quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
COLHOADA
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
LS XARUTOS DE L FARAO
Foi com surpresa e entusiasmo que recebi a notícia desta tradução. Afinal, o mirandês é a segunda língua oficial do nosso Pais. Não o falo, claro, embora o leia sem qualquer problema. Como também sou fã dos livros do Tintim isso deu-me cá uma ideia...
sábado, 21 de fevereiro de 2026
DIMYANA, DONA ANA, JILLA E BENAGIL
A toponímia dá pano para mangas.
Retomo dois topónimos: Dimyana e [Qaryat] Jilla. Onde se localizariam? As hipóteses têm sido muitas.
Em relação ao primeiro, recupero uma ideia já com uns anos: Dimyana é um sítio referido no Mujam al-Buldan, de Yāqūt al-Rūmi. O topónimo não foi, até hoje, identificado, embora saibamos que fazia parte de Akshunia (Ocsónoba/Faro). Ou seja, provavelmente o topónimo medieval de Dimyana corresponde à zona da praia de Dona Ana, a curta distância de Lagos e 65 kms. a oeste de Faro. O autor do Mujam al-Buldan, normalmente citado como Yāqūt al-Hamawī (1179–1229) viveu na região da Mesopotâmia. Do seu tratado há uma síntese disponível nos vols. 39 e 41-42 da revista "Studia" (1974 e 1979).
Quanto a Jilla, terra natal de Ibn Qasi, segundo Ibn al-Jatīb, situar-se-ia perto de Silves. Surgiram, ao longo dos anos, diversas interpretações, identificando Jilla com o rio Gilão ou com o topónimo Julia, junto a Alte. Jilla corresponderia ao sítio onde Ibn Qasi mandou construir um ribāt. Prudentemente, Christophe Picard fez questão de sublinhar que este ribāt não coincidia com o de Arrifana. E tinha razão.
Estou hoje convencido que a proximidade fonética entre Jilla e Benagil dá sentido à possibilidade de se ter situado neste local da costa o ribāt mandado construir por Ibn Qasi na primeira metade do século XII.
Dados concretos:Benagil fica 11 quilómetros a sul de Silves e 3,5 quilómetros a leste da Senhora da Rocha. Uma localização perfeita.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
FREDERICK WISEMAN: 1930-2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
PORQUÊ VIRIATO E NÃO REQUIÁRIO OU IBN QASI?
É para depois do Carnaval. Vai ser no dia 20, na minha alma mater. Vai ser interessante este regresso. Até porque há uma pequena e (quase inédita) história em torno de Ibn Qasi que irá ser por mim contada.
domingo, 15 de fevereiro de 2026
RÁDIO SAUDADE - ÚLTIMA EMISSÃO
sábado, 14 de fevereiro de 2026
COMPLEXO BRASIL
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
ANATOLE CALMELS & SOARES DOS REIS
Cinco gessos, pouco vistos pelo público, estarão em exposição durante um mês, no coro baixo do Panteão Nacional.
Será o momento para revisitar estas obras de Anatole Calmels (1822-1906) e de Soares dos Reis (1847-1889), dois nomes de grande destaque na nossa escultura do século XIX.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
NA FREGUESIA ONDE VOTO...
domingo, 8 de fevereiro de 2026
DO ARCO DO CEGO A SANTA APOLÓNIA
Aguardava a conclusão de um trabalho à porta de uma casa de fotocópias, na Rua Dona Filipa de Vilhena. Ia trocando impressões com o meu amigo André Linhas Roxas, enquanto via passar os jovens da escola secundária ali ao lado. Eram 10 horas da manhã. Passa um grupo, munido de refrigerantes e folhados pré-fabricados. Daí a pouco outro grupo, com mais refrigerantes e bolicaos e outras trampas do género. Depois, daí a minutos, mais rapaziada, artilhada com refrigerantes e donuts ou algo parecido. Tinham, todos, ar de excesso de peso.
Não deixei de pensar no tema, durante toda a manhã. À hora do almoço, e tendo de rumar à Baixa, parei na "Maçã Verde", mesmo junto à estação.
"Hoje temos um prato dietético", disse-me o empregado, com ar de boa disposição.
"Qual?", perguntei, meio-desconfiado.
"Rancho à transmontana". Foi isso, mais um copo de vinho tinto, pão e café.
Um almoço excelente, ainda que solitário. Ainda há sítios assim, onde o lixo pré-fabricado não entra.
Receita em:
O PIOR É O SILÊNCIO
As bojardas racistas da criatura têm um histórico. Desta vez, contudo, "esmerou-se"... Não há palavras que cheguem para condenar a ordinarice, a javardice e a violência do que se passou.
Ofensivo é também o silêncio dos líderes mundiais. Quam cala consente...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
ANDALUZA
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
EL SUR
Ao regressar ontem à noite a casa, no meio do frio e de uma bátega que se abatia sobre Lisboa, recordei-me – quase sem saber bem porquê – de um bilhete-postal de Sevilha. Não de um bilhete-postal qualquer, mas de um que se vê, em dado momento, num filme. Sevilha, o sul e o sol são, em “El sur”, de Victor Erice (1984), uma imagem distante e mítica. O local onde alguém nunca regressou.
Neste filme pouco vulgar conta-se a história de uma miúda fascinada com o passado do pai e com o sul. Ambos se misturam. O filme passa-se no norte e as paisagens meridionais surgem em bilhetes-postais, que nos dão uma visão da distância que acentua o seu onirismo. A música é de Enrique Granados e não podia haver melhor acompanhamento para aquele desfilar de postais coloridos. Que sugerem mistério, distância e nostalgia. Deveria ter sido rodada uma segunda parte, onde todo o mistério da vida do pai no sul seria desvendado. O sucesso do filme, e dificuldades financeiras, inviabilizaram a rodagem da continuação. Há males que vêm por bem e tom de mistério manteve-se. Sempre gostei de filmes onde as miragens nem sempre se concretizam e onde podemos olhar o mundo imaginado um pouco à distância. El sur é uma peça de artesanato, bela e única. Tenho pelo filme uma intensa paixão, que ainda hoje se mantém.
E ”sul” é uma palavra mágica. Como neste filme de Erice, como no conto de Jorge Luis Borges, que funciona como um túnel do tempo, como em “Viagem em Itália”, de Rosselini, onde as imagens do sul são o cenário de uma reconciliação, como no filme mal compreendido e mal avaliado Sammy going south, de Alexander Mackendrick. E que é a história de um rapazinho que corre todo o continente africano em busca do seu sul.
Cine Arcadia é o nome da sala de cinema que aparece no filme de Victor Erice. Arcadia remete-me para Reviver o passado em Brideshead e para todos os momentos de Arcadia. E para Juan Ramón Jiménez, que escreveu “Mi plata aquí en el sur, en este sur, / conciencia en plata lucidera, palpitando / en la mañana limpia, / cuando la primavera saca flor a mis entrañas!”.
Daqui a pouco, já faltou mais, chega a primavera. Haverá romarias e a Feira de Abril, em Sevilha. Haverá a feira de maio. Haverá o sul, que me falta todos os dias. Em especial nas noites como a de ontem, de chuva e frio e com uma tempestade de nome apropriadamente nórdico.