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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

MOURA EM 1510: OS DESENHOS DE DUARTE DARMAS

Sexta será dia de (mais um) regresso à pátria de origem. Desta vez para, na Taberna do Liberato, retomar um tema que me é caro: o das leituras do urbanismo antigo. O que é se pode reconhecer passados 500 anos? Que modificações houve? Que permanências se podem constatar?

E tudo isto em dois dos meus lugares de eleição: a Mouraria e a Taberna do Liberato. Um e outro são Património. 

sábado, 27 de dezembro de 2025

O LADO DE DENTRO

O cenário é "antigo". O google maps mostra esta casa assim, já em agosto de 2022. Eram 17:00 em ponto do dia 23 quando esta ruína, na Rua Capitão Leitão, na Parede, me chamou a atenção. Sempre tive um especial fascínio por casas abandonadas, por interiores-fachada-às-avessas e por sítios que outrora tiveram vida e foram sítios animados. E fica sempre a pergunta: "o que terá acontecido?". Já um dia visto, uma casa onde vivi.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

COVA DA MOURA

Aqui se deixa o link do texto de Jakilson Pereira sobre a Cova da Moura:

https://www.abrilabril.pt/nacional/cova-da-moura-e-do-povo

"A Cova da Moura não precisa de planos de demolição mascarados de progresso. Precisa de políticas públicas de habitação para a requalificação urbana, para programas de intervenção no pavimento e nos espaços públicos".

Precisamente. A Cova da Moura precisa de ação política e de coragem política. Vereadoras ao volante de um "caterpillar" fazem tanta falta na política como um cão na missa...

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

MOURA NA "BUSINESS INSIDER"

Moura é motivo de destaque na "Business Insider". Qual a razão?

O jardim, o castelo (visitável desde 2004, obra de uma gestão CDU) e a Mouraria (obra de recuperação de uma gestão CDU) são os pontos de referência: "I absolutely love walking along the tight network of narrow streets lined with low-slung, white-washed houses, many ornamented with colorful flower pots".

Uma pequena história sobre os vasos de flores: em 2016, um destacado membro do Partido Socialista de Moura veio propor (quase reivindicar), numa reunião tida no meu gabinete, que, por razões de segurança, fossem removidos os vasos de um dos lados da rua. Explicou-me, pedagógico e sapiente, que se uma ambulância tivesse de passar, os vasos seriam uma obstrução à circulação e, inclusivamente, poderiam ser destruídos.

Ou seja, ante a popularidade de uma iniciativa que tivéramos, vinham sugerir que fossemos nós a acabar com ela...

Quem me conhece minimamente sabe da pouca pachorra que tenho para este tipo de tretas. A minha resposta foi, ante algum embaraço dos presentes, curta e grossa:

"Não há problema. Se houver uma emergência, podem partir o que for preciso. Os vasos todos, se necessário. No dia seguinte, colocamos lá outros"

A reunião terá durado uns 5 minutos, não mais.

Ver:

https://www.businessinsider.com/best-region-to-visit-portugal-alentejo-nature-beaches-food-2025-8?utm_medium=social&utm_campaign=business-sf&utm_source=facebook&fbclid=IwY2xjawMZBwZleHRuA2FlbQIxMQABHl-1yd5adoCji6FZETBxrrDC8iH6EInygsGOerX3mZRi5EeTUvXXovUAHRiC_aem_hRhiYEHsbbHod52Ge06-HA#moura-is-a-small-city-that-features-charming-narrow-streets-of-white-washed-homes-2



quinta-feira, 5 de setembro de 2024

QUAL SERÁ O DIA???

São 11:37 (diz o registo da fotografia) e saí há minutos da Biblioteca Nacional.

Passa um avião de dois em dois minutos, ou coisa parecida. Não sei a que altura vão, mas diria que entre 40 e 60 metros por cima do topo do edifício. Estarei, eventualmente, a errar, mas isso pouco importa. Um veterano comandante da TAP disse-me, um dia, que o aeroporto deveria sair dali quanto antes.

Ontem, no seu twitter, João Ferreira recordava que "por mais de uma vez, Carlos Moedas votou contra propostas da CDU para que a Câmara Municipal de Lisboa defendesse junto do Governo o encerramento definitivo (ainda que faseado) do Aeroporto da Portela. Acrescente-se, em abono da verdade, que o PS também".

Esclareço que o meu amigo comandante não tem simpatias (nem por sombras, muito longe disso) pelo PCP.

Andamos nisto desde 1969...

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

NA TRAVESSA DO MEIO

Almoço, com frequência, num pequeno restaurante na Rua do Paraíso. Fica a 150 metros de Panteão. O percurso é feito sempre pela Travessa do Meio. As casas são antigas, mas a vizinhança do bairro é cada vez em menor número, empurrada pelo "alojamento local". Tenho reparado que os estendais que resistem são, quase sempre, nos pisos superiores... Não será por muito tempo mais, suspeito. Em Alfama não há crianças e, em breve, não haverá velhos.

A fotografia foi feita às 13:30 de ontem. Há três anúncios de vendas de casas, num curtíssimo troço de rua. Segundo o site idealista há quase 12.000 casas à venda em Lisboa. Resta saber para quem...


quinta-feira, 20 de junho de 2024

RUAS ESTREITINHAS E UM URBANISMO ASSIM TIPO-ÁRABE

Quando ouço a expressão "urbanismo muçulmano" tenho calafrios. É um conceito tão científico como "urbanismo budista" ou "urbanismo cristão".

Casas branquinhas, vielas estreitinhas, tudo soa a fado... A imagem de uma cidade antiga parece ser essa. Deve ter sido esse o entendimento do editor que escolheu esta imagem para ilustrar uma notícia sobre a Mouraria. Só que... a imagem é de Alfama, 800 metros a sudeste da Mouraria.

Bom, do mal o menos, vê-se o Panteão 😊


quinta-feira, 4 de abril de 2024

BABILÓNIA TOPONÍMICA: UMA RUA COM QUATRO NÚMEROS CINCO

O número da porta é o cinco. Lote cinco, para ser mais preciso. Usei o GPS. A rua era longa. Íamos no 73, depois apareceu um cruzamento, depois a rua passou para o número um. Mau maria. Avancei um pouco. Chegámos a um número cinco. Mas a casa não coincidia com a descrição. Avançámos mais um pouco. Encontrámos um lote cinco. Não, também não era aquele. Telefonámos à dona da casa. Disse para irmos em sentido contrário. Quando a rua estava, de novo, quase a terminar encontrámos outro número cinco. E vão três. Parei o carro. Toca o telefone "não é aí, eu estou-vos a ver, avancem mais uns metros; isso aí é o número cinco. A minha casa é o lote cinco".

Ou seja, a bendita rua tem quatro números cinco. Uma coisa borgesiana. Ou tarantiniana.


domingo, 10 de dezembro de 2023

ANTES DOS COMPUTADORES

Não havia auto-cad, mas havia esforço e imaginação. Sou a favor de retrocessos? Não sou, mesmo nada. Mas sou a favor de uma certa "complementaridade". O facto de termos métodos mais avançados não me convence a abandonar completamente os velhos recursos.

Os dois arquitetos (?) estão deitados em cima de Cambridge, Massachussets.


terça-feira, 21 de novembro de 2023

UMA ÓPERA NO BARREIRO

Há muitos anos, numa aula de Arte Contemporânea, o dr. Rio-Carvalho usou as duas horas daquele final de tarde explicando-nos a beleza do Barreiro. Escreveria, dias depois, um artigo sobre esse tema para o "Jornal de Letras". Uma sua aluna tinha-lhe apresentado um trabalho intitulado "Para compreender a beleza do Barreiro". Intrigado, Rio-Carvalho foi passear para a margem sul. Lembro-me da paisagem industrial lhe evocar o "Deserto Vermelho", de Antonioni, e dele próprio dizer que o mercado municipal, na sua arquitetura neo-árabe, era o cenário ideal para uma "Carmen".

Manuel Rio-Carvalho era um professor invulgar e com um conhecimento profundo de Arte. Foi um dos quatro ou cinco que (me) fizeram a diferença, na desgraça que era a Facudade de Letras na primeira metade da década de 80.

Aquele episódio ficou no fundo da minha memória, até ao passado domingo. Ao olhar para uma fotografia de Augusto Cabrita, do 1º. de maio de 1974, pensei "era este o edifício de que o Rio nos falava; vou ver como é". O mercado fica na zona antiga. Ao chegar, reparei que a fachada neo-árabe foi ocultada por um expansão desgraçada e cheia de nomes sonantes. Toda a poesia do lugar se foi. Meti-me rapidamente no carro e voltei para a margem norte.


domingo, 6 de agosto de 2023

PASSEIO À HORA DO CALOR

Saí de casa quando o calor começava a apertar. Subúrbios são casas e ruas e poucos jardins. A 750 metros de casa há uma exceção: o Parque Silva Porto, que toda a gente conhece como a Mata de Benfica. São quatro hectares de espaço verde, frequentado aquela hora quase só por quem saiu a passear os cães. Ao lado fica (até quando ficará?) o complexo desportivo do Futebol Benfica. À saída do parque há um obelisco com uma homenagem ao grande pintor, nascido em 1850 e falecido em 1893 e que andou por Capri (ver pintura). 

De um lado e do outro do parque, para oriente e para ocidente, há um extenso bairro (665 casas!) de casas económicas, simples e bonitas. O projeto é de Francisco Keil do Amaral (1910-1975). As casas já foram económicas. São vendidas, hoje em dia, por valores a rondar os 750.000 euros. 

Sinais dos dias, no regresso cruzei-me com um bispo trajado a rigor, com o distintivo solidéu roxo.




terça-feira, 23 de maio de 2023

PAISAGEM ORIENTAL

O sítio fez-me lembrar as fotografias de Thomas Weinberger. Só que aqui havia fábricas e agora já não há. A mudança está a ser extremamente rápida. Deixa marcas sem retorno. Agora há empresas e muito dinheiro estrangeiro. A igreja de um antigo convento agora é um cenário operático. Um toque de irrealidade passa pela Lisboa Oriental. Álvaro de Campos anda por ali.




















ODE TRIUNFAL

 

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica 

Tenho febre e escrevo. 

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, 

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

 

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! 

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! 

Em fúria fora e dentro de mim, 

Por todos os meus nervos dissecados fora, 

Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! 

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos, 

De vos ouvir demasiadamente de perto, 

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso 

De expressão de todas as minhas sensações, 

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

sexta-feira, 28 de abril de 2023

O LICENCIAMENTO, TREZE ANOS VOLVIDOS

O licenciamento zero foi anunciado no verão de 2012. A ideia acabou por borregar.

Hoje, foi anunciado novo pacote. Leio coisas como:


"O Governo aprovou na quinta-feira, em Conselho de Ministros, a terceira parte do pacote de medidas "Mais Habitação" que permite a simplificação do licenciamento urbanístico, o último ponto que ainda estava em consulta pública. Os solos rústicos podem ser reclassificados para urbanos, consoante as necessidades das autarquias.


De acordo com o Governo, os terrenos de outras finalidades podem ser reclassificados para a construção de habitações, uma medida que, para a ministra Marina Gonçalves, é "essencial para o cumprimento das próprias estratégias locais" dos municípios".


E ainda:


"Mário Campolargo anunciou ainda que será criada uma plataforma online que, "além de simplificar e de concentrar num único sítio a apresentação dos pedidos", vai permitir aos cidadãos consultar o estado dos processos e os prazos e receber notificações de avisos eletrónicos ou obter certidões de isenção de procedimentos urbanísticos.


"Além destes avanços, e focando mais na área da digitalização, um dos grandes avanços que irá ocorrer será a utilização do BIM, uma sigla inglesa para Building Information Modeling, uma metodologia, se assim posso dizer, de trabalho que utiliza o modelo 3D para representar e gerir informações sobre um edifício ou uma infraestrutura", que será implementada de forma faseada, acrescentou".


Depois de ler isto, só me resta rezar. Porque isto que acabo de ler revela um profundo desconhecimento do País Real. Oxalá me engane. Quanto ao licenciamento zero não me enganei, felizmente.


segunda-feira, 10 de abril de 2023

AEROPARTICIPA

A ideia poderia ter interesse, se tudo isto não fosse acabar, como vai, em estilo "concurso televisivo".

Vamos no 54º. ano de indecisões. E isto não tem fim à vista.


sábado, 1 de abril de 2023

MAIS HABITAÇÃO

Sem estar a entrar nos prós e contras, em acordos e desacordos, só (me) faço umas perguntinhas: estão criados os meios de fiscalização? o IHRU tem capacidade de resposta? as Câmaras têm capacidade operacional e de fiscalização? estão preparados os meios informáticos para dar suporte a tudo isto? há meios humanos? Fico com a sensação, repito que sem estar aqui com a tomar partido(s), que isto não vai dar nada. À boa maneira lusitana, temos uma enorme capacidade de indecisão.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

HUMOR NEGRO - VERSÃO IMOBILIÁRIA

Na mesma semana em que andou tudo em bolandas por causa das inundações, eis que surge o anúncio de mais um empreendimento imobiliário de luxo. Onde? Em Miraflores, junto a Algés. Com a promessa de mais de dois hectares de construção e com um parque subterrâneo com três-pisos-três.

O sítio chama-se Parque dos Cisnes. Um nome apropriado porque, como se diz na minha terra, vai andar "tudo banhando".

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

TURISMO: EM ODEMIRA, JÁ SE VENDEM PRAIAS...

A venda em si não é ilegal. Mas temos, em Portugal, legislação que não permite a privatização da costa (noutros países não é assim e por cá já tem havido algumas tentações). O chamado direito público hídrico não impede, contudo, que se vendem praias. Como é o caso desta, com anúncio numa conhecida imobiliária. Às vezes, o futuro não me parece lá grande coisa.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

A ÁGUA NÃO DORME...

As recentes inundações ocorridas em Lisboa (em Alcântara - o sítio chama-se assim porque havia uma ponte sobre um ribeiro onde hoje estão a Avenida de Ceuta, a Rua João de Oliveira Miguens e a Rua de Cascais) levaram-me e uma memória ainda recente (2015) que ilustra bem o que se passa/passou. No caso de Lisboa, já não há ponte nem ribeiro. Mas a água passa, quando tem de passar. Seja por onde for.

Veja-se o exemplo de Albufeira:

O nome atual é Albufeira. A raíz está na língua árabe. A palavra que lhe deu origem é buhayra (lagoa, charco, açude ou, mais poeticamente, pequeno mar ou marzinho). O étimo é bahr = mar. A que propósito vem o arrazoado? É que, em tempos, o cerro do castelo de Albufeira estava rodeado por água, como se vê no desenho de Alexandre Massai. O mar não se detinha na Praia dos Pescadores, estendendo-se pela zona que hoje conhecemos como Av. 25 de abril. E pelas áreas circundantes, bem entendido. A lagoa que deu o nome à cidade deixou, há muito, de existir. No seu lugar há agora casas e ruas. Onde navegavam barquinhos estacionam hoje automóveis.

O mau tempo deste dia 1 de novembro [2015] veio, uma vez mais, explicar a razão de ser do nome do sítio. E a lógica topográfica da cidade. A inundação que aconteceu hoje irá, por isso, repetir-se no futuro.


domingo, 16 de outubro de 2022

UMA PLANTA ESPANHOLA DE MOURA, EM 1834

Às voltas com a infindável procura de elementos sobre a minha terra, fui dar com mais esta planta (data de 1834!) num arquivo militar espanhol. As perspetivas estão ligeiramente distorcidas e há distâncias que estão falseadas. Mas é, sem dúivida, um poderoso elemento informativo. E veio lançar-me uma dúvida sobre o verdadeiro estado das muralhas no século XIX...


terça-feira, 4 de outubro de 2022

RUA DO MIRANTE, Nº. 15

Uma cidade morre assim.

Os novos moradores não serão daqui. Os antigos e os vizoinhos dos antigos irão para outros lados. O anchluss social chama-se gentrificação.