sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
PRÉMIO GULBENKIAN PATRIMÓNIO - MARIA TEREZA E VASCO VILALVA 2026
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
MOURA EM 1510: OS DESENHOS DE DUARTE DARMAS
Sexta será dia de (mais um) regresso à pátria de origem. Desta vez para, na Taberna do Liberato, retomar um tema que me é caro: o das leituras do urbanismo antigo. O que é se pode reconhecer passados 500 anos? Que modificações houve? Que permanências se podem constatar?
E tudo isto em dois dos meus lugares de eleição: a Mouraria e a Taberna do Liberato. Um e outro são Património.
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
A MAIS COMPLETA INCOMPETÊNCIA
Ante públicas denúncias sobre o estado de ruína do Convento do Carmo, já começou a choradeira sobre as culpas do Poder Central (e esperem que ainda vai sobrar para a CDU e para 2017 e para mim e para sabe-se lá mais o quê...) e sobre a tristeza e a amargura etc.
Muito claramente, sobre esta matéria, recordo o que já escrevi e reafirmo:
Desde outubro de 2017, com o PS à frente da Câmara, o processo do Convento do Carmo tem sido um desvario. Foi desenvolvido um projeto para um hotel de cinco estrelas, que previa a construção de anexos e obras profundas no subsolo. Ao tomar conhecimento do projeto, pensei “isto vai dar problemas”. Porquê? Porque espaços ligados a conventos têm sempre cemitérios, normalmente com muitas centenas de corpos. Estes trabalhos arqueológicos são, por norma, demorados e caros. Antes de se avançar para um projeto desta dimensão conviria olhar o terreno, estudar as suas condições específicas, consultar os técnicos e só depois decidir. Fez-se o contrário.
A culpa não é da arqueologia nem dos arqueólogos. A culpa é de um executivo camarário (presidente e vereadores PS) sem preparação nem conhecimentos. A impreparação custa cara.
Depois de tantos anos envolvido na reabilitação urbana de Moura, tudo isto me causa uma pena imensa. Ainda por cima, com a convicção que com outra equipa à frente da Câmara teria havido trabalho e resultados. Tal como aconteceu no passado. Com menos folclore, menos Domingão, mas mais concretizações.
Portanto:
A culpa não é dos arqueólogos;
A culpa não é dos técnicos;
A culpa não é do Departamento Técnico;
A culpa não é do(s) governo(s);
A responsabilidade total deste imbróglio é da mais absoluta incompetência das equipas autárquicas do PS que, desde 2017, estão à frente do nosso concelho.
Um certeza. Com uma Câmara CDU (fosse o presidente o André, o José ou o Santiago) isto não aconteceria. Tenho provas do que digo. Ponto.
sábado, 1 de novembro de 2025
CHICHÉN ITZÁ
Por entre as colunas de pedra, um borboleta
negra com vermelho nas asas voava. Entre uma coluna
e outra procura a entrada para o centro onde
se arrancaram corações de cativos e de virgens. Talvez
quisesse que o seu vermelho a tingisse com o sangue
das vítimas; talvez quisesse roubar-lhes, dos lábios,
o último sopro, ou o último grito. Pensei
que a poderia seguir por entre as colunas; mas
o cão que parecia dormir, na perpendicular
de vénus, levantou a cabeça e olhou-me, como
se fosse o jaguar devorador de corações. Tudo tem
a sua lógica quando procuramos dar um sentido
ao acaso. E olhei para o alto da pirâmide
como se lá estivesses, à minha espera, com os teus olhos
presos nas asas da borboleta e a chamar por mim,
como se nao tivesses já o meu coração
sem teres precisado de o arrancar na câmara
dos sacrifícios (ao que dizem, fechada
por motivos de segurança).
Passaram-me, discretamente este poema de Nuno Júdice, ontem, a meio de uma sessão de leitura de poesia. Fiquei com dúvidas que fosse para o ler em público. Pensei que não era. Afinal era, disseram no fim. Fiquei quase feliz por nao ter percebido. Mas só mesmo quase.
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
DO CÁLAMO AO DRONE: E TRÊS ANOS SE PASSARAM (27.10.2022)
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
CASTELO DE VIDE...
E, mesmo no início da campanha, um "raid" de umas 15 horas a Castelo de Vide. Ainda e sempre Duarte Darmas.
Que método de trabalho e que estratégia de divulgação? São essas as questões.
Participação na Escola de Outono.
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
ONTEM, NO MACAM
Ontem, foi dia de ir ao Museu da Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM) assistir à entrega do Prémio Gulbenkian Património.
A assombrosa recuperação do estado de ruína em que estava o Palácio do Conde da Ribeira Grande é, desde logo, uma iniciativa de assinalar. Devia o Estado seguir-lhe o exemplo.
E depois há a fantástica coleção que Armando Martins reuniu e a que agora Adelaide Ginga dá vida.
Não resisto a deixar aqui uma imagem da intervenção visual de Carlos Aires (n. 1974), um Cristo Negro detrás do qual passam, em loop, vídeos nada neutros.
quarta-feira, 17 de setembro de 2025
PRÉMIO VILALVA 2025 PARA O MACAM
O Prémio Vilalva deste ano foi atribuído ao MACAM - Museud e Arte Contemporânea Armando Martins. O MACAM é um projeto invulgar no nosso meio.
Cito, da nota difundida pela Fundação Caloutse Gulbenkian:
O júri, presidido por António Lamas, referiu na ata que se trata de “uma das mais importantes edificações palacianas lisboetas de meados do século XVIII, época de grande dinamismo construtivo e de revalorização da Rua da Junqueira como eixo entre a cidade e o Palácio Real, instalado, depois do terramoto de 1755, na Real Barraca da Ajuda. Ao longo do século XX, o vasto edifício foi, na quase totalidade da sua área, ocupado por instituições escolares, a mais duradoura das quais, a Escola Secundária Rainha Dona Amélia.”
O palácio foi intervencionado pela Metro Urbe, dirigida pelos arquitetos João Pedras e Hélder da Silva Cordeiro, que criaram, ainda segundo o júri, um equilíbrio cativante entre a salvaguarda e restauro patrimoniais e as exigências estruturais, funcionais e estéticas dos novos equipamentos.
Veja-se a nota completa em:
https://gulbenkian.pt/
quarta-feira, 27 de agosto de 2025
CGD: PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO
O livro foi apresentado ao público em maio do ano passado. São mais de 400 páginas. Um pequeno excerto está disponível em:
Sempre dá "para ter uma ideia".
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
MÉRIDA, AINDA E SEMPRE
Apesar de tudo, ainda e sempre.
No sábado à noite, alguns dos meus companheiros estavam animadamente divertidos, " se visses a tua cara durante a representação...". Não vi a minha cara, mas posso dizer que deveria estar "de trombas".
Já não tenho pachorra (saco, dizem os nossos irmãos brasileiros) para tanto politicamente correto, tanto wokismo, tanta necessidade de ser e justificar não sei o quê. Desta vez, foi a encenação de "Os irmãos", de Terêncio. A peça passa a ser um pretexto para...
Valem o sítio e o ambiente. Para o ano lá espero estar.
Momentos memoráveis:
2002 - "Pentesilea", com direção de Peter Stein.
2005 - "Una odisea antillana", com direção de Derek Walcott.
Vinca-se-me uma certeza: há momentos que valeu a pena terem sido aproveitados, porque foram únicos. E são irrepetíveis.
De 2005 para cá, aguardo por qualquer coisa de excecional. Será em 2026?
MOURA NA "BUSINESS INSIDER"
Moura é motivo de destaque na "Business Insider". Qual a razão?
O jardim, o castelo (visitável desde 2004, obra de uma gestão CDU) e a Mouraria (obra de recuperação de uma gestão CDU) são os pontos de referência: "I absolutely love walking along the tight network of narrow streets lined with low-slung, white-washed houses, many ornamented with colorful flower pots".
Uma pequena história sobre os vasos de flores: em 2016, um destacado membro do Partido Socialista de Moura veio propor (quase reivindicar), numa reunião tida no meu gabinete, que, por razões de segurança, fossem removidos os vasos de um dos lados da rua. Explicou-me, pedagógico e sapiente, que se uma ambulância tivesse de passar, os vasos seriam uma obstrução à circulação e, inclusivamente, poderiam ser destruídos.
Ou seja, ante a popularidade de uma iniciativa que tivéramos, vinham sugerir que fossemos nós a acabar com ela...
Quem me conhece minimamente sabe da pouca pachorra que tenho para este tipo de tretas. A minha resposta foi, ante algum embaraço dos presentes, curta e grossa:
"Não há problema. Se houver uma emergência, podem partir o que for preciso. Os vasos todos, se necessário. No dia seguinte, colocamos lá outros"
A reunião terá durado uns 5 minutos, não mais.
Ver:
quinta-feira, 21 de agosto de 2025
CASTELO DE MOURA: ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS
Esta publicação tem uma história pouco linear. Há cerca de 15 anos, achámos que seria boa ideia editar uma primeira memória das escavações no Castelo de Moura. Planeou-se o livro em dois volumes: texto e apêndice de imagens.
Afogado em trabalho na vereação, consegui gizar e dirigir o planeamento dos dois volumes. As imagens (desenhos, fotografias, plantas etc.) estavam disponíveis. O índice do livro estava decidido. Solução de "emergência"? Imprimir primeiro os anexos. Três anos (3!) demoraria a redação do texto. Tudo acertado com as imagens, num jogo arriscado de correspondências: as citações teriam de ser sequenciais, nada de citar primeiro a imagem 14 e depois a 12...
Entretanto, havia mais informação pertinente disponível. Como todos os dados de suporte (elementos descritivos, unidades estratigráficas etc.) que não valia a pena imprimir, por serem demasiado extensos, iriam ser incluídos num CD apenso ao volume I, anexou-se aí tudo o que faltava.
Conclusão da edição? 2016.
No final, bateu tudo certo. Um trabalho duro e literalmente irrepetível. Explico sempre aos meus alunos este processo repetindo no final "não tentem fazer isto em casa!"
sábado, 16 de agosto de 2025
DAS JÓIAS DE HELENA AO RIBAT DA ARRIFANA
Não temos emenda. Refiro-me a nós, ao País, a Portugal.
Esta fotografia foi-me enviada, ontem, por um amigo. Um grupo de turistas ingleses fazia um piquenique nas ruínas do ribat da Arrifana. Heinrich Schliemann adornava a sua própria esposa com as supostas jóias de Helena. Nada que se aconselhe, mas menos gravoso, ainda assim.
O ribat é um sítio único no nosso Património. É Monumento Nacional! E está assim. À mercê de piqueniques.
Mas, ó pá, em Aljezur vai haver, no final deste mês:
Julinho KSD
Dino d'Santiago
Paulo Gonzo
Pete tha Zouk
Zé Amaro
Marco Filipe
etc.
Ah! E uma mega-sardinhada.
E a Fórmula 1 em 2027, que vai ser do camandro.
Pode ser que sobre qualquer coisinha para dignificar o ribat.
quinta-feira, 19 de junho de 2025
GIBRALEÓN
De repente, deu-me para ir à procura das coisas antigas de Gibraleón, a Jabal Uyun das fontes escritas árabes. Arrastei até lá uma pequena comitiva. Uma manhã inexplicável.
A visita teve detalhes pícaros - como o de um funcionário do ayuntamiento a fotocopiar um folheto turístico tirado de uma caixa onde haveria umas boas dezenas de exemplares - e outros insólitos:
Iglesia del Carmen - cerrada.
Iglesia de San Juan - cerrada.
Convento de Ntra. Sra. del Vado - cerrado.
Iglesia de Santiago - cerrada.
Castillo - cerrado, por supuesto.
Balanço da manhã: compra de um maço de cigarros (não para mim) e de uma garrafa de água. Turismo tabágico-aquífero.
terça-feira, 17 de junho de 2025
BARRAQUIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO - UMA TRAGÉDIA IBÉRICA...
sexta-feira, 13 de junho de 2025
TORRE DEL ORO
Lembro-me de ser muito pequeno e de ir a Sevilha e de querer ver a Torre del Oro, porque acreditava que era mesmo em ouro. E de o meu pai me levar lá - não me lembro exatamente quando foi, mas a "visita" foi noturna - e de eu ter ficado desapontado com aquela torre de tom pardacento.
Estava longe de saber que um dia me iria interessar por torres de tom pardacento.
A gravura onde se vê a Torre del Oro, junto ao Guadalquivir, tem um detalhe curioso: o coroamento da Giralda é falseado e maior que a realidade. Tem quase a mesma dimensão da torre. Vá lá perceber-se porquê.
sábado, 17 de maio de 2025
PERFUME TROPICAL NA IGREJA DE MONSARAZ
As razões objetivas são difíceis de explicar, mas aquele altar da Igreja de Monsaraz tinha um certo ar de tapete berbere ou de casa africana. O final de tarde estava bonito e luminoso e talvez isso me tenha ajudado a "inspirar". Já perguntei a quem sabe destas coisas se tem alguma pista...
segunda-feira, 5 de maio de 2025
TARDE DE PROCISSÃO
O percurso foi curto, um pouco menos de 900 metros: subir parte da Calçada dos Barbadinhos, virar para a Fernão de Magalhães, depois subir a Rua Washington, depois a Afonso Domingues, virar à direita para a Rua Capitão Humberto de Ataíde e voltar a descer a Calçada dos Barbadinhos.
A igreja de Santa Engrácia (que não é a do Panteão) alberga uma relíquia de mártir, que o pároco transporta, na fotografia.
A Comissão de Festas em Honra de Santa Engrácia convidou a estar presente nas festividades. Uma atitude de grande simpatia. Fui, claro. Há práticas que não se perdem.
terça-feira, 22 de abril de 2025
GUERRA JUNQUEIRO & VASCO DA GAMA - até 27.4
Últimos dias de duas importantes exposições, no Panteão Nacional:
Guerra Junqueiro e o capricho da Arte
Tesouro de Nossa Senhora das Salas
segunda-feira, 14 de abril de 2025
PARADA DE ESTRELAS
Numa das salas da Gare de Alcântara há um registo com personalidades que passaram por Lisboa, a caminho da segurança norte-americana, nos anos de 1940-1941. É uma verdadeira parada de estrelas. Passaram por um país tão parolo e tão tacanho como o próprio Salazar. Nenhum deles quis cá ficar, naturalmente. Ficavam a fazer o quê?
Na parede oposta, há uma fotografia com refugiados empunhando a bandeira americana. Sinais de outros tempos.
Alfred Döblin
Alma Mahler
Antoine de Saint-Exupéry
Gala Dalí
Hannah Arendt
Jean Renoir
Josephine Baker
Joan Miró
Madeleine Lebeau
Man Ray
Marc Chagall
Marcel Dalio
Marcel Duchamp
Patricia Highsmith
René Clair
Salvador Dalí
Saul Steinberg

