quinta-feira, 8 de outubro de 2026
O MISTÉRIO DA LOTAÇÃO DOS ELEVADORES
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
40
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
CONTOS DA LOUCURA NORMAL: CONIMBRIGA
Ouvido ontem, na cafetaria das ruínas de Conímbriga:
Pessoa 1 - Não vamos ver as ruínas de Conímbriga?
Pessoa 2 - Onde é que isso fica?
Pessoa 1 - Em Conímbriga.
Pessoa 2 - Vamos lá num dia mais fresco, que hoje está muito calor.
Cai o pano.
A cafetaria está virada para as ruínas, que distam do local da "ação" 150 metros.
Duas teses num só momento:
A realidade é sempre melhor que a ficção.
O melhor humor é sempre involuntário.
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
LXXV - CRÓNICAS OLISIPONENSES: TU
"Mas tens trabalho fixo?". "Qual é o teu contacto?". "Vais fazer transferências para o estrangeiro, é isso?". Ouvido por mim, numa entidade privada, em Lisboa, há dias. O inquiridor era branco e funcionário da instituição. O inquirido era um homem negro, perto dos 30 anos. Tinha o colete de uma conhecida empresa de obras. A conversa decorria em voz alta. Do outro lado da sala, enquanto aguardava atendimento, eu ouvia tudo com nitidez. O inquiridor tratava o cliente por tu. Percebia-se que não tinham conhecimento prévio. O cliente, manifestamente desconfortável e intimidado, respondia com monossílabos.
Há dois tratamentos por tu: igualdade e superioridade. A questão é que eu não estou a ver o funcionário tratar por tu um jovem yuppie branco com quem nunca se tenha cruzado...
Ai esta terra ainda...
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
NO BRITÂNICO
segunda-feira, 6 de julho de 2026
THE NOR-WAY TO BRAZIL
Excepcionais, Vinícius e Casemiro. E isso não chega.
O resto? São bons, sem serem para a História.
Desde 1990 que o Brasil não ficava pelos 1/8. E tinha então uma seleção muito melhor.
Segue o Campeonato. Ficará para ser recordado pelas piores razões.
sábado, 13 de junho de 2026
FROM MOURA TO AYAMONTE
A primeira parte da história tem uns anos:
Num restaurante de Moura o dono, um jovem simpático e jovial, mostrou-me a ementa: "já viu? traduzi para inglês!". Olhei o menu à porta, com atenção. Estaquei num ponto. Havia grilled lizards. Havia o quê? Lagartos grelhados... Supostamente, o meu amigo queria anunciar aquela parte do porco a que chamamos "lagartos". Publicitava, contudo, algo de completamente diferente. Ou seja lagartos, dos verdes mesmos, na grelha. Expliquei o equívoco e aconselhei-o "tira isso daí, antes que tenhas aqueles ingleses, que acham que somos todos uns bárbaros, à perna". Tirou e passou anunciar uma mais banal grilled meat, ou algo assim.
A segunda parte:
O episódio foi revivido há semanas, numa esplanada de Ayamonte. A Luísa, uma jovem amiga, apontou-me a ementa do bar: "já viste aquilo?". Tinham traduzido "raia com pimentão" por "risca com parrika". Dois erros: raya é risca em espanhol (daí o stripe), e pimentão é/pode ser paprika (não parrika) em inglês. Ah, e raia é fishbase 😁😁😁
Imagino o ar intrigado de um inglês a olhar para aquele stripe in parrika... (what the hell do they eat in Spain?...)
quinta-feira, 14 de maio de 2026
PORTUGAL ATLÂNTICO
sábado, 2 de maio de 2026
O DESPOVOAMENTO DO "INTERIOR": DO SÉCULO XVI ATÉ AOS NOSSOS DIAS
A cópia (melhor dizendo, o rascunho) do Livro das Fortalezas de Duarte Darmas está na Biblioteca Nacional de Espanha. Está classificado como manuscrito MSS/9241 e pode ser consultado online: https://bnedigital.bne.es/bd/es/viewer?id=bf5fbebc-a7d6-4e49-9bb8-a9edcb68bbc3 . Foi o que fiz ontem à tarde, cotejando informações "laterais".
Uma das notas mais curiosas reporta-se à fortaleza de Portelo, no concelho de Montalegre. Anota Duarte Darmas o abandono do sítio (nem o alcaide ali vivia...):
"Alcayde nom no vy por que achey a fortaleza soo sem ningem".
Portelo faz fronteira com Espanha. Ficava a 370 quilómetros da capital do reino. Em 2011 a freguesia de Padornelos tinha 124 habitantes. O abandono é antigo.
Ver fotografia atual do sítio em:
sábado, 18 de abril de 2026
MÔDE??? MONDE???
No outro dia dei comigo a pensar em palavras e expressões "que se vão perdendo". Que não fazem sentido nos nosso dias, ou que foram cilindradas por novos usos, pelas redes sociais, pela padronização da estupidez televisiva...
Subitamente, apareceu-me uma expressão quye não ouço há décadas. E que a minha avó Joaquina do Ó Ferreira (1909-1975) usava: môde [por mor de... por causa de...]. O uso era quase sempre interrogativo: "atão isso é môde quê?". Noutras pessoas ouvi o môde passar a monde. Na minha juventude ainda se usava, já mais em tom de brincadeira que outra coisa. Hoje em dia, diria que desapareceu.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
segunda-feira, 23 de março de 2026
segunda-feira, 9 de março de 2026
C.N.C.D.P.
No sábado passado tive como memória recorrente a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Extinta em 2002 às ordens do governo de Durão Barroso. Aquele processo de extinção é um verdadeiro manual de como-não-fazer. A C.N.C.D.P. foi uma verdadeira escola de quadros e de produção de conhecimento. Saber aproveitar esse potencial teria sido importante para o nosso País. Infelizmente, isso não aconteceu.
quinta-feira, 5 de março de 2026
RUA MOITA MACEDO
Às 17:41 de hoje descerrou-se a placa toponímica. Um vento gelado varria o Lumiar. Entre as Ruas Pina Bausch e Querubim Lapa criou-se espaço para Moita Macedo, o poeta, o pintor, o militante comunista. Uma justa homenagem e uma semente para o futuro. As brilhantes palavras de Mário Avelar explicaram tudo e tudo iluminaram. Lá estive, entre amigos e memórias. Que se me repetiram, uma vez e outra, no regresso a casa. Uma muito feliz tarde fria.
Da esquerda para a direita:
Carlos Moedas (Pres. CML), Ricardo Mexia (Pres. J.F. Lumiar), Maria Rosário Macedo e Paulo Macedo.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
COLHOADA
domingo, 8 de fevereiro de 2026
DO ARCO DO CEGO A SANTA APOLÓNIA
Aguardava a conclusão de um trabalho à porta de uma casa de fotocópias, na Rua Dona Filipa de Vilhena. Ia trocando impressões com o meu amigo André Linhas Roxas, enquanto via passar os jovens da escola secundária ali ao lado. Eram 10 horas da manhã. Passa um grupo, munido de refrigerantes e folhados pré-fabricados. Daí a pouco outro grupo, com mais refrigerantes e bolicaos e outras trampas do género. Depois, daí a minutos, mais rapaziada, artilhada com refrigerantes e donuts ou algo parecido. Tinham, todos, ar de excesso de peso.
Não deixei de pensar no tema, durante toda a manhã. À hora do almoço, e tendo de rumar à Baixa, parei na "Maçã Verde", mesmo junto à estação.
"Hoje temos um prato dietético", disse-me o empregado, com ar de boa disposição.
"Qual?", perguntei, meio-desconfiado.
"Rancho à transmontana". Foi isso, mais um copo de vinho tinto, pão e café.
Um almoço excelente, ainda que solitário. Ainda há sítios assim, onde o lixo pré-fabricado não entra.
Receita em:
sábado, 31 de janeiro de 2026
SEM NOVIDADES NEM SURPRESAS
Houve uma tempestade. Dura e com coisas imprevisíveis.
O pior veio depois. E o pior dura até hoje. Falhas nas comunicações. Ausências de responsáveis no terreno. Impreparação. Inexistente logística. Descoordenação. "Explicações" inenarráveis (do Secretário de Estado da Proteção Civil). Os problemas entregues "aos de sempre": Câmaras, Juntas, Bombeiros, Populações.
Insuficiências conhecidas e explicadas no outro dia, na televisão, por um bombeiro. O que aconteceu foi o que se esperava: o CAOS.
domingo, 25 de janeiro de 2026
AO DESCONCERTO DO MUNDO
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
TOMARA QUE CHOVA
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
O HOBBY DOGGING OU QUANDO EU ERA EUSÉBIO...
Aquela cena marada de andar a passear cãezinhos imaginários fez-me recuar a 1970 ou 1971. Tinha uns 7 anos e aprendera a ler relativamente depressa. A narrativas épicas do Jornal do Benfica (o primeiro jornal que li) levavam-se a recriar os jogos europeus numa partida a solo. Ou seja, eu era o Benfica e o Real Madrid em simultâneo. Ou seja, eu era 22 jogadores... E jogava sozinho, para trás e para a frente, em desarmes temerários, em passes infalíveis e em golos espetaculares, marcados por Eusébio.
Um dia, no meio de uma animada partida, reparei que os homens que carregavam o bagaço da azeitona, na Sociedade dos Azeites, riam daquele bailado solitário. Envergonhado, abandonei o terreno de jogo. Assim terminou, aos 7 anos, o que podia ter sido uma carreira promissora.
Ah, mas se me virem agora passear algum cãozinho imaginário ou fulminar Junquera com um indefensável remate, podem internar-me sff.

