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quarta-feira, 22 de abril de 2026

E ASSIM PASSARAM DEZ ANOS

Fui buscar aos "arquivos" esta fotografia. Dez anos certos.

A cena é inesquecível. Subimos a Segunda Rua da Mouraria a custo, no meio da multidão. Ao chegarmos perto da Praça, estava o Jorge Liberato à porta da taberna com garrafas de vinho para oferecer ao Presidente da República. Apresentei-o: "Senhor Presidente, este amigo é o bastonário da Ordem dos Taberneiros". A resposta, acompanhada por um vigoroso aperto de mão, foi: "então temos de conhecer a taberna". E entrou de rompante.

Marcelo Rebelo de Sousa já não é Presidente da República.

Eu já não sou Presidente da Câmara de Moura.

O Jorge continua ativo, no seu posto, felizmente.


sexta-feira, 10 de abril de 2026

CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS - 150 ANOS

Há bancos mais antigos, claro. Mesmo em Portugal! Mas este é público.

Fui convidado a estar presente no encontro que assinalou a data. Um acontecimento muito interessante. Pelo que foi dito e, por vezes, como foi dito. Mas isso ficará para mais tarde.

Para já assinalam-se os 150 anos da Caixa Geral de Depósitos. Uma efeméride importante.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

QUASE NA IDADE ADULTA

O blogue existe há 17 anos (!). A partir de janeiro mudarei o registo.

Hoje é dia de continuar e de preparar a semana.


 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

SOMOZA

Faz hoje um século que nasceu um dos mais completos facínoras da América Central, Anastacio Somoza Debayle (1925-1980).

Somoza, que era presidente e filho e irmão de ex-presidentes, tinha o apoio dos norte-americanos. Até ao dia em um dos elementos da sua Guarda Nacional assassinou, a sangue frio, um jornalista da cadeia ABC. O acontecimento, ocorrido em 20.6.1979, foi filmado e difundido em todo o mundo. Anastacio Somoza  durou menos de um mês no poder. Os sandinistas não lhe perdoaram e foram atrás dele. No dia 20 de setembro de 1980, em Asunción, no Paraguai, atacaram o carro com bazucas. O primeiro tiro falhou, o segundo acertou. Não sobrou grande coisa...

sábado, 22 de novembro de 2025

PAVILHÃO DAS CANCELINHAS - 10 ANOS

Este sítio foi, há dias, tema de conversa.

A inauguração, na Amareleja, teve lugar há 10 anos, precisamente. Um dia inesquecível. As centenas de pessoas que encheram o pavilhão deram-me ânimo para continuar com um ritmo de trabalho que era/foi intenso.

Tal como intensa tem sido a utilização do sítio.

Na fotografia, da esquerda para a direita: José Pós-de-Mina (Presidente da Câmara 1997-2013), eu, Manuel Ramalho (Presidente da Junta 2001-2009) e Victor Mestre (autor do projeto).

Uma década volvida tenho a certeza que, ao avançar, tomámos a decisão certa. E continuo com a convicção que o projeto deveria ter prosseguido e sido concluído.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

FRANCO (1892-1975)

O franquismo, na sua tremenda violência, foi muito mais longe do que o salazarismo. E deixou marcas mais fundas. A todos os níveis.

Estava em Madrid quando o carro de Carrero Blanco foi pelos ares. Lembro-me da agonia de Franco. E tenho uma ideia, mais difusa, do patético comício de 1 de outubro de 1975.

Na infância, olhava para a moeda de uma peseta com que ia comprar cromos à tienda ao fundo da Calle Calvo Sotelo, intrigando-me aquela do "caudillo de España por la gracia de Dios"...

Depois da sua morte, os ultras continuaram a marcar presença. A marca do saudosismo - a que o bronco CHEGA dá por cá expressão - teve em Espanha outros registos: a Fuerza Nueva e, noutro estilo, o PP. E, agora, o VOX.

Uma coisa é certa: o passado nunca regressa da mesma forma.


terça-feira, 11 de novembro de 2025

ANGOLA 50 ANOS

José Afonso gravou este tema para o disco "Enquanto há força", de 1978. É uma canção claramente comprometida politicamente. Há o apoio ao MPLA e há a esperança no homem novo. Angola completa hoje 50 anos como País independente. Que diria o genial Zeca, o homem de todas as utopias, dos dias que se vivem em Angola?



sexta-feira, 24 de outubro de 2025

RECORDANDO EISENSTEIN

O filme nunca foi terminado, mas as bobinas que chegaram até nós (muitas vezes usadas de forma abusiva pelas companhias de Hollywood) são do melhor Sergei Eisenstein que há. O cineasta focou boa parte do seu interesse no Dia dos Mortos. A data aproxima-se. Aqui fica a evocação de um cineasta genial.

E do não menos genial, e quase sempre esquecido, Eduard Tisse (1897-1961). E tanto que o Cinema lhe deve.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

MIGUEL URBANO RODRIGUES - 2.8.1925

Faria amanhã 100 anos. Deixou-nos na primavera de 2017, pouco tempo antes de chegar aos 92. Miguel Urbano Rodrigues nasceu em Moura, na Quinta da Esperança, bem perto do Ardila.

 

Conheci o Miguel em 1986 ou 1987. Era ele presidente da Assembleia Municipal de Moura e figura prestigiada do jornalismo. Estava eu a começar a minha carreira como técnico na Câmara de Moura. Foi o começo de uma amizade que durou três décadas. “Não me tratas por você”, deve ter sido uma das primeiras frases que me dirigiu. Uma “ordem”, bem ao seu estilo, direto e sem cerimónias.

 

Parte da sua vida está relatada em dois fascinantes livros de memórias (“O tempo e o espaço em que vivi”). Deveria ter havido um terceiro volume, que não sei se chegou a tomar forma. De qualquer maneira, nesses livros, ora sérios, ora pícaros, sempre motivados politicamente, o Miguel relata episódios que, mesmo quando são pessoais, refletem sempre o tempo e o espaço em que ele viveu. E que são um testemunho imprescindível sobre esse tempo. Boa parte da narrativa anda em torno dos jornais e de prática da escrita.

 

A saída do “Diário Ilustrado”, onde era chefe de redação, em 1957 (na sequência de um processo absurdo, que deu brado e passou fronteiras...) acabaria por dar outro rumo à vida do Miguel. Nos anos 60 está no Brasil, onde se tornará editorialista de política internacional de “O Estado de São Paulo”, o maior e mais prestigiado periódico da América Latina. Não era lugar para qualquer um... Só deixará o posto em 1974, depois de ter ido à embaixada de Portugal em Brasília. O episódio é relatado bem ao seu estilo (“fomos lá, exigimos os passaportes e pusemos o embaixador [José Hermano Saraiva] na rua”). 

 

Dizia com frequência “numa vida há muitas vidas e num homem muitos homens”, frase que se lhe aplicava na perfeição. O seu percurso foi um somatório espantoso de coisas e de acontecimentos (foi crítico tauromáquico, esteve no assalto ao Santa Maria – facto que Henrique Galvão omite –, militou no Partido Comunista Português durante mais de 50 anos, dirigiu “O diário”, foi deputado, foi comentador televisivo, viveu em Cuba e no Brasil e foi um homem de espírito progressista como poucos). Nunca perdeu a argúcia, o sentido de humor e a capacidade crítica. Temperava tudo isso com uma cultura vastíssima, que se refletia num estilo de escrita elegante e fluido.

 

Repito o que já aqui escrevi sobre ele: “Não perdoava falhas na língua portuguesa, nem a ignorância travestida de saber. Uma vez, apareceu num almoço em que estávamos um arrivista que passara pelo jornalismo e que se “interessava pelo Mediterrâneo”. E que andava “a investigar”. Sentou-se à nossa mesa. Depois de muita conversa, às tantas disparou “ó Miguel Urbano, qual é a diferença entre árabes e berberes?”. O Miguel alinhavou, de mau humor, duas ou três frases sobre a questão. A partir daí, e sempre que nos encontrávamos, recordava “aquele moço é de uma ignorância enciclopédica”.

 

Escrevi quando ele partiu que à medida que amigos nos vão deixando – começo a entrar nessa idade – há uma parte das nossas vidas que fica para trás e há uma parte de nós que já não volta. Senti isso com duas ou três pessoas muito especiais. O Miguel é, será sempre, uma delas.

 

Dele retenho uma frase essencial e cada vez mais importante nos nossos dias: “a pátria do Homem é o planeta Terra”.Foi um homem de corpo inteiro. Chamou-se Miguel Urbano Rodrigues. Foi um mourense ilustre. Amanhã é o dia do seu centenário.


Crónica em "A Planície"


sábado, 26 de abril de 2025

HOJE, EM CORUCHE

Hoje, em Coruche, temos o Povo numa exposição que recorda dias felizes, em 1975.

Foi daquelas empreitadas - a exposição e o catálogo - que me deixou marcas positivas e recordações gratificantes.

O Povo, do Panteão para o Ribatejo.


sexta-feira, 25 de abril de 2025

CÍRCULOS ELEITORAIS DE MOÇAMBIQUE E DE MACAU

A soma dos deputados desta lista soma 248.

Faltam dois. Quais? O do círculo da emigração (que foi para o PPD) e de Macau (que foi para a ADIM). O qu eu não tinha mesmo ideia é de ter havido um círculo eleitoral em Moçambique (!). Esse país estava a cinco meses da independência.

As primeiras eleições verdadeiramente livres da História de Portugal foram há 50 anos. Votei pela primeira vez em abril de 1983, há 42 anos. Em quem votei? Na coligação UDP-PSR. Que foi um flop total...

quinta-feira, 24 de abril de 2025

QUANDO A CORJA TOPA DA JANELA

Viva o 25 de abril!
Viva Zeca, sempre!
Aqui com a voz do recentemente desaparecido Nuno Guerreiro.
E apesar da estúpida censura à palavra merda.


terça-feira, 11 de março de 2025

O 11 DE MARÇO















As imagens são quase irreais. No meio do cerco a uma unidade militar, sitiantes e sitiados discutem o problema, acompanhados pelas câmaras da televisão e por repórteres da rádio.

Estamos no dia 11 de março de 1975. Era o começo de um tenso processo revolucionário, que durou oito meses e que mudou, para sempre, Portugal.

O dia ficou marcado pelo trágico falecimento de um soldado do Regimento de Artilharia Ligeira Nº1 (RAL 1). Chamava-se Joaquim Carvalho Luís. Deram-lhe o nome de uma avenida, então em construção, junto à minha escola preparatória, em Massamá. O nome ainda perdura.

Do Executive Digest de hoje:

Foram nacionalizadas 253 empresas, num processo que ocupou mais de vinte números do “Diário do Governo” e durou 16 meses.

Em 1979, eram contabilizadas 1.022 empresas participadas diretamente pelo Estado.

1975

14 de março

O mesmo “Diário do Governo” que publicava o decreto de criação do Conselho da Revolução decretava a nacionalização da banca, com exceção do Crédit Franco-Portugais, dos departamentos portugueses do Bank of London & South America e do Banco do Brasil, das caixas económicas e das caixas de crédito agrícola mútuo.

15 de março

O Conselho da Revolução nacionaliza todas as companhias de seguros, com exceção da Europeia, Metrópole, Portugal, Portugal Previdente, A Social, Sociedade Portuguesa de Seguros e O Trabalho, dada a significativa participação de companhias de seguros estrangeiras no seu capital.

16 de março

O IV Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves, nacionaliza a TAP, empresas refinadoras e distribuidoras de petróleo, com exceção das distribuidoras estrangeiras (Sacor, Petrosul, Sonap, Cídia), CP, Siderurgia Nacional, empresas produtoras, transformadoras e distribuidoras de electricidade – incluindo participações estrangeiras.

09 de maio

Nacionalizadas as sete empresas de cimentos e cinco indústrias de celulose e cerca de um quarto do capital da Celbi.

13 de maio

Nacionalizadas várias empresas de tabacos.

05 de junho

Nacionalizados o Metro, a empresa geral de transportes (Carris) e 55 empresas de transportes públicos.

14 de Agosto

Empresa de Pirites Alentejanas.

21 de agosto

Grandes empresas químicas, em especial petroquímicas e adubeiras.

30 de agosto

Empresas cervejeiras do continente e duas dos Açores e Madeira.

01 de setembro

Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Setenave – Estaleiros Navais de Setúbal e CUF

1976

13 de novembro

Companhia das Lezírias do Tejo e Sado.

02 de dezembro

Nacionalizadas a atividade de radiodifusão e a RTP.

1976

20 de julho

São nacionalizadas empresas de bconservação, produção, serviço, transformação e comercialização de pescado.

29 de julho

A Imprensa fecha a porta das nacionalizações. As empresas proprietárias do “Diário de Notícias”, de “O Século”, do “Diário Popular” e de “A Capital” passam para o setor público juntamente com diversas firmas de artes gráficas e edição de publicações.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

YALTA: 80 ANOS

Dia 4 de fevereiro de 1945, há precisamente 80 anos. Em Yalta, na Crimeia (a curtos 50 kms. de Sebastopol...) traçava-se o futuro de dois blocos. A Europa passava a co-starring. Até hoje.

sábado, 25 de janeiro de 2025

RAMALHO EANES

António Ramalho Eanes faz hoje 90 anos. Foi eleito à primeira em duas eleições (61,6% em 1976 e 56,4% em 1980). Foi Presidente da República entre 14 de julho de 1976 e 9 de março de 1986.

A sua visão do mundo e política está bem presente no recente livro "Palavra que conta". Por muito que possamos discordar de muitas das suas visões há uma palavra que é inatacável, quando falamos de Ramalho Eanes: integridade. Não é coisa pouca.

Uma vida ao serviço de Portugal. Obrigado!



quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

O'NEILL

Centenário do nascimento. Hoje.

 








Ó Portugal, se fosses só três sílabas,

linda vista para o mar,

Minho verde, Algarve de cal,

jerico rapando o espinhaço da terra,

surdo e miudinho,

moinho a braços com um vento

testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,

se fosses só o sal, o sol, o sul,

o ladino pardal,

o manso boi coloquial,

a rechinante sardinha,

a desancada varina,

o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,

a muda queixa amendoada

duns olhos pestanítidos,

se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,

o ferrugento cão asmático das praias,

o grilo engaiolado, a grila no lábio,

o calendário na parede, o emblema na lapela,

ó Portugal, se fosses só três sílabas

de plástico, que era mais barato!

 

*

 

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,

rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,

não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,

galo que cante a cores na minha prateleira,

alvura arrendada para ó meu devaneio,

bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

 

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,

golpe até ao osso, fome sem entretém,

perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,

rocim engraxado,

feira cabisbaixa,

meu remorso,

meu remorso de todos nós...


ó Portugal, se fosses só três sílabas

de plástico, que era mais barato!

domingo, 8 de dezembro de 2024

ANO 16

O blogue chegou aos 16 anos. Ainda não é bem um calhambeque, mas para blogue tem idade respeitável.


segunda-feira, 7 de outubro de 2024

ANTÓNIO BORGES COELHO 96

TESTEMUNHO

Não é exagero dizer que a leitura de "Portugal na Espanha Árabe" moldou o meu percurso. Provavelmente, não me teria tornado historiador sem o impacto causado pelas páginas luminosas que António Borges Coelho escreveu para a 1º. e o 3º. volumes da primeira edição dessa obra. Só conheci o Borges Coelho anos mais tarde, já eu era aluno da faculdade. Infelizmente, nunca fui diretamente seu aluno. Estava de sabática, na fase final do doutoramento e tive de me contentar com uma alternativa. Em todo o caso, ele foi um dos meus professores de eleição, com o muito que me ensinou fora da sala de aulas.

O interesse de António Borges Coelho pelo Islão nunca esmoreceu, sendo depois caldeado pelas investigações sobre os Descobrimentos e, sobretudo, sobre a Inquisição, tema da sua tese de doutoramento. Isso mesmo fica claro com as sucessivas reedições de “Portugal na Espanha Árabe” e com a participação ativa nos projetos “Portugal Islâmico” (1998), “Marrocos-Portugal” (1999) e Museu Islâmico, em Mértola (2001). Uma participação solidária, empenhada e militante.

Em 1998, António Borges Coelho prefaciou “O legado islâmico em Portugal”, livro de que, em conjunto com Cláudio Tores, fui autor. Isso deu-me “pretexto” para, anos mais tarde, lhe fazer uma longa entrevista biográfica, publicada, com outros ensaios, no livro “Historiador em discurso directo” (2003), editado pela Câmara Municipal de Mértola.

Poderia repetir aqui tudo o que escrevi no parecer que a Universidade do Algarve me pediu, em 2009, no âmbito da atribuição do grau de “doutor honoris causa” a António Borges Coelho. Em especial no reconhecimento que todos lhe devemos, nos campos cívico, académico e humano.

Parabéns, neste dia do 96º. aniversário.

sábado, 5 de outubro de 2024

DIA DA REPÚBLICA, 2024

Dia da República no Panteão Nacional.

Assinalando o centenário da morte de Teófilo Braga (1843-1924), numa iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada. Cerimónia presidida pelo Chefe do Estado e que contou com a presença do Presidente do Governo Regional dos Açores, do Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e do Presidente do Conselho de Administração da Museus e Monumentos de Portugal.

Há dias mais "relax"..., mas tudo correu sem falhas.


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

CARLOS LOPES - 1984

Tinha regressado na antevéspera de Montemor-o-Novo, onde tinha ido participar nas escavações arqueológicas. Daí a dias, partiria para Mértola. Estava prestes a iniciar o último ano da licenciatura, no meio de um mar de incertezas.

Naquela noite, decidi-me a ficar a ver a maratona, prova derradeira dos Jogos Olímpicos. Carlos Lopes não era o grande favorito. Esse lugar estava reservado ao australiano Robert de Castella e ao norte-americano Alberto Salazar. Que eram filmados uma vez e outra durante o aquecimento, porque a transmissão televisiva era uma coisa mais simples e menos "apresentação do concurso das misses" dos tempos recentes. Bom, lá mostraram Carlos Lopes uma vez, fugidiamente.

Eu também não acreditava que Carlos Lopes fosse ganhar e pensei "fico a ver enquanto ele aguentar; quando descolar, desligo a televisão e vou para a cama". Começa a prova, passam os quilómetros, 5, 10, 20, 25 e Lopes sempre no pelotão da frente. "Entre os 30 e os 35 é que vai ser a grande prova". E nada. Lopes continuava, e à frente havia cada vez menos. E, de repente, a pouco mais de uma légua da meta, aí vai ele. Começo num nervoso miudinho que nunca antes tinha sentido. Só me lembro dele cruzar a meta e eu desatar ao saltos na sala. Bom, aquilo era um terceiro andar e o quarto do vizinho ficava por baixo. Eu parecia o Nijinski (salvo seja) dando saltos. Ficava "suspenso" no ar, para cair de mansinho...

Acredito firmemente que Carlos Lopes potenciou os sucessos que vieram a seguir. Não só pelos sucessos em si, como pelo facto de ter "arrumado" (terem, que Rosa Mota também foi aí crucial) aquela ideia do portuguesito desgraçadinho e inferior e fadado à derrota.

Viva Carlos Lopes, 40 anos volvidos. Continua, ainda hoje, a ser o mais velho vencedor de uma maratona olímpica, tinha 37 anos e meio.