Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, FERNANDO ALEXANDRE

Ao ouvir, há pouco, o Ministro da Educação, lembrei-me de dois textos:

OS POBREZINHOS

Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

- O que é que o menino quer, esta gente é assim

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis".

Esta é uma genial crónica de António Lobo Antunes.

Mas há também ricos:
Foi uma noite adorável. Partiram o grand piano de Mr. Austen, esmagaram os charutos de Lord Rending na sua carpete, partiram as suas porcelanas, rasgaram os lençóis de Mr. Partridge, atiraram o Matisse para dentro de um jarro, de Mr. Sanders não tinham nada para partir a não ser as janelas, mas encontraram o original no qual ele tinha estado a trabalhar para o Newdigate Prize Poem, e divertiram-se muito com o facto de Sir Alastair Digby-Vaine-Trumpington se ter sentido mal com a excitação, e ter sido levado para a cama por Lumsden of Strathdrummond. Eram onze e meia. Em breve, a noite terminaria. Mas ainda haveria tempo para uma partida.

Este ambiente de festiva destruição não é de nenhuma residência universitária onde vivem "os mais desfavorecidos", a que, pitorescamente, se referiu o Ministro da Educação. Vale a pena ler o ambiente, dos meninos ricos em Oxford, bastante posh, descrito por Evelyn Waugh na sátira "Decline and fall" (a "tradução" é minha, por não ter à mão nenhum exemplar em língua portuguesa).

O livro é uma sátira, as declarações do senhor ministro são uma tragédia.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

BUFOS, PIDES, FACHOS E CHIBOS

O agora desaparecido Charlie Kirk era o promotor de dois sites onde se estimulavam a bufaria e a denúncia mais abjetas.

Tratava-se / trata-se de expor e de denunciar os professores com os quais não se está de acordo. Para quem alimenta estes sites, há um perigoso comunista em cada esquina e em cada cadeira universitária. Todos os de quem eles não gostam têm de ser afastados. Em nome de quê? Da Liberdade e da Verdade, evidentemente...


terça-feira, 26 de agosto de 2025

CULTURA EM PORTUGAL: MOMENTO SAM, THE EAGLE...

Extingue-se a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Ainda não está claro o que se segue e como se segue.

Extingue-se o Plano Nacional de Leitura. Não se percebe porquê nem para quê. Nem qual o modelo alternativo. Acharão que está tudo bem e que toda a gente lê imenso?

Extingue-se a Rede de Bibliotecas Escolares. Não se percebe porquê nem para quê. Nem qual o modelo alternativo. Os alunos do Secundário têm níveis de leitura fraquíssimos. Chegam à Faculdade com deficiências de escrita aflitivas.

Agora, vivemos no mundo das métricas e dos peer...

No outro dia, disse a um amigo destas lides: "hoje, nenhum crivo universitário deixaria que se publicasse o Portugal na Espanha Árabe; e tenho sérias dúvidas que o 'impressionismo' de Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico fosse bem visto e fosse admitido; contudo, há um antes e um depois deles".

Estamos em plena "era Sam the Eagle" do Muppet Show.


segunda-feira, 18 de novembro de 2024

OXALÁ CORRA BEM...

Há uns meses, um veterano professor universitário (veterano da minha idade, quero eu dizer) acusou-me de "fatalista", quando comparava o desempenho dos nossos alunos com os de outros países. E citava eu uma cena do filme "Lisboetas", de Sérgio Tréfaut.

De cada vez que temos um Web Summit, há coisas estranhas nos astros. Agora prometem tutores educativos para ajudar os alunos a compreenderem o mundo (?????). Mais uma cena de conversadatreting... Oxalá me engane. É que os chegam à Universidade escrevem cada vez pior. E têm um sentido crítico cada vez menos evidente. A culpa é deles? Não é, é nossa. E das fantasias mias ou menos inúteis que todos os dias se criam.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

SARDINHAS - A VISÃO DOS MAIS NOVOS

Os nossos vizinhos mais novos aqui do lado - EB1 - JI de Santa Clara - vieram fazer uma visita ao Panteão e depois recriaram as sardinhas. Quando as professoras nos mandaram fotografias pensámos "isto não pode ficar por aqui; eles têm de expôr os trabalhos no monumento". E assim se fez, para contentamento de todos.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

NO INÍCIO DO ANO ESCOLAR

Nas semanas que antecedem o começo das aulas fico sempre na dúvida: este ano quantos alunos serão? Leciono, no primeiro semestre, uma cadeira de opção, aberta a outras licenciaturas, para além da História. Em 2021/22 houve um recorde de 41 (!), no ano passado eram 17, o número mais baixo desde que regressei à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Este ano são 28…

 

Nos primeiros anos, “arrancava em quarta”. Depois da apresentação do programa e da definição dos objetivos da cadeira – História do al-Andalus – iniciava as sessões, sempre às terças e quintas, sempre às 8 da manhã. Uma prática que é prática (as aulas terminam às 9.45), mas quando chego ao fim do dia o cansaço nota-se. Nos últimos dois anos – e este ano ainda de forma mais enfática – dediquei especial atenção às questões de metodologia da investigação. No fundo, como resolver na prática as questões que a investigação coloca e como se pensa, estrutura e executa um trabalho. Não são aulas exatamente “simpáticas”, mas são necessárias.

 

Questão nº 1: PLANEAMENTO. Falo-lhes sempre de Alfred Hitchcock, que gizava a produção dos seus filmes com tanto rigor, que depois achava a rodagem uma maçada… O planeamento tem de ser preciso e pensado com rigor geométrico (uma amiga em Moura dizia que eu era perfecionista e irascível, sendo que a primeira parte é exagerada e a segunda totalmente falsa). Mas não se começa um trabalho de investigação sem um plano, sem recolha de bibliografia (incluindo listagens de cotas em bibliotecas sff), sem um índice provisório do que vamos fazer, sem uma lista telefónica de colegas a quem recorrer.

 

Questão nº. 2: LOGÍSTICA E EXECUÇÃO. Tudo tem de estar preparado e, minimamente, estar previsto. “Quanto tempo vou levar em leituras?”, “de que recursos vou necessitar?”, “que impacto tem o meu trabalho?”, “como posso passar a minha mensagem?”, são questões que nos ajudam a criar uma logística interna. O improviso – “ah!, não há problema que eu desenrasco-me” –, o trabalho de terreno feito com base em meras intuições, e sem prever todas as variáveis, designadamente o que pode correr bem ou mal, é meio caminho andado para o desastre. Aconselho sempre o maior cuidado na forma de executar. E digo sempre que isso lhes será útil, quer sejam investigadores, professores ou, até, autarcas.

 

Questão nº. 3: AVALIAÇÃO E AUTO-AVALIAÇÃO. Peço sempre que sejam críticos e autocríticos. Que fujam das “inspirações” (insisto sempre que o sucesso de qualquer coisa é feito de 10% de inspiração e de 90% de transpiração), que se preparem, que fujam dos amadorismos e dos resultados de efeito fácil. Recordo-lhes sempre que o conhecimento é essencial e que uma visão global das coisas nos ajuda a perceber onde tivemos sucesso e onde falhamos.


Tenho estes, e outros princípios básicos que aqui não cabem, como essenciais numa atividade académica, profissional ou autárquica. São coisas de que alguns, por absoluta falta de conhecimento (e pela falta de vontade em aprender), por arrogância e por vaidade, se esquecem. Constato isso cada vez mais. O que é pena.


Crónica em "A Planície"




sexta-feira, 16 de agosto de 2024

LITERACIAS???

Li num site de notícias:

Arranca no próximo ano letivo um projeto-piloto que vai testar a adoção de uma nova disciplina obrigatória no ensino secundário em sete escolas públicas, privadas e profissionais.

Chama-se Literacias e o programa vai focar-se em vários módulos, com destaque para a literacia financeira, política, democrática e análise de dados.

Até agora, este tema era abordado no currículo de Educação para a Cidadania, mas passa a ter mais peso na formação dos estudantes.


Aguardo, com impaciência, os resultados práticos desta nova fantasia. Alguma coisa se está a passar, mas a realidade objetiva é que chegam à Universidade, cada ano que passa, com pior preparação e com uma formação cultural menos que básica.


quarta-feira, 5 de junho de 2024

AZIMUTE

Entrevista, na Escola Secundária da Quinta do Marquês (Oeiras), com direto a gravação vídeo, para divulgação do projeto AZIMUTE. Uma tarde proveitosa. Para mim foi, espero que a equipa de jovens estudantes também o tenha sido.


sábado, 16 de março de 2024

DE OEIRAS À AMARELEJA

De quarta para sábado. Falando aos mais novos sobre património e percursos.

De Oeiras para a Amareleja. Com a convicção que a transmissão de informações passa, também,  por estas sessões.

Em Oeiras a iniciativa foi da Mapa das Ideias e da Fundação Aga Khan, no âmbito de um projeto intitulado AZIMUTE.

Na Amareleja, a iniciativa intitula-se Mapa Mundo. É desenvolvido no âmbito do Projeto EPIS, Empresários Pela Inclusão Social. O Agrupamento de Amareleja aderiu ao projeto EPIS há seis anos. Trata-se de explicar percursos e experiências de vida aos mais novos. O convite partiu da Professora Romana Ferreira.





quinta-feira, 14 de março de 2024

AMARELEJA, DIA 16

E agora (quer dizer, não é agora, é no sábado...) vou para a Amareleja. Explicar o que foi ser presidente da câmara e o que é ser diretor de um monumento a alunos da Escola Básica Integrada. Estes desafios nunca são fáceis. E são sempre interessantes. Espero que seja também interessante para eles!


terça-feira, 12 de março de 2024

QUINTA DO MARQUÊS

Da Granja do Marquês (ontem) para a Escola da Quinta do Marquês (amanhã). Amanhã o desafio é sério: explicar a importância da presença islâmica a partir de uma dezena de objetos. Mas acho que por ser mais sério me dá mais prazer. Darei notícias aqui no blogue.


segunda-feira, 28 de agosto de 2023

O FABRICO DAS NOVAS ELITES

Sempre achei desajustado o foco na luta contra as propinas. Mais graves me pareciam/parecem outras situações. As dificuldades crescentes em se pagar um alojamento e o vale-tudo no arrendamento de quartos veio, infelizmente, dar-me razão. Há um sacrifício crescente por causa das famílias e o que mais pesa não são as propinas. Mas sim o resto: o alojamento, a alimentação, as deslocações, os livros etc. As desigualdades vêm de trás e cimentam-se aí.

A ironia maior é andarmos a criar elites em domínios com grande procura (medicina, engenharia, arquitetura...) para depois serem outros países a disso tirar partido. E empresas nossas que não investem um cêntimo na Educação.

Mas, antenção!, shiu que isto é um estado socialista.


quarta-feira, 9 de novembro de 2022

O FIM DA LINHA

Tenho, ainda, a remota esperança que isto não seja a sério. Se for, "é o acabou-se".

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

NA BATALHA, DAQUI POR UM MÊS

Ainda há pouco, ao preparar um ensaio que sairá na revista marroquina "Hesperis-Tamuda" dei comigo a pensar que o mundo do sul é mesmo outra realidade. E que o Islão Peninsular foi mesmo o outro lado do espelho. Ou quase. É algo que irei abordar dentro de um mês neste encontro/ação de formação. O que sublinhar? "Paradoxalmente", o papel das elites locais e o espaço ocupado pelas comunidades cristãs nestas regiões de controlo muçulmano. Nada como usar exemplos ainda recentes (as cidades de Maaloula e Saidnaya, nas montanhas do Antilíbano) para ilustrar essa realidade.


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

ESTA LUSITANA PAIXÃO POR NOMES E NOMENCLATURAS...

A Forma e o Conteúdo. O que é importante é o nome. Pois claro. Se não se chamar Faculdade ou Universidade é porque não é sério. Nomes antigos e bonitos como Escola de Belas-Artes ou Instituto Nacional de Educação Física assim desapareceram. Durante muitos anos, a França resistiu a essa vaga e tinha escolas com nome improváveis como École des Ponts et Chaussées (literalmente Escola de Pontes e Pavimentos) ou École de Commerce (Escola de Comércio). Eram os grandes estabelecimentos de ensino gauleses. Ao primeiro já acrescentaram o "tech", ao segundo o "business school". Deve ser mais sério, assim... Resistem, ainda, a École Nationale d'Administration, a École Polytechnique (de alta qualidade, apesar de serem apenas escolas) e algumas mais. E, entre nós, o Instituto Superior Técnico, que não não se chama faculdade nem universidade...

Ah! E temos as Autoridades! Essa lusitaníssima macaqueação das Authorities amaricanas.

sexta-feira, 26 de março de 2021

BURRO VELHO APRENDENDO LÍNGUAS...

Aos 57 anos, 9 meses e 2 dias regressei à "escola primária". É num faculdade, mas o nível é o de arranque. Inscrevi-me numa turma de Língua Árabe. Nível básico. Na verdade, já tinha feito Árabe I e Árabe II, em tempos muito longínquos. Mas excetuando o reconhecimento do alifato e meia dúzia de palavras, tudo se esfumara.

Voltei ao início. Divertido por constatar que sou, de longe, o mais velho. Bem mais velho que o professor. E com idade para ser avô de alguns alunos.

Estou a fazer tudo disciplinadamente. Com toda a aplicação, que isto é para continuar. Burro velho não aprende línguas? Veremos.




domingo, 17 de janeiro de 2021

HOUVERAM E HAVERÃO

Estes e outros pontapés na gramática tornaram-se-me familiares. Erros? (Quase) todos damos. Mas os erros recorrentes e resultado de falhas no ensino são um flagelo. Que piora a cada dia que passa.

Mas isso sou eu. Que nunca percebi a TLEBS. Que sou um troglodita, um bota de elástico, um atrasado etc. Que acha, claro, que é decisiva a participação de todos na nova era digital, como é necessário não esquecer coisas básicas. Como a gramática e a capacidade da escrita.

O que conta é a capacitação digital, mais os "embaixadores digitais" (mais uma fantástica invenção) e a promoção da competência digital dos aprendentes (que linda palavra!).

Depois, os aprendentes (mais ou menos digitais) chegam ao 2º. e ao 3º. ano da faculdade e escrevem "haverão". Mas que estes desenhos com cores quentes e frias são giros, lá isso são.



quarta-feira, 29 de julho de 2020

TELESCOLA SUPERIOR

Passei o segundo semestre a falar para o boneco. Era um seminário de mestrado, opcional e com poucos alunos. A situação foi fácil de gerir e ainda deu direito a uma visita de estudo aos bastidores da preparação de uma exposição, no Museu Nacional de Arte Antiga.

A partir de setembro, o caso muda de figura. A disciplina é de opção, mas costuma ter muitos alunos. O horário das 8 da manhã estava disponível. Fiquei com ele. Da estação de Entrecampos à Torre B da Faculdade são menos de 10 minutos a pé. Do Departamento confidenciaram-me que os alunos também gostam desse horário. "A tradição já não é o que era, alunos que gostam de se levantar cedo...", não pude deixar de pensar.

A "telescola" não me agrada. Farei o que for considerado apropriado. O ministro garante que as aulas são presenciais, os estudantes já vieram dizer que só as práticas o deverão ser. Prevê-se um início de ano letivo animado.

domingo, 26 de julho de 2020

ENSINO SUPERIOR - VERSÃO DAVID LYNCH

O ISCTE - BUSINESS SCHOOL resolver fazer a sua cerimónia de finalistas on-line. Uma ideia sensata, tendo em conta as limitações por que passamos.

A cerimónia foi divulgada via youtube. Outra ideia adequada. A parte estranha vem a seguir. O vídeo tem pouco mais de uma hora. Ao minuto 46 entra-se numa fase freak out. O professor que entrega os diplomas dirige-se a uma assembleia de bonequinhos (os alunos, supostamente) de legos, playmobils e nenucos... O ambiente faz recordar o David Lynch nas fases mais estranhas.

Provavelmente, estou a ficar velho. Mas há aqui qualquer coisa que me escapa.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

ESCOLA PROFISSIONAL DE MOURA: 20 ANOS

Faz hoje 20 anos a Escola Profissional de Moura. Um projeto erguido contra ventos e marés, e contra a vontade dos que hoje querem fazer esquecer o que ontem fizeram. Ao menos, que assinalem a data.

Recordo o que aqui escrevi há exatamente 5 anos:
Foi assim. Uma sessão breve, mas muito emotiva. Assinalaram-se hoje 15 anos de Escola Profissional de Moura. Um projeto arrancado a ferros. Erguido graças a uma Câmara CDU. Que contou, é justo dizê-lo, com o apoio do PSD. Apenas e só, do ponto de vista político. E contou com o entusiasmo de muitos cooperantes e de muita gente de boa vontade. Os primeiros anos foram muito difíceis. Depois, a Escola Profissional ganhou alguma estabilidade. Lançou laços de cooperação. Fez do seu caminho um percurso sólido. A formação tem a qualidade que hoje os alunos do curso de restauração demonstraram.

Há duas pessoas, em especial, que quero aqui saudar: José Maria Pós-de-Mina e Antónia Baião.