Moura Salúquia, com a APPACDM, com o CRAM "Os Leões", com a SFUM "Os Amarelos", com o Clube H2O e com a COMOIPREL.
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Centrado nos bairros mais antigos de Moura, o projecto visa a requalificação dos espaços urbanos e sua dinamização, nos domínios económico, social e cultural. Por isso a Câmara Municipal procurou o envolvimento da associação empresarial local, de entidades culturais, sociais e desportivas. O desafio é grande, mas o trabalho já acumulado permite que o futuro do projecto, e a sua concretização no terreno, sejam encarados com optimismo.
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Montante do investimento - 9.204.707 €
Financiamento FEDER - 4.309.530 €
Taxa - 46,8%
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Principais investimentos:
Requalificação da Mouraria - 1.050.000 €
Requalificação do Mercado Municipal - 1.050.000 €
Requalificação do Matadouro - 1.050.000 €
Arranjos exteriores dos Quartéis - 840.000 €
Renovação da Piscina Municipal - 840.000 €
Requalificação do Edifício dos Quartéis - 754.635 €
Edifício de recepção ao turista (castelo) - 521.309 €
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Para se perceber um pouco a forma como estes processos têm sido (ou se tenta que sejam) articulados refira-se, por exemplo, que a obra do edifício de recepção ao turista é financiada em 45% pelo PIT, em 30% pelo FEDER e em 25% pela Câmara Muncipal de Moura.
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A Rede Património, outro importante processo em que o Município de Moura participa, vai avançar em Janeiro.
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Para o próximo ano haverá, portanto, um vasto leque de iniciativas a concretizar. E outras ainda a preparar. É nelas que, enquanto vereador, irei trabalhar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

YO NO VOLVERÉ

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YO NO VOLVERÉ

Yo no volveré. Y la noche

tibia, serena y callada,

dormirá el mundo, a los rayos

de su luna solitaria.

Mi cuerpo no estará allí,

y por la abierta ventana

entrará una brisa fresca,

preguntando por mi alma.

No sé si habrá quien me aguarde

de mi doble ausencia larga,

o quien bese mi recuerdo,

entre caricias y lágrimas.

Pero habrá estrellas y flores

y suspiros y esperanzas,

y amor en las avenidas,

a la sombra de las ramas.

Y sonará ese piano

como en esta noche plácida,

y no tendrá quien lo escuche

pensativo, en mi ventana.

Juan Ramón Jimenez

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O quadro de Edward Hopper (1882-1967) intitula-se Nighthawks (1942) e, na sua crueza urbana, não nos transmite exactamente o mesmo sentimento deste intimista Yo no volveré, que espelha a efemeridade das nossas vidas. Gosto de ambos, de Hopper, porque inspirou o hiper-realismo e porque me recorda aqueles bares silenciosos que fecham muito tarde e onde gosto de ir. De Juan Ramón Jiménez (1881-1958), porque gosto dos seus poemas de juventude, como este, escritos com apenas 22 anos. Os especialistas que me perdoem, mas a minha preferência vai para esta fase mais lírica...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

MUSEU MAIS E MUSEU MENOS (ACTUALIZAÇÃO)

Depois de publicado o texto que abaixo se lê resolvi enfatizar um ponto importante. O projecto que vai ser contratado com a Ventura Trindade abrange:
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A reabilitação do antigo matadouro;
A concepção de um ponto de chegada e correspondência (para o Expresso, designadamente) no quintalão que fica em frente ao espaço acima citado;
A concepção de um ponto de abrigo para os autocarros que fazem o percurso dentro do concelho, junto à escola secundária;
Os arranjos exteriores das áreas a intervencionar.
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Trata-se de uma importante operação de reabilitação urbana, que permite dar resposta cabal a vários problemas, bem como a contribuir para dar novas funções a um edifício emblemático da cidade. Tenho o prazer de intervir e de trabalhar neste programa, enquanto vereador da CMM.
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O processo de selecção teve o acompanhamento de técnicos do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres e do Instituto dos Museus e da Conservação. Notícias vindas a público na nossa cidade, dizendo que se vai gastar uma fortuna a fazer um museu são promovidas pelos analfabetos e pelos ressabiados do costume... Nada de novo, portanto.
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A página web da equipa é a seguinte (o que está previsto para Moura pode aí ser consultado):
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MUSEU MAIS
Foi hoje, enfim.
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A Câmara Municipal de Moura deliberou contratar a equipa Ventura Trindade para proceder à requalificação do antigo Matadouro (futuro Museu). Pelas minhas contas, entre a concretização do contrato e a conclusão da obra passarão, sem dúvida entre 3 a 4 anos. Conclusão deste processo? 2013, talvez. Acompanharei este processo com todo o empenho político e com todo o interesse profissional.
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MUSEU MENOS
Joaquim Oliveira Caetano vai deixar a direcção do Museu de Évora. Os motivos são clássicos e, embora o Joaquim diga que é preciso uma pessoa com outro perfil para ficar à frente da instituição, só posso dizer que é pena. O trabalho que vinha a realizar tem inegável mérito. Embora eu perceba cada vez melhor a sua frase "um director de um museu é como um eunuco num harém; tem todos os prazeres por perto mas não os usa."

Os bons museus, assim com as grandes igrejas, estão cheios de belas peças. Aqui fica uma imagem do Êxtase da beata Ludovica Albertoni, uma escultura de Bernini, datada de 1674. Sei que o Joaquim gosta destas coisas. Da Arte do século XVII, I mean...

AGORA

Mais um filme quase falhado. Agora, de Alejandro Amenabar, tem em ambição o que lhe falta em escrita. A narrativa assenta em três colunas: primeiro, as lutas entre os cristãos radicais e todos os outros (a parábola e as implicações morais das intolerâncias religiosas de ontem e de hoje são mais que explícitas); segundo, as reflexões da filósofa Hypatia de Alexandria sobre o Cosmos; terceiro, a paixão não consumada do escravo Davus por Hypatia. Diga-se, em abono da verdade, que o único momento de grande tensão dramática do filme é a cena do beijo entre Davus e Hypatia.
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O filme naufraga numa trama narrativa que não se consuma. Salva-o a seriedade do tema, a relativa sobriedade com que é tratado, e, sobretudo, o interesse das reconstituições arquitectónicas e dos ambientes urbanos.
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E, como alguém disse algures, é sempre uma inovação ver que os cristãos não são, neste filme, a refeição das feras numa qualquer arena...
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

LONGE DO PARAÍSO

Há uns dias atrás deixei aqui um excerto de um filme chamado O veneno dos trópicos. O seu realizador, Detlef Sierck (1900-1987), tornar-se-ia mais conhecido pelo nome americano de Douglas Sirk. A passagem do tempo dá sempre outras perspectivas sobre as coisas e hoje já gosto dos melodramas de Sirk. Em Tudo que o Céu permite, de 1955, uma viúva apaixona-se por um jardineiro muito mais jovem. Muitos anos depois, Todd Haynes refez o filme dando-lhe o título de Far from Heaven (Longe do Paraíso). A história é mais radical: a viúva passou a ser uma mãe de família, casada com um homossexual reprimido. O jardineiro é negro. Há paixões cruzadas e nunca consumadas. Todd Haynes rodeou a sua trama de tons outonais (há muito que não via um filme com um tão intenso sentido da cor) e de amores impossíveis. Douglas Sirk ficaria feliz por saber que o seu filme teria, décadas mais tarde, uma tão conseguida sequela.
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Fica aqui uma brevíssima e pálida imagem do filme. Fui ver Longe do paraíso com uma amiga, a quem pedi opinião. Respondeu-me, placidamente, "acho o Dennis Haysbert um homem muito sensual". A minha amiga não me chegou a esclarecer se tinha jardim...

COMO DE BRANCOS TEM A ETIÓPIA...

A meio de uma visita ao Museu de Évora, resolve o seu director, Joaquim Caetano, parar e declamar um excerto de um poema de Diogo Bernardes (1520-1605):

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As estátuas do tempo são gastadas;
Também o foram já suas memórias,
Se não foram das Musas conservadas !

Mas não te cantariam mil vitórias
Dos nossos valorosos Lusitanos,
Porque eles mais não são de obras que de histórias.

Os celebrados Gregos, os Troianos,
Os famosos Romãos conquistadores
Não foram mais nas armas soberanos;

Mas se no mundo têm mores louvores,
A causa disso foi porque souberem
Granjear os prudentes escritores.

As honras e mercês que receberam
Opiano e Vergílio foram penas
Com que tão altas cousas escreveram.

Porque menos Coimbra que Atenas,
Porque mais fará Roma que Lisboa
Cantar ao som das armas as Camenas?

De engenhos a quem Febo encordoa
A doce e branda lira, com mão própria,
A quem de verde louro dá a coroa,

Quando entre nós houve maior cópia?
E porém de Mecenas tantos temos
Como de brancos tem a Etiópia...

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É da Carta a Rui Gomes da Gram, depois de partido para a Índia, publicado nas "Flores do Lima".

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O Joaquim explicou depois que o desalento tinha a ver com a montagem da exposição fotográfica de António Carrapato. O dinheiro faltara e a fase final foi rodeada das peripécias que são habituais em circunstâncias que tais... Rimo-nos os dois parvamente. Hábito que conservamos desde há muito quando as coisas dão para o torto. Sobretudo quando constatamos que a falta de interesse pelas Artes não é fruto de governantes licenciados em sítios manhosos. É um problema estrutural da Pátria. Pois se já no século XVI assim era...
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No meio das desgraças, não deixem de ver os Nós, título da exposição de António Carrapato, um fotógrafo talentoso e de um enorme sentido de humor (fotográfico e pessoal). E as ilustrações de livros infantis, que dão outras tonalidades à exposição permanente.
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Mais informações na página web do Museu de Évora:

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

OU ISTO OU AQUILO

Na passada sexta-feira enviei este mail aos trabalhadores da Câmara Municipal de Moura:

Boa tarde
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Por razões de ordem pessoal deixarei, a partir do próximo dia 15, terça-feira, de ser vereador em regime de permanência da Câmara Municipal de Moura.
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Manter-me-ei, contudo, como vereador, compromisso que assumi com o eleitorado do concelho de Moura e com o meu partido e que respeitarei na íntegra. Continuarei, de igual modo, a assegurar a gestão dos pelouros que actualmente detenho.
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Cumprimentos
Santiago Macias

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Ao contrário do que alguns quiseram crer não é, nem pouco mais ou menos, um mail de despedida. O facto de assumir um lugar de investigador na Universidade de Coimbra não me afastará de Moura, nem dos projectos de Moura. Continuarei, tal como referi no mail, a ter as mesmas responsabilidades políticas. Adivinho tempos de trabalho (ainda) mais intenso. Faremos essa avaliação em 2013. Antes, porém, no final deste ano listarei todos os trabalhos em que tenho estado directamente envolvido no nosso concelho. Só porque sim.
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Andarei, creio eu, dividido para o resto dos meus dias. Moura solar e Mértola lunar? Ou ao contrário? Não se pode ter tudo ao mesmo tempo. Embora eu tente. O poema de Cecília Meireles não ajuda a resolver nada mas é bonito.
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Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinque, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

DUAS FRASES INTERESSANTES

De José Cutileiro, no seu interessantíssimo in memoriam sobre Alberto da Bélgica:
"Só quando morreu muitos se lembraram que fora vivo."
A sentença é digna de um bom romance. Vale a pena ler o texto no Expresso do passado sábado.
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De Maria José Nogueira Pinto:
"(...) eu sou contra a paz podre e a pasmaceira, a menos que queiram transformar o Parlamento num colégio de freiras, que às vezes parece".
Fala quem sabe, digo eu...

domingo, 13 de dezembro de 2009

KORDA - II

No documentário que acompanha a exposição Korda cita Saint-Éxupery: "só podemos ver com o coração; o essencial é invisível aos olhos". A frase é uma justificação para exprimir o primado das emoções sobre a técnica. A técnica aprende-se depressa, o resto tem a ver com a sensibilidade.
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Alberto Korda tem razão, mas só em parte. É claro que a fotografia vai além da técnica, do grafismo, das luzes e das sombras....
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Aqui ouso abrir uma secção de tentativas minhas, sem sombras nem esoterismos...
Esta foi obtida em Mopti, no Mali, no início de 2008.

KORDA - I

Alberto Korda (1928-2001) tornou-se célebre pela fotografia de Che Guevara, uma imagem captada em 1960. A sua obra vai, contudo, muito além dessa fotografia, que se converteria num símbolo do século XX e que renderia bom dinheiro ao editor italiano Giangiacomo Feltrinelli.
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No edifício da antiga cordoaria está patente até dia 31 de Janeiro a exposição Korda Conhecido Des Conhecido. O talento de Korda é bem visível nas reportagens e no trabalho de fotógrafo acompanhante de Fidel Castro. Foi uma actividade que se prolongou até 1968, quando teve lugar a ofensiva revolucionária, que implicou a nacionalização de todas as actividades em Cuba. O material dos Studios Korda foi confiscado, tendo desaparecido os seus arquivos (Korda fora fotógrafo de moda nos tempos de juventude), excepto as fotografias relacionadas com a actividade revolucionária.
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Duas notas:
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1) O messianismo e o dogmatismo levam a estas coisas (Che criticou mesmo Korda por usar muita película, o que implicava dispêndio de divisas)...
2) Korda deixou de fotografar Fidel por essa altura. Talvez tenha sido coincidência. Em todo o caso, Korda permaneceu fiel à Revolução até à morte.
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Visita de Fidel Castro a Washington (1959)
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A exposição merece uma visita atenta. Há muitas e belas imagens e um interessante documentário (com erros de tradução de bradar aos céus). Veja-se o site:
http://www.korda.com.pt/

PAESE DI MERDA

O Instituto Arqueológico Alemão teve, durante longos anos, uma delegação em Lisboa. A sua biblioteca, sem a pujança da da Calle Serrano, foi fundamental para a formação de várias gerações de jovens estudantes universitários.
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Em 1999, a delegação fechou portas, entregando a biblioteca ao Estado Português. A dita biblioteca ficou nas instalações do IPA, na Av. da Índia. Até que, de um dia para o outro, foi decidido que aquele sítio seria para o novo Museu dos Coches. A biblioteca fechou e foi encaixotada, na esperança de uma reabertura futura. Até hoje.
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É provável que o Estado até venha um dia a cumprir os seus compromissos. Que reabra a biblioteca. Qua a coloque à disposição dos investigadores. Que inscreva no orçamento a exorbitante verba de 30.000 euros anuais para renovação de fundos. Que se preocupe um pouquinho com a cultura. Situações destas nem precisariam de decisão, mas de meros despachos administrativos. Precisamos sim, a outro nível, de gente com formação e interesses culturais. Não é esse, desgraçadamente para todos nós, o caso de José Sócrates. E, depois de Carrilho, os ministros da cultura têm sido criados do poder. Nada mais que isso.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

NO OUTRO DIA, EM SETE RIOS

Em tempos, havia o clero, a nobreza e o povo. Era assim que se aprendia noutros tempos, nos bancos da escola. Na época dos reis, era assim que o mundo se arrumava, em grupos ordeiros. Ninguém, de entre as centenas de pessoas que esperavam transporte, em Sete Rios, parecia pertencer ao clero e, muito menos, à nobreza. Restava o povo. Uma sociedade sem classes, aquela de Sete Rios.
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E o povo juntava-se em magotes, ordeiro e bem disposto, à espera que chegasse a sua vez. O povo já se habituou a ser tratado assim um bocadinho à balda e toda a gente acha assim um bocadinho normal que se faça um terminal rodoviário como o de Sete Rios.
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Antes era um barracão que se via da rua e onde se amontoavam as carruganes do metro, à espera de reparação ou coisa do género. Hoje continua a ser um barracão que se vê da rua e por onde se entra pela parte de trás. Foi pintado de novo, há um balcão logo à direita onde se lê "check-in" e outros balcões ao lado omde se lê, sempre, "multibanco fora de serviço". Em frente ficam as casas de banho, nome pomposo para as latrinas. No bar vendem-se as sandes, que são as mesmas de todos os terminais rodoviários. E em todos os bares de todos os terminais há uma moça que grita, esganiçada e de pescoço para trás, como a fadista do quadro do Malhoa, e que berra para a cozinha "é mais uma de chóriço".
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Os autocarros são um pouco mais modernos que os que outrora percorriam todos os lugares do Alentejo, como se procurassem clientes nos cantos mais recônditos. Que davam sempre a volta ao largo, em manobra apertada e depois partiam e deixavam atrás pó e silêncio. Como as camionetas azuis e vermelhas que chegavam a Moura e que tinham escrito de lado "a união faz a força". Como o velho autocarro que, há 25 anos, ía de Beja para Mértola, percorrendo todas as aldeias que conseguia encontrar e que parava para apanhar encomendas e que fazia sempre uma pausa no Vale de Açor para apanhar passageiros inexistentes e para o motorista beber um copo de vinho branco. "É tal e qual como no Líbano", disse-me uns dias depois o Dr. Tesk, que viera do Gemeentemuseum para ver cerâmica islâmica mas que passou afinal os dias a lavar cacos, a comer figos e a beber copos de vinho branco, como o motorista que parava em Vale de Açor.
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"Autocarro das 17.15 para Monte Gordo, autocarro 98, linha 15", anunciou uma voz roufenha e cansada. Era o meu. Esperava-me a viagem do pôr-do-sol. Noite fora, estrada fora, numa sociedade sem classes, em silêncio, até chegar à minha vila.
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Crónica publicada em A Planície de 1.1.2005. O autocarro da fotografia é/era da empresa A Olhanense. Os carros em tons de vermelho e azul, o seu símbolo e o seu lema (A união faz a força) foram familiares aos habitantes do concelho de Moura até meados da década de 70.

DENTE AZUL NO LIBERATO

Liberato goes wireless. Há coisas que há uns dez anos não se imaginavam. Ontem á noite, num bar da Mouraria, o António Finha, o Tarugo e o Jorge Liberato himself entretinham-se a mandar-me para o telemóvel, via bluetooth, uma imensidão de toques de telemóvel.
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Quem diria, há dez anos, que o começo da noite num bar da Mouraria seria animado desta forma? É por essas e por outras que é bom estar, também, em Moura.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A NUDEZ DE CRISTO

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A nudez de Adão e Eva na pintura de Masaccio. A nudez dos tectos da Capela Sistina. As gárgulas pornográficas de igrejas e mosteiros. O nu na arte religiosa motiva sempre polémica.
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Neste mosaico, do baptistério dos Arianos, em Ravenna, Cristo está totalmente nu. É, que me recorde, uma das raras vezes em que tal sucede (o baptistério neoniano, na mesma cidade, é outro exemplo). A sua representação não corresponde à imagem do Pantocrator que a arte bizantina irá popularizar, mas sim à visão do Bom Pastor, de tradição órfica. É um Cristo rapazinho e imberbe, de ar inocente e não um Cristo de barbas e olhar impedioso, que se tornaria cada vez mais popular na Europa Oriental.
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Nesta imagem, vemos Cristo, o rio Jordão personificado (à esquerda) e S. João Baptista (à direita). Rodeiam o medalhão central os doze apóstolos.
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O baptistério fica na Via degli Ariani, em Ravenna (Itália).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MARIA JOÃO SEIXAS

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Maria João Seixas (fotografia de Enric Vives-Rubio) acaba de ser designada para dirigir a Cinemateca Nacional. Tanto bastou para que se desencadeasse o habitual vendaval de apoios e de críticas. Neste último capítulo, ouvi, como uma das mais extraordinárias, o facto de ser próxima do PS. Que esse simples facto seja motivo para preferência, parece-me mal. Que alguém possa ser excluído por essa razão, é argumento do mesmo nível.
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A nova directora da Cinemateca gosta de cinema e conhece cinema. A RTP2 ficou a dever-lhe um dos melhores programas sobre cinema, no qual apresentava sempre duas obras sobre um mesmo tema. Recordo uma noite, em que o assunto foram os táxis: primeiro, um belíssimo documentário sobre os taxistas de Lima, depois o filme de Jim Jarmush, A noite na Terra.
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Fiquei a dever-lhe muitas noites de bom cinema. E a descoberta de Halfaouine (um filme sobre o início da juventude, e o despertar da sexualidade, de um rapazinho do popular bairro de Tunis), de que aqui deixo um breve excerto:
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AS UNIVERSIDADES NO SEU LABIRINTO


Segundo um estudo, citado na imprensa de hoje, Portugal, devia, ao nível do ensino superior, ter produzido três vezes mais com o mesmo dinheiro.
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Não vejo bem como, quando:
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As universidades têm corpos docentes cada vez mais reduzidos e (falsamente) pluridisciplinares;
É recorrente a contratação a docentes externos, que asseguram uma disciplina ou um seminário, mas que não têm qualquer ligação efectiva à Universidade;
As bibliotecas são, com frequência, insuficientes;
Os alunos chegam impreparadíssimos de um secundário cada vez mais facilitista;
As estruturas curriculares existentes não permitem, pura e simplesmente, um trabalho de continuidade;
A autononomia se converteu num hara-kiri para muitos estabelecimentos;
Estamos a meio caminho, ao nível do financiamento, entre uma tradição estatal, em vias de falência, e um modelo anglo-saxónico sem tradição culturral entre nós.
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Admito, até porque ainda não tive oportunidade de consultar o estudo, que haja muitas falhas de gestão. Tendo, contudo, feito o doutoramento numa universidade francesa (onde as condições de trabalho são de outra galáxia - e eles queixam-se...) pergunto-me, ao nível das Ciências Sociais e Humanas, que parâmetros terão sido utilizados. Com a sobrecarga de tarefas a que alguns docentes são obrigados considero um milagre dos céus que haja, ainda assim, tanta produção científica nos últimos anos. Já agora, descontem-se também aqueles que parasitam lugares e cuja contribuição é, do ponto de vista científico, menos que irrelevante.
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Aconselho a leitura de um artigo publicado na revista "Ocidente" em 1970: A situação da Faculdade de Letras de Lisboa : alguns aspectos, da autoria de António Oliveira Marques, António José Saraiva e Vitorino Magalhães Godinho. Compare-se com a situação dos dias de hoje. Tenha-se, sobretudo, em conta que omeletes sem ovos é coisa difícil de fazer...

NO REGRESSO DA AMARELEJA

Acabou a feira do vinho e da vinha, em Amareleja. Não lemos poemas por estes dias. O Umar-i Khayyam ficou esquecido a um canto. Nem houve mais referências culturais, daquelas puras e duras. Um beber culto e distinto, como dizia há dias o Carlos Júlio? Nem tanto. Fonte de inspiração para pintores? Tenho sérias dúvidas. Em todo o caso, só posso garantir que não ficámos como os protagonistas do quadro de Malhoa.
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Faço votos para daqui a um ano estejamos de novo a falar dos vinhos da Amareleja.
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Uma das próximas edições terá lugar no novo Pavilhão das Cancelinhas, obra promovida pela Câmara Municipal. O financiamento está garantido e a obra vai avançar.
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Não só Vinho, mas nele o Olvido
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Não só vinho, mas nele o olvido, deito

Na taça: serei ledo, porque a dita
É ignara. Quem, lembrando
Ou prevendo, sorrira?
Dos brutos, não a vida, senão a alma,
Consigamos, pensando; recolhidos
No impalpável destino
Que não 'spera nem lembra.
Com mão mortal elevo à mortal boca
Em frágil taça o passageiro vinho,
Baços os olhos feitos
Para deixar de ver.
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Ricardo Reis, in "Odes"
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O quadro de José Malhoa (1855-1933) data de 1907.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

DISPONÍVEL PARA AMAR

A única coisa errada neste filme é o título. Porque a verdade da história é outra. Que o nega.

Chow Mo-Wan, um jornalista, arrenda um quarto no mesmo edifício e no mesmo dia em que So Lai-zhen, uma secretária de uma companhia de navegação. Vão-se cruzando e conhecendo até chegarem à conclusão que os respectivos cônjuges os traem, um com o outro. Essa cumplicidade trará uma amizade reforçada. À medida que o tempo passa, e enquanto Chow e So se convencem que não são mais que amigos, e que não farão o mesmo que outros, os sentimentos dos dois vão-se aprofundando e enraizando. Chow acaba por partir para Singapura sem convencer So a acompanhá-lo. Mais tarde os seus caminhos estarão quase a cruzar-se. Mas disso não passarão.

Disponível para amar é, apesar do título, um filme belíssimo sobre a impossibilidade da paixão. E é, decerto, um dos filmes mais melancólicos que alguma vez vi.





Disponível para amar é um filme realizado em 2000 por Wong Kar-Wai (n. 1958). Protagonizam-no um par de actores de rara e exótica beleza: Maggie Cheung (n. 1964) e Tony Leung (n. 1962). Na altura em que foi estreado em Portugal um crítico, e cineasta, não hesitou em fustigar o filme como barroco e amaneirado. Pois, para quem faz filmes incompreensíveis obras destas são mesmo dispensáveis.

UM


Um ano depis do início do blogue eis um brevíssimo balanço:
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584 textos (média diária de 1,6)
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84400 visualizações de página (média diária de 231)
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289º lugar num total de 2070 de
blogues referenciados
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46 seguidores
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Dias com mais visitas:

1. 8 de Outubro - 1331
2. 12 de Outubro - 1063
3. 9 de Outubro - 840
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O blogue foi visto, até agora, em 64 países e territórios (26 da Europa, 14 de África, 12 da Ásia,11 da América e 1 da Oceania)
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Obrigado a todos os que aqui têm passado e contribuido com os seus comentários.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ARGEL X - O ESTRANGEIRO

Aujourd'hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas. J'ai reçu un télégramme de l'asile: «Mère décédée. Enterrement demain. Sentiments distingués.» Cela ne veut rien dire. C'était peut-être hier. L'asile de vieillards est à Marengo, à quatre-vingts kilomètres d'Alger. Je prendrai l'autobus à deux heures et j'arriverai dans l'après-midi. Ainsi, je pourrai veiller et je rentrerai demain soir. J'ai demandé deux jours de congé à mon patron et il ne pouvait pas me les refuser avec une excuse pareille. Mais il n'avait pas l'air content. Je lui ai même dit : «Ce n'est pas de ma faute.» II n'a pas répondu. J'ai pensé alors que je n'aurais pas dû lui dire cela.

Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames". Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem. O asilo de velhos fica em Marengo, a oitenta quilômetros de Argel. Tomo o autocarro das duas horas e chego lá à tarde. Assim, posso passar a noite a velar e estou de volta amanhã à noite. Pedi dois dias de folga ao meu chefe e, com um pretexto destes, ele não me podia recusar. Mas não estava com um ar lá muito satisfeito. Cheguei mesmo a dizer-lhe "A culpa não é minha". Não respondeu. Pensei então que não devia ter dito estas palavras.
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Comprei o livro em 3 de Junho de 1979, dia do meu 16º aniversário. Não me recordo porquê. O livro de francês incluía passagens de autores como Albert Camus (1913-1960) e talvez tenha sido esse um dos pretextos da ida à Feira do Livro. Lembro-me do choque que me causaram as duas primeiras frases: Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Li o livro de um fôlego, nessa tarde de domingo. O percurso e a personagem de Mersault assombram-me até hoje.

Uma velha e muito querida amiga insiste, até hoje: "Isso não é normal. Não é livro que se leia no dia em que se fazem 16 anos". Estamos, até hoje, em desacordo.

Sobre a obra de Camus (a fotografia que se publica foi, certamente, feita em Tipasa):

http://webcamus.free.fr/

DIVOS DA ÓPERA

Num interessante texto sobre as divas da ópera, publicado por Jorge Calado no Expresso do passado sábado, surge uma caixa com o título E os divos, senhor?. Transcrevo o início, de frases concisas e certeiras:
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Os divos são os tenores. Soltam dós de peito viris (quando os têm), e fazem de amantes. Os barítonos são os pais, os rivais e os vilões. Aos baixos cabem os profetas, os demónios e os reis amargurados.
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Plácido Domingo e Maria Guleghina em Adriana Lecouvreur

domingo, 6 de dezembro de 2009

HÁ SÓ UMA TERRA

O programa chamava-se assim mesmo: Há só uma terra. Passava no Canal 1, na altura em que só havia dois, ao fim da tarde. Luís Filipe Costa era responsável por aquele espaço informativo. Foi a primeira vez que ouvi falar em preocupações ambientais, em poluição, na contaminação das águas, na degradação dos solos, na asfixia do planeta.
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A Cimeira de Copenhaga começa já amanhã. Temo que o debate se converta num esgrimir de argumentos técnicos e de valsas retóricas entre diferentes facções. Temo que os problemas esssenciais fiquem para trás. Temo, sobretudo, que os mais pobres, e as regiões mais pobres, sejam esquecidas neste palco. Muitos dos problemas que enfrentamos começam, antes de mais, nas terríveis diferenças entre uns (nós) e todos os outros.

ARQUITECTURA EXPRESSIONISTA

Passaram há umas semanas, aqui pelo blogue (22 de Novembro) imagens que, creio, exprimem bem algum sentimento de angústia. O universo do expressionismo, marcado pelas paisagens setentrionais (embora não possamos geografizar assim esse movimento artístico) estende-se até aos nossos dias.
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Do ponto de vista plástico, a desconstrução que marca boa parte do expressionismo (vejam-se as perspectivas "erradas" do Quarto de Arles, de Van Gogh), passou ao cinema, devendo aí referir-se, de forma muito especial, os extraordinários cenários de O gabinete do Dr. Caligari (1919), de Robert Wiene (1873-1938), que pode ser visto aqui na íntegra.
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A influência deste movimento, e desta forma de ver o mundo, persiste até aos nossos dias, não vendo outra explicação para algumas obras de Friedrich Stowasser (1928-2000) e dos polacos Szczepan and Małgorzata Szotyński.
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Deixo aqui duas curiosidades:
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O Hotel Rogner Bad Blumau, na Áustria, com as suas ondulantes formas;
E, sobretudo, a insólita Crooked House, em Sopot, na Polónia.
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sábado, 5 de dezembro de 2009

JORGE LOPES - HOMENAGEM

Jorge Lopes (1947-2009) faleceu no passado domingo, mas a notícia só foi revelada alguns dias mais tarde.
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Quando o seu nome aparecia como comentador televisivo de uma qualquer prova de atletismo ficava, na minha qualidade de espectador, com um par de certezas:
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* Que os comentários iriam ser sóbrios e concisos;
* Que a identificação dos atletas seria acompanhada de informações pertinentes sobre o seu percurso, o que era resultado de um longo acumular da dados e de um trabalho profissional de qualidade;
* Que as explicações técnicas sobre o que estávamos a fazer eram um serviço prestado ao espectador e não uma demonstração vaidosa de conhecimentos;
* Que ao acabar aquela jornada eu iria ficar a saber um pouco mais sobre o que tinha acabado de ver.
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Nos dias que correm jornalistas assim, ainda para mais pouco telegénicos, têm cada vez menos espaços. Sobram as bonecas do teleponto. São giraças mas pouco mais.
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Isso ainda me vai fazer sentir mais saudades de Jorge Lopes.
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A CAMINHO DA AMARELEJA


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Embora pecador, vil e infeliz,
Não desespero e não corro para o templo como os idólatras.
Embriagado, levanto-me de novo de manhã,
Desejo vinho e o ser amado e não mesquita e paraíso.
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Umar-i Khayyam
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O quadro, O triunfo de Baco, pintado por volta de 1628-1629 por Velázquez (1599-1660) tem um tom jocoso. Mas o poema de Umar-i Khayyam não é isento de sarcasmo...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SOUTH AFRICA 2010

Dia 15.6.2010: Costa do Marfim-Portugal, em Port Elizabeth
Dia 21.6.2010: Portugal-Coreia do Norte, em Cidade do Cabo
Dia 25.6.2010: Portugal-Brasil, em Durban
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Um curiosidade: em 1966, o Brasil (no grupo que também integrava a Hungria e a Bulgária) e a Coreia do Norte, nos quartos-de-final, foram adversários de Portugal. Façam as vossas apostas.

AMARELEJA - VINHA E VINHO

É já amanhã que tem início a 8ª edição da Feira da Vinha e do Vinho, em Amareleja. A organização é da Junta de Freguesia local e da Câmara Municipal de Moura. Durante quatro dias haverá lugar a provas de vinhos, a momentos de animação musical e a uma mostra de artesanato e de produtos regionais.
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Ver: www.feirasdeamareleja.pt

Programa da feira

Dia 5 (Sábado)

09.00 H - TT Rota dos Vinhos de Amareleja 2009 – concentração no “Largo do Regato”
20.00 H - Sessão de Inauguração da Feira
21.00 H - Actuação dos Grupos: Coral Masculino da Casa do Povo de Amareleja e Coral Feminino “Espigas Douradas”
22.30 H - Actuação da “Tuna Sabes” da Escola Superior de Educação de Lisboa


Dia 6 (Domingo)
19.00 H - Actuação do grupo de música tradicional Portuguesa “Cantes do meu Cante”
21.00 H - Actuação do grupo espanhol “Sones Romeros” de Ensinasola (Huelva)
22.30 H - Actuação do grupo “Quarteto Eléctrico”


Dia 7 (Segunda-feira)
20.00 H - Actuação dos Grupo Coral da Sociedade Recreativa Amarelejense
21.00 H - Concerto de Acordeões


Dia 8 (Terça-feira)
18.00 H - Concerto pela Banda da Sociedade Filarmónica União Musical Amarelejense


Horário da Feira:
Sábado: 20.00 – 24.00 Horas
Domingo e Segunda-Feira: 11.00 – 24.00 Horas
Terça-feira: 11.00 – 20.00 Horas

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

PATRIMÓNIO E TURISMO

"É uma visão redutora o património ser o motor do turismo". A frase, a extraordinária frase, foi proferida ontem à noite, na Assembleia Municipal de Moura, por um destacado membro do Partido Socialista. O mesmo que questionou, na passada Primavera, o interesse da reabilitação do Edifício dos Quartéis. E a quem parecem incomodar os investimentos e os progressos que a Câmara Municipal de Moura tem feito nesta matéria. Sublinho que ao enfatizar a aposta no património não me refiro apenas ao património construído, que é, e muito justamente, uma das pedras de toque do que tem vindo a ser realizado.
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É uma das vantagens da democracia. Dizer disparates, como o de ontem à noite sobre o património, não comporta punições. A não ser de ordem política.
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Rir é, sempre, o melhor remédio. Aqui vos deixo um inspirado desenho de Sempé.

PAUL CELAN

Não busques nos meus lábios a tua boca,
nem diante do portão o forasteiro,
nem no olho a lágrima.
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Sete noites mais alto muda o vermelho para vermelho,
sete corações mais fundo bate a mão à porta,
sete rosas mais tarde rumoreja a fonte.
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Comprei há dias um livro de poesia que virá, decerto, a ser decisivo: Sete rosas mais tarde, de Paul Celan (1920-1970). Talvez não tenha muita lógica acompanhar este poema, Cristal, com o quadro de Quinten Matsijs (1466 – 1530), um dos meus preferidos de entre toda a pintura flamenga, mas a forma como o nosso olhar se pode desviar do essencial para o acessório estão presentes num e noutro.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

CRUDA SORTE! AMOR TIRANO!




Cruda sorte, em versão integral, numa gravação antiga (1957), com Teresa Berganza.

ARGEL IX - L' ITALIANA IN ALGERI




D'un sguardo languido,
D'un sospiretto...
So a domar gli uomini
Come si fa.

A trama de L'italiana in Algeri tem lugar no palácio do Bey, em Argel. É uma história de amores cruzados. Elvira ama Mustafà, que já não a ama e pensa casá-la com Lindoro, o seu escravo italiano. O qual está apaixonado por Isabella. Isabella desperta a curiosidade de Mustafà, que estava obcecado em ter uma italiana. Mustafà aceita libertar Lindoro e deixá-lo partir para Itália se ele levar consigo Elvira. A trama segue por aí fora. No final, Isabella e Lindoro escapam-se para Itália e Mustafà pede a Elvira que o perdoe.

Rossini (1792-1868) compôs esta célebre ópera em 1813, com apenas 21 anos. Cruda sorte integra a 4ª cena do 1º acto. Gosto, em especial, nesta cavatina, da divertida interacção de Marilyn Horne com o público e do entusiasmo do coro, no final.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ZORRINHO - GUARDADOR DE CENTRAIS E DE SONHOS...

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Lemos hoje no site da RÁDIO PAX:
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Responsável pela pasta da Energia no Governo Chileno visita Ferreira do Alentejo
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Marcelo Tokman Ramos, responsável pela pasta da energia no Governo Chileno e Carlos Zorrinho, Secretario de Estado da Energia e Inovação de Portugal, visitam hoje Ferreira do Alentejo. Os governantes têm na agenda uma deslocação à última central solar construída em Ferreira do Alentejo pela Tecneira - Produção de Energia Renovável. (fim de citação)
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Fico a perguntar-me:
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1. Porque é que raio terá o governo português escolhido a central de Ferreira do Alentejo para ser visitada? Qual o critério?
2. A Câmara de Ferreira é socialista, a de Moura é comunista. Terá esse factor pesado na escolha?
3. O projecto de Ferreira do Alentejo não chega, nem de perto nem de longe à dimensão do de Moura e Amareleja. Sendo que este comporta vertentes (a fábrica de painéis, o Fundo Social e o tecnopolo), que ultrapasam em muito a simples instalação de uma central solar. Será que a escolha do sítio teve a ver com a proximidade de Lisboa?
4. O projecto liderado por Moura, e que mereceu justificada projecção internacional ao Presidente Pós-de-Mina ainda causará engulhos a alguns socialistas, com dificuldade em engolir o sucesso político do que foi concretizado em Moura e Amareleja?
5. Que manobras futuras poderemos esperar do Doutor Zorrinho?
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José Carlos Zorrinho é docente da Universidade de Évora e, detalhe não desinteressante, Doutorado em Gestão da Informação. É melhor ficarmos atentos...

JOAQUIM OLIVEIRA CAETANO DIXIT

Detalhe do Rapto de Proserpina (Bernini)
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"Um director de um museu é como um eunuco num harém. Tem todos os prazeres por perto mas não os usa."
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Joaquim Caetano (n. 1962) é historiador de arte e Director do Museu de Évora.

FADO II - ADEGA MACHADO

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Fechou a Adega Machado. Fui lá poucas vezes, normalmente para afogar as mágoas das desgraças europeias do Benfica. O meu cicerone era o João, um amigo bem mais velho, a quem os empregados e as fadistas (em especial as fadistas) tratavam de forma familiar. O João garantia sempre que só lá passava de ano a ano. Eu ria e fingia que acreditava.
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Por lá cantaram Amália Rodrigues e Mariza. Foi na Adega Machado que vi actuar o filho de Alfredo Marceneiro, o polémico e pouco ortodoxo Alfredo Duarte Júnior (1924-1999), conhecido como fadista bailarino...
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Embora o estilo das casas de fado não faça o meu género é com pena que vejo desaparecer este símbolo de uma Lisboa em vias de extinção. Para o desemprego vão 28 pessoas.

FADO I - INÊS GONÇALVES

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E hoje fala-se aqui de fado por bons motivos. Uma jovem mourense, a minha amiga Inês Gonçalves, foi ontem a vencedora da II Grande Noite do Fado do Algarve. O evento teve lugar na capital algarvia. Sei, porque já a ouvi cantar muitas vezes, que a Inês é uma magnífica fadista - gostava de a ouvir um dia cantar a Maria Madalena... -, e fico feliz por saber que esse reconhecimento ultrapassou as fronteiras da nossa região.
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A Inês cantou Amor de mel, amor de fel e um clássico imortal, Há festa na mouraria.