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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

AUTÁRQUICAS 2025: DIA 9 DA CAMPANHA

2.200.000 euros + IVA em música, palcos e foguetes (entre final de 2021 e até à última feira de setembro). Chocalhos e rabolêros como se diz na nossa terra.

Quase tudo em Moura. Ou como diz um amigo, "parece que o concelho de Moura começa no Brenhas e termina na Atalaia Magra..."

Uma política de festa, quando a capacidade para fazer mais e melhor não existe.

É este o caminho?...

segunda-feira, 30 de junho de 2025

GARGALÃO

Há sítios que se tornam inapagáveis. O Gargalão, a curta distância do Sobral da Adiça, faz parte dessas memórias. Desde há quase 20 anos que se tornou sítio de visita regular. Entre 2007 e 2009 por razões que se prendiam com o pelouro das águas. Depois disso, por muitas outras razões.

Os regressos são sempre animados. Festivos a sério. E há sempre uma ponta de saudade nestas coisas. Disto e de muito mais se falou.

Da esquerda para a direita: Nelson Mendes, Bruno Monteiro, Osvaldo Fernandes, o autor do blogue e Domingos Pinto.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

RIBEIRA DA PERNA SECA: UMA COMPLETA E DELIRANTE FALSIDADE DO CANDIDATO DO CHEGA

As pessoas não são obrigadas a conhecerem o concelho de Moura. Nem os seus problemas. Como é o caso do candidato do Chega à Câmara Municipal. Que, manifestamente, não tem a mais pequena ideia do que está a falar.

As obras da Ribeira da Perna Seca, concluídas em 2016 (era eu presidente da câmara) e dando por terminado um difícil processo iniciado em 1998, vieram trazer paz de espírito aos habitantes do Sobral da Adiça. Vir agora dizer que é preciso mudar o curso das águas da ribeira é um perfeito delírio. A menos, claro, que esteja a falar de outro Sobral da Adiça, localizado algures noutro ponto do Universo. Só pode ser isso...

domingo, 6 de novembro de 2022

SOBRAL DA ADIÇA: 1997/2016 (19 anos, 1 mês, 13 dias)

Vergonha foi o que mais senti ao longo de 11 anos, de cada vez que ía ao Sobral. Vergonha, angústia e raiva.

A obra de regularização da Ribeira da Perna Seca tinha um valor muito elevado. Depois daquela noite de novembro de 1997 não era possível deixar as coisas como antes. E a Câmara Municipal teve de avançar, entre um mar de obstáculos e de dificuldades. Levamos nisto 19 anos, 1 mês e 13 dias. No momento de iniciar um emocionado discurso, só me lembrei do título da biografia de Luís Pacheco, escrita por João Pedro George. Não pude citar o livro, mas lembrei-me dele.

Uma lei de 1999 sacudia a água do capote e empurrava a resolução destes problemas para as autarquias. Querem soluções? Amanhem-se, foi a resposta.

Uma pequena câmara municipal (a de Moura) foi deixada à sua sorte para resolver este problema. Recordo cada uma das reuniões que tive, recordo o nome de cada interlocutor e a forma como, enquanto vereador e enquanto presidente, fui "despachado". Recordo o apoio e incentivo que o José Maria Pós-de-Mina me deu para que fosse avançando.

Se há sítio onde me sinto em paz é no Sobral da Adiça. Em paz comigo e com os habitantes.


domingo, 10 de outubro de 2021

TERRA DA FRATERNIDADE

Não foi só uma questão de festejar a vitória na Freguesia do Sobral da Adiça, bem entendido. Foi sobretudo o momento de nos juntarmos e de, confiadamente, prepararmos o futuro. O almoço, com 150 participantes, reuniu candidatos aos órgãos autárquicos e muitos amigos, de todas as freguesias do concelho.

Um momento de união, hoje no Sobral. As intervenções de Daniel Barreto, Bruno Monteiro, Helena Costa, André Linhas Roxas e de João Pauzinho deram o mote ao futuro.



sexta-feira, 20 de agosto de 2021

SOBRAL DA ADIÇA - A LISTA

Divulgando e dando voz à lista da CDU à freguesia de Sobral da Adiça. A certeza de uma junta diferente. Uma realidade diferente construída desde 2013. A diferença de um futuro com esperança.

Para um futuro melhor, no dia 26 de setembro.




domingo, 11 de julho de 2021

CDU - MOURA 2021

Das 16:35 às 03:00. Saída e chegada. Menos de 11 horas entre Amadora, Sobral e Amadora. Com passagem pela Casa do Benfica, em Moura. Valeu a pena? Se valeu! A apresentação dos candidatos da CDU no Sobral foi mais um passo numa caminhada que me parece cada vez mais importante.

O meu compromisso é com estes meus camaradas e amigos (com o André Linhas Roxas, com a Helena Costa, com o Bruno Monteiro e com todos os outros!). Estarei presente ao longo deste verão, e depois do verão. Tudo farei para contribuir nesta renovada esperança.

Tal como me é cada vez mais claro que este sítio (este meu concelho de Moura) é, cada vez mais, o meu território. Para sempre.





terça-feira, 20 de abril de 2021

BRUNO MONTEIRO - TERCEIRO ANÚNCIO

Aqui não é exatamente uma surpresa, mas a confirmação do nome. Que vem na sequência do trabalho de grande qualidade que o Bruno Monteiro, com a sua equipa, está a desenvolver na freguesia. Trabalhei de perto com o Bruno entre 2013 e 2017. Foi, de facto, um prazer. Ficámos amigos. Devo ao Bruno inúmeros testemunhos dessa amizade. Integrou-me bem no seu meio, coisa que não esquecerei.

Vamos a isto, Bruno!



terça-feira, 8 de dezembro de 2020

RIBEIRA DA PERNA SECA - ANTES E DEPOIS

Acontecimentos recentes, e algumas coisas que fui lendo, levaram-me a escrever este texto para "A Planície":


No dia 29 de novembro de 2020 choveu bastante na serra. A meio da tarde, a ribeira da Perna Seca, no Sobral da Adiça, transbordou pontualmente das margens e tocou algumas casas mais próximas ao curso de água. Não foi a primeira grande cheia a ter lugar, desde que a obra de regularização da ribeira foi começada. Na noite de 13 de novembro de 2014 uma chuvada semelhante tinha posto à prova a capacidade de escoamento da obra. Estive lá um pouco antes da meia-noite e tenho fotografias que o demonstram.


Conheço muito bem este processo. Tive-o em mãos entre outubro de 2005 e dezembro de 2016. Mais de uma década de labuta, até se conseguir resolver um problema que poderia assumir proporções ainda mais graves. Como teria ocorrido em 2014 e no final do passado mês de novembro.


Um dos momentos mais marcantes do meu percurso autárquico, e da minha vida, ocorreu na noite de 29 de dezembro de 2009. A ribeira transbordara, uma vez mais. O acesso principal à aldeia estava cortado e tivémos de entrar, o José Maria Pós-de-Mina e eu, pela Estrada dos Carapinhais, num percurso mais longo, por entre a escuridão e a chuva que ainda caía. Preparávamo-nos para ouvir um coro de reclamações, à chegada. O que aconteceu foi, para nós, muito pior. Havia um terrível silêncio, um misto de desalento e de tristeza se apossara dos moradores que vivem aqui nesta zona. Ouvia-se apenas aquele rumor da água a correr depressa, quando a ribeira começava a esvaziar lentamente.


No dia seguinte, houve uma brevíssima reunião. O José Maria disse-me apenas “já percebeste que temos mesmo de avançar, com ou sem financiamento, certo?”. Sim, tinha percebido isso claramente. Esperavam-nos pela frente sete duros anos.

No jornal A Planície de 1.2.2010 a secção de Moura do Partido Socialista declarava, sem pejo nem que vergonha, que “esta obra não é da responsabilidade da Administração Central”. Claro que avançámos e não vou aqui estar a historiar todo este processo. O dia 18 de dezembro de 2016, quando a obra foi formalmente inaugurada foi dos mais significativos e decisivos da minha vida pessoal e política.


Parece-me relevante este regresso ao passado – nem por isso assim tão distante –, pelas seguintes razões:


1.    Ai de nós se esperarmos por milagres e que sejam outros a vir resolver os nossos problemas;

2.    Ai de nós se não combatermos e não resolvermos e não promovermos soluções que vão além do papel;

3.    As soluções e a força estão em nós. Em todos nós. Não há salvadores da pátria, nem profetas nem homens ou mulheres providenciais;

4.    Somos nós, com o nosso empenho, o nosso sentido de luta e a nossa capacidade de concretização. Somos nós e, como diz um velho amigo meu, a “infinita liberdade do espírito”.


É essa a minha firme convicção. E tal como se ultrapassou o problema da Ribeira da Perna Seca (a ribeira transbordou um pouco no dia 29.11.2020? nem consigo imaginar o que se teria passado sem aquela obra...) se ultrapassaram outros e se podem deixar para trás muitos mais. Com trabalho, com perseverança, com tenacidade.


Recordo um poema de Eugénio da Andrade “se as mãos pudessem (as tuas, / as minhas) rasgar no nevoeiro, / entrar na luz a prumo”. A grande diferença é que a palavra aqui nos cabe e quem tem de rasgar o nevoeiro somos nós. Agora e em cada momento das nossas vidas.


Crónica em "A Planície"




domingo, 29 de novembro de 2020

SOBRAL DA ADIÇA, DEZ ANOS MAIS TARDE

Uma daquelas curiosidades da blogosfera veio alertar-me para um texto de há 10 anos. A propósito da obra da Ribeira da Perna Seca. Tem um certo interesse ler o que se passou, perceber como tudo se passou e como tudo ficou terminado, por iniciativa de executivos camarários da CDU, em dezembro de 2016.

Deixo aqui, sem mais comentários e uma década passada, o que então se escreveu.


DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2010

RIBEIRA DA PERNA SECA - A PROPOSTA

Foi-me enviado o seguinte comentário, a propósito da obra no Sobral da Adiça:
Leio este Post e pergunto-me: Não seria mais correto colocar aqui a proposta para a conhecermos? A Câmara não recebeu já dinheiro para aquela Obra? Já passou tanto tempo porque só agora surge a Proposta do Deputado João Ramos? Porquê o anterior Deputado da CDU não apresentou a seu tempo uma proposta destas?
27 de Novembro de 2010 21:45

Não sei quem é o/a autor/a co comentário. Apesar disso, e porque as perguntas são perfeitamente lógicas e pertinentes, aqui vão algumas clarificações:
1. A proposta pode ser lida mais abaixo; embora os valores estejam omissos, posso dizer que a repartição de verbas é a seguinte: 100.000 para a intervenção no Rio Mira, 900.000 para a Ribeira da Perna Seca. Refira-se que o valor do que se vai concretizar no Sobral ultrapassa os 2 milhões de euros.
2. A Câmara não recebeu dinheiro para esta obra. E pelo andar da carruagem, não estou lá muito optimista...
3. Estas propostas têm barbas e têm anos. A CDU por várias vezes, através dos deputados do PCP e do PEV, fez propostas no sentido de haver uma comparticipação do Poder Central. Um resumo desta pouco edificante história pode ser lida em:
http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2009/12/sobral-da-adica.html
e em

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS 

Grupo Parlamentar 
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Proposta de Lei nº 42/XI 
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Orçamento do Estado para 2011 
Proposta de Alteração 
MAPA XV – PIDDAC 
11 - Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território 
50 - Investimentos Plano 
15 - Ambiente e Ordenamento do Território
33 - Habitação e Serviços Colectivos - Protecção do meio ambiente e conservação da natureza
NUT II - Região Alentejo 
Reforço da dotação para 2011----------------------------------------1.000.000 Euros
Reforço de 1.000.000,00 Euros na Medida acima referida para afectação ao projecto situado na NUT II – Região Alentejo (Distrito de Beja) 

- Elaboração de Estudos par desassoreamento do Rio Mira 

- Regularização da Perna Ribeira Seca (Concelho de Moura) 

Assembleia da República, 08 de Novembro de 2010

O Deputado,

João Ramos

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Fotografia: Frederica Rodrigues (http://olharsobreadica.blogspot.com)

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Algumas notas à margem:

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João Dinis, presidente da junta de freguesia de Sobral da Adiça disse, ao jornal A Planície de 15.10.2009: "… eu considero que a Câmara, por si só, não tem capacidade financeira para realizar a obra, mas tem de interceder junto de outras entidades…".

No jornal A Planície de 1.2.2010 a secção de Moura do Partido Socialista declarava que esta obra não é da responsabilidade da Administração Central.

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A primeira declaração inscreve-se na lusitaníssima lógica do "interceder" (que tem no "ó amigo/ó sôtor faça lá um jeitinho" a sua expressão máxima), leia-se do "requerer", do "pedir" ou do "pedinchar" junto dos poderosos.

A segunda é a revelação do seguidismo em todo o seu esplendor.

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Desde que tomei posse como vereador em 2005, foi este o meu/nosso percurso:

1. A Câmara Municipal tinha de concluir o projecto, iniciativa em que, uma vez mais, esteve sozinha;

2. À medida que se avançava para a conclusão do processo, teriam de se buscar parcerias para o seu financiamento. Intercedendo ou não intercendendo, somámos recusas: do INAG, da ARH, da ANPC etc. etc.

3. Senti, enquanto cidadão português, uma profunda vergonha. Tinha vergonha da minha impotência em resolver o problema mais depressa - e fomos sempre à velocidade máxima permitida num país enredado em leis, em papéis, em prazos idiotas e em exigências disparatadas -, mas tinha, sobretudo, vergonha do Governo que temos, dos seus boys, dos seus bajuladores e puxa-saquistas.

4. Tive vergonha de vários dos meus interlocutores, não pela recusa em colaborar ou em financiar, mas pelo distanciamento e pela indiferença.

5. Senti o sentido da palavra "abandono". Percebi, em muitas ocasiões, a quem estamos entregues e a forma como o interior é deixado à sua sorte por governos de gente indiferente e pouco capaz.

6. Esses sentimentos só me aguçaram o sentido da luta e aumentaram a determinação. Talvez por isso, e mais do que em qualquer outro dossiê, o processo da Ribeira da Perna Seca me deixa um sentimento pessoal de dever cumprido. Que me leva a aguardar, com impaciência pelo início da obra. A entrega de propostas termina, repito, no dia 17 de Dezembro.

7. Peçam lá ao sr. Pita Ameixa que explique aos sobralenses o voto contra o apoio do Governo a esta intervenção.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

NÃO É MARQUÊS DE POMBAL QUEM QUER

Ao fim de todo este tempo, ainda não percebi, e sem ponta de ironia o digo, qual a agenda e o caminho do Ministro do Ambiente. O discurso é, com frequência, errático e disparatado. A última ideia apresentada, defendendo a mudança de aldeias de sítio, é o exemplo acabado da sobranceria urbana. Muito antes de se emitirem juízos de valor sobre a localização de aldeias nas margens do Mondego, haveria que reequacionar a localização da maior parte das urbanizações à volta de Lisboa. O que aconteceu em 1967 e, em menor grau, em 1983, não foi fruto do acaso. As inundações cíclicas nas baixas do Porto, de Águeda ou de Albufeira ainda não levaram a que se equacionasse um mudança de sítio de qualquer dessas cidades. Que há erros de planeamento acumulados é coisa de que não se duvida. Que sejam os aldeãos das margens do Mondego a pagar as favas é que não me parece lá muito justo.

Registei também, com grande interesse, a celeridade do governo em reparar os diques e repor a situação antes existente. Não tivemos a mesma fortuna, no Sobral da Adiça. A obra ficou, toda ela, a cargo da Câmara de Moura. Um processo marcante e que (me) deixou fundas cicatrizes.

João Matos Fernandes, um especialista em transportes, vai fazer tudo o que se propôs? Da reparação dos diques, falaremos daqui a dois meses. Quanto à mudança das aldeias, é pouco provável que aconteça. Afinal, não é Marquês de Pombal quem quer.

Obra de  Louis-Michel Van Loo (1705–1771) e de Claude Joseph Vernet (1714–1789).
Está na Câmara Municipal de Oeiras

terça-feira, 2 de julho de 2019

POR TERRAS DE SÃO PEDRO

Talvez a grande villa romana se situasse nas imediações da atual ermida de S. Pedro. As pedras da Antiguidade Tardia conservadas no Museu Municipal, são disso evidiência.

Talvez a atual aldeia fosse um pequeno povoado de apoio à villa. Sempre me causou alguma estranheza a topografia meio "às avessas" do Sobral.

Talvez um dia a arqueologia dê resposta a essas dúvidas. E explique algumas coisa mais sobre a mineração medieval, literalmente sepultada em silêncio.

Nestes dias que passaram, interessou mais um certo sincretismo entre paganismo e religião. O que fez com que a tolerância fosse ainda maior que de costume. Houve liturgia, é certo, e uma procissão que serpenteou, campos fora, até chegar à aldeia. Houve muita gente no Gargalão. E uma atitude fraterna que me tocou bastante.

Tenho, desde há anos, datas obrigatórias no calendário. O S. Pedro, no Sobral da Adiça, é uma delas.



domingo, 2 de junho de 2019

MEMÓRIA, RESISTÊNCIA E LUTA

É um livro importante para a preservação da memória. A sessão desta manhã, no Sobral da Adiça, veio sublinhar a importância de iniciativas como a do Museu Nacional da Resistência e Liberdade. Ou do Museu do Aljube. A memória é curta. E tem de ser estimulada. E, permanentemente, invocada. Que o regime democrático tenha permitido a transformação da sede da PIDE em condomínio de luxo é uma vergonha para todos nós. Como várias vezes ouvi dizer a António Borges Coelho "a atual classe no poder é dominada pelos filhos do anterior regime; filhos naturais e filhos espirituais".

terça-feira, 5 de março de 2019

CARNAVAL COM DIETA MEDITERRÂNICA

O despacho n. º 1939/2019 do Diário da República n.º 41/2019, série II de 27.2.2019, criou o Conselho Dinamizador para a Salvaguarda e Promoção da Dieta Mediterrânica. São 35 entidades. Não tenho nada contra este género de iniciativas, muito sinceramente o digo. Nasci no mundo mediterrâneo e os hábitos alimentares, como outros do quotidiano, fazem parte do dia-a-dia.

Publiquei, em "A Planície" de 1.10.2014, um texto onde, entre outras coisas e a propósito de uma jovem amiga que fora estudar para longe, referia "aquela coisa do palato, que é por ele que começamos a sentir saudades de casa. E que é sempre pelo ponto onde regressamos à infância.

Quando em dezembro voltar à Pátria para as férias do Natal imagino reinvindicações meridionais. O pão, o tal de Monte Fialho, mais o paio e o presunto. E o queijo, aquele dos Cotéis ou o da Abelheira. E migas, claro, que é coisa que não se faz com pão de plástico. Neste entretanto, uma coisa a minha amiga já percebeu. Há, felizmente, patrimónios de infância que nunca nos deixam. Ela poderá ter saído de Mértola para sempre. Mas há sempre qualquer coisa de Mértola que nunca a deixará".

O Mediterrâneo estuda-se, promove-se e dinamiza-se? Claro que sim. Sobretudo, vive-se. Todos os dias e para sempre.

Aquilo a que poderemos chamar um grupo de trabalho informal da dieta mediterrânica, na Sociedade Monumental Sobralense, no Sobral da Adiça.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A CAMINHO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES

Para já, são só esquemas e riscos e esquiços. Costumo trabalhar assim, sobre plantas rudimentares. Segue-se o desenho das vitrines, a escolha de materiais gráficos, a redação de textos etc. A exposição sobre metais, a montar no Sobral da Adiça, vai tomando forma. O território foi um sítio importante de mineração e de metalurgia.

Hesíodo escrevia, no século VIII a.C. que "as Hespérides que vigiam além do ínclito Oceano belas maçãs de ouro e as árvores frutiferantes". A fama da Ibéria chegava à Grécia. O ocidente peninsular era rico em metais preciosos. Foram séculos a fio de exploração. No século X d.C. o autor árabe ar-Razi referia as minas de muito boa prata e muito branca, que existiam na zona de Totalica (ou seja, perto da ribeira de Toutalga). É essa memória que se vai resgatar e mostrar. O brilho dos metais será visto, em 2020, no Sobral da Adiça.

domingo, 1 de julho de 2018

GONE TO GARGALÃO

Na sexta à tarde fiz como Bruce Chatwin. Deixei um papel em cima da secretária. Dizia apenas Gone to Gargalão. Sempre gostei de romarias e de festas no campo. 

Daí o prazer de regressar aos sítios. E de (re)encontrar amigos. Aquela procissão, campo fora, tem algo de onírico. Do Gargalão à ermida são 500 metros. Dali à entrada na aldeia 2.500. Mais uns 1.000 até á igreja. Fomos campo fora, com a música da banda e uma celebração entre o sagrado e o profano.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

TERRA DA FRATERNIDADE

https://perspectivasdoolhar.blogspot.pt

Dois dias de retorno às raízes. Dias fraternos. O primeiro com um encontro de dezena e meia de amigos. Manhã e tarde com a serra ali à vista. Do ponto de vista pessoal, com a compensadora certeza que há muito mais vida para lá dos cargos que, circunstancialmente, se desempenham.

O desafio profissional que tenho pela frente vai deixar-me pouco tempo para respirar. Mas, no mínimo, irei uma vez por mês a Moura. Pelo que acima disse. E porque há livros e projetos a continuar.

Voltarei sempre, até ao último dia. Com menos talento que Oswald de Andrade. Mas não com menos convicção.


Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar 
Os passarinhos daqui 
Não cantam como os de lá


Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra


Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá 
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá



Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo


Oswald de Andrade (1890-1954)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CARNAVAL 2018: DA NOITE PARA O DIA PARA A NOITE

Bom, e foi isto. Regresso breve a Moura. Só "falhei" as Estudantinas, na Amareleja. Fica para 2019. Vale a pena isto? Claro que vale. Entre velhos amigos e em verdadeiros santuários de borga: Tenda da Comissão de Festas, Dallas Bar, Tarro, Praça Forte, Tapas, Tarant'in... Uf.

No Tarro.

No Tapas - team autárquico 2005/2009. Só falta o José Maria.

Tarde sobralense entre amigos. Uma tradição que entrou nos meus hábitos.

No Dallas.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

TODO O OURO DA ADIÇA - UMA EXPOSIÇÃO PARA O SOBRAL


Recebi, hoje de manhã, uma comunicação do Presidente da Câmara de Moura informando que, por razões de ordem financeira, não será possível concretizar, no antigo matadouro municipal, a exposição De Totalica à Adiça: 5000 anos de mineração (registado, para efeitos autorais, nos serviços competentes do Ministério da Cultura). O valor estimado para a realização do projeto (com um teto máximo de 25.000 euros) não cabe nas prioridades atuais da autarquia. Quem tem de decidir, decide. E as opções são de quem tem o poder nas mãos.

Um dado importante, do ponto de vista pessoal: os 25.000 euros referem-se à montagem da exposição. O meu trabalho teria, e terá, custo zero.

Se a uma coisa me habituei, ao longo da minha carreira, foi a dificuldades, a projetos adiados ou concretizados muito depois da ideia inicial ter sido gizada. O recorde absoluto vai para a musealização da torre de menagem do Castelo de Moura, iniciada em 1989 e concluída em 2012... Tracei o projeto para um livro em 1990, para o publicar em 2001. Comecei a trabalhar no Museu Islâmico de Mértola em 1991, para ver a sua inauguração ter lugar em 2001. Etc.


Desta vez, não será preciso esperar tanto tempo. Retomarei o projeto, a concretizar em moldes de recurso, no Sobral da Adiça. A exposição tem de ser repensada, embora o guião original vá ser respeitado.




Que se quer de uma coisa assim? Uma exposição com brilho. Literalmente.

Que se vai mostrar? Cópias das desaparecidas tábuas da Adiça. A palavra estará presente na exposição. Através da Teogonia, de Hesíodo (sécs. VIII-VII a.C.), onde se falava do Jardim das Hespérides e da árvores do pomos de ouro. Através da poesia. Ainda Robert Frost me virá dar uma ajuda. Através de textos do século XI que aludem à importância das minas da Adiça. O metais das atividades tradicionais cruzar-se-ão com peças modernas. A luz da Adiça entrará na exposição pelas fotografias de Jorge Campaniço.


Iremos mostrar toda a riqueza mineira do concelho de Moura e cruzá-la com a produção artística (nas suas vertentes eruditas e populares, que se iluminam mutuamente e se complementam) e com a vida quotidiana.


Reproduções de pinturas de Alexandre Charles Guillemot, de François Boucher, de Johann Georg Platzer, de Anthony van Dick, as fotografias de Uwe Niggemeier entrarão em diálogo com o ambiente de uma forja. Os brinquedos tradicionais farão outro apelo à memória de todos nós. O poder do deus Hefestos estará sempre presente.



No final, voltamos ao início e ao Génesis: "e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. / E Deus disse: Haja luz; e houve luz".



Imagens poesia, luz e ambiente. Tradição e modernidade, passado, presente e futuro, eis a ideia central da exposição. É isso que iremos fazer. Com dificuldades, é certo. E, também, com a ajuda de colegas qualificados (a quem já comecei a contactar e que entrarão, com amizade, neste projeto).

 



A parte positiva nas viagens de longo curso são coisas assim... O guião foi, em traços gerais, feito entre Paris e Atlanta, em maio de 2016. Nove horas sobre o Atlântico, a ver filmes idiotas e a jogar às cartas, é dose a mais. Puxei do caderno de apontamentos e comecei a delinear o projeto. Só "falhei" uma vitrine. Ainda pensei em usar, em ante-título, a expressão "há aí uma minera muito boa", tirada de A crónica do mouro Rasis, um texto medieval. Depois desisti, porque a língua portuguesa é mais que traiçoeira.


A luz que vem das pedras



A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.
O sal do mar percorre a tua língua;
não são de mais em ti as coisas mais.
Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar
os olhos densos de cada dia um só.
Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo? 



Pedro Tamen