- 1996-1998 – Francisco Bethencourt
- 1998-2002 – Carlos Reis
- 2002-2005 – Diogo Pires Aurélio
- 2005-2011 – Jorge Couto
- 2011-2012 – Pedro Dias
- 2012-2024 – Maria Inês Cordeiro
- 2024-2026 – Diogo Ramada Curto†
Foi anunciado ontem; a entrega do prémio terá lugar na próxima quinta-feira.
No "Público":
O júri do Prémio Vilalva decidiu atribuir por unanimidade a distinção a este "biblioteca viva", considerando que o projecto demonstrou uma “metodologia exemplar para a inventariação, preservação, restauro e disponibilização pública” do conhecimento que ali acumula. Entre os 20 candidatos ao prémio na edição deste ano, a biblioteca da Brotéria destacou-se pelo seu trabalho de limpeza, estabilização e restauro de livros em estado crítico. Além disso, destacou o júri, “o projecto contempla ainda o estímulo à investigação científica, ao gosto pela leitura e ao debate de ideias, designadamente através da disponibilização dos espólios bibliográficos de vários investigadores, o acesso digital a fundos documentais do Arquivo Romano da Companhia de Jesus e ao Fundo “Jesuítas na Ásia” da Biblioteca da Ajuda, a abertura gratuita da biblioteca ao público e uma intensa programação”, frisa a Gulbenkian.
Este ano a Gulbenkian atribuiu ainda três menções honrosas: à recuperação do Palácio de São Roque — Casa Ásia — Colecção Francisco Capelo, em Lisboa; à reabilitação do Seminário Maior de Coimbra; e ao trabalho de reabilitação e restauro do Convento de Santa Clara, no Funchal, na Madeira.
Ver, no "Público" de hoje: https://www.publico.pt/2024/09/09/culturaipsilon/noticia/restauro-biblioteca-broteria-lisboa-vence-premio-vilalva-gulbenkian-2103419
Participação num livro de homenagem a Maria José Moura:
No dia 3 de abril de 1986, um simples despacho de Teresa Patrício Gouveia, Secretária de Estado da Cultura, criava condições para a instalação de uma rede de bibliotecas municipais. Era preciso alguém que capitaneasse o projeto. O grupo de trabalho que então se constituiu era coordenado por Maria José Moura, uma veterana bibliotecária que foi a alma do que se seguiu. E o que se seguiu foi uma verdadeira revolução cultural. Era preciso rigor administrativo, mas muito mais que isso. Era imprescindível criatividade e energia, dentro das baias da legislação. Maria José Moura fez da teoria prática. À mistura com uma fervorosa crença na capacidade da juventude.
Só a conheci depois desse processo ter arrancado. Tive a perceção de que algo único se iria passar. A minha perceção ficou, felizmente, muito aquém da realidade futura. No dia em que comecei a trabalhar na Câmara de Moura (em setembro de 1986), estava decidido a avançar para uma remodelação da Biblioteca Municipal. Passei dias a fio, nesses tempos bárbaros sem Internet nem telemóveis, até localizar Maria José Moura, então bibliotecária da reitoria da Universidade de Lisboa. Falar com ela foi o primeiro passo. O segundo, e decisivo, foi ter-nos explicado, com detalhe, o âmbito do projeto. De uma remodelação conduziu-nos, firmemente – «isto faz-se assim, perceberam?» –, para uma intervenção mais profunda e radical. A nossa candidatura seria entregue em maio de 1987. Soubemos, algum tempo depois, que Moura integrava o primeiro grupo de sete municípios que, a sul, iria ter apoio. O contrato seria depois assinado e as obras iniciadas já em 1989.
No dia em que partiu, a sua missão estava bem cumprida. Nunca, até ao fim, a vi deixar de acreditar nas bibliotecas, na capacidade das novas gerações, na decisiva importância da presença da Cultura na vida dos cidadãos. Tal como nunca deixou de acreditar e de evocar o Alentejo onde quis ficar para sempre.
A Maria José Moura, devo as primeiras e algumas das mais importantes lições da minha carreira de funcionário público. Mais importante, e é isso que se deve reter, o País deve imenso, ainda que possa não o saber, a Maria José Moura.
Obra, lançada hoje, disponível em: https://doi.org/10.4000/books.
Numa altura em que tanto se fala no "interior", temos a rede nacional de bibliotecas públicas a contrariar a tendência e a demonstrar que, ao menos aí, a realidade é bem outra.
Desde há muito que esta rede se instalou e faz a diferença. É decisivo o trabalho que estas bibliotecas têm vindo a fazer. E é crucial termos gente qualificada nos equipamentos. Porque ter equipamentos só por si pouco (nos) adianta.
O colóquio de homenagem tem lugar hoje. É bom vermos que os exemplos de dedicação, determinação e competência não são esquecidos.
Razões de ordem pessoal levam-me a não poder responder favoravelmente ao convite que recebi. Espero poder adquirir depois o livro que vai ser editado. Enviei, em tempos, um curto testemunho, que não sei se chegou a tempo de ser incluído:
MARIA JOSÉ MOURA
No dia 3 de abril de 1986, um simples despacho de Teresa Patrício Gouveia, Secretária de Estado da Cultura, criava condições a instalação de uma rede de bibliotecas municipais. Era preciso alguém que capitaneasse o projeto. O grupo de trabalho que então se constituiu era coordenado por Maria José Moura, uma veterana bibliotecária, que foi a alma do que se seguiu. E o que se seguiu foi uma verdadeira revolução cultural. Era preciso rigor administrativo, mas muito mais que isso. Era imprescindível criatividade e energia, dentro das baias da legislação. Maria José Moura fez da teoria prática. À mistura com uma fervorosa crença na capacidade da juventude.
Só a conheci depois desse processo ter arrancado. Tive a perceção que algo de único se iria passar. A minha perceção ficou, felizmente, muito aquém da realidade futura. No dia em que comecei a trabalhar na Câmara de Moura (em setembro de 1986) estava decidido a avançar para uma remodelação da Biblioteca Municipal. Passei dias a fio, nesses tempos bárbaros sem internet nem telemóveis, até localizar Maria José Moura, então bibliotecária da reitoria da Universidade de Lisboa. Falar com ela foi o primeiro passo. O segundo, e decisivo, foi ter-nos explicado, com detalhe, o âmbito do projeto. De uma remodelação conduziu-nos, firmemente - “isto faz-se assim, perceberam?” -, para uma intervenção mais profunda e radical. A nossa candidatura seria entregue em maio de 1987. Soubémos, algum tempo depois, que Moura integrava o primeiro grupo de sete municípios que, a sul, iria ter apoio. O contrato seria depois assinado e as obras iniciadas já em 1989.
No dia em que partiu, a sua missão estava bem cumprida. Nunca, até ao fim, a vi deixar de acreditar nas bibliotecas, na capacidade das novas gerações, na decisiva importância da presença da Cultura na vida dos cidadãos. Tal como nunca deixou de acreditar e de evocar o Alentejo onde quis ficar para sempre.
A Maria José Moura devo as primeiras e algumas das mais importantes lições da minha carreira de funcionário público. Mais importante, e é isso que se deve reter, o País deve imenso, ainda que possa não o saber, a Maria José Moura.
Santiago Macias
Historiador
A minha vida entre 1981 e 1985 foi marcada por três sítios:
O bar da faculdade;
A associação de estudantes;
A biblioteca central.
Por razões que agora não interessam, criou-se o falsíssimo mito entre os amigos que eu era uma espécie de monge eremita, refugiado na biblioteca, onde ía acumulando fichas de leitura e apontamentos para investigações em preparação. Porque estava fadado a "fazer carreira" e patati-patata.
Não tendo sido verdade nada disso - nem o eremitério nem a carreira - é um facto que esta foi a primeira das bibliotecas da minha vida de investigação. Um sítio inesquecível. Onde trabalhava sempre de costas para o janelão grande, para não me distrair. Essa parte é verdade.
Uma iniciativa importante da Junta de Freguesia de Arroios. A Maria João Tomás convidou-me a estar presente e, naturalmente, não poderia recusar. Meio século (!) depois de se iniciar a publicação do "Portugal na Espanha Árabe", é altura de relembrar a importância decisiva do trabalho de António Borges Coelho. E o papel fundamental dos livros, das bibliotecas e da investigação.
Tarde de segunda-feira à beira Tejo.
De luva azul, já que não tenho sangue azul 😊, na Biblioteca Nacional.
Mas sem intuitos destruidores. E sob o signo de Frost.
Isto sai um pouco da minha caixa habitual, mas foi com muito gosto que assisti a uma sessão promovida, há dias, pela Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.
Já passaram 35 anos desde a altura em que a rede começou a ser. Era Secretária de Estado da Cultura a Dra. Teresa Patrício Gouveia. Lembro-me muito bem de que foi o primeiro projeto em que trabalhei, quando iniciei funções, na Câmara Municipal de Moura, em setembro de 1986.
A renovação da Biblioteca Municipal de Moura começou a ser esboçado nessa altura, com projeto da arq. Teresa Ribeiro. Um processo que não chegou a ser concluído, tendo ficado apenas pela primeira fase. A Biblioteca tomaria depois outros caminhos e transformou-se numa referência, a nível nacional.
Sobre esta história, bem como outras recentes, sairá um livro, em breve. Por agora, importa celebrar a Rede Nacional de Leitura Pública. Os seus 35 anos e a Revolução que tudo isto representou em Portugal. Sendo, ainda hoje, um frequentador assíduo de bibliotecas (silenciosas, sff!), posso testemunhar o papel que tiveram na minha vida e no meu trabalho.