terça-feira, 25 de agosto de 2026
HÁ 10 ANOS, NO PORTO
terça-feira, 2 de junho de 2026
DAMNATIO MEMORIAE
Ao ler os documentos do Panteão Nacional não pude deixar de ficar intrigado com a ausência do nome do arquiteto que finalizou o projeto da cúpula (Luís Amoroso Lopes) nos textos que assinalam o final dos trabalhos. Que se terá passado para tão drástico esquecimento? Alguém disso se encarregou... O tempo se encarregou de remeter ao anonimato quem o quis apagar. Hoje é o nome do arquiteto que surge quando se fala do monumento e não o de outras pessoas.
A expressão que me ocorre é “damnatio memoriae”. Significa “condenação da memória”. Equivalia, em Roma, a apagar qualquer traço ou vestígio que pudesse lembrar uma pessoa que tivesse sido votada ao esquecimento. Como se ela nunca tivesse existido.
A História é fértil em episódios assim. Um dos meus preferidos é o da lápide mandada fazer para assinalar a construção de uma torre no castelo de Silves, no verão de 1227. Quem veio a seguir, mandou apagar o nome do construtor. Uma atitude banal. E tão menor quanto banal.
Na terceira linha da inscrição foi, como se pode ver na imagem, intencionalmente destruído o nome de quem mandou fazer a construção e que o arabista Lévi-Provençal identificou como tendo sido Abu l-Ula Idris, filho de Yaqub al-Mansur. Especula-se que o nome do construtor possa ter sido mais tarde apagado por ordem de Ibn Mahfuz, que ali se rebelou contra os almóadas.
Esta tentação de apagamento da memória é tanto mais intencional e violenta, quanto menores são os autores das perseguições. Tal como Ibn Mahfuz tentou apagar a memória de quem o antecedera e tinha construído a torre, há sempre pequenos protagonistas e autores menores que se esforçam por apagar o passado. Como se a História tivesse começado com eles e antes deles nada houvesse. Ora, quem estuda História, como é o caso do autor destas linhas, sabe muito bem que as coisas não são assim.
É sempre uma luta de polos opostos. Entre as atitudes positivas e as negativas. Entre escrever e apagar a escrita. Entre a construção da memória e a sua destruição. Entre o que tem luz e o que a não tem. Como nos filmes, nas óperas, nos bailados de final feliz, em que o bem triunfa sobre o mal, também nas tentativas de apagamento da memória é a verdade que teima sempre em triunfar. É tudo uma questão de tempo e de não se deixar que a memória do passado seja apagada.
Crónica em "A Planície"
sexta-feira, 22 de maio de 2026
MANUEL BRAVO
segunda-feira, 18 de maio de 2026
AO BRUNO MONTEIRO
Foi com muita pena com soube da saída do Bruno Monteiro da atividade política. Fico com a esperança que não seja de vez e para sempre. Como, aliás, lhe disse ao telefone durante a tarde de ontem.
Conheci o Bruno em 2013, quando foi candidato à Junta de Freguesia. Um candidato-surpresa que ganhou a Junta para a CDU. Foi, durante 12 anos, um brilhante autarca. Sei do que falo, porque acompanhei de perto o seu percurso. Em particular entre 2013 e 2017, quando foi Secretário da Vereação. Um lugar que desempenhou com profissionalismo e seriedade. E com um estilo próprio e pensando pela sua cabeça. Não era um yes-man. "Olha lá, boss [era esse o tratamento que me reservava], não estou de acordo contigo". Assim se forjou uma amizade, franca e leal, que já vai em mais de uma década.
Ir ao Sobral passou a ser "estar com as pessoas de lá". Passei a ser presença assídua em muitos momentos, sempre com ele, enquanto presidente da junta, a enquadrar-me no sítio e a apresentar-me a toda a gente. Fazendo, no fundo, com que passasse a sentir-me em casa. Foi isso que aconteceu, mesmo depois de eu ter deixado a presidência da câmara.
Trabalho, dedicação e inteligência marcaram esse percurso. Em mais de uma década de presidência construiu um caminho, procurando soluções, inovando, fazendo a diferença e liderando. Foram muitas as intervenções, as obras concretas, numa presença permanente e em diálogo aberto. Mesmo com os que combateram de forma desleal. No momento em que, por razões de ordem pessoal, deixa a presidência da Assembleia de Freguesia, faço questão de deixar aqui este testemunho. Nada que o Bruno não saiba, mas há coisas que vale a pena escrever. Até porque espero que este possa não ser o capítulo derradeiro. O concelho de Moura precisa de homens como ele. Que façam a diferença e que façam mais do que a banalidade a que assistimos.
Tal como ontem dissémos "até ao S. Pedro, se não for antes".
quarta-feira, 22 de abril de 2026
E ASSIM PASSARAM DEZ ANOS
Fui buscar aos "arquivos" esta fotografia. Dez anos certos.
A cena é inesquecível. Subimos a Segunda Rua da Mouraria a custo, no meio da multidão. Ao chegarmos perto da Praça, estava o Jorge Liberato à porta da taberna com garrafas de vinho para oferecer ao Presidente da República. Apresentei-o: "Senhor Presidente, este amigo é o bastonário da Ordem dos Taberneiros". A resposta, acompanhada por um vigoroso aperto de mão, foi: "então temos de conhecer a taberna". E entrou de rompante.
Marcelo Rebelo de Sousa já não é Presidente da República.
Eu já não sou Presidente da Câmara de Moura.
O Jorge continua ativo, no seu posto, felizmente.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
UM DIA NA PRESIDÊNCIA: 10 ANOS
Faz agora dez anos (caramba!...) que teve início uma das iniciativas de que tenho melhores recordações do quadriénio 2013/2017: o UM DIA NA PRESIDÊNCIA. De que se tratou? De levar comigo, um pouco por toda a parte, alunos do Ensino Secundário, explicando-lhes o que era a função de presidente da câmara. Participavam em tudo: preparação das reuniões de câmara, depois nas reuniões propriamente ditas, nas discussões de projetos, no despacho de correspondência, nas visitas a obras, etc. Democracia direta, se assim se pode dizer. Um trabalho em esforço, numa tentativa de fazer da função um momento de pedagogia junto dos mais novos. Dando-lhes atenção e fazendo deles protagonistas. Valeu a pena, valeu mesmo a pena!
E tudo começou quando um jovem me perguntou, na Escola Secundária de Moura "mas afinal, o que é que faz o Presidente da Câmara?". Fiquei embatucado, sem ser capaz de dar uma resposta clara e que (lhe) fizesse sentido. Ia explicar o quê? E como? Disse-lhe, honestamente, que ia pensar na resposta. Pedi-lhe o contacto. Ainda antes de chegar à Praça, já tinha a "solução". Não podia explicar, só poderia mostrar. No terreno. Assim se fez. Assim pus no terreno 34 jovens cidadãos.
Na fotografia, "explicando" o frenesim do meu quotidiano, num dia de janeiro de 2017:
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
A MAIS COMPLETA INCOMPETÊNCIA
Ante públicas denúncias sobre o estado de ruína do Convento do Carmo, já começou a choradeira sobre as culpas do Poder Central (e esperem que ainda vai sobrar para a CDU e para 2017 e para mim e para sabe-se lá mais o quê...) e sobre a tristeza e a amargura etc.
Muito claramente, sobre esta matéria, recordo o que já escrevi e reafirmo:
Desde outubro de 2017, com o PS à frente da Câmara, o processo do Convento do Carmo tem sido um desvario. Foi desenvolvido um projeto para um hotel de cinco estrelas, que previa a construção de anexos e obras profundas no subsolo. Ao tomar conhecimento do projeto, pensei “isto vai dar problemas”. Porquê? Porque espaços ligados a conventos têm sempre cemitérios, normalmente com muitas centenas de corpos. Estes trabalhos arqueológicos são, por norma, demorados e caros. Antes de se avançar para um projeto desta dimensão conviria olhar o terreno, estudar as suas condições específicas, consultar os técnicos e só depois decidir. Fez-se o contrário.
A culpa não é da arqueologia nem dos arqueólogos. A culpa é de um executivo camarário (presidente e vereadores PS) sem preparação nem conhecimentos. A impreparação custa cara.
Depois de tantos anos envolvido na reabilitação urbana de Moura, tudo isto me causa uma pena imensa. Ainda por cima, com a convicção que com outra equipa à frente da Câmara teria havido trabalho e resultados. Tal como aconteceu no passado. Com menos folclore, menos Domingão, mas mais concretizações.
Portanto:
A culpa não é dos arqueólogos;
A culpa não é dos técnicos;
A culpa não é do Departamento Técnico;
A culpa não é do(s) governo(s);
A responsabilidade total deste imbróglio é da mais absoluta incompetência das equipas autárquicas do PS que, desde 2017, estão à frente do nosso concelho.
Um certeza. Com uma Câmara CDU (fosse o presidente o André, o José ou o Santiago) isto não aconteceria. Tenho provas do que digo. Ponto.
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
NO LIVRO SOBRE O PARTIDO DOS FACHOS
Uma amiga da Coimbra telefona-me "então és citado no livro sobre o partido dos fachos?". Pois não fazia a mínima ideia. Mandou-me um fotografia. O texto tem um par de incorreções (y como no?, diz-se em Espanha...), a começar pelo facto de a pessoa que migrou para o Chega ter sido "assessora dos vereadores". Nunca foi tal. Dava apoio administrativo a quem secretariava as reuniões de câmara. Algo de muito diferente.
"não gostou da gestão do sucessor, Santiago Macias", leio no livro. Fiquei feliz com o desgosto.
"Por dentro do Chega" é um livro de Miguel Carvalho. Para ser lido dentro de dias.
quinta-feira, 9 de outubro de 2025
9.10.2005
Faz hoje 20 anos! Vitória e maioria absoluta.
✊✊✊✊✊
No lado direito da imagem está agora o José Gonçalo Valente, que na altura era o cabeça de lista à Assembleia Municipal. O Rafael Rodrigues anda hoje por terras de Grândola.
terça-feira, 7 de outubro de 2025
AUTÁRQUICAS 2025: DIA 8 DA CAMPANHA
E ao oitavo dia de campanha estalou a polémica. Uma condenação do Tribunal de Contas ao cabeça de lista do PS à União de Freguesias de Moura e Santo Amador deu origem à costumeira tentativa de vitimização. Um clássico: José Sócrates anda há anos a fazer o mesmo...
A questão é simples: houve ou não houve uma atitude censurável?
Um comportamento destes é normal num autarca?
segunda-feira, 6 de outubro de 2025
AUTÁRQUICAS 2025: DIA 7 DA CAMPANHA
Uma campanha também é celebração!
A CDU felicita o jovem Gonçalo Batista, mandatário do desporto da candidatura da esperança, pela conquista da medalha de Bronze na prova de pares masculinos SH6, no Campeonato da Europa de Para Badminton.
domingo, 5 de outubro de 2025
AUTÁRQUICAS 2025: DIA 6 DA CAMPANHA
Arruada na Amareleja. Ação direta junto da população. Uma excelente receção. E o prazer de ouvir uma senhora dizer a outra "este moço é canastro". A parte do moço é que já foi...
MOURALUMNI: 10 ANOS
Já lá vão dez anos... Isto passa a correr.
Fazer do cargo um exercício de proximidade (dando o peito às balas, como diz um amigo meu) sempre me pareceu essencial. Uma coisa é dizer, outra é fazer. Nós fizemos. Nem sempre bem, certamente, mas fizemos. Uma coisa são os discursos fofinhos e balofos, outra coisa é fazer.
Um dos projetos passou por trazer "de volta a Moura" antigos alunos da Escola Secundária com percursos interessantes. E assim se concretizou.
Foram doze sessões de antigos alumni, entre abril de 2015 e maio de 2017:
1. Arsénio Fialho, professor universitário (IST)
2. Elisabete Pato, jornalista
3. Francisco Caldeira, piloto da aviação comercial (TAP)
4. Carlos Valente, gestor (diretor-geral da Pionner)
5. Carlos Campaniço, escritor e programador cultural
6. Carlos Silvestre, professor universitário (IST)
7. Zélia Parreira, bibliotecária (diretora da Biblioteca Pública de Évora)
8. Francisco Moita Flores, escritor e investigador
9. Jorge Felisberto Lopes, funcionário do Comité Olímpico Internacional
10. José Eduardo Cavaco, professor universitário (UBI)
11. Kim Cachopo, ator
12. Maria Filomena Pereira, médica
sábado, 4 de outubro de 2025
AUTÁRQUICAS 2025: DIA 5 DA CAMPANHA
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
AUTÁRQUICAS 2025: DIA 4 DA CAMPANHA
Espetacular sessão com a presença de Paulo Raimundo. Grande e firme intervenção do André Linhas Roxas. Um presidente é assim.
DEIXAR DE SER PRESIDENTE DA CÂMARA
Deixar de ser presidente da câmara é, para alguns, um verdadeiro drama. Desaparece a notoriedade, deixar da haver convites e solicitações, os jornais e as rádios já não querem saber deles, adeus aos wine parties e aos sunsets... Pior, muito pior, o salário baixa - nalguns caso baixa mesmo muito... - e passa-se à situação de "cidadão comum". Como se diz na nossa terra "é só fezes".
Deixar este transitório "trono" é, para alguns, uma pequena tragédia. Daí o destempero com que algumas pessoas (re)agem em tempos de campanha. Chega a ser triste. E 2017 e 2017 e 2017 e a Lógica e a Lógica e a Lógica. E as dívidas e as dívidas... Um esbracejar de quem se afoga.
Confesso publicamente o que muitos amigos sabem: a única coisa que estranhei no dia em que deixei a presidência, foi o súbito silêncio do telemóvel. Nada mais. Tinha uma carreira, que continuei, na minha área profissional. Depois de uma brevíssima "travessia do deserto", em 2018, retomei em pleno. Até hoje. No Panteão Nacional, na Universidade, em diversas outras missões.
O José Maria Pós-de-Mina, um excelente autarca, tinha uma carreira profissional reconhecida, que continuou. O André Linhas Roxas, um homem íntegro e competente, não precisa da política para viver ou para ter reconhecimento. A diferença está em muitas outras coisas, mas também está aí.
Há quem, no dia 12 de outubro, vá deixar de ser presidente da câmara e isso seja quase um apocalipse. É a vida...
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
AUTÁRQUICAS 2025: DIA 3 DA CAMPANHA
Terceiro dia - visita às instalações municipais. O claríssimo discurso do nosso candidato André Linhas Roxas caiu bem junto dos trabalhadores.
Fotografia de grupo no Jardim das Oliveiras.
Visita vespertina a uma freguesia.



