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terça-feira, 10 de setembro de 2024

BROTÉRIA - PRÉMIO GULBENKIAN PATRIMÓNIO

Foi anunciado ontem; a entrega do prémio terá lugar na próxima quinta-feira.

No "Público":

O júri do Prémio Vilalva decidiu atribuir por unanimidade a distinção a este "biblioteca viva", considerando que o projecto demonstrou uma “metodologia exemplar para a inventariação, preservação, restauro e disponibilização pública” do conhecimento que ali acumula. Entre os 20 candidatos ao prémio na edição deste ano, a biblioteca da Brotéria destacou-se pelo seu trabalho de limpeza, estabilização e restauro de livros em estado crítico. Além disso, destacou o júri, “o projecto contempla ainda o estímulo à investigação científica, ao gosto pela leitura e ao debate de ideias, designadamente através da disponibilização dos espólios bibliográficos de vários investigadores, o acesso digital a fundos documentais do Arquivo Romano da Companhia de Jesus e ao Fundo “Jesuítas na Ásia” da Biblioteca da Ajuda, a abertura gratuita da biblioteca ao público e uma intensa programação”, frisa a Gulbenkian.

Este ano a Gulbenkian atribuiu ainda três menções honrosas: à recuperação do Palácio de São Roque — Casa Ásia — Colecção Francisco Capelo, em Lisboa; à reabilitação do Seminário Maior de Coimbra; e ao trabalho de reabilitação e restauro do Convento de Santa Clara, no Funchal, na Madeira.

Ver, no "Público" de hoje: https://www.publico.pt/2024/09/09/culturaipsilon/noticia/restauro-biblioteca-broteria-lisboa-vence-premio-vilalva-gulbenkian-2103419

quarta-feira, 31 de julho de 2024

JOSÉ MATTOSO NA BIBLIOTECA NACIONAL

A espantosa realidade da História é o título da mostra bibliográfica da obra de José Mattoso (1933-2023). Vai estar até 12 de outubro na Biblioteca Nacional.

Quando soube que a mostra ia ter lugar pensei "o karma é tramado".

REVOLUÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL

A Revolução em marcha é o título da exposição. São dezenas de cartazes do PREC montados como se um painel de rua se tratasse. Há lá criações verdadeiramente notáveis. O melhor é talvez o do voto-povo, um trabalho de Marcelino Vespeira. O pior de todos o do mascarilha do 28 de setembro...

Vale a pena ir à Biblioteca Nacional. Até 21 de setembro.



terça-feira, 5 de março de 2024

BIBLIOTECAS A SUL

Participação num livro de homenagem a Maria José Moura:

No dia 3 de abril de 1986, um simples despacho de Teresa Patrício Gouveia, Secretária de Estado da Cultura, criava condições para a instalação de uma rede de bibliotecas municipais. Era preciso alguém que capitaneasse o projeto. O grupo de trabalho que então se constituiu era coordenado por Maria José Moura, uma veterana bibliotecária que foi a alma do que se seguiu. E o que se seguiu foi uma verdadeira revolução cultural. Era preciso rigor administrativo, mas muito mais que isso. Era imprescindível criatividade e energia, dentro das baias da legislação. Maria José Moura fez da teoria prática. À mistura com uma fervorosa crença na capacidade da juventude.

Só a conheci depois desse processo ter arrancado. Tive a perceção de que algo único se iria passar. A minha perceção ficou, felizmente, muito aquém da realidade futura. No dia em que comecei a trabalhar na Câmara de Moura (em setembro de 1986), estava decidido a avançar para uma remodelação da Biblioteca Municipal. Passei dias a fio, nesses tempos bárbaros sem Internet nem telemóveis, até localizar Maria José Moura, então bibliotecária da reitoria da Universidade de Lisboa. Falar com ela foi o primeiro passo. O segundo, e decisivo, foi ter-nos explicado, com detalhe, o âmbito do projeto. De uma remodelação conduziu-nos, firmemente – «isto faz-se assim, perceberam?» –, para uma intervenção mais profunda e radical. A nossa candidatura seria entregue em maio de 1987. Soubemos, algum tempo depois, que Moura integrava o primeiro grupo de sete municípios que, a sul, iria ter apoio. O contrato seria depois assinado e as obras iniciadas já em 1989.

No dia em que partiu, a sua missão estava bem cumprida. Nunca, até ao fim, a vi deixar de acreditar nas bibliotecas, na capacidade das novas gerações, na decisiva importância da presença da Cultura na vida dos cidadãos. Tal como nunca deixou de acreditar e de evocar o Alentejo onde quis ficar para sempre.

A Maria José Moura, devo as primeiras e algumas das mais importantes lições da minha carreira de funcionário público. Mais importante, e é isso que se deve reter, o País deve imenso, ainda que possa não o saber, a Maria José Moura.

Obra, lançada hoje, disponível em: https://doi.org/10.4000/books.cidehus.21573


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

A LIÇÃO DAS BIBLIOTECAS

Numa altura em que tanto se fala no "interior", temos a rede nacional de bibliotecas públicas a contrariar a tendência e a demonstrar que, ao menos aí, a realidade é bem outra. 

Desde há muito que esta rede se instalou e faz a diferença. É decisivo o trabalho que estas bibliotecas têm vindo a fazer. E é crucial termos gente qualificada nos equipamentos. Porque ter equipamentos só por si pouco (nos) adianta.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

MARIA JOSÉ MOURA - INOVAR COM DETERMINAÇÃO

O colóquio de homenagem tem lugar hoje. É bom vermos que os exemplos de dedicação, determinação e competência não são esquecidos.

Razões de ordem pessoal levam-me a não poder responder favoravelmente ao convite que recebi. Espero poder adquirir depois o livro que vai ser editado. Enviei, em tempos, um curto testemunho, que não sei se chegou a tempo de ser incluído:

MARIA JOSÉ MOURA

 

No dia 3 de abril de 1986, um simples despacho de Teresa Patrício Gouveia, Secretária de Estado da Cultura, criava condições a instalação de uma rede de bibliotecas municipais. Era preciso alguém que capitaneasse o projeto. O grupo de trabalho que então se constituiu era coordenado por Maria José Moura, uma veterana bibliotecária, que foi a alma do que se seguiu. E o que se seguiu foi uma verdadeira revolução cultural. Era preciso rigor administrativo, mas muito mais que isso. Era imprescindível criatividade e energia, dentro das baias da legislação. Maria José Moura fez da teoria prática. À mistura com uma fervorosa crença na capacidade da juventude.

Só a conheci depois desse processo ter arrancado. Tive a perceção que algo de único se iria passar. A minha perceção ficou, felizmente, muito aquém da realidade futura. No dia em que comecei a trabalhar na Câmara de Moura (em setembro de 1986) estava decidido a avançar para uma remodelação da Biblioteca Municipal. Passei dias a fio, nesses tempos bárbaros sem internet nem telemóveis, até localizar Maria José Moura, então bibliotecária da reitoria da Universidade de Lisboa. Falar com ela foi o primeiro passo. O segundo, e decisivo, foi ter-nos explicado, com detalhe, o âmbito do projeto. De uma remodelação conduziu-nos, firmemente - “isto faz-se assim, perceberam?” -, para uma intervenção mais profunda e radical. A nossa candidatura seria entregue em maio de 1987. Soubémos, algum tempo depois, que Moura integrava o primeiro grupo de sete municípios que, a sul, iria ter apoio. O contrato seria depois assinado e as obras iniciadas já em 1989.

No dia em que partiu, a sua missão estava bem cumprida. Nunca, até ao fim, a vi deixar de acreditar nas bibliotecas, na capacidade das novas gerações, na decisiva importância da presença da Cultura na vida dos cidadãos. Tal como nunca deixou de acreditar e de evocar o Alentejo onde quis ficar para sempre.

A Maria José Moura devo as primeiras e algumas das mais importantes lições da minha carreira de funcionário público. Mais importante, e é isso que se deve reter, o País deve imenso, ainda que possa não o saber, a Maria José Moura.

 

Santiago Macias

Historiador


sexta-feira, 12 de agosto de 2022

A BIBLIOTECA DA FACULDADE DE LETRAS

A minha vida entre 1981 e 1985 foi marcada por três sítios:

O bar da faculdade;

A associação de estudantes;

A biblioteca central.

Por razões que agora não interessam, criou-se o falsíssimo mito entre os amigos que eu era uma espécie de monge eremita, refugiado na biblioteca, onde ía acumulando fichas de leitura e apontamentos para investigações em preparação. Porque estava fadado a "fazer carreira" e patati-patata.

Não tendo sido verdade nada disso - nem o eremitério nem a carreira - é um facto que esta foi a primeira das bibliotecas da minha vida de investigação. Um sítio inesquecível. Onde trabalhava sempre de costas para o janelão grande, para não me distrair. Essa parte é verdade.




sábado, 19 de junho de 2021

BIBLIOTECA DO MÉDIO ORIENTE E NORTE DE ÁFRICA

Uma iniciativa importante da Junta de Freguesia de Arroios. A Maria João Tomás convidou-me a estar presente e, naturalmente, não poderia recusar. Meio século (!) depois de se iniciar a publicação do "Portugal na Espanha Árabe", é altura de relembrar a importância decisiva do trabalho de António Borges Coelho. E o papel fundamental dos livros, das bibliotecas e da investigação.

Tarde de segunda-feira à beira Tejo.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

MOMENTO "YELLOW SUBMARINE" NA BIBLIOTECA NACIONAL

De luva azul, já que não tenho sangue azul 😊, na Biblioteca Nacional.

Mas sem intuitos destruidores. E sob o signo de Frost.

Fragmentary Blue

Why make so much of fragmentary blue
In here and there a bird, or butterfly,
Or flower, or wearing-stone, or open eye,
When heaven presents in sheets the solid hue?
 
Since earth is earth, perhaps, not heaven (as yet)—
Though some savants make earth include the sky;
And blue so far above us comes so high,
It only gives our wish for blue a whet.





domingo, 14 de março de 2021

LEITURA PÚBLICA: 35 ANOS

Isto sai um pouco da minha caixa habitual, mas foi com muito gosto que assisti a uma sessão promovida, há dias, pela Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

Já passaram 35 anos desde a altura em que a rede começou a ser. Era Secretária de Estado da Cultura a Dra. Teresa Patrício Gouveia. Lembro-me muito bem de que foi o primeiro projeto em que trabalhei, quando iniciei funções, na Câmara Municipal de Moura, em setembro de 1986.

A renovação da Biblioteca Municipal de Moura começou a ser esboçado nessa altura,  com projeto da arq. Teresa Ribeiro. Um processo que não chegou a ser concluído, tendo ficado apenas pela primeira fase. A Biblioteca tomaria depois outros caminhos e transformou-se numa referência, a nível nacional.

Sobre esta história, bem como outras recentes, sairá um livro, em breve. Por agora, importa celebrar a Rede Nacional de Leitura Pública. Os seus 35 anos e a Revolução que tudo isto representou em Portugal. Sendo, ainda hoje, um frequentador assíduo de bibliotecas (silenciosas, sff!), posso testemunhar o papel que tiveram na minha vida e no meu trabalho.



sexta-feira, 29 de maio de 2020

IBN AL-WARDI E A SUA PÉROLA IMACULADA DOS PRODÍGIOS E PEDRA PRECIOSA DAS MARAVILHAS

Por razões que não vêm ao caso, falei hoje, por várias vezes, neste mapa. É peça selecionada para um projeto em curso, se o covid deixar, que cada dia parece mais incerto que o anterior. Escolhi-a para a exposição por razões que, em detalhe, ocupariam demasiado espaço. É uma cópia tardia (feita por Fr. João de Sousa) de uma obra de Ibn al-Wardi, autor que viveu na primeira metade do século XIV. Esta verdadeira preciosidade conserva-se na Biblioteca Pública de Évora (Cod. CXVI/1-42)

O mapa em si, orientado a sul, mostra-nos África na parte superior, a Europa à direita, em baixo, e a Ásia à esquerda, em baixo. O mapa identifica os rios Nilo, Ganges e Indo, o Mar Mediterrâneo e o Oceano Índico.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

CARTA ABERTA - BIBLIOTECAS: ESTAMOS DISPONÍVEIS

Recebi, no sábado, convite de Zélia Parreira (diretora da Biblioteca Pública de Évora) para subscrever o documento que se segue. Assinei a petição, com todo o gosto. Grande parte de minha vida profissional foi passada em bibliotecas. Tenho as minhas preferidas (a Nacional de França, em Paris; a do Instituto Arqueológico Alemão, em Madrid, como locais de trabalho), mas a que gostava mesmo de visitar era esta:
Bem entendido, importantes mesmo são as nossas. As da rede de leitura pública e todas as outras. Aquelas por onde andei, e ainda ando. Sem ter começado por elas, nunca teria frequentado as outras. Sem a pacatez da Biblioteca de Mértola, os livros da Mouraria e de Bolama não teriam sido terminados. 
Exmo. Senhor Presidente da República,
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,
Exma. Senhora Ministra da Cultura,
Exmo. Senhor Presidente do Conselho Diretivo da Associação Portuguesa de Municípios Portugueses
As Bibliotecas são uma das instituições mais democráticas da sociedade. Ao longo da vida, todos os cidadãos acedem às Bibliotecas e usufruem dos seus serviços de forma gratuita e universal: espaço de leitura e empréstimo de livros, jornais e revistas, acesso à internet, espaço de estudo, investigação e trabalho, imaginação e criação, local de conversa e debate de ideias, de realização de atividades lúdicas, exposições, conferências, encontros com autores e criadores.
São lugares que combatem o desemprego através do apoio à procura de emprego e da qualificação dos trabalhadores, reduzem os níveis de iliteracia da população, promovem atividades de formação, fomentam a literacia digital, incluindo o apoio assistido na prestação de serviços online por forma a servir melhor o cidadão. São lugares de proximidade e afetividade, que ligam as pessoas, combatem a solidão, estimulam as competências sociais, tornando as comunidades mais coesas. A par com a rede escolar, a rede de serviços de saúde ou os serviços de protecção civil e segurança, estão implementadas em todo o território nacional. São lugares que não podemos dispensar.
As bibliotecas foram das primeiras instituições a encerrar os seus espaços durante o período de confinamento devido à epidemia da COVID-19, e das primeiras a reabrir. Durante este período continuaram a trabalhar e, apesar das fragilidades, adaptaram-se a esta nova realidade, reinventando-se rapidamente no meio digital, em resposta à crescente procura e pressão dos cidadãos, incluindo muitas pessoas que habitualmente não as frequentavam.
Não obstante, as Bibliotecas têm vindo a ser negligenciadas na política cultural, e praticamente ignoradas no quadro atual das medidas extraordinárias de apoio à cultura.
Tendo em conta que:
  • Somos agentes ativos e de proximidade nas nossas comunidades e estamos disponíveis para ajudar a reconstruir o tecido cultural, social e económico.
  • Chegamos a um público heterogéneo e transversal à sociedade portuguesa, com utilizadores de todas as idades, estratos sociais e convicções, sem discriminação de qualquer tipo.
  • Facilitamos o acesso às tecnologias digitais e à Internet, contribuindo para diminuição da brecha digital, através da disponibilização de equipamentos, rede Wi-Fi e da formação dos cidadãos nestas áreas. 
  • Promovemos o uso ético e crítico da informação nas mais diversas áreas, das quais destacamos, nesta fase, o combate às notícias falsas e a informação de saúde pública e familiar.
  • Somos elementos chave na rede cultural dos municípios, apoiando e promovendo os criadores e as livrarias locais.
  • Num país assimétrico, somos frequentemente o único instrumento de combate à infoexclusão e contribuímos para o desenvolvimento dos territórios mais periféricos.
  • Recolhemos e valorizamos o património cultural imaterial e a memória local, elementos estruturantes da identidade das comunidades.
  • Constituímos uma rede de apoio à investigação e ao acesso à informação científica.
Propomos que:
  1. As Bibliotecas sejam incluídas e valorizadas como agentes na política de recuperação para o sector cultural promovida pelo Ministério da Cultura.
  2. Seja restabelecido o Conselho Superior das Bibliotecas Portuguesas, com uma nova composição, onde as instituições representantes do sector (Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Biblioteca Nacional de Portugal, Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Fundação para a Ciência e Tecnologia e Associação Nacional de Municípios Portugueses) possam participar na definição de políticas.
  3. Sejam iniciadas discussões interministeriais, nomeadamente com o Ministério da Educação, Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior e Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública, considerando as bibliotecas como equipamentos habitualmente designados como second responders, capazes de dar resposta aos múltiplos desafios da sociedade portuguesa, nomeadamente através do acesso à informação e ao conhecimento.
  4. Seja definida regulamentação legal para as bibliotecas (Portugal é um dos quatro países da União Europeia que não dispõem de instrumentos legislativos para o sector) que contemple, entre outros aspetos, orientação técnica especializada, serviços e (re)qualificação profissional e critérios rigorosos de admissão à profissão.
  5. Sejam definidas e clarificadas as exceções e limitações apropriadas à legislação de direito de autor, essenciais para o trabalho das bibliotecas, em particular no ambiente digital. A desadequação ou a inexistência de exceções para as bibliotecas coloca sérios constrangimentos ao cumprimento da sua missão de acesso à informação de forma legal, como foi evidente durante este período de confinamento.
  6. Seja criado um programa específico para a constituição ou valorização dos fundos locais nas bibliotecas.
  7. Seja feita uma aposta na rentabilização dos espaços, equipamentos e recursos das bibliotecas, evitando a duplicação de investimentos e projetos. 
  8. As bibliotecas sejam efetivamente incluídas na Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030, Portugal INCoDe.2030, como entidades envolvidas na implementação das medidas previstas (assegurar a generalização do acesso às tecnologias digitais a toda a população).
  9. Seja disponibilizada uma plataforma nacional de livros e conteúdos digitais em língua portuguesa reforçando o papel das bibliotecas enquanto mediadoras da leitura, informação e conhecimento com um modelo de consórcio semelhante ao da B-On.
A crise inesperada que se abateu sobre o país e o mundo devido à COVID-19 terão consequências a longo prazo na vida dos cidadãos e os seus impactos não serão medidos apenas em termos de saúde. O desemprego, a pobreza e os impactos psicossociais têm custos humanos muito reais. As medidas de recuperação exigem uma rápida adaptação das competências dos cidadãos a uma nova realidade social, laboral, cultural e económica. As bibliotecas podem, e têm condições, para participar, como agentes ativos, nos pacotes de estímulo de investimento desenvolvidos pelo Governo no combate à crise, apoiando as populações.
Estamos disponíveis.
Os signatários,

terça-feira, 28 de abril de 2020

UMA BIBLIOTECA, UM LEITOR: MÉRTOLA

Do facebook da Câmara Municipal de Mértola:

Biblioteca de Mértola premiada em passatempo nacional
Os leitores do nosso concelho são pessoas atentas e participativas e mantêm com a nossa biblioteca uma relação de proximidade. Em particular à Ana Rita Raposo, o nosso muito obrigado. Por ser leitora, por ter participado neste passatempo e por nos ter nomeado.
Apesar de, neste momento, estarmos encerrados ao público, continuamos a trabalhar, disponibilizando conteúdos online e no interior da biblioteca, para que possamos regressar com melhores serviços, num futuro que, esperamos, seja próximo. Estaremos de volta logo que as autoridades de saúde o aconselhem, para que o façamos em segurança, e possamos garantir o bem-estar de todos.


sábado, 25 de abril de 2020

LIVROS, EM ABRIL

Por todos os livros censurados.
Por todos os autores que impedidos de editar.
Por todas as palavras que só muitos anos depois puderam ser ditas.
Porque bibliotecas assim são as dos dias da Liberdade, veja-se este pequeno momento de poesia total, de palavras e de sons.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

ALGO SE PASSA NO REINO DA PORBASE

A ideia é excelente e a PORBASE, enquanto catálogo coletivo, é um precioso auxiliar de investigação. O problema são as "falhas", que minam a confiança no sistema. Gostava de ter podido dizer aos meus alunos "vão à PORBASE". Mas não pude. Limitei-me a dizer "vejam a PORBASE e, também, os catálogos das universidades e/ou dos centros de investigação". O que devia estar na PORBASE, por estar também nesses catálogos, com frequência não está. Ou seja, multiplica-se o tempo de pesquisa e somos obrigados a fazer "o caminho das pedras" uma vez e outra. Estamos mal habituados? É possível. Nos meus tempos de estudante, tínhamos de ir à Nacional e Faculdade de Letras e à Católica e à Gulbenkian à procura deste ou daquele livro. O caminho está agora muito mais facilitado. É preciso é que a PORBASE funcione a 100%. E isso está muito longe de acontecer.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

REGRESSO AO GEAEM, 35 ANOS VOLVIDOS

Não foi bem um regresso. Precisava consultar plantas do século XVIII no Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar. Uma fantástico arquivo, preservado com rigor castrense. Já não me lembro como lá cheguei, no início de 1984. Mas as plantas de Lippe, de Miguel Luiz Jacob e de outros foram-me utilíssimas nos estudos sobre urbanismo.

Ontem, enviei um mail pedido a disponibilização de um nutrido conjunto de plantas de várias fortificações, para uma investigação na fase V2, para usar o jargão aeronáutico. Esperava eu que me marcassem um dia para ir ao local, o Palácio Lavradio, no Campo de Santa Clara. Em tempos era assim, com o diretor, um coronel muito idoso (assim me parecia, mas devia ter pouco mais anos do que eu tenho agora) a atender-nos.

Não tive tempo sequer de apanhar o 12. Recebi um mail a dar duas opções: ou usava a imagem digitalizada que o site disponibiliza ou pedia, em formulário próprio (que me facultaram), as plantas com maior resolução. Aguardo agora o envio. Não devo chegar a apanhar o 12.

O outono corre assim, morno e manso. Como o outono e as codornizes de Sakai Hōitsu.

Para ver plantas de fortalezas:

domingo, 29 de setembro de 2019

SHELL SCOTT

O livro era exatamente este. Andava lá pela casa da Salúquia sem que houvesse a mínima indicação da sua "origem". Num dos verões da adolescência (1978? 1979?), e à falta de outra leitura, peguei-lhe. Li-o de uma ponta à outra, descobrindo o interesse de autores "secundários". Havia histórias bem urdidas - recordo a trama da maior parte delas, sei lá porquê... - e uma que não chegava ao fim. Pela simples razão que a última folha, e a contracapa, tinham sido arrancadas. Era a história de um homem que a Segurança do Estado encerra num farol, esperando que ele assassinasse o bebé que ali fora deixado, para colocar à prova a sua super-sensibilidade ao som.

No outro dia, na Biblioteca Nacional, entre a releitura de Oleg Grabar e a consulta da monumental edição do CHAM Velhos e Novos Mundos. Estudos de Arqueologia Moderna lembrei-me: "terão as antologias de Shell Scott?". Tinham, claro. Pedi o segundo volume (dado à estampa em abril de 1967) e voltei à página de um conto começado a ler há mais de 40 anos. A última página é dececionante e talvez tivesse tido mais graça ficar na dúvida sobre o remate da narrativa. Numa senda um pouco borgesiana.

O autor do conto é Theodore Mathieson (1913-1995), que publicou em várias das antologias de Alfred Hictchcock.

Shell Scott era editado pela Ibis, uma casa que já fechou e que ficava a menos de dois quilómetros do sítio onde me encontro.

TWIMC: a cota é L. 78038 P.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

É TÃO GRANDE O ALENTEJO...

Tão grande que, em 43 concelhos, só um tem uma biblioteca de verão? Só Mértola aparece no site da DGLAB (v. http://bibliotecas.dglab.gov.pt/pt/Paginas/default.aspx). Há outros concelhos que também têm esse serviço. É uma pena não haver divulgação, porque as praias, as bibliotecas e os jardins são excelentes sítios para momentos de leitura.

terça-feira, 18 de junho de 2019

BIBLIOTECA NACIONAL - UMA VIAGEM NO TEMPO

Por qualquer injustificada razão, era considerado por alguns colegas de licenciatura como um maníaco das bibliotecas. Um pacífico louco furioso, capaz de ficar horas a fio fazendo fichas e coligindo apontamentos. Ou transcrevendo manuscritos na Torre do Tombo. É verdade que gostava de frequentar bibliotecas e arquivos. O resto é invenção de almas mal intencionadas.

Recuei hoje mais de 30 anos, ao visitar a interessante exposição que a Biblioteca Nacional tem patente. Temos mesmo de visitar a exposição, porque durante a hora do almoço os depósitos estão fechados e as requisições de livros ficam em lista de espera. Que tinha a exposição de interessante? A memória da antiga biblioteca, no Chiado. Os desenhos de António Pardal Monteiro e de Jorge Chaves, bem mais orgânicos (e por isso foram chumbados) que a solução final de Porfírio Pardal Monteiro. O mobiliário de Daciano da Costa, sempre à frente do tempo e sempre com soluções intemporais. Deste autor eram os ficheiros em madeira, que enchiam em tempos a sala de referência. Perdi o conto às vezes que abri e fechei essas gavetas e dei volta aos blocos de mobiliário.

Recordo com clareza (esta é para os amigos que me acusam de maníaco) o primeiro livro que requisitei na Biblioteca Nacional, nos primeiros dias de 1982: ÉTUDES SUR LES COLONIES MARCHANDES MÉRIDIONALES À ANVERS DE 1488 À 1567 : PORTUGAIS, ESPAGNOLS, ITALIENS. Um estudo de Jan-Albert Goris (1899-1984), publicado em Lovaina em 1925. O meu primeiro trabalho na Faculdade foi sobre a feitoria portuguesa de Antuérpia. A leitura, no mesmo ano, de capitalismo monárquico português, do académico paulista Manuel Nunes Dias, começou a desenhar-me uma dúvida, depois transformada em certeza: não temos emenda nem cura...


sábado, 25 de maio de 2019

DO LIVRO DE HORAS DE JEAN DE MONTAUBAN

Nesta iluminura medieval não está claro quem iria ganhar. Parece que foi o leão. No Jamor foi.

Este Livro de Horas, obra da primeira metade do século XV, conserva-se na Biblioteca de Rennes.