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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

AUTÁRQUICAS 2025: DIA 9 DA CAMPANHA

2.200.000 euros + IVA em música, palcos e foguetes (entre final de 2021 e até à última feira de setembro). Chocalhos e rabolêros como se diz na nossa terra.

Quase tudo em Moura. Ou como diz um amigo, "parece que o concelho de Moura começa no Brenhas e termina na Atalaia Magra..."

Uma política de festa, quando a capacidade para fazer mais e melhor não existe.

É este o caminho?...

sexta-feira, 1 de março de 2024

UMA HORTA NO TELHADO DA IGREJA DA ESTRELA

Quando me enviaram, há dias, a imagem do telhado da igreja de Nossa Senhora da Estrela fui tomado por uma sensação de profunda tristeza. Ou de desalento, nem sei bem.

 

A fotografia, feita há dias a partir de um drone, mostrava o telhado da igreja num estado absolutamente miserável. Ervas e mais ervas, causando danos ao imóvel. Conheço bem a igreja da Estrela, tal como conheço o seu processo de reabilitação. Até 2013, os estrelenses recusaram-se a usar a igreja. A obra estava por terminar e os habitantes achavam, com razão, que aquela não era a sua igreja.

 

Contactos sucessivos com a EDIA não deram em nada. A determinada altura entrou em cena a Câmara Municipal. Que se sentiu na obrigação de assumir o custo da obra que ainda falta fazer. No dia 17 de janeiro de 2013 assinou-se o contrato para concluir a obra da igreja, custo que foi assumido pela autarquia. No dia 28 de julho do mesmo ano a procissão saiu finalmente da igreja, durante a festa da aldeia. Em abril de 2013, em plena obra, a igreja tinha passado ao estatuto de monumento classificado.

 

Em 2015, o PS chumbou um pedido de empréstimo para que se concluísse a reabilitação da igreja. Desconheço o que mais fizeram, desde outubro de 2017, e até hoje, no imóvel.

 

Esta história pouco exemplar revela tudo o que têm sido os últimos seis anos e quatro meses. Muita propaganda, muitos protocolos assinados, promessas às mãos cheias. Quase nada de obras, quase nada de concretizações de fundo, para além do que vinha do passado. Miragens e mais miragens, a praia e a estação náutica e o hotel de cinco estrelas no Carmo. Valha-lhes aquilo que a CDU concretizou no passado e que serve de cartão-de-visita turístico do concelho. Valha-lhes isso.

 

Sempre tivemos como claro (refiro-me a todos os executivos camarários em que trabalhei) que devemos sempre pensar na resolução dos problemas em termos de futuro. Sempre achámos que, com os escassos recursos financeiros existentes, importa que os mesmos sejam usados em investimentos com retorno e não apenas aplicados em espetáculos sem qualquer consequência no futuro e na melhoria de vida das populações.

 

O que é que continuo a pensar? Que é preciso trabalho de fundo, que é preciso olhar para o património e fazer dele fator de desenvolvimento (e não, não é só turismo nem arqueologia e museus). Os italianos perceberam isso há muitos anos. Que é preciso coragem para fazer projetos e os concretizar. Que é preciso conhecimento (essa parte, eles não têm mesmo), reflexão e debate. E que é urgente avançar soluções

 

O que aconteceu, em 2013, na Estrela foi feito noutros tempos? Sim, noutros tempos, com outra vontade e com outra determinação. É esse caminho que é preciso retomar, impedindo que os telhados dos monumentos sejam transformados em hortas.

Crónica em "A Planície"

sábado, 5 de novembro de 2022

ENTRETANTO, NA ESTRELA E EM MOURA...

... teve lugar, no meu concelho, uma ação de solidariedade com Cuba. O país das Caraíbas é, desde há 60 anos, alvo do mais abjeto e ilegal ato de banditismo internacional. Promovido pelos da dimócraci e dos iuman rraites.

A iniciativa não caiu em saco roto. E teve mais gente que os frequentadores da Estação Náutica.





domingo, 23 de setembro de 2018

PÓVOA E ESTRELA, VEZES DOIS

Não era exatamente o que queria ter feito... Há desequilíbrios de contraste, as fotografias foram feitas com diferentes aparelhos etc. E, bem entendido, tive de recorrer ao "arquivo" pessoal. A 200 quilómetros era difícil ter feito de outro modo. Mas gostei deste regresso. Dentro de dias, o regresso será real.

Participei em trabalhos fotográficos sobre três terras do meu concelho: Amareleja (2017), Moura (2001) e Santo Aleixo (2010). Pode ser que, um dia, a saga tenha continuidade... Prosseguir com a Póvoa e com a Estrela, isso é que era.




HOJE, NA PÓVOA DE S. MIGUEL

Não estou hoje, na abertura.
Mas verei a exposição, em breve. A despeito da minha crónica dificuldade de fotografar em grupo, gosto de marcar presença. Em especial em sítios como a Póvoa e a Estrela.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

NEBLINA

 DANS LE BROUILLARD

Comme c’est étrange de marcher dans le brouillard !
Solitaire est chaque buisson, chaque pierre,
Aucun arbre n’aperçoit son voisin,
Chacun est bien seul.

Le monde était pour moi plein d’amis
Quand ma vie se déroulait dans la lumière ;
Maintenant que le brouillard est tombé,
Je ne distingue plus aucun d’eux.

En vérité, personne n’atteindra la sagesse
S’il ne connaît aussi les ténèbres
Qui, en silence, inexorablement,
Le séparent de toute chose.

Comme c’est étrange de marcher dans le brouillard !
La vie tout entière est solitude
Nul ne connaît son prochain
Chacun est bien seul.



A luz da tarde era meio ilusória. No meio do sol fez-se neblina.
Na aldeia da Estrela, ontem (20:25).
Poema, já antigo, de Hermann Hesse (1877-1962).

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

COMO SE DESENHA UMA CASA

A ida à Estrela, no final da tarde de ontem, deu o mote aos tons dourados do resto do dia. A luz estava bonita e isso tornou-se mais evidente no interior da igreja. A paleta nacarada das paredes - rosas, azuis, amarelos, cinzas - dava um ar "romano" ao templo. Uma igreja é, também é, uma casa.

As cores, o silêncio do fim da tarde, a luz, trouxeram tranquilidade a um dia agitado. O poema de Manuel António Pina também ajudou bastante.



Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.
Protege-te delas, das recordações,
dos seus ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.
Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso.