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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

MODERNISMO EM ASSOMADA

Uma conversa recente "levou-me de volta" a Assomada. Lembro de ter passado lá, em julho de 1989, a caminho para o Tarrafal. A estrada "antiga" era bem mais bonita que a atual, muito mais rápida e prática.

Passava-se no centro de Assomada (hoje é uma rua pedonal). A imagem que me ficou gravada foi a desta fachada modernista. Quem a terá desenhado? é a pergunta que várias vezes me fiz. O cinema foi recuperado há alguns anos e está ao serviço da Cultura.


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

CHAMBLAS

No meio de infindáveis - acho que são mesmo infindáveis - pesquisas de imagens, percorri o espólio de um grande fotógrafo hispano-francês: Juan (ou Jean Laurent, nascido em Garchizy, em 1816, e falecido em Madrid, em 1886, embora o site do Musée d'Orsay indique 1892.

Viveu em Espanha a partir de 1843 e a maioria das imagens que produziu referem-se ao país vizinho. Tem, contudo, também um conjunto de apreciáveis fotografias de sítios e monumentos portugueses. O seu trabalho em Portugal é razoavelmente conhecido, ainda que num meio algo restrito.

Ao recuperar imagens no site do museu parisiense, dei com esta insólita legenda: CHAMBLAS, como identificação da igreja de SÃO BRÁS, em Évora. Uma pouco ortodoxa transliteração fonética. Brás em Espanha é Blas. O padre informante devia ser do norte... Daí o cham por são. Se non è vero, è ben trovato, é o que posso dizer da minha própria "solução".

O registo da igreja eborense não é dos melhores. A fotografia da Sé Velha, de Coimbra, é verdadeiramente muito boa.


 

sábado, 1 de agosto de 2026

VIEIRA PORTUENSE EM ROMA

Numa pesquisa de imagens no MATRIZPIX encontrei este desenho de Vieira Portuense (1765-1805). A datação coincide com a sua estada em Roma. Representa, seguramente, a Piramide di Caio Cestio, monumento funerário do século I a.C.. Benditos tempos estes, em que nos é permitido fazer investigação onde e como nos apetece. E em que temos o prazer de rever sítios que merecem ser vistos.


       

Número de Inventário:
81868.71 DIG
Tipo de Espécime:
Digital (DIG)
Instituição / Proprietário:
Museu Nacional de Arte Antiga
Número de Inventário do Objecto:
824/70 Des
Categoria:
Desenho
Denominação / Título:
Fólio com um esquisso - Álbum de Desenhos
Datação:
1789 dC - 1793 dC
Dimensões:
26,3 x 19 cm
Autoria / Produção:
Vieira Portuense, Francisco (1765-1805)
Informação Técnica:
Desenho a lápis e a tinta sobre papel
Fotógrafo:
Luísa Oliveira, 2024
Copyright:
© DGPC

segunda-feira, 13 de julho de 2026

A CAMINHO DE BAFATÁ

Os edifícios e as praças dos sítios são sempre o grande apelo. Fui à Síria depois de ver as colunas de Palmiyra num museu belga. Quis ir a Argel depois de ver as ruas da cidade num filme de Costa-Gavras. E Bolama foi o destino, depois de uma "misteriosa" fotografia de um edifício colonial, localizada algures.

Na lista, será cumprida?, ainda estão Tombuctu, Ghardaia e Ghadames.

Agora é (será? seria?) Bafatá. Esta é a extraordinária fachada, de revivalismo neo-árabe, do mercado da cidade.

Bafatá fica 100 quilómetros a oriente de Bissau, na confluência dos rios Geba e Campossa.



quinta-feira, 9 de julho de 2026

UMA IGREJA NA POLANA

Ainda ontem se falou nesta igreja. O meu interlocutor estava convencido que era projeto de Pancho Guedes (1925-2015). Não é. Foi seu autor o arq. Nuno Craveiro Lopes (1921-1972), filho de Francisco Craveiro Lopes, Presidente da República entre 1951 e 1958 (v. fotografia de baixo).

Nuno Craveiro Lopes desenvolveu os seus principais projetos em Moçambique. O mais emblemático é a Igreja de Santo António, na Polana. Estive lá há quase 30 anos. Numa das cidades que mais marcas me deixou.



segunda-feira, 17 de novembro de 2025

VIVA O PAVILHÃO DAS CANCELINHAS!

Fizeram-me chegar esta fantástica fotografia.

O grande Trail Terra do Sol, na Amareleja, reuniu mais de 600 participantes.
A organização foi da SFUMA Sports.
O final foi celebrado no Pavilhão das Cancelinhas.
(informação e fotografia "Jornal Terras do Sol")

Dez anos após a sua conclusão (2015) continua a servir a freguesia.

Que era o micro-ondas;
Que a Junta, na altura (PS/independentes), iria fazer uma coisa muito, muito melhor;
Que aquilo, o pavilhão, era uma porcaria e não servia para nada.

Vê-se que não serve para nada.

Já lá dizia o outro "são verdes, não se podem tragar..."

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

ARTE ISLÂMICA EM MOURA

Edifício na Estrada de Barrancos, em Moura.

Arcos ultrapassados numa platibanda? Nunca em tal tinha reparado. Quem me chamou a atenção para isto foi o José Gonçalo.

Um certo toque orientalista, em construção do século XX.


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

EUROPA DE REPRISE

Noutros tempos havia cinemas de reprise.

Havia cinemas de estreia - onde os filmes estavam três ou quatro semanas, por vezes muito mais. Os filmes passavam depois, numa segunda fase, para os cinemas de reprise, com preços mais populares. A maior parte deles já desapareceu.

Vivia em Queluz e frequentava o Lido, que ficava no limite ocidental da Amadora, a 500 metros da minha casa.

Em Lisboa lembro-me destes:

Paris (em ruínas, na Rua Domingos Sequeira)
Europa (hoje prédio de habitação, biblioteca e espaço cultural, na Rua Francisco Metrass)
Cinearte (hoje sede de um grupo teatral, no Largo de Santos)
Restelo (na Av. da Torre de Belém, substituído por um super-mercado)
Promotora (atual videoteca da Câmara Municipal de Lisboa) etc.

Numa ida, no início da semana, a Campo de Ourique, passei pela fachada do antigo Europa, onde se conserva o elemento escultórico de Euclides Vaz, representando a Europa, ela mesma.

Curiosamente, o Lido e o Europa tiveram o mesmo autor: Carlos Antero Ferreira (1932-2017), que ainda "apanhei" como professor numa pós-graduação, na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.





quarta-feira, 27 de agosto de 2025

CGD: PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO

O livro foi apresentado ao público em maio do ano passado. São mais de 400 páginas. Um pequeno excerto está disponível em:

https://www.cgd.pt/Institucional/Patrimonio-Historico-CGD/Noticias/Documents/CGD-Patrimonio-Arquitetonico.pdf

Sempre dá "para ter uma ideia".



quinta-feira, 31 de julho de 2025

ARGEL - MEDERSA

Ao olhar esta estampa - em Mértola, está sempre á minha frente -, comprada em Argel há cerca de 20 anos, não pude deixar de penar nos "jogos de compensações" do(s) colonialismo(s). Este medersa revivalista é obra do final do século XIX/início do século XX e foi assinada por uma arquiteto francês. Seis décadas volvidas, "je vous ai compris" e a Argélia era independente.

A palavra medersa é uma adaptação de madrasa, escola corânica. De onde resultou a pouco simpática palavra madraço = preguiçoso. Aos que se dedicam ao estudo aplicam-se (quase) sempre palavras pouco simpáticas...


quinta-feira, 10 de julho de 2025

BAGHDAD, MUITO AO LONGE

Numa sessão ontem realizada, na Gulbenkian, o Prof. António Feijó, Presidente da Fundação, referiu a construção, em meados da década, de dois importantes edifícios em Baghdad. Era uma forma de manter ligações com o Iraque. Assim se financiaram o Centro de Artes (projeto de Jorge Sottomayor d'Almeida) e o Estádio Nacional (projeto de Carlos Ramos e de Francisco Keil do Amaral). Tive curiosidade de perceber o que se tinha passado. O primeiro é hoje o Museu Nacional de Arte Moderna e parece, exteriormente, meio "abarracado". De acordo com um site que consultei está meio desativado. O estádio passou por várias renovações, mas a traça original é ainda bem reconhecível.





domingo, 25 de maio de 2025

VIDROS COLORIDOS

Sempre gostei de casas com vidros coloridos. Se um tivesse uma casa de acordo com eles, gostaria que tivesse vidros assim. Mas os vidros coloridos não são para um sítio qualquer. Nas zonas antigas dos sítios fazem sentido. Noutros não. Ao visitar no outro dia um edifício, dei-me conta que ainda há quem os fabrique à moda antiga. Os vidros antigos vão bem com poemas antigos.


De Alfred Tennyson:

Now sleeps the crimson petal, now the white;
Nor waves the cypress in the palace walk;
Nor winks the gold fin in the porphyry font.
The firefly wakens; waken thou with me.

   Now droops the milk-white peacock like a ghost,
And like a ghost she glimmers on to me.

   Now lies the Earth all Danaë to the stars,
And all thy heart lies open unto me.

   Now slides the silent meteor on, and leaves
A shining furrow, as thy thoughts in me.

   Now folds the lily all her sweetness up,
And slips into the bosom of the lake.
So fold thyself, my dearest, thou, and slip
Into my bosom and be lost in me.


sábado, 17 de maio de 2025

PERFUME TROPICAL NA IGREJA DE MONSARAZ

As razões objetivas são difíceis de explicar, mas aquele altar da Igreja de Monsaraz tinha um certo ar de tapete berbere ou de casa africana. O final de tarde estava bonito e luminoso e talvez isso me tenha ajudado a "inspirar". Já perguntei a quem sabe destas coisas se tem alguma pista...

quinta-feira, 8 de maio de 2025

NORTE JÚNIOR

Escrevi aqui no blogue, em outubro de 2020, "não sendo grande entusiasta da obra de Norte Júnior (1878-1962) - tudo me parece demasiado parisiense... - gosto muito deste edifício art deco da Horta". Vale a pena relativizar, porque há edifícios que valem bem uma missa.

A Casa Malhoa, hoje museu nacional, é um desses edifícios. Mas há outros, que são casas particulares, que são merecedores de justificada cobiça.


segunda-feira, 5 de maio de 2025

MÁSCARA N°. 25: LISBOA, SANTA ENGRÁCIA

Segue a "série" das caras urbanas: agora muito perto da Calçada dos Barbadinhos. Há boa arquitetura dos anos 30 e 40 por aquelas bandas...

domingo, 13 de abril de 2025

GARE DE ALCÂNTARA

Finalmente abertas! As gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos podem ser visitadas. Todo o talento de Porfírio Pardal Monteiro e de Almada-Negreiros à nossa frente. Em especial na de Alcântara (a outra fica para daqui a umas semanas), onde há um centro interpretativo que enquadra a gare na história portuguesa e nas obras do arquiteto e do artista plástico. Há entrevistas curtas muito boas em imagens e há filmes muito bons sobre a obra de Almada em Lisboa.

O pior disto? A gare continua emparedada entre contentores... E para lá chegar temos de fazer uma gincana entre rotundas improvisadas e pavimentos em mau estado.


domingo, 6 de abril de 2025

BONSOIR, TRISTESSE

O final de tarde estava assim. Os edifícios do Bom Pastor têm um "toque berlinense" e fazem-me lembrar o Wohnhaus Schlesisches Tor, desenhado por Siza Vieira na primeira metade da década de 80. A luz e o tempo, às 20:18 de sexta, estavam assim, também com um toque nórdico. Final de uma semana longa... A que vem será ainda mais densa.

domingo, 9 de março de 2025

GARAGEM PARISIENSE

Já lá vai o tempo em que tudo vinha de Paris. Até as ideias de se fazerem panteões...

Paris dava um toque chique. Ao ponto de haver uma loja (cara) no Chiado que era o Paris em Lisboa. Na zona parisiense de Lisboa (sim, há/havia uma) fica esta garagem. Só não consegui saber o nome do arquiteto. O projeto parece ser dos anos 40 ou do início dos ano 50. Rodrigues Lima? Reis Camelo? João Simões?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

ESTÁDIO NACIONAL

Gosto do projeto de Jacobetty Rosa para o Estádio Nacional. Dentro do espirito do tempo foi do melhor que se fez. O enquadramento é perfeito e aquela pompa em pedra envelheceu bem.

E agora, senhoras e senhores, chega uma pala. Olhando para o desenho da pala, não percebo muito bem para que serve a dita. Cobre um setor mínimo da bancada central. Quando a chuva vier de poente só os da tribuna de honra não levam com água em cima.

O projeto inicial tinha uma certa lógica e dignidade. Os remendos que se seguiram são apenas remendos.

Pala por pala antes a de Entrecampos (obra dos anos 50?), que ao menos tapa qualquer coisa.













segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

CEAL: O TEMPLO DA ENERGIA

A central elétrica já existia desde há umas décadas quando era criança. A minha geração conhecia o edifício como sendo da CEAL - COMPANHIA ELÉCTRICA DO ALENTEJO E ALGARVE — CEAL, S.A.R.L. -, constituída em 4 de Novembro de 1954. A CEAL foi nacionalizada em 15 de Abril e integrada na EDP – Electricidade de Portugal, E.P. em 1976.

O projeto inicial, segundo informação do meu colega José Francisco Finha foi da autoria do Eng. Carlos Alberto Roeder (de acordo com o Jornal de Moura de maio de 1928, que o José Francisco generosamente me enviou). O edifício teve depois uma adaptação interior - creio que do já desaparecido arq. José Garrett -, estando hoje ocupado por instalações da Guarda Nacional Republicana.

Fica-me uma dúvida, e uma vez que o texto do J.M. não é explícito. O eng. Carlos Alberto Roeder foi autor do projeto técnico da central e também do arquitetónico? É que o desenho - fenestrações e frontão ao jeito clássico - "remete" para a intervenção do arq. Jorge Segurado em Moura, ocorrida na mesma altura.

O que tem graça no desenho original é aquele ar de fábrica-templo, tão ao gosto do século XIX. A burguesia "nobilitava-se" indo buscar inspiração no mundo greco-romano (Paestum na imagem inferior).

Ver: http://arquivo.jornalarquitectos.pt/pt/243/destaque%201/